Golfinho e tartaruga são encontrados mortos presos em redes de pesca

Foto: James Barnett/SWNS

Foto: James Barnett/SWNS

Imagens comoventes divulgadas recentemente mostram de um golfinho e uma foca mortos envoltos em redes de pesca descartada. As fotos foram usadas como parte de uma campanha de conscientização.

James Barnett, de 57 anos, é veterinário especializado em vida marinha e diz que a maior ameaça aos animais no mar são as redes de pesca descartadas, conhecidas como “redes fantasmas”.

Ele disse que, embora o plástico represente uma ameaça poderosa à vida marinha, ele vê animais envoltos em redes de fantasmas muito mais frequentemente do que vítimas da poluição por plásticos (seja por alimentação ou ferimentos provocados por resíduos plásticos).

Ele divulgou imagens de um golfinho que apareceu na costa da Cornualha em 2017, completamente envolto do focinho ao rabo em uma rede e uma foca encontrada em terra perto de Boscastle, também na Inglaterra enrolada em 35kg de redes em maio.

Na época, voluntários do grupo de resgate local, a British Divers Marine Life Rescue, disseram que pela situação em que foi encontrada era claro que a foca havia sofrido uma morte horrível.

Foto: James Barnett/SWNS

Foto: James Barnett/SWNS

Barnett disse: “É definitivamente o pior caso de emaranhamento de animais que já vi em minha carreira”.

“Focas são animais muito curiosos e eles investigam redes flutuando na água ou presas ao fundo do mar e podem se enroscar nelas”.

As redes fantasmas, as redes descartadas ou perdidas flutuando na água, são um grande problema para as focas e Barnett disse que vê casos sérios de enredamento a cada ano.

As marcas de corte encontradas nos corpos dos mamíferos marinhos são frequentemente sinais de que um animal ferido ficou emaranhado.

Ano passado, James realizou autópsias em quase 30 golfinhos, baleias e botos que foram encontrados presos nas praias e cerca de um quarto deles foram capturados, sem intenção, em redes de pesca.

Barnett disse: “Não encontramos muitas evidências de plástico em focas. Os maiores assassinos são provavelmente capturas acessórias e emaranhamento ”.

Ele tem tratado animais marinhos feridos desde o início dos anos 90 e trabalha no Cornish Seal Sanctuary em Gweek, Cornwall.

Ao longo dos anos, ele realizou centenas de exames post mortem em golfinhos, focas e outros animais encontrados mortos nas praias.

“Não sabemos quão grande é o problema de microplástico ainda. A quantidade de microplásticos espalhados pelo planeta é totalmente desconhecida ainda.

“Ainda não somos capazes de determinar o quanto isso está afetando a saúde dos animais. Acho que é algo que mais estudos nos próximos anos poderão dizer. ”

Ao longo de sua carreira, James realizou 225 autópsias em golfinhos, baleias e botos de 11 espécies diferentes, 78 focas e um tubarão-frade, o primeiro desse tipo no Reino Unido.

“É uma paixão”, disse ele. “Meu trabalho ajuda a destacar a questão das capturas acidentais, emaranhamento e poluição e poluição marinha. Isso torna minha vida mais real e significativa”.

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Bali proíbe itens de plástico de uso único

Foto: Adobe

Foto: Adobe

A ilha de Bali, ponto turístico da Indonésia, proibiu oficialmente todos os itens de plástico de uso único, incluindo sacolas de compras, isopor e canudos, em uma medida para reduzir a poluição dos oceanos.

Anunciada pelo governador de Bali, Wayan Koster, na segunda-feira, a proibição tem como objetivo diminuir em 70% os plásticos encontrados no mar de Bali em um ano.

Ação

De acordo com o Jakarta Post, Koster disse: “Esta política é destinada a produtores, distribuidores, fornecedores e agentes de negócios, incluindo indivíduos, para suprimir o uso de plásticos de uso único. Eles devem substituir os plásticos por outros materiais.

“Se eles desobedecerem, tomaremos medidas, como não estender sua permissão de negócios.”

Relatos estimam que mais de 240 toneladas de lixo são produzidas a cada dia na parte sul de Bali, com 25% delas provenientes da indústria do turismo.

Proibição de plástico

Bali não é a única ilha a reprimir o consumo de plástico. No início deste ano, Capri anunciou que estava proibindo os visitantes de usarem itens plásticos não recicláveis; e estabeleceu uma multa de 559 dólares para aqueles que violarem a proibição.

O prefeito de Capri, Gianni De Martino, disse ao The Times: “Nós não vamos salvar o mundo sozinho – nós vemos as sacolas plásticas e o poliestireno chegando na corrente marítima vindos de outros lugares, mas vejo que os turistas estão felizes em se unir ao esforço, o que nós começamos está se espalhando”.

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Nova York se torna o segundo estado americano a proibir o uso de sacolas plásticas

Foto: WWF

Foto: WWF

Segundo a Associated Press, ativistas ambientais acreditam que os nova-iorquinos usem cerca de 23 bilhões de sacolas plásticas todos os anos.

Legisladores do estado de Nova York nos Estados Unidos proibiram a utilização da maioria de embalagens e sacolas plásticas de uso único nas vendas do varejo na intenção de diminuir o transtorno causado pelo material na poluição marinha.

A ideia foi implementada pelo governador Andrew M. Cuomo e pode ser a segunda proibição em todo o estado depois que a Califórnia baniu as sacolas em 2016.

O Havaí possui também uma proibição efetiva, a proibição de Nova York deve começar em março próximo. A lei proibirá o fornecimento de sacolas de uso único pelas lojas aos clientes, pois além dos itens não serem biodegradáveis eles têm efeitos terríveis na vida selvagem e no meio ambiente.

Essa proibição inclui exceções, como sacolas de comida usadas por restaurantes, sacolas usadas para embrulhar mercadorias e sacolas para vendas a granel, sacolas de roupas, sacolas de jornal e que se espera que façam parte do orçamento do estado.

Além disso, a regulação possui um componente adicional que permitirá que os municípios cobrem uma taxa de cinco centavos em sacolas de papel, receita que será oferecida ao Fundo de Proteção Ambiental e um fundo separado para receber sacolas reutilizáveis para os clientes.

O governador é explícito ao apontar que essas sacolas estragaram a paisagem local e entupiram os canais da região, ressaltando a importância de “defender nossos recursos naturais para as gerações futuras”.

O senador Todd Kaminsky disse acreditar que, de vez em quando, todos nós estaremos tentando voltar ao que era antes e as pessoas podem se mostrar surpresas porque isso não era uma coisa comum. No entanto, ele expressou que está feliz que Nova York esteja na liderança desse tipo de tomada de decisão sendo um dos primeiros estados a proibir as sacolas plásticas.

Além disso, muitos estados tomaram medidas alternativas para proibir outras mercadorias plásticas recentemente, e os legisladores havaianos projetaram uma combinação de leis que adotam linha dura contra a maioria dos itens plásticos dentro do comércio doméstico, enquanto uma proposta em Maryland pode transformar a região no principal estado dentro da nação a proibir completamente os recipientes de comida de embalagens de fenil etileno.

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Canadá anuncia proibição de plásticos de uso único a partir de 2021

Foto: Greenpeace

Foto: Greenpeace

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou que o país vai proibir os plásticos de uso único “nocivos ao meio ambiente” até 2021 para enfrentar o “desafio global” da poluição por plásticos, segundo a BBC.

O governo não revelou quais itens de plástico serão proibidos, no entanto, foi relatado que o país – que é o segundo maior do mundo, cobrindo 9,98 milhões de quilômetros quadrados – redigiu sua legislação baseando-se em proibições semelhantes no mundo todo, muitas dos quais proíbem canudos de plástico, sacolas, sacos de lixo e talheres (utensílios descartáveis).

As Nações Unidas revelaram em maio que 180 países se comprometeram a ajudar a reduzir a quantidade de plástico no oceano para o bem do ecossistema e dos animais marinhos.

Segundo o Centro para a Diversidade Biológica, bilhões de quilos de plástico estão agora no mar, cobrindo cerca de 40% das superfícies oceânicas do mundo. Milhares de animais – incluindo tartarugas marinhas, focas, baleias, golfinhos, aves marinhas e peixes – são mortos todos os anos depois de acidentalmente consumirem plástico ou se enredarem (enroscarem) nele.

A proibição do plástico no Canadá também delineará metas para empresas que produzem ou vendem plásticos para torná-los mais sustentáveis. Menos de 10% do plástico no país é atualmente reciclado e o Canadá descarta cerca de 3 milhões de toneladas de resíduos plásticos a cada ano.

Trudeau disse em um comunicado: “Como pais, estamos em um momento em que levamos nossos filhos para a praia e temos que procurar um pedaço de areia que não esteja cheio de canudos, isopor ou garrafas plásticas”.

“Isso é um problema, sobre o qual temos que fazer alguma coisa”, acrescentou o primeiro-ministro.

Alguns municípios e províncias do Canadá já proibiram alguns plásticos de uso único, como sacolas plásticas. Trudeau concordou com as proibições, mas afirmou que “uma solução real precisa ser nacional”.

O anúncio foi feito alguns meses antes das eleições gerais, que acontecerão no outono. Espera-se que questões ambientais como poluição e mudança climática dominem a campanha.

Esforços éticos do Canadá

No início deste mês, um projeto de lei que proíbe que aquários e parques temáticos mantenham baleias, golfinhos e botos em cativeiro passou pela Câmara dos Comuns (Câmara dos Deputados) do Canadá. A legislação foi inspirada pelo interesse público no bem-estar animal.

“Os canadenses têm sido claros, eles querem que a prática cruel de manter baleias e golfinhos em cativeiro termine. Com a aprovação do Bill S-203, garantimos que isso acontecerá ”, disse Elizabeth May, líder do Partido Verde e Saanich – em um comunicado.

Em maio, o país proibiu a importação e exportação de barbatanas de tubarão devido a preocupações com a crueldade contra os animais.

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Considerados sagrados, veados de Nara no Japão são vítimas do lixo deixado pelos turistas

Foto: Joshua Mellin

Foto: Joshua Mellin

O famoso veado ou cervo selvagem do Japão, que atraiu mais de dois milhões de visitantes para a cidade de Nara no Japão, no ano passado, está morrendo por causa dos turistas.

Seis dos cervos em Nara Park morreram desde março devido à ingestão de plástico deixado para trás pelos turistas.

Uma autópsia mostrou que um cervo tinha 4,3 kg de plástico no estômago, relata o The Telegraph.

Foto: Joshua Mellin

Foto: Joshua Mellin

Mais 29 cervos foram mortos em acidentes de trânsito em 2018, como os animais muitas vezes vagam na estrada movimentada para ser alimentado pelos visitantes.

O parque, que abrange 5 mil metros quadrados, é o lar de cerca de 1.200 cervos sika. Eles são considerados sagrados e carregam o status de “tesouro nacional”.

Para os turistas, a principal atração é ver o “arco dos cervos”, um movimento em grupo que os animais foram ensinados a fazer em troca de comida. Uma clara exploração dos veados.

Foto: Joshua Mellin

Foto: Joshua Mellin

Barracas que vendem salgadinhos senbei (bolachas de arroz japonesas) para alimentar os animais usam embalagens ecologicamente corretas, desenvolvidas pela Associação de Bem-Estar dos Cervos de Nara.

No entanto, muitos turistas trazem seus próprios resíduos de plástico e não são tão cuidadosos quanto deveriam ao descartá-los. Sacos de plástico, anéis, copos e garrafas foram vistos em Nara Park.

Justin Francis, CEO da Responsible Travel, disse: “Os cervos de Nara tornaram-se as últimas vítimas da indústria do turismo, desde o tráfico desses animais até o problema, agora crescente, da poluição plástica – seu status de protegido está em questão nas mãos do turismo irresponsável.

“Esses animais sagrados estão sendo tratados como uma mercadoria, usada por turistas para tirar a foto perfeita para o Instagram, e não está sendo feito o suficiente para garantir seu bem-estar. O Japão está perdendo apenas para os EUA em lixo plástico per capita, uma acusação chocante de inação que atinge o mundo desenvolvido, enquanto a poluição excessiva de plástico é um problema que vai além dos limites do parque de Nara.

Foto: Joshua Mellin

Foto: Joshua Mellin

“Como em qualquer encontro com animais selvagens, os animais devem ser sempre colocados em primeiro lugar, não os turistas. Está claro que isso não está acontecendo em Nara; os responsáveis devem se perguntar: se esses cervos são designados como “tesouros nacionais”, não é hora de serem tratados dessa maneira?”.

“É sempre aconselhável não encorajar os cervos a se tornarem dependentes de humanos para alimentação, mas em locais como Nara, onde é permitido, recomendamos que apenas alimentos naturais aprovados pelas autoridades locais sejam dados, e que alimentos processados e embalagens de plástico sejam evitados”, disse Charles Smith-Jones, consultor técnico da British Deer Society (Sociedade Britânica dos Veados), ao The Independent.

“Em outras ocasiões, é sempre melhor simplesmente observar os cervos à distância. A British Deer Society pede a todos que descartem seus resíduos com responsabilidade e de maneira que não possam ser um perigo para a vida selvagem”.

Ele acrescentou que, mais perto de casa, acredita-se que cerca de cinco dos cervos que vivem em Richmond Park sejam mortos a cada ano por consumir lixo. Sachês de energético em gel descartadas pelos ciclistas têm sido apontados como sendo de particular preocupação.

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Cientistas alertam que haverá mais plástico que peixes nos oceanos em 2050

Foto: Getty

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Não há como negar que a poluição plástica é uma das maiores ameaças aos oceanos do planeta – os cientistas agora advertem que, a menos que sejam realizadas mudanças urgentes, haverá mais plástico do que peixes nos mares até 2050.

Muitos países pelo mundo proibiram o uso de sacolas plásticas ou passar a desestimular seu uso por meio de cobranças de valores. No Reino Unido por exemplo, um ano após o governo introduzir a legislação forçando grandes varejistas a cobrar por cada sacola plástica, os sete maiores supermercados do bloco de países distribuíram mais de 6 bilhões de sacolas a menos.

Mais iniciativas se juntaram ao movimento do governo, a especialista em alimentos congelados “Iceland” prometeu remover todas as embalagens plásticas de sua linha até 2023, e uma proibição oficial de canudos de plástico – que muitas empresas já abandonaram em favor das de papel – junto com paletes plásticos de mexer café e cotonetes de plástico entrarão em vigor em Abril de 2020, segundo informações do jornal The Mirror.

Todos estes são passos na direção certa, mas ao abordar essa questão urgente, contudo, itens como canudos e sacolas plásticas são apenas a ponta do iceberg. Medidas efetivas para conter a poluição plástica que está tomando conta dos oceanos e matando a vida marinha, envolveriam uma mudança na alimentação banindo bacalhau e atum e demais peixes da dieta alimentar.

Essa afirmação esta baseada no fato comprovado de que a pesca e o lixo que ela gera causam muito mais danos à vida selvagem do que os canudos ou sacolas de plástico. É fácil entender por que itens menores de plástico estão sob fogo – ninguém que tenha visto o vídeo de um canudo sendo puxado para fora da narina de uma tartaruga marinha ou um golfinho enroscado em um sacola plástico jamais conseguirá esquecê-lo.

Mas, de acordo com Adam Minter, autor do livro Junkyard Planet: Travels in the Billion-Dollar Trash Trade (Planeta do Lixo: Viagens pelo comércio de lixo de bilhões de dólares, na tradução livre), “mesmo que todos os lixos de canudos de plásticos deixados nas praias pelo mundo caíssem nos oceanos, elas representariam cerca de 0,03% das 8 milhões de toneladas métricas de plásticos que entram nos oceanos em um determinado ano’.

E apesar da redução no uso de sacolas plásticas no Reino Unido, a quantidade total de poluição marinha por plásticos permaneceu igual, principalmente devido a um aumento nos detritos oriundos da pesca. Tartarugas marinhas e outros animais são muito mais propensos a serem prejudicados por redes de pesca perdidas, abandonadas e descartadas do que por outros resíduos de plástico.

Cientistas afiliados ao The Ocean Cleanup, um grupo que trabalha para reduzir a poluição plástica, determinaram que, em peso, as redes de pesca compõem pelo menos 46% do plástico da Great Pacific Garbage Patch, uma pilha flutuante de lixo que é três vezes maior que a França.

Armadilhas de enguia, cestos, cordas e outros equipamentos de pesca abandonados, também conhecidos como “engrenagem fantasma”, compõem a maioria do resto do lixo. Cerca de 640 mil toneladas de equipamento fantasma entram nos oceanos do mundo a cada ano e podem mutilar e matar animais marinhos ainda por muitos anos depois.

É uma morte horrível. Os animais que se emaranham e se enroscam em armadilhas pesadas de pesca e podem se afogar, morrer exaustos depois de semanas lutando para se libertar, ou morrer de fome lentamente se o lixo plástico estiver alojado em suas bocas ou estômagos e impedi-los de se alimentar. No mês passado, uma foca presa em uma enorme massa de redes de pesca e outros lixos foi avistada na costa da Cornualha.

Após os socorristas não conseguirem localizá-la viva, seu corpo acabou sendo levado para uma praia próxima, embrulhado em 35 quilos de plástico. “Este animal sofreu uma morte prolongada e torturante, não há dúvida disso”, disse um voluntário que inspecionou o animal.

Um destino semelhante recai sobre milhões de outras focas, tartarugas, baleias, golfinhos, tubarões, pássaros e outros animais.

Os seres humanos que consomem peixe também estão em risco, recentemente um estudo descobriu que o consumidor médio de “frutos do mar” inconscientemente come 11 mil pedaços de micro plásticos a cada ano.

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Cinco trilhões de sacolas plásticas serão usadas em 2019

Poderíamos cobrir a França com a quantidade de sacolas plásticas consumidas por ano (Foto: Shutterstock)

Poderíamos cobrir a França com a quantidade de sacolas plásticas consumidas por ano (Foto: Shutterstock)

Por David Arioch

De acordo com a organização Ocean Watch e o site The World Counts, a estimativa é de que cinco trilhões de sacolas plásticas serão usadas no mundo todo em 2019.

Isso significa 160 milhões de sacolas plásticas utilizadas por segundo e um total de plástico que poderia cobrir duas vezes a França ou, se colocarmos uma sacola atrás da outra, poderíamos dar a volta ao mundo sete vezes.

No Brasil, a qualquer compra, por mínima que seja, até mesmo de um artigo do tamanho de um dedo, há o costume de colocar o produto em uma sacolinha antes de entregá-lo ao consumidor.

Outra prática usual é não colocar produtos diferentes na mesma sacola, demandando inúmeras sacolas plásticas para produtos que caberiam somente em uma, e que, para benefício do meio ambiente, poderia ser basicamente uma ecobag.

Além disso, os consumidores poderiam ser reeducados a não exigirem inúmeras sacolas em qualquer circunstância, e até mesmo a motivarem comerciantes a estimularem outros consumidores a optarem por uma alternativa menos nociva ao meio ambiente. Quem sabe, oferecendo ecobags ao lado do caixa, que já é uma realidade crescente no mundo.

Sabemos também que há produtos e itens que não demandam sacolas. É apenas uma questão de costume, e que pode ser facilmente adaptado. Não é novidade também que a maioria das sacolas plásticas passa por descarte incorreto e pode levar pelo menos 200 anos para se decompor.

Até lá, muitas são jogadas em qualquer lugar, entopem bueiros, dificultam o escoamento da chuva e potencializam inundações, além de pararem nos oceanos, interferindo na vida marinha.

E podem ainda criar uma camada plástica que impermeabiliza o solo, além de liberar toxinas na atmosfera. E se você é vegano, é válido ponderar que muitas das sacolinhas plásticas trazem gordura animal na composição.

As matérias-primas mais comuns são o petróleo e o gás natural, mas a gordura animal é usada com a finalidade de facilitar o processamento dos polímeros brutos e reduzir a fricção do material – o que também é um bom motivo para abolir ou pelo menos desacelerar esse consumo.

São Paulo faz acordo internacional para reduzir plásticos descartáveis

A Prefeitura de São Paulo deve anunciar, nas próximas semanas, um acordo internacional feito pela cidade para a redução de plásticos descartáveis. Um projeto que proíbe todos os plásticos de uso único também tramita na Câmara Municipal e outra proposta, que proíbe canudos plásticos, aguarda a aprovação, já prometida, do prefeito Bruno Covas (PSDB).

Rosley Majid / EyeEm/Getty Images)

O acordo internacional que a capital paulista integra é o Compromisso Global para a Nova Economia do Plástico, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Prefeitura de São Paulo assinou o acordo no final do mês de março, mas deve divulgá-lo apenas no próximo mês. As informações são do portal Exame.

As metas do acordo serão determinadas pela prefeitura. Entre as ações, São Paulo deve adotar ações para eliminar o uso de embalagens de plástico desnecessárias e incentivar modelos de reciclagem do plástico. O objetivo é melhoras os índices de reciclagem da cidade, que atualmente estão abaixo de 10%.

Trata-se da primeira cidade do continente a integrar o acordo, que tem os governos do Chile, do Peru e de Granada, no Caribe, como signatários. Em outros países, projetos semelhantes têm sido promovidos. Em 2018, a União Europeia estabeleceu como meta banir o uso de canudos e outros produtos plásticos até 2021. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a proibir os canudos.

No caso do projeto aprovado na Câmara Municipal de São Paulo em abril, fica proibida a distribuição de canudos plásticos em restaurantes, bares, hotéis e salões de eventos. O texto sugere a substituição do produto por outro feito de material descartável, como de papel reciclável ou material biodegradável.

Apesar de ter apoiado a medida, o prefeito ainda não a sancionou. Ele precisa, também, regulamentar a lei e decidir, por exemplo, a quem caberá fiscalizar a lei e aplicar as multas, que vão de R$ 1 mil a R$ 8 mil.

Outro projeto sobre a proibição dos plásticos tramita na Câmara. De autoria do vereador Xexéu Trípoli, o PL 99/2019 proíbe “o fornecimento de copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas e varas para balões de plásticos descartáveis” nos locais em que a distribuição dos canudos foi banida. As penalidades para o descumprimento da medida são as mesmas.

Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), colocou-se favorável aos projetos e disse “qualquer medida para o meio ambiente tem o nosso apoio”, mas afirmou que “essas medidas precisam ser bem discutidas, com prazos para a adequação”.

Resíduos sólidos

O lixo produzido e coletado em São Paulo é levado para o Aterro São João, na Zona Leste do município. Apesar de não ser levado para perto do mar, especialistas dizem que é um equívoco acreditar que o acúmulo de plástico no meio ambiente não tem relação com o lixo produzido em São Paulo.

“O problema não é o lixo que vai para o aterro. É o que não é coletado, que é jogado nas ruas, não é recolhido, e vai parar em córregos e rios”, diz o professor de Engenharia Ambiental da USP Ronan Contrera.

Canudos de aço inox

Canudos de aço inox são oferecidos para os clientes que fazem questão de utilizar o produto no restaurante de comida natural Estela Passoni, na Zona Oeste de São Paulo. O local foi inaugurado há dois anos e nunca trabalhou com canudos de plástico.

“Nunca foi um problema, mas o fato de estar aqui em Pinheiros ajuda”, diz Mariana Passoni, de 34 anos, uma das sócias do restaurante localizado na Rua Joaquim Antunes. No bairro onde o estabelecimento está é comum, entretanto, encontrar bares e restaurantes que, até devido à consciência ecológica do público, oferecem canudos biodegradáveis. Já no restaurante de Mariana, os canudos de aço inox são um sucesso e a versão dobrável deles é vendida a R$ 55.

Na prateleira do restaurante, há também copos de silicone. Uma sorveteria na Rua dos Pinheiros também já ofereceu desconto de 10% para clientes que levam potes de casa para consumir a sobremesa e trocou as pazinhas de plástico por outras, de madeira. O canudo usado no local é de papel.

“Os clientes mesmo não aceitam mais os canudinhos de plástico”, diz Adenilson Santos, maître do Le Jazz, na mesma região. Na Choperia São Paulo, há quatro meses os canudos de plástico foram banidos, tendo sido substituídos por canudos feitos de cana-de-açúcar, ideia que partiu do barman Elivaldo Campos, de 40 anos.

O cenário deu origem, inclusive, à campanha Recicla Pinheiros, que dá um selo a estabelecimentos que descartam o lixo de forma consciente, possuem pontos de coleta e oferecem experiências sustentáveis, como oferecer água do filtro aos clientes. “Queremos ser o bairro mais sustentável de São Paulo”, resumem os organizadores. Quarenta e oito locais já receberam o selo.

Os organizadores pretendem, em julho, ter um mapa que indique a localização das lojas que receberam o selo. “A meta, que é ter lixo zero, está repercutindo dentro dos estabelecimentos”, diz Vanêssa Rêgo, presidente do Coletivo Pinheiros, associação da qual fazem parte 80 estabelecimentos.

“Pinheiros reúne uma comunidade com um pouco mais de consciência”, diz Paula Gabriel, diretora de comunicação corporativa da TriCiclos, empresa de economia circular e gestão de resíduos que está entre as organizadoras da campanha. Atitudes como abrir pontos de coleta de pilhas podem ser replicadas facilmente, segundo Paula.

Na Vila Madalena, clientes costumam pedir bebidas sem canudo no Boteco do Urso. Outros, levam os próprios canudos, de aço inox. No Astor, na mesma região, o bar lançou canudos feitos de macarrão e brincou: “teremos macarrão ao suco”. O local prometeu fornecer a versão de papel para os intolerantes a glúten.

No Pasquim, os canudos de papel chegara há dois meses. “A maioria dos frequentadores aceita sem resistir”, diz Ricardo Tudeia, gerente do bar. No entanto, ainda segundo Tudeia, o novo produto pode custar 600% a mais que o feito de plástico e, às vezes, se desfaz com a bebida, o que faz com que o bar tenha que repor o canudo para o cliente.

Uso de sacolas de plástico na Austrália cai 80% em três meses

Por David Arioch

Objetivo é reduzir a contribuição causada pela poluição plástica (Foto: AFP)

De acordo com informações da Associação Nacional de Varejo da Austrália, o uso de sacolas de plástico no país caiu 80% em três meses, depois que grandes redes varejistas decidiram parar de oferecer sacolas de plástico.

Embora tenha havido um pouco de resistência por parte de uma parcela dos consumidores, a adaptação não tem sido considerada difícil. Alguns varejistas registraram redução de até 90% do uso de sacolas plásticas.

A iniciativa das grandes redes, antes responsáveis pela maior demanda e oferta de sacolas de plástico no país, segundo a associação, tem estimulado empresas menores a trilhem esse caminho em benefício do meio ambiente.

Recentemente a organização de conservação da vida marinha Sea Shepherd criou uma campanha mostrando que um simples saco plástico, que parece inofensivo aos nossos olhos, pode representar o sofrimento extremo e até a morte de milhares de animais que habitam os oceanos.

A campanha diz que “o plástico que você usa uma vez tortura o oceano para sempre”. No novo trabalho de conscientização e sensibilização da Sea Shepherd, animais marinhos como focas e tartarugas são apresentados em situações de agonia e impotência ao entrarem em contato com elementos plásticos comuns no cotidiano e descartados sem os devidos cuidados.

No mês passado, o Projeto de Lei do Senado (PLS 263/2018), que prevê proibição do uso de canudos e sacolas plásticas em todo o Brasil, além de microplásticos em cosméticos, foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA).

O PL é resultado de uma sugestão legislativa feita no portal e-Cidadania, e contou com 20 mil apoiadores. Segundo matéria do PL, ficam proibidas a fabricação, importação, distribuição e venda de sacolas plásticas para guardar e transportar mercadorias.

A proibição se estende a utensílios plásticos descartáveis para consumo de alimentos e bebidas – como é o caso dos canudos. A exceção é para as sacolas e utensílios descartáveis feitos com material integralmente biodegradável.

Foca é encontrada com um saco plástico enrolado em sua cabeça

A poluição nos mares tem causado danos irreversíveis ao ecossistema e estudos apontam que até 2025, os oceanos do planeta estarão três vezes mais poluídos com plástico.

Algumas estimativas apontam que já existem pelo menos 5,25 trilhões de pedaços de plástico nos oceanos. Esses materiais causam estrangulamento animais como focas e leões marinhos e podem ser ingeridos por peixes.

Uma imagem comovente mostra uma foca com um saco de plástico enrolado em volta da cabeça. O animal indefeso lutou por cerca de quinze minutos para libertar.

Essa semana, uma foca foi vista com um saco de plástico enrolado em volta de sua cabeça, em um porto britânico.

O animal indefeso lutou por cerca de quinze minutos para se libertar, enquanto os moradores ansiosos observavam.

Martyn Cannan, um fotógrafo amador, observava a foca brincando na água quando ela se enrolou com a sacola descartável, em Brixham, Devon.

Cannan, de 57 anos, disse que tirou a foto porque a multidão estava discutindo sobre o que fazer para ajudar a foca.

Ele compartilhou a imagem na página do Tor Bay Harbour Authority no Facebook, dizendo que a imagem destacava os problemas enfrentados pela vida selvagem marinha.

“Se a minha foto desperta a consciência das pessoas e impede uma pessoa de jogar uma sacola plástica no mar, então faz ela o seu trabalho”, disse ele.

Moradores de Devon ficaram revoltados com a imagem da foca presa na sacola plástica e responderam com indignação e pedidos de uma proibição de sacos plásticos.

Sally Hoult escreveu: “Pobre foca. Os seres humanos estão causando muito estresse e danos à nossa vida selvagem. Quando vamos aprender?”

Os resíduos de plástico jogados no mar pelo homem ameaçam os oceanos e a vida de milhões de animais marinhos.

Sarah Greenslide, médica de mamíferos marinhos da British Marine Rescue, publica regularmente imagens da área com cerca de 20 focas nas águas em torno de Brixham.

Segundo o Daily Mail, ela disse: “Criamos este problema. Hoje você só precisa andar ao redor do porto e da marina para ver os escombros.

“Temos muita sorte de ter uma comunidade do focas tão próspera … precisamos cuidar delas”.

Focas, baleias, golfinhos, aves marinhas, peixes e muitos outros animais estão morrendo ou sendo feridos por esse flagelo ambiental.

Inúmeras imagens de animais que se emaranharam no lixo plástico e de criaturas mortas encontradas com pilhas de plástico dentro de seus corpos estão sendo mostradas todos os dias.

Na semana passada, registros dolorosos mostraram uma foca ensanguentada com uma rede de plástico enrolada com tanta força no pescoço que cortou sua pele.

Uma outra foca ensanguentado com uma rede de plástico enrolada com tanta força no pescoço que cortou sua pele.

A fêmea foi vista em uma praia de Norfolk, na Inglaterra, acompanhada de um macho que parecia cuidar dela, mas as equipes de resgate não chegaram a tempo. Ninguém sabe o que aconteceu com ela.