Humanidade consome recursos 74% mais rápido do que o planeta consegue regenerar

No dia 29 de julho, a humanidade terá consumido todos os recursos naturais que o planeta é capaz de regenerar em um período de um ano. Essa descoberta, feita pela ONG Global Footprint Network, parceira da WWF, levou à conclusão de que a velocidade de consumo das pessoas é 74% maior do que a capacidade de regeneração do planeta Terra.

O dia 29 de julho é a data mais crítica desde 1970, quando o consumo ultrapassou em dois dias capacidade anual dos recursos serem regenerados, o planeta entrou em déficit ecológico, sendo a data da sobrecarga o dia 29 de dezembro. Em 1979, a data era 29 de outubro. Já em 1989, o dia foi 11 de outubro. Em 1999, 29 de setembro e 18 de agosto em 2009. Quando todos esses dias, registrados num período de 49 anos, são somados, o déficit alcança 4.493 dias, ou 12,3 anos.

Foto: Jonathan Lins/FPI do São Francisco

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram cálculos que levam em consideração: capacidade de produção dos ecossistemas; quantidade de pessoas no planeta; o quanto é consumido pela humanidade; com que eficiência os produtos são fabricados.

A produção de petróleo faz com que os países que lideram essa produção estejam na frente no que se refere à data em que a velocidade de regeneração dos recursos passa a ser inferior ao consumo deles. O primeiro país a exceder esse consumo foi o Catar, com data em 11 de fevereiro. Outros grandes produtos de petróleo também estão à frente, como Emirados Árabes Unidos, que teve a data de déficit em 8 de março, e o Kuwait, em 11 de março. Os recursos dos Estados Unidos foram consumidos em 15 de março. Dia 26 de maio foi a data de Portugal e dia 17 do mesmo mês a da Inglaterra. Em 26 de abril, a Rússia consumiu seus recursos e a China foi em 14 de junho. A data da Argentina foi 26 de junho. O mesmo acontecerá no Brasil em 31 de julho, dois dias depois da média mundial.

Enquanto a principal causa do uso dos recursos em muitos países é o consumo exacerbado, no Brasil é a queda na capacidade de regeneração de recursos ecológicos consumidos em terras agrícolas, pastagens e áreas onde é realizada a pesca. Além disso, o transporte e o desperdício de alimento também geram demanda por recursos naturais no país.

De acordo com o estudo, o uso exacerbado dos recursos naturais levam a escassez de água potável, erosão do solo, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, além do aumento nas inundações, das secas, dos furacões e dos incêndios florestais.

A queima de combustíveis fósseis também é um problema. Segundo a pesquisa, 60% do déficit está relacionado ao acúmulo de CO2 na atmosfera e no oceano.

Ambientalistas indicam a adoção de hábitos mais sustentáveis. Dentre eles, está o veganismo. Isso porque o consumo de produtos de origem animal, especialmente a carne, está intimamente ligado ao desperdício de água, à contaminação do solo e de rios, lagos e oceanos, e ao desmatamento. Até mesmo a produção agrícola, que desmata grandes áreas, está relacionada à carne, já que a maior parte dos grãos produzidos são usados na alimentação de animais explorados para consumo – que também geram desmatamento de maneira direta, quando florestas são destruídas para dar espaço a pasto para criação desses animais.

De acordo com o Banco Mundial, em 2050 serão necessários três planetas Terra para atender à demanda de recursos naturais da humanidade, já que a população deve chegar a 9,6 bilhões de pessoas.


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Quase 300 golfinhos apareceram mortos este ano na costa do Golfo do México

Quase 300 golfinhos nariz de garrafa apareceram mortos – três vezes mais do que o normal – trazidos pela maré até as praias da Costa do Golfo este ano. Os cientistas não conseguem explicar o súbito aumento de mortes na espécie, mas alguns pelo menos têm teorias.

Desde fevereiro, 282 corpos de golfinhos foram encontrados em quatro estados em diferentes graus de decomposição, segundo Erin Fougeres, cientista especialista em mamíferos marinhos da NOAA – Administração Nacional Oceânica e Atmosférica.

O estado do Mississippi (EUA) tem visto o maior número de golfinhos mortos, acompanhado de perto pelos estados de Louisiana, Flórida e Alabama.

A NOAA declarou o fenômeno como um “Evento de Mortalidade Incomum”, ou UME, o que significa que o número de golfinhos mortos é alarmante o suficiente para garantir uma resposta oficial.

Uma UME foi declarada pela última vez na área após o derramamento de óleo da plataforma da Deepwater Horizon em 2010; a declaração durou até julho de 2014.

Especialistas externos que trabalham com a NOAA apontaram fatores como a quantidade anormalmente grande de chuva e neve despejada no Sul neste inverno e os efeitos remanescentes do vazamento da Deepwater Horizon como causas potenciais.

“Nós sabemos que este é o inverno mais chuvoso no vale do Mississippi em 124 anos”, diz Fougeres à Time. A precipitação pesada pode diminuir os níveis de sal no Golfo, causando problemas para os golfinhos de água salgada (os golfinhos-nariz-de-garrafa são uma espécie de água salgada).

De acordo com Fougeres, apenas um quarto dos golfinhos mortos tinha “lesões na pele que são consistentes com a exposição de água doce”. Embora não seja incomum encontrar essas lesões em golfinhos nesta época do ano,o grande número descoberto tem deixado Fougeres e seus colegas preocupados, segundo ela.

Fougeres também está considerando outros fatores ambientais que podem contribuir para as altas taxas de mortalidade de golfinhos no Golfo do México, incluindo uma “zona hipóxica” do tamanho de Massachusetts que a NOAA previu no Golfo no início deste mês. Essas zonas são criadas quando o excesso de nutrientes das atividades agrícolas e humanas contamina os corpos de água e reduz os níveis de oxigênio – os cientistas os chamam de “zonas mortas” porque sufocam e matam a vida marinha.

A NOAA acredita que a zona morta do Golfo deste ano será de 7.829 milhas quadradas. Isso é mais de 2.000 milhas acima da média de cinco anos e está próximo do tamanho recorde de 2017, de 8.776 milhas quadradas.

Enquanto Fougeres não sabe se essas “zonas mortas” afetam diretamente os golfinhos, ela acha que isso poderia afetar a disponibilidade de seus alimentos.

O trecho do Golfo, onde os golfinhos foram encontrados, é também a área mais diretamente afetada pelo vazamento da Deepwater Horizon. Na época, quatro milhões de barris de petróleo contaminaram o Golfo por mais de 87 dias antes que o vazamento fosse contido, e Fougeres sugere que a população de golfinhos da região ainda experimenta “algumas condições de saúde adversas contínuas e prolongadas”, o que poderia torná-las mais vulneráveis ao estressores e doenças do meio ambiente, como doença pulmonar e adrenal. O estado de decomposição de muitos dos golfinhos tornou os diagnósticos desafiadores; a NOAA está esperando por relatórios completos de necropsia para confirmar do que os golfinhos estão morrendo.

Esses mamíferos extremamente inteligentes tiveram um ano difícil em outras partes do mundo também. Em março passado, mais de mil golfinhos mutilados foram levados para a costa da França. Acredita-se que eles foram mortos por atividades de pesca comercial.

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Cinco trilhões de sacolas plásticas serão usadas em 2019

Poderíamos cobrir a França com a quantidade de sacolas plásticas consumidas por ano (Foto: Shutterstock)

Poderíamos cobrir a França com a quantidade de sacolas plásticas consumidas por ano (Foto: Shutterstock)

Por David Arioch

De acordo com a organização Ocean Watch e o site The World Counts, a estimativa é de que cinco trilhões de sacolas plásticas serão usadas no mundo todo em 2019.

Isso significa 160 milhões de sacolas plásticas utilizadas por segundo e um total de plástico que poderia cobrir duas vezes a França ou, se colocarmos uma sacola atrás da outra, poderíamos dar a volta ao mundo sete vezes.

No Brasil, a qualquer compra, por mínima que seja, até mesmo de um artigo do tamanho de um dedo, há o costume de colocar o produto em uma sacolinha antes de entregá-lo ao consumidor.

Outra prática usual é não colocar produtos diferentes na mesma sacola, demandando inúmeras sacolas plásticas para produtos que caberiam somente em uma, e que, para benefício do meio ambiente, poderia ser basicamente uma ecobag.

Além disso, os consumidores poderiam ser reeducados a não exigirem inúmeras sacolas em qualquer circunstância, e até mesmo a motivarem comerciantes a estimularem outros consumidores a optarem por uma alternativa menos nociva ao meio ambiente. Quem sabe, oferecendo ecobags ao lado do caixa, que já é uma realidade crescente no mundo.

Sabemos também que há produtos e itens que não demandam sacolas. É apenas uma questão de costume, e que pode ser facilmente adaptado. Não é novidade também que a maioria das sacolas plásticas passa por descarte incorreto e pode levar pelo menos 200 anos para se decompor.

Até lá, muitas são jogadas em qualquer lugar, entopem bueiros, dificultam o escoamento da chuva e potencializam inundações, além de pararem nos oceanos, interferindo na vida marinha.

E podem ainda criar uma camada plástica que impermeabiliza o solo, além de liberar toxinas na atmosfera. E se você é vegano, é válido ponderar que muitas das sacolinhas plásticas trazem gordura animal na composição.

As matérias-primas mais comuns são o petróleo e o gás natural, mas a gordura animal é usada com a finalidade de facilitar o processamento dos polímeros brutos e reduzir a fricção do material – o que também é um bom motivo para abolir ou pelo menos desacelerar esse consumo.

Cão encontrado à deriva em alto mar é salvo por funcionários de plataforma de petróleo


Chapéu: Resgate

Título: Cão encontrado à deriva em alto mar é salvo por funcionários de plataforma de petróleo

Olho:  Boonrod estava a 200 km da costa da Tailândia quando foi avistado se debatendo pelos trabalhadores que acreditam que ele tenha caído de algum barco

Um cão exausto e trêmulo foi resgatado por trabalhadores de uma plataforma petrolífera depois de ter ficado preso no mar a cerca de impressionantes 240 milhas (aproximadamente 200 km) da costa da Tailândia.

O cão sem raça definida, de pelagem marrom, foi visto se debatendo perto de uma das plataformas de perfuração situadas no Golfo da Tailândia e conseguiu nadar em direção aos trabalhadores num último esforço, quando eles o chamaram e incentivaram, na última sexta-feira à tarde. Quando subiu na plataforma, finalmente a salvo, o cão estava em choque e tremia incontrolavelmente, contam seus resgatantes.

Na segunda-feira, o cão, batizado de Boonrod, que na tradução quer dizer “sobrevivente”, finalmente desembarcou de volta em terra no continente e foi recebido pela Watchdog Tailândia, um grupo formado de voluntários que atuam em defesa dos direitos animais e veterinários.

A ONG postou fotos do cão resgatado em sua página no Facebook, chamando-o de “bela vida resgatada do Golfo da Tailândia” e “inspiração para 2019”.

Não se sabe como Boonrod acabou na água, embora tenha sido sugerido que ele possa ter caído de um barco.

As condições foram declaradas calmas durante o resgate, tornando mais fácil para a equipe, composta de quatro membros, identificar e alcançar o cão, puxando-o para a plataforma com um arnês.

Assim que pisou em terra firme, ficou claro que Boonrod estava precisando de água, comida e sono, e o cãozinho foi cuidado pela equipe na plataforma até que eles pudessem colocá-lo em um navio-tanque que estava voltando para a costa.

O cão foi levado imediatamente a um centro de resgate de animais em Songkhla, sul da Tailândia, e já tem um candidato que ofereceu a Boonrod um lar definitivo e adoção.

De acordo com o Bangkok Post, Vitisak Payalaw, membro da equipe de perfuração de petróleo e exploração da Chevron Tailândia, disse que levaria Boonrod para casa se ninguém se apresentasse como seu tutor.

Agradecendo a todos os envolvidos no resgate em sua página no Facebook, ele acrescentou: “Sua condição geral melhorou. Ele está ficando mais forte e já até sorri”, Payalaw.

Petição pede que governo não permita exploração de petróleo perto de Abrolhos

“Algumas espécies de corais são endêmicas dali, ou seja, só existem lá e em nenhum outro lugar do planeta” (Foto: Getty)

Uma petição criada no Avaaz pede que o Governo Federal reveja a decisão de permitir a exploração de petróleo perto do Parque Nacional de Abrolhos.

A iniciativa surgiu depois que o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciaram a realização de um leilão para a exploração petrolífera na região.

“O arquipélago de Abrolhos, composto por cinco ilhas, é um parque nacional marinho, situado no sul da Bahia. Algumas espécies de corais são endêmicas dali, ou seja, só existem lá e em nenhum outro lugar do planeta”, justifica a petição fundamentada em uma matéria da jornalista Suzana Camargo para o portal Conexão Planeta.

A campanha no Avaaz, que obteve pouco menos de três mil assinaturas até agora e precisa de um número muito maior de apoiadores para chamar a atenção do Ibama, lembra que o arquipélago possui a maior formação de recifes e o maior banco de biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

“Abrolhos abriga algumas das principais áreas-berçário de baleias jubarte, que migram para o local para se reproduzir. Tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, como as de couro, cabeçuda, verde e de pente, também se refugiam no parque, assim como aves como a grazina e os atobás”, informa matéria do Conexão Planeta.

A estimativa é de que 1,3 mil espécies vivam no arquipélago e, em caso de derramamento de óleo, as consequências seriam inestimáveis.

Você pode apoiar a campanha “Não aceitamos que o arquipélago de Abrolhos seja colocado em risco!” assinando a petição – clique aqui.