Ursos andinos estão ameaçados de extinção pela demanda por seus órgãos genitais

Foto: Reddit

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A caça ao pênis do urso-da-montanha (Tremarctos ornatus), também conhecido como urso dos Andes ou, urso-andino-da-cara-pequena, pode resultar na extinção da espécie se a demanda pela “poção sexual” que é feita com seus genitais continuar a crescer no atual ritmo.

O amado urso personagem de desenho animado na Grã-Bretanha, chamado de “Paddington Bear”, é inspirado nos ursos-da-montanha, mas a população não sabe que a espécie responsável por seu querido personagem, pode estar sob ameaça devido ao comércio de partes do corpo desses animais.

De acordo com a National Geographic, alguns povos na América do Sul afirmam que a “bebida sexual” pode curar problemas de desempenho sexual se contiver apenas uma raspagem do osso do pênis de um urso-da-montanha.

Foto: Newsroom

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Algumas pessoas também acreditam que a bebida pode lhes dar a “força de um urso” se o osso inteiro do pênis for colocado na mistura.

A “bebida sexual” chamada de Seven Roots (Sete Raízes), segundo a crença popular é feita de rum branco, sete tipos de casca de árvore, mel, pólen, cabeça de cobra, planta macho huanarpo e osso do pênis de urso-da-montanha.

Os curandeiros tradicionais vendem essa bebida para os clientes no Peru.

O fotojornalista investigativo Eduardo Franco Berton viajou pelo Peru para investigar o comércio de partes de corpos desses ursos.

Foto: Maymie Higgins

Foto: Maymie Higgins

Também chamado em muitos locais de urso andino, a espécie é morta na América do Sul muitas vezes apenas por seus órgãos genitais, porque muitas pessoas pagam fortunas por poções “medicinais” feitas com esses órgãos.

A gordura, os dentes e os ossos dos ursos estão em alta demanda entre curandeiros tradicionais e Berton encontrou parte de um osso do pênis a ser vendido por pouco mais de 750 dólares.

Uma mulher que dirige uma loja de remédios tradicionais no Peru teria dito a Berton que não se sentia mal com a possibilidade de os ursos se extinguirem porque estavam ganhando muito dinheiro com eles.

Atualmente existem apenas cerca de 5 mil ursos-da-montanha no Peru e esta é a única espécie nativa de urso ainda viva na América do Sul.

Foto: ISTOCKPHOTO/THINKSTOCK

Foto: ISTOCKPHOTO/THINKSTOCK

Embora o comércio de partes de ursos em toda a América do Sul, o problema é considerado mais grave no Peru.

Multas de valor elevado foram postas em prática no país para tentar impedir o comércio e os caçadores de ursos andinos, com penas que envolvem, inclusive, prisão.

Há também várias ONGs de proteção aos animais que foram criadas especialmente para proteger e salvar os ursos-da-montanha.

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Exploração animal: Brasil exporta até pênis de boi

Os animais são explorados de forma intensa em todo o mundo. No Brasil, até mesmo o pênis dos bois é visto como um produto.

Foto: Theo Marques/Folhapress

Hong Kong recebe 95% da exportação de “despojos não comestíveis de bovinos” do Brasil – como pênis, tendões e artérias -, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). O país exporta também farinha de penas, ossos e sangue, para fabricação de ração de animais.

“Os chineses colocaram tudo dentro da panela junto com os temperos e caldos, e aquilo vira uma espécie de sopão”, disse Péricles Salazar, presidente da Abrafrigo. As informações são do portal UOL.

Foto: Anja Barte Telin/Divulgação

Em 2018, 150 mil toneladas de despojos foram exportadas. Só em farinhas de origem animal foram exportadas 180,7 mil toneladas no ano passado. Há previsão de crescimento para 2019 de 25%. As farinhas são exportadas principalmente para o Chile e para o Vietnã, segundo a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra).

Até o final da década de 1990, os despojos eram descartados ou transformados em farinha para alimentação de animais. “Algumas empresas surgiram e começaram a aproveitar esses despojos”, afirmou Salazar. Esse comércio começou a ser regulamentado pelo Ministério da Agricultura em 2004.

Nota da Redação: o uso de todas as partes dos corpos de animais pela indústria expõe a imensa exploração a qual os animais são submetidos. Tratados como objetos, eles são vistos como coisas que devem ser aproveitadas ao máximo para aumentar os lucros de quem os explora. Criados apenas para que sejam mortos, os animais são condenados a vidas miseráveis, nas quais experimentam todo tipo de sofrimento.