Aquecimento global está prejudicando oxigenação dos oceanos

“Isso [tudo] fará com que seja mais difícil para as formas de vida existentes no oceano sobreviverem” (Acervo: The Weather Channel)

Biólogos marinhos estão denunciando que espécies de peixes como o atum e o peixe-espada, conhecidos como mergulhadores de águas profundas, por caçarem a 200 metros abaixo de profundidade, estão cada vez mais sendo vistos na superfície.

A razão para essa guinada de comportamento é que as temperaturas mais quentes dos mares estão acabando com o oxigênio da água, o que torna respirar — o que dirá, caçar — em águas profundas uma tarefa difícil para esses predadores. Quanto mais calor a atmosfera do planeta armazena, mais quente os oceanos ficam.

“Se você pensa no aquecimento dos oceanos, pense [também] na elevação do nível do mar, nas mortes de recifes de corais e na acidificação dos oceanos. Isso [tudo] fará com que seja mais difícil para as formas de vida existentes no oceano sobreviverem”, lembra o enviado especial das Nações Unidas para o Oceano, Peter Thomson, em entrevista à ONU Meio Ambiente.

Em diálogos sobre questões oceânicas, os efeitos dos gases do efeito estufa, como o ozônio em nível terrestre e o dióxido de carbono, não recebem tanta atenção quanto o problema dos plásticos, por exemplo — em grande medida porque esses gases não são visíveis.

Mas o oxigênio é tão essencial nos mares quanto em terra. Embora as temperaturas crescentes do mar possam variar em diferentes profundidades, elas levaram zonas profundas, já com baixo volume de oxigênio, a perder ainda mais oxigênio, transformando os habitats da vida subaquática.

Um relatório publicado recentemente pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que mais de 90% da energia armazenada pelos gases do efeito estufa vai parar nos oceanos. O ano passado testemunhou novas altas da temperatura dos oceanos a 700 metros e 2 mil metros de profundidade. A elevação bateu o recorde anterior, de 2017.

Thomson, que recebeu do secretário-geral da ONU, António Guterres, a missão de impulsionar a conservação e o uso sustentável dos oceanos, diz que deveríamos, todos, nos preocupar com esses dados, mesmo quem vive bem longe do litoral, porque “para cada duas vezes que inspiramos oxigênio, em uma delas nós inspiramos oxigênio produzido pela vida no oceano”.

Campanha mapeia rede de santuários para proteger 30% dos oceanos até 2030

Daniel Beltrá/Greenpeace

Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace

Acadêmicos mapearam uma rede de santuários que, segundo eles, são urgentemente necessários para salvar os oceanos do mundo, proteger a vida selvagem e combater o colapso climático.

O estudo, que chega logo antes de uma votação histórica na ONU, estabelece o primeiro plano detalhado de como os países podem proteger mais de um terço dos oceanos até 2030, uma meta que cientistas e políticos dizem ser crucial para proteger ecossistemas marinhos e ajudar a combater os impactos de um mundo em aquecimento acelerado.

“A velocidade com que o alto-mar teve destruídos alguns de suas espécies mais espetaculares e icônicas, pegou o mundo de surpresa”, disse o co-autor do mapeamento Prof Callum Roberts, da Universidade de York.

“Este relatório mostra como áreas protegidas podem ser estabelecidas em águas internacionais para criar uma rede de proteção que ajudará a salvar espécies da extinção e a sobreviver em nosso mundo que tem passado por mudanças rapidamente”.

A campanha criada para proteger 30% dos oceanos do mundo até 2030 foi apoiada pelo governo do Reino Unido no ano passado. O secretário de Meio Ambiente, Michael Gove, saudou o relatório, que é o resultado de uma colaboração de um ano entre acadêmicos das universidades de York e Oxford e do grupo ambientalista Greenpeace.

“Das mudanças climáticas à pesca excessiva, os oceanos do mundo estão enfrentando um conjunto de desafios sem precedentes”, disse Gove.

“Agora é mais importante do que nunca tomar medidas e garantir que nossos mares sejam saudáveis, abundantes e resilientes. Eu me junto ao Greenpeace pedindo que o Reino Unido e outros países trabalhem juntos para um Tratado das Nações Unidas sobre o Alto-Mar que abrirá caminho para proteger pelo menos 30% do oceano mundial até 2030”.

Especialistas dizem que, além da riqueza da vida marinha e dos ecossistemas complexos, os mares altos – aquelas águas além das fronteiras dos países – desempenham um papel fundamental na regulação do clima da Terra, impulsionando a bomba biológica do oceano que captura enormes quantidades de carbono na superfície e armazena nas profundezas dos oceanos. Sem esse processo, eles alertam que a atmosfera conteria 50% a mais de dióxido de carbono e se tornaria quente demais para sustentar a vida humana.

No entanto, nas últimas décadas, os oceanos têm enfrentado uma exploração crescente de algumas nações principalmente as mais ricas que praticam pesca industrial e mineração profunda dos leitos marítimos, que combinadas com mudanças climáticas, acidificação e poluição colocam os ecossistemas marinhos sob séria ameaça – com consequências potencialmente devastadoras para a sobrevivência da humanidade.

O relatório divide oceanos globais – que cobrem quase metade do planeta – em 25 mil quadrados de 100×100 km, e mapeia 458 diferentes características de conservação, incluindo a vida selvagem, habitats e principais características oceanográficas. Finalmente, os acadêmicos modelaram centenas de cenários para o que seria uma rede de santuários oceânicos em todo o planeta, livre de atividades humanas prejudiciais.

O movimento ganha força a medida que a ONU elabora os detalhes de um novo Tratado Global dos Oceanos – um marco legal que permitiria a criação de santuários em alto-mar. A primeira das quatro reuniões da ONU foi realizada em setembro de 2018, e uma decisão final sobre o tratado é esperada para o próximo ano.

O coautor do relatório, Alex Rogers, da Universidade de Oxford, disse: “A criação de reservas marinhas é fundamental para proteger e conservar a diversidade da vida nos mares. O relatório apresenta um projeto confiável para uma rede global de áreas marinhas protegidas em alto mar com base no conhecimento acumulado ao longo dos anos por ecologistas marinhos sobre a distribuição das espécies, incluindo aquelas ameaçadas de extinção, habitats conhecidos por serem pontos altos de biodiversidade e ecossistemas únicos.

Falando sobre as negociações na ONU, a Dra Sandra Schoettner, da campanha global dos santuários oceânicos do Greenpeace, disse que a mudança climática, a acidificação oceânica, a pesca excessiva e a poluição significam que os oceanos “estão sob ameaça como nunca antes”.

“Precisamos urgentemente proteger pelo menos um terço dos nossos oceanos até 2030, e o que é tão interessante nesta pesquisa é que isso mostra que é inteiramente possível projetar e criar uma rede robusta de santuários oceânicos em todo o planeta”, disse ela.

“Este é um projeto para a proteção dos oceanos que salvaguardaria todo o espectro da vida marinha, ajudaria a enfrentar a crise que nossos oceanos enfrentam e possibilitaria sua recuperação.”

Schoettner disse ainda que aprovar o Tratado Oceânico das Nações Unidas no próximo ano seria um grande passo para a criação de um planeta sustentável, contanto que “tenha a capacidade de criar uma rede de santuários oceânicos” que estejam “fora dos limites das atividades humanas prejudiciais”.

“Isso daria à vida selvagem e aos habitats espaço não apenas para se recuperar, mas para florescer”, disse Schoettner. “Nossos oceanos estão em crise, mas tudo o que precisamos é de vontade política para protegê-los antes que seja tarde demais.”

Elevação do nível dos oceanos em decorrência das mudanças climáticas exige políticas de longo prazo

“A taxa em que esse aumento está ocorrendo é muito rápida” (Foto: Francesco Zizola/Eyevine)

De acordo com informações da Agência Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a elevação do nível dos oceanos pode ultrapassar 1,6 metro até o fim do século, com consequências desastrosas principalmente para as populações costeiras.

Além de medidas para a redução das emissões de gases do efeito estufa a serem adotadas pelos países, os cidadãos precisam mudar hábitos e pressionar os tomadores de decisão para evitar um cenário catastrófico.

A avaliação foi feita pelos pesquisadores que participaram do primeiro episódio do programa Ciência Aberta em 2019, lançado ontem com o tema “Oceanos Ameaçados”. A iniciativa é uma parceria da FAPESP com a Folha de S.Paulo

“São necessárias políticas de Estado, o que não quer dizer políticas de governo. É preciso que seja algo perene, ao longo de décadas”, disse Michel Michaelovitch de Mahiques, professor no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP).

Os pesquisadores ressaltaram que a elevação do nível dos oceanos já ocorreu em outros períodos na Terra, mas não em uma velocidade tão alta como agora.

“A taxa em que esse aumento está ocorrendo é muito rápida. Desde 1993, a elevação é de 3,1 milímetros por ano. Em 1900, era de 1,7 a 2 mm por ano”, disse Ilana Wainer, professora do Departamento de Oceanografia Física do IO-USP e membro do comitê gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera.

Segundo Ilana, a partir de um determinado ponto, o aumento começou a ser exponencial. “Mudanças [climáticas] sempre existiram, mas agora estamos alimentando o sistema com os gases [do efeito] estufa”, destacou.

Os oceanos têm um papel fundamental na regulação do clima do planeta, ao redistribuir o calor que chega em excesso na região tropical até as regiões polares, ao mesmo tempo em que levam o frio dos polos para os trópicos.

“Os oceanos, junto com a atmosfera, funcionam como um ar condicionado do planeta, levando calor para as regiões frias e frio para onde está muito quente”, explicou a professora.

Poluição plástica nos oceanos tende a dobrar até 2030

A análise também revela que o dióxido de carbono liberado pela queima do material irá triplicar até 2030 e que os compostos plásticos da incineração estam ligados a doenças cardíacas. A WWF quer que plásticos de uso descartáveis, como sacolas de compras e canudos, sejam eliminados até 2030.

A cada minuto, mais de nove milhões de toneladas de plástico entram no oceano – o equivalente a 1,4 milhão de garrafas plásticas de meio litro.

Por serem mais baratos, os produtos plásticos são descartados com menos de três anos de uso e segundo a WWF, apenas 20% deles são coletados para reciclagem em todo o mundo, enquanto mais da metade é queimada ou enviada para aterros sanitários.

“O plástico está sufocando o planeta, das emissões causadas em sua produção aos animais prejudicados quando vazam em nossos oceanos”, disse Lyndsey Dodds, chefe de política marinha do WWF.

“A natureza não é descartável, é essencial – precisamos dela para nossa saúde, riqueza e segurança. Este é um problema global que requer uma solução global e é por isso que estamos pedindo um acordo legal das Nações Unidas para impedir o despejo de plásticos nos oceanos do nosso planeta até 2030”.

Segundo a organização, quase metade dos resíduos de plástico na Terra atualmente foi produzida depois do ano 2000, principalmente para embalagens e indústrias de construção e automóveis.

O WWF diz que mais de 270 espécies de animais foram prejudicadas por detritos plásticos, o que significa que pelo menos 1.000 tartarugas marinhas morrem a cada ano. Além disso, focas e golfinhos morrem presos a redes de pescas ou a outros pedaços de plásticos e amimais maiores como baleias engolem quantidades assustadoras destes materiais.

Segundo a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), o número de animais mortos ou feridos por lixo plástico não para de cresce e atingiu a maior alta de todos os tempos.

Os autores do relatório afirmam: “Todos os anos, humanos e outras espécies animais ingerem mais e mais nano-plásticos a partir de alimentos e água potável, com os efeitos completos ainda desconhecidos.

Marco Lambertini, diretor geral da WWF International, disse: “Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente quebrado. As informações são do Daily Mail.

“É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza.”

Iniciativas

A atriz de cinema Bonnie Wright está se unindo a cientistas e ativistas para lançar uma pesquisa nacional sobre poluição de plástico em rios do Reino Unido e ajudará a coletar amostras de água de três pontos ao longo do rio Wye.

Amostras de rios de toda a Grã-Bretanha serão analisadas pela Universidade de Exeter para os níveis de microplásticos.

Redes de supermercados também estão direcionando seus esforços para acabar com o uso de plásticos em seus produtos.

A “Islândia” pretende eliminar completamente o plástico descartável de seus produtos de marca própria até 2023 e os testes serão lançados na loja-conceito Food Warehouse, uma das maiores lojas abertas pela empresa, em North Liverpool.

Ela não é a única a trabalhar para eliminar o plástico. No mês passado, a varejista Marks & Spencer anunciou que testaria 90 linhas de produtos sem embalagem em sua loja em Londres. O varejista também trocou adesivos de código de barras por uma opção ecologicamente correta, eliminou 75 milhões de peças de talheres e substituiu os canudos de plástico por alternativas de papel.

Além disso, Lisboa proibirá o uso de copos plásticos até 2020, o Reino Unido planeja banir completamente o uso de material descartável nas escolas até 2022, a Austrália cortou, 80% do uso de sacolas plásticas em apenas 3 meses e, no Brasil, a ilha Fernando de Noronha (PE) proibiu a venda e o uso de itens descartáveis.

Recentemente, companhia aérea portuguesa Hi Fly tomou medidas sem precedentes para melhorar a sustentabilidade, eliminando o plástico descartável em seus voos.

A empresa lançou um teste sem plástico em quatro voos no fim do passado, substituindo os talheres por xícaras e colheres de bambu. Saleiro e pimenteiro, pratos, potinhos de manteiga, garrafas de refrigerante e escovas de dentes foram trocados por alternativas mais sustentáveis.

Nova campanha da Sea Shepherd mostra animais que sofrem com a contaminação plástica dos oceanos

Em sua nova campanha, a organização de conservação da vida marinha Sea Shepherd mostra que um simples saco plástico, que parece inofensivo aos nossos olhos, pode representar o sofrimento extremo e até a morte de milhares de animais que habitam os oceanos.

Foto: Sea Shepherd

Criada em parceria com as equipes Tribal Worldwide São Paulo e DBB Guatemala, a campanha diz que “o plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre”. A campanha conta com produção em 3D do Notan Studio.

No novo trabalho de conscientização e sensibilização da Sea Shepherd, animais marinhos como focas e tartarugas são apresentados em situações de agonia e impotência ao entrarem em contato com elementos plásticos comuns no cotidiano e descartados sem os devidos cuidados.

Segundo o fundador e presidente da Sea Shepherd, Paul Watson, cientistas já alertaram que em 2050 haverá mais plásticos nos oceanos do que peixes no mar. “A Shepherd está comprometida em desfazer esse cenário negativo porque se os oceanos morrerem, nós também morreremos”, alerta Watson.

‘Os oceanos estão com febre’, diz pesquisador sobre aquecimento das águas

Uma pesquisa publicada no site da Nature Climate Change concluiu que o número de ondas de calor que estão afetando os oceanos aumentou drasticamente. Trata-se de uma primeira análise global sistemática das ondas de calor oceânicas, quando as temperaturas atingem extremos por cinco dias ou mais.

Foto: dimitrisvetsikas1969/Creative Commons

Entre 1986 e 2016, o número de dias de ondas de calor aumentou mais de 50% em comparação com o período entre 1925 a 1954, levando à perda de florestas de algas marinhas, tapetes de ervas daninhas e recifes de coral, sobretudo na Califórnia e na região costeira da Austrália à Espanha.

“Há incêndios que devastam florestas inteiras produzidos pelas ondas de calor que se percebem nos continentes, mas é importante saber que o mesmo ocorre nos oceanos, debaixo d’água”, disse Smale. As informações são do jornal “The Guardian”.

As ondas de calor tem sido ainda mais fortes porque as temperaturas já estão elevadas devido ao fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico. O calor em excesso impede, inclusive, que alguns animais tentem escapar buscando águas mais frias.

O laudo da pesquisa foi confirmado pelo professor Malin Pinsky, da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, que não fez parte da equipe dos pesquisadores envolvidos no estudo. “Esta pesquisa deixa claro que as ondas de calor estão atingindo o oceano em todo o mundo. Os oceanos estão com febre. Esses eventos provavelmente se tornarão mais extremos e mais comuns no futuro, a menos que possamos reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, disse.

Carro alegórico faz alerta sobre poluição dos oceanos em carnaval na Itália

No “Carnevale di Viareggio”, na Itália, um carro alegórico faz um alerta sobre a poluição nos oceanos, que preocupa cada vez mais os ambientalistas. O carro é uma baleia que chora por estar presa em resíduos de plástico.

(Foto: Reprodução / Facebook / Mahau Cruz)

Obra do artista Roberto Vannucci, a baleia é um apelo para conscientização do público sobre as ações que precisam ser tomadas para frear a poluição nos oceanos, que tem colocado em risco a vida de inúmeros animais marinhos.

Mais plástico que peixes nos oceanos

Um estudo divulgado em 2016 pela Fundação Ellen MacArthur, em parceira com a consultoria McKinsey, fez um alerta: cerca 8 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos por ano, e a tendência é de aumento. Caso não haja uma mudança drástica, em 2050 a quantidade de lixo plástico nos oceanos deve superar a de peixes.

Pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos por ano, o equivalente a um caminhão de lixo por minuto, diz o relatório. “Se nenhuma ação for tomada, a expectativa é que esse número aumente para dois por minuto até 2030 e para quatro por minuto até 2050”, ressalta o estudo.

Para reverter esse cenário, a pesquisa, baseada em diversas fontes, propõe a criação de um novo sistema para reduzir o descarte de plástico na natureza, especialmente nos oceanos, e buscar alternativas para o petróleo e o gás natural na produção desse material. Caso não seja encontrada uma alternativa, essa indústria deverá consumir 20% da produção petrolífera em 2050.

Foca ferida é encontrada com rede de pesca em seu pescoço

As imagens comoventes mostram uma foca ensanguentada com uma rede de pesca enrolada em seu pescoço, que cortou sua pele.

Imagens comoventes mostram uma foca ferida e triste com uma rede de plástico enrolada em seu pescoço.

A fêmea ferida foi encontrada na costa de Norfolk por um fotógrafo que estava à procura de animais para um calendário anual.

As fotos – tiradas em Blakeney Point, a maior colônia de focas na Inglaterra – mostram os terríveis efeitos da poluição plástica nos mares e o alto preço que as espécies marinhas pagam por ela.

A espécie Atlantic Grey é reconhecida por sua pele branca e olhos negros.

Paul Macro avistou o pobre animal e imediatamente procurou um guarda. Segundo o Daily Mail, Macro, de 44 anos, disse que a foca estava acompanhada por um macho maior e claramente machucada pelo estrangulamento causado pela rede.

O fotógrafo viu a foca indefesa enquanto tentava capturar imagens dos animais para um calendário anual.

“É doloroso”, disse ele. ‘Você podia ver sua tristeza.’

“Eu não queria me aproximar, então imediatamente encontrei um diretor da Friends of Horsey Seals“.

“Na frente dela, tinha um macho grande e era como se ele estivesse cuidando dela”.

Macro também disse que telefonou para os voluntários em busca de ajuda mas infelizmente eles disseram que não conseguiram resgatar a foca.

Alison Charles, a gerente do Centro de Vida Selvagem de East Winch, que normalmente trata esses casos, disse que os voluntários esperavam poder ajudar as focas Atlantic Grey em breve.

Ela disse: ‘Há sangue fresco lá e a rede de nylon parece ser muito resistente. Eu tenho vontade de ajuda a todos eles. É frustrante, mas fazemos o melhor que podemos”.

A foca  estava acompanhada por um macho maior, que parecia cuidar dela.

Antes do Natal, várias focas foram encontradas na mesma área com frisbees enrolados em seus pescoços, que os cortavam à medida que os animais cresciam.

Uma das focas, apelidada de Mrs Pink Frisbee, foi levada ao centro da RSPCA em East Winch e deve ser devolvida ao mar no próximo mês.

O centro de vida selvagem tratou oito pacientes em seu hospital e disse que a situação piora a cada dia.

A poluição plástica nos oceanos

Poluição plástica é uma catástrofe que está devastando a superfície do planeta. Agora, ela já atinge o fundo dos oceanos.

Na parte mais profunda do oceano é encontrada na Fossa das Marianas, localizada no oeste do Oceano Pacífico, a leste das Ilhas Marianas. Estende-se a quase 11.000 metros abaixo da superfície.

Um saco plástico foi encontrado a 10.858 metros abaixo da superfície nesta região, a parte mais profunda conhecida de poluição humana no mundo. Este pedaço de plástico descartável foi encontrado mais profundo do que 33 torres Eiffel, colocadas ponta a ponta, alcançaria.

Enquanto a poluição plástica está afundando rapidamente, ela também está se espalhando para o meio dos oceanos. Um pedaço de plástico foi encontrado a mais de 620 milhas (mil milhas) da costa mais próxima – mais do que a extensão da França.

O Centro de Dados Oceanográficos Globais (Godac) da Agência do Japão para Ciência e Tecnologia da Terra Marinha (Jamstec) foi lançado para uso público em março de 2017.

Nesta base de dados, existem os registros de 5.010 mergulhos diferentes. De todos esses diferentes mergulhos, 3.425 itens de detritos feitos pelo homem foram contados.

Mais de 33% dos detritos eram de plástico, seguidos de metais (26%), borracha (1,8%), utensílios de pesca (1,7%), vidro (1,4%), tecido / papel / madeira (1,3%) e “outros” itens antropogênicos (35%).

Também foi descoberto que, de todos os resíduos encontrados, 89% eram descartáveis. Isso é definido como sacos plásticos, garrafas e pacotes. Quanto mais aprofundado o estudo, maior a quantidade de plástico que eles encontraram.

De todos os itens produzidos pelo homem encontrados abaixo de 20.000 pés (6.000 metros), os índices aumentaram para 52% para o plástico macro e 92% para o plástico descartável.

O dano direto que isto causou ao ecossistema e ao meio ambiente é evidente, já que os organismos do fundo do mar foram observados em 17% das imagens de detritos plásticos registradas pelo estudo.

Ave aquática “presenteia” sua companheira com um pedaço de plástico

A poluição nos mares tem causado danos irreversíveis ao ecossistema. Estudos apontam que até 2025, os oceanos do planeta estarão três vezes mais poluídos com plástico e estima-se que já existem pelo menos 5,25 trilhões de pedaços deles.

Uma imagem comovente mostra um pássaro aquático oferecendo um presente a sua companheira na esperança de impressioná-la.

O que o grande mergulhão-de-crista não sabe é que seu “mimo” nada mais é do que um pedaço de plástico.

Capturada em um lago em Derbyshire, na Inglaterra, a foto demonstra o terrível impacto do lixo no meio ambiente.

Grandes mergulhões são conhecidos por suas elaboradas demonstrações de cortejo. Pares balançam a cabeça um para o outro durante uma ‘dança’ na água e mergulham para coletar pedaços de ervas daninhas e outras plantas para oferecer ao seu parceiro.

Este pobre mergulhão, no entanto, emergiu com apenas um pedaço de plástico potencialmente jogado por humanos.

A fotógrafa Mary Wilde, que tirou a foto em um lago perto de Clay Cross, no sul de Chesterfield, no domingo passado (20), disse sobre o ritual: “Geralmente é uma bela vista. Os pássaros mergulham para oferecer uns aos outros pedaços de erva e agitam suas cabeças para frente e para trás. As informações são do Daily Mail.

“Este apenas deixou cair o plástico de volta na água. Foi muito triste e eu pensei que é um problema atual com as pessoas jogando lixo”.

O plástico está arruinando os mares e oceanos. Normalmente, os efeitos deles são sentidos em climas mais frios, com criaturas marinhas morrendo depois de comê-los ou se emaranhar neles. Mas este exemplo mostra como o impacto também é sentido por todos os animais.

O grande mergulhão-de-crista, dos quais existem 4.600 casais reprodutores na Grã-Bretanha, prefere nadar a voar e, por suas plumas ornamentadas, já foi muito caçado fazendo com que os números despencassem.

A Kaite Helps, do Derbyshire Wildlife Trust, disse que os pássaros muitas vezes oferecem um ao outro “algo bonito” quando tentam conquistar o parceiro.

Ela acrescentou: “A poluição plástica tem sido notícia recentemente graças a programas como o Planeta Azul da BBC, mas o problema é tão próximo de casa, não apenas em oceanos distantes, e essa foto é um lembrete gritante disso”.

“Em Derbyshire, o plástico está entupindo nossos rios e lugares que deveriam ser abrigos para a vida selvagem”.

“Todos nós contribuímos e todos nós precisamos fazer mudanças para evitar resíduos plásticos. No ambiente ele representa uma ameaça tão grande para a vida selvagem, porque não desaparece apenas, ele simplesmente se decompõe em pedaços cada vez menores”.

“Além dos perigos de ficarem presos ou feridos, os animais frequentemente ingerem fragmentos de plástico, com o potencial de se acumular nos corpos dos maiores da cadeia alimentar.”

No ano passado, a Great Plastic Pick Up foi parabenizada pela primeira-ministra Theresa May, depois que 20.000 voluntários removeram toneladas de lixo por todo o país.

Em apenas três dias, recolheram lixo suficiente para encher 17.000 lixeiras e 120.000 sacos de garrafas, alumínio e resíduos.

A campanha será relançada com a Keep Britain Tidy pedindo para que as pessoas deixem a nação limpa de 22 de março a 23 de abril.

 

Aquecimento global dos oceanos é equivalente a uma bomba atômica por segundo

Mais de 90% do calor aprisionado pelas emissões de gases de efeito estufa da humanidade foi absorvido pelos mares, com apenas alguns por cento aquecendo o ar, a terra e as calotas de gelo, respectivamente. A grande quantidade de energia que está sendo adicionada aos oceanos aumenta o nível do mar e permite que furacões e tufões se tornem mais intensos .

Um flutuador Argo é implantado no oceano. Foto: CSIRO

Muito do calor foi armazenado nas profundezas do oceano mas as medições só começaram nas últimas décadas e as estimativas existentes do calor total que os oceanos absorveram recuam apenas para cerca de 1950. O novo trabalho remonta a 1871. Os cientistas disseram que entender as mudanças passadas na temperatura dos oceanos foi fundamental para prever o futuro impacto das mudanças climáticas. As informações são do The Guardian.

Um estudo do Guardian descobriu que o aquecimento médio ao longo desse período de 150 anos era equivalente a cerca de 1,5 bombas atômicas do tamanho de Hiroshima por segundo. Mas o aquecimento acelerou ao longo do tempo, à medida que as emissões de carbono aumentaram, e era agora o equivalente de três a seis bombas atômicas por segundo.

Foto: Latinstock

“Eu tento não fazer esse tipo de cálculo, simplesmente porque acho isso preocupante”, disse a professora Laure Zanna, da Universidade de Oxford, que liderou a nova pesquisa. “Geralmente tentamos comparar o aquecimento com o uso de energia humana, para torná-lo menos assustador”.

Ela acrescentou: “Mas, obviamente, estamos colocando muito excesso de energia no sistema climático e muito disso acaba no oceano. Não há dúvida. O calor total absorvido pelos oceanos nos últimos 150 anos foi cerca de 1.000 vezes o uso anual de energia de toda a população global”.

A pesquisa foi publicada na revista Proceedings of National Academy of Sciences com medições combinadas da temperatura da superfície do oceano desde 1871 através modelos computacionais de circulação oceânica.

O Prof Samar Khatiwala, também da Universidade de Oxford e parte da equipe, disse: “Nossa abordagem é semelhante a “pintar” diferentes partes da superfície oceânica com tintas de cores diferentes e monitorar como elas se espalham pelo interior ao longo do tempo. Se soubermos o que a anomalia da temperatura da superfície do mar foi em 1871 no Oceano Atlântico Norte, podemos descobrir o quanto ela contribui para o aquecimento, digamos, do profundo Oceano Índico em 2018 ”.

Segundo o The Guardian, o aumento do nível do mar tem estado entre os mais perigosos impactos de longo prazo da mudança climática, ameaçando bilhões de pessoas que vivem em cidades costeiras , e estimar aumentos futuros é vital na preparação de defesas. Parte do aumento vem do derretimento do gelo terrestre na Groenlândia e em outros lugares, mas outro fator importante tem sido a expansão física da água à medida que se aquece.

Desgelo do Ártico. Foto: Nick Cobbing | Greenpeace

No entanto, os mares não aquecem uniformemente porque as correntes oceânicas transportam o calor pelo mundo. Reconstruir a quantidade de calor absorvida pelos oceanos nos últimos 150 anos é importante, pois fornece uma linha de base. No Atlântico, por exemplo, a equipe descobriu que metade do aumento visto desde 1971 em latitudes baixas e médias resultou do calor transportado para a região pelas correntes.

O novo trabalho ajudaria os pesquisadores a fazer melhores previsões do aumento do nível do mar para diferentes regiões no futuro. “Mudanças futuras no transporte marítimo podem ter consequências graves para o aumento do nível do mar e o risco de inundações costeiras”, disseram os pesquisadores. “Entender a mudança de calor nos oceanos e o papel da circulação na modelagem dos padrões de aquecimento continuam sendo a chave para prever as mudanças climáticas globais e regionais e o aumento do nível do mar.”

Dana Nuccitelli, um cientista ambiental que não esteve envolvido na nova pesquisa, disse: “A taxa de aquecimento do oceano aumentou à medida que o aquecimento global se acelerou e o valor está em torno de três a seis bombas de Hiroshima por segundo nas últimas décadas. Este novo estudo estima a taxa de aquecimento do oceano em cerca de três bombas de Hiroshima por segundo para o período de 1990 a 2015, que está no limite inferior de outras estimativas. ”