Plástico transforma o oceano em um campo minado para os animais

O plástico é responsável por causar um imenso dano aos animais marinhos e ao meio ambiente. O albatroz morto com o estômago repleto de detritos, a tartaruga presa em anéis de latas de cerveja, a foca emaranhada em uma rede de pesca são alguns dos casos de animais prejudicados pelo plástico.

Foto: JORDI CHIAS

Num vídeo divulgado no YouTube, um biólogo em um barco ao largo da Costa Rica usa um alicate suíço para retirar um canudo da narina de uma tartaruga-oliva. O animal se debate, aflito, sangrando. As imagens foram vistas mais de 20 milhões de vezes. O canudo media 10 centímetros. As informações são do National Geographic Brasil.

Os danos aos animais, porém, nem sempre são tão visíveis como no caso da tartaruga. Prova disso é o que acontece com as pardelas-de-patas-rosadas, aves marinhas que nidificam em ilhas perto da costa da Austrália e da Nova Zelândia. A espécie é a que mais ingere mais plástico, em proporção à massa corporal, entre todos os animais marinhos. De toda a população numerosa dessa ave, 90% dos filhotes já ingeriram algum tipo de plástico. Se o material perfura o intestino da ave, a morte é certa. Quando o animal sobrevive, ele enfrenta a fome crônica.

Foto: JOHN CANCALOSI

“O mais triste de tudo é que estão ingerindo plástico pensando que é comida”, afirmou o biólogo marinho Matthew Savoca. “Imagine que você acaba de almoçar e depois continua se sentindo fraco, letárgico e esfomeado pelo resto do dia. Isso seria muito confuso”, completou.

Desnutridas e com pouca energia, as aves voam cada vez mais longe, realizando grandes esforços na tentativa de encontrar alimentação nutritiva, mas só conseguem plástico para alimentar os filhotes.

Peixes como as anchovas também sofrem com o plástico. Quando os detritos estão recobertos por alga, eles têm o mesmo cheiro do alimento normal desses peixes, e os atrai.

Foto: SHAWN MILLER

O plástico é resistente, tem alta durabilidade e boa parte ele flutua. “Os objetos de uso único são os piores. Nada se compara a eles”, afirmou Savoca ao se referir a canudos, garrafas de água e sacolas de compras.

Apesar dos estudiosos ainda não terem compreensão total do impacto a longo prazo do plástico na fauna silvestre, sabe-se que cerca de 700 espécies de animais marinhos já ingeriram material plástico ou ficaram presas nele. Os primeiros casos documentados da ingestão de plástico por aves marinhas são de 74 filhotes de albatroz-de-laysan encontrados, em 1966, em um atol do Pacífico. Na época, a produção mundial de plástico era aproximadamente um vigésimo da atual.

Carro alegórico faz alerta sobre poluição dos oceanos em carnaval na Itália

No “Carnevale di Viareggio”, na Itália, um carro alegórico faz um alerta sobre a poluição nos oceanos, que preocupa cada vez mais os ambientalistas. O carro é uma baleia que chora por estar presa em resíduos de plástico.

(Foto: Reprodução / Facebook / Mahau Cruz)

Obra do artista Roberto Vannucci, a baleia é um apelo para conscientização do público sobre as ações que precisam ser tomadas para frear a poluição nos oceanos, que tem colocado em risco a vida de inúmeros animais marinhos.

Mais plástico que peixes nos oceanos

Um estudo divulgado em 2016 pela Fundação Ellen MacArthur, em parceira com a consultoria McKinsey, fez um alerta: cerca 8 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos por ano, e a tendência é de aumento. Caso não haja uma mudança drástica, em 2050 a quantidade de lixo plástico nos oceanos deve superar a de peixes.

Pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos por ano, o equivalente a um caminhão de lixo por minuto, diz o relatório. “Se nenhuma ação for tomada, a expectativa é que esse número aumente para dois por minuto até 2030 e para quatro por minuto até 2050”, ressalta o estudo.

Para reverter esse cenário, a pesquisa, baseada em diversas fontes, propõe a criação de um novo sistema para reduzir o descarte de plástico na natureza, especialmente nos oceanos, e buscar alternativas para o petróleo e o gás natural na produção desse material. Caso não seja encontrada uma alternativa, essa indústria deverá consumir 20% da produção petrolífera em 2050.

Tailândia enfrenta difícil caminho para deixar dependência de plástico

Todas as manhãs, milhares de pessoas caminham para o trabalho com suas marmitas de plástico e copos descartáveis de café e chá na Tailândia, um dos países do mundo que mais descarta resíduos plásticos no mar.

Diante da gravidade do problema, o governo tailandês planeja eliminar as sacolas plásticas mais finas e de uso único em 2022 e, três anos mais tarde, os canudinhos e os corpos descartáveis deste material derivado do petróleo.

(Foto: Missouri Department of Conservation / Imagem Ilustrativa)

O plano, elaborado pelo Departamento de Controle de Poluição, também busca acabar com 70% das sacolas mais grossas, como as dos shoppings, nos próximos 20 anos.

No entanto, esta ambiciosa iniciativa enfrenta a lenta burocracia, a pressão dos produtores e anos de maus hábitos de consumo na Tailândia, que geram mais de 2 milhões de toneladas de resíduos plásticos a cada ano.

Os estabelecimentos oferecem sacolas para compras mínimas, a água quase sempre é servida em uma garrafa com canudo de plástico e as embalagens de poliestireno abundam nos vários e famosos locais de comida popular.

“Não uso muitas sacolas de plástico porque geralmente carrego na mochila”, explicou à Agência Efe Praew uma tailandesa de 29 anos na saída de um supermercado em Bangcoc segurando várias sacolas de suas compras.

Outro tailandês, Note, de 37 anos, diz que sua forma de reduzir o plástico é fazer grandes compras de uma só vez para utilizar menos sacolas.

“O governo deveria fazer campanha para o uso de sacolas de tecido”, opinou, enquanto empurrava um carrinho cheio de recipientes plásticos.

Fontes do Departamento de Controle de Poluição indicaram à Efe que a Tailândia produz mais de 2 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, dos quais 1 milhão são reciclados ou eliminados.

Segundo o Greenpeace, há 2.490 centros de gestão de resíduos no país, dos quais apenas 466 contam com instalações e equipamentos adequados para evitar a poluição do ar e da água.

Pongsak Likithattsin, diretor-gerente da Thaiplastic Recycle Group, emprega mais de 100 funcionários, a grande maioria imigrantes, em sua empresa que se dedica há 11 anos à reciclagem de garrafas PET (politereftalato de etileno), usadas normalmente para água e bebidas gaseificadas.

A fábrica, situada na província de Samut Sakhon, vizinha a Bangcoc, recicla cerca de 2 mil toneladas de plástico por mês e há planos para dobrar esta quantidade nos próximos anos.

As embalagens vêm comprimidas em cubos que os operários têm que romper a marteladas e depois separam em fileiras os resíduos do plástico para submetê-los ao tratamento em máquinas.

“A matéria-prima após o processo de reciclagem é poliéster”, que é usado para fabricar roupa e objetos de plástico, explicou à Efe Pongsak.

Cerca de 50% de sua produção é vendida na Tailândia, enquanto a outra metade é exportada para países como China, Austrália e Polônia.

(Foto: NOAA Crep/Divulgação)

Apesar desse exemplo, grande parte do plástico gerado na Tailândia não é reciclado e, em muitas ocasiões, acaba indo parar no mar.

Segundo um artigo da revista “Science” de 2015, a Tailândia era o sexto país que mais descartava plástico no mar depois de China, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Sri Lanka, nações onde o rápido crescimento econômico fez disparar o consumo e o desperdício.

O estudo, dirigido pela professora Jenna R. Jambeck, estimava que a Tailândia descartava a cada ano no mar entre 150 mil e 410 mil toneladas de plástico, de um total mundial que fica entre 4,8 e 12,7 toneladas anuais.

Segundo os ambientalistas, dezenas de animais marinhos, entre eles baleias, tartarugas e golfinhos, morrem a cada ano na Tailândia devido ao plástico, que nunca se decompõe totalmente, já que acaba se transformando em micropartículas que poluem a água e os alimentos.

Em junho, uma baleia-piloto morreu no sudeste do país depois de agonizar durante cinco dias devido à ingestão de 80 sacolas e outros objetos de plástico que pesavam 8 quilos no total.

Fonte: UOL / EFE

Foca ferida é encontrada com rede de pesca em seu pescoço

As imagens comoventes mostram uma foca ensanguentada com uma rede de pesca enrolada em seu pescoço, que cortou sua pele.

Imagens comoventes mostram uma foca ferida e triste com uma rede de plástico enrolada em seu pescoço.

A fêmea ferida foi encontrada na costa de Norfolk por um fotógrafo que estava à procura de animais para um calendário anual.

As fotos – tiradas em Blakeney Point, a maior colônia de focas na Inglaterra – mostram os terríveis efeitos da poluição plástica nos mares e o alto preço que as espécies marinhas pagam por ela.

A espécie Atlantic Grey é reconhecida por sua pele branca e olhos negros.

Paul Macro avistou o pobre animal e imediatamente procurou um guarda. Segundo o Daily Mail, Macro, de 44 anos, disse que a foca estava acompanhada por um macho maior e claramente machucada pelo estrangulamento causado pela rede.

O fotógrafo viu a foca indefesa enquanto tentava capturar imagens dos animais para um calendário anual.

“É doloroso”, disse ele. ‘Você podia ver sua tristeza.’

“Eu não queria me aproximar, então imediatamente encontrei um diretor da Friends of Horsey Seals“.

“Na frente dela, tinha um macho grande e era como se ele estivesse cuidando dela”.

Macro também disse que telefonou para os voluntários em busca de ajuda mas infelizmente eles disseram que não conseguiram resgatar a foca.

Alison Charles, a gerente do Centro de Vida Selvagem de East Winch, que normalmente trata esses casos, disse que os voluntários esperavam poder ajudar as focas Atlantic Grey em breve.

Ela disse: ‘Há sangue fresco lá e a rede de nylon parece ser muito resistente. Eu tenho vontade de ajuda a todos eles. É frustrante, mas fazemos o melhor que podemos”.

A foca  estava acompanhada por um macho maior, que parecia cuidar dela.

Antes do Natal, várias focas foram encontradas na mesma área com frisbees enrolados em seus pescoços, que os cortavam à medida que os animais cresciam.

Uma das focas, apelidada de Mrs Pink Frisbee, foi levada ao centro da RSPCA em East Winch e deve ser devolvida ao mar no próximo mês.

O centro de vida selvagem tratou oito pacientes em seu hospital e disse que a situação piora a cada dia.

A poluição plástica nos oceanos

Poluição plástica é uma catástrofe que está devastando a superfície do planeta. Agora, ela já atinge o fundo dos oceanos.

Na parte mais profunda do oceano é encontrada na Fossa das Marianas, localizada no oeste do Oceano Pacífico, a leste das Ilhas Marianas. Estende-se a quase 11.000 metros abaixo da superfície.

Um saco plástico foi encontrado a 10.858 metros abaixo da superfície nesta região, a parte mais profunda conhecida de poluição humana no mundo. Este pedaço de plástico descartável foi encontrado mais profundo do que 33 torres Eiffel, colocadas ponta a ponta, alcançaria.

Enquanto a poluição plástica está afundando rapidamente, ela também está se espalhando para o meio dos oceanos. Um pedaço de plástico foi encontrado a mais de 620 milhas (mil milhas) da costa mais próxima – mais do que a extensão da França.

O Centro de Dados Oceanográficos Globais (Godac) da Agência do Japão para Ciência e Tecnologia da Terra Marinha (Jamstec) foi lançado para uso público em março de 2017.

Nesta base de dados, existem os registros de 5.010 mergulhos diferentes. De todos esses diferentes mergulhos, 3.425 itens de detritos feitos pelo homem foram contados.

Mais de 33% dos detritos eram de plástico, seguidos de metais (26%), borracha (1,8%), utensílios de pesca (1,7%), vidro (1,4%), tecido / papel / madeira (1,3%) e “outros” itens antropogênicos (35%).

Também foi descoberto que, de todos os resíduos encontrados, 89% eram descartáveis. Isso é definido como sacos plásticos, garrafas e pacotes. Quanto mais aprofundado o estudo, maior a quantidade de plástico que eles encontraram.

De todos os itens produzidos pelo homem encontrados abaixo de 20.000 pés (6.000 metros), os índices aumentaram para 52% para o plástico macro e 92% para o plástico descartável.

O dano direto que isto causou ao ecossistema e ao meio ambiente é evidente, já que os organismos do fundo do mar foram observados em 17% das imagens de detritos plásticos registradas pelo estudo.

foca com frisbee rosa no pescoço

Duas focas são resgatadas após serem encontradas com um frisbee e uma rede no pescoço

Voluntários da Friends of Horsey Seals resgataram uma foca ferida com um frisbee de plástico preso em seu pescoço em Waxham Beach, na cidade de Norfolk, Inglaterra. Uma outra foca também foi resgatada com uma rede prendendo e ferindo seu pescoço na praia de Horsey Gap, também em Norfolk. Ambos os animais agora estão se recuperando graças aos socorristas.

foca com frisbee rosa no pescoço

Foto: Friends of Horsey Seals

A foca que estava com a rede de plástico presa em seu pescoço foi transferida da praia de Horsey Gap para a East Winch RSPCA em Norfolk, na sexta-feira (11), onde receberá um banho de sal e cuidados veterinários por vários meses, e depois será enviada de volta à natureza.

A supervisora Jo Mead disse: “Tiramos a rede, ele ficou muito assustado – mas, estando tudo bem, a ferida será limpa, então vamos deixá-lo se acomodar e começar a alimentá-lo com peixe”.

foca com rede presa no pescoço

Foto: Friends of Horsey Seals

Dan Goldsmith, presidente da Marine and Wildlife Rescue, disse ter visto um aumento na frequência, agora mensal, dos casos de focas resgatadas de situações de emaranhamento e estrangulamento.

“Isso é tão triste – embora suspeite que existam mais focas lá fora, e sempre houve um problema com a poluição”, disse ele.

O presidente da Friends of Horsey Seals, Peter Ansell, disse: “Se você tivesse visto o estado de seu pescoço, você teria visto que a rede ficou presa no pescoço por meses e meses.”

“A rede tinha se entranhado em sua pele cerca de uma polegada e meia de profundidade. Eu vi a veterinária enterrando seus dedos na ferida para tentar ficar debaixo da rede para que ela pudesse cortar as cordas enroladas no pescoço do animal.”

“Não foi um trabalho simples e ele não ficou muito feliz. Eu acho que levará alguns meses para que ele se recupere, provavelmente três.”

No ano passado, os voluntários da Friends of Horsey Seals também resgataram uma foca com um frisbee preso no pescoço. Acredita-se que o animal chamado Frisbee tenha nadado com o anel de plástico em seu pescoço por até seis meses.

Ela estava faminta e desnutrida, com uma ferida gravemente profunda e infectada. Frisbee passou por cinco meses de reabilitação em um centro da RSPCA. Sua ferida foi tratada, e, como parte de sua reabilitação, recebia banhos com até 25 kg de sal diariamente.

ascídias

Cientistas israelenses encontram plástico no organismo de invertebrados marinhos

Um novo estudo da Universidade de Tel Aviv (TAU), em Israel, descobriu que microplásticos – minúsculos pedaços de plástico ingeridos por animais aquáticos – estão presentes em ascídias solitárias, invertebrados marinhos, ao longo da costa israelense.

ascídias

Foto: Pixabay

A pesquisa também confirmou a presença de aditivos plásticos, que são substâncias adicionadas aos plásticos para aumentar sua flexibilidade, transparência, durabilidade e longevidade.

A pesquisa, liderada pelo professor Noa Shenkar da Escola de Zoologia da Faculdade de Ciências Biológicas da TAU e do Museu Steinhardt de História Natural, foi publicada na edição de janeiro de 2019 do Boletim de Poluição Marinha. O estudo foi conduzido em colaboração com o professor Dror Avisar, chefe do Centro de Pesquisa Marinha na Faculdade de Ciências Exatas da TAU, e com o estudante pós-graduado Aviv Kaplan, do laboratório de Avisar.

“Este é o primeiro estudo que examina a contaminação por aditivos plásticos em organismos marinhos no Mediterrâneo Oriental e no Mar Vermelho”, diz Gal Vered, co-autor do estudo e um estudante de doutorado no laboratório de Shenkar.

“As ascídias solitárias são animais filtradores altamente eficientes e são excelentes exemplos do estado de poluição que afeta muitos outros organismos marinhos. Nossas descobertas são extremamente perturbadoras. Mesmo em praias protegidas, havia evidências de microplásticos e aditivos plásticos em ascídias. De fato, em todos os locais de amostragem, descobrimos níveis variados desses poluentes.”

Shenkar observou que “este é um resultado direto do uso humano do plástico. Pode parecer que os sacos plásticos e os outros produtos plásticos volumosos que vemos flutuar no mar são o maior problema. Mas um motivo de preocupação mais importante é a fragmentação desses produtos em pequenas partículas que são ingeridas por muitos organismos e chegam até mesmo às zonas mais profundas do oceano.”

Cerca de 350 milhões de toneladas de plástico são produzidas em todo o mundo a cada ano, e este número está aumentando. A pesquisa sugere que, se o material é encontrado nas ascídias, provavelmente também está presente em outras criaturas marinhas.

Os pesquisadores estão preparando seus resultados para os políticos interessados ​​em evitar mais danos à costa israelense. Eles também continuam investigando a extensão e o efeito da poluição plástica no recife de corais de Eilat.

“Ao comunicar nossos resultados ao público”, disse Shenkar, “esperamos aumentar ainda mais a conscientização pública sobre as ações que todos podem tomar para acabar com a poluição plástica”.

copos de plástico descartados poluindo a água

Lisboa proibirá copos de plástico descartáveis a partir de 2020

Na quinta-feira, 10, a câmara municipal de Lisboa anunciou a medida que proibirá a distribuição de copos de plástico descartáveis em restaurantes, bares e outros estabelecimentos. A proibição veio com o intuito de incentivar as pessoas a ter um comportamento mais ambientalmente responsável.

copos de plástico descartados poluindo a água

Foto: Getty Images

A medida dará aos empresários “até 31 de Dezembro de 2019 para eliminarem os plásticos descartáveis, nomeadamente os copos, em espaço público”, disse o vice-presidente, Duarte Cordeiro, vereador responsável pelos Serviços Urbanos. “Acreditamos que a restauração da cidade está pronta para este desafio.”

Essa proibição não se aplica somente aos copos de plástico, mas também a todos os utensílios descartáveis comumente utilizados no consumo de alimentos na rua. A câmara pretende atualizar o Regulamento de Gestão de Resíduos, Limpeza e Higiene Urbana, cuja última versão data de 2004, e essa medida faz parte de um conjunto de alterações no regulamento que serão discutidas na próxima semana.

Cordeiro assegurou que a nova proibição não significa que as pessoas não poderão mais consumir bebidas alcoólicas em espaço público, embora haja essa exigência em alguns setores da cidade por outros motivos. Ele disse que a autarquia não pretende “mudar hábito nenhum da cidade”, admitindo que ele próprio e o presidente Fernando Medina são adeptos de uma boa bebida ao ar livre.

“Existem soluções, existe capacidade. Muitas vezes não há vontade, mas com esta medida assinalamos uma vontade política”, continuou ele, citando as Festas de Lisboa, do Ano Novo e do Jardim do Arco do Cego, em que os copos descartáveis foram substituídos por reutilizáveis.

Assim como já acontece em alguns festivais de verão e outros eventos, os consumidores alugam um copo, pagando uma taxa no início do evento e, se o devolverem intacto, o valor será restituído. Durante a festa de Ano Novo na Praça do Comércio foram entregues mais de 58 mil copos aos cidadãos e cerca de 10 mil não foram devolvidos.

A nova proibição entrará em vigor no primeiro dia de 2020, o que dá aos empresários o espaço de um ano para realizarem as mudanças necessárias. Não é obrigatório o uso de copos de plástico reutilizáveis, havendo a opção de oferecer copos de vidro ou limitar o consumo de bebidas fora do estabelecimento. As penas para o não cumprimento da nova lei são multas de valor entre 150 e 1500 euros para pessoas físicas e entre 1000 e 15 mil euros para empresas.

mãos segurando um punhado de terra com uma plantinha

Leis, acordos e estratégias ao redor do mundo para proteger o planeta

A mudança climática está causando desastres de secas severas e inundações repentinas a furacões devastadores e derretimento de geleiras. No entanto, não é apenas o aquecimento global que está prejudicando o planeta em que vivemos. Existem muitas outras questões importantes, incluindo o uso de plástico e nosso uso excessivo de recursos naturais que estão tendo um grande impacto no meio ambiente.

mãos segurando um punhado de terra com uma plantinha

Foto: Getty Images

As negociações climáticas deste ano na Polônia entregaram uma mensagem urgente aos líderes mundiais sobre este cenário. Eles foram instruídos a agir agora e reduzir as emissões de gases de efeito estufa antes que seja tarde demais. Falando na cúpula, Sir David Attenborough reforçou essa mensagem, alertando que a mudança climática é agora a maior ameaça à humanidade e poderia levar ao colapso das civilizações e à extinção da maioria das espécies no planeta Terra.

No entanto, há boas notícias.

A conscientização do público sobre a questão está aumentando e não é apenas por causa das legislações. Instituições beneficentes ambientais, programas populares de transmissão, celebridades influentes e toda uma série de mídias também estão causando um grande impacto – educando as massas e inspirando ações em escala global.

É evidente que ainda há um longo caminho a percorrer para combater as mudanças climáticas, mas estamos progredindo. Líderes de todo o mundo estão intensificando os esforços para garantir que mudanças marcantes sejam feitas para reduzir drasticamente as emissões e mudar comportamentos.

O acordo de Paris

Este foi um acordo histórico e o primeiro desse tipo. Ele une as nações do mundo em um único acordo para enfrentar a mudança climática a partir de 2020. Quase 200 países da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) chegaram a um consenso em 2015 para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se comprometeram a limitar os aumentos de temperatura no mundo inteiro até não mais do que 2°C acima dos tempos pré-industriais. Na verdade, o objetivo é limitar isso ainda mais, a 1,5°C, se possível. O progresso será revisto a cada cinco anos e o financiamento das nações doadoras será destinado a países menos desenvolvidos.

No entanto, os cientistas comentaram que este acordo deve ser intensificado para atingir as metas estabelecidas e restringir realisticamente os efeitos da mudança climática. Um recente relatório da ONU sugere que o mundo realmente precisa triplicar seus esforços atuais para atingir a meta de 2°C.

Como foi noticiado recentemente, o Acordo de Paris está em certo risco em sua forma atual, com o Presidente Trump preparando-se para retirar os Estados Unidos do compromisso. Porém, isso não é algo que pode legalmente acontecer até depois da próxima eleição presidencial, então devemos ficar de olho.

A guerra contra o plástico

Estima-se que 12,7 milhões de toneladas de plástico acabam em nossos oceanos a cada ano (o equivalente a uma carga de caminhão a cada minuto). Isso levou muitos países a introduzir proibições ou taxas para tentar limitar o aumento exponencial do uso de plástico. A Dinamarca começou a cobrar uma taxa sobre as sacolas plásticas em 1993, e a taxa sobre sacolas de 2002 na Irlanda resultou em uma queda de 90% na demanda por sacolas plásticas de uso único.

Mais recentemente, o Secretário do Meio Ambiente Michael Gove anunciou a proibição de canudos e cotonetes de plástico no Reino Unido no final de 2019. Olhando para o futuro, a União Européia expressou sua intenção de proibir uma série de itens plásticos (incluindo canudos, placas e cutelaria de uso único) completamente até 2021, justificando que estes podem ser substituídos por materiais mais sustentáveis.

O tema da poluição plástica tem sido amplamente abordado na mídia recentemente, fazendo com que ela se torne a vanguarda da consciência pública. Isso levou uma série de grandes empresas a fazer mudanças significativas em suas operações, abandonando o plástico (ou prometendo fazê-lo rapidamente). Isso inclui restaurantes como McDonalds e Pizza Express, todos os hotéis Four Seasons e Hilton, bem como a cadeia de pub Wetherspoons e a lanchonete Pret a Manger – para citar apenas alguns.

Estratégia de Ar Limpo

O governo do Reino Unido divulgou a Estratégia de Ar Limpo em maio de 2018. O país está tentando reduzir a poluição do ar e a exposição humana à poluição por partículas – o quarto maior risco para a saúde depois do câncer, obesidade e doenças cardíacas. A nova estratégia é parte de um plano de 25 anos para deixar o meio ambiente em um estado melhor e é um acréscimo ao esquema de 3,5 bilhões de libras para reduzir a poluição do transporte rodoviário e veículos a diesel, estabelecida em julho do ano passado.

A ideia é reduzir a quantidade de pessoas que vivem em áreas onde as concentrações de material particulado estão acima dos limites estabelecidos até 2025. Além disso, promete garantir que apenas os combustíveis domésticos mais limpos estejam disponíveis para combater a amônia da agricultura, abordar emissões não exaustivas de microplásticos de veículos, capacitar o governo local com nova legislação primária, investir em pesquisa científica e inovação em tecnologia limpa e muito mais.

Proibição do carvão

No Reino Unido, existem atualmente oito usinas termoelétricas a carvão em uso. No entanto, a proibição do carvão introduzida este ano (que entrará em vigor em outubro de 2025) apresentou às empresas de energia um ultimato: adaptar seus ativos existentes para gerar energia mais verde ou fechar sua usina. Esta regra já pôs em marcha a mudança, com algumas usinas se adaptando ou construindo infraestrutura para geração de energia mais limpa, enquanto outras decidiram permanecer ativas até a proibição.

A decisão foi tomada para eliminar progressivamente as usinas a carvão e substituí-las por tecnologias mais limpas nas negociações sobre o clima que aconteceram em Bonn (COP23). Foram o Canadá, o Reino Unido e as Ilhas Marshall, que formaram uma aliança global chamada “Powering Past Coal.” Um ano depois de seu lançamento, a aliança agora conta com 75 membros comprometidos com a substituição de eletricidade ininterrupta a carvão por alternativas mais limpas e sustentáveis.

“Road to Zero Strategy”

O transporte rodoviário tem a maior parcela de emissões de gases de efeito estufa no setor da economia. Isso significa que as mudanças são vitais para o Reino Unido atingir suas metas de redução de carbono. A “Road to Zero Strategy” do Departamento de Transportes de 2018 define que pelo menos 50% (e até 70%) das vendas de carros novos terão emissões ultrabaixas até 2030 e até 40% para as novas vans. Essa política também trata da redução de emissões de veículos que já estão nas estradas e planeja encerrar a venda de carros e caminhões convencionais a gasolina e diesel até 2040.

Com um grande impulso em direção a carros de emissão zero, é necessária uma enorme expansão da infraestrutura verde em todo o país, assim como um grande foco no aumento da disponibilidade de estações de recarga para veículos elétricos (EVs). A Road to Zero Strategy define o cenário para o que o governo considerou “o maior avanço tecnológico para atingir as estradas do Reino Unido desde a invenção do motor de combustão.”

Reino Unido planeja banir completamente o uso de plásticos nas escolas até 2022

O secretário de Educação, Damian Hinds, está clamando as escolas de todo o Reino Unido que deixarem de usar material plástico até 2022, seguindo o exemplo da Escola Primária Georgeham, em Devon.

Foto: Pixabay

A escola baniu plásticos descartáveis, como filme plástico – substituindo-o por papel alumínio – e sachês de molho no refeitório. Outras mudanças incluem a eliminação de canudos de plástico de uso único, embalagens de leite e recipientes de alimentos não reutilizáveis.

Segundo a BBC , a escola também chegou a um acordo com seu fornecedor de alimentos para devolver as embalagens plásticas de frutas e ingredientes para serem reciclados. A gerente de catering Keri Lambert observou que as mudanças ajudaram a escola a economizar dinheiro.

“O plástico pode prejudicar nosso ambiente precioso e ser letal para a vida selvagem”, disse Hinds. “A liderança demonstrada por escolas como a Georgeham Primary em se livrar de plástico descartável é um exemplo impressionante para todos nós – e quero que o trabalho apoie todas as escolas do país seguindo sua liderança até 2022.” As informações são do Live Kindly.

A Georgeham Primary School recebeu o prêmio “isento de plástico” da Surfers Against Sewage , uma instituição de caridade de conservação marinha que promove campanhas para reduzir a poluição por plásticos em todo o mundo. A escola atendeu a “cinco metas cruciais” eliminando pelo menos três itens de plástico de uso único, substituindo outros itens por materiais que podem ser reciclados e participando de uma “auditoria de plástico”.

Foto: Pixabay

“Ao fazer mudanças relativamente pequenas, como a substituição de filme plástico por papel alumínio na cantina, conseguimos reduzir significativamente o uso de plástico na escola”, disse o diretor-geral Julian Thomas. “Somos uma escola pequena, mas pensamos grande e estou muito orgulhoso de todos na Georgeham pelo que conquistamos.”

Um Reino Unido sem plástico

Em janeiro passado, o governo lançou seu Plano Ambiental de 25 anos para eliminar resíduos plásticos “evitáveis” até 2042. Também planeja introduzir um imposto sobre o plástico que não atenda ao requisito de conter pelo menos 30% de conteúdo reciclado até abril de 2022.

No mês passado, o governo anunciou que a taxa de 5p em sacolas plásticas de uso único aumentaria para 10 p. O imposto original provou ser eficaz, com os pesquisadores notando uma queda de 30% na poluição por plásticos. Durante o verão, entrou em vigor uma proibição de microesferas em produtos de beleza em todo o Reino Unido .

O secretário do Meio Ambiente, Michael Gove, observou que é apenas um movimento na “luta” do país contra a poluição por plásticos .

Austrália corta 80% do uso de sacolas plásticas em apenas 3 meses

Três meses depois de duas das maiores cadeias de supermercados proibirem o uso de sacolas plásticas, quase 2 bilhões de sacolas deixaram de serem usadas, informou a Australian Associated Press, citando a National Retail Association.

Foto: Nastco / Thinkstock

No geral, as proibições introduzidas pela Coles e pela Woolworth no verão passado resultaram em uma redução de 80% no uso geral do item de uso único no país, revelou o grupo varejista.

“De fato, alguns varejistas estão relatando taxas de redução de até 90%”, disse David Stout, da National Retail Association, ao serviço de notícias.

Inicialmente, alguns clientes sentiam-se lesados por terem que desembolsar 15 centavos de dólar australiano (11 centavos) para comprar uma sacola reutilizável. Os executivos da Woolworths culparam a queda nas vendas aos ” clientes que se ajustaram ” à proibição das sacolas plásticas. Coles até mesmo recuou brevemente sobre a proibição do saque e recebeu muitas críticas de compradores ambientalmente conscientes por distribuir sacolas plásticas reutilizáveis.

Mas a boa notícia é que parece que a maioria dos australianos não achou muito difícil se adaptar à mudança – e isso é fantástico para aterros, oceanos e o meio ambiente, que se tornaram lixões de resíduos plásticos.

Stout aplaudiu o progresso, mas compartilhou as esperanças de que o governo australiano vá atrás de uma proibição nacional. Nova Gales do Sul, o estado mais populoso do país, é o único estado que não legislou para eliminar gradualmente as sacolas plásticas descartáveis.

Houve um movimento crescente para proibir ou taxar essas sacolas. Em todo o mundo, pelo menos 32 países têm proibições, segundo a ReuseThisBag .

“Ainda estamos vendo um monte de malas pequenas e médias sendo usadas, especialmente na categoria de alimentos, e apesar de eu ter algum conforto que as majors fizeram isso voluntariamente, eu acho que ainda precisa haver uma proibição”, disse ele a Australian Associated Press.

“Para as empresas, para o meio ambiente, para o consumidor e, é claro, até para os conselhos que trabalham para acabar com essas coisas dos aterros sanitários, há uma infinidade de benefícios em gera”.