Cães ficam “preocupados” com seus problemas antes de dormir, diz estudo

Cachorros ficam “preocupados” com seus próprios problemas antes de dormir. É o que descobriu um estudo húngaro que analisou 16 cachorros de diferentes raças.

O estudo descobriu também que as dificuldades emocionais dos animais resultam em um sono de pior qualidade. As informações são da revista Galileu.

Foto: Pixabay

Os cachorros foram submetidos, com a ajuda dos tutores, a acontecimentos bons e ruins – como, no caso das coisas boas, receber carícias e brincar ou, como exemplo de experiência ruim, ficar preso em um cômodo por um tempo sendo ignorado pelo tutor e ter um pesquisador olhando diretamente em seus olhos.

Equipados com sensores, os cães foram autorizados a ir para um local para dormir após viver as experiências positivas e negativas. Os que ficaram estressados dormiram duas vezes mais rápido que os que estavam relaxado – comportamento já registrado antes.

Os que viveram experiências ruins registraram 20 minutos a menos, em média, de sono profundo, o que indica que a qualidade do sono deles foi inferior.

“Esse resultado fornece a primeira evidência direta de que os estímulos emocionais afetam a fisiologia do sono subsequente em cães”, afirmaram os pesquisadores.

“A descoberta de que tratamentos emocionais breves influenciam a macroestrutura do sono também sugere que a pesquisa do sono poderia ser implementada de maneira útil no campo do bem-estar canino”, completaram.


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Veterinários denunciam as condições abusivas em que são mantidos os golfinhos no zoo de Madrid

Golfinho no zoo e aquário de Madrid | Foto: SEA SHEPHERD CONSERVATION SOCIETY

Golfinho no zoo e aquário de Madrid | Foto: SEA SHEPHERD CONSERVATION SOCIETY

Em uma tarde comum no Zoo Aquarium de Madrid, três treinadores em roupas de mergulho se movimentam ao ritmo da música, enquanto os golfinhos são obrigados a fazer truques para a plateia que aplaude alienada ao sofrimento escondido por trás daquelas piruetas e saltos.

Uma narradora no microfone fala sobre os mamíferos marinhos, ela ressalta inteligência, anatomia, hábitos e o sorriso que nunca deixa seus rostos. Ela também fala sobre as ameaças que eles enfrentam na natureza.

Os sons agudos desses cetáceos despertam aplausos das crianças e de seus pais. Eles acham os golfinhos engraçados. Depois de uma hora, a música pára e a mulher despede os visitantes enquanto os golfinhos afundam sob a superfície da piscina semi-circular que eles habitam 24 horas por dia, 7 dias por semana. Os animais se retiram com seus sorrisos sempre presentes, que na verdade não são sorrisos.

O fato é que, mesmo que estivessem tristes, eles pareceriam estar sorrindo. Um relatório veterinário enviado à Seprona – o departamento de proteção da natureza da Guarda Civil Espanhola – conclui que os nove golfinhos do Aquário Zoológico de Madri estão, de fato, doentes. Eles têm problemas oculares e dois deles, Lala e Guarina, apresentam lesões na pele.

A Seprona aceitou a denúncia de uma associação espanhola chamada Proyecto Gran Simio (ou Projeto Grande Macaco) com base no relatório veterinário. Este grupo realizou uma investigação denominada Operação 404, sob o patrocínio da organização internacional Sea Shepherd Conservation Society. A investigação concentrou-se nas consequências de manter os animais em cativeiro, sendo os golfinhos de Madri um exemplo disso.

Pedro Pozas, diretor executivo do Proyecto Gran Simio, entregou fotos para as autoridades responsáveis juntamente com um vídeo e um resumo das conclusões do veterinário Agustín González, especialista em animais marinhos selvagens, com 15 anos de experiência trabalhando com cetáceos nas Ilhas Canárias. “Eu vi o relatório do veterinário e meu coração se partiu”, diz Pozas. “Então, decidimos apresentar uma queixa formal como representantes de uma organização de bem-estar animal.”

O relatório veterinário concluiu que os nove golfinhos-nariz-de-garrafa estão doentes por terem sido mantidos em cativeiro, embora o foco principal seja dois deles chamados Lala e Guarina. Todos eles têm problemas oculares, provavelmente devido ao contato constante com o cloro, enquanto os dois últimos também têm problemas severos de pele.

“Nas fotos, você pode ver claramente que um deles tem todo o seu corpo coberto por uma condição dermatológica ulcerosa que aparece na forma de crateras”, diz Pozas. “As lesões vão da cabeça até as costas e dali até a barbatana caudal. As lesões medem vários centímetros de diâmetro e estão em diferentes fases de desenvolvimento, desde inflamação, inchaço, eritema e caroços até úlceras profundas”.

As descobertas reacenderam o debate sobre se é ou não ético criar animais no cativeiro em uma piscina ou tanque quando seu habitat natural é o mar aberto. No que diz respeito à associação de bem-estar animal, isso é um abuso criminoso. Mas os gerentes do Aquário do Zoológico de Madri discordam das alegações e afirmam que estão “ajudando a proteger a espécie”.

Mas o veterinário González é categórico em sua postura. “É bárbaro”, diz ele. “Os golfinhos nadam uma média de 100 quilômetros por dia na natureza. Eles fazem muito exercício. Quando estão em cativeiro, dão voltas e voltas na piscina e vivem o dia todo no mesmo lugar onde comem e defecam. Eles precisam limpar a água com cloro porque vivem submersos em bactérias. É por isso que eles mantêm os olhos fechados”.

González continua explicando que os golfinhos são muito exigentes com quem passam o tempo. Eles escolhem seus próprios grupos, que são em torno de 80, e eles se comunicam usando sons agudos que, de acordo com o veterinário, ecoam das paredes da piscina e os enlouquecem aos poucos.

González está atualmente trabalhando em um centro veterinário em Málaga com animais domésticos, mas ele ainda se sente profundamente perturbado pelas imagens desses golfinhos em cativeiro. “Lala está coberta de úlceras”, diz ele. “É obviamente uma doença de pele. Você pode ver que algumas de suas lesões melhoraram e outras estão apenas começando a emergir e isso é muito doloroso porque a peles dos golfinhos é muito sensível. Idealmente, você faria uma biópsia e, é claro, impediria que eles trabalhassem. Porque quando eles estão se apresentando, não é só exercício que esses pobres animais estão fazendo, eles estão trabalhando por comida”.

Segundo González, a saúde de Guarina também é preocupante. “Ela está perdendo parte do nariz”, diz ele. “Imagine, os golfinhos não têm mãos; eles usam o nariz para tocar e é como se [o nariz] estivesse cru. Isso pode ter sido causado por um arranhão de uma roupa de mergulho dos treinadores ou por se bater contra as paredes da piscina”.

González diz que não consegue entender como o público pode aceitar ser cúmplice desse “abuso”, pagando a entrada, que custa em média 23,85 euros para um adulto e 19,30 euros para uma criança, especialmente quando você pode sair em um barco no mar aberto para observar os mesmos animais em estado selvagem. Ele acredita que o negócio funciona graças a ignorância das pessoas.

“O grande problema dos golfinhos é que eles parecem sempre estar felizes porque a anatomia lhes dá um sorriso”, diz ele. “Um golfinho triste simplesmente não parece triste. Eu tive que colocar um número de golfinhos que estavam sofrendo “para dormir”, mas que pareciam estar felizes. De fato, eles expressam felicidade pulando e nadando, e as pessoas não percebem que ele fazem isso para conseguir comida. Muitos deles ficam deprimidos e circulam ao redor de si mesmos o tempo todo. Alguns param de comer e, o que é pior, param de respirar porque respirar para golfinhos e baleias é voluntário, assim como acontece com os humanos. Então, quando eles não querem [fazer isso], eles simplesmente param. O famoso golfinho Flipper cometeu suicídio. Ele não aguentava mais e foi para a água e parou de respirar voluntariamente. Isso foi desencadeado pela vida em cativeiro”.

Seja em um zoológico ou em um aquário, a vida em cativeiro causa uma morte lenta e dolorosa aos animais, que nascidos livres jamais serão felizes presos em pequenos espaços – que não chegam a frações mínimas de seus habitats naturais – apenas para entretenimento tendo em vista os lucros obtidos com sua exploração.

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Pit bull com problemas de agressividade aprende a controlar seu medo de estranhos

Foto: Katy Brink

Foto: Katy Brink

Necessidades especiais nem sempre são óbvias. Às vezes os cachorros parecem normais à primeira vista, mas debaixo da superfície e da boa aparência eles podem precisar de um apoio especial, e um pouco de amor extra – e um desses cães é um pit bull chamado Lily.

Lily foi resgatada de um criador de quintal em Staten Island, Nova York (EUA), quando tinha apenas 4 meses de idade e foi levada pela ONG Fur Friends In Need, que rapidamente a colocou em um lar temporário.

O filhotinho de pit bull era apenas um bebê indefeso e assustado desde o início, e todos sabiam que não demoraria muito para que sua família definitiva aparecesse e a pegasse.

Foto: Katy Brink

Foto: Katy Brink

A família que proporcionou o lar adotivo para Lily tinha dois cachorros, e ela adorava brincar e se aconchegar com eles durante o tempo que passou lá – então, quando uma família que ja tinha um cachorro se candidatou para adotar Lily, pareceu o encaixe perfeito. A família do lar temporário se despediu da cachorrinha e a pequena Lily foi para sua nova casa e família adotante, no que parecia ser o final feliz perfeito.

Infelizmente, cinco meses depois, Lily estava de volta ao lar temporário – porque a cadelinha tinha algumas necessidades especiais ocultas que ninguém sabia antes.

Durante seu tempo que passou com sua nova família, Lily começou a mostrar sinais de agressividade com outros animais quando cães desconhecidos se aproximavam dela, e sua família não sabia como lidar com isso. Eles ignoraram o problema até que ele piorou muito, e finalmente decidiram devolver Lily ao abrigo.

Foto: Katy Brink

Foto: Katy Brink

Agora, Lily precisa de uma nova casa novamente, com uma família que entenda seus desafios e esteja disposta a trabalhar com ela neles, todos os dias.

Nos últimos seis meses, Lily ficou em um orfanato, onde ela tem trabalhado duro em seu tratamento para se tornar mais segura em torno de cães, quando estiver em novas situações e aprender a ser menos reativa na coleira. Ela adora aprender e fez um grande progresso.

Seus pais do lar temporário junto com a ONG The Franklin Angus Fund arrecadaram dinheiro para enviá-la a um programa de um mês no Instinct Dog Behavior and Training, um programa de reforço positivo – e o tempo que ela passou lá já fez muita diferença na vida de Lily.

Foto: Katy Brink

Foto: Katy Brink

Assim que a cadelinha começou o tratamento comportamental, seus novos professores começaram a descobrir o que estava causando seus problemas de comportamento, sua agressividade latente. Eles observaram que Lily ficava com medo e mais esquiva quando um cão que ela não conhecia se aproximava, o que fazia com que ela se tornasse reativa e agressiva.

Ela também é um cão extremamente excitável e sensível e tem problemas para se acalmar. Embora o medo de outros cães fosse muito intenso e ela precisasse de muita ajuda para lidar com ele, os professores de Lily puderam ver imediatamente como ela ao mesmo tempo estava ansiosa para agradar as pessoas ao seu redor e ficaram felizes quando essa ansiedade se traduziu em um lindo desejo de aprender.

“A Lily respondeu muito bem as aulas”, disse Amber Byleckie, a professora da cadelinha no instituto, ao The Dodo. “Ela foi absolutamente incrível, e muito dedicada. Ajudar Lily foi uma alegria absoluta porque ela aprendeu as coisas muito rapidamente, ela estava tão disposta a aprender. Possibilidades de cura com a Lily são enormes”.

Para ajudá-la a se acostumar a estar perto de outros cães, os professores de Lily ofereceram a ela reforços positivos, como brinquedos e guloseimas, sempre que um cachorro novo estivesse por perto.

Foto: Katy Brink

Foto: Katy Brink

Eles também trabalharam na construção de confiança dela e de quem estivesse lidando com ela, para que ela pudesse aprender a se concentrar em seu companheiro humano e ignorar o medo dos outros cães ao seu redor.

No final de seu treinamento, Lily fez grandes progressos, conseguindo fazer coisas que antes pareciam impossíveis para ela.

“No primeiro dia no instituto, Lily reagia aos cães colocados a uma grande distância (cerca de meio quarteirão dela”, disse Byleckie. “No final do tratamento, a Lily pôde ficar calmamente ao lado de outros cachorros a poucos metros dela e até fez caminhadas com grupos de cães”.

Foto: Katy Brink

Foto: Katy Brink

Lily sempre amou a companhia das pessoas mais do que tudo no mundo, e através de seu tratamento ela aprendeu que, se confiar em seus novos humanos, elas vão mantê-la segura e não deixarão nada de ruim acontecer com ela, mesmo com outros cachorros por perto.

“Você pode realmente vê-la pensando e tomando decisões que são difíceis para ela”, disse Katy Brink, mãe do lar temporário de Lily. “Ela costumava ver um cachorro e reagir imediatamente, tentando atacar. Agora ela checa como se estivesse perguntando: “Você pode me dizer o que fazer?”. Às vezes ela puxa a coleira ou late e você pode ver que ela realmente quer reagir e atacar, mas geralmente ela se concentra em sua pessoa mais próxima e relaxa. É possível ver o quanto ela tem se esforçado”

Embora o progresso feito por Lily seja maravilhoso, ela provavelmente ainda lutará com esses problemas pelo resto de sua vida, e tudo bem. A cachorrinha só precisa de uma família que entenda que ter um cão com necessidades especiais nem sempre significa cadeiras de rodas e fraldas – às vezes significa trabalhar com medos e ansiedades todos os dias. E mesmo que seja difícil às vezes, no final vale a pena, porque, apesar de suas dificuldades, Lily é única e trará tanta alegria para quem decidir torná-la parte de sua família.

Foto: Katy Brink

Foto: Katy Brink

“Ela realmente atrai as pessoas – eu acho que sua sensibilidade é o outro lado de ser reativa em relação aos cães”, disse Brink. “Ela pega tudo no ar. Mais do que a maioria dos cães, ela está em sintonia com o que você está fazendo ou sentindo e parece saber o quão boba e engraçada ela é. É por isso que algumas pessoas preferem sair com cachorros do que com humanos. Talvez as pessoas as deixem ansiosas, mas elas amam cachorros. Lily é assim, só que ao contrário: os cachorros a deixam ansiosa e ela é obcecada pelas pessoas”.

Não só cães, mas muitas pessoas lutam contra a ansiedade, é o caso de Lily. Ela sabe que é uma luta diária que vai exigir decisões constantes, e é possível vê-la lutando contra sua vontade de atacar.

Apesar de todo o progresso que ela fez, Lily precisará ser o único cachorro em sua futura nova casa. Desde que participou de seu programa de tratamento emocional, ela se tornou ótima com gatos e é a melhor amiga do gato que vive em seu atual lar temporário. Lily ainda muita energia pelo fato de ser um filhote e seria uma ótima parceira para correr ou brincar. Acima de tudo, ela quer apenas uma família que possa amar com muitos abraços e beijos, todos os dias pelo resto de sua vida.

“A nova família de Lily precisa estar preparada para muitos beijos babados, aconchego e muitas oportunidades de fotos hilárias”, disse Byleckie.

De volta a seu lar temporário novamente, Lily não pode mais brincar com seus irmãos adotivos, Sasha e Norman, da mesma maneira que costumava fazer. Ela tem que usar uma proteção contra mordidas sempre que estiver perto deles, e seus pais temporários estão ansiosos para que ela encontre finalmente uma nova casa onde seja a única cachorra, para que possa relaxar com as pessoas que ela ama, livre de estresse.