Petz anuncia fim da venda de cães e gatos após pressão de ativistas

Foto: Divulgação/PM

A Petz, maior rede de pet shops do país, anunciou através de um pronunciamento feito pelo presidente da companhia, Sérgio Zimerman, que as 82 lojas da rede não venderão mais filhotes de cães e gatos.

A atitude foi motivada após o fechamento do canil Céu Azul, em Piedade (SP), que explorava animais e os vendiam para serem comercializados em pet shops, incluindo a Petz e sua concorrente, a Petland.

O anúncio foi feito através de um vídeo postado nas redes sociais oficiais da Petz ontem (19). A ação da empresa foi muito elogiada, mas encontrou resistência crítica.

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Muitos seguidores questionaram como a empresa conseguiu se sentir confortável comercializando vidas por mais de 16 anos. “Depois de anos sendo cúmplices dessa barbaridade vocês vem dar uma desculpa dessas. São bandidos”, desabafou um usuário no Instagram.

A Petz informou também que o local onde os animais eram exibidos para venda, agora será destinado para a realização de eventos de adoção feitos por ONGs parceiras da rede.

A empresa confessou também que não pretende disponibilizar para adoção responsável os cães e gatos de raça que ainda se encontram nas lojas, mas sim que irá vendê-los e repassará os valores arrecadados para ONGs cujos nomes não foram revelados.

Nota da Redação: é no mínimo incoerente que qualquer ONG que um dia se dispôs a contribuir positivamente para a proteção animal receba como doação dinheiro obtido através da exploração e maus-tratos a animais. Independente da origem, a venda de qualquer ser vivo é intrinsecamente cruel e desumana. Desejamos que a Petz aproveite para abolir definitivamente a venda de todas as espécies de seres vivos de suas suas 82 lojas, espalhadas em 9 estados do país, e que o anúncio feito por Sérgio Zimerman não seja apenas uma tentativa de controle de crise gerada após o resgate dos mais de 1,7 mil cães encontrados em situação degradante no canil Céu Azul, em Piedade (SP).

Falta de ética: Petz revendia cães de canil envolvido com maus-tratos

Documentos encontrados no canil Céu Azul, em Piedade (SP), onde mais de 1,5 mil cachorros eram mantidos em situação de maus-tratos, comprovam que os animais eram revendidos pela loja Petz. Um prontuário que estava no local registrava, inclusive, a devolução de filhotes ao criador, demonstrando que os animais eram tratados como objetos que quando não serviam para ser vendidos, eram devolvidos.

(Foto: Reprodução / Instagram / @luisamell)

No perfil da Petz no Instagram, foi publicada uma resposta vazia que dizia que os criadores que revendem animais para a empresa “são visitados regularmente por veterinários especialistas que seguem rigoroso procedimentos para garantir o bem-estar animal”. O argumento, porém, foi derrubado pela descoberta dos cães mantidos em condições deploráveis no canil.

A ONG Anjos de Rua, de Campinas (SP), afirmou, através de rede social, já ter presenciado “a loja fechando e filhotes sendo guardados em caixa de transporte para passar a noite e serem expostos nas vitrines no dia seguinte”. A entidade pediu ainda boicote à Petz. “Não sejam clientes de um local que mantém mortes, sofrimento, dor, tortura! Não ajudem a financiar tamanha barbaridade! Não compre em locais que fazem venda de filhotes e de uma vez por todas: parem de comprar vidas!”, escreveu a ONG.

(Foto: Reprodução / Instagram / @luisamell)

Pronunciamento da Petz

O presidente da Petz, Sergio Zimerman, tornou público o pronunciamento da empresa através de um vídeo divulgado nas redes sociais. Nele, Zimerman diz ter a intenção de “compartilhar toda a minha indignação com as cenas horríveis, chocantes, que vimos com o criador de Piedade na data de ontem”.

Ele disse ainda que nunca havia sido “constatada uma situação irregular nesse canil, mas a verdade é que alguma coisa deu errado, alguma coisa falhou”. Após pedir desculpas, Zimerman afirmou que os processos referentes aos criadores serão revisitados e que “se nós não tivermos mais condições de assegurar que isso não ocorra mais, nós tomaremos a decisão de não vendermos mais filhotes nas nossas lojas”.

(Foto: Reprodução / Facebook)

Na legenda do vídeo, a empresa informa que tomou a decisão de “não receber filhotes em nossas lojas até que todos os criadores sejam novamente visitados e todos os processos revisados”.

O posicionamento da empresa, porém, não agradou os internautas, que esperavam que a loja decidisse parar de financiar a perversa indústria de criação de animais para comercialização. “Vocês ainda cogitam continuar com as vendas? Sério mesmo? Vocês ainda acreditam que animais possam ser vendidos? Vocês são péssimos!”, escreveu uma usuária do Facebook. “Não vendam mais animais. Não existe criador bom”, disse outra.

Nota da Redação: é necessário que lojas como a Petz se conscientizem e parem de colaborar com a perversa indústria de criação de animais para venda. Com o crescimento da defesa dos direitos animais, vivido atualmente em todo o mundo, a sociedade tem cobrado cada vez mais que animais deixem de ser tratados como mercadorias e tenham reconhecido o status de sujeitos de direito. Para isso, é urgente que as empresas optem por trabalhar exclusivamente com a adoção de animais resgatados do abandono e dos maus-tratos, sem financiar a exploração, o sofrimento e a morte de seres sencientes. 

Foto: Divulgação/PM

Foto: Divulgação/PM

Foto: Divulgação/PM

Foto: Divulgação/PM