Ministério da Agricultura confirma caso atípico de vaca louca em MT

A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura acaba de confirmar nesta sexta-feira (31), a ocorrência, em Mato Grosso, de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como “mal da vaca louca”.

Foto: Pixabay

Segundo o Ministério da Agricultura, a doença ocorre de maneira espontânea e esporádica, e não está relacionada à ingestão de alimentos contaminados. Em nota, o Ministério informa que trata-se de uma vaca com idade de 17 anos.

O Ministério relata também que em conjunto com o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea- MT) iniciou imediatamente as investigações de campo, com interdição da propriedade de origem. “Todas as ações sanitárias de mitigação de risco foram concluídas antes mesmo da emissão do resultado final por laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).”

Após a confirmação o Brasil notificou oficialmente a OIE e os países importadores, conforme preveem as normas internacionais. O Ministério da Agricultura observa que, segundo as normas da OIE, não haverá alteração da classificação de risco do Brasil para a doença, que continuará como país de risco insignificante, a melhor possível para a EEB. Em mais de 20 anos de vigilância para a doença, o Brasil registrou somente três casos de EEB atípica e nenhum caso de EEB clássica.

Fonte: Globo Rural


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Governo libera mais 31 agrotóxicos e chega ao total de 169 neste ano

Mais 31 agrotóxicos foram registrados pelo Ministério da Agricultura (Mapa), do governo de Jair Bolsonaro (PSL), nesta terça-feira (21). Já são 169 pesticidas liberados apenas nestes primeiros meses de 2019. O número já é maior do que o registrado no ano de 2015, com 139 agrotóxicos liberados. Em 2018, foram 450.

O registro só é feito quando o Mapa verifica a eficiência do produto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia os riscos à saúde e o Ibama analisa os perigos ambientais. A liberação depende do aval dos três órgãos. As informações são do G1.

Foto: Agência Brasil

O Ministério da Agricultura afirma que o aumento dos registros se deve a “medidas desburocratizantes” implementadas nos órgãos nos últimos anos, o que foi confirmado pela Anvisa. Ambientalistas, no entanto, rebatem o argumento e discordam da liberação dos produtos, devido aos riscos apresentados por eles para a saúde humana, o meio ambiente e os animais.

Na lista de 169 agrotóxicos consta princípios ativos (produto técnico), suas “cópias” quando caem as patentes (produto técnico equivalente) e o composto que chega ao agricultor (produto formulado), além dos genéricos desse composto (produto formulado equivalente).

Nenhum princípio ativo novo foi liberado neste ano. O último, chamado sulfoxaflor, foi registrado no final de 2018. No entanto, não foram liberados ainda produtos formulados à base dessa substância. Segundo estudos, esse princípio ativo tem matado abelhas.

Dos 31 novos pesticidas liberados, 29 são produtos técnicos equivalentes, isso é, reproduções de princípios ativos já autorizados no Brasil. Desses, três são do glifosato, uma substância polêmica que é associada a um tipo de câncer que tem rendido processos bilionários nos Estados Unidos. Os outros dois produtos finais, Compass e Troia, à base de ametrina e mancozebe, respectivamente, já estão presentes na composição de outros venenos.

Somados todos os atos publicados pelo Mapa em 2019, há o registro de 197 agrotóxicos em 2019. Isso poque 28 deles, já autorizados em 2018, só foram formalizados em janeiro deste ano.

Nocivos aos animais

Especialistas alertam que os agrotóxicos são nocivos para os animais. O argumento tem sido reforçado por estudos que demonstram os prejuízos causados por esses venenos à fauna local.

Um deles, divulgado na revista científica Nature, avaliou o impacto dos inseticidas imidacloprido (neonicotinoide) e clorpirifós (organofosforado), ambos usados no Brasil, em aves canoras (pássaros que têm a capacidade de cantar) que se alimentam de sementes. Os tico-ticos de coroa branca (Zonotrichia leucophrys), pássaros das Américas analisados na pesquisa, apresentaram sinais de envenenamento, perda de massa corporal e alteração na capacidade de orientação durante voos migratórios.

“São compostos químicos projetados para ter um efeito biológico prejudicial ao crescimento, ao desenvolvimento, à reprodução ou à sobrevivência dos organismos”, disse à BBC News Brasil Luis Schiesari, professor de gestão ambiental da USP.

Foto: Pixabay

As abelhas têm sido gravemente afetadas pelos pesticidas e o fenômeno de declínio populacional desses insetos, relacionado ao uso dos agrotóxicos, vem sendo acompanhado por vários países e comprovado por pesquisas.

Um relatório divulgado, em 2018, pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) comprovou que os danos que os pesticidas causas às abelhas variam de acordo com a espécie, a utilização e a via de exposição. Mas, de modo geral, representa riscos para todas.

Outras pesquisas revelaram que o composto químico neurotóxico danifica a memória do inseto – ao sair para buscar alimento, ele se perde e não consegue voltar para a colmeia – e provoca a morte precoce de abelhas rainhas e operárias.

Uma pesquisa britânica, publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B., concluiu ainda que as abelhas desenvolvem dependência química dos agrotóxicos. Ao longo do tempo, as abelhas são atraídas pelo néctar contendo inseticidas neonicotinóides, o que pode aumentar suas chances de exposição a altos níveis de substâncias químicas.

Destruição ambiental

Os agrotóxicos prejudicam, também, o meio ambiente. O solo dos locais em que venenos são aplicados ficam mais frágeis com o passar do tempo e sofrem uma redução da fertilidade. Os pesticidas desencadeiam também a morte de micorrizas, diminuem a biodiversidade do solo, geram acidez e outros problemas.

Os agrotóxicos também poluem o ar, afetando organismos vivos, e as águas. De acordo com o IBGE, a contaminação de rios pelos pesticidas só perde para a contaminação por esgoto. As águas, por sua vez, sofrem diferentes impactos dependendo do tipo de substância utilizada e da estabilidade do ambiente atingido. Elas são afetadas mediante lançamento intencional e escoamento superficial a partir de locais onde agrotóxicos são usados. As informações, publicadas no portal Brasil Escola, são do artigo “Contaminação ambiental por agrotóxicos”, de Vanessa Sardinha dos Santos.

Em casos graves de contaminação das águas, os agrotóxicos podem levar várias espécies de plantas aquáticas e de animais à morte.

Ameaça ao agroextrativismo

O Planalto do Santareno, que engloba grandes áreas das cidades de Belterra, Mojuí dos Campos e Santarém, no Pará, está sendo palco de uma grande mortandade de abelhas, o que tem interferido no agroextrativismo, já que a produção de sementes e frutos depende em grande parte da polinização das abelhas africanizadas, europeias ou italianas e também das nativas – sem ferrão -, comuns na Amazônia.

A redução do número de abelhas faz com que a alimentos como a castranha do pará, a pupunha, o cupuaçu e o açaí possam desaparecer por completo. Mais de 80% dos alimentos de uso alimentar dependem da polinização por animais, principalmente pelas abelhas, segundo a bióloga Mayá Schwade, que estuda a área de polinização e interação planta-animal.

Foto: Pixabay

“Se a gente imagina que a reprodução das espécies de plantas depende desses animais, só irá acontecer a regeneração de uma floresta se houver essa polinização. Um exemplo é a castanheira, que é polinizada por uma espécie de abelha solitária, que realiza a polinização quase que exclusivamente só ela”, disse ao portal Brasil de Fato.

Ainda segundo a castanheira, o engenheiro agrônomo e professor da UFPA, Plácido Magalhães, também observa que “só grupos de abelhas grandes conseguem abrir a flor da castanheira pra poder coletar o néctar. E essas abelhas não têm mais onde fazer os seus ninhos. Acontece o que a gente chama de ‘declínio de polinizadores’. Cada dia que passa, essas abelhas, que são especializadas, não tem mais onde fazer os seus ninhos e vão diminuindo. E consequentemente há uma diminuição direta na produção de frutos e sementes, porque não tem polinização”, explicou.

A floresta Amazônica depende da polinização das abelhas apis mellifera e das sem ferrão. Com o declínio da população desses insetos, há uma queda na riqueza ambiental gerada pela floresta. Com a diminuição da floresta, as abelhas ficam sem alimento, principalmente as melíponas e as trigonas. Com isso, é gerado um ciclo silencioso de extermínio da fauna e da flora.

“Só no estado do Pará há em torno de 110 espécies de abelhas sem ferrão, e elas estão associadas com as árvores principalmente, vivem dentro ou associadas às árvores – 85% dos ninhos que a gente encontra estão associados às árvores”, disse Plácido Magalhães.

O professor citou ainda trabalhos do geneticista e engenheiro agrônomo Warwick Kerr que mostram que de 40 a 90% das plantas silvestres são polinizadas por abelhas sem ferrão, insetos que têm uma relação muito próxima com as espécies do Pará por terem co-evoluído ao passar do tempo. Outros grupos também são especializados em polinizar determinadas espécies de plantas, e vice-versa, e uma necessita da outra.

Segundo a bióloga, várias espécies que vivem nas florestas tropicais são dependentes da polinização. “A polinização pelo vento quase não existe nesses locais. Muitas espécies dependem dessa interação. E como é que ocorre essa polinização? O animal vai atrás de um recurso, por exemplo o néctar, o pólen, ou alguma resina que ele utiliza na reprodução. Quando ele toca as partes de uma flor ele pode estar fazendo a polinização. Algumas plantas são muito dependentes deste processo porque elas precisam de mais de um indivíduo para que ocorra essa troca de gametas. Ela precisa de um agente que faça isso. As florestas tropicais tem indivíduos muito espalhados. Então ela precisa de um agente que leve esse pólen para que ocorra a polinização”, explicou Schwade.

Em outros países, abelhas também estão desaparecendo. “Existe um colapso das colmeias em várias partes do mundo.Um dos principais fatores é justamente o uso de pesticidas, de herbicidas que afetam essas abelhas. Mas não só isso. As monoculturas, as grandes extensões de plantios, elas removem uma biodiversidade muito grande, uma grande quantidade de espécies de plantas e também de locais de nidificação. As abelhas tem vários locais que elas podem ter ninhos, dependendo da espécie, pode ser no chão, pode ser num oco, se a gente remove essa biodiversidade a gente vai também fazer com que decline a quantidade de núcleos e as abelhas precisam também estar trocando a variedade genética”, disse.

valdir colatto

Integrante da bancada ruralista aceita convite para ser chefe do Serviço Florestal

O deputado Valdir Colatto (MDB-SC) confirmou hoje (17/01) ter aceitado o convite feito pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para ser o novo chefe do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Colatto é integrante da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso, conhecida como a bancada ruralista.

valdir colatto

Foto: Câmara dos Deputados

O deputado disse que já informou a ministra da Agricultura sobre sua decisão de aceitar o convite e que será um “grande desafio” assumir o comando do SFB. Colatto deve tomar posse do cargo em fevereiro.

De acordo com ele, nesta quinta-feira (17) haveria uma reunião com a ministra Tereza Cristina e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para discutir o trabalho do Serviço Florestal e como ele poderá ser dividido entre as duas pastas.

O Serviço Florestal Brasileiro, criado em 2006, era vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Após o presidente Jair Bolsonaro editar uma medida provisória (MP) no dia 01 de janeiro, o serviço passou a ser vinculado ao Ministério da Agricultura. Segundo o site do órgão, cabe ao Serviço Florestal “promover o conhecimento, o uso sustentável e a ampliação da cobertura florestal, tornando a agenda florestal estratégica para a economia do país”.

A cobertura de vegetação no Brasil é de pelo menos 67% do território, com 63% sendo de florestas e 4% de vegetação nativa, como os campos gaúchos, de acordo com o MapBioma, o maior levantamento sobre o assunto já feito no Brasil, que envolve o período de 1985 a 2017.

De acordo com o engenheiro florestal Tasso Rezende de Azevedo, coordenador do MapBioma e ex-diretor Serviço Brasileiro Florestal, considerando apenas a vegetação preservada desde 1985 até 2017, a cobertura passa para 48% do território do Brasil. Este percentual não considera áreas onde a vegetação foi desmatada e voltou a crescer.

O engenheiro, responsável pela primeira estruturação do Serviço Florestal Brasileiro, criticou a escolha feita pela ministra para o cargo. “O Serviço Florestal foi criado para ser uma organização técnica, de alta capacidade técnica. Todos os dirigentes e funcionários, desde sua criação, em 2006, têm que ter alta capacidade técnica. Foi assim com todos os dirigentes. Se fazia comitê de busca para buscar os melhores profissionais. O que é o espanto é a gente ter abandonado isso num governo que diz que quer ter gente técnica para trabalhar.”

Nota da Redação: é inaceitável que um cargo de tamanha importância para a conservação da vida selvagem e de seu habitat seja dado a alguém que defende a caça de animais silvestres e o desmatamento da floresta amazônica. Os interesses humanos e capitalistas não devem jamais se sobrepor ao interesse dos animais e do meio ambiente. Esta foi uma decisão muito imprudente e perigosa, visto que o deputado Valdir Colatto poderá causar sérios estragos ambientais como o novo chefe do Serviço Florestal. Quando nem mesmo o governo reconhece a importância de se proteger a floresta e os animais, cabe a nós a função de salvar aqueles que não têm como se defender sozinhos.