Quênia inicia campanha para proteger elefantes africanos

Por Rafaela Damasceno

O Quênia lançou uma campanha de preservação da vida selvagem, nomeada “O Comércio do Marfim é uma Fraude”, em um esforço para aumentar a conscientização e reduzir o comércio de marfim.

Um bando de elefantes na floresta

Foto: World Animal News

A campanha pede para que os elefantes africanos sejam incluídos na lista da CITES (Convention on International Trade in Endangered Species), que possui espécies ameaçadas de extinção. O movimento é apoiado por outros 31 estados africanos.

O Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta está equipado para detectar qualquer indício de vida selvagem (sejam pelos, marfim etc.) nas bagagens dos passageiros.

“A Autoridade Aérea do Quênia foi a primeira a assinar a declaração do Palácio de Buckingham, iniciativa internacional que compromete os responsáveis pelo transporte a colaborar na luta contra o tráfico de animais”, afirmou Isaac Awuondo, da Autoridade Aérea do Quênia (KAA, na sigla em inglês).

Como parte da nova campanha, 400.000 cartões de embarque foram produzidos com a mensagem “O comércio de marfim está destruindo o Quênia”.

A Kenya Airways e a UN Environment (ONU Meio Ambiente) também estão determinados em conscientizar a sociedade sobre a necessidade de uma conservação sustentável da fauna, distribuindo kits de educação infantil para os passageiros.

A ONU Meio Ambiente apoia os países africanos na luta pela preservação e proteção das espécies, bem como o combate ao comércio da vida selvagem, dando total suporte às comunidades locais.


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Jumentos podem estar extintos em 4 anos no Quênia

Matadouro de burros em Mogotio, Condado de Baringo no Quênia | Foto: NMG

Matadouro de burros em Mogotio, Condado de Baringo no Quênia | Foto: NMG

Se a taxa atual em que os matadouros de burros tem crescido e a demanda por carne de burro no Quênia continuar, o país pode não ter um único burro até 2023.

Burros (também chamado de jumentos) são animais extremamente inteligentes, capazes de memorizar situações, lugares e roteiros, criar vínculos e compreender o mundo ao seu redor. Assim como os cavalos muitos são mantidos como animais domésticos, devido à sua docilidade e carisma. Em alguns países de língua inglesa os burros machos são chamado de “jack”, uma fêmea de “jenny” ou “jennet”; já o burro mais jovem é universalmente conhecido como potro.

Curiosamente, os burros também podem se reproduzir com zebras, se assim o desejarem (machos e fêmeas da espécie demonstram receptividade aos pares) , e seus filhos são chamados de “zonkeys”. Mas parece que esses maravilhosos animais logo vão se extinguir no Quênia se a taxa de morte na espécie não for controlada.

Foto: africanexponent

Foto: africanexponent

De acordo com um relatório recente da Africa Network for Animal Welfare – Rede de África para o Bem-Estar Animal (ANAW, na sigla em inglês), o crescente aumento nos números de matadouros no Quênia ameaça acabar com o animal.

Em muitas partes da África, os burros se tornaram um substituto mais barato para a carne bovina, e isso aumentou drasticamente sua demanda. O animal também é vendido para muitos clientes desavisados no lugar da carne de boi, já que a carne de ambos os animais se parecem em sabor e textura.

O estudo realizado pela ANAW mapeia em números o problema com a classificação de burros e cavalos como animais de alimentação há sete anos.

Os relatórios afirmam que a legalização de burros e cavalos como carne de consumo levou ao estabelecimento de mais matadouros de burros para satisfazer a demanda crescente dos mercados locais e internacionais.

Como hoje, existem quatro grandes matadouros de burros no Quênia: Goldox Kenya Limited em Mogotio, Baringo County, Star Brilliant Matatto em Maraigushu em Naivasha, Silzha Ltd em Nakwaalele em Turkana e Fuhai Machakos Trading Company Ltd.

Os grupos de defesa dos direitos animais continuaram a pressionar pela retirada das licenças dos matadouros até que sejam tomadas medidas rigorosas para garantir a proteção dos animais que correm risco de extinção.

Eles acreditam que o comércio de carne e pele de burro deve ser interrompido até que sejam estabelecidos regulamentos adequados para garantir a proteção da espécie.

Foto: The Donkey Sanctuary

Foto: The Donkey Sanctuary

O relatório foi compilado por Josiah Ojwang, Dennis Bahati e Sebastian Mwanza da Rede Africana de Bem-Estar Animal; e Bernard Atsiaya da Sociedade do Quênia para a Proteção e Cuidado dos Animais.

“A maioria dos burros em Moyale vem da Etiópia através de pontos de entrada não oficiais”, diz o relatório.

Eles também querem uma repressão ao contrabando transfronteiriço de burros. O CEO da Brooke East Africa, Fred Ochieng, disse que as comunidades devem trabalhar juntas para lutar pela sobrevivência dos burros.

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Elefantes órfãos ganham vida nova graças ao orfanato que os acolhe e reabilita

Quando Enkesha foi encontrada em Masai Mara, no Quênia, em 2017, a tromba do elefante bebê havia sido quase cortada pela armadilha de arame que ficou enrolada em volta dela.

A elefantinha estava com dor intensa e em risco de perder o membro tão necessário para sua alimentação e a sobrevivência.

Ela foi submetida a uma operação de três horas e muitos cuidados posteriores, mas, dois anos depois, a tromba da filhote se recuperou bem. Quando a equipe de reportagem da CNN a viu no orfanato de elefantes da Sheldrick Wildlife Trust, em março de 2019, ela está com o resto do pequeno grupo – não medindo mais que quatro pés de altura – atravessando o mato e puxando a folhagem com suas trombas ágeis.

Foto: NBC News

Foto: NBC News

A armadilha que colocou em perigo a Enkesha é uma das mais de 150 mil ameaças removidas pela ONG desde que a entidade formou sua primeira equipe de remoção de armadilhas em 1999, como parte de seu trabalho contínuo para a proteção e conservação de habitats silvestres e selvagens no Quênia.

O orfanato de elefantes no Parque Nacional de Nairobi é o mais famoso dos nove programas da entidade. Fundado em 1977, foi a primeira organização do mundo a conseguir criar órfãos dependentes do leite de mamadeira e reintegrá-los de volta à natureza.

Como criar um elefante

“Com a ajuda do berçário que temos aqui, criamos mais de 244 elefantes”, disse Angela Sheldrick, diretora executiva da entidade, à CNN. Elefantes órfãos em consequência da caça, destruição de habitats e conflitos entre humanos e animais selvagens são resgatados pelas equipes de resgate e mantidos pelos cuidadores do orfanato.

“Quando você pega um filhote de elefante para criar, é um projeto de longo prazo”, explica ela, porque “suas vidas refletem as nossas próprias”. Um elefante de um ano é tão vulnerável e necessitado de cuidados quanto uma criança humana.

Foto: Siyabona

Foto: Siyabona

“Atualmente, temos 93 elefantes dependentes do leite de mamadeira”, diz ela. “Eles ficam conosco aqui no berçário nos primeiros três anos de vida. Depois que envelhecem, eles precisam de exposição aos grupos selvagens, porque no fim das contas, todo elefante que criamos volta para vida selvagem. Nós apenas os conduzimos pelos anos difíceis em que eles ainda dependem do leite”.

Leva tempo e paciência para ensiná-los a viver de forma independente. Diz Sheldrick. “Como nossos próprios filhos, eles não voam do ninho rapidamente. Eles precisam ter essa confiança.” O processo leva cerca de cinco anos, mas os ex-alunos do berçário estão florescendo. Existem agora cerca de 150 órfãos reabilitados, com 30 filhotes conhecidos vivendo por sua conta já.

O orfanato também “criou a mão” 17 rinocerontes. Um dos moradores mais populares do local é Maxwell, um rinoceronte que nasceu cego e depois foi rejeitado por sua mãe. Ele está em seu berçário que também sua “casa definitiva” desde 2007.

Alegres e divertidos

A entidade foi fundada há mais de 40 anos pela mãe de Angela, Daphne Sheldrick, em memória de seu falecido marido, o conservacionista David Sheldrick. Daphne faleceu no ano passado, enquanto a fundação é gerida por Angela desde 2001.

“Minha mãe foi uma pioneira, ela foi a primeira pessoa no mundo a criar um elefante bebê”, diz Sheldrick. “Foi difícil. Não se tinha a Internet; não se tinha o benefício de alguém ter feito isso antes. É impressionante o quão longe chegamos”.

Foto: National Geografic

Foto: National Geografic

O cuidador de confiança de Angela, Edwin Lusichi, está no berçario há 20 anos. Ele disse à CNN que trabalhar com elefantes é “importante, alegre e divertido, e você se sente relaxado ao lado deles”.

“É lamentável que o motivo deles terem ficado órfãos sejam os seres humanos”, acrescenta Edwin.

É nossa responsabilidade cuidar de nossos semelhantes, pelo o nosso planeta e para o futuro. “Nossos jovens nunca poderão vê-los se não os protegermos agora”, diz ele.

Nunca se esqueça

A fundação é aberta ao público por uma hora por dia, para que os visitantes possam conhecer os elefantes e aprender sobre as ameaças que a espécie enfrenta.

Órfãos podem ser adotados a partir de 50 dólares por ano e seus “pais” adotivos podem desfrutar de uma hora extra de visitas à noite.

Lusichi liderou o tour na noite que a reportagem da CNN visitou o local, apresentando os 21 elefantes, dois rinocerontes e uma girafa que residem no terreno da ONG.

Os elefantes adultos seguem em frente com suas vidas novas no Parque Nacional Tsavo East, o maior parque nacional do Quênia, mas o vínculo com aqueles que os criaram não está perdido.

“Eles nunca esquecem a bondade e o amor de que foram alvo e querem voltar”, diz Sheldrick.

“Os elefantes do sexo masculino menos que os demais pois eles viajam grandes distâncias e se tornam mais independentes – mas os grupos femininos são todos unidades familiares unidas. Eles nunca esquecem aqueles que os criaram”.

Quenianos saem as ruas contra o tráfico internacional de animais

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

Centenas de quenianos marcharam pelas ruas de Nairóbi, capital do Quênia na África para pedir a proibição dos mercados internacionais de animais selvagens especializados em espécies ameaçadas de extinção.

O secretário do gabinete de turismo do Quênia, e também líder da marcha, Najib Balala, disse que o protesto foi planejado em conjunto por várias coalizões da proteção à vida selvagem, durante meses.

Os organizadores informaram que mais de 500 pessoas marcharam pelos animais pedindo o fim da caça pelas ruas de Nairobi na manhã de sábado.

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

Algumas das coalizões incluídas na organização do evento foram Conselho de Administração do Serviço de Vida Selvagem do Quênia, o Serviço de Vida Silvestre do Quênia, o Conselho de Diretores da Wildlife Direct e os Líderes Mundiais do Conselho de Diretores.

“Pessoas de todo o Quênia vieram emprestar suas vozes pela conservação da herança da vida selvagem, que se tornou um desafio internacional”, disse Balala.

O enorme grupo caminhou por dez quilômetros, do Museu Nacional Quênia até o quartel-general do Serviço de Vida Selvagem em Lang’ata, gritando slogans e segurando cartazes pelo fim do comércio internacional de os animais.

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

“Este evento é voltado para impedir a caça de elefantes e rinocerontes e, posteriormente, o fim do comércio de marfim e chifre de rinoceronte, que é uma questão global”, disse ele.

Balala observou que entre 2012 e 2013, 400 elefantes foram mortos, enquanto em 2012 pelo menos 60 rinocerontes foram caçados.

De acordo com o presidente do SUSO, Peter Moll, os produtos da vida selvagem valem bilhões de dólares no mercado paralelo, um fator que levou à ganância humana a mirar o marfim de presas e chifres, fazendo rinocerontes e elefantes perderem batalha pela sobrevivência.

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

Moll disse ainda que os animais majestosos estão mais ameaçados hoje, em função do avanço da tecnologia, o que levou a métodos mais modernos de caça.

“Atualmente a caça utiliza meios sofisticados, como armas automáticas, helicópteros e equipamentos de visão noturna”, disse ele.

Outras ameaças à vida selvagem incluem; redes criminosas de ação internacional, degradação e aumento dos conflitos entre elefantes e humanos, perda de habitat dos animais e taxa de crescimento da população humana, causando um aumento do uso da terra para a agricultura e pastoreio, entre outros.

A marcha global é um evento internacional, com mais de cem países participantes.

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

O Quênia participa pela quinta vez com o slogan “No market to trade”.

Isso quer dizer simplesmente que enquanto a compra de produtos feitos de partes de vida selvagem seja proibida, a matança desses animais não vai terminar.

A marcha antecede uma reunião global sobre o comércio internacional de espécies ameaçadas no mês que vem, no Sri Lanka.

Balala disse que o evento deve ajudar na campanha pelas propostas que serão apresentadas pelo país na conferência da CITES.

O turismo da vida selvagem é um dos principais contribuintes para a economia do Quênia.

A CEO da WildlifeDirect, Paula Kahumbu, afirma que o uso de espécies ameaçadas de extinção para produzir medicamentos em algumas partes da Ásia está contribuindo para a queda vertiginosa dos números das espécies.

Quênia anuncia pena de morte aos caçadores de animais em extinção

Com menos mil rinocerontes negros na natureza e menos de 30 mil elefantes ambas as espécies estão em risco | Foto: Global March for Elephants

Com menos mil rinocerontes negros na natureza e menos de 30 mil elefantes ambas as espécies estão em risco | Foto: Global March for Elephants

No Quênia convive uma gama variada e rica de animais que vão desde elefantes, rinocerontes, girafas, até leopardos e chitas. Os dois primeiros estão entre os mais ameaçados em função de suas presas e chifres os tornarem alvos perseguidos incansavelmente por caçadores.

No país é ilegal matar animais em extinção, a Lei de Conservação da Vida Selvagem, criada em 2013, prevê uma sentença de prisão perpétua e multa de 200 mil dólares (aproximadamente 700 mil reais) para infratores, porém as mortes continuam acontecendo dia a dia.

Najib Balala, secretário de gabinete do Ministério do Turismo do país, declara que “as punições vigentes não tem conseguido o resultado esperado, ou seja, deter os caçadores”, o que resultou no anúncio de uma sentença bem mais dura aos infratores: a pena de morte. A medida gerou elogios daqueles que pediam por uma medida com impacto suficiente para salvar essas espécies de extinção, mas também críticas dos que são contra pena de morte.

A caça entrou em declínio no Quênia graças ao aumento da atenção dada a este assunto e aos esforços dedicados à aplicação da lei de proteção à vida selvagem. Em comparação com 2012 e 2013, a caça de rinocerontes na área diminuiu em 85% e a caça de elefantes em 78%. Mesmo com essa melhora, os animais ainda estão em perigo.

O número de rinocerontes negros no Quênia está abaixo de mil, enquanto a população de elefantes gira em torno de 34 mil animais. Em 2017, nove rinocerontes e 69 elefantes foram mortos por caçadores, o que já é suficiente para “virtualmente cancelar a taxa de crescimento da população em geral”, segundo a Save the Rhino (Salve os Rinocerontes, na tradução livre).

Os elefantes infelizmente são um dos alvos mais procurados pelos caçadores, pois suas presas de marfim são utilizadas em jóias, peças de decoração, estatuetas religiosas e outros objetos no Extremo Oriente.

Segundo a African Wildlife Foundation (AWF), até 70% do marfim traficado termina na China, onde é vendido por até mil dólares s libra (450 gramas). A China adotou uma proibição ao comércio de marfim que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2018, mas os mercados negros ainda resistem.

Os chifres de rinoceronte também são muito procurados por caçadores, pois crendices populares pregam de forma ignorante que eles teriam o poder de curar impotência, febre, câncer, ressaca e outras condições médicas.

Na realidade tudo isso não passam de crenças vazias, eles não curam nada disso, são feitos de queratina, mesmo material das unhas humanas. Chifres de rinocerontes são vendidos por cerca de 30 mil dólares (aproximadamente 100 mil reais) a libra (450 gramas). De acordo com AWF no ritmo de mortes que vêm acontecendo por caçadores, elefantes, rinocerontes e outras espécies da vida selvagem estarão extintos em algumas décadas.

Ajuda da Tecnologia

A caça na África é resultado de sindicatos do crime organizado, que “usam tecnologia de ponta e armas de alta potência para rastrear e matar muitos animais sem serem detectados”, afirma a AWF.

Óculos de visão noturna, lançadores de granadas e AK-47 , GPS e helicópteros de baixa altitude são todos equipamentos utilizados na matança.

Em um esforço único para revidar essas ofensivas, além de fazer da caça um crime punível com pena de morte, o Serviço de Prteção à Vida Selvagem do Quênia (KWS) planeja aumentar também o número de promotores dos crimes contra a vida selvagem.

Atualmente, apenas dois procuradores são responsáveis pelo país todo. Mas projetos anunciados prevêm que o número seja aumentado para 14, permitindo assim que os criminosos sejam apropriadamente processados. A medida sófoi possível graças a uma colaboração entre o Ministério Público do Quênia e a organização de conservação da vida selvahem Space for Giants (Espaço para os Gigantes, na tradução livre).

“Agora não só o KWS pode pegar os caçadores que exterminam a vida selvagem do Quênia, como será possível garantir que esses criminosos sejam condenados pelas leis do país”, disse Max Graham, da Space for Giants.

“Um guarda no exercício de sua função não deveria jamais ter que experimentar a frustração de confrontar um caçador preso por ele uma semana antes, andando livre novamente por causa de uma absolvição. Este é um passo crítico na batalha contra o comércio ilegal da vida selvagem”, desabafa ele.

Alguns animais, como os rinocerontes negros, estão tão criticamente ameaçados que as populações restantes foram enviadas para santuários, sob a proteção de guardas florestais armados.

Alguns guardas quenianos já estão trabalhando equipados com tecnologia avançada, como câmeras infravermelhas e térmicas, tanto portáteis quanto equipadas aos seus carros. As câmeras permitem que eles identifiquem caçadores e animais pelo calor de seus corpos a quase duas milhas de distância.

“No passado, nunca teríamos encontrado essas pessoas”, afirma Brian Heath, ativista e diretor do grupo de conservação em prol da vida selvagem Mara Conservancy. “Agora os caçadores estão dizendo por aí que não vale a pena sair à caça, porque a chance de ser pego está ficando cada vez maior.

Estas medidas se tornaram um grande obstáculo a ação dos criminosos”. Em outras áreas, como na África do Sul, onde vivem a maioria dos rinocerontes, eles foram transportados de avião das áreas propensas à caça para locais mais seguros, como o Botsuana.

Qual o futuro dos rinocerontes e elefantes ameaçados de extinção? 

Outra ameaça para os rinos e elefantes além da caça, é a perda de habitat. Estimativas apontam que estas espécies e outros herbívoros de grande porte, como os hipopótamos, estão em apenas 20% dos números que um dia já representaram na África.

Estas espécies requerem grandes extensões de terra para habitar e tem dificuldade em sobreviver em áreas fragmentadas. Mas seus habitats estão sendo destruídos pela ocupação humana incluindo contração de rodovias, áreas ocupadas para pecuária, cultivo de alimentos, etc..

Como seria o mundo sem elefantes e rinocerontes? O melhor seria nem ter que passar por isso, mas esta seria uma perda devastadora, já que ambas as espécies fornecem benefícios valiosos para o meio ambiente. Os elefantes, por exemplo, dispersam sementes em suas fezes enquanto viajam por longas distâncias, e os rinocerontes pastam em grandes quantidades de grama, ajudando a mantê-las curtas e facilitando o acesso aos alimentos a impalas, gnus e zebras.

Através de sua urina e fezes, elefantes e rinocerontes também deixam fontes de nutrientes concentrados no meio ambiente, beneficiando toda a paisagem.

Quanto ao que o futuro reserva, muitos estão esperançosos de que a posição do Quênia contra a caça transformará o país em um líder global de conservação no continente, ajudando a salvar essas espécies magníficas.

As informações acima foram consultadas nos sites The Independent e The Health Pet.

 

Diminui o número de animais em áreas de turismo no Quênia

O turismo dominado por jogos no Quênia enfrenta um futuro sombrio, já que a população de animais selvagens que atraem visitantes para o país continua a declinar rapidamente.

Cerca de 40.400 animais que estavam em registros até o final de 2016 não estavam disponíveis em 2017, indicam os dados mais recentes, destacando uma tendência que também deve preocupar os conservacionistas.

FILE PHOTO | AFP

Em 2017, cerca de 2,3 milhões de visitantes entraram nos vários parques nacionais e reservas de caça com o mini-orfanato de Nairóbi recebendo o maior número de 367.671 de 390.385 em 2016.

O último resumo estatístico divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas do Quênia mostra que populações de elefantes, búfalos, girafas e avestruzes diminuíram rapidamente nos últimos meses.

A redução de 2.000 no número de elefantes registrada no ano reverte a tendência de crescimento observada após 2015, quando sua população subiu 6.200 para atingir os 22.000 em 2016.

Também registrou uma queda acentuada a gazela do Grant, cuja população caiu para 106.500 de 112.100 em 2016. Eles vêm experimentando um aumento gradual desde 2013, quando o número 111.700, segundo dados oficiais.

DECLÍNIO PREOCUPANTE

As zebras também tiveram seu declínio com 5.500 mortes de zebra de Burchell e outras 300 mortes da Gravy’s Zebra registradas no ano capturado.

Cerca de 3.000 impalas morreram, enquanto a população de gazelas de Thomson caiu para 2.100.

Gnus, que fazem a famosa migração no Maasai Maara todos os anos, tiveram sua população reduzida em 12.000 para 228.000 em 2016. Eles foram 276.000 em 2013, causando a maior queda de população em meia década.

Havia 1.500 menos avestruz nos animais amostrados.

Em agosto de 2018, um cientista queniano baseado na Alemanha soou o alarme sobre o declínio das populações de animais selvagens no Quênia, atribuído principalmente aos conflitos entre humanos e animais selvagens e as mudanças climáticas.

O dr. Joseph Ogutu, um estatístico sênior da unidade de Bioinformática da Universidade de Hohenheim, na Alemanha, disse que a gazela, o javali e o orixx da Thomson, entre outros, estão sob grave ameaça e diminuíram em mais de 70%.

Fonte: Daily Nation

Uma ameaça crescente à vida selvagem: eletrocussão

A África do Sul é um país de fazendas, reservas e parques nacionais, muitos deles cercados por quilômetros de cercas elétricas. O bloqueio impede a entrada de animais e humanos indesejados e protege o gado e a vida selvagem que ali habita mas também tem um efeito colateral letal: ela mata pequenos animais, particularmente pássaros e répteis, primatas, girafas , elefantes africanos , leopardos , búfalos e rinocerontes brancos.

Uma mulher rezou sobre os corpos de dois elefantes asiáticos que foram eletrocutados em Siliguri, na Índia. Foto: Diptendu Dutta / Agência France-Presse – Getty Images

Os Tripwires são grandes vilões nos incidentes. Posicionados a cerca de meio pé do chão, os fios enviam um zumbido para leões famintos e suínos selvagens.

Mas nem todas as criaturas simplesmente dão as costas. As tartarugas que atingem um tripwire retiram seus cascos em vez de recuar, os pangolins enrolam-se sobre o arame como uma bola. Os animais ficam parados, chocados até que seus corações parem. As informações são do The New York Times.

“Os agricultores que caminham ao longo de cercas e encontram de seis a oito tartarugas mortas em 100 metros”, disse Luke Arnot, cirurgião veterinário e professor da Universidade de Pretória. “Com as tartarugas, tendemos a pensar em caça furtiva e incêndios florestais, mas as cercas elétricas são tão grandes, se não um problema maior.”

Um estudo de 2008 , cerca de 21.000 répteis na África do Sul são mortos a cada ano após entrarem em contato com cercas elétricas. O Dr. Arnot tenta alertar, publicando artigos em revistas agrícolas e de pecuária que detalham soluções práticas e baratas e elaborando diretrizes amigáveis ​​para a vida selvagem na  instalação de cercas elétricas.

As soluções são simples: por exemplo, elevar os tripwire para fora do chão, ou transmitir a corrente sonora somente à noite, quando há predadores por perto.

“Essas cercas têm a capacidade de dizimar populações inteiras e estão fazendo isso”, disse ele. Mas a ameaça à vida selvagem “ainda não é algo que muita gente pensa”.

De acordo com o The New York Times, a África do Sul não é o único país que enfrenta o problema e não são apenas as cercas que matam. As linhas de energia estão sendo amarradas aleatoriamente nos países pobres; estes também eletrocutam animais e as colisões, por si só, costumam ser fatais para as aves.

“Há estudos de todo o mundo que documentaram isso como um problema”, disse Scott Loss, ecologista da Universidade Estadual de Oklahoma.

A eletrocussão afeta uma variedade diversa de espécies e pode comprometê-las. Nos países do sul da África, a eletrocussão é considerada uma das principais ameaças aos abutres-do-cabo ameaçados de extinção e aos abutres de dorso branco, extremamente ameaçados.

Na Ásia Central, a eletrocussão mata cerca de 4.000 falcões Saker ameaçados a cada ano. Nos Estados Unidos, Dr. Loss e seus colegas estimaram que dezenas de milhões de aves são mortas por linhas de energia a cada ano.

Os cientistas ainda não estão certos do quanto uma eletrocussão representa de ameaça para muitas das espécies afetadas. “Aves de conservação, como os falcões de cauda vermelha e águias-douradas, estão morrendo de eletrocussão, mas não temos uma ideia concreta de como essa fonte de mortalidade está contribuindo para as mudanças nas populações dessas espécies, se for o caso”, disse Dr. Perda disse.

Fazer estimativas confiáveis ​​é especialmente difícil em áreas mais selvagens, porque os predadores rapidamente farejam as carcaças, disse Simon Thomsett, um ornitólogo e administrador do Bird of Prey Trust do Quênia.

“Em áreas de vida selvagem no Quênia, hienas e outros animais fazem caminhos para as linhas de energia para chegar às aves mortas”, disse ele.

Animais eletrocutados também não são necessariamente mortos no local. As aves podem ser atingidas, disse Thomsett, e depois voar a centenas de quilômetros de distância para morrer uma ou duas semanas depois, quando seus membros danificados se atrofiam e se tornam necróticos.

“Isso torna impossível enumerar o número de mortes”, disse Thomsett. “Mas eu acho que esta é uma ameaça crescente e que é enormemente subestimada pela maioria dos conservacionistas da vida selvagem, guardas e gerentes de conservação.”

Até mesmo grandes animais estão ameaçados. Mais de 100 elefantes asiáticos em risco de extinção já foram mortos por eletrocussão no estado de Odisha, na Índia, durante 12 anos, principalmente por contato com linhas de energia. Girafas , elefantes africanos , leopardos , búfalos do Cabo e rinocerontes brancos também foram eletrocutados em vários países.

Primatas são vítimas frequentes. Pelo menos 30 espécies e subespécies, metade das quais estão ameaçadas de extinção, são afetadas por eletrocussão na Ásia, África e América Latina. “Este é um problema generalizado, mas também é pouco notificado e estudado, para que se possa saber sobre mais espécies afetadas”, disse Lydia Katsis, recém-formada pela Bristol Veterinary School, na Grã-Bretanha.

Em julho, Katsis publicou uma pesquisa no International Journal of Primatology identificando os principais pontos de eletrocussão para cinco espécies de primatas em Diani Beach, no Quênia. A eletrocussão é responsável por até 20% dos casos de mortalidade e lesão de primatas registrados na Colobus Conservation, um grupo sem fins lucrativos com sede na cidade.

Em geral, os primatas que são eletrocutados morrem na hora ou pelo impacto de uma queda, mas se eles sobreviverem ao choque inicial, eles podem sucumbir mais tarde a infecções secundárias de ferimentos horríveis causados ​​pelo choque, disse Katsis.

Além dos custos de conservação, os animais que entram em contato com linhas de energia ou outras infraestruturas elétricas extraem um custo econômico significativo. Em 2016, por exemplo, um macaco vervet causou um blecaute nacional no Quênia depois de tropeçar em um transformador, cortando energia para cerca de 4,7 milhões de residências e empresas.

“Os animais causaram interrupções e danos à infra-estrutura no valor de bilhões de dólares”, disse Constant Hoogstad, gerente sênior de parcerias do setor no Endangered Wildlife Trust, uma organização de conservação sem fins lucrativos na África do Sul. “Estimamos que 60% das falhas e interrupções na linha na África do Sul estão relacionadas à vida selvagem.”

Hoogstad e seus colegas trabalham diretamente com a Eskom, fornecedora estatal de eletricidade da África do Sul, para realizar várias estratégias de mitigação. Isso inclui tornar as linhas de energia mais visíveis para os pássaros, isolar os condutores nos topos dos postes e projetar postes para que as aves não possam entrar em contato com os componentes ativos.

“É realmente importante ressaltar esse problema”, disse Hoogstad.

Os resultados são imprevisíveis. Para algumas espécies, como a abetarda de Ludwig, as intervenções para reduzir as colisões com linhas de força tiveram pouco sucesso. Para outros, incluindo guindastes azuis e flamingos, a mortalidade pode ser reduzida em 90% ou mais.

Por que essas medidas funcionam para algumas espécies e não para outras é “a pergunta de um milhão de dólares”, disse Hoogstad, que seus colegas de pesquisa estão trabalhando para responder.

Os esforços da Endangered Wildlife Trust estão sendo replicados na Jordânia, Namíbia, Tanzânia e Austrália. Nos Estados Unidos, o Comitê de Interação da Linha de Energia Aviária, uma organização sem fins lucrativos cujos membros incluem mais de 50 empresas de serviços públicos, também trabalha para reduzir as mortes de aves.

A maioria dos outros países não possui tais iniciativas e em muitos lugares o problema só piora, alertou Thomsett.

No Quênia, por exemplo, as linhas de energia estão sendo instaladas rapidamente, geralmente em áreas protegidas e ao longo das principais rotas de migração usadas ​​por aves. Em outubro de 2018, os colegas de Thomsett encontraram os restos eletrocutados de uma águia marcial ameaçada de extinção – a maior águia da África – sob as linhas de energia recém construídas perto da Reserva Nacional Masai Mara.

A jovem ave era uma das que os conservacionistas conheciam: eles haviam marcado apenas sete meses antes, como parte de um estudo de longo prazo sobre a ecologia e a sobrevivência da espécie no Quênia.

“O terrível das linhas de energia é que cada uma delas vai matar”, disse Thomsett. “Mas as pessoas daqui dizem que não se importam porque precisamos desenvolver nosso país”.