Um inédito monitoramento de avifauna realizado no estuário de Santos, no litoral de São Paulo, identificou 129 espécies de aves na região. Dessas, 11 estão ameaçadas de extinção. De acordo com o biólogo que participou do projeto, a presença dessas aves mostra que é possível que natureza e indústria convivam em harmonia.

Foto: Divulgação/Codesp
De dezembro de 2016 até o fim de 2018, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) realizou o monitoramento que faz parte das exigências ambientais da Licença de Operação do Porto de Santos, que completa 127 anos neste sábado (2). A atividade portuária implica em diversos impactos ambientais ao ecossistema e, por isso, a necessidade do monitoramento.
A cobertura geográfica do trabalho se estendeu desde a área do Canal de Piaçaguera, em Cubatão, até a baía de Santos e a entrada do canal de navegação, nas proximidades da Ilha das Palmas, em Guarujá. Em meio aos contêineres e operações portuárias, as aves foram vistas se alimentando, formando ninhos e fazendo o local de habitat.
“Durante dois anos, equipes de biólogos da Codesp embarcados no carnal do Porto realizaram oito campanhas de campo trimestrais. Foram registradas, no total, 129 espécies que circulam pelo local, sendo 11 em ameaça de extinção. Treze delas só temos aqui na nossa região”, explica o biólogo Bruno Takano.

Foto: Divulgação/Codesp
De acordo com o biólogo, as aves ameaçadas de extinção vistas no estuário santistas foram: savacu-de-coroa, guará, gavião-asa-de-telha, trinta-réis-de-bico-vermelho, trinta-réis-de-bando, trinta-réis-real, papagaio-moleiro, papagaio, pássaro-preto, figuinha-do-mangue e gavião-pombo-pequeno.
“Das 129 aves registradas, cinco espécies são migratórias e utilizam a região do Porto somente para se alimentar e, em seguida, viajam para reproduzir em outro local do Brasil e, até mesmo, em outros países. Muitas delas se alimentam de peixes e outros alimentos que conseguem encontrar no entorno”.

Foto: Divulgação/Codesp
De acordo com a Codesp, foram avistadas na região tanto espécies características dos ambientes locais como também pássaros que migram para as áreas costeiras durante, pelo menos, uma fase do ciclo de vida. Elas são de ambientes aquático, terrestre e arborícola.
Espécies independentes de ambientes florestais usam as árvores e, também, mastros de barcos, píers e outras estruturas construídas pelo ser humano para se abrigarem. A águia-pescadora, por exemplo, usa as estruturas de alvenaria da área portuária como poleiro para sua alimentação.
Codesp
A Companhia Docas do Estado de São Paulo, empresa pública vinculada ao Ministério da Infraestrutura, é a Autoridade Portuária do Porto de Santos. Ela é a responsável pelo planejamento logístico e pela administração da infraestrutura do Porto Organizado de Santos, por onde passa quase um terço das trocas comerciais brasileiras.
Com 7,8 milhões de metros quadrados, o porto está localizado a 70 quilômetros da Grande São Paulo e possui 55 terminais marítimos e retroportuários, situados em duas margens, uma em Santos (direita) e outra em Guarujá (esquerda).
Fonte: G1