Orcas resgatadas passam bem após viagem de libertação

Por Rafaela Damasceno

Mais três orcas foram resgatadas da “cadeia de baleias”, na Rússia. No outono passado, a história de orcas e belugas sendo mantidas em condições deploráveis na baía de Srednyaya foi noticiada depois que o Greenpeace avisou que os animais estariam sendo contrabandeados para a China.

Uma beluga na água

Belugas também foram libertadas do cativeiro, no outono passado | Foto: Urdu Point

As primeiras oito orcas a serem soltas sobreviveram ao transporte para o Território de Khabarovsk, apesar de alguns especialistas temerem que elas morressem no caminho.

Após a viagem de três dias pelo rio Amur, as três orcas que começaram seu trajeto nesta quinta-feira (11) passam bem, segundo o Instituto Russo de Pesquisa da Pesca e Oceanografia. Responsável pela missão de libertar os animais, o Instituto trabalha para que a viagem seja feita da maneira mais segura possível.

A orca fêmea mais jovem tem cinco anos de idade, enquanto os outros dois mamíferos têm entre nove e dez. Na segunda-feira, o navio que transportava os animais atracou. As orcas serão realocadas em caminhões, para que possam continuar sua jornada.

De acordo com os pesquisadores, especialistas trocarão a água dos reservatórios utilizados para transportar os animais antes de entrarem nos caminhões. Cada um dos mamíferos também será acompanhado por dois treinadores encarregados de conferir se eles se sentem bem.

Quando a história do contrabando chegou aos jornais, há alguns meses, o tribunal declarou que as orcas foram capturadas de forma criminosa. As empresas responsáveis pela violação receberam multas de 150 milhões de rublos (cerca de 90 milhões de reais). O Instituto trabalha agora para que todos os animais ganhem a liberdade.

Rússia mantém 101 baleias e orcas presas em condições estressantes

O governo russo está mantendo há meses 90 baleias belugas e 11 orcas confinadas em condições estressantes, conforme denunciam ambientalistas que temem pela saúde dos animais. As autoridades prometeram libertar as orcas e baleias, mas até o momento as mantém no confinamento.

Orca (Foto: Pixabay / Ilustrativa)

Os animais marinhos foram retirados da natureza, a maior parte para ser enviada a aquários chineses. O ato cruel chamou a atenção de ambientalistas, políticos e celebridades. O ator Leonardo DiCaprio está entre as pessoas que se posicionaram contra o cativeiro das baleias e orcas. Ele fez um apelo para que esses animais sejam libertos e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu às autoridades que o destino deles fosse determinado até o início de março. Um mês após o final do prazo, as baleias e orcas permanecem confinadas no Centro para Animais Marinhos, no leste da Rússia. O local é conhecido como “cadeia de baleias”.

Os animais foram capturados no Mar de Okhotsk e estão no Centro desde que o procurador-geral da Rússia disse que as empresas que fizeram a captura não tinham autorização para fazer a exportação para a China. As informações, da emissora internacional da Alemanha Deutsche Welle, foram divulgadas pelo jornal O Povo.

Ambientalistas se preocupam com os animais e alertam que a alimentação dada por humanos e os medicamentos oferecidos para que o sistema imunológico seja estimulado podem dificultar a sobrevivência das belugas e das orcas caso elas sejam devolvidas ao habitat.

Ao analisar imagens da “cadeia de baleias”, um grupo internacional de cientistas concluiu que a saúde dos animais está piorando. Até o momento, pelo menos três belugas e uma orca foram dadas como desaparecidas do local. O discurso oficial é de que elas fugiram. Ambientalistas, no entanto, acreditam que elas tenham morrido no cativeiro.

O Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente (MNR) da Rússia afirmou que os animais passam bem. “Queremos tranquilizar a todos que estão monitorando de perto a situação de que não há preocupações sobre as orcas na Baía de Srednaya”, afirmou.

O Instituto Russo de Pesquisas Pesqueiras e Oceanografia (VNIRO) disse que está coordenando um grupo de especialistas que irá avaliar o quadro de saúde das belugas e das orcas. Afirmou ainda que apenas as mais aptas à sobrevivência serão devolvidas à natureza. Porém, a ação do governo gera desconfianças. O especialista em mamíferos marinhos Grigory Tsidulko, consultor do Greenpeace Rússia, teme que a abordagem da Rússia seja apenas uma fachada para ocultar interesses econômicos.

“Todos os animais podem ser libertados se houver uma reabilitação adequada, mas há um grande conflito de interesses”, disse Tsidulko à DW. “O grupo que avalia a saúde dos animais foi ampliado após uma reunião com o Ministério de Recursos Naturais e incluiu representantes de alguns grandes oceanários russos”, acrescentou.

O VNIRO negou a existência de conflitos de interesses e disse que está sendo realizada uma avaliação objetiva e imparcial dos animais. O processo de reabilitação, segundo o Instituto, será iniciado quando o governo decidir quais animais poderão voltar ao habitat. Os que forem julgados aptos serão soltos no local onde foram caçados em junho, quando começa o período sem gelo na Rússia.

O MNR acredita que soltar as belugas e orcas no mesmo local de onde foram capturadas pode facilitar o reencontro com membros da família. Embarcações capazes de transportar esses animais, que podem pesar até 6 toneladas, e que tenham espaço para abriga-los durante a viagem, que deve durar de quatro a cinco dias, serão utilizadas durante o procedimento de soltura.

O governo não informou qual será o destino dos animais considerados inaptos à vida na natureza. Tsidulko acredita que há chances deles acabarem vivendo presos em aquários.

O MNR justifica que devolvê-los ao mesmo lugar facilitará o reencontro com membros da família. Como uma orca macho pode pesar até 6 toneladas, o ministério afirmou que serão utilizadas embarcações capazes de transportar grandes cargas e que os mamíferos terão espaço suficiente durante a viagem de quatro ou cinco dias. O que acontecerá aos animais considerados não aptos à liberação ainda é uma incógnita. Para Tsidulko, há chance de que eles acabem em aquários.

SeaWolrd fecha última atração que homenageava a orca “Shamu”

Shamu foi uma orca criada e explorada em cativeiro durante anos pelo SeaWorld. A baleia foi capturada quando tinha apenas 3 anos de idade.

Segundo informações, a mãe de Shamu foi morta por baleeiros e a jovem orca se recusou a sair do lado dela. Então ela foi capturada e vendida para o SeaWorld San Diego, onde foi privada de comida para aprender truques e treinada para se tornar a primeira orca do parque.

Ela foi usada em shows até um incidente em 1971 no qual uma funcionária do parque foi instruída a montar nas costas do animal para uma campanha publicitária.

Foto: Jeff Kraus | Flickr

Refletindo o estresse a que era submetida e as precárias condições de sua minúscula piscina, Shamu, mordeu a perna Annette Eckis e foi aposentada dos shows. A triste realidade da orca não serviu de exemplo ao parque, que capturou dezenas de animais para serem exploradas como ela.

A pobre orca foi escravizada no SeaWorld por seis anos depois de sua captura em 1963, morrendo em 1971 por uma infecção uterina. Desde então, seu nome foi dado a shows do parque e a outras orcas como uma “homenagem”.

A última atração que levava o nome de Shamu. Foto: Divulgação

Esta semana, o SeaWolrd em San Antônio, no Texas, anunciou que a montanha-russa com tema Shamu foi fechada. As informações são do Live Kindly.

De acordo com Orlando Weekly, a atração será reaberta antes da temporada de 2019 e renomeado como “Box Car Derby da Super Grover”.

As orcas em cativeiro do SeaWorld

Desde o sucesso do documentário “Blackfish”, em 2013, onde instrutores e ex-funcionários do parque se uniram para revelar a triste verdade das vidas das orcas cativas, o SeaWorld tem sido criticado por negligenciar o bem-estar animal. Por causa disso, o parque está saindo da moda entre os visitante, com a venda de ingressos e os lucros  caindo.

O filme mostra a triste história de Tilikum, outra orca criada em cativeiro, que matou sua treinadora, como consequência do estresse causado pelo confinamento e exploração.

Apesar de encerrar seu programa de criação de orcas em 2016, o parque ainda mantém 21 orcas cativas ao lado de vários outros animais, incluindo pinguins, focas e golfinhos.

Ativistas, celebridades e membros do público pedem incessantemente para que as orcas sejam transferidas para um santuário marítimo, encerrando suas apresentações para sempre.

A personal trainer das estrelas Kathy Kaehler recentemente se juntou à organização de direitos dos animais PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) para mostrar uma rotina de exercícios simulada para orcas. Com movimentos como nadar em círculos minúsculos, gritando para o seu bebê, rangendo os dentes e flutuando indiferente, o vídeo destaca o quão pequeno são os tanques no parque e como as orcas podem ficar deprimidas.

“Até que o SeaWorld envie os animais para um santuário à beira-mar, é isso que todas as orcas de lá fazem… bem, além disso, elas morrem muito mais cedo do que na natureza”.