Um quarto dos britânicos será vegano em 2025 e metade será flexitariano

Foto: ISTOCK

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A gigante britânica de supermercados Sainsbury lançou um estudo sobre o futuro dos alimentos para comemorar seu aniversário de 150 anos. O relatório de 34 páginas faz previsões sobre os próximos 150 anos de alimentos, incluindo leite com leite de algas e carne de celular como um “concorrente genuíno de mercado para a carne de criação”.

O “Relatório sobre o Futuro da Alimentação” discute quais hábitos de consumo, “impulsionados por uma consciência sem precedentes sobre bem-estar animal, preocupações com a saúde e eco-ansiedade”, serão adotados em 150 anos, oferecendo cenários nos anos 2025, 2050 e 2069, com base em análises de tendências de compras e estatísticas e oferecendo uma visão de vários especialistas em alimentos.

“Espera-se que um quarto de todos os britânicos sejam vegetarianos em 2025 (de um em cada oito britânicos hoje) e metade da populção se identifique como flexitarianos (acima do quinto de hoje). Só a Sainsbury já notou um aumento de 24% nos clientes que pesquisam produtos veganos on-line e um aumento de 65% nas vendas anuais de produtos vegetais, já que os consumidores consideram cada vez mais um estilo de vida vegano, vegetariano ou flexitário”.

Proteína à base de vegetais em ascensão

Com relação as proteínas alternativas, o relatório diz que entre “2016 a 2019, dezenas de empresas foram lançadas, com muitas delas atraindo investimentos de alto perfil.” Segundo esses resultados, o “mercado de proteínas não tradicionais ou alternativas (4,2 bilhões de dólares em 2016) espera-se que cresça mais de 25% até 2025”.

O Sainsbury’s cita a jaca como um exemplo de uma proteína baseada em vegetais que tem obtido enorme sucesso nos últimos três anos e discute suas próximas inovações neste campo, incluindo flor de banana, leite de alga e vários produtos derivados de cogumelos.

Carne cultivada em laboratório (agricultura celular)

Em termos de carne cultivada, a Sainsburys antecipa o ano de 2050 e prevê que esses produtos sejam uma parte normal da vida do consumidor, e apresenta ao leitor leigo o conceito de “proteínas celulares”, tecido carnudo “cultivado independentemente de animais usando células-tronco”, afirmando que “em 2050, não há dúvida de que este será um genuíno concorrente de mercado para a carne proveniente de animais de criação”.

Foto: ISTOCK

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“Em vez de obter um corte de carne no supermercado, os consumidores podem obter seus próprios ingredientes para carne, peixe, ovos, leite ou gelatina cultivados em casa, por uma fração do custo que existe hoje. A proteína celular pode ser uma ferramenta para nos ajudar a atender às necessidades de proteína, de uma população global que cresce continuamente, no futuro”.

Número de produtos veganos lançados na Austrália triplica em 5 anos

Foto: alfexe/Adobe Stock

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O número de novos produtos alimentares veganos lançados na Austrália quase triplicou nos últimos cinco anos. O país conhecido como o terceiro mercado vegano que mais cresce no mundo, de acordo com dados da empresa de pesquisas Roy Morgan em 2018.

Agora, novos números da consultoria mostram que quase 2,5 milhões de australianos ou 12,1% da população têm alimentações onde quase toda a comida é vegetariana. Esse número supera os 2,2 milhões apurados em 2014.

Em resposta à tendência crescente, restaurantes tradicionais e cadeias de fast food estão oferecendo mais e mais opções vegetarianas e veganas, incluindo Domino´s Pizza, McDonalds, Hungry Jacks e Mad Mex, para citar apenas alguns deles.

Foto: Getty Images

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Embora os números sobre o número exato de veganos na Austrália não sejam fáceis de apurar, a Vegan Australia estima que existam cerca de 400 a 500 mil veganos em todo o país.

A IBISWorld, uma empresa de pesquisa do setor, declarou que – com base nas tendências atuais – o número de pessoas que seguem uma alimentação vegana deve continuar aumentando nos próximos cinco anos.

Mercado vegano na economia mundial

Antes um estilo de vida pouco comum, combativo e diferente, o veganismo agora não só é popular como sinônimo de consciência e compaixão. De acordo com o Rabobank, banco líder global em financiamento dos setores alimentício e agrícola, o mercado de alimentos a base de vegetais, é um dos que mais cresce no mundo.

Em apenas cinco anos o consumo de proteína não animal deve corresponder a um terço de toda a proteína consumida na União Europeia – e, em 30 anos, deve significar um terço de toda a proteína consumida no planeta.

Paralelamente, nos Estados Unidos, sete das 15 startups do setor alimentício com os maiores investimentos são focadas em comidas e bebidas veganas, com anjos do porte de Bill Gates e Google Ventures. “A indústria da carne moída por si só é enorme nos Estados Unidos, movimentando aproximadamente 30 bilhões de dólares por ano.

“Por isso o nosso primeiro produto foi o Impossible Burger”, explica Nick Halla, CSO da Impossible Foods, uma das startups dessa lista, desenvolvedora do hambúrguer vegano campeão de vendas em lanchonetes americanas, inclusive na tradicional rede de fast-food White Castle.

Carne de origem não animal

Com sede localizada a cerca de 20 quilômetros do Vale do Silício, na Califórnia, a Impossible Foods foi criada em 2011 por Patrick O. Brown, Ph.D. e professor de bioquímica aposentado da escola de medicina da Stanford University.

Com todo o know-how de uma notória carreira de 30 anos de pesquisas de nível molecular, Brown desenvolveu o chamado Impossible Burger, um hambúrguer feito 100% a partir de vegetais (além de trigo, batata e óleo de coco), que, surpreendentemente, “sangra” e vem convencendo, carnívoros convictos em todo o país.

A título de curiosidade, o “sangue” vem de uma substância chamada heme, encontrada naturalmente em abundância em tecidos animais e criada no laboratório da Impossible Foods a partir da fermentação de levedura. Com essa “arma sanguinária” e o ambicioso objetivo de, até 2035, substituir todas as proteínas animais, Brown conseguiu captar quase 400 milhões de dólares em financiamentos e já vende seus hambúrgueres impossíveis para mais de 1.300 restaurantes nos Estados Unidos e já lançou seu negócio em Hong Kong.

“A Ásia consome aproximadamente 44% de toda a carne produzida no mundo e o consumo está crescendo. Precisamos levar alternativas a esse mercado”, afirma Nick Halla.

O empresário sabe do que está falando: de acordo com a Statista, empresa americana de pesquisa de mercado, a previsão de crescimento na venda de produtos veganos só na China é de 17% entre 2015 e 2020.

No Brasil

Enquanto isso, no Brasil, um dos maiores produtores e o maior exportador de carne bovina do mundo, o veganismo segue crescendo menos, mas a demanda por carne vermelha está em queda.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2018, apontam que, entre janeiro e março do ano passado, o número de bois e vacas mortos no país caiu 6,9% em relação ao último trimestre de 2017 e o de porcos, 4,7% no mesmo período – o de frango, no entanto, subiu 2,6%.

Para o presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Ricardo Laurino, esses números podem tanto ser um resquício da crise deflagrada no setor pela Operação Carne Fraca – que mirou fraudes laboratoriais no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e irregularidades cometidas por frigoríficos de grandes companhias – quanto demonstrar uma vontade da população em diminuir o consumo de carne, seja essa escolha motivada por questões econômicas, socioambientais ou de saúde.

“É difícil apontar uma razão ou outra, mas é evidente que houve uma diminuição na demanda por carne em geral, não só pela vermelha como o aumento no abate de frangos pode sugerir. Se todas as pessoas que deixaram de comprar carne de vaca e de porco tivessem comprado frango, o crescimento da produção desse tipo de carne teria sido muito maior. Os brasileiros estão, sim, buscando alternativas”, diz ele.

Fundada em 2003, a SVB vem assistindo a um crescimento constante do interesse dos brasileiros por um estilo de vida a base de vegetais, o que invariavelmente aquece o mercado vegano no país. Um dos medidores mais eficientes desse processo é o Selo Vegano, que certifica produtos livres de ingredientes de origem animal em sua composição.

Hambúrguer e filés de peixe veganos chegam ao Brasil

Foto: VegNews

Foto: VegNews

A marca brasileira de alimentos veganos Superbom recentemente lançou um hambúrguer “que sangra” como o produto de origem animal e filés de peixe já prontos para a seção de congelados de supermercados no Brasil.

O Hambúrguer Gourmet – que é feito de proteína de ervilha e é isento de glúten e soja – tem um aroma, sabor e textura semelhantes aos hambúrgueres tradicionais.

“Para garantir o máximo de benefícios para os consumidores, desenvolvemos uma fórmula com alto teor de proteína – 15g de proteína por hambúrguer – suculência, fibra alimentar, vitaminas A, B12 e B9 e minerais como ferro e zinco”, Cristina Ferriera Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Superbom, disse ao site Food Navigator-Latam.

O maior desafio da empresa ao formular o hambúrguer foi conseguir uma textura comparável a um hambúrguer tradicional feito à base de animais, e a companhia conta que levou quase um ano para acertar. Os novos filés de peixe vegano do Superbom também são feitos com proteína de ervilha.

“O filé de peixe vegano é um item inovador porque há poucos alimentos veganos que simulam a carne de peixe no mercado brasileiro”, disse David Oliveira, Diretor de Marketing da Superbom. “Portanto, temos boas expectativas de receptividade dos consumidores com essa novidade.”

Semelhante às tendências em outras partes do mundo, a popularidade e a disponibilidade de hambúrgueres veganos inovadores estão crescendo no Brasil. Neste mês, a startup Fazenda Futuro começou a distribuir o Futuro Burger vegano – feito com a ajuda de inteligência artificial – em lojas e restaurantes no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Prejuízos para o meio ambiente causados pelo Brasil

O jornal The New York Times publicou uma reportagem especial e interativa destacando que carnes e laticínios produzidos no Brasil são piores para o meio ambiente em comparação aos produzidos nos Estados Unidos. A justificativa, referenciada por um estudo da Universidade de Oxford, é que a agropecuária brasileira ultrapassa a dos EUA em emissões de gases do efeito estufa.

Ainda assim, o NYT aponta que alimentos de origem animal como carnes e laticínios, independente de região ou país, juntos são responsáveis por 14,5% dos gases do efeito estufa gerados a cada ano – o que equivale às emissões de todos os carros, caminhões, aviões e navios do mundo todo.

Enquanto a carne tem a maior pegada climática por proteína, alimentos baseados em plantas têm o menor impacto. No ano passado, o estudo da Universidade Oxford publicado na revista Science calculou as emissões médias de gases de efeito estufa associadas a diferentes alimentos – reforçando e detalhando diferenças.

Considerada pelo jornal britânico The Guardian como a maior análise já feita sobre os efeitos da produção agrícola, a pesquisa intitulada “Reducing food’s environmental impacts through producers and consumers”, e realizada pela Universidade de Oxford, que reúne dados de quase 40 mil fazendas que produzem 40 produtos agrícolas em 119 países, informa ainda que 80% das áreas agrícolas do mundo são destinadas à criação de animais para consumo, o que é bastante prejudicial ao meio ambiente.

A reportagem do NYT também ressalta que alguns tipos de queijos podem ter impacto maior do que alguns tipos de carne – como a costeleta de cordeiro. Além disso, o que gera ainda mais preocupação, segundo a publicação, é que alguns especialistas acham que esses números podem subestimar o impacto do desmatamento associado à agropecuária, o que significa que pode ser ainda pior.

Porém há uma certa unanimidade em classificar os alimentos à base de plantas como mais benéficos ao meio ambiente do que qualquer dieta que contenha alimentos de origem animal. Para quem quer reduzir o seu impacto ambiental, o New York Times recomenda que comece cortando carnes e laticínios. A publicação também sugere o consumo de leguminosas em substituição às proteínas de origem animal.

Japão recebe pressão internacional para fechar os mercados internos de marfim

Mercado japonês representa uma das maiores demandas de marfim do mundo | Foto: WAN

Mercado japonês representa uma das maiores demandas de marfim do mundo | Foto: WAN

A ONG World Wildlife Fund (WWF, na sigla em inglês) solicitou na quinta-feira última (9), que o governo do Japão conduzisse uma revisão do sistema legal que governa seu mercado doméstico de marfim.

Ryuji (Ron) Tsutsui, CEO da WWF Japão, fez o pedido ao apresentar as conclusões de um estudo sobre os sistemas legais nas principais jurisdições do país ao diretor-geral do departamento de conservação da natureza no ministério do meio ambiente.

“A análise jurídica detalha as falhas atuais na regulação do mercado de marfim do Japão e recomenda que fechar o mercado e definir isenções legais muito estreitas é a única abordagem para o governo do país cumprir integralmente suas obrigações de estrutura sob a CITES”, Scott Martin, O sócio-gerente da Global Rights Compliance e principal autor do relatório disse em um comunicado.

Com uma necessidade urgente de combater a crise da caça de elefantes e o comércio de marfim, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) acordou na última Conferência das Nações Participantes em 2016 o apelo total e incondicional ao encerramento urgente de quaisquer mercados que estejam contribuindo para a caça ou comércio de marfim.

Após o recente fechamento do mercado interno de marfim da China, que até recentemente era o maior centro de demanda mundial de marfim, o Japão está sob crescente pressão para fazer sua parte. A 18ª Conferência das Nações da CITES será realizada ainda este ano.

O Japão continua sendo um dos maiores mercados de marfim do mundo e abriga uma indústria de fabricação de marfim ativa, apesar de ter diminuído nos últimos anos. O país também possui estoques significativos de presas inteiras e pedaços de marfim em propriedade privada e é o único país sob CITES que se beneficiou duas vezes da importação comercial de marfim puro (bruto) totalizando 90 toneladas através de duas “vendas únicas” realizadas em 1999 e 2008.

O governo japonês sustenta que seu mercado não contribui para a “caça” nem para o “comércio” de marfim. No entanto, as pesquisas da ONG TRAFFIC (focada no combate ao tráfico da vida selvagem) realizadas em 2017 e 2018 contestaram isso, revelando sua contribuição ao comércio cruel ao permitir a exportação do material para a China.

O governo japonês ampliou certos aspectos do controle interno, incluindo um anúncio recente sobre a severidade dos requisitos para o registro de presas inteiras de marfim para a comercialização a partir de julho de 2019.

No entanto, muitas das questões críticas permanecem sem solução. O sistema legal ainda carece de controle sobre vastos estoques privados e uma regulação efetiva e exequível sobre o comércio de marfim que não as presas inteiras (ou seja, peças cortadas e marfim trabalhado).

“É esperado que o Japão aumente suas ações rapidamente e em escala para garantir que esforços globais realizados até aqui não sejam prejudicados pela falta de reconhecimento do significado de seu papel e responsabilidade como pais”, disse Ryuji (Ron) Tsutsui, CEO da WWF Japan.

Mercado de carne vegana tem valorização de 42 bilhões de dólares

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

O mercado de carne vegana pode valer mais de 40 bilhões de dólares na próxima década, segundo analistas do setor. E isso se deve em grande parte ao recente IPO da Beyond Meat.

A empresa de carne vegana, com sede na Califórnia (EUA), tornou-se pública na quinta-feira passada, fechando seu primeiro dia em mais de 163% de valorização. A Beyond Meat, listada na Nasdaq como BYND, viu os preços de suas ações subirem mais de 200% esta semana para quase 80 dólares por ação no início do pregão.

A companhia produz hambúrgueres realistas, carne moída e salsichas feitas à base de vegetais. Ela ganhou um grande número de fãs não-veganos – o fundador da empresa, Ethan Brown, diz que 93% dos seus clientes são flexitários – os consumidores que procuram mudar sua fonte de proteína por razões de saúde e ambientais.

Foto: Livekindly/Reprodução

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A empresa, que teve o maior IPO nos EUA em quase 20 anos, viu sua valorização saltar de 1,2 bilhão para mais de 3,8 bilhões de dólares. E esse pico parece estar sendo transferido para a indústria de carne vegana em geral também.

O mercado de carne vegana

“Enquanto a empresa enfrenta a concorrência de empresas como a Impossible Foods, a crescente demanda do consumidor deve permitir que várias marcas compartilhem o mercado”, observou Alexia Howard, analista da Bernstein, apontando também outros fatores, incluindo o aumento do preço da carne e o surto de febre suína na China.

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

Concorrentes estão surgindo – sua principal rival, a Impossible Foods, conseguiu um grande marco no mês passado com o lançamento do Impossible Whopper no Burger King. Um teste bem sucedido no Missouri levou a um lançamento nacional. O hambúrguer também pode em breve ser vendido em outros restaurantes da rede como o Burger King do Canadá.

Um dos primeiros investidores da Beyond Meat, a gigante de carnes Tyson Foods, se desfez da ligação logo à frente do IPO. De acordo com Tyson, a Beyond Meat não queria um investidor que também fosse um concorrente. A Tyson planeja lançar sua própria linha de carne vegana neste verão.

Vendas da Beyond Meat

A Beyond Meat diz que está trabalhando para tornar suas opções de carne vegana mais baratas que os produtos animais tradicionais. Os produtos da empresa já estão atrapalhando as vendas de carne, exigindo que os parceiros varejistas vendam os hambúrgueres, carnes e salsichas veganos no corredor de carnes. E de acordo com o fundador da empresa, Ethan Brown, “não há razão para que a proteína baseada em vegetais não seja mais barata que a carne”.

O segredo para o sucesso da Beyond Meat – e a indústria que segue em seu caminho – pode estar na filosofia de Brown de que não há segredo para fazer carne de vegetais.

“Não há mistério na carne”, disse Brown à BBC no ano passado. “São aminoácidos, lipídios, minerais e água. E se você puder entregar essas quatro coisas no mesmo projeto ou arquitetura que um músculo – por que isso não pode ser chamado de carne?”

Foto: Divulgação

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Também não há mistério para o sucesso da marca.

O Beyond Burger é um bilhete de ouro para restaurantes e supermercados. A A & W, que lançou o hambúrguer no Canadá no ano passado, informou um aumento de 10% nas vendas após seu lançamento.

O hambúrguer também superou as vendas tradicionais de carne bovina na rede de supermercados norte-americanos Ralph no ano passado, durante um período de cinco semanas.

Não é só a América do Norte que está assistindo ao aumento das vendas de carne vegana. Quando Cingapura lançou os hambúrgueres veganos no ano passado, eles superaram os hambúrgueres de carne bovina de três para um.

Relatório mostra aumento do consumo de proteína em 20% com a Ásia no topo na lista

Grãos estão entre as maiores fontes de proteína | Foto: Divulgação

Grãos estão entre as maiores fontes de proteína | Foto: Divulgação

Um relatório encomendado pela Food Innovation Australia Limited (FIAL), demonstra que a Ásia é o líder no aumento mundial do consumo de proteína, com a China e a Índia como os principais intervenientes.

Os pesquisadores afirmam que, em 2018, as proteínas de origem vegetal foram responsáveis por 66% do suprimento global de consumo de proteína, e os vegetais devem continuar sendo a fonte dominante até 2025.

O relatório mostra que a demanda global por proteína deve aumentar cerca de 20% de 2018 a 2025, com o crescimento da população levando a 80% desse crescimento.

Em média, estima-se que cada pessoa em todo o mundo consome 26 kg de proteína por ano em média em 2018, e espera-se que aumente em 27% para 33 kg em 2025.

Foto: Myfitnesspal

Foto: Myfitnesspal

A Ásia apareceu como uma força dominante no aumento da demanda de proteína; o consumo global de proteínas aumentou 40% entre 2000 e 2018 e mais de 50% deste aumento foi impulsionado pela Ásia, significativamente pela China e Índia.

“A China é um mercado-chave de proteína para se concentrar: ocupa o primeiro lugar globalmente tanto em volume quanto em valor e [por si só está previsto que] representa 35% do valor de mercado mundial de proteína em 2025”.

O consumo de proteína na China deverá aumentar de 58 milhões de toneladas em 2018 para 70 milhões de toneladas em 2025. Durante esses anos, a China estará contribuindo com 31% do aumento global total.

Na Índia, o consumo de proteína deve chegar a 38 milhões de toneladas em 2025, ante 30 milhões de toneladas em 2018, contribuindo com 16% como um todo para o aumento global.

Proteína vegana

O mercado de produtos de proteína vegana terá uma taxa de crescimento anual de quase nove por cento até 2023, de acordo com relatórios.

A avaliação Mercado Global de Produtos de Proteína de Base Vegetal 2019-2023, atribui este grande salto à crescente base populacional vegana mundial e à diversidade de escolhas dentro do setor.

Setor em ascensão

De acordo com o relatório: “A crescente conscientização sobre os benefícios de saúde das dietas veganas está estimulando o crescimento da população. As dietas veganas contêm antioxidantes, fibras e compostos vegetais benéficos e são ricos em folato, potássio, magnésio e vitaminas A, C, e E.

De acordo com o Plant based News, a avaliação acrescenta também que os fabricantes de proteínas veganas estão lançando produtos com menor teor de gordura e calorias. “Isso vai atender às demandasde mudanças dos consumidores”.

“Lançamentos bem-sucedidos de novos produtos não apenas ajudarão essas empresas a aumentar suas participações de mercado, mas também aumentarão seu fluxo de receita.”

Mercado de alimentos orgânicos cresce no Brasil

Segundo a Organis, o percentual de consumo de produtos orgânicos no Brasil é de 15% (Foto: Luiz Prado)

O mercado brasileiro de alimentos orgânicos faturou no ano passado R$ 4 bilhões, resultado 20% maior do que o registrado em 2017, segundo o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), que reúne cerca de 60 empresas do setor.

Já o mercado global de orgânicos, sob a liderança dos Estados Unidos, Alemanha, França e China, movimentou o volume recorde de US$ 97 bilhões, em 2017. O balanço foi feito pela Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam) e divulgado em fevereiro.

De acordo com a federação internacional estão identificados cerca de 3 milhões de produtores orgânicos em um universo de 181 países. E a agricultura orgânica cresceu em todos os continentes atingindo área recorde de 70 milhões de hectares, aproximadamente.

O Brasil é apontado na pesquisa como líder do mercado de orgânicos da América Latina. Contudo, quando se leva em consideração a extensão de terra destinada à agricultura orgânica, o país fica em terceiro lugar na região, depois da Argentina e do Uruguai, e em 12º no mundo.

Segundo a Organis, o percentual de consumo de produtos orgânicos no Brasil é de 15%. O Sul e o Centro-Oeste foram as regiões apontadas como maiores consumidoras de orgânicos no país e o Sudeste apresentou o menor percentual de consumo, 10%. Os dados são de 2017, quando foi divulgada a única pesquisa feita sobre a percepção do consumo de orgânicos no Brasil.

De acordo com o estudo, as verduras lideram entre os alimentos orgânicos mais consumidos no país, com destaque para alface, rúcula e brócolis. Na sequência estão as opções orgânicas de legumes, frutas (como banana e maçã) e cereais, como o arroz.

Corrupção: autoridades chinesas impedem resgate de cães sequestrados para abastecer o mercado de carne

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Centenas de cachorros, incluindo muitos animais de estimação roubados, estão sendo mantidos em armazéns sujos no sudoeste da China, enquanto comerciantes de carne esperam a hora de enviá-los ao bárbaro festival anual de carne de cachorro de Yulin em junho, segundo o MailOnline.

Voluntários na província de Sichuan salvaram centenas de cães com destino ao matadouro, mas muitos cães indefesos estão esperando para enfrentar uma longa jornada antes de serem cruelmente mortos no período do solstício de verão, afirmam ativistas pelos direitos animais.

Eles também acusam os oficiais de Dazhou, uma cidade de Sichuan, de conspirar com comerciantes de carne, entregando os cães resgatados de volta para eles.

Um grande número de cães em situação de rua e animais de estimação roubados está sendo armazenado em diferentes cidades da província de Sichuan, perto do festival de carne de cachorro Yulin, segundo Du Yufeng, fundadora do Centro de Proteção Animal Bo Ai, na cidade chinesa de Guangyuan.

Du disse ao MailOnline que a província montanhosa de Sichuan é agora o ponto de parada mais popular para os comerciantes de carne para manterem, venderem e distribuírem os cães capturados.

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Muitos dos cães são considerados animais de estimação roubados, pois tinham coleiras.

Pelo menos 300 cães foram salvos por Du e sua equipe em três armazéns em Dazhou, a 1.350 quilômetros de Yulin, no sul da China.

De lá, os cães enfrentam uma jornada árdua de 15 horas até Yulin, acorrentados e espremidos em gaiolas enferrujadas, antes de serem mortos nos matadouros ou mercados.

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Imagens fornecidas por Du, ativista veterana de longa data, mostram centenas de cães amontoados em um depósito escuro no distrito de Tongchuan, na cidade de Dazhou.

Os animais aflitos podem ser vistos todos em pé e olhando para Du enquanto ela esteve no armazém para resgatá-los em 25 e 26 de março.

De acordo com Du, o governo local se recusou a entregar os cães salvos aos cuidados de sua organização. Em vez disso, as autoridades insistiram em manter os cães por 21 dias com o objetivo de mantê-los em “observação”.

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Mas quando Du e seus voluntários apareceram novamente nos abrigos nomeados pelo governo, alguns animais foram levados para locais secretos, enquanto outros foram trocados, disse ela.

Outros dois clipes fornecidos por Du mostram uma de suas visitas a um abrigo.

Nos vídeos, os cães resgatados parecem aterrorizados quando são acorrentados às paredes pelo pescoço em uma sala vazia.

Mais de 140 cães no condado de Qu foram “escondidos” pelo governo, enquanto 235 cachorros permanecem em “observação” no distrito de Tongchuan.

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Du observou que ela e oito outros voluntários visitaram as autoridades do condado de Qu, em 11 de abril, pedindo que eles entregassem os cães a eles, mas as autoridades afirmaram que haviam distribuído os cães entre os agricultores locais para serem adotados.

Em um lugar onde a matança, o aprisionamento e a venda de cães é onipresente, os animais que foram resgatados dos comerciantes e depois cedidos a famílias de agricultores estão mais do que propensos a cair nas mãos dos comerciantes de cães novamente”, disse Du.

“As autoridades locais protegem os comerciantes de cachorros”, a ativista acusou.

Du acrescentou que mais cães estavam sendo transportados para mais de uma dúzia de armazéns na cidade de Pujia, em Tongchuan.

Ela pede ao público que dê mais atenção ao assunto e coloque pressão sobre o governo local para que eles possam lidar com o assunto de forma transparente e adequada.

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

O Yulin Dog Meat Festival, realizado no solstício de verão, é um festival de comida grotesco e brutal que acontece na província de Guangxi, no sul da China.

Todos os anos, milhares de cães são cruelmente mortos, esfolados e cozidos com maçaricos antes de serem comidos pelos habitantes locais.

Estima-se que 10 milhões de cães são mortos por sua carne na China anualmente. Pessoas de outros países asiáticos, como Vietnã e Coréia do Sul, também têm a tradição nauseante de comer cachorros.

No ano passado, a Humane Society International, organização de bem-estar animal, resgatou 136 cães de três depósitos subterrâneos perto de Yulin, antes do início das festividades sangrentas que tem duração de três dias.

A ONG afirma que os trabalhadores dos matadouros matam cerca de 50 cães todos os dias para consumo humano.

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Foto: Du Yufeng/Centro de Proteção Animal Bo Ai

Mas a organização explicou que a influência e o tamanho do festival foram reduzidos nos últimos anos graças ao protesto do público.

Embora a China tenha leis para salvaguardar a fauna terrestre e auqática, atualmente falta legislação para proteger o bem-estar animal ou para evitar a crueldade contra os animais domésticos.

Em setembro de 2009, ativistas pelos direitos animais e especialistas jurídicos começaram a circular um projeto de lei sobre a proteção de animais e em 2010, um projeto de lei sobre a prevenção de crueldade com animais foi submetido à consideração do Conselho de Estado, de acordo com a Human Rights in China – organização governamental com sede em Nova York.

O mercado de produtos alternativos a carne de origem animal continua a prosperar

Foto: IReviews

Foto: IReviews

Os consumidores estão se voltando cada vez mais para as alternativas à carne. A ascensão do flexitarianismo também está criando um enorme mercado para produtos alimentícios que têm aparência e gosto de carne, mas são veganos. O mercado de carne cultivada em laboratório deverá ultrapassar 6 bilhões de dólares em todo o mundo até 2023, de acordo com o site AustralianNews.com.

A tecnologia de alimentos é um grande negócio, com pequenas empresas ganhando de grandes investidores como Bill Gates e Jeff Bezos; empresários experientes e ricos que sentem a mudança de atitudes em relação às questões ambientais.

O mercado está sendo impulsionado por pessoas preocupadas com o bem-estar ambiental e animal, mas que estão ocupadas e querem produtos que contenham a proteína, o sabor e a aparência dos produtos animais originais, segundo informações do Vegconomist.

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

Empresas como Impossible Foods, Beyond Meat e Gardein expandem e crescem enquanto novos produtos inovadores feitos com carne cultivada vão chegar a lojas e restaurantes em um futuro próximo, todos procurando atender à demanda global de substituição de carne.

Sukul Lee, engenheira de software da Nova Zelândia, disse ao Australian News.com que ela teve uma “crise existencial” e decidiu em 2015 que precisava mudar de rumo. Ela fundou a Sunfed Foods, garantiu 10 milhões de dólares em financiamento da Série A (fundo de investimentos) em uma rodada liderada pela australiana Blackbird Ventures e reuniu um grupo de engenheiros para ajudá-la a fabricar um produto que ela descreveu como uma “verdadeira alternativa à carne”.

A Sra. Sukul Lee estava determinada a criar um produto livre de animais com os benefícios nutricionais de carne, com baixo teor de carboidratos e alta proteína, usando os produtos mais simples e naturais possíveis. Em 2017, seu frango “sem frango” estava voando das prateleiras dos dois maiores supermercados da Nova Zelândia e deve ser lançado na Austrália em junho, junto com um hambúrguer sem carne.

Mais de 500 pássaros aprisionados e colocados à venda em mercado são libertados

Foto: Wildlife Crime Control Bureau/Facebook

Foto: Wildlife Crime Control Bureau/Facebook

Centenas de periquitos (família Psittacidae), koels asiáticos (Eudynamys scolopaceus) e hill mynas (Gracula religiosa) foram encontrados espremidos dentro de pequenas gaiolas, sendo forçados a permanecer em condições precárias.

O Bureau de Controle do Crime (WCCB) do Ministério do Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas e o Departamento de Florestas de Bengala na Índia, resgataram os pássaros durante duas inspeções seguidas à Galiff Street, no centro de Calcutá, em Bengala, no domingo dia 7.

Entre os animais capturados pelo traficantes estavam filhotes recém-nascidos que os criminosos esperavam vender como animais de estimação.

Segundo o jornal The Hindustan Times, nove pessoas, com idades entre 18 e 32 anos, foram presas ao todo durante as duas batidas.

Agni Mitra, vice-diretor regional do WCCB, confirmou que após a primeira inspeção, as equipes responsáveis receberam denúncias e informações de que os vendedores haviam mudado de local e estavam operando novamente.

Como as aves não costumam sobreviver a esse tipo de condições cruéis e martirizantes, especialmente os filhotes recém-nascidos, eles foram levados imediatamente para atendimento veterinário.

Nos últimos anos, a cidade de Bengala infelizmente se tornou um mercado muito utilizado pelos comerciantes que se beneficiam do tráfico de animais vivos e mortos.

Um alto funcionário do Departamento de Florestas de Bengala descreveu o comércio de animais como um “problema sem fim” para o jornal The Hindu, acrescentando que isso se deve em parte ao fato das pessoas não perceberem que além de ser ilegal manter algumas espécies de aves como animais de estimação, os pássaros nasceram livres na natureza e é assim que devem permanecer.

Em 1991, uma emenda à Lei de Proteção à Vida Selvagem (Lei da Vida Selvagem) de 1972 tornou ilegal que qualquer ave indiana, exceto o corvo da casa, fosse caçada, aprisionada, enjaulada ou comercializada.

No entanto, em áreas como Galiff Street, isso acontece constantemente graças aos argumentos utilizados pelos comerciantes, alegando que eles estão lidando com aves exóticas selvagens, o que ainda é permitido, em vez de aves indianas selvagens.

Abrar Ahmed, ornitólogo e ex-consultor do Bird Trade Project da ONG Traffic International, estudou o mercado nas últimas duas décadas, concluindo que de 1.300 espécies de aves indianas, cerca de 450 estão sendo comercializadas nos mercados doméstico e internacional.

Destas 450 espécies, 23 estão listadas na Lista Vermelha de Aves Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), enquanto 19 outras estão classificadas como “quase ameaçadas”, um status que indica vulnerabilidade.

Embora existam cláusulas na legislação indiana que permitam processar os compradores das aves comercializadas fora da lei, elas não estão sendo implementadas.

As autoridades policiais do país acreditam que isso levaria a questão “um pouco longe demais”, enquanto a natureza clandestina do comércio também tornaria o processo difícil.

E desta forma mais espécies de pássaros vão se esvaindo nas mãos da ambição e sede de lucro humanos. Feitos para serem admirados a distancia, voando e reinando nos ares, a vaidade humana cria demanda para que sejam aprisionados e sirvam de ornamento para olhos e mentes cruéis.

Até que não reste mais nenhum.