Embalagens plásticas descartáveis de shampoo usadas em hotéis podem ser banidas por lei

Foto: Getty Images

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Se aprovada, a lei entrará em vigor em 2023 para hotéis com 50 quartos ou mais. Os estabelecimentos de hospedagem com menos de 50 quartos teriam até 2024 para substituir totalmente os pequenos produtos de plástico.

Este não é um conceito totalmente novo na indústria hoteleira. No ano passado, o InterContinental Hotels Group e o Marriott International começaram a substituir os artigos de higiene pessoal de plástico de uso único por recipientes maiores que são presos na parede.

A Marriott implementou essas mudanças em até 450 propriedades sob sua administração e focou especificamente em propriedades que atendem viajantes de negócios.

O esforço para minimizar o uso de plásticos de uso único aumentou significativamente nos últimos anos no mundo todo.

Em 2014, o estado americano da Califórnia tornou-se o primeiro a promulgar uma proibição de sacolas plásticas em grandes lojas de varejo. O governo também impôs um encargo mínimo de dez centavos de dólar para sacolas de papel recicladas e sacolas plásticas reutilizáveis em locais específicos. Este ano, outro estado americano, Nova York seguiu o exemplo com um mandato estadual semelhante. Só nos EUA, vários condados e cidades menores adotaram legislação semelhante.

Canudos de plástico também receberam muita atenção dos legisladores. Em 2018, Seattle se tornou a primeira cidade dos EUA a proibir totalmente o uso de canudos de plástico.

A mudança cultural para longe do uso de produtos plásticos descartáveis chega em um momento importante. Estima-se que a América do Norte, definida como Bermudas, Canadá e Estados Unidos pelo Banco Mundial, tenha produzido cerca de 35 milhões de toneladas de resíduos plásticos em 2016, tornando-se o terceiro maior produtor mundial de resíduos plásticos naquele ano.

Produtos plásticos descartáveis acabam no oceano poluindo o planeta. A ONU estimam que até 80% do lixo flutuante é plástico, resultando em enormes prejuízos para a vida selvagem. Aproximadamente 1 milhão de aves marinhas e 100 mil animais marinhos morrem a cada ano devido à ingestão de plástico.

Ainda assim, eliminar os pequenos produtos de higiene pessoal de plástico dos hotéis será uma mudança cultural significativa para os consumidores que já estão acostumados a esperar esses serviços quando viajam. Muitos consumidores já esperam encontrar os mini artigos de higiene fornecidos pelos hotéis e até colecionam os itens depois de uma viagem.

No entanto, os benefícios dessa proibição parecem superar em muito qualquer inconveniente para o consumidor. De acordo com a revista Lodging, a rede de hotéis Marriott estima que uma única propriedade com cerca de 140 quartos reduz o consumo de plástico em 250 libras de plástico por ano – ou em 23 mil garrafas plásticas.

O autor do projeto, o deputado Ash Kalra, espera que seus colegas legisladores também vejam o impacto significativo que esse projeto de lei pode ter.

Kalra disse à CALmatters: “Espero que meus colegas vejam isso como uma lei de senso comum que mais uma vez nos coloca como líderes quando se trata de tentar reduzir nosso consumo de plástico e líderes em questões do meio ambiente”.

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Pesquisadora cria plástico biodegradável a partir de suco de cactos

Foto: Adobe

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A pesquisadora mexicana, Sandra Pascoe Ortiz, inventou uma nova forma de plástico biodegradável feito principalmente a partir de de suco de cactos.

A réplica de plástico leva cerca de um mês para ser biodegradada se deixada no solo ou apenas uma semana se for embebida em água, e é segura para animais e humanos consumirem.

Oritz cria o material, que pode ser feito em diferentes cores, formas, espessuras e resistências, espremendo folhas de cactos e adicionando uma ‘fórmula não-tóxica’ ao conteúdo – ela então lamina o líquido e o deixa secar.

Um substituto natural

Apresentado no People Fixing The World da BBC, Oritz disse: “Minha ideia é produzir plástico a partir de ingredientes naturais e substituí-lo por alguns dos plásticos que já usamos hoje.

“Se esse plástico atingir o mar, a coisa mais provável é que os peixes ou algum tipo de vida marinha o coma”, acrescentando que isso não causaria nenhum dano a eles.

A BBC informa que Oritz quer que seu produto substitua os plásticos de uso único, como talheres e sacolas, à medida que mais países reduzem gradualmente o consumo de plástico.

O tempo de produção para criar o cacto-plástico atualmente leva cerca de 10 dias, e Oritz ainda está pesquisando quais folhas de cactos são as melhores para criar o produto, mas mantém a planta viva para que continue a cultivar mais folhas.

Caroço de abacate usado para fazer canudos e talheres biodegradáveis

Este ano também um engenheiro bioquímico mexicano descobriu como fazer bioplástico a partir do desperdício de alimentos, e em vez reaproveitamento na própria indústria alimentícia, ele criou um plástico biodegradável, orgânico e tornou-o tão barato quanto o plástico comum.

Com todos os danos causados pelo lixo plástico ao meio ambiente e às espécies, as proibições do uso do material em vigor em todo o mundo só se tornam mais severas com o passar do tempo, criando uma demanda crescente por alternativas biodegradáveis.

O problema é que alguns plásticos biodegradáveis ainda são feitos de combustível fóssil, e 80% dos “bioplásticos” biodegradáveis são feitos de fontes de alimentos, como o milho.

Os plásticos biodegradáveis normalmente custam cerca de 40% mais do que o plástico normal.

Mas o engenheiro bioquímico Scott Munguia surgiu com uma solução para a questão: caroços de abacate.

Sua empresa, a Biofase, está localizada no coração da indústria de abacate do México, onde ele transforma 15 toneladas de abacates por dia em canudos e talheres biodegradáveis.

Os caroços, descartados por empresas locais que processam a fruta, eram encaminhados para um aterro sanitário. Então, além de seus custos de produção serem baratos, ele está ajudando a reduzir o desperdício agrícola.

A empresa pode então repassar essa economia para o consumidor, mantendo os preços iguais aos do plástico convencional.

“O bioplástico de semente de abacate não corta nosso suprimento de alimentos ou requer que qualquer terreno adicional seja dedicado à sua produção”, diz Munguia.

“E o melhor de tudo, é verdadeiramente biodegradável, ao contrário de muitos plásticos que se dizem ´biodegradáveis”. Decompõe-se totalmente em apenas 240 dias, em comparação com o plástico convencional, que estima-se que levará 500 anos a degradar e nunca será totalmente biodegradável”.

A empresa informa que se mantido em local fresco e seco, o material pode durar até um ano antes de começar a degradação.

Munguia descobriu como extrair um composto molecular do caroço da fruta para obter um biopolímero que pudesse ser moldado em qualquer formato, informou o México Daily News.

“Nossa família de resinas biodegradáveis pode ser processada por todos os métodos convencionais de moldagem de plástico”, twittou a empresa.

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Filhotes de pato são flagrados mastigando bituca de cigarro em reserva natural

Foto: Kennedy News

Foto: Kennedy News

A foto de uma família de patinhos tentando comer uma ponta de cigarro descartada, capturada por uma fotógrafa da vida selvagem causou revolta nas mídias sociais após ser postada online. A imagem apresenta um flagrante dos impactos danosos da poluição humana ao meio ambiente.

Kym Welsh, de 45 anos, esperava capturar belas imagens na natureza quando três filhotes de pato saíam da água atrás de sua mãe na reserva natural de Anton Lakes, em Andover, Hampshire (EUA).

No entanto, ela ficou repugnada quando os patinhos da espécie pato-real (Anas platyrhynchos) que procuravam comida na grama junto ao lago, encontraram uma bituca de cigarro.

Foto: Kennedy News

Foto: Kennedy News

Em uma foto, um patinho olha diretamente para a câmera, enquanto segura o filtro laranja de um cigarro ja fumado, em seu bico. A bituca é passada pelos patinhos, enquanto a segunda fotografia mostra outr filhote segurando o toco de cigarro.

Felizmente, Kym afirma que os patinhos então jogaram o cigarro para o lado e seguiram a mãe para longe da água – no entanto, ela acredita que a bituca de cigarro teria matado os patinhos se eles a tivessem comido.

A fotógrafa criticou o lixo descartado dessa forma irresponsável e alegou que quem fez isso não demonstrou “nenhuma consideração” pela vida selvagem protegida na reserva natural.

Kym, de Andover, em Hampshire, disse: “Eu só acho que essa bituca jogada no meio do habitat dos patos é algo absolutamente atroz. Há lixeiras espalhadas por todo o lago para que não haja lixo jogado no chão ou descartado indevidamente. Eu estava realmente preocupada com os patinhos”.

Foto: Kennedy News

Foto: Kennedy News

“Eu me senti mal por estar tirando fotos deles, mas não havia nada que eu pudesse fazer, porque mesmo que eu não estivesse lá, eles ainda fariam a mesma coisa”

“Eu me fiquei receosa que eles ingerissem a bituca porque os cigarros contêm ingredientes tóxicos, então eu realmente esperava que eles não comessem aquele lixo deixado ali, é uma ótimo notícia que eles não fizeram isso. “Eu estava preocupado que eles estavam mastigando aquilo. Não ia ser bom para eles”.

“Era uma coisa preocupante de se ver porque eu não achava que eles se incomodariam com coisas assim, mas eles simplesmente pegavam qualquer coisa. Eu estava preocupada que eles corressem o risco de morrer”.

Quando cheguei em casa, pesquisei por pontas de cigarro e animais selvagens, e li algumas coisas sobre o assunto. “Os ingredientes tóxicos contidos no interior das pontas dos cigarros são extremamente prejudiciais aos animais se ingeridos”.

“É por isso que tirei as fotos, porque achei que mais pessoas precisavam estar cientes do impacto de suas ações na natureza”, dia Kim.

A fotógrafa espera que ao compartilhar as imagens perturbadoras, ela possa fazer os fumantes pensarem duas vezes antes de jogarem as pontas de cigarro no chão.

Kym disse: “Eu não fumo, sou um grande anti-tabagista, então isso realmente me deixou muito enojada. Como alguém pode fazer aquilo? Pense nisso”.

“Eu tinha ouvido falar que os patinhos nasceram na reserva florestal, então eu fui lá cedo, logo pela manhã”.

“Acabei de chegar ao lago, e todos estavam saindo da água com a mãe deles. Como patinhos, eles procuravam por comida o tempo todo”.

“Um achou, pegou e passou para o outro. Eles deixaram a bituca cair e saíram atrás de sua mãe de volta para a água”.

“E isso aconteceu em uma reserva natural e é por isso que esse fato realmente me incomodou, porque quando você anda por lá, o que você espera? – A natureza protegida”.

“As pessoas não deveriam simplesmente jogar fora suas bitucas de cigarro. Isso é terrível e muito perigoso para ao animais”.

Cenas como essa poderiam ser facilmente evitadas com mais conscientização e respeito tanto pelos animais como pela natureza. Além de ocuparmos seus habitats naturais o mínimo que se espera é que não os contaminemos com nossos.

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Cientistas alertam que haverá mais plástico que peixes nos oceanos em 2050

Foto: Getty

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Não há como negar que a poluição plástica é uma das maiores ameaças aos oceanos do planeta – os cientistas agora advertem que, a menos que sejam realizadas mudanças urgentes, haverá mais plástico do que peixes nos mares até 2050.

Muitos países pelo mundo proibiram o uso de sacolas plásticas ou passar a desestimular seu uso por meio de cobranças de valores. No Reino Unido por exemplo, um ano após o governo introduzir a legislação forçando grandes varejistas a cobrar por cada sacola plástica, os sete maiores supermercados do bloco de países distribuíram mais de 6 bilhões de sacolas a menos.

Mais iniciativas se juntaram ao movimento do governo, a especialista em alimentos congelados “Iceland” prometeu remover todas as embalagens plásticas de sua linha até 2023, e uma proibição oficial de canudos de plástico – que muitas empresas já abandonaram em favor das de papel – junto com paletes plásticos de mexer café e cotonetes de plástico entrarão em vigor em Abril de 2020, segundo informações do jornal The Mirror.

Todos estes são passos na direção certa, mas ao abordar essa questão urgente, contudo, itens como canudos e sacolas plásticas são apenas a ponta do iceberg. Medidas efetivas para conter a poluição plástica que está tomando conta dos oceanos e matando a vida marinha, envolveriam uma mudança na alimentação banindo bacalhau e atum e demais peixes da dieta alimentar.

Essa afirmação esta baseada no fato comprovado de que a pesca e o lixo que ela gera causam muito mais danos à vida selvagem do que os canudos ou sacolas de plástico. É fácil entender por que itens menores de plástico estão sob fogo – ninguém que tenha visto o vídeo de um canudo sendo puxado para fora da narina de uma tartaruga marinha ou um golfinho enroscado em um sacola plástico jamais conseguirá esquecê-lo.

Mas, de acordo com Adam Minter, autor do livro Junkyard Planet: Travels in the Billion-Dollar Trash Trade (Planeta do Lixo: Viagens pelo comércio de lixo de bilhões de dólares, na tradução livre), “mesmo que todos os lixos de canudos de plásticos deixados nas praias pelo mundo caíssem nos oceanos, elas representariam cerca de 0,03% das 8 milhões de toneladas métricas de plásticos que entram nos oceanos em um determinado ano’.

E apesar da redução no uso de sacolas plásticas no Reino Unido, a quantidade total de poluição marinha por plásticos permaneceu igual, principalmente devido a um aumento nos detritos oriundos da pesca. Tartarugas marinhas e outros animais são muito mais propensos a serem prejudicados por redes de pesca perdidas, abandonadas e descartadas do que por outros resíduos de plástico.

Cientistas afiliados ao The Ocean Cleanup, um grupo que trabalha para reduzir a poluição plástica, determinaram que, em peso, as redes de pesca compõem pelo menos 46% do plástico da Great Pacific Garbage Patch, uma pilha flutuante de lixo que é três vezes maior que a França.

Armadilhas de enguia, cestos, cordas e outros equipamentos de pesca abandonados, também conhecidos como “engrenagem fantasma”, compõem a maioria do resto do lixo. Cerca de 640 mil toneladas de equipamento fantasma entram nos oceanos do mundo a cada ano e podem mutilar e matar animais marinhos ainda por muitos anos depois.

É uma morte horrível. Os animais que se emaranham e se enroscam em armadilhas pesadas de pesca e podem se afogar, morrer exaustos depois de semanas lutando para se libertar, ou morrer de fome lentamente se o lixo plástico estiver alojado em suas bocas ou estômagos e impedi-los de se alimentar. No mês passado, uma foca presa em uma enorme massa de redes de pesca e outros lixos foi avistada na costa da Cornualha.

Após os socorristas não conseguirem localizá-la viva, seu corpo acabou sendo levado para uma praia próxima, embrulhado em 35 quilos de plástico. “Este animal sofreu uma morte prolongada e torturante, não há dúvida disso”, disse um voluntário que inspecionou o animal.

Um destino semelhante recai sobre milhões de outras focas, tartarugas, baleias, golfinhos, tubarões, pássaros e outros animais.

Os seres humanos que consomem peixe também estão em risco, recentemente um estudo descobriu que o consumidor médio de “frutos do mar” inconscientemente come 11 mil pedaços de micro plásticos a cada ano.

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Chefe da ONU defende fim dos subsídios aos combustíveis fósseis

Por David Arioch

Subsidiar combustíveis fósseis significa gastar o dinheiro de contribuintes para “impulsionar furacões, espalhar secas, derreter geleiras, branquear corais: destruir o mundo” (Foto: Getty Images)

“É necessário taxar a poluição, não as pessoas, e acabar com os subsídios para combustíveis fósseis”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no final do mês passado durante a Cúpula Mundial da Coalizão R20, uma organização ambiental apoiada pela ONU e fundada por Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia.

A ideia de subsidiar combustíveis fósseis como uma maneira de melhorar a vida das pessoas não poderia estar mais errada, disse o chefe da ONU na capital da Áustria, Viena. Subsidiar combustíveis fósseis significa gastar o dinheiro de contribuintes para “impulsionar furacões, espalhar secas, derreter geleiras, branquear corais: destruir o mundo”, declarou Guterres.

Ele pediu também a descarbonização de infraestruturas urbanas, uma pausa na construção de minas de carvão e a promoção de consumo e produção sustentáveis. “Em resumo, precisamos de uma economia verde, não de uma economia cinza.”

Financiar uma sociedade “pós-carbono”

Na preparação para a Cúpula da ONU sobre o Clima, em setembro, o secretário-geral encarregou o presidente da França, o primeiro-ministro da Jamaica e o emir do Catar de mobilizar apoio internacional para assegurar a meta de 100 bilhões de dólares.

O valor foi aceito por Estados-membros da ONU na Conferência de Paris sobre o Clima, em 2015, e é necessário para avançar medidas climáticas de mitigação e adaptação no mundo em desenvolvimento.

Investidores precisam parar de “financiar a poluição, ampliar empreendimentos verdes e aumentar empréstimos para soluções de baixa emissão de carbono”, insistiu, acrescentando que o setor privado e comunidades de investimentos precisam apoiar uma “agenda climática ousada e ambiciosa”, à medida que ações climáticas não são boas apenas para pessoas e para o planeta, mas também podem ser boas para os negócios.

“Lado positivo da nuvem ameaçadora”

Relembrando sua recente viagem a Tuvalu, um Estado insular no Pacífico Sul que corre o risco de ser inundado pelos crescentes níveis dos oceanos, Guterres destacou o fato de que “raramente um dia se passa” sem notícias de outro desastre, como enchentes, secas, incêndios florestais e tempestades extremas.

No entanto, há um “lado positivo da nuvem ameaçadora”, porque, embora a situação atual seja extremamente séria, a mudança para uma economia verde irá render benefícios profundos para as sociedades do mundo todo, com ar e água mais limpos, menos poluição e uma agricultura livre de produtos químicos.


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Projeto indiano incentiva as pessoas a contarem histórias sobre as mudanças climáticas e a poluição do ar

“Queríamos simplificar o processo de divulgação dessas histórias e compartilhamos (isso) com as pessoas” (Foto: PLUC/Getty)

“Queríamos simplificar o processo de divulgação dessas histórias e compartilhamos (isso) com as pessoas” (Foto: PLUC/Getty)

Por David Arioch

Tamseel Hussain acompanhou com atenção a escalada da poluição do ar na Índia, que atingiu níveis alarmantes quatro anos atrás. Ele estava tão interessado em documentar o problema que, com um grupo de especialistas em redes sociais e storytelling, construiu a plataforma Let Me Breathe (Me deixe respirar, em tradução livre para o português).

O que começou como uma hashtag, usada pelos moradores de Nova Déli que queriam criar blogs para registrar a elevada poluição do ar, transformou-se hoje numa plataforma central, unindo histórias fragmentadas sobre poluição, mudanças climáticas e sustentabilidade em toda a Índia.

“Queremos ser parte da solução. A maioria das pessoas na Índia tem celulares. Pela resposta que estávamos vendo nas redes sociais, era evidente que as pessoas queriam contar as suas próprias histórias sobre poluição. Eram essas vozes que queríamos amplificar por meio da nossa plataforma e da nossa rede”, informa Hussein.

Hussein criou a iniciativa People Like Us Create (Pessoas como nós criam, em tradução livre), que utiliza vários formatos, incluindo TV e as plataformas Let Me Breathe, para contar histórias sobre poluição compartilhadas por todos — de agricultores a estudantes e catadores de lixo.

O projeto já teve a participação, por exemplo, de estudantes que falaram sobre como descobriram a existência de florestas ao redor das suas casas e sobre como a poluição afetava as árvores. Com isso, os jovens conectavam as suas histórias à narrativa global sobre sustentabilidade e a emergência climática.

Também contribuíram agricultores em Punjab, que queimavam raízes e caules dos arrozais após a colheita. “Percebemos que a queima estava causando muita poluição. E é importante destacar as histórias imparciais de agricultores envolvidos na prática”, conta Hussain.

De acordo com o indiano, em vez de culpar uns aos outros, esses agricultores aprenderam, com cursos sobre storytelling em celulares, a se manifestar e expressar suas preocupações.

“Queremos inspirar as pessoas a usarem os seus celulares para contarem histórias de poluição que talvez não recebam uma cobertura suficiente da mídia tradicional, mas que são cruciais para que as pessoas tomem decisões informadas”, reforça o idealizador.

E acrescenta: “Além disso, queríamos simplificar o processo de divulgação dessas histórias e compartilhamos (isso) com as pessoas, em apenas alguns passos simples. Foi aí que entrou a plataforma”.

Cinco trilhões de sacolas plásticas serão usadas em 2019

Poderíamos cobrir a França com a quantidade de sacolas plásticas consumidas por ano (Foto: Shutterstock)

Poderíamos cobrir a França com a quantidade de sacolas plásticas consumidas por ano (Foto: Shutterstock)

Por David Arioch

De acordo com a organização Ocean Watch e o site The World Counts, a estimativa é de que cinco trilhões de sacolas plásticas serão usadas no mundo todo em 2019.

Isso significa 160 milhões de sacolas plásticas utilizadas por segundo e um total de plástico que poderia cobrir duas vezes a França ou, se colocarmos uma sacola atrás da outra, poderíamos dar a volta ao mundo sete vezes.

No Brasil, a qualquer compra, por mínima que seja, até mesmo de um artigo do tamanho de um dedo, há o costume de colocar o produto em uma sacolinha antes de entregá-lo ao consumidor.

Outra prática usual é não colocar produtos diferentes na mesma sacola, demandando inúmeras sacolas plásticas para produtos que caberiam somente em uma, e que, para benefício do meio ambiente, poderia ser basicamente uma ecobag.

Além disso, os consumidores poderiam ser reeducados a não exigirem inúmeras sacolas em qualquer circunstância, e até mesmo a motivarem comerciantes a estimularem outros consumidores a optarem por uma alternativa menos nociva ao meio ambiente. Quem sabe, oferecendo ecobags ao lado do caixa, que já é uma realidade crescente no mundo.

Sabemos também que há produtos e itens que não demandam sacolas. É apenas uma questão de costume, e que pode ser facilmente adaptado. Não é novidade também que a maioria das sacolas plásticas passa por descarte incorreto e pode levar pelo menos 200 anos para se decompor.

Até lá, muitas são jogadas em qualquer lugar, entopem bueiros, dificultam o escoamento da chuva e potencializam inundações, além de pararem nos oceanos, interferindo na vida marinha.

E podem ainda criar uma camada plástica que impermeabiliza o solo, além de liberar toxinas na atmosfera. E se você é vegano, é válido ponderar que muitas das sacolinhas plásticas trazem gordura animal na composição.

As matérias-primas mais comuns são o petróleo e o gás natural, mas a gordura animal é usada com a finalidade de facilitar o processamento dos polímeros brutos e reduzir a fricção do material – o que também é um bom motivo para abolir ou pelo menos desacelerar esse consumo.

Dia Mundial do Meio Ambiente: aumento da devastação ambiental é alarmante

O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, foi criado em 1972 pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Na data, ONGs lançam, todos os anos, manifestos e medidas para alertar sobre a necessidade de preservação do meio ambiente. No mesmo dia é celebrado também O Dia da Ecologia.

(Foto: iStock.com / eppicphotography)

A exploração irresponsável e gananciosa dos recursos naturais tem causado devastação em todo o mundo. No Brasil, o cenário está se tornando cada vez mais preocupante. Dados indicaram que os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, com 19 hectares de floresta amazônica sendo destruídos por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Além disso, um estudo feito pela ONG Conservação Ambiental concluiu que o Brasil e os Estados Unidos lideram uma tendência mundial de retrocessos ambientais. De acordo com o levantamento, 85 atos legislativos foram promulgados no Brasil, entre 1900 e 2017, atingindo uma área de 114.856 quilômetros quadrados de floresta – o equivalente a praticamente metade do estado de São Paulo. Desses, 60 afetaram a Amazônia, região que perdeu mais de 90 mil quilômetros quadrados de proteção devido a mudanças legislativas.

O Brasil, ainda de acordo com o estudo, é responsável por 87% dos retrocessos em áreas protegidas da Amazônia, em um levantamento que abrange outros oito países amazônicos.

Ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016, a bióloga e ambientalista Izabella Teixeira explica que retrocessos ambientais podem ter diversas origens. “Precisaríamos identificar caso a caso para saber. Mas há natureza técnica, política e econômica. Do ponto de vista político, isso remete a uma situação de fragilidade e de não priorização da política ambiental. É muito comum que interesses econômicos sejam preponderantes a interesses da biodiversidade, mas isso é só um contexto: vejo como algo muito grave”, disse Teixeira, em entrevista à BBC News Brasil.

(Foto: AP Photo/NOAA Pacific Islands Fisheries Science Center)

Para o geógrafo Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010 e atualmente é deputado estadual, o cenário, que ele considera assustador, “reflete a força da bancada ruralista e a cumplicidade de vários governos estaduais”.

O jurista, historiador e diplomata Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, reforça que “o atual governo vem contribuindo para agravar o quadro pela posição pessoal e o exemplo altamente negativo do próprio presidente da República”.

“O sistemático desmantelamento do sistema já precário do Ibama e do ICMBio estimula maiores violações dos espaços ainda protegidos e desencoraja a ação dos fiscais. Isso sem mencionar os numerosos projetos em tramitação no Congresso, que terão certamente impacto igualmente destruidor”, disse Ricupero à BBC.

O desmatamento, no entanto, não é o único problema que tem afetado o meio ambiente no mundo. A poluição, especialmente aquela causada pelo plástico, tem devastado ecossistemas e tirado a vida de animais, principalmente os marinhos. No oceano Pacífico, entre a costa do estado norte-americano da Califórnia e o Havaí, 80 mil toneladas de plástico compõe um “ilha de lixo” de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. As consequências dessa quantidade extrema de plásticos nos oceanos, caso ações para reverter esse cenário não sejam executadas, são graves: segundo um estudo feito pelo Fórum Econômico Mundial de Davos em parceria com a fundação da navegadora Ellen MacArthur e a consultoria McKinsey, os oceanos terão mais plástico do que peixes até 2050. A pesquisa concluiu que a proporção de toneladas de plástico por toneladas de peixes era de uma para cinco em 2014, será de uma para três em 2025 e vai ultrapassar uma para uma em 2050.

(Foto: Pixource/Pixabay)

A poluição do ar também é considerada alarmante e será tema, inclusive, da conferência internacional do Dia Mundial do Meio Ambiente, sediada pela China e promovida pela Organização das Nações Unidas no quadro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. O objetivo é incentivar governos, indústrias, comunidades e indivíduos a usar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em todo o mundo, já que a poluição tem gerado cerca de 7 milhões de mortes humanas e afetado, também, os animais.

“A China será uma grande anfitriã global das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente em 2019. O país demonstrou liderança no combate à poluição do ar internamente e, agora, pode ajudar a estimular outras partes do mundo a agirem. A poluição do ar é um desafio global e urgente que afeta a todos. A China irá, agora, liderar o impulso e estimular a ação global para salvar milhões de vidas”, declarou Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, ao portal Nações Unidas Brasil.


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Retorno de tatuís à praia no RJ é sinal de esperança em relação à poluição

O retorno dos tatuís no trecho da Praia do Flamengo que fica atrás da Marina da Glória, em um local conhecido como Prainha, é um sinal de esperança em relação à poluição de outras áreas da Baía de Guanabara, já que a presença do crustáceo indica melhora na qualidade da água naquele trecho.

“Existem vários animais que são chamados de bioindicadores, entre eles o cavalo-marinho e o tatuí. A presença ou a ausência deles nos dá informações de como está o ecossistema na região. Se os tatuís aparecem por lá, é um bom sinal. A água pode estar boa”, disse ao O Globo o biólogo Marcelo Szpilman.

Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

No entanto, segundo boletins de balneabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a Praia do Flamengo esteve própria para banho por apenas 11 semanas em 2018 e foi considerada imprópria de janeiro até o último dia 27 de maio de 2019. Isso, de acordo com Szpilman, deve-se ao fato da biologia não ser uma ciência exata.

“Se a água não estiver boa por alguma razão, pode haver uma população de tatuís naquela região que desenvolveu uma resistência maior à poluição”, explicou. Szpilman  disse ainda que o crustáceo melhora a qualidade da areia ao cavar pequenos túneis que permitem a entrada de ar.

Carlos Ribeiro, conhecido como Chinês, que trabalha como professor de canoa va’a (polinésia), rema diariamente na área da Prainha e lembra que a qualidade da água varia conforme a maré.

“Dependendo do dia, temos muito óleo, lixo, garrafas de plástico ou água transparente, com tartarugas e até golfinhos”, disse Chinês.

Apesar da presença dos tatuís ser um indicador de água limpa, o doutor em Oceanografia Química e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Julio Cesar Wasserman, lembrou que eles podem desaparecer novamente.

“A verdade é que não fizemos muita coisa nos últimos anos para melhorar de fato a qualidade da água na Baía de Guanabara. Não existe milagre. A presença desses tatuís demonstra, no entanto, que há esperança. Quando ocorre alguma melhora, recuperamos o ecossistema”, concluiu o especialista.


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Artistas internacionais se apresentam em festival no Caribe contra a poluição plástica

Por David Arioch

Músico australiano Cody Simpson foi uma das atrações do Play it Out (Foto: Divulgação/EPA/ONU)

No final de semana, artistas, celebridades e líderes políticos se reuniram no Estádio Nacional Sir Vivian Richards, na ilha de Antígua e Barbuda, para participar do festival Play it Out, que visa ampliar a conscientização e inspirar ações para combater a poluição plástica.

Além de apoiar o ativismo global, o festival teve como objetivo reconhecer iniciativas concretas que ajudam a responder ao problema da poluição plástica, incluindo a campanha Mares Limpos, da ONU Meio Ambiente, que se propõe a acelerar ações previstas no Plano de Ação Caribenho para Plásticos.

Com apresentação das atrizes Meagan Good e Amanda Cerny, o evento contou com apresentações do rei do gênero caribenho soca, Machel Montano e da cantora Ashanti, vencedora do Grammy, além de outros nomes como DJ Robin Schulz; da dupla de R&B Nico & Vinz; da banda de indie-rock St. Lucia; da banda colombiana de eletropop Bomba Estereo; do músico australiano Cody Simpson; e do cantor de reggae ganês Rocky Dawuni.

O evento foi organizado pela presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa, junto aos governos da Noruega e de Antígua e Barbuda.

Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo

Segundo a ONU, 80% de todo o lixo marinho é composto por plástico e a estimativa é que em 2050 a quantidade de plásticos na água supere a de peixes. Vale lembrar também que o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo e recicla apenas 1%. Sem a destinação adequada, grandes quantidades de resíduos plásticos chegam aos oceanos e afetam a vida marinha, já que muitos animais acabam consumindo esse tipo de produto que interfere até mesmo no comportamento reprodutivo das espécies.