Leonardo DiCaprio lança mais um documentário sobre as mudanças climáticas

Por David Arioch

Documentário estreia na HBO no dia 11 de junho | Divulgação

O ator e produtor Leonardo DiCaprio está promovendo o seu mais recente documentário – “Ice on Fire”, que não apenas aponta os problemas gerados pelas mudanças climáticas como também apresenta soluções para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Filmado na Noruega, Islândia, Suíça, Costa Rica e em estados dos EUA como Alasca, Colorado e Connecticut, o documentário oferece alguns relatos inéditos de trabalhos desenvolvidos por agricultores, cientistas e outros profissionais que estão buscando meios de minimizar o impacto ambiental das ações humanas.

Em “Ice on Fire”, dirigido por Leila Conners, DiCaprio divide a produção com o pai George DiCaprio e conta com o trabalho do roteirista Matthew Schmid. Leila trabalhou com Leonardo DiCaprio no documentário “The 11th Hour”, lançado no Brasil como “A Última Hora”, que também retrata a questão do aquecimento global e tem entre seus ilustres participantes o físico Stephen Hawking.

DiCaprio, Schmid e Conners também trabalharam juntos em outros filmes que abordam a questão ambiental – como “Green World Rising”, de 2014 – além do curta-metragem “We the People 2.0” e “Pollinators Under Pressure”, de 2018.

“O derretimento da neve e do gelo agora desencadeou múltiplos pontos de inflexão climática, especialmente o aumento dos níveis de metano. Os cientistas descobriram soluções, nos dando uma chance de reverter as mudanças climáticas, mas o tempo está passando”, diz DiCaprio no trailer de “Ice on Fire”.

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“Ice on Fire” foi lançado no Festival de Cannes no último dia 22 e terá sua estreia na TV no dia 11 de junho na HBO.

Arnold Schwarzenegger e Greta Thunberg unem forças na luta contra as mudanças climáticas

Por David Arioch

Schwarzenegger elogiou o discurso da ativista sueca e destacou que ela é uma grande e positiva surpresa na atualidade (Foto: Divulgação)

Hoje a ativista pelo clima e vegana Greta Thunberg discursou diante de 1,2 mil autoridades no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, na Áustria, durante o Austrian World Summit, organizado pelo ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.

No evento que visa fortalecer o Acordo de Paris, a jovem ativista sueca disse que é preciso mudar tudo, e que não é simplesmente porque estamos desenvolvendo carros elétricos e painéis solares que isso significa que o problema da mudança climática pode se resolvido sem outros esforços.

“É a crise mais importante que a humanidade já enfrentou. Os humanos têm uma grande capacidade de adaptação. Quando tomamos consciência, agimos, mudamos”, afirmou Greta.

Ela também fez um apelo para que os governantes e as grandes empresas parem de mentir às pessoas sobre a poluição e as mudanças climáticas. E pediu mais investimentos em energia verde.

Schwarzenegger elogiou o discurso da ativista sueca e destacou que ela é uma grande e positiva surpresa na atualidade. O secretário-geral da ONU, António Guterres aproveitou a oportunidade para lamentar que, embora 195 países tenham assinado o Acordo de Paris, muitos não estão cumprindo seus compromissos de redução das emissões de gases do efeito estufa.

ONU defende que uso sustentável dos recursos florestais é uma solução para lidar com as mudanças climáticas

Por David Arioch

Florestas atuam como sumidouros de carbono e podem remover poluentes da atmosfera | Foto: Pixabay

Segundo a ONU, o uso sustentável de recursos ajuda a melhorar o estado das florestas e habitats e, por extensão, assegura a segurança econômica e alimentar das comunidades locais. Além disso, as florestas atuam como sumidouros de carbono e podem remover poluentes da atmosfera.

Isso as torna uma ferramenta altamente versátil para combater a poluição do ar e mitigar as mudanças climáticas. Todos os anos, elas absorvem um terço do dióxido de carbono liberado pela queima de combustíveis fósseis em todo o mundo.

Melhorar a qualidade do ar continua a ser uma das prioridades, de acordo com a ONU Meio Ambiente, considerando que as centrais elétricas emitem quantidades estratosféricas de dióxido de carbono por ano. Os custos diretos da poluição do ar para a saúde podem ser medidos em bilhões e até trilhões de dólares.

Juntamente com a necessidade de mudar para fontes de energia limpa, as florestas são aliadas efetivas e naturais na luta por um ar mais limpo — e essenciais para garantir um futuro sustentável para as comunidades que dependem delas.

Cerca de 80% da população do mundo em desenvolvimento utiliza recursos florestais não madeireiros para necessidades nutricionais e de saúde, segundo a Fundação Connecting Natural Values ​​and People.

Jovens fazem nova manifestação global pelo clima nesta sexta-feira

Jovens de todo o mundo se uniram novamente para realizar mais uma manifestação global pelo clima. O primeiro ato foi realizado há dois meses e o segundo foi marcado para esta sexta-feira (24).

Os atos começaram devido à iniciativa de Greta Thunberg, uma sueca de 16 anos, descendente de Svante Arrhenius, Prêmio Nobel de química em 1903 e um dos pais da ciência das mudanças climáticas. Greta passou a faltar à escola nas sexta-feiras para realizar o Fridays For Future (Sexta-feiras para o futuro, em tradução livre). A garota passava horas sozinha em frente ao Parlamento sueco reivindicando aos políticos fontes de energia renovável e ações de combate ao aquecimento global. As informações são do Blog da Redação.

Manifestações pelo clima ganham o mundo (Foto: Reuters / F. Bensch)

“Nossa biosfera está sendo sacrificada para que os ricos, em países como o meu, possam viver no luxo. É o sofrimento da maioria que paga pelo luxo de poucos”, disse Greta em dezembro de 2018, na COP24 da Polônia. “Vocês nos ignoraram no passado e nos ignorarão de novo. Não estamos mais no tempo das desculpas, não temos mais tempo. Viemos aqui para lhes dizer que, gostem ou não, a mudança está chegando. O poder real pertence ao povo”, completou.

Cerca de 125 países de todos os continentes se comprometeram a realizar manifestações nesta sexta-feira. Suécia, Canadá, Estados unidos, oito países da América Latina, inclusive o Brasil, Índia, Afeganistão e Ubequistão, Alemanha, rança, China, Austrália e Nova Zelândia integram a ação global. Até a quinta-feira (23), havia sido confirmadas 2.265 greves estudantis, duas delas na Antártida.

No Brasil, segundo o mapa do site oficial do movimento Fridays For Future, há atos marcados em Brasília, Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG), Aracaju (SE), Recife (PE), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Feira de Santana e Petrolina (BA), Bacabal (MA), Araguatins (GO), Joinville (SC) Ribeirão Preto (SP) e outras cidades do interior e do litoral do estado de São Paulo, como Sumaré, Sorocaba, Bragança Paulista, Praia Grande e Peruíbe.

Greta Thunberg segura seu cartaz de ‘greve escolar climática’ em frente ao parlamento sueco (Foto: Reuters)

Na manifestação realizada em 15 de março, 1,6 milhões de manifestantes participaram em 123 países. A expectativa para esta sexta-feira (24) é de que os protetores superem os anteriores.

“As gerações adultas prometeram deter a crise climática, mas não fazem a lição de casa, ano após ano. Nossa geração já não aguenta mais! Vamos faltar à escola e fazer ações pelo clima para obrigar os adultos a parar de queimar combustíveis fósseis e queimar o planeta que é nossa casa!”, afirmam os jovens.

“Estamos nos levantando para que a indústria de combustíveis fósseis interrompa todos os projetos de extração de carvão, petróleo e gás e construa fontes de energia limpa para todos”, dizem os adolescentes, que chamam pessoas sensíveis à causa a apoiar o movimento e fazer parte das manifestações.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), em 2030 o aquecimento global será irreversível, a não ser que medidas urgentes sejam tomadas.

“Ativismo funciona. Então aja”, disse Greta, na última semana, pelo Twitter.

Jornalista Maurizio Giuliano defende que mitigar mudanças climáticas é essencial para a paz

Por David Arioch

Mas outros desafios são as mudanças climáticas e os desastres associados a riscos naturais que estão frequentemente ligados às mudanças climáticas” (Foto: PA Images)

No último dia 7, durante a 1ª Plenária do Fórum Mundial pela Paz, realizado pela organização Together for Peace na Universidade Veiga de Almeida (UVA), no Rio de Janeiro, o diretor do Centro de Informação da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Brasil, Maurizio Giuliano, convidou mais de 100 universitários a refletirem sobre a relação entre a paz e as mudanças climáticas.

“A paz é a eliminação de qualquer conflito. Mas sem debelar as mudanças climáticas e sem desenvolvimento, a paz pode ser muito mais difícil de se conseguir. E inversamente, só a paz permite que possamos — entre países democráticos — avançar na Agenda 2030 [para o Desenvolvimento Sustentável] e preservar a espécie humana””, declarou.

Segundo Giuliano, a paz é uma questão de justiça, mas, acima de tudo, é uma necessidade para a sobrevivência. “Temos neste momento uma quantidade enorme de guerras, conflitos, situações de violência e deslocamento forçado, situações de gravidade extrema. A ameaça nuclear que caracterizou os últimos 75 anos ainda persiste”, enfatizou.

E acrescentou: “Mas outros desafios são as mudanças climáticas e os desastres associados a riscos naturais que estão frequentemente ligados às mudanças climáticas”.

Giuliano também explicou aos estudantes as razões de utilizar o termo “desastres associados a risco natural” no lugar de “desastres naturais”. “O que causa um desastre não é necessariamente e apenas o fenômeno natural em si. Um terremoto de mesma escala pode passar pouco percebido no Japão e matar milhares de pessoas em um país em desenvolvimento”.

Usina de energia solar em forma de panda quer ajudar a combater as mudanças climáticas

Por David Arioch

Divulgação

Inaugurada na China há dois anos, uma usina de energia solar tem atraído bastante atenção desde então. O motivo é que, juntos, os painéis solares têm a forma de um gigante urso panda.

A iniciativa é da China Merchants New Energy Groups, considerada uma das maiores operadoras de energia limpa do país, segundo a Business Insider.

Fundada em uma propriedade de 248 hectares, a usina da CMNE, que quer ajudar a combater as mudanças climáticas, pretende produzir 3,2 bilhões de quilowatts-hora de energia solar ao longo de 25 anos.

A meta é contribuir para reduzir a utilização de milhões de toneladas de carvão, além de promover redução nas emissões de carbono de 2,74 milhões de toneladas.

Idealizado por Ada Li Yan-tung, o projeto também é apontado como uma forma de atrair os mais jovens e inspirá-los a se envolverem em questões sobre as mudanças climáticas.

Adaptação natural protege alguns animais dos efeitos da mudança climática

Foto: CYNTHIA MOSS LAB

Foto: CYNTHIA MOSS LAB

Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade de Southampton, na Inglaterra, aponta que a ameça em larga escala prevista para algumas espécies como resultado da mudança climática pode ser superestimada devido à capacidade de certos animais se adaptarem ao aumento de temperatura e a aridez.

Pesquisadores recentemente desenvolveram uma nova abordagem para determinar com mais precisão a vulnerabilidade dessas espécies, o que poderia ajudar os esforços de conservação, garantindo que eles foquem em espécies de maior risco. Suas descobertas foram publicadas hoje na revista científica PNAS.

Os métodos atuais para avaliar a vulnerabilidade das espécies ignoram o potencial de algumas populações de animais de se adaptarem geneticamente ao seu ambiente em mudança, significando que são capazes de sobreviver em temperaturas mais quentes e condições mais secas do que outras populações dentro da mesma espécie.

A equipe internacional de pesquisadores foi liderada pelo Dr. Orly Razgour, professor de Ecologia da Universidade de Southampton, e concentrou os estudos nos dados genômicos de duas espécies de morcegos nativas do Mediterrâneo, uma área que é particularmente afetada pelo aumento das temperaturas globais.

O Dr. Razgour disse: “A abordagem mais usada para prever o futuro dos morcegos sugere que a variedade de habitats adequados diminuiria rapidamente devido às mudanças climáticas. No entanto, isso pressupõe que todos os morcegos da mesma espécie lidem com mudanças de temperatura e climas mais secos. Da mesma forma, desenvolvemos uma nova abordagem que leva em conta a capacidade de os morcegos da mesma espécie se adaptarem a diferentes condições climáticas”.

Foto: animalspal

Foto: animalspal

Pegando amostras das asas de mais de 300 morcegos que vivem na natureza, os cientistas puderam estudar seu DNA e identificar os morcegos individuais que se adaptaram para prosperar em condições quentes e secas e aqueles que foram adaptados para ambientes mais frios e úmidos. Eles então usaram essa informação para criar modelos de mudanças na adequação climática e a distribuição de cada grupo sob futuras mudanças no clima.

Uma vez que os cientistas mapearam as áreas mais povoadas por cada grupo de morcegos adaptados, eles estudaram as paisagens entre cada área para determinar se elas permitiriam que os morcegos adaptados a seca se movessem para áreas habitadas pelos morcegos adaptados ao frio. As descobertas do estudo mostraram contudo que havia cobertura florestal adequada – elemento vital para esses morcegos se movimentarem – na maior parte das paisagens.

Graças a esta conectividade paisagística, os indivíduos adaptados às condições de seca a temperaturas mais quentes podem alcançar populações adaptadas ao frio e se reproduzir com elas, o que aumentará o potencial da população para sobreviver à medida que as condições se tornam mais quentes e secas.

“Acreditamos que se este modelo for usado para avaliar a vulnerabilidade de qualquer espécie à mudança climática, poderemos reduzir previsões errôneas e esforços de conservação equivocados. Qualquer estratégia de conservação deve considerar como os animais podem se adaptar localmente e não deve se concentrar apenas em áreas com populações ameaçadas, mas também em facilitar o movimento entre as populações. É por isso que é importante olhar para o efeito combinado das mudanças climáticas e da perda de habitat”, o Dr. Razgour concluiu.

Tigres-de-bengala podem não sobreviver às mudanças climáticas, diz relatório

Foto: Thorsten Spoerlein/Getty iStock

Foto: Thorsten Spoerlein/Getty iStock

A mudança climática e o aumento do nível do mar podem acabar com uma das maiores e últimas espécies de tigres do mundo, alertaram cientistas em um novo estudo.

Os felinos estão entre as cerca de 500 mil espécies terrestres cuja sobrevivência está em questão por causa de ameaças aos seus habitats naturais, de acordo com um relatório do ONU publicado recentemente.

Os Sundarbans, que compõem mais de 4 mil milhas quadradas (cerca de 6 mil km) de terras pantanosas em Bangladesh e na Índia, abrigam a maior floresta de mangue do mundo e um rico ecossistema que suporta várias centenas de espécies de animais, incluindo o tigre-de-bengala ameaçado de extinção.

Mas 70% da terra está apenas a poucos metros acima do nível do mar, e mudanças graves estão reservadas para a região, disseram pesquisadores australianos e bengaleses na revista Science of The Total Environment.

As mudanças provocadas por um planeta em aquecimento serão “suficientes para dizimar” as poucas centenas de tigres-de-bengala que permanecem ali.

“Até 2070, não haverá habitats de tigre adequados remanescentes nas Sundarbans de Bangladesh”, concluiu o estudo realizado por 10 pesquisadores.

O documento, que se baseia em cenários climáticos desenvolvidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática para montar seus modelos de simulação, além de complementar os estudos existentes que oferecem previsões igualmente sombrias para a vida selvagem nos Sundarbans.

Em 2010, um estudo conduzido pelo Fundo Mundial para a Natureza projetou que uma elevação do nível do mar de 11 polegadas poderia reduzir o número de tigres nas Sundarbans em 96% em poucas décadas.

A mudança climática prejudicou quase metade dos mamíferos ameaçados do mundo, muito mais do que se pensava anteriormente, segundo um estudo recente.

Sharif A Mukul, principal autor do novo relatório sobre os Sundarbans, e seus colegas procuraram outros riscos que poderiam ameaçar o tigre, além do aumento do nível do mar, que representaram 5,4% a 11,3% da perda de habitat projetada em 2050 e 2070.

Outros fatores relacionados à mudança climática foram mais prejudiciais aos tigres de Sundarbans, uma das maiores populações remanescentes de tigres selvagens do mundo, descobriram os pesquisadores.

Desde o início de 1900, a perda de habitat, a caça e o comércio ilegal de partes de animais dizimou a população global de tigres de cerca de 100 mil para menos de 4 mil.

Nos Sundarbans de Bangladesh, um aumento nos eventos climáticos extremos e mudanças na vegetação tendem a reduzir ainda mais a população, segundo o estudo. E enquanto as Sundarbans inundam, os confrontos entre humanos e tigres podem crescer enquanto os animais se afastam de seu habitat em busca de novas terras.

“Muitas coisas podem acontecer”, disse Mukul, professor assistente de gestão ambiental na Independent University, Bangladesh, em Daca. “A situação poderia ser ainda pior se houvesse um ciclone ou algum surto da doença naquela área, ou escassez de alimentos”.

Em outubro passado, um relatório histórico realizado pelo painel científico sobre mudanças climáticas da ONU descobriu que, se as emissões de gases de efeito estufa continuassem no ritmo atual, a atmosfera aqueceria até 1.5C acima dos níveis pré-industriais em 2040.

Esse aumento teria consequências significativas para cadeias alimentares, recifes de corais e áreas propensas a inundações. Também pode afetar desproporcionalmente os países mais pobres e densamente povoados, como Bangladesh, que abriga 160 milhões de pessoas.

Em uma análise de décadas de registros das marés, os cientistas descobriram que as marés altas estavam subindo muito mais rápido do que a média global em Bangladesh, que fica no Delta do Ganges, uma complexa rede de rios e córregos.

Sugata Hazra, um oceanógrafo da Universidade Jadavpur, na Índia, disse que pode haver alguma perda de terra nos Sundarbans, mas sua pesquisa sugeriu um impacto menos dramático sobre os tigres.

Alguns passos foram dados para proteger as áreas de baixa altitude e os tigres que vivem lá, disse Zahir Uddin Ahmed, funcionário do departamento florestal de Bangladesh.

Culturas que podem sobreviver a níveis mais elevados de salinidade da água estão sendo introduzidas. O governo construiu muros de contenção de tempestade. A redistribuição de sedimentos também aumentou naturalmente a altura de algumas ilhas, disse ele.

Ainda assim, Prerna Singh Bindra, autora de The Vanishing: Indian’s Wildlife Crisis (O Desaparecimento: A Crise Indiana da Vida Selvagem), disse que os habitats de tigres continuariam a diminuir – seja por causa da mudança climática ou do desenvolvimento da indústria – e que boas opções de conservação eram difíceis de encontrar.

Simplesmente mover tigres de bengala para outra reserva, por exemplo, não era uma “solução viável”, disse ela.

“Onde você coloca esses tigres? Onde há um habitat adequado que não seja perturbado pela ação humana neste planeta lotado?”, Prerna deixa no ar o questionamento.

Animais marinhos são mais vulneráveis ao aumento da temperatura

Um estudo publicado na Nature concluiu que os animais marinhos são mais vulneráveis ao aumento da temperatura do que os terrestres. Para isso, a pesquisa combinou dados experimentais com modelagem, com o intuito de medir os efeitos das mudanças climáticas.

Foto: Pixabay

Devido à dificuldade em estimar e comparar a vulnerabilidade de espécies terrestres e marinhas, o assunto é motivo de contradição no meio científico. Por essa razão, o estudo utilizou uma metodologia complexa para alcançar um resultado. As informações são do portal Tempo.

Outras pesquisas indicam que espécies terrestres estão sobre maior risco por terem maior dificuldade de adaptação a novas condições climáticas e estarem expostas a maiores extremos de temperatura. Espécies marinhas, no entanto, podem ser mais afetadas devido ao fato de que a temperatura ambiente controla a sua distribuição geográfica, a disponibilidade de nutriente e de oxigênio no oceano.

O pesquisador Pinsky e seus colaboradores partiram da premissa de que cada espécie tem um intervalo de temperatura considerado seguro para garantir o funcionamento do organismo. Assim, os cientistas estabeleceram uma “margem de segurança térmica”, que nada mais é do que a diferença entre a máxima temperatura que um animal será submetido em um ambiente e a máxima temperatura que ele suporta sobreviver. Trata-se de um índice de estresse fisiológico animal que indica a vulnerabilidade de cada espécie.

Para o estudo, foram analisadas espécies de peixes ósseos, tubarões, moluscos, crustáceos, insetos, répteis e aranhas, por serem animais ectotérmicos que já são mais vulneráveis por dependerem de fatores externos e comportamentais para regulagem da temperatura interna. Os pesquisadores calcularam a “margem de segurança térmica” para 387 espécies, considerando ou não a presença de refúgios em elevadas temperaturas. Em terra, esses refúgios incluem microclimas gerados por sombras de pedras e árvores, já no oceano, são águas mais profundas e geladas.

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A pesquisa concluiu que os menores valores de “margem de segurança térmica” foram encontrados no oceano, o que indica que os animais marinhos são mais vulneráveis ao aumento da temperatura do que os terrestres. Porém, caso não hajam refúgios térmicos, as espécies terrestres passam a ser mais vulneráveis por ficarem completamente expostas à temperatura excessiva. Quando considerada a distribuição pelo globo, animais terrestres que vivem em latitudes médias (30º-60ºS) são mais vulneráveis. Já nos oceanos, as espécies equatoriais são as que sofrem mais com o aumento da temperatura.

Para os pesquisadores, fatores diversos podem agravar o aumento da vulnerabilidade termal tanto dos animais marinhos, quanto dos terrestres. Na água, as espécies apresentam maior sensibilidade ao aumento da temperatura e maiores taxas de colonização. Por essa razão, o desaparecimento e a “substituição” de espécies podem acontecer com mais velocidade. No caso dos animais terrestres, a fragmentação dos habitats e as mudanças no uso de terra geradas pela ocupação humana desordenada e o desmatamento são fatores que contribuem para a perda da fauna.

Mudanças climáticas também ameaçam o bem-estar dos mares e oceanos

Por David Arioch

“Os oceanos estão aquecendo e se tornando mais ácidos, causando branqueamento de corais e redução da biodiversidade” (Foto: Dimitris Vetsikas/ZME Science)

Em visita a Fiji, país insular da Oceania, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres destacou esta semana no Fórum das Ilhas do Pacífico que os quatro últimos anos foram os mais quentes já registrados, com perdas de gelo na Groenlândia e Antártida.

Segundo Guterres, recente estudo publicado pela ONU apontou que os níveis do mar irão aumentar um metro até 2100. No Pacífico, especificamente, ele disse que níveis do mar devem aumentar em alguns países quatro vezes mais que a média global, criando “uma ameaça existencial para alguns Estados insulares”.

António Guterres citou recentes danos causados pelos ciclones tropicais Gita, Josie e Keni, assim como erupções vulcânicas, terremotos e outros eventos extremos.

“A mudança climática irá intensificar ainda mais os riscos”, afirmou, destacando que a salinização da água e das colheitas coloca a segurança alimentar em risco e aumenta o impacto sobre a saúde pública.

Guterres também reafirmou que a mudança climática traz “claros perigos” à paz e à segurança internacional, apontando para a Declaração de Boe, de 2018, que reafirma a mudança climática como a maior ameaça única ao bem-estar do Pacífico.

“Estrategistas militares veem claramente a possibilidade de impactos climáticos aumentarem tensões acerca de recursos e movimentos em massa de pessoas”, disse. “Conforme áreas costeiras ou áreas degradadas se tornam inabitáveis, pessoas irão buscar segurança e vidas melhores em outras áreas”.

Relembrando que mais de 24 milhões de pessoas, em 118 países e territórios, foram deslocadas por desastres naturais em 2016, ele disse a líderes do Pacífico que suas ilhas e comunidades “estão na linha de frente das negociações climáticas globais”.

Oceano mais quente

As mudanças climáticas também ameaçam o bem-estar dos mares e oceanos. “Os oceanos estão aquecendo e se tornando mais ácidos, causando branqueamento de corais e redução da biodiversidade”, disse o chefe da ONU. O aquecimento global de 1,5°C irá causar “severos danos aos recifes tropicais”.

Além disso, se o aquecimento alcançar 2°C ou mais, “será catastrófico tanto para a vida marinha quanto para a humana”, afirmou.

No entanto, mares e vida marinha também estão sob ataque de outras direções. Guterres ilustrou um cenário de pesca excessiva; desertos subaquáticos sem oxigênio; mares repletos de venenos e lixo; espécies se tornando extintas dentro de décadas.

“Todos os anos, mais de 8 milhões de toneladas de lixo plástico acabam nos oceanos”, disse. “De acordo com um estudo recente, o plástico pode ultrapassar peixes em nossos mares até 2050”.

Embora muitos países estejam finalmente rejeitando plásticos de uso único, o chefe da ONU destacou que “precisamos fazer ainda mais” para responder aos níveis insustentáveis de estresse sobre ecossistemas marinhos e costeiros.

Ele elogiou países do Pacífico por garantirem a adoção do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14, que foca na conservação e no uso sustentável de oceanos, mares e recursos marinhos.