ONG denuncia parque aquático de Portugal por maus-tratos a animais

O parque aquático Zoomarine, localizado em Albufeira, em Portugal, está entre os 12 zoológicos e parques aquáticos denunciados por maus-tratos a animais. A denúncia foi feita pela organização intencional de defesa animal World Animal Protection.

Para elaborar um relatório sobre os maus-tratos, membros da entidade assistiram aos espetáculos oferecidos pelos zoológicos e parques aquáticos. A World Animal Protection pede que os turistas tomem “uma posição, não visitando nem apoiando estes locais”.

Golfinhos são explorados para entretenimento humano e forçados a aprender truques anti-naturais (Foto: Pixabay/Ilustrativa)

“No Zoomarine, em Portugal, os treinadores sobem em cima do dorso dos golfinhos e surfam na água. O espetáculo também inclui os golfinhos puxando um pequeno barco onde estão crianças”, denuncia o documento ao relatar os abusos aos quais os animais são submetidos.

De acordo com a ONG, “muitos dos comportamentos apresentados como ‘brincadeiras’ durante o espetáculo são na verdade manifestações de agressividade ou perturbação”. A entidade lembrou ainda que, além dos maus-tratos impostos aos animais, o contato direto com os visitantes pode sugerir que a interação com golfinhos “é completamente segura para os humanos”, mas que, na verdade, tratam-se de “animais selvagens incrivelmente fortes que, quando perturbados, podem ser um risco para a segurança das pessoas”.

A World Animal Protection lembrou também que aprisionar animais em cativeiro sob a alegação de promover conservação ambiental não é argumento porque a maior parte das espécies mantidas em aquários não está ameaçada de extinção. O cativeiro, continua a ONG, é uma “severa restrição ao bem-estar” dos animais e o treino ao qual eles são submetidos é feito com “métodos controversos”, como a “retirada de comida e estímulo social aos golfinhos para depois os usar como recompensas”.

Dentre as “atividades e exibições cruéis e degradantes” denunciadas pela entidade, estão “leões e tigres fazendo truques e acrobacias em palco”, elefantes sendo forçados a transportar turistas e macacos “explorados como adereços fotográficos”.

“Os locais incluídos nestes casos de estudo não representam os piores jardins zoológicos do mundo”, segundo a ONG, mas fazem parte da Associação Mundial de Zoológicos e Aquários, que não está cumprindo suas diretrizes, apesar de alegar que desejam “ser modernos e favoráveis ao bem-estar animal”.

O parque aquático Zoomarine foi procurado pela agência Lusa para se pronunciar sobre o caso, mas preferiu não emitir qualquer posicionamento.


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‘Foi porque roí o chinelo?’, diz slogan de campanha contra abandono de animais

Frases emotivas foram utilizadas pelo Hospital Veterinário (UPVet) da Universidade do Porto, em Portugal, como meio de sensibilizar a população para o abandono de animais, um problema que aumenta durante os meses de verão, devido ao período de férias, quando tutores de cães e gatos os descartam na rua para viajar.

Foto: UPVet – Hospital Veterinário da Universidade do Porto

“Não me deixes sozinho!”, “Foi porque roí o chinelo?”, e ainda “Podes esquecer-te de mim, mas eu nunca vou esquecer-me de ti!” foram os slogans escolhidos pela campanha.

Para atingir a população, cartazes foram colocados nos diversos campi da Universidade do Porto. As informações são do portal Notícias ao Minuto.

Além de conscientizar as pessoas para que elas não abandonem animais, a campanha também tem o objetivo de alertar sobre o aumento no número de animais resgatados da rua. Dados da Ordem dos Veterinários indicam que, entre janeiro e agosto de 2018, foi registrado o resgate de aproximadamente 14 mil animais.

Em Portugal, abandonar animais é crime punido com pena de prisão de até seis meses, além de multa.


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Primeira feira vegana de Braga, em Portugal, recebe centenas de clientes

A primeira feira vegana da cidade de Braga, em Portugal, tem recebido centenas de clientes. O crescimento do veganismo é uma realidade em todo o mundo e a aceitação do público a esse evento é mais uma prova disso.

Foto: Reprodução / Diário do Minho

O espaço fica no exterior do restaurante vegetariano Hibiscus, no Largo de S. Francisco. No local, dezenas de marcas comercializam seus produtos. As informações são do Diário do Minho.

De acordo com a presidente da associação responsável pelo evento, o objetivo é sempre promover o veganismo.

“A nossa associação é vegana e luta pelos direitos animais. Defendemos o fim da exploração animal e achamos que temos que dar conhecimento sobre isso às pessoas”, disse a presidente Liliana Barros.

No Brasil não é diferente. Os comerciantes brasileiros, atentos à expansão do veganismo, estão realizando cada vez mais feiras livres de crueldade, abrindo comércios veganos ou ao menos adicionando opções veganas ao cardápio.

De acordo com uma pesquisa de maio de 2018, feita pelo IBOPE, o Brasil tem 16% de vegetarianos, o que representa um aumento de 75% em relação ao levantamento anterior, realizado em 2012 – a pesquisa não estimou a quantidade de veganos brasileiros.


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Assembleia mantém proibida a alimentação de animais abandonados em Portugal

A Assembleia da República de Portugal manteve uma medida que proíbe que animais abandonados sejam alimentados e recusou um projeto de lei do partido político PAN que visava por fim à proibição vigente em muitos municípios do país.

Foto: Pixabay

A proposta recebeu votos contrários dos partidos PSD, do CDS e do PCP, abstenção do PEV e votos favoráveis do PAN, do PS e do BE. As informações são do portal Público.

O projeto foi apresentado à assembleia em junho de 2018. Na época, o PAN argumentou que “a grande maioria dos municípios em Portugal estabelece, através de regulamento próprio, a proibição de alimentar animais na via pública, ignorando quaisquer circunstancialismos pertinentes, como os casos das colônias de gatos controladas por programas de esterilização municipais”.

“O PAN defende que não faz sentido o Estado investir na esterilização e tratamento dos animais, determinando simultaneamente que os mesmos devem morrer de fome”. O projeto do partido previa a instalação de “abrigos e comedouros”.

“Não é moralmente defensável, na época que vivemos, ordenar uma população, que se quer mais sensível e compassiva, a abster-se de alimentar um animal, agindo contra uma das cinco liberdades básicas de bem-estar animal: a de não ter fome e sede”, salientou o partido.


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Cavalo sofre fratura exposta durante tourada e é sacrificado em Portugal

Um cavalo, chamado Xeque-Mate, sofreu uma fratura exposta durante uma tourada em Coruche, uma vila portuguesa. Uma ação violenta do cavaleiro João Moura Jr causou o ferimento. Após ser avaliado por um veterinário, o cavalo foi sacrificado. A justificativa para o sacrifício foram os “danos irreversíveis” causados ao animal.

Foto: antonioramalho / Flickr

A tourada aconteceu no último sábado (6) e o cavalo foi sacrificado no dia seguinte. As informações são do portal Correio da Manhã.

Além do cavalo, quatro pessoas ficaram feridas durante a tourada realizada na praça de Coruche, em Santarém. Dois cavaleiros, sendo João Moura Jr e Ana Batista, e dois “forcados” – que são os homens responsáveis por pegar o touro – foram socorridos com ferimentos. Os dois foram levados ao Hospital de Santarém, mas já receberam alta médica e se recuperam dos ferimentos.

Os forcados João Ventura e Luís Fera foram socorridos com ferimentos graves no momento em que lidavam com o quinto touro explorado pelo cruel espetáculo. Ventura perdeu os sentidos na arena, mas foi levado ao hospital, recuperou-se e teve alta hospitalar. Fera, no entanto, encontra-se em coma induzido, como medida preventiva, no Hospital de São José, em Lisboa, para onde foi levado de helicóptero após sofrer uma fratura no maxilar. Exames indicam que ele não sofreu lesões cerebrais de maior gravidade e a manutenção da sedação está sendo avaliada pelos médicos.

Nota da Redação: as touradas são eventos extremamente cruéis que condenam os touros e cavalos a intenso estresse e sofrimento e que caminham na contramão do desenvolvimento ético social e da luta pela garantia dos direitos animais. Além disso, são perigosas também para os seres humanos, já que colocam em risco a vida daqueles que dela decidem participar.


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Tutor que não garantir bem-estar ao animal será multado em Portugal

O tutor que não garantir o bem-estar do animal que tutela em Portugal estará sujeito ao pagamento de multas que variam de 50 euros (cerca de R$ 218) a 3.740 euros (aproximadamente R$ 16.332). A nova norma foi instituída a partir de um decreto-lei que foi publicado no Diário da República na quinta-feira (27) e entrará em vigor dentro de quatro meses.

Foto: Pixabay

Além de casos de maus-tratos, a nova lei vai punir também tutores que não atualizarem o registro do animal em casos, por exemplo, de mudança de endereço. As informações são do portal “Público”.

Além disso, com o Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC), os gatos e furões serão obrigados a usar microchip de identificação. Outros animais, como coelhos, também podem ser microchipados. As informações registradas no SIAC serão colocadas em uma espécie de documento de identidade, que o tutor deverá ter em mãos toda vez que fizer qualquer deslocamento com o animal.

Os microchips só poderão ser implantados nos animais por veterinários. Os profissionais que não usarem aparelhos registrados no SIAC ou administrarem vacina contra raiva sem que o animal esteja previamente identificado, também poderão ser multados. Os chips custam, em média, 30 euros (R$ 131), valor que deve ser pago pelos tutores, que também precisarão arcar com o valor, ainda não definido, de uma taxa para que seja feito o registro no SIAC.

Os animais devem ser identificados até 120 dias após nascerem. Caso não se saiba a data de nascimento, a identificação e registo deverão ser feitos “até à perda dos dentes incisivos de leite”. Para aqueles que nasceram antes da data de vigor da legislação, os prazos variam entre um e três anos. No caso de cães bravos, trazidos de outros países, o registro precisa ser feito em um prazo de 10 dias, contado a partir da entrada no território nacional.

O governo afirmou que as medidas foram tomada com o objetivo de combater o abandono de animais.


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Família arrecada recursos para levar animais de Niterói (RJ) para Portugal

Uma família de Niterói, no Rio de Janeiro, está arrecadando recursos para pagar os custos do transporte de três cachorros e de um gato para Portugal. Os tutores dos animais, Marcelle Rebelo, de 43 anos, e Rodrigo Guerra, de 44 anos, mudaram de país em fevereiro devido a uma proposta de trabalho. Abandonar os animais, no entanto, jamais esteve nos planos do casal, que decidiu fazer uma mobilização para conseguir o dinheiro necessário para pagar a viagem dos cães e do gato.

Foto: Reprodução / O São Gonçalo

Marcelle, o marido e o filho de 9 anos do casal sentem muita falta dos cães Apolo, de 13 anos, Sol, de 13 anos, Brown, de 1 ano, e do gato Felix, de 1 ano. “Nós viemos para esse novo lugar mas nossa família só estará completa com a vinda dos nossos filhos de quatro patas. É muito doloroso saber que eles ficaram no Brasil. Não quero que sofram, quero conseguir trazê-los o mais rápido possível”, desabafou Marcelle ao portal O São Gonçalo.

Para transportar os animais até Portugal, documentos precisam ser devidamente preenchidos, taxas devem ser pagas, além do gasto com passagem aérea de uma pessoa de confiança, que levará os animais, e o preço das caixas de transporte adequadas, que tem alto custo. No total, a família precisa arrecadar R$ 7 mil. Para isso, decidiu recorrer a uma “vaquinha online”.

Foto: Reprodução / O São Gonçalo

“Nós já vendemos muitas coisas e estamos economizando o máximo, e é com esse dinheiro que conseguimos manter uma pessoa cuidando dos nossos animais no Brasil”, explicou a coach.

Para manter os cães no Brasil, o casal alugou uma casa, na qual Apolo, Sol, Brown e Felix estão vivendo. “Todo o esforço para dar esse amparo para aos nossos ‘filhos’ é porque sabemos como está sendo sofrido estarmos longe deles. Não quero que se sintam abandonados. Todos os dias eu choro, desenvolvi ansiedade e depressão nesse período”, lamentou Michelle, emocionada.

Urso pardo é encontrado após ser considerado extinto em Portugal

O Serviço Territorial de Meio Ambiente de Zamora anunciou, na quarta-feira (8), que o urso pardo, considerado extinto em Portugal, foi encontrado na Espanha.

Foto: Dreamstime

A descoberta veio após estragos serem registrados em várias colmeias na cidade de La Tejera. As autoridades chegaram a conclusão que um animal da espécie era o responsável.

“Dá-se a circunstância de ser a primeira vez, nos últimos dois séculos, em que a presença desta espécie no país vizinho é confirmada de maneira confiável”, revelam as autoridades espanholas. As informações são do portal Sol.

A Espanha decidiu, então, avisar Portugal sobre a presença do urso, devido à possibilidade do animal passar para o território português, algo que, de fato, acabou acontecendo.

O livro “Urso Pardo em Portugal – Crônica de uma Extinção” conta que o último animal da espécie a pisar no território português, segundo os registros, morreu em 1843. Já na Espanha, medidas foram adotadas após o urso pardo ficar ameaçado de extinção. Com isso, a situação foi revertida, os números de animais estabilizaram e a espécie não foi extinta.

Portugal aprova fim do plástico no comércio de pão, frutas e legumes

O Parlamento de Portugal aprovou por unanimidade, na quinta-feira (11), o projeto de lei que ficou conhecido como “Os Verdes”. A proposta proíbe o uso de plástico ultraleve e cuvete – pequeno tubo circular ou quadrado, selado em uma das extremidades, feito de plástico – no comércio de pão, frutas e legumes.

Foto: Pixabay

A medida será avaliada agora pela 11ª Comissão Parlamentar, que irá discutir eventuais alterações. O objetivo é colocar o projeto em vigor em junho de 2020. As informações são do “O Jornal Econômico”.

O texto da proposta estabelece a necessidade de encontrar alternativas aos sacos plásticos. O não cumprimento da medida implicará em multas, com valores que ainda serão definidos pelo governo.

A medida proíbe o uso de “sacos de plástico ultraleves – os sacos de plástico com espessura inferior a 15 mícron, disponibilizados como embalagem primária para pão, frutas e legumes a granel” e as “cuvetes – embalagem ou recipiente descartável, geralmente envolvido em plástico ou em poliestireno expandido (esferovite), destinado a agrupar ou acondicionar pão, frutas e legumes”.

A proibição beneficia o meio ambiente e os animais marinhos, já que o plástico polui a natureza e, ao chegar aos oceanos, adoece e mata animais que o confundem com alimento e o ingerem.

Marcha Animal une centenas de pessoas na luta pelos animais em Portugal

Vinte anos depois da primeira manifestação, a Marcha Animal deste sábado (6), que juntou centenas de pessoas nas ruas de Lisboa, em Portugal, arrancou de um ponto de partida diferente nos direitos conquistados, mas ainda com um longo caminho a percorrer.

Rita Silva, presidente da Associação Animal, que há 20 anos organiza a Marcha Animal em defesa dos direitos dos animais, não tem dúvidas de que foram duas décadas “com resultados”.

“As coisas não estão como estavam, não chega ainda, mas não estão como estavam há 20 anos, de todo”, disse à Lusa a ativista, que esta tarde foi uma das centenas de pessoas que se juntou frente à praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, de onde saiu a marcha com destino à Assembleia da República.

Tiago Petinga/LUSA

Faixas e cartazes com imagens chocantes de animais ensanguentados, acorrentados ou explorados para experimentação científica, e com frases como “Libertação Animal”, “Amas uns e comes outros?”, “E se fosse consigo?”, “As verdadeiras vítimas da moda”, numa alusão ao uso da pele dos animais em roupas, ou “A tauromaquia é doentia” representavam uma espécie de barricada com “o outro lado” que, ali mesmo ao lado, na praça de touros do Campo Pequeno, sem manifestações ou ativistas, marcava a sua posição com um enorme cartaz pendurado na fachada do edifício anunciando os nomes para a temporada tauromáquica de 2019 em Lisboa.

Rita Silva afirmou que a marcha começava naquele local “precisamente por uma questão simbólica”, uma vez que a Associação Animal se prepara para entregar no parlamento as mais de 20 mil assinaturas já recolhidas no âmbito da Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) que pede o fim do financiamento público à tauromaquia.

Mesmo depois de o parlamento ter rejeitado na atual legislatura propostas com esse objetivo, ou para proibir a exibição de touradas no canal público de televisão, ou ainda para não permitir a entrada a crianças nas praças de touros, Rita Silva diz que tem “bastante esperança” que a ILC “corra bem”.

“Até porque a iniciativa é pelo fim dos subsídios à tauromaquia, pelo fim dos dinheiros públicos à tauromaquia, que nós cremos que é a torneira que ainda mantém a tauromaquia de pé”, disse.

Para a presidente da Animal, há um “trabalho de sensibilização” a fazer junto dos deputados, sobretudo aqueles que “estão no ‘nim’”, ou seja, não escolheram um lado.

“Temos esperança, claro, que na próxima legislatura as coisas corram melhor, mas vamos ver”, afirmou.

André Silva, deputado do PAN — Pessoas, Animais, Natureza, está na Assembleia da República do lado dos que não precisam de ser convencidos pela argumentação de associações como a Animal e este sábado, na manifestação, declarou-se convicto de que haverá condições para mudanças na próxima legislatura.

“Nós acreditamos, até pelo debate que ocorreu, que na próxima legislatura haverá claramente condições nos vários partidos para que exista maior abertura para conferir mais proteção aos animais, em termos de entretenimento, e naturalmente na luta contra a tauromaquia, que é um resquício de uma atividade anacrônica e de outros tempos que não tem mais lugar na sociedade e nos valores do século XXI”, disse à Lusa.

O deputado disse esperar pela entrada da ILC no parlamento para que o PAN possa acompanhá-la com “diversas iniciativas legislativas” e para que “os partidos se posicionem em relação a essa matéria”.

As votações dos deputados no último Orçamento do Estado, contrárias às pretensões dos defensores dos direitos dos animais, e que, evocando a cultura nacional e a tradição, aprovaram medidas como a redução da taxa de IVA para 6% para a tauromaquia, não desmoralizam André Silva, que afirma que esses deputados correspondem a um conjunto de pessoas que “continuam presas a posições conservadoras”, que está “de costas voltadas para os cidadãos” e que já não representa o “sentimento geral da maioria da população”.

Ana Vitorino, uma manifestante estreante na Marcha Animal, mas há muito consciente de que é preciso olhar os animais “de outra forma”, parece dar razão à ideia do “sentimento geral” de André Silva.

“Se pararmos para pensar, vamos perceber que por baixo da palavra tradição estão violências exercidas contra os animais. Tradição serve para encobrir violência”, disse à Lusa, acrescentando que há uma corrente filosófica que defende que o século XXI será dos animais e a forma como os tratamos vai “ditar o nosso futuro”.

Aproveitando uma trégua da chuva que pontualmente foi marcando presença durante a tarde em Lisboa, a marcha arrancou do Campo Pequeno pelas 16:15 em direção ao Marquês de Pombal e com destino à Assembleia da República, com centenas de pessoas, entre as quais uma comitiva do PAN, e outra do Bloco de Esquerda, entoando quase em uníssono “direitos dos animais são fundamentais”.

Fonte: Observador