Mudança climática pode causar o aumento dos níveis de mercúrio tóxico no mar e nos peixes

Foto: Getty

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A mudança climática pode aumentar os níveis de mercúrio tóxico do mar, impactando também em peixes como bacalhau e atum, alertaram cientistas.

Cerca de quatro quintos do mercúrio que chega a atmosfera por causas naturais e humanas, como a queima de carvão, acabam no oceano. Laá ele é então convertido por organismos minúsculos em uma forma orgânica particularmente perigosa conhecida como metilmercúrio.

Como pequenas criaturas são comidas por outras maiores, o mercúrio se torna mais concentrado na cadeia alimentar.

À medida que os mares aquecem, peixes como o bacalhau estão usando mais energia para nadar, o que requer mais calorias – então eles estão comendo mais e armazenando mais da toxina por consequência.

O metilmercúrio pode afetar as funções cerebrais em humanos. As crianças podem estar especialmente expostas à exposição ao mercúrio derivado de peixes, enquanto seus cérebros e sistemas nervosos estão se desenvolvendo no útero.

Embora a regulamentação para reduzir as emissões de mercúrio esteja levando a uma diminuição nas concentrações da toxina nos peixes, prevê-se que a elevação das temperaturas oceânicas devido à mudança climática aumente novamente.

Os pesquisadores da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas Harvard John A. Paulson e da Escola de Saúde Pública de Harvard T H Chan criaram modelos com as mudanças nas emissões de mercúrio.

Sua modelagem computacional prevê um aumento de 1ºC na temperatura da água do mar em comparação com o aquecimento em 2000, o que levaria a um aumento de 32% nos níveis de metilmercúrio no bacalhau e 70% no cação espinhosa.

Mesmo com um decréscimo de 20% no metilmercúrio na água do mar como consequência da redução nas emissões, um aumento de temperatura de 1C levaria a aumentos de 10% dos níveis no bacalhau e de 20% nos cações espinhosos, disseram os pesquisadores.

Eles também analisaram os efeitos do recente aquecimento oceânico de uma baixa em 1969 sobre as concentrações de mercúrio no atum rabilho do Atlântico e descobriram que isso poderia contribuir para um aumento estimado de 56% nos níveis das espécies.

Mudanças na dieta de espécies, incluindo bacalhau e cação espinhoso como resultado da sobrepesca de suas fontes de alimento, como o arenque, também podem afetar quanto metilmercúrio eles estão consumindo e armazenando em seus corpos.

Os pesquisadores analisaram os impactos da sobrepesca que modificam o que os principais predadores comem, como a redução do número de peixes que comem bacalhaus. Seu estudo, baseado em três décadas de dados de peixes e água do mar do Golfo do Maine, foi publicado na revista Nature.

As concentrações da toxina no bacalhau aumentaram em até 23% entre as décadas de 1970 e 2000, como resultado de mudanças na dieta iniciadas pela sobrepesca e, em seguida, uma recuperação das populações de arenque, dizem os cientistas.

Cerca de até 17 a cada 1.000 crianças de comunidades pesqueiras de subsistência no Brasil, Canadá, China, Colômbia e Groenlândia sofreram comprometimento mental devido ao consumo de alimentos do mar contaminados com mercúrio, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Elsie Sunderland, uma das autoras mais importantes do estudo, disse: “Mostramos que os benefícios da redução das emissões de mercúrio se mantêm, independentemente do que mais esteja acontecendo no ecossistema”.

“Mas se quisermos continuar a tendência de reduzir a exposição ao metilmercúrio no futuro, precisamos de uma abordagem em duas frentes”.

“A mudança climática vai exacerbar a exposição humana ao metilmercúrio através da cadeia alimentar marinha, portanto, para proteger os ecossistemas e a saúde humana, precisamos regular as emissões de mercúrio e os gases do efeito estufa”.

O professor Sean Strain, da Universidade de Ulster, que não esteve envolvido na pesquisa, mas afirmou que as sugestões feitas no artigo parecem corretas.

Ele disse: “A modelagem e os cálculos parecem ser sólidos, baseados em ciência de boa qualidade, e apoiariam a sugestão dos autores de que esses aumentos modelados no metilmercúrio em bacalhau e outras espécies de peixes seriam devido à sobrepesca e ao aquecimento global”.

No entanto, ele disse que a alegação de que um aumento de 23% no mercúrio no bacalhau do Atlântico poderia ser uma ameaça à saúde humana era contestável.

O Dr. Emeir McSorley, também da Universidade de Ulster e não envolvido na pesquisa, disse: “As mães nas Seychelles são expostas a concentrações de metilmercúrio pelo menos 10 a 100 vezes maiores que as que consomem peixes nos países ocidentais e ainda não encontramos associações adversas de metilmercúrio com neurodesenvolvimento em três gerações mãe-filho.

“De fato, as crianças nascidas de mães com as maiores exposições a metilmercúrio estavam realizando alguns testes de desenvolvimento melhor do que aquelas nascidas de mães expostas a metilmercúrio inferior. Nós interpretamos essas descobertas como indicando que os benefícios do consumo de peixe durante a gravidez superaram quaisquer riscos”.

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Governo faz churrasco na Esplanada dos Ministérios com mais de 4 mil peixes mortos

O governo promove nesta quarta-feira (7) um churrasco na Esplanada dos Ministérios. Mais de 4 mil peixes foram mortos para o evento.

Tambaquis mortos para consumo humano (Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM/Imagem Ilustrativa)

Da espécie tambaqui, os animais marinhos foram doados ao governo por uma associação de criadores de Rondônia que os explora para consumo humano.

O evento tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que é conhecido por apoiar práticas que exploram, maltratam e matam animais – como a caça, o rodeio e a vaquejada. De acordo com informações oficiais do governo, a presença do presidente no churrasco foi confirmada.

Os peixes serão cortados, assados e distribuídos à população, o que incentivará o consumo de peixe, condenando-os ainda mais a uma vida de muito sofrimento.


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Peixes são eletrocutados e amontoados em barcos ainda vivos

Por Rafaela Damasceno

O Kentucky, estado americano, está eletrocutando peixes para monitorar e capturar carpas. Elas são consideradas invasivas no país e uma das espécies mais perigosa de peixes.

Centenas de peixes saltando do mar por causa de choque na água

Foto: Kentucky Department of Fish and Wildlife Resources

Em um vídeo divulgado no Facebook pelo Departamento de Peixes e Vida Selvagem de Kentucky, é possível ver centenas de peixes saltando no ar enquanto um barco libera uma descarga de energia elétrica na água.

Os homens do barco então capturam os peixes com redes e empilham uns sobre os outros enquanto a corrente elétrica continua fazendo os animais se contorcerem e saltarem para fora da água.

Eletrocutar peixes se tornou uma maneira prática e comum de contar a população, segundo o departamento. Os animais ficam atordoados e desesperados, agonizando por um tempo, mas não morrem.

“É apenas para dar às pessoas uma ideia de com quantos peixes estamos lidando”, disse Ron Brooks, diretor do departamento, à CNN. “Nós capturamos e redistribuímos aos compradores”.

As carpas não são nativas dos Estados Unidos e apareceram por lá na década de 70, segundo a Scientific American. Elas podem depositar centenas de ovos por vez e se adaptar rapidamente a novos habitats.

Apesar da crença popular de que peixes não sentem dor, eles são perfeitamente capazes de sofrer e sentir. Diversos estudos comprovam que eles podem até mesmo construir relações entre si e definitivamente podem se machucar. Eletrocutar os peixes com nenhum propósito além de contá-los e capturá-los é cruel e desnecessário.

As carpas foram, provavelmente, introduzidas nos Estados Unidos por pessoas e não merecem a tortura por um erro humano.


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Estudo descobre que peixes se sentem tristes ao perder seus companheiros

Por Rafaela Damasceno

Existe um senso comum de que os peixes não sentem dor nem emoções. A verdade é que, só porque eles não sentem da mesma forma que os outros animais – incluindo a espécie humana -, não quer dizer que não sentem nada.

Alguns peixes nadando

Foto: Getty

Um novo estudo descobriu que os peixes podem se sentir tristes e desolados ao perderem seus parceiros. Pesquisadores franceses constataram que uma espécie conhecida como Acará do Congo se tornou pessimista e desanimado depois de perder seu companheiro.

O estudo foi feito em duas partes. Primeiro, colocaram uma fêmea em um tanque com três compartimentos. No meio, ficava ela. Nos dois espaços ao seu redor, dois peixes machos. Quando a fêmea mostrava preferência por um deles, os pesquisadores a colocavam com ele, ou com o outro.

Na segunda parte do estudo, os peixes foram treinados para remover tampas de pequenas caixas. Uma caixa branca continha comida, outra preta não continha nada. Depois que os peixes aprenderam, uma caixa cinza apareceu na jogada.

Os pesquisadores perceberam então uma característica interessante: os peixes que tinham sido colocados no mesmo compartimento que seus companheiros de preferência se mostravam mais dispostos a abrir a caixa, demonstrando uma visão positiva. Aqueles que estavam sozinhos, dificilmente tentavam.

“As fêmeas que foram designadas a um macho que não queriam como parceiro exibiram um viés pessimista, indicando um estado afetivo negativo”, declararam os pesquisadores da Universidade de Borgonha, na França.

“Ligação emocional com um parceiro não é propriedade única da espécie humana”, afirmou François-Xavier Dechaume-Moncharmont, um dos autores do estudo, ao The Guardian. “Isso pode indicar que as emoções são mais do que uma tendência. Talvez o amor não seja tão irracional assim”, completou.


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Turistas colocam populações de golfinhos em risco ao alimentá-los


As operadoras de turismo podem estar colocando em risco as populações de golfinhos, permitindo que elas sejam alimentadas pelos turistas da Austrália Ocidental, revela uma nova pesquisa sobre o assunto.

Os golfinhos são visitantes frequentes nas praias do país e em outros locais no mundo, mas um novo estudo da Universidade Murdoch, que observou mais de 60 golfinhos ao redor da área de Bunbury, apontou que golfinhos que não foram alimentados pelo Bunbury Discovery Center eram duas vezes mais propensos a dar à luz e tinha mais sucesso criando filhotes.

A pesquisadora-chefe Valeria Senigaglia disse que pouco mais de um terço dos filhotes de mães dependentes de alimentos dados por humanos em Bunbury sobreviveu até a idade de desmame cerca de três anos de idade.

“Cerca de 75% da população é desmamada com sucesso e prospera, se levarmos em conta apenas os golfinhos alimentados por humanos, esse percentual cai para 38%”, disse ela.

A pesquisa considerou uma série de fatores que poderiam impactar a sobrevivência dos filhotes em Bunbury, incluindo a mudança climática, mas Senigaglia disse que eles não tiveram um grande efeito sobre a população de golfinhos.

“O fator que tem a influência mais negativa sobre a sobrevivência é se a mãe do filhote recebeu ou não comida do centro dos golfinhos”, disse ela.

Ela disse que era provável que o resultado fosse esse porque os golfinhos se tornaram dependentes de humanos para alimentação, o que poderia levar as fêmeas a se tornarem menos maternas em relação aos filhotes.

“É apenas um par de peixes por dia, o que significa que os golfinhos ainda têm que se alimentar sozinhos, mas por ser uma fonte tão confiável como fonte de alimento que eles são fisgados para ir à praia todos os dias.”

Selvagens

Na Austrália Ocidental existem dois locais de alimentação de golfinhos licenciados pelo Departamento de Biodiversidade, Conservação e Atrações (DBCA), o Bunbury Discovery Centre e a reserva de Monkey Mia a 900 km ao norte de Perth.

Outros operadores de turismo em todo o estado, incluindo o Mandurah Cruises, não alimentam golfinhos.

A diretora de educação da Mandurah Cruises, Natalie Goodard, disse que isso se deve ao impacto do fornecimento de alimentos aos golfinhos selvagens. “É prejudicial para sua saúde e bem-estar”, disse ela.

Sem planos para parar com a alimentação dos golfinhos

O departamento responsável (DBCA) não quis dizer se pretendia proibir a prática, mas uma porta-voz do entidade afirmou que haviam condições estritas para proteger os golfinhos em Bunbury e Monkey Mia.

Em um comunicado, o Centro de Descoberta de Golfinhos disse que estudaria a pesquisa como parte de sua estratégia para proteger a população de golfinhos da cidade.

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Dia do Cooperativismo: trabalho em equipe é característica de aves, peixes e insetos

Hoje, 4 de julho, celebra-se o Dia do Cooperativismo. No mundo animal, a cooperação é uma prática bastante comum. Alguns animais, como aves, peixes e insetos têm como característica o trabalho em equipe. Juntos, eles somam esforços e obtém melhores resultados.

Foto: Pixabay

Entre os insetos que promovem ações em grupo estão as formigas e as abelhas. As primeiras são conhecidas por se organizarem de maneira exemplar para obter o resultado desejado. Unidas, as formigas formam grandes grupos e transportam objetos significativamente maiores e mais pesados do que elas. Na hora de proteger o formigueiro, elas também mostram a força que da união, além de dividirem tudo de forma igualitária.

Nas colmeias não é diferente. As abelhas dividem tarefas diariamente, por meio de estímulos visuais, auditivos, táteis e químicos. A forma como esses insetos se organizam se assemelha, inclusive, ao comportamento social humano. Isso porque as abelha dividem tarefas e responsabilidades e formam castas e gerações que trabalham em prol do bom funcionamento da colmeia.

Além dos insetos, outros seres do reino animal se organizam em grupos, como os pássaros. Ver um grupo deles voando de maneira sincronizada é bastante comum e demonstra o quão organizados e unidos eles são. Algumas espécies, como os estorninhos, chegam a desenhar uma perfeita formação no céu durante o voo. O objetivo é confundir predadores naturais ao criar a ilusão de uma só unidade. Segundo informações do portal Pensamento Verde, essas aves executam um cooperativismo exemplar, que precisa ser extremamente bem executado, já que um erro pode levar à colisão de um pássaro com outro, em alta velocidade, o que danificaria a unidade do grupo e, por consequência, a tática de proteção a predadores, e também poderia causar lesões nesses animais.

Foto: Pixabay

No entanto, não é só no momento do voo que os pássaros se unem. No caso do papa-moscas-preto, o trabalho em grupo garante a sobrevivência da espécie. Com a aproximação de um predador, o pássaro emite um guincho alto, alertando as demais aves e fazendo com que elas se unam para defender o grupo.

A união como tática de defesa contra os predadores também é usada pelos peixes. Juntos, eles formam cardumes que, com a sincronia do nado, tornam-se uma única unidade que faz com que os predadores não tenham força para atacar um peixe específico, diminuindo assim as chances desses animais serem mortos.

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Aquilo que a escola também deve ensinar

Por Aleluia Heringer

Recebi, de uma conhecida, fotos e vídeos de sua filha em uma festa junina. São imagens daquilo que estava sendo oferecido como entretenimento para as crianças: rifa de calopsita, pescaria de saquinhos com peixes vivos, uma gaiola com os pintinhos e a galinha, ao sol, cercada de gente. Por fim, para quem quisesse registrar em fotos o dia feliz, um cavalo preso a uma carroça, com todas as amarras possíveis.

A pescaria de saquinhos com peixes vivos é uma prática cruel (Foto: Getty Images)

A esta hora a festa já acabou. Cada família tomou o seu rumo. Casa bichinho que ali estava, compondo, contra sua vontade, “a festa”, deve estar em algum canto improvisado de alguma casa. Fecha-se a cena, que não precisa de nomes ou de endereço.

O que chamou minha atenção nessa história é onde ela acontece: em uma escola! Lugar onde se ensinam coisas, que esperamos que sejam boas, exemplares e condizentes com aquilo que se espera hoje e amanhã das pessoas e da coletividade, na relação consigo, com os outros, com a natureza e com os animais. Quando crianças, mediadas pelos adultos e pela instituição escolar, são submetidas a uma proposta em que o animal é exposto, vendido, preso e rifado, apenas para distrair e divertir o “animal humano”, aí é bem problemático. Há um currículo oculto presente nessa situação. Reforçamos para a próxima geração que o animal está a nosso serviço, que não tem necessidades, não almeja a liberdade, não sente desconforto e que suporta tudo, afinal, nasceu para isso! Esse é o subtexto.

Alberto Schweitzer, prêmio Nobel da Paz de 1958, escreveu que “quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes”. Schweitzer era de uma família rica na Alemanha, mas, como médico, foi viver entre os africanos das colônias francesas que necessitavam de cuidados e assistência médica. Ou seja, a compaixão estendida a todos os seres é um novo padrão de pensamento que precisa ser incutido em todos nós, adultos e crianças. Ao contrário, o padrão antropocêntrico e predatório que a humanidade traz consigo é o responsável pela extinção em curso de um milhão de espécies de animais e plantas, segundo o relatório publicado em maio deste ano pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistema. A plataforma contou com 145 cientistas de 50 países e o relatório é considerado o mais extenso sobre perdas do meio ambiente.

O que isso tem a ver com essa tal Festa Junina? Muito! É o mesmo modo de operar e o mesmo modo de pensar. A única diferença é que a escola fez uma microdemonstração daquilo que a humanidade vem fazendo com os animais silvestres, com os rios, florestas e oceanos. A lógica da gaiola, da jaula, da não liberdade, da submissão aos interesses do outro, maior e mais forte. Definitivamente, precisamos passar para outra cena, fazer outras perguntas e inventar outras formas de entretenimento que não sejam à custa do outro.


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Cerca de 100 milhões de tubarões são mortos em pescarias anualmente

Foto: linkedin.com

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Embora o tubarão carregue o falso estereótipo de ser uma espécie selvagem e perigosa, quase tudo o que as pessoas acham que sabem sobre os tubarões, na maioria das vezes, é falso, e a humanidade corre o risco de perder a presença desses belos animais completamente dos oceanos, antes mesmo de conhecê-los de verdade.

Esses animais incríveis existem no planeta há mais de 400 milhões de anos, muito antes dos seres humanos, e até mesmo antes das árvores evoluírem. No entanto, hoje, esses reis dos mares estão sendo discretamente aniquilados pelos oceanos, com cerca de 100 milhões deles sendo mortos em pescarias todos os anos.

Esse é um número enorme, grande demais para se crer nele o que requer uma contextualização. Ao longo de décadas e séculos, as pessoas capturaram e mataram tubarões, o que levou a declínios maciços em algumas espécies e levou muitos à extinção. Hoje, um quarto das espécies de tubarões e raias é considerado ameaçado de extinção e em oceano aberto essa taxa sobe para uma em cada três espécies.

Algumas populações foram tão gravemente afetadas que foram reduzidas em 99%.

Foto: Getty Images

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Parte disto é porque os tubarões são alvos de pesca para alimentação, ou apenas por suas barbatanas, mas uma grande quantidade é chamada de “captura acessória”, quando as espécies são acidentalmente capturadas e mortas em pescarias que tinham como alvo outra espécie.

As capturas acessórias (quando a espécie-alvo é outra) simplesmente não deveriam acontecer, mas as frotas implacáveis de barcos de pesca rondando indiscriminadamente o oceano, forma-se uma ameaça fenomenal à vida marinha, incluindo aves marinhas, tartarugas, tubarões, golfinhos e baleias.

Isso acontece porque redes enormes e linhas de anzóis com muitos quilômetros de comprimento cruzam o oceano para pegar peixes. Os tubarões, possivelmente procurando por comida, são pegos e arrastados a bordo com as redes e acabam morrendo.

Foto: Antony Dinckinson/AFP

Foto: Antony Dinckinson/AFP

Relatórios também descobriram que algumas pescarias atacam tubarões diretamente e, para piorar, muitas dessas espécies estão em extinção. O tubarão mako de barbatana curta (Isurus oxyrinchus), provavelmente o tubarão mais veloz do oceano, está sendo pescado até a extinção.

Um novo relatório do Greenpeace mostra que cerca de 25 mil desses animais foram mortos em 2017, um número incrivelmente alto, apesar de um claro alerta dos cientistas recomendando que nenhum tubarão da espécie seja pego ou morto sob nenhuma circunstância. Esses números são alarmantes e provam que tanto os oceanos quanto os tubarões estão sob séria ameaça.

No oceano os tubarões são os principais predadores, mas o verdadeiro predador do topo da cadeia que eles devem temer são os seres humanos. A pesca tem destruído repetidamente a vida selvagem em todo o mundo, levando algumas das mais icônicas criaturas oceânicas à beira do abismo – incluindo atum-azul, tartarugas marinhas, albatrozes e muitas, inúmeras espécies de tubarões também.

Foto: Mark Conlin/VW PICS/UIG

Foto: Mark Conlin/VW PICS/UIG

Quando se trata de leis de proteção ao oceano, o déficit é claro. Isso é ainda mais óbvio quando se trata de alto mar, as áreas fora da jurisdição dos países – que são basicamente o oeste selvagem, lugar sem lei para a vida selvagem.

Os cientistas calculam que pelo menos 30% dos oceanos devem ser protegidos como santuários seguros para a vida selvagem. Isso não é essencial apenas para uma vida marinha saudável e próspera, é também de grande importância para a sustentação de populações de peixes em todo o mundo e para permitir que os oceanos lidem com os impactos da mudança climática.

Este ano, os países estão discutindo um novo Tratado de Oceanos Globais nas Nações Unidas. Esse tratado pode, e deve, ser o primeiro grande passo para proteger os oceanos e toda a vida marinha. Mas questão também abrange a proteção da humanidade – porque dependemos dos mares para metade do oxigênio que respiramos, e para nos ajudar a lidar com o crise climática.

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Proposta cruel de pesca para entretenimento é adiada para 2020 em MS

A proposta da “cota zero” para a pesca no Mato Grosso do Sul, que obriga pescadores amadores a devolver ao rio os peixes após pescá-los foi adiada para 2020 devido à pressão de empresários do ramo do turismo.

Foto: Pixabay

“O que é a prática do ‘pesque e solte’? É você fisgar o peixe, você fotografar, e soltar o peixe novamente”, explicou ao G1 Ricardo Senna, secretário-adjunto da Secretaria de Meio Ambiente Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso do Sul (Semade).

O objetivo da “cota zero” é diminuir o número de peixes mortos, para reduzir o impacto sobre as espécies. A medida, no entanto, é extremamente cruel, já que coloca o peixe como um objeto a ser usado para entreter seres humanos, que irão retirá-lo da água apenas para fazer uma fotografia. Neste processo, o peixe, que é fisgado por uma isca, fica ferido e sofre com asfixia, devido aos minutos que permanece fora d’água.

Os protestos dos empresários, no entanto, fizeram o governo estadual recuar e publicar um decreto que, ao invés de zerar a cota, apenas a reduziu de dez quilos para cinco quilos de peixe pescado. A nova medida também autoriza que os turistas continuem levando para casa um peixe e cinco piranhas.

De acordo com os governos estaduais, quase 100 mil pescadores frequentam os rios do Pantanal, que abrange os estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Em 2018, 81.689 licenças de pesca amadora foram concedidas nos dois estados. Em 2019, foram 14.413.

Pescadores com licença profissional podem retirar até 125 quilos de peixe por semana do rio, respeitando tamanhos mínimos e máximos de cada animal, mas não podem cortar os peixes, que são registrados em guias de pesca e comercializados em peixarias, restaurantes e hotéis. Os turistas, que fazem a pesca amadora, também precisam registrar os peixes que capturam.

As guias de pesca são avaliadas pelas polícias ambientais para controlar a quantidade de peixes de cada espécie que é retirada dos rios. Se um pescador não apresentar documentação de origem do peixe capturado, ele pode ser multado.

Além dos pescadores profissionais e amadores, há também na região pescadores compostos pela população ribeirinha.

A pesca para consumo humano, comércio ou entretenimento, faz com que os peixes vivam inúmeras situações de maus-tratos. Machucados pelo anzol, eles são retirados da água e sofrem asfixia. Os que não são devolvidos ao rio sufocam até a morte.


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Mais de 600 mergulhadores se unem para coletar lixo do oceano

Foto: Livekindly

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Mais de 600 mergulhadores quebraram um recorde mundial participando de uma limpeza no fundo do oceano em Deerfield Beach na Florida (EUA).

Ao todo seiscentos e trinta e três mergulhadores se reuniram na semana passada para coletar o lixo do fundo do oceano próximo ao pier de Deerfield Beach International.

O juiz da Guinness (Livro dos Recordes), Michael Empric, viajou de Nova York até o estado da Flórida para conduzir o número oficial de funcionários. “Eu realmente fiquei lá e conferi todos quando entraram na água”, disse ele a Sun Sentinel.

Os mergulhadores foram obrigados a permanecer na água por pelo menos 15 minutos para serem contados.

Redes de pesca no fundo do mar

A mergulhadora de 13 anos, Dahlia Bolin, estava entre o time, acompanhada por sua mãe, Rebecca. As duas par vieram de outro estado para participar da coleta.

Bolin disse que entre os “peixes realmente lindos” no fundo do mar, há “muito lixo e porcaria lá embaixo também”. Ela levantou uma grande placa de metal descartada, do fundo do oceano.

A quantidade exata de lixo coletado é difícil de estimar, no entanto, o mergulhador e ecologista RJ Harper – que ajudou a recrutar pessoas para a limpeza – disse que os mergulhadores recuperaram 1600 libras de pesos de pesca de chumbo (usados para segurar as redes no lugar), deixados para trás pelos pescadores.

“Todas as vezes que a linha é pega, ou seja que eles pescam um peixei, eles nunca pensam nas consequências disso, nem na atitude covarde de tirar a vida do peixe nem no descarte correto do material, simplesmente deixam tudo lá no mar”, disse Harper ao jornal Sun Sentinel.

Foto: Livekindly

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“Obviamente, o lixo foi coletado, mas a beleza disso tudo é que 633 mergulhadores se uniram para essa ação conjunta, fomos capazes de fazer uma limpeza completa”.

O peso total do lixo coletado está sendo contabilizado ainda, mas os mergulhadores retiraram pelo menos 60 quilos de linha de pesca do mar, informou a CNN. O grupo de conservação do oceano Project AWARE prevê que os participantes tenham coletado cerca de 3.200 quilos de lixo.

O juiz da Guinness Empric disse que o esforço foi “incrível”.

O recorde anterior para uma limpeza subaquática incluiu 614 mergulhadores e ocorreu no Mar Vermelho, no Egito, em 2015. A equipe levou 24 horas para ser concluída, enquanto o evento da Flórida levou apenas duas.

“Não importa o que aconteça hoje com o Guinness World Records”, disse Empric. “O que realmente importa é que todo mundo está lá fora, limpando o píer e tentando melhorar a comunidade.”

A cidade garantirá que todo o lixo seja descartado de forma responsável.

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