O governo russo está mantendo há meses 90 baleias belugas e 11 orcas confinadas em condições estressantes, conforme denunciam ambientalistas que temem pela saúde dos animais. As autoridades prometeram libertar as orcas e baleias, mas até o momento as mantém no confinamento.

Orca (Foto: Pixabay / Ilustrativa)
Os animais marinhos foram retirados da natureza, a maior parte para ser enviada a aquários chineses. O ato cruel chamou a atenção de ambientalistas, políticos e celebridades. O ator Leonardo DiCaprio está entre as pessoas que se posicionaram contra o cativeiro das baleias e orcas. Ele fez um apelo para que esses animais sejam libertos e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu às autoridades que o destino deles fosse determinado até o início de março. Um mês após o final do prazo, as baleias e orcas permanecem confinadas no Centro para Animais Marinhos, no leste da Rússia. O local é conhecido como “cadeia de baleias”.
Os animais foram capturados no Mar de Okhotsk e estão no Centro desde que o procurador-geral da Rússia disse que as empresas que fizeram a captura não tinham autorização para fazer a exportação para a China. As informações, da emissora internacional da Alemanha Deutsche Welle, foram divulgadas pelo jornal O Povo.
Ambientalistas se preocupam com os animais e alertam que a alimentação dada por humanos e os medicamentos oferecidos para que o sistema imunológico seja estimulado podem dificultar a sobrevivência das belugas e das orcas caso elas sejam devolvidas ao habitat.
Ao analisar imagens da “cadeia de baleias”, um grupo internacional de cientistas concluiu que a saúde dos animais está piorando. Até o momento, pelo menos três belugas e uma orca foram dadas como desaparecidas do local. O discurso oficial é de que elas fugiram. Ambientalistas, no entanto, acreditam que elas tenham morrido no cativeiro.
O Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente (MNR) da Rússia afirmou que os animais passam bem. “Queremos tranquilizar a todos que estão monitorando de perto a situação de que não há preocupações sobre as orcas na Baía de Srednaya”, afirmou.
O Instituto Russo de Pesquisas Pesqueiras e Oceanografia (VNIRO) disse que está coordenando um grupo de especialistas que irá avaliar o quadro de saúde das belugas e das orcas. Afirmou ainda que apenas as mais aptas à sobrevivência serão devolvidas à natureza. Porém, a ação do governo gera desconfianças. O especialista em mamíferos marinhos Grigory Tsidulko, consultor do Greenpeace Rússia, teme que a abordagem da Rússia seja apenas uma fachada para ocultar interesses econômicos.
“Todos os animais podem ser libertados se houver uma reabilitação adequada, mas há um grande conflito de interesses”, disse Tsidulko à DW. “O grupo que avalia a saúde dos animais foi ampliado após uma reunião com o Ministério de Recursos Naturais e incluiu representantes de alguns grandes oceanários russos”, acrescentou.
O VNIRO negou a existência de conflitos de interesses e disse que está sendo realizada uma avaliação objetiva e imparcial dos animais. O processo de reabilitação, segundo o Instituto, será iniciado quando o governo decidir quais animais poderão voltar ao habitat. Os que forem julgados aptos serão soltos no local onde foram caçados em junho, quando começa o período sem gelo na Rússia.
O MNR acredita que soltar as belugas e orcas no mesmo local de onde foram capturadas pode facilitar o reencontro com membros da família. Embarcações capazes de transportar esses animais, que podem pesar até 6 toneladas, e que tenham espaço para abriga-los durante a viagem, que deve durar de quatro a cinco dias, serão utilizadas durante o procedimento de soltura.
O governo não informou qual será o destino dos animais considerados inaptos à vida na natureza. Tsidulko acredita que há chances deles acabarem vivendo presos em aquários.
O MNR justifica que devolvê-los ao mesmo lugar facilitará o reencontro com membros da família. Como uma orca macho pode pesar até 6 toneladas, o ministério afirmou que serão utilizadas embarcações capazes de transportar grandes cargas e que os mamíferos terão espaço suficiente durante a viagem de quatro ou cinco dias. O que acontecerá aos animais considerados não aptos à liberação ainda é uma incógnita. Para Tsidulko, há chance de que eles acabem em aquários.