Príncipe William critica o tráfico e caça de animais selvagens

Por Rafaela Damasceno

O príncipe William, da Inglaterra, descreveu o tráfico e a caça de animais selvagens como um “crime maligno”. Sua crítica não se deve à prática em si, mas ao descumprimento da lei – já que a caça “legal” é uma de suas paixões.

Príncipe William usando terno e óculos escuros

Foto: Twitter

A declaração do príncipe foi feita na primeira reunião da força-tarefa da United For Wildlife. Liderada por William, a organização tem como objetivo lutar para salvar espécies ameaçadas como elefantes, rinocerontes, tigres e pangolins.

“Vamos fazer tudo o que pudermos para evitar a extinção das espécies mais fantásticas do mundo, ameaçadas pela caça ilegal e redes criminosas”, declarou.

Ele afirma que esteve presente em várias reuniões ao longo dos anos, onde todos discutem a importância de acabar com o comércio da vida selvagem. “Devemos começar a ver as pessoas envolvidas nesse crime maligno atrás das grades”, completou.

Apesar do forte repúdio do príncipe ao tráfico de animais e à caça ilegal perante a lei, a Família Real é constantemente criticada pela sua conhecida paixão pela caça (principalmente de raposa). A incoerência de seu discurso perante suas atitudes não pode deixar de ser notada pelo público, que rejeita o apoio que ele demonstra ter em relação a apenas alguns animais.

Em 2014, o antigo vocalista da banda The Smiths, Morrissey, criticou o príncipe por lançar uma campanha em favor dos animais logo após ter viajado para caçar javalis e veados, na Espanha.

O cantor ainda afirmou que William era ignorante demais para perceber que os animais como tigres e rinocerontes estão quase extintos porque pessoas como ele os atacaram continuamente em nome do esporte e da violência.


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Príncipe William diz que é preciso colocar traficantes de animais silvestres na prisão

Por David Arioch

“Embora tenhamos feito progressos, ainda estamos apenas tocando a superfície” (Foto: UFW)

Na semana passada, durante reunião da United For Wildlife, uma coalização formada por seis organizações que atuam em defesa da vida selvagem, o príncipe William foi convidado a comentar sobre o cenário atual do tráfico de animais silvestres.

Diante da plateia, ele declarou que é preciso fazer o possível para colocar traficantes de animais atrás das grades. A discussão girou em torno do comércio de partes de animais silvestres com as mais diversas finalidades.

William, que disse estar engajado na causa, também pediu mais apoio do setor privado para ajudar a combater o tráfico de animais. “Embora tenhamos feito progressos, ainda estamos apenas tocando a superfície”.

Ele lembrou também que desde que a coalização foi formalizada 52 investigações foram conduzidas pela United For Wildlife, culminando na prisão de 10 traficantes – o que William ressaltou como positivo.

Polêmica envolvendo caça de aves na Escócia

Em agosto do ano passado, o príncipe William se envolveu em uma polêmica quando ele e a duquesa Kate Middleton, levaram o príncipe George, de cinco anos, para participar de uma caçada de perdizes no Castelo de Balmoral, na Escócia.

A iniciativa gerou repercussão no Reino Unido e dividiu opiniões, considerando que, embora a caça seja considerada pela família real como uma atividade tradicional, a prática transmite para uma criança a ideia de que está tudo bem em matar algumas espécies de animais, mesmo que elas não representem qualquer ameaça.

Além dos pais, o garoto também estava em companhia da Rainha Elizabeth, do príncipe Charles e de outros membros da família real.

Segundo uma pesquisa encomendada pela League Against Cruel Sports e pela Animal Aid, 69% dos britânicos são contra a caça esportiva de aves, que em período de temporada culmina na morte diária de mais de 100 mil animais.

A prática, considerada cruel e desnecessária, estimula a criação anual de mais de 35 milhões de faisões e perdizes. Muitos desses animais são soltos na natureza para serem mortos por “esporte”.

“Embora haja alegações de que as aves são comidas, um grande número delas é descartada ou incinerada, porque há pouca demanda por carne de caça”, informa Chris Lufingham, diretor de campanhas da League Against Cruel Sports.