Startup vegana se prepara para entrar no mercado de laticínios a base de vegetais

Foto: Livekindly

Foto: Livekindly

Impossible Foods – fabricante do sucesso de vendas, Impossible Burger, um hambúrguer vegano “que sangra”, que além de parecer, cozinhar ainda tem gosto de carne de origem animal – está pronta para enfrentar a indústria de laticínios.

No início deste mês, a empresa vegana levantou 300 milhões de dólares em uma rodada de financiamento repleta de estrelas. A arrecadação envolveu investimentos de várias celebridades, incluindo o rapper Jay-Z, o ator Ruby Rose, a tenista Serena Williams e a cantora Katy Perry.

A maior parte do dinheiro arrecadado irá para a expansão da linha de produtos de carne vegana da Impossible Foods e para a melhoria da receita do Impossible Burger 2.0; que a empresa admite que o hambúrguer é melhor que o original, mas a marca acredita que pode levá-lo ainda mais ao paladar da carne de origem animal.

Além da carne vegana, parte do financiamento também pode ser usada para criar uma variedade de produtos lácteos à base de vegetais ou cultivados em laboratório.

O diretor financeiro da Impossible Foods, David Lee, disse ao Food Navigator que “nossa plataforma de P & D é sobre descobertas fundamentais que vão além de apenas um produto, embora ainda não tenhamos divulgado um cronograma dos novos produtos que estão por vir”.

Ele continuou: “Temos uma plataforma completa de laticínios com nossas capacidades de P & D (pesquisa e desenvolvimento), mas nosso foco é comercializar nossos produtos alternativos a carne primeiro. Ainda não anunciamos o lançamento de nossos primeiros produtos lácteos, mas fique atento”.

A Food Navigator relata que não está claro qual caminho a marca vai tomar quando se trata de fazer queijo ou leite. No entanto, uma patente foi publicada em abril de 2015, indicando que a Impossible Foods usaria nozes e sementes para uma coleção de produtos lácteos (sem leite).

O boom do mercado de laticínios veganos

A Impossible Foods estaria se juntando a um mercado em franca expansão com leite vegano e produtos de queijo (livres de leite). À medida que mais e mais pessoas abandonam os laticínios – por motivos de bem-estar animal, ambientais e relacionados à saúde -, as alternativas à base de vegetais estão crescendo em popularidade em todo o mundo.

Nos EUA, 48% dos consumidores consideram o leite vegano uma compra básica. No Reino Unido, um estudo recente da Alpro revelou que metade dos consumidores de café regularmente optam pelo leite sem laticínios em um café. “Não estamos falando mais de uma oferta de nicho, baseada em vegetais, agora is produtos veganos atingiram com solidez o mainstream”, disse Abbie Hickman, chefe de marketing do café da Alpro UK.

O Papa John’s, Domino’s e Pizza Hut estão entre as principais cadeias de pizzas que adicionaram queijo vegano a seus cardápios em vários países nos últimos meses, provando que a demanda está subindo continuamente. No Reino Unido, o Papa John’s vendeu todo o estoque de queijo vegano nas primeiras 24 horas de disponibilidade.

Startup neozelandesa anuncia desenvolvimento de mussarela vegana

Foto: Sweet Simple Vegan

Foto: Sweet Simple Vegan

Para muitas pessoas, há apenas uma única coisa que os impede de adotar uma alimentação totalmente baseada em vegetais: o queijo.

Mas uma startup neozelandesa está trabalhando em um projeto para remover completamente esse obstáculo; a New Culture está desenvolvendo sua própria “mozzarella” vegana, cultivada em laboratório.

De acordo com a marca, o novo produto não apenas rivalizará com queijo tradicional à base de laticínios, mas, eventualmente, terá um sabor ainda melhor.

Queijo de vaca sem a vaca

O fundador da empresa, Matt Gibson, um californiano que se mudou para Auckland, arrecadou 325 mil dólares em financiamento para o objetivo da New Culture. A incubadora de São Francisco IndieBio – especializada em marcas que criam um novo futuro em alimentos – investiu 200 mil dólares do total.

O próximo passo de Gibson é levantar 1,5 milhão de doláres, para colaborar no desenvolvimento de um processo de produção piloto e expandir sua pequena equipe de três pessoas, de acordo com o New Zealand Herald.

“Estamos produzindo queijo de vaca sem a vaca”, disse Gibson ao jornal. “Se você já conversou com um vegetariano ou com um flexitariano, você normalmente ouve que a primeira coisa que os impede de se tornar vegano é o queijo”.

“Há uma necessidade ainda não atendida por um bom e gostoso queijo vegano e esses consumidores conscientes e os consumidores que produtos baseados em vegetais serão nosso primeiro mercado”, acrescentou. “Depois, queremos capturar o principal mercado consumidor de laticínios com o nosso “queijo “, que será melhor tanto em sabor como em nutrientes que o queijo lácteo atual.”

New Culture acredita que sua mussarela vegana será melhor que a original feita a base de leite de vaca.

Por que as pessoas adoram queijo?

Por que as pessoas dizem que não podem viver sem queijo? Segundo alguns cientistas, pode ser porque o queijo pode realmente viciar.

Um estudo da Universidade de Michigan descobriu que o queijo contém altos níveis da proteína caseína, o que provoca no organismo uma reação similar a algumas drogas altamente viciantes.

A coautora do estudo, Nicole Avena disse à Men’s Health, “este é o primeiro passo para identificar alimentos específicos e propriedades desses alimentos, o que pode desencadear esta resposta viciante”.

Queijo vegano

Para aqueles que se sentem desconfortáveis com o pensamento de ser viciado em queijol, já existem marcas de queijo sem leite – como Violife, Sheese e Daiya – fazendo todos os estilos e sabores de queijo sem a caseína, a proteína “viciante”.

Para os mais afoitos que não podem esperar que a mussarela vegana da New Culture chegue ao mercado – o que pode levar cerca de dois anos, levando em conta o tempo para pesquisas, desenvolvimento e testes – é possível tentar fazer sua própria.

O Sweet Simple Vegan oferece uma receita para mussarela vegana, e de acordo com o blog da companhia eles são iguais, senão melhores, que os originais, com a vantagem de ser 100% veganos.

Quase 50% dos britânicos gostariam de se tornar veganos

De acordo com uma nova pesquisa, quase metade (45%) dos britânicos gostariam de ser veganos, mas dizem que não conseguem deixar de consumir de queijo.

O estudo foi realizado pela empresa de queijos vegana Violife e examinou algumas razões que impedem as pessoas de abandonar produtos de origem animal. As informações são do Plant Based News .

Descobriu-se que existem grandes equívocos em torno do que os veganos comem ou não, assim como a falta de conhecimento sobre os produtos alternativos disponíveis – por exemplo, 24% dos entrevistados não sabem que os produtos de queijo vegano derretido existem.

As dúvidas

Segundo os resultados da pesquisa, quase metade dos britânicos (45%) afirmam que gostariam de seguir um estilo de vida vegano, mas sentiriam falta do queijo demais. Outros produtos que eles perderiam seguindo uma dieta baseada em vegetais incluem carne (34%) e chocolate (11%).

Um grande número de entrevistados estava confuso sobre o que inclui uma dieta baseada em vegetais. Impressionantes 31 por cento acreditam que você não pode comer alface, com 22 por cento pensando que o mel é adequado, e seis por cento acreditam que os ovos são veganos.

Outras barreiras incluem pessoas que pensam que há uma falta de opções interessantes de comida (19%), dificuldade em planejar refeições (18%) e opções veganas sendo muito caras (16%).

Opções veganas

“Apesar da popularidade crescente do veganismo, muitos britânicos acreditam que não há alternativas veganas suficientes para manter o estilo de vida interessante e agradável”, disse Simon Orchard, gerente do UK Country da Violife.

Foto: Violife Brasil

“A Violife procura resolver essa questão oferecendo uma série de alternativas sem laticínios de excelente sabor que cortam, ralam e derretem como o queijo, facilitando para as pessoas desfrutarem de seus favoritos, como pizzas ou massas assadas, sem laticínios.”

 

 

Queijo pode ser viciante por causa de substância semelhante à encontrada em drogas

A função opiácea de substâncias encontradas em laticínios já havia sido identificada por pesquisadores da Universidade de Munique em 1992

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Michigan publicada na revista científica PLOS ONE, o queijo pode ser viciante por causa da atividade opiácea desencadeada pela casomorfina, que tem ação semelhante a de algumas drogas.

No estudo realizado com mais de 500 pessoas, os pesquisadores constataram que o peptídeo casomorfina, que surge a partir da fragmentação da caseína, a proteína do leite, pode ser o responsável por fazer com que as pessoas gostem tanto de queijo ou até mesmo se tornem dependentes desse consumo.

A pesquisa vai ao encontro de um estudo publicado em 1992 por pesquisadores da Universidade de Munique, na Alemanha, que revelaram que o peptídeo beta-casomorfina-7, encontrado no leite, atua como um opiáceo, o que pode gerar dependência.

Em síntese, quando uma pessoa consome queijo, a caseína se quebra no processo de digestão e dá origem à casomorfina. Então o opioide desencadeado pela caseína se liga aos receptores de dopamina e também favorece a liberação de endorfina, gerando sensação de bem-estar.

Fonte: Vegazeta