Bebês morcegos são resgatados, alimentados e enrolados em cobertores

Por Rafaela Damasceno

Os morcegos não possuem estrutura para suportar o calor extremo. Eles são muito sensíveis ao sol e são suscetíveis à insolação. Quando as temperaturas são muito elevadas, podem morrer em seus abrigos ou até mesmo no ar. Nova Gales do Sul, na Austrália, registrou temperaturas de 44°C, e mais de 100 filhotes de morcego ficaram órfãos antes que pudessem aprender a sobreviver por conta própria.

A Conservação e Resgate de Morcegos interviu, resgatando os bebês sobreviventes. Eles foram levados pelos voluntários até clínicas de reabilitação e cuidados, onde ficarão até estarem prontos para voltar à vida selvagem.

Três filhotes de morcego enrolados em cobertores, parecendo burritos

Imagem ilustrativa | Foto: People

É extremamente importante que o resgate seja feito por profissionais capacitados, já que os animais necessitam de cuidados apropriados que não podem ser realizados por qualquer um. Os voluntários pedem para que as pessoas não tentem resgatá-los por conta própria, já que mesmo a melhor das intenções pode resultar na morte dos filhotes.

Depois de resgatados e levados para um local seguro, os bebês foram aquecidos e alimentados. Os mais de 100 morcegos necessitam de cuidados 24 horas por dia.

Um vídeo divulgado pelo centro de Conservação e Resgate de Morcegos mostra os filhotes enrolados em cobertores, recebendo carinhos. Os voluntários trabalham para que eles tenham o melhor tratamento, cresçam fortes e saudáveis e sejam reabilitados na natureza.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Adaptação natural protege alguns animais dos efeitos da mudança climática

Foto: CYNTHIA MOSS LAB

Foto: CYNTHIA MOSS LAB

Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade de Southampton, na Inglaterra, aponta que a ameça em larga escala prevista para algumas espécies como resultado da mudança climática pode ser superestimada devido à capacidade de certos animais se adaptarem ao aumento de temperatura e a aridez.

Pesquisadores recentemente desenvolveram uma nova abordagem para determinar com mais precisão a vulnerabilidade dessas espécies, o que poderia ajudar os esforços de conservação, garantindo que eles foquem em espécies de maior risco. Suas descobertas foram publicadas hoje na revista científica PNAS.

Os métodos atuais para avaliar a vulnerabilidade das espécies ignoram o potencial de algumas populações de animais de se adaptarem geneticamente ao seu ambiente em mudança, significando que são capazes de sobreviver em temperaturas mais quentes e condições mais secas do que outras populações dentro da mesma espécie.

A equipe internacional de pesquisadores foi liderada pelo Dr. Orly Razgour, professor de Ecologia da Universidade de Southampton, e concentrou os estudos nos dados genômicos de duas espécies de morcegos nativas do Mediterrâneo, uma área que é particularmente afetada pelo aumento das temperaturas globais.

O Dr. Razgour disse: “A abordagem mais usada para prever o futuro dos morcegos sugere que a variedade de habitats adequados diminuiria rapidamente devido às mudanças climáticas. No entanto, isso pressupõe que todos os morcegos da mesma espécie lidem com mudanças de temperatura e climas mais secos. Da mesma forma, desenvolvemos uma nova abordagem que leva em conta a capacidade de os morcegos da mesma espécie se adaptarem a diferentes condições climáticas”.

Foto: animalspal

Foto: animalspal

Pegando amostras das asas de mais de 300 morcegos que vivem na natureza, os cientistas puderam estudar seu DNA e identificar os morcegos individuais que se adaptaram para prosperar em condições quentes e secas e aqueles que foram adaptados para ambientes mais frios e úmidos. Eles então usaram essa informação para criar modelos de mudanças na adequação climática e a distribuição de cada grupo sob futuras mudanças no clima.

Uma vez que os cientistas mapearam as áreas mais povoadas por cada grupo de morcegos adaptados, eles estudaram as paisagens entre cada área para determinar se elas permitiriam que os morcegos adaptados a seca se movessem para áreas habitadas pelos morcegos adaptados ao frio. As descobertas do estudo mostraram contudo que havia cobertura florestal adequada – elemento vital para esses morcegos se movimentarem – na maior parte das paisagens.

Graças a esta conectividade paisagística, os indivíduos adaptados às condições de seca a temperaturas mais quentes podem alcançar populações adaptadas ao frio e se reproduzir com elas, o que aumentará o potencial da população para sobreviver à medida que as condições se tornam mais quentes e secas.

“Acreditamos que se este modelo for usado para avaliar a vulnerabilidade de qualquer espécie à mudança climática, poderemos reduzir previsões errôneas e esforços de conservação equivocados. Qualquer estratégia de conservação deve considerar como os animais podem se adaptar localmente e não deve se concentrar apenas em áreas com populações ameaçadas, mas também em facilitar o movimento entre as populações. É por isso que é importante olhar para o efeito combinado das mudanças climáticas e da perda de habitat”, o Dr. Razgour concluiu.

Australiana dedica a vida a resgatar e salvar a vida de morcegos órfãos

Uma autoproclamada “senhora dos morcegos” gasta até mil dólares por semana para manter vivos os morcegos órfãos que resgata. A maioria deles atingidos pelo recente evento de calor no extremo norte de Queensland, Austrália.

A mulher que vive em Kuranda, Rebecca Koller, começou a cuidar das raposas voadoras no final do ano passado, quando um terço das espécies do mamífero teriam morrido durante as altas temperaturas que quebraram recordes no país.

Ela inicialmente se viu cuidando de cerca de 450 morcegos, disse Rebecca à ABC News, mas o número de animais em necessidade tem crescido desde então, aumentando significativamente para mais de 600 esta semana.

Koller disse que quase 23 mil morcegos morreram no ano passado, mas que a onda de calor foi apenas um fator na morte de tantas vítimas.

“Nós tivemos também um evento de fome; eles não tinham comida suficiente, então tivemos todos esses filhotes que nasceram desnutridos”, disse Koller.

Ela disse que a falta de comida significava que os morcegos estavam se alimentando de tudo que conseguiam, incluindo o tabaco selvagem, o que estava causando deformidades nos morcegos que nasciam.

Ms Koller disse que a situação foi agravada pela temporada do carrapato, o que contribuiu para que um terço da população de morcegos acabasse sendo eliminada.

A cuidadora da vida selvagem conta que reabilitar os animais não é apenas trabalho duro, mas também um exercício de custos elevados devido ao grande número de filhotes órfãos aos seus cuidados.

“Está custando bem mais de mil dólares por semana apenas em frutas, e estou passando de cerca de 10 caixas por noite (para consumo dos animais)”, disse ela.

Os morcegos exigem que a comida deles seja picada e cortada em cubos e, quando você multiplica isso pelo número de animais no abrigo, a operação se torna uma tarefa que exige muito”, disse ela.

Koller disse que a limpeza dos recintos onde ficam os animais pode ser cansativa, já que ela precisa esfregar as bandejas de comida todas as manhãs.

Ela acrescentou que os morcegos são muitas vezes criaturas incompreendidas, mas eles são animais adoráveis, que tem necessidade de cuidados humanos.

Koller afirma que os morcegos desempenham um papel significativo no ecossistema e sem eles as florestas tropicais deixariam de existir.

“A população desses animais agora é metade do que era quando comecei a trabalhar com eles, você ouve falar de uma espécie que pode se tornar extinta durante seu período de vida, mas realmente ver isso acontecer é definitivamente assustador”, disse ela.

Apesar de ser um trabalho fisicamente e emocionalmente desgastante, Koller disse que não faria isso de outra maneira – especialmente quando ela vê os morcegos retornarem à natureza.

“No momento em que você tem a oportunidade de assistir eles voarem livres e começarem a pular em torno das árvores e interagir com uma colônia selvagem … isso faz com que cada segundo valha a pena”, disse ela.

Calor escaldante da Austrália continua mantando milhares de morcegos

A ANDA noticiou recentemente que, apenas dois dias, uma onda de calor no norte da Austrália dizimou quase um terço dos morcegos da espécie raposa-voadora-de-óculos (Pteropus conspicillatus) do país. Os animais não conseguiram sobreviver às temperaturas, que passaram de 42°C.

Agora, mais de 2.000 “raposas voadoras” morreram em Victoria, pela onda de calor extremo e o governo do estado declarou uma emergência natural.

Na terça-feira, o Departamento de Meio Ambiente, Terra, Água e Planejamento (DEWLP) confirmou que cerca de 1.400 das espécies nativas morreram perto de Bairnsdale, na costa sudeste do estado. Outros 900 animais foram encontrados mortos em uma colônia de Gippsland perto de Maffra, leste de Melbourne. As informações são do Daily Mail.

Os animais morreram quando, na maior parte de Victoria, quando a temperatura ultrapassou os 40°C, na última sexta-feira(25).

Alguns morcegos que sobreviveram ao calor foram levados para um centro de reabilitação animais selvagens.

Cavalos selvagens também são afetados

Não são apenas os morcegos gigantes que estão morrendo devido às temperaturas escaldantes na Austrália.

Semana passada, dezenas de cavalos selvagens foram encontrados mortos dentro de um poço seco, no Território do Norte. Acredita-se que eles foram até lá em busca de água, mas como não a encontraram, não tiveram pra onde ir e morreram no local.