Encontrar nossa conexão com a comunidade e natureza é o único jeito de salvar os orangotangos

Por Leif Cocks*

Um orangotango dentro de uma casinha de madeira

Foto: The Orangutan Project

Há uma mudança significativa que nós, seres humanos, precisamos fazer se quisermos sustentar nossa vida neste planeta. Precisamos nos mover do antropocentrismo – que coloca os seres humanos e seus interesses como o foco central – para o biocentrismo, que nos coloca ao lado de todos os seres vivos.

Existem quatro princípios fundamentais que sustentam o biocentrismo:

  1. Humanos e todas as outras espécies são membros da comunidade da Terra.
  2. Todas as espécies são parte de um sistema independente.
  3. Todos os organismos vivos buscam seu próprio bem à sua própria maneira.
  4. Os seres humanos não são inerentemente superiores aos outros seres vivos.

Estamos todos conectados como seres vivos e, quando entendemos isso, as ações que tomamos para o futuro alteram a nossa percepção de nós mesmos como indivíduos, e nos focamos no bem maior de todos. Como parte dessas mudanças, nós imediatamente largamos a falsa separação de nos vermos como um paradigma de “eles e nós” e isso nos torna livres para enxergar a unidade de toda a vida.

A grande novidade é que, uma vez que abraçamos essa maneira de perceber e agir com o mundo, resultados paradoxais começam a fluir para a nossa vida. Isso é chamado ‘paradoxo altruísta’, onde, ao deixar nossa autocentrada existência habitual, recebemos tudo sem buscar. Além disso, uma vez que paramos de perseguir a felicidade e escolhemos trabalhar em benefício de todos, nos tornamos mais felizes. Isso significa que nos tornamos capazes de realizar um trabalho realmente bom, que é mais eficaz e, como resultado, experimentamos mais amor, alegria e paz interior.

Há outro aspecto essencial das pessoas altruístas que é importante esclarecer. Elas nunca sacrificam nada enquanto estão fazendo o bem. Sacrifício é uma palavra que implica em um custo por ser altruísta; entretanto, a verdade é o inverso. Muitas vezes me perguntam como abandonei a carne para me tornar vegano. Eu simplesmente respondo que não “abandonei” a carne porque não a desejo. Ao invés, simplesmente fiz uma transição para uma forma de comer que era mais significativa para mim e deixei a carne e outros produtos de origem animal para trás. Muito como um adulto que se divertiu com brinquedos em sua infância, não é difícil deixar esses brinquedos para trás e procurar novas atividades.

“Quando faço o bem, me sinto bem. Quando faço mal, me sinto mal. Essa é a minha religião” – Abraham Lincoln.

Igualmente, fazer o bem e ser bom é um grande benefício para a pessoa que pratica o bem. Isso é evidenciado por estudos científicos que esboçam benefícios físicos, mentais e emocionais, experimentados não apenas por aqueles que fazem o bem, mas que são essencialmente bons. Os benefícios incluem melhor saúde (mental e física), longevidade e sensação de bem-estar.

Essa não é uma ideia inovadora, mas é uma que possui grandes fundamentos entre todos os sistemas de crenças do mundo. Entender esse princípio é compreender a ideia de que o nosso interesse coletivo é fazer bem aos outros.

Sou constantemente abordado por pessoas preocupadas e compassivas após minhas palestras pelo mundo. Elas querem saber como e onde podem apoiar nossos esforços para proteger habitats nativos e os seres vivos que habitam esses ecossistemas. Além de recomendar que eles comecem a doar ou se voluntariem à causa imediatamente, eu também sugiro que eles se eduquem sobre os orangotangos, o trabalho que fazemos e o trabalho que apoiamos. Isso porque acredito em ações formadas a longo prazo.

Eu genuinamente acredito que se combinarmos nossos esforços pessoais e trabalharmos juntos para apoiar organizações eficazes, podemos fazer a diferença em um nível global.

Usamos essa abordagem no Projeto Orangotango, onde fazemos parceria com a maioria dos grupos de conservação que trabalham hoje na Indonésia, porque sabemos que este é o único jeito de garantir o futuro dos orangotangos – não apenas através do resgate, recuperação e reabilitação de orangotangos, mas também proteção e regeneração, educação, pesquisa, apoio à aplicação de lei e parcerias com as comunidades locais.

Nosso grande objetivo é legalmente proteger todos os ecossistemas intactos existentes e manter populações de subespécies sob nossa proteção permanente, para que elas sobrevivam indefinidamente.

Mas, na realidade, meu objetivo pessoal e a promessa que eu fiz é que todo orangotango um dia viverá selvagem e livre. Porque cada um deles é um ser e, assim como você e eu, têm direito de compartilhar nosso planeta.

*Leif Cocks é o fundador e presidente do Projeto Orangotango

Leia aqui a versão em inglês.

Número de orangotangos permanece estável, mas o cultivo do óleo de palma ainda é uma ameaça

Por Rafaela Damasceno

As taxas de sobrevivência dos orangotangos em florestas protegidas de Bornéu, ilha asiática do Arquipélago Malaio, são estáveis. Os números permaneceram praticamente os mesmos nos últimos 15 anos, segundo um estudo da World Wide Fund for Nature (WWF). Infelizmente, o número de orangotangos presentes nas áreas florestais onde o óleo de palma é cultivado caiu nesse mesmo período.

Um bebê orangotando na grama

Foto: Getty

A WWF está emitindo alertas de que a fabricação do óleo de palma pode ter um efeito devastador nos animais. Apesar disso, os esforços para manter os orangotangos protegidos parecem estar tendo um bom resultado: grandes extensões da floresta estão protegidas, e cerca de 70% da espécie vive nas reservas. Em duas áreas do país que foram protegidas, os números aumentaram em 600 animais em 15 anos.

Infelizmente, nas florestas onde se cultiva o óleo de palma, as áreas não são mais grandes o suficiente para abrigar os orangotangos. A Malásia é uma das maiores produtoras de óleo de palma, usado na fabricação de vários produtos (inclusive chocolates e batons). Ele vale muito dinheiro e é o produto agrícola mais exportado no sudeste asiático.

As árvores das florestas são cortadas e muitas vezes queimadas, o que acaba poluindo a área e devastando o habitat dos orangotangos.

É difícil substituir o óleo de palma na fabricação dos produtos, mas a WWF recomenda que as empresas procurem aqueles que são certificados pela Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável. A organização também ajuda empresas a procurarem por óleo de palma que não foi cultivado através do desmatamento das florestas e morte dos orangotangos.


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Mães orangotango se coçam para atrair seus filhotes

Foto: SUAQ/CAROLINE SCHUPPLI

Foto: SUAQ/CAROLINE SCHUPPLI

Não é incomum ver orangotangos-de-sumatra se coçando, mas segundo um novo estudo, pode ser que esses primatas estejam fazendo mais do que apenas satisfazer uma coceira.

Um estudo publicado recentemente mostra que os sons altos dos arranhado causados pelas unhas de mães orangotangos-de-sumatra servem como um chamado para seus filhotes.

Pesquisadores observaram 17 indivíduos – quatro mães e seus filhos – em seu habitat natural, o Parque Nacional Gunung Leuser, em Aceh, na Indonésia. Eles registraram o comportamento das diferentes mães e seus filhotes antes, durante e depois que a mãe fez um som alto de coceira, coçando a pele coriácea da cabeça, dos membros ou do corpo.

Na maioria dos casos, as mães olhavam para seus filhos enquanto coçavam, e depois os dois saíam juntos da área, relata a equipe de cientistas na revista Biology Letters.

Depois de documentar essa ação quase 1500 vezes, os pesquisadores passaram a acreditar que essa era a maneira de a mãe dizer à criança que era hora de ir embora.

Os orangotangos do sexo feminino geralmente se comunicam com seus filhotes por meio de gestos silenciosos para evitar atrair predadores. Isso faz com que o barulho de arranhar seja ainda mais incomum, diz a equipe.

Os cientistas sugerem que os orangotangos usam o som do arranhão porque é alto o suficiente e urgente o bastante para chamar a atenção da criança sem ser tão alto a ponto de alertar os predadores.

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Orangotangos podem estar extintos em 10 anos se o desmatamento das florestas indonésias continuar

Foto: International Animal Rescue

Foto: International Animal Rescue

Ambientalistas e especialistas preveem que, sem uma intervenção rápida e adequada, logo nenhum desses belos e indefesos animais restará no planeta.

Segundo o premiado Chefe do Executivo da ONG International Animal Rescue, Alan Knight, os orangotangos se encontram atualmente no “precipício da extinção”.

“Se o ritmo atual de destruição da floresta tropical continuar como esta, então não tenho absolutamente nenhuma esperança de que algum orangotango permaneça em estado selvagem.”

O ambientalista previu que os orangotangos só continuariam a existir por apenas mais 10 anos.

“Eu provavelmente diria dez anos se não pudermos parar a destruição. Eu acho que os orangotangos de Sumatra desaparecerão antes disso se eles não resolverem a situação em que estão”.

O orangotango Tapanuli (Pongo tapanuliensis), descoberto por cientistas em 2017, tem os números de suas populações estimados em apenas 800 indivíduos, o que o torna a espécie mais rara de macacos do planeta.

As espécies de orangotango se juntam a uma lista de animais altamente ameaçados que incluem o tigre malaio, o rinoceronte-de-sumatra, o pangolim malaio e muitos outros.

Foto: International Animal Rescue

Foto: International Animal Rescue

Infelizmente a culpa dessa situação extrema é do ser humano e de suas ações irresponsáveis movidas pela ganância e ambição descontroladas.

Conforme relatado pelo Independent, o declínio nos números da população de orangotangos nas florestas de Bornéu é devido ao desmatamento em massa que ocorre há anos no local.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) relatou: “As florestas em que esses animais vivem são transformadas em plantações de dendê, borracha ou papel, e outras são destruídas por humanos”.

“Como os orangotangos são caçados e expulsos de seus habitats, as perdas dessa espécies de reprodução lenta são enormes e serão extremamente difíceis de reverter.”

Se a tendência atual de desmatamento continuar, o orangotango não será mais do que apenas uma parte da história dos animais que uma vez vagaram pela terra.

Os dados expostos pedem uma atitude urgente e efetiva para garantir que os habitats dos orangotangos seja preservados e a espécie seja salva da extinção e posteriormente protegida das decorrentes ameaçadas causadas pela ação humana.

Populações caem pela metade em uma década

De acordo com informações da Orangutan Foundation International, as populações de orangotangos caíram pela metade na última década. Este é um dado preocupante considerando que os orangotangos já somaram centenas de milhares de indivíduos.

Além das mudanças climáticas, outras atividades humanas têm favorecido à perda e degradação do habitat desses animais. “A IUCN [União Internacional para a Conservação da Natureza] classificou o orangotango de Bornéu como ameaçado de extinção e o orangotango de Sumatra como criticamente ameaçado”, aponta a OFI.

As últimas estimativas mostraram que apenas 7,3 mil orangotangos de Sumatra (Pongo abelii) ainda permaneciam em estado selvagem, embora tais estimativas não sejam tão recentes. Isso significa que a redução pode ser pior do que imaginamos. Outro dado importante é que aproximadamente 150 mil orangotangos da Ilha de Bornéu desapareceram nos últimos 16 anos, segundo o Instituto Max Planck.

“A destruição e a degradação da floresta tropical, particularmente a floresta das terras baixas, em Bornéu e Sumatra, é a principal razão pela qual os orangotangos estão ameaçados de extinção”, lamenta a Orangutan Foundation.

Entre as atividades humanas que têm contribuído para isso estão a exploração madeireira, incluindo a extração ilegal, conversão de florestas em plantações de óleo de palma, mineração e derrubada de mata para a construção de estradas, além de incêndios e comércio ilegal de animais.

“Durante a última década, as populações de orangotangos provavelmente diminuíram em 50% na natureza. O orangotango de Bornéu e o orangotango de Sumatra estão em grave declínio. Isso significa que, sem uma drástica intervenção, os orangotangos podem em breve ser extintos como populações biologicamente viáveis na natureza”, revela a OFI.

Pesquisadores do Instituto Max Planck lamentam o fato de que quase 50 anos de esforços de conservação não conseguiram evitar que os números de orangotangos caíssem. E o que torna a situação ainda mais delicada é que os orangotangos são animais que se reproduzem lentamente.

Populações de orangotangos caíram pela metade na última década

Quase 50 anos de esforços de conservação não conseguiram evitar que os números de orangotangos caíssem (Foto: Getty Images)

De acordo com informações da Orangutan Foundation International, as populações de orangotangos caíram pela metade na última década. Este é um dado preocupante considerando que os orangotangos já somaram centenas de milhares de indivíduos.

Além das mudanças climáticas, outras atividades humanas têm favorecido à perda e degradação do habitat desses animais. “A IUCN [União Internacional para a Conservação da Natureza] classificou o orangotango de Bornéu como ameaçado de extinção e o orangotango de Sumatra como criticamente ameaçado”, aponta a OFI.

As últimas estimativas mostraram que apenas 7,3 mil orangotangos de Sumatra (Pongo abelii) ainda permaneciam em estado selvagem, embora tais estimativas não sejam tão recentes. Isso significa que a redução pode ser pior do que imaginamos. Outro dado importante é que aproximadamente 150 mil orangotangos da Ilha de Bornéu desapareceram nos últimos 16 anos, segundo o Instituto Max Planck.

“A destruição e a degradação da floresta tropical, particularmente a floresta das terras baixas, em Bornéu e Sumatra, é a principal razão pela qual os orangotangos estão ameaçados de extinção”, lamenta a Orangutan Foundation.

Entre as atividades humanas que têm contribuído para isso estão a exploração madeireira, incluindo a extração ilegal, conversão de florestas em plantações de óleo de palma, mineração e derrubada de mata para a construção de estradas, além de incêndios e comércio ilegal de animais.

“Durante a última década, as populações de orangotangos provavelmente diminuíram em 50% na natureza. O orangotango de Bornéu e o orangotango de Sumatra estão em grave declínio. Isso significa que, sem uma drástica intervenção, os orangotangos podem em breve ser extintos como populações biologicamente viáveis ​​na natureza”, revela a OFI.

Pesquisadores do Instituto Max Planck lamentam o fato de que quase 50 anos de esforços de conservação não conseguiram evitar que os números de orangotangos caíssem. E o que torna a situação ainda mais delicada é que os orangotangos são animais que se reproduzem lentamente.

Orangotangos passam fome e estão vulneráveis na Ásia

Foto: Projeto Orangotango

Kalimantan está enfrentando uma grave crise pelo desmatamento e, consequentemente, pela perda de habitat natural dos orangotangos de Bornéu que estão criticamente ameaçados. De acordo com a Escola de Silvicultura e Estudos Ambientais de Yale, 50% das florestas de terras baixas de Kalimantan desapareceram.

Sem a proteção da floresta, os caçadores encontram facilmente os orangotangos e geralmente matam a mãe para roubar o bebê e comercializá-lo.

Entre 1999 e 2015, quase 150 mil orangotangos de Bornéu. De acordo com um levantamento publicado na revista “Current Biology”, avanço do desmatamento e os conflitos com populações humanas são ameaças para a sobrevivência deste primata.

A cada hora, 300 campos de futebol da preciosa floresta tropical estão sendo dizimados em todo o Sudeste Asiático para dar lugar a plantações de palmas que produzem o óleo. As informações são do World Animals News.

A luta dos ativistas

O Projeto Orangotango (TOP), uma organização dedicada à conservação e bem-estar dos orangotangos. O grupo busca incessantemente doações para ajudar o Centro de Proteção dos Orangotangos, um importante parceiro em Kalimantan, na Indonésia, que protege estes primatas deslocados de Bornéu, os reabilitam. O centro também luta para salvar a floresta tropical remanescente.

“O Centro de Proteção de Orangotangos está fazendo tudo o que pode para impedir o desmatamento e acelerar os resgates destes animais, mas precisam de ajuda”, disse Leif Cocks, Especialista em Orangotango e Fundador do Projeto Orangotango.

“O número de orangotangos deslocados, cativos e órfãos está aumentando, o que significa que a organização precisa desesperadamente de fundos para salvaguardar e proteger as florestas remanescentes. Estamos chamando aqueles nos EUA que são apaixonados por ajudar esses animais incríveis e seu habitat a doar. Sua doação será direcionada diretamente para Kalimantan Oriental , e aqueles que doarem, na verdade, ajudarão duas vezes, como as doações serão igualadas, dólar por dólar, até 36 mil dólares (cerca de 140 mil reais) , graças à generosidade de um de nossos doadores anônimos”.

Desde a fundação em 1998, o projeto contribuiu com mais de 10 milhões de dólares (cerda de 40 milhões de reais) diretamente para projetos de conservação de orangotangos.