Justiça nega pedidos de autorização para matar jumentos para consumo na Bahia

A Justiça negou os pedidos do governo da Bahia e de frigoríficos para que a morte de jumentos para consumo humano volte a ser autorizada no estado. A proteção aos jumentos está, portanto, mantida, em caráter liminar, até que o processo seja julgado e uma decisão definitiva seja proferida.

(Foto: Reprodução / Folha de S. Paulo)

Após casos de maus-tratos serem registrados na Bahia, com centenas de animais mortos de fome e de sede em Itapetinga e Itororó, no Sudoeste baiano, a Justiça Federal proibiu, em dezembro de 2018, que jumentos continuassem a ser mortos para consumo no estado.

A proibição das mortes recebeu parecer favorável do Ministério Público Federal. Na decisão, o Procurador Regional da República José Maurício Gonçalves afirmou que “foi comprovado, mediante aos documentos acostados nos autos, que os animais estão sendo submetidos a maus-tratos e estão correndo risco de extinção”.

Os jumentos eram mantidos expostos ao sol, com pouco alimento, junto de animais doentes e deixados para morrer, além de serem forçados a suportar um transporte até o matadouro de mais de 12 horas de duração, o que é ilegal, já que contraria a Instrução Normativa MAPA nº 56/2008, e a Resolução CONTRAN nº 675/2017.

Para o advogado Francisco Giardina, a relevância da decisão da Justiça de manter a proteção aos jumentos no estado da Bahia é inegável. “Estamos, infelizmente, passando por uma fase em que, ao menos no âmbito judicial, os direitos dos animais tendem a ser diminuídos. Essa decisão do TRF, não apenas situa os animais como sujeitos de direitos, mas também requalifica o meio-ambiente equilibrado como um direito inalienável e inafastável da sociedade”, disse.

Cerca de 280 tartarugas morrem por ingestão de lixo nos Lençóis Maranhenses

As tartarugas ingerem o microplástico ao confundirem o material com alimentos (Foto: AFP)

Só em 2018, 280 tartarugas morreram por ingestão de lixo nos Lençóis Maranhenses, situados a 265 quilômetros da capital São Luís. É um número surpreendente, porque representa mais do que o triplo de 2015, quando morreram 80 tartarugas em decorrência do mesmo problema.

Na região, há um acúmulo de lixo proveniente de 19 países. E o agravante é que em contato com a água e a radiação do sol, materiais descartados como garrafas, tampas e outros objetos plásticos dão origem ao microplástico, segundo a biológa Talita Esposito em publicação do G1.

E o que dificulta ainda mais a situação é que esse material não é visto a olho nu, mas ainda assim pode incorporar agentes contaminantes como metais pesados, que se incorporam às células do animal.

As tartarugas ingerem o microplástico ao confundirem o material com alimentos e, como consequência, além da morte de muitos animais, isso interfere no comportamento reprodutivo das espécies.

ONG denuncia extermínio de raposas pela caça

Foto: Adobe

Foto: Adobe

Apesar de ser proibida no bloco de países, a caça à raposa ainda acontece frequentemente e em grande escala na Grã-Bretanha, com dezenas de animais sendo mortos de forma covarde, de acordo com uma instituição voltada para o bem-estar animal.

A Liga Contra Esportes Cruéis (LACS) afirma ter recebido 284 relatos de caçadas e 43 relatos de mortes de raposas causadas pela caças, a partir de novembro, quando a temporada foi aberta, e agora no seu encerramento.

A caça às raposas e a lei

A caça à raposa foi proibida na Inglaterra e no País de Gales sob a Lei de Caça de 2004 e na Escócia sob o Ato de Proteção de Mamíferos Selvagens da Escócia de 2002.

Mas acredita-se que os caçadores ignoram rotineiramente a lei, explorando as lacunas que encontram nela. Por exemplo, eles dizem que estão “caçando trilhas” – ou seja, seguindo uma trilha pré-estabelecida ao invés de um animal vivo – mas ainda estão caçando como antes na verdade.

Por causa disso, os ativistas pelos direitos animais pedem regularmente que a lei seja reforçada. Um debate parlamentar sobre crimes contra a vida selvagem em meados de março, levou ao fortalecimento dos apelos dos parlamentares inter-partidários pelo fortalecimento da Lei de Caça.

Fazendo campanha contra a caça à raposa

Além disso, políticos pró-caça ameaçaram derrubar a proibição estabelecida no passado, com a primeira-ministra Theresa May admitindo no passado que ela é a favor do esporte sangrento, sugerindo que ela pode derrubar a proibição se vencer a eleição com uma grande maioria.

Essa declaração causou um grande protesto público em maio de 2017, com milhares de pessoas tomando as ruas para mostrar seu apoio à proibição da caça às raposas. Falando no evento, o astro de TV Bill Oddie disse: “Este é um dia que pensei que eu nunca veria depois de uma conquista incrível em 2004 – a Lei da Caça. Muitos de nós pensamos ‘ok, evoluímos, agora vamos para outra questão’. O fato de termos que discutir sobre isso novamente é péssimo”, disse o astro.

Depois que May venceu a eleição – mas com uma pequena maioria – a questão parecia ter sido retirada a pauta, com os ativistas agora concentrando seus esforços no fortalecimento da legislação atual.

Matança

“Estes números mostram a triste realidade da imensa matança que ainda está ocorrendo nos campos britânicos pela caça à raposa”, disse Chris Luffingham, diretor de campanhas da League Against Cruel Sports.

“Sabemos que esses relatórios são apenas a ponta do iceberg, com caçadas matando raposas indefesas indiscriminadamente em todo o Reino Unido e mentindo sobre suas atividades sanguinárias para encobrir seus crimes”, disse ele.

“No entanto, acredito que a maré está mudando, e os partidos políticos estão reconhecendo a necessidade de levar o bem-estar animal muito mais a sério e criar uma legislação mais forte para proteger a vida selvagem britânica”, acredita Luffingham.

Questão de legislação

Ele acrescentou: “A questão do bem-estar animal nunca foi tão importante para o público e para os partidos políticos como agora e está se tornando um ponto vital para o sucesso eleitoral”.

“Estamos pedindo que a proibição da caça seja reforçada com a introdução de sentenças de prisão para os que são pegos caçando. Precisamos de um impedimento adequado para acabar com as atividades bárbaras da caça e também é imperioso acabar com as brechas que permitem que os caçadores burlem a lei”.

Número de tartarugas mortas por ingestão de lixo triplica no Maranhão

O número de tartarugas encontradas mortas por ingestão de lixo triplicou em um período de três anos nos Lençóis Maranhenses, a 256 quilômetros de São Luís. Foram registradas cerca de 80 mortes em 2015 e 280 em 2018. Biólogos se preocupam com a contaminação de um micro plástico na água.

Foto: Reprodução/ TV Mirante

As tartarugas confundem o plástico com alimento e o consomem. “É um plástico que a gente não consegue ver a olho nu, mas que pode incorporar contaminantes como metais pesados e pode ser incorporado as células do animal”, afirmou a bióloga Talita Espósito.

O micro plástico se forma a partir da ação da água e da radiação do sol sobre garrafas, tampas e outros objetos. Lixos de 19 países, que se acumulam na maternidade das tartarugas marinhas, já foram encontrados nos Lençóis Maranhenses, o que tem interferido no comportamento reprodutivo dos animais. As informações são do portal G1.

Desde 2015, quando foi encontrada a primeira tartaruga que nasceu de um cruzamento entre as espécies verde e oliva, o número de animais híbridos não para de aumentar. Em 2018, amostras de 21 animais foram coletadas por cientistas para identificação molecular. Deles, 5 eram híbridos.

Foto: Reprodução/ TV Mirante

“Como está aumentando a mortalidade, o macho de uma espécie pode não encontrar uma fêmea de sua espécie e aí reproduz com a fêmea de outra espécie”, contou a bióloga Larissa Barreto.

De acordo com especialistas, as tartarugas híbridas são mais frágeis. Os biólogos temem que a multiplicação desses animais aumente cada vez mais o número de mortes.

“A gente tem uma suspeita de que a hibridização também seja um fator relevante para explicar o porque as tartarugas marinhas estão em estado de extinção”, finalizou o doutor em ecologia, Luiz Fernando Costa.

Cientistas abandonam projeto que resultou na morte de milhares de gatos nos EUA

Desde 1982, o departamento vinha infectando gatos com toxoplasmose (Acervo: Alley Cat Rescue)

Cientistas do laboratório de Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciaram hoje que estão desistindo de um programa de pesquisa que custou a morte de milhares de gatos.

Desde 1982, o departamento vinha infectando gatos com toxoplasmose, como parte de um projeto que supostamente alegava combater doenças transmitidas por meio de alimentos.

Porém, a decisão só veio à tona depois que a NBC News revelou em uma reportagem que os cientistas do Serviço de Pesquisa Agrícola estavam comprando cães e gatos no mercado de carne asiática para usá-los como cobaias e sacrificá-los em um laboratório em Maryland.

Diante da repercussão, o Departamento de Agricultura disse que sua “pesquisa de toxoplasmose com animais foi descontinuada e não será restabelecida”. O senador do partido Democrata Jeff Merkley, do Oregon, qualificou as experiências extremamente perturbadoras.

O parlamentar também destacou que o departamento tomou a decisão correta. Ao longo dos anos, mais de três mil gatos foram mortos no projeto e mais de 22 milhões de dólares foram gastos.

Segundo o Serviço de Pesquisa Agrícola, nenhum gato foi sacrificado ou infectado com patógenos de toxoplasmose desde setembro do ano passado, e que os 14 gatos que continuam no laboratório serão enviados para adoção.

Órgão regulador americano proíbe o uso de chicote em corridas de cavalo

Foto: Animal Liberation/Reprodução

Foto: Animal Liberation/Reprodução

Corridas de cavalos são uma das formas mais desumanas de subjugação, maus-tratos e exploração que os animais podem sofrer. Além de serem privados de sua liberdade, são oprimidos com selas em suas costas, freios em sua boca, estribos que permitem chutes em seu ventre e ainda tem que carregar humanos em suas costas que os vergastam para que corram além de seus limites competindo com seus iguais em direção a um destino obscuro.

O que move essa indústria sórdida de entretenimento alienado é o lucro. As apostas feitas em cavalos geram milhões e atraem multidões ávidas por assistir ao suplício “competitivo e emocionante” desses animais.

Foto: Alt Media

Foto: Alt Media

A pista de corridas do Parque de Santa Anita, na Califórnia (EUA), é palco frequente desses espetáculos de mau gosto, foi lá que 22 cavalos morreram “de forma obscura” desde dezembro de 2018. A empresa ainda não tem resposta para a morte dos animais, porém a investigação segue em andamento. No entanto, o Conselho de Corridas de Cavalos da Califórnia (CHRB, na sigla em inglês), já tomou uma medida em relação ao ocorrido, proibindo o uso de chicotes pelos jóqueis para bater nos animais durante as corridas.

De acordo com o Los Angeles Times, a medida n~]ao passa de mais um esforço dos organizadores de corridas para reconquistar o apoio público. Apesar de ser um instrumento de de tortura usado na exploração e abuso desses animais, não há quaisquer evidências de que o uso do chicote esteja diretamente ligado às mortes dos cavalos.

Foto: Alain Barr

Foto: Alain Barr

Mas de acordo com Madeline Auerbach, vice-presidente do CHRB, o chicoteamento pode desempenhar um papel nas fatalidades. “Eu estava de pé ao lado da pista quando uma daquelas cenas infelizes aconteceu”, disse Auerbach. “E eu estava assistindo alguém que não era tão habilidoso quanto deveria ser, chicotear um cavalo sem parar quando era óbvio que o cavalo em questão não tinha mais nada para dar. É algo que eu nunca mais quero ver.”

A pista foi fechada no começo do mês, depois que aproximadamente duas dúzias de cavalos morreram entre 26 de dezembro e 5 de março.

A organização que atua em defesa dos direitos animais, PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), tem falado incansavelmente sobre as mortes dos cavalos, pressionando por investigações criminais.

Foto: Blogotariat

Foto: Blogotariat

Em um comunicado no início deste mês, a organização elogiou o parque por se colocar contra o uso da força por treinadores, veterinários e tutores, “que usam qualquer meio – do chicote à seringa hipodérmica – para forçar cavalos feridos, ou não aptos, a correr. ”

O grupo também foi a favor do fechamento da pista, chamando-o de um “momento decisivo para as corridas”, e pediu que todas as pistas de corrida “reconheçam que o futuro é agora e sigam o exemplo”.

A PETA trabalhou em conjunto com o Parque Santa Anitta em um plano para reduzir futuras mortes de cavalos, o grupo disse que “estabelecerá um novo padrão” para as corridas, o que significa menos sofrimento para os animais nessa instalação.

“As corridas de cavalos devem seguir o caminho do circo com animais e serem proibidas, levando com elas parte da miséria e sofrimento pelos quais passam os animais”

Nota da Redação: a ANDA é contra as corridas de cavalos ou qualquer forma de exploração aos animais. Cavalos são seres livres e sencientes, capazes de sentir, compreender, sofrer e alegrar-se, ao submetê-los à vontade humana, usando-os para entretenimento e lucro, obrigando-os a competir enquanto são estimulados por chicotes a ultrapassar seus limites, leva-os à exaustão e à morte, como mostram os números dessa matéria.

Doze macacos aparecem mortos e suspeita de febre amarela é apurada no PR

Doze macacos foram encontrados mortos no município de Castro, no Paraná. A possibilidade de contágio por febre amarela é investigada pela Secretaria Municipal de Saúde da cidade. Os corpos foram enviados para análise em Curitiba.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

Cinco dos macacos foram encontrados nesta segunda-feira (25) e os outros sete apareceram mortos na última semana, sendo o primeiro deles na quinta-feira (21). Os corpos estavam no distrito de Sovacão, na área rural. Equipes da Vigilância Sanitária estiveram no local para procurar outros macacos que poderiam ter morrido. As informações são do portal G1.

Amostras dos corpos dos macacos encontrados na última semana foram recolhidas e encaminhadas para o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen). Até o próximo fim de semana, os resultados que indicarão a causa das mortes devem estar prontos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

A Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (Sesa) reforça que os macacos não são os responsáveis por transmitir a doença para humanos, sendo eles vítimas da doença.

O vírus da febre amarela é transmitido por dois mosquitos, o haemagogus e o sabethes. Eles vivem nas copas das árvores na mata e preferem o sangue dos macacos. No entanto, caso todos os macacos morram, o inseto continuará buscando por sangue e poderá voar mais longe, chegando às cidades e picando os humanos.

População de golfinhos está sendo dizimada na Austrália

Foto: Marianna Boorman

As mortes dos filhotes têm provocando preocupações de que toda a população possa desaparecer.

Nos últimos dois anos, 11 dos 13 bebês nascidos no rio Port morreram – alguns deles atropelados por barcos.

Mike Bossley, da Sociedade de Conservação de Baleias e Golfinhos, disse à ABC Radio Adelaide que um filhote chamado Merlin foi encontrado morto no último domingo (17). Ele foi o quarto jovem golfinho a morrer na área perto de Port Adelaide neste verão. Na semana passada, um filhote chamado Sparkle também foi encontrado sem vida.

No dia 3 deste mês, um bebê com apenas um dia de vida foi encontrado morto por uma hemorragia grave, mas os cientistas não acreditam que ele foi atingido por um barco, porque não haviam feridas na parte exterior de seu corpo. Ele foi o terceiro filhote de ‘Ripple’ a morrer entre 2015 e 2019. As informações são do ABC News.

Foto: Marianna Boorman

Cath Kemper, cientista pesquisadora do South Australian Museum, disse que muito pouco se sabe sobre problemas de parto em golfinhos e que investigações são necessárias para confirmar a causa da morte.

Alerta
“Se essa taxa de mortalidade dos filhotes continuar, eventualmente a população vai desaparecer e isso é realmente triste para os golfinhos e para as pessoas que os amam”, disse Bossley.

“É também uma questão econômica bastante significativa, porque há muito turismo construído em torno dos golfinhos e eles se tornaram um verdadeiro ponto de venda para Port Adelaide localmente e até mesmo internacionalmente.”

Cerca de 50 golfinhos vivem no rio Port, que leva ao porto interno de Adelaide.

O Dr. Bossley disse que os golfinhos foram atraídos para Port Adelaide, apesar de seus perigos, porque era uma área de reprodução de peixes e era protegido de tubarões.

Medida emergencial

O governo da Austrália do Sul planeja introduzir um limite de velocidade de 7 nós dentro de parte do Santuário de Golfinhos de Adelaide.

Em novembro, o Ministro dos Transportes, Stephan Knoll, anunciou que seu departamento introduziria o limite na maior parte do Barker Inlet, a leste do Rio Port, a maioria dos quais atualmente não tem limite de velocidade. O mesmo limite já está em vigor no rio do Porto.

Foto: Sue Holman

Knoll, disse à ABC que os regulamentos para introduzir o limite de velocidade serão introduzidos nas próximas semanas.

O Dr. Bossley disse que a velocidade do barco era uma das poucas ameaças aos golfinhos que poderiam ser consertadas.

“Algumas das outras ameaças são doença e poluição e assim por diante, que são muito difíceis de mitigar, mas certamente a velocidade do barco é algo que o governo pode facilmente fazer, o que ajudaria a situação”, disse ele.

Em janeiro, a Autoridade de Proteção Ambiental (EPA) aprovou a Flinders Ports para dragar o rio Port para ampliar o canal de navegação. O trabalho deve começar em junho.

Estudo científico condena a exploração de baleias e golfinhos em cativeiro

Foto: Reprodução/WAN

Foto: Reprodução/WAN

De acordo com um relatório produzido pelo Animal Welfare Institute (AWI) e WorldAnimal Protection (WAP) a situação dos mamíferos marinhos em cativeiro esta mudando, mas operações de captura ao vivo, shows itinerantes com golfinhos, mares poluídos e mortes de animais desnecessárias continuam a manchar a indústria exploratória desses animais em todo o mundo, especialmente na Ásia.

A quinta edição do relatório “O Caso Contra Mamíferos Marinhos em Cativeiro”, divulgada na conferência da ITB em Berlim (Alemanha), pretende ser material de referência para aqueles que desejam entender porque é inaceitável confinar e explorar mamíferos marinhos em exibições públicas e entretenimento.

Citando evidências científicas sólidas e argumentos éticos, o relatório de 156 páginas investiga a realidade dos bastidores de zoológicos, aquários e parques temáticos marinhos que exibem esses animais, que apesar de garantirem a “segurança e conforto” das instalações, não fornecem informações essenciais ou mesmo precisas a respeito dos recursos de conservação ou educacionais. Mamíferos marinhos sofrem problemas de saúde física e mental como consequência do confinamento em tanques pequenos. A falta de avaliação científica aprofundada e rigorosa sobre o bem-estar desses animais em cativeiro usados nessas operações é uma questão de preocupação global.

“Mamíferos marinhos simplesmente não podem ser mantidos em cativeiro”, disse a dra. Naomi Rose, principal autora do relatório e cientista especializada em mamíferos marinhos da AWI, em um comunicado. “Quase todas as espécies de mamíferos marinhos são predadores de grande alcance e o melhor que esta indústria exploratória faz por eles são tanques de concreto ou pequenos currais marítimos cercados”.

A quinta edição deste relatório – produzido pela primeira vez em 1995 – é especialmente oportuna considerando o recente anúncio feito pelo Dolphinaris Arizona de que encerraria seu show com golfinhos depois que quatro golfinhos morreram em menos de 18 meses. Desde a publicação da última edição em 2009, a controvérsia sobre os mamíferos marinhos em cativeiro se intensificou, em grande parte devido a documentários de alto impacto como “The Cove” e “Blackfish”, garantindo que cada nova proposta para construção de um dolphinário em todo o mundo terá que lidar com maior escrutínio e ceticismo.

“Uma vida em cativeiro para mamíferos marinhos, como os golfinhos, é tão contrária ao seu ambiente natural – que simplesmente não pode ser chamada de vida”, disse Nick Stewart, líder global da campanha sobre turismo na vida selvagem na World Animal Protection. “Os turistas e a indústria global de viagens criam e fornecem demanda por instalações com mamíferos marinhos em cativeiro existentes e novas, e é por isso que escolhemos lançar o relatório em um dos maiores shows de viagens do mundo. Os argumentos e evidências do sofrimento estão aqui em linguagem simples para as empresas de viagens verem”, declara ele.

Outros pontos em destaque do relatório:

• Embora esteja ocorrendo uma mudança de paradigma, com muitos países proibindo a exibição ou criação de cetáceos para entretenimento, ou proibindo e restringindo o comércio de cetáceos vivos, a captura ao vivo de mamíferos marinhos na natureza, particularmente os cetáceos, continua. Os pontos altos de captura em 2019 são a Rússia (belugas e orcas) e o Japão (várias espécies de golfinhos). O principal mercado hoje é a China, onde o número de parques temáticos de vida marinha saltou de 39 em 2015 para 76 no início de 2019.

• Considera-se que os cativeiros marinhos (cercados) de golfinhos na Ásia e no Caribe correm um risco extremo de serem atingidos por furacões e tsunamis. Sua construção também degrada o habitat da costa, destruindo mangues e danificando os recifes de corais. Várias instalações desse tipo foram severamente danificadas durante a temporada de furacões de 2017 no Caribe.

A principal preocupação em relação aos mamíferos marinhos mantidos em cativeiro é a natureza artificial e estéril do ambiente, particularmente a quantidade de espaço fornecido. Na natureza, os cetáceos podem viajar 40-100 milhas por dia cerca de (64 a 160 km), atingir velocidades de 30 milhas por hora (cerca de 48km/h) e mergulhar centenas de metros de profundidade. Mesmo nas maiores instalações, os cetáceos recebem menos de um décimo de milionésimo de 1% do seu habitat natural. Um estudo de 2014 descobriu que uma orca macho em cativeiro passou quase 70% do seu tempo totalmente imóvel. No entanto, os padrões globais para o tamanho do cativeiro não foram revisados ou melhorados.

• As condições inadequadas em que são mantidos os mamíferos marinhos em cativeiro dão origem a uma infinidade de impactos negativos sobre o seu bem-estar. A maioria deles é um predador de larga escala – o confinamento em pequenos tanques ou cercados os leva ao estresse, o que, por sua vez, leva a vários problemas de saúde, comportamentos neuróticos e níveis anormais de agressividade.

• Golfinhos nariz-de-garrafa enfrentam um aumento seis vezes maior no risco de mortalidade imediatamente após sua captura na natureza e transferência entre as instalações. As taxas anuais de mortalidade de orcas diminuíram ao longo dos anos, mas ainda não correspondem as populações saudáveis na natureza.

• A preocupação com a segurança e o bem-estar dos golfinhos tem levado várias empresas de turismo, incluindo o TripAdvisor e a Virgin Holidays, a acabar ou restringir a promoção de atrações envolvendo nado com golfinhos. Esses animais belos, inteligentes e únicos jamais vão se adaptar ao cativeiro e mantê-los dessa forma é um crime contra a natureza.

Onças são mortas no Brasil e comercializadas no Suriname

“Foi revelado um comércio clandestino e cruel, que explora um animal icônico das florestas tropicais da América do Sul” (Foto/Acervo: Proteção Animal Mundial)

Uma investigação realizada pela organização Proteção Animal Mundial revelou que onças estão sendo mortas no Brasil e comercializadas no Suriname. De lá, as partes dos animais são exportadas para a China, onde são usadas com fins medicinais.

Após a caça, as onças passam por um processo de cozimento que dura até uma semana para serem reduzidas a uma pasta preta. Outras partes do corpo, como os dentes, são exportadas ou vendidas para serem utilizadas com outra finalidade, inclusive adereços.

“O resultado da investigação é muito triste. Foi revelado um comércio clandestino e cruel, que explora um animal icônico das florestas tropicais da América do Sul para uma medicina que nem mesmo foi comprovada”, declara Roberto Vieto, da Proteção Animal Mundial no Brasil.

Em um dos casos investigados, uma onça foi atingida por sete tiros antes de morrer. Evidências apontam ainda que além da matança de onças, os filhotes são recolhidos e vendidos. “Eles vivem em gaiolas até ficarem grandes, e às vezes acabam na mesa, já que sua carne também é consumida entre a população chinesa do Suriname”, destaca Vieto.

A captura de onças com a finalidade de atender ao mercado chinês começou a ganhar força com a queda nas populações de tigres na Ásia. Hoje, além das onças, as jaguatiricas também são visadas na produção de supostos medicamentos e suplementos alimentares.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, atualmente há 173 mil onças-pintadas na natureza. No entanto, com a perda de habitat em decorrência da exploração madeireira e da agropecuária, as onças têm se tornado alvos cada vez mais fáceis para caçadores, o que gera grande preocupação.

Além disso, o que pode complicar ainda mais a situação é que o deputado Alexandre Leite (DEM-SP) entrou com um pedido de desarquivamento do projeto de lei nº 6.268/2016 na Câmara dos Deputados. O PL de autoria do ex-deputado Valdir Colatto (MDB-SC) prevê a liberação da caça de animais silvestres no Brasil.