Nova onda de calor atinge Europa e especialistas ressaltam ligação com mudança climática

Por David Arioch

Limitar o aquecimento a 1,5°C poderia resultar em 420 milhões de pessoas a menos expostas a ondas de calor severas (Foto: AFP)

Pela segunda vez em menos de um mês, uma intensa e ampla onda de calor atingiu a Europa, com novas temperaturas mínimas e máximas recordes, interrupções nos sistemas de transportes e infraestrutura e pressão sobre a saúde humana e ao meio ambiente. De acordo com Organização Meteorológica Mundial (OMM), esses fenômenos carregam “a assinatura da mudança climática provocada pelo homem”.

Bélgica, Alemanha, Luxemburgo e Holanda tiveram novas temperaturas nacionais recordes, conforme termômetros ultrapassaram a marca de 40°C no pico da onda de calor em 25 de julho. Na França, Paris registrou seu dia mais quente, com temperatura de 42,6°, um patamar sem precedentes desde o início dos registros.

Serviços meteorológicos e hidrológicos emitiram alertas de calor, incluindo alertas em nível máximo. Em algumas áreas, serviços também emitiram alertas de incêndio para minimizar riscos à vida e ao meio ambiente.

A onda de calor foi causada por ar quente vindo do Norte da África e da Espanha. De acordo com as previsões, o fluxo atmosférico irá transportar o calor para a Groenlândia, resultando em altas temperaturas e, consequentemente, em aumento dos derretimentos.

Isso também afetará o gelo do Ártico, onde a perda da extensão de gelo durante a primeira metade de julho se comparado a perdas observadas em 2012, ano de menor extensão do gelo marítimo no mês de setembro, segundo o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo, nos Estados Unidos.

A onda de calor de julho segue outra excepcionalmente intensa ocorrida em junho, que gerou novas temperaturas recordes na Europa e garantiu que o mês fosse o mais quente já registrado no continente. A temperatura média foi de 2°C acima do normal.

Mudança climática e ondas de calor

“Ondas de calor intensas e amplas carregam a assinatura da mudança climática provocada pelo homem. Isso é consistente com descobertas científicas que mostram evidências de eventos de calor mais frequentes e intensos, enquanto concentrações de gases causadores do efeito estufa levam a um aumento das temperaturas globais”, disse Johannes Cullman, diretor do Departamento de Clima e Água da OMM.

“A OMM espera que 2018 esteja dentro dos cinco anos mais quentes já registrados e que 2015-2019 seja o período mais quente de qualquer equivalente já registrado”, disse.

A agência das Nações Unidas apresentará um relatório sobre o clima, englobando o período 2015-2019, na Cúpula da ONU para Ação Climática, em setembro. Muitos estudos científicos foram realizados sobre as conexões entre mudança climática e ondas de calor.

“Cada onda de calor que acontece na Europa atualmente é mais provável e mais intensa por conta da mudança climática induzida pelo homem”, segundo estudo publicado por cientistas no projeto internacional Atribuição Meteorológica Mundial, sobre a contribuição humana à onda de calor recorde de junho de 2019 na França.

“As observações mostram um aumento muito grande na temperatura destas ondas de calor. Atualmente, estima-se que um evento do tipo ocorra com um período de retorno de 30 anos, mas ondas de calor similarmente frequentes provavelmente teriam sido cerca de 4°C mais frias há um século”, afirmaram os cientistas no estudo.

“Em outras palavras, uma onda de calor desta intensidade está acontecendo ao menos dez vezes mais frequentemente hoje em dia do que há um século”.

Em seu Quinto Relatório de Avaliação, de 2014, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática afirmou ser “muito provável que a influência humana tenha contribuído às mudanças de escala observadas globalmente, em frequência e intensidade de extremos diários de temperatura”.

“É provável que a influência humana tenha mais que dobrado a probabilidade de casos de ondas de calor em alguns locais”.

Em seu relatório de 2018 sobre aquecimento global, o painel afirmou que os riscos relacionados a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar, segurança humana e crescimento econômico devem aumentar com aquecimento global de 1,5°C e ainda mais com avanço de 2°C.

Limitar o aquecimento a 1,5°C poderia resultar em 420 milhões de pessoas a menos expostas a ondas de calor severas, segundo o relatório.


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Australiana dedica a vida a resgatar e salvar a vida de morcegos órfãos

Uma autoproclamada “senhora dos morcegos” gasta até mil dólares por semana para manter vivos os morcegos órfãos que resgata. A maioria deles atingidos pelo recente evento de calor no extremo norte de Queensland, Austrália.

A mulher que vive em Kuranda, Rebecca Koller, começou a cuidar das raposas voadoras no final do ano passado, quando um terço das espécies do mamífero teriam morrido durante as altas temperaturas que quebraram recordes no país.

Ela inicialmente se viu cuidando de cerca de 450 morcegos, disse Rebecca à ABC News, mas o número de animais em necessidade tem crescido desde então, aumentando significativamente para mais de 600 esta semana.

Koller disse que quase 23 mil morcegos morreram no ano passado, mas que a onda de calor foi apenas um fator na morte de tantas vítimas.

“Nós tivemos também um evento de fome; eles não tinham comida suficiente, então tivemos todos esses filhotes que nasceram desnutridos”, disse Koller.

Ela disse que a falta de comida significava que os morcegos estavam se alimentando de tudo que conseguiam, incluindo o tabaco selvagem, o que estava causando deformidades nos morcegos que nasciam.

Ms Koller disse que a situação foi agravada pela temporada do carrapato, o que contribuiu para que um terço da população de morcegos acabasse sendo eliminada.

A cuidadora da vida selvagem conta que reabilitar os animais não é apenas trabalho duro, mas também um exercício de custos elevados devido ao grande número de filhotes órfãos aos seus cuidados.

“Está custando bem mais de mil dólares por semana apenas em frutas, e estou passando de cerca de 10 caixas por noite (para consumo dos animais)”, disse ela.

Os morcegos exigem que a comida deles seja picada e cortada em cubos e, quando você multiplica isso pelo número de animais no abrigo, a operação se torna uma tarefa que exige muito”, disse ela.

Koller disse que a limpeza dos recintos onde ficam os animais pode ser cansativa, já que ela precisa esfregar as bandejas de comida todas as manhãs.

Ela acrescentou que os morcegos são muitas vezes criaturas incompreendidas, mas eles são animais adoráveis, que tem necessidade de cuidados humanos.

Koller afirma que os morcegos desempenham um papel significativo no ecossistema e sem eles as florestas tropicais deixariam de existir.

“A população desses animais agora é metade do que era quando comecei a trabalhar com eles, você ouve falar de uma espécie que pode se tornar extinta durante seu período de vida, mas realmente ver isso acontecer é definitivamente assustador”, disse ela.

Apesar de ser um trabalho fisicamente e emocionalmente desgastante, Koller disse que não faria isso de outra maneira – especialmente quando ela vê os morcegos retornarem à natureza.

“No momento em que você tem a oportunidade de assistir eles voarem livres e começarem a pular em torno das árvores e interagir com uma colônia selvagem … isso faz com que cada segundo valha a pena”, disse ela.

Onda de calor ameaça golfinho do Indo-Pacífico, alertam cientistas

Um grupo de cientistas alertou que uma onda de calor marinha em 2011 reduziu a taxa de natalidade e sobrevivência do golfinho do Indo-Pacífico na baía de Shark, na costa oeste da Austrália, ou seja, isso poderia colocar a longo prazo em risco a existência nessa região de um dos animais mais inteligentes do mundo, conforme um artigo publicado na revista científica Current Biology.

Foto: AFP 2019 / Toshifumi KITAMURA

No início de 2011, uma onda de calor marinha produziu uma massa de água quente que elevou as temperaturas das costas ocidentais da Austrália em quatro graus centígrados acima da média. O número destes cetáceos diminui em 12%, enquanto a quantidade de crias por fêmea também foi reduzida devido ao fenômeno natural ocorrido há oito anos.

Com isso, é possível notar que a onda de calor foi devastadora e que ela afetou negativamente as pradarias marinhas e as populações de peixes.

“Nossos resultados sugerem que os fenômenos meteorológicos extremos podem ser demasiadamente prejudiciais […] o que gera um impacto negativo a nível de população”, afirmou Simon Allen, pesquisador associado da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Bristol (Reino Unido) e coautor do artigo.

Allen enfatizou que as ondas de calor geralmente estão relacionadas com a mudança climática, o futuro do “ecossistema em geral” está em risco a longo prazo.

Além disso, o estudo examinou informações demográficas de mais de 5.000 indivíduos deste tipo de golfinho entre 2007 e 2017, sendo que os pesquisadores especificaram que a diminuição da espécie causada pela onda de calor afetou diretamente a alimentação das crias do golfinho do Indo-Pacífico e os expondo aos predadores, já que seus progenitores ficavam mais tempo longe em busca de alimentos, o que contribuiu para o aumento da mortalidade das crias deste animal.

Fonte: Sputnik News

Calor escaldante da Austrália continua mantando milhares de morcegos

A ANDA noticiou recentemente que, apenas dois dias, uma onda de calor no norte da Austrália dizimou quase um terço dos morcegos da espécie raposa-voadora-de-óculos (Pteropus conspicillatus) do país. Os animais não conseguiram sobreviver às temperaturas, que passaram de 42°C.

Agora, mais de 2.000 “raposas voadoras” morreram em Victoria, pela onda de calor extremo e o governo do estado declarou uma emergência natural.

Na terça-feira, o Departamento de Meio Ambiente, Terra, Água e Planejamento (DEWLP) confirmou que cerca de 1.400 das espécies nativas morreram perto de Bairnsdale, na costa sudeste do estado. Outros 900 animais foram encontrados mortos em uma colônia de Gippsland perto de Maffra, leste de Melbourne. As informações são do Daily Mail.

Os animais morreram quando, na maior parte de Victoria, quando a temperatura ultrapassou os 40°C, na última sexta-feira(25).

Alguns morcegos que sobreviveram ao calor foram levados para um centro de reabilitação animais selvagens.

Cavalos selvagens também são afetados

Não são apenas os morcegos gigantes que estão morrendo devido às temperaturas escaldantes na Austrália.

Semana passada, dezenas de cavalos selvagens foram encontrados mortos dentro de um poço seco, no Território do Norte. Acredita-se que eles foram até lá em busca de água, mas como não a encontraram, não tiveram pra onde ir e morreram no local.

 

 

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Milhares de animais são assassinados por adoecerem devido à onda de calor extremo

Cerca de 2.500 camelos foram mortos a tiros na região de Goldfields, na Austrália Ocidental, quando chegaram do deserto de Gibson para se reunir em torno de fontes de água. E mais de 100 animais poderão ser mortos na Austrália Central por adoecerem devido à onda de calor extremo que tem se prolongado no país.

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Foto: Ralph Turner

O Conselho Central da Austrália está consultando uma comunidade remota sobre a realização de um assassinato em massa de 120 cavalos, cabras e burros na Austrália central. O Conselho diz que matará os animais porque eles estão com “graves problemas de saúde e não podem ser transportados”.

Imagens chocantes mostraram 40 cavalos mortos no poço seco de Apwerte Uyerreme. Mais de 50 cavalos encontrados no mesmo local foram assassinados na última sexta-feira (18).

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Foto: Ralph Turner

“Cavalos e outros animais selvagens estão morrendo de sede e fome porque muitas fontes confiáveis ​​de água, como Apwerte Uyerreme, secaram na atual onda de calor”, disse o conselho na quinta-feira (24).

O Conselho planeja obter a permissão dos fazendeiros para matar todos os animais doentes. Mas até agora não disse nada sobre providenciar cuidados veterinários que estes animais obviamente precisam. Eles são vistos meros objetos que podem ser restituídos, e correm risco de vida nas mãos do Conselho.

Segundo a Goldfields Nullarbor Rangelands Biosecurity Association (GNRBA), mais de 25 mil camelos selvagens foram assassinados em terras não alocadas entre 2011 e 2013. A associação fornece descontos para fazendeiros que desejam comprar munição e também financia “abates aéreos”, aviões que despejam elementos tóxicos no ar, matando centenas, ou até milhares de animais de uma vez.