Acariciar animais reduz níveis de estresse, revela estudo

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, concluiu que acariciar animais diminui os níveis de estresse das pessoas. Apenas 10 minutos fazendo carinho em um cachorro ou gato são suficientes para reduzir o cortisol, principal hormônio ligado ao estresse.

Foto: Pixabay

Para o estudo foram observados 249 universitários, divididos em quatro grupos. Um deles interagiu com animais por 10 minutos, outro apenas observou. O terceiro grupo viu fotos de animais em um slideshow e o quarto ficou na lista de espera sem ter contato com os animais, mas tendo ciência de que se aproximariam deles em breve.

Os pesquisadores analisaram a saliva dos participantes antes e depois de instruções serem passadas a eles. Todos os grupos registraram redução do cortisol, mas o que apresentou maior diminuição dos níveis do hormônio foi o que teve contato direto com os animais. As informações são do portal Metrópoles.

“Nós já sabíamos que os alunos gostam de interagir com os animais e que isso os ajuda a experimentar emoções mais positivas”, disse a coautora do estudo Patricia Pendry, em entrevista ao site oficial da universidade.

Segundo ela, a novidade do estudo está em mostrar que o contato com animais tem efeitos que não são apenas subjetivos. “Isso é empolgante porque a redução dos hormônios do estresse pode, ao longo do tempo, ter benefícios significativos para a saúde física e mental”, afirmou.

Os pesquisadores consideraram os resultados do estudo bastante positivos. Eles pretendem publicar um artigo sobre o assunto até o final de 2019.


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Restam apenas 250 mil chimpanzés no continente africano

Restam apenas 250 mil chimpanzés na África. O número, quando comparado ao que foi registrado há 10 anos, quando cerca de 2 milhões desses animais viviam em 25 países do continente africano, expõe uma grave queda na população da espécie.

Foto: Pixabay

A diretora adjunta do Instituto Jane Goodall, Laia Dotras, afirmou à agência EFE o declive populacional drástico que os chimpanzés vivenciam é provocado “sobretudo pela perda do habitat” devido à “exploração de madeira e recursos minerais”. A espécie é vítima também da caça.

Segundo Dotras, essa é “uma das maiores crises de biodiversidade” atuais e se não forem tomadas medidas urgentes, os chimpanzés “não tardarão a desaparecer”. As informações são do portal Público.

A diretora afirma que é “essencial educar e fazer entender os problemas socioambientais locais” para evitar a extinção da espécie. Para “assegurar a sustentabilidade a longo prazo”, Dotras sugere que seja incentivado o desenvolvimento sustentável em diferentes regiões africanas.

“A pobreza e o desconhecimento induzem muitos africanos a usar os recursos do seu meio ambiente de forma insustentável”, asseverou Dotras, que citou como exemplo o desmatamento, que faz com que áreas fiquem “quase desertas e a terra já não se pode aproveitar para cultivar”.


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Confira a lista das 67 unidades de conservação que Bolsonaro quer reduzir

Foto: Pixabay

Mais de 60 unidades de conservação brasileiras são alvo de uma proposta de redução do governo Bolsonaro. A justificativa para tal retrocesso é de eliminar “interferências” com estruturas existentes e dar “segurança jurídica” para empreendimentos como estradas federais, ferroviais, portos e aeroportos.

O governo está trabalhando em um projeto de lei sobre o tema. Escrito pelo Ministério de Infraestrutura, com apoio da pasta do Meio Ambiente – que é chefiada por Ricardo Salles, conhecido pelo desmonte promovido contra os recursos naturais -, o texto deve ser encaminhado ao Congresso nas próximas semanas. As informações são do jornal Estadão.

No projeto constará a lista de florestas que Bolsonaro pretende reduzir, aumentando o desmatamento e afetando negativamente a natureza, os animais e, indiretamente, os humanos, já que a vida humana também depende de um meio ambiente equilibrado.

Confira abaixo a lista das unidades de conservação que podem ser afetadas:

Unidades de proteção integral margeadas por rodovias federais

Estação Ecológica de Iquê
Estação Ecológica de Murici
Estação Ecológica de Tamoios
Parque Nacional da Chapada Diamantina
Parque Nacional da Serra do Itajaí
Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba
Parque Nacional de Boa Nova
Parque Nacional do Itatiaia
Parque Nacional de Paccas Novos
Parque Nacional de Catimbau
Parque Nacional do Iguaçu
Parque Nacional do Jamanxim
Parque Nacional Mapinguari
Parque Nacional Nascentes do Lago Jari
Reserva Biológica das Araucárias
Reserva Biológica das Peróbas
Reserva Biológica de Poço das Antas
Reserva Biológica Guaribas

Unidades de proteção integral interceptadas por rodovias federais

Estação Ecológica do Castanhão
Estação Ecológica do Taim
Monumento Natural do Rio São Francisco
Parque Nacional Cavernas do Peruaçu
Parque Nacional da Amazônia
Parque Nacional da Serra da Bocaina
Parque Nacional da Serra da Capivara
Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Refúgio de Vida Silvestre de Boa Nova
Parque Nacional de Ilha Grande
Parque Nacional de Itatiaia
Parque Nacional do Iguaçu
Parque Nacional do Pico da Neblina
Parque Nacional Mapinguari
Parque Nacional da Serra Itabaiana
Reserva Biológica de Sooterama
Reserva Biológica do Rio Trombetas
Reserva Biológica do Tinguá
Reserva Biológica União

Unidades de conservação de uso sustentável interceptadas por rodovias federais (exceto APA)

Floresta Nacional de Balata-Tufari
Floresta Nacional de Goytacasez
Floresta Nacional de Lorena
Floresta Nacional de Saracá-Taquera
Floresta Nacional de Três Barras
Floresta Nacional de Mário Xavier
Reserva Extrativista Rio Cajari
Reserva Extrativista Ioaú-Anilzinho
Reserva Extrativista Riozinho da liberdade

Unidades de conservação de uso sustentável margeadas por rodovias federais

Floresta Nacional de Brasília
Floresta Nacional de Passo Fundo
Floresta Nacional de Tapajós
Floresta Nacional de Mário Xavier
Reserva Extrativista do Lago do Capanã Grande

Unidades de conservação integral interceptadas por ferrovias

Parque Nacional da Tijuca
Reserva Biológica das Araucárias
Reserva Biológica de Poços das Antas
Reserva Biológica União

Unidades de conservação integral margeadas por ferrovias

Parque Nacional Restinga de Jurubatiba
Parque Nacional de Sete Cidades
Parque Nacional dos Campos Gerais

Unidades de conservação de uso sustentável margeadas por ferrovias

Área de Relevante Interesse Ecológico Capetinga-Taquara

Unidades de conservação de uso sustentável interceptadas por ferrovia (exceto APA)

Floresta Nacional Contendas do Sincorá
Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
Floresta Nacional de Carajás
Floresta Nacional de Ipanema
Floresta Nacional de Lorena
Floresta Nacional de Passo Quatro
Floresta Nacional do Ibura
Floresta Nacional de Ritápolis


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Espécies de animais podem diminuir em 25% devido à ação humana, diz estudo

Pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, concluíram que as espécies de animais podem sofrer uma redução de 25%, no próximo século, devido à ação humana. O estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Foto: Pixabay

Com o aumento da população de seres humanos, áreas originalmente ocupadas por animais podem passar a ser usadas pelas pessoas – como já tem acontecido há bastante tempo. As informações são do portal All That’s Interesting.

A redução do habitat dos animais, segundo o estudo, pode levar muitos deles à extinção. Os mais pequenos, que ocupam menos espaço, terão mais chances de sobreviver, enquanto os grandes mamíferos e as aves serão, provavelmente, os mais afetados.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores estudaram a massa corporal, o tamanho da ninhada, o habitat, a dieta e a vida útil de mais de 15 mil mamíferos e aves. Depois, as informações obtidas foram cruzadas com o conteúdo da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza.

“De longe, a maior ameaça aos pássaros e mamíferos é a humanidade – com os habitats a serem destruídos devido ao nosso impacto no planeta, como desmatamento, caça, agricultura intensiva, urbanização e os efeitos do aquecimento global”, disse o autor do estudo, Rob Cooke.

O estudo concluiu ainda que as espécies com mais chances de sobrevivência são as que se alimentam de insetos, têm grandes ninhadas e suportam diferentes tipos de clima.

“O ‘encolher’ substancial de espécies que previmos poderia gerar impactos negativos adicionais para a sustentabilidade a longo prazo da ecologia e da evolução”, acrescentou Cooke.

Além da perda direta de espécies, se animais como o rinoceronte e o condor desaparecerem, outros também irão sofrer de maneira indireta. “Se os perdermos, outras espécies que dependem deles também podem ser extintas”, explicou o cientista.


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São Paulo faz acordo internacional para reduzir plásticos descartáveis

A Prefeitura de São Paulo deve anunciar, nas próximas semanas, um acordo internacional feito pela cidade para a redução de plásticos descartáveis. Um projeto que proíbe todos os plásticos de uso único também tramita na Câmara Municipal e outra proposta, que proíbe canudos plásticos, aguarda a aprovação, já prometida, do prefeito Bruno Covas (PSDB).

Rosley Majid / EyeEm/Getty Images)

O acordo internacional que a capital paulista integra é o Compromisso Global para a Nova Economia do Plástico, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Prefeitura de São Paulo assinou o acordo no final do mês de março, mas deve divulgá-lo apenas no próximo mês. As informações são do portal Exame.

As metas do acordo serão determinadas pela prefeitura. Entre as ações, São Paulo deve adotar ações para eliminar o uso de embalagens de plástico desnecessárias e incentivar modelos de reciclagem do plástico. O objetivo é melhoras os índices de reciclagem da cidade, que atualmente estão abaixo de 10%.

Trata-se da primeira cidade do continente a integrar o acordo, que tem os governos do Chile, do Peru e de Granada, no Caribe, como signatários. Em outros países, projetos semelhantes têm sido promovidos. Em 2018, a União Europeia estabeleceu como meta banir o uso de canudos e outros produtos plásticos até 2021. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a proibir os canudos.

No caso do projeto aprovado na Câmara Municipal de São Paulo em abril, fica proibida a distribuição de canudos plásticos em restaurantes, bares, hotéis e salões de eventos. O texto sugere a substituição do produto por outro feito de material descartável, como de papel reciclável ou material biodegradável.

Apesar de ter apoiado a medida, o prefeito ainda não a sancionou. Ele precisa, também, regulamentar a lei e decidir, por exemplo, a quem caberá fiscalizar a lei e aplicar as multas, que vão de R$ 1 mil a R$ 8 mil.

Outro projeto sobre a proibição dos plásticos tramita na Câmara. De autoria do vereador Xexéu Trípoli, o PL 99/2019 proíbe “o fornecimento de copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas e varas para balões de plásticos descartáveis” nos locais em que a distribuição dos canudos foi banida. As penalidades para o descumprimento da medida são as mesmas.

Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), colocou-se favorável aos projetos e disse “qualquer medida para o meio ambiente tem o nosso apoio”, mas afirmou que “essas medidas precisam ser bem discutidas, com prazos para a adequação”.

Resíduos sólidos

O lixo produzido e coletado em São Paulo é levado para o Aterro São João, na Zona Leste do município. Apesar de não ser levado para perto do mar, especialistas dizem que é um equívoco acreditar que o acúmulo de plástico no meio ambiente não tem relação com o lixo produzido em São Paulo.

“O problema não é o lixo que vai para o aterro. É o que não é coletado, que é jogado nas ruas, não é recolhido, e vai parar em córregos e rios”, diz o professor de Engenharia Ambiental da USP Ronan Contrera.

Canudos de aço inox

Canudos de aço inox são oferecidos para os clientes que fazem questão de utilizar o produto no restaurante de comida natural Estela Passoni, na Zona Oeste de São Paulo. O local foi inaugurado há dois anos e nunca trabalhou com canudos de plástico.

“Nunca foi um problema, mas o fato de estar aqui em Pinheiros ajuda”, diz Mariana Passoni, de 34 anos, uma das sócias do restaurante localizado na Rua Joaquim Antunes. No bairro onde o estabelecimento está é comum, entretanto, encontrar bares e restaurantes que, até devido à consciência ecológica do público, oferecem canudos biodegradáveis. Já no restaurante de Mariana, os canudos de aço inox são um sucesso e a versão dobrável deles é vendida a R$ 55.

Na prateleira do restaurante, há também copos de silicone. Uma sorveteria na Rua dos Pinheiros também já ofereceu desconto de 10% para clientes que levam potes de casa para consumir a sobremesa e trocou as pazinhas de plástico por outras, de madeira. O canudo usado no local é de papel.

“Os clientes mesmo não aceitam mais os canudinhos de plástico”, diz Adenilson Santos, maître do Le Jazz, na mesma região. Na Choperia São Paulo, há quatro meses os canudos de plástico foram banidos, tendo sido substituídos por canudos feitos de cana-de-açúcar, ideia que partiu do barman Elivaldo Campos, de 40 anos.

O cenário deu origem, inclusive, à campanha Recicla Pinheiros, que dá um selo a estabelecimentos que descartam o lixo de forma consciente, possuem pontos de coleta e oferecem experiências sustentáveis, como oferecer água do filtro aos clientes. “Queremos ser o bairro mais sustentável de São Paulo”, resumem os organizadores. Quarenta e oito locais já receberam o selo.

Os organizadores pretendem, em julho, ter um mapa que indique a localização das lojas que receberam o selo. “A meta, que é ter lixo zero, está repercutindo dentro dos estabelecimentos”, diz Vanêssa Rêgo, presidente do Coletivo Pinheiros, associação da qual fazem parte 80 estabelecimentos.

“Pinheiros reúne uma comunidade com um pouco mais de consciência”, diz Paula Gabriel, diretora de comunicação corporativa da TriCiclos, empresa de economia circular e gestão de resíduos que está entre as organizadoras da campanha. Atitudes como abrir pontos de coleta de pilhas podem ser replicadas facilmente, segundo Paula.

Na Vila Madalena, clientes costumam pedir bebidas sem canudo no Boteco do Urso. Outros, levam os próprios canudos, de aço inox. No Astor, na mesma região, o bar lançou canudos feitos de macarrão e brincou: “teremos macarrão ao suco”. O local prometeu fornecer a versão de papel para os intolerantes a glúten.

No Pasquim, os canudos de papel chegara há dois meses. “A maioria dos frequentadores aceita sem resistir”, diz Ricardo Tudeia, gerente do bar. No entanto, ainda segundo Tudeia, o novo produto pode custar 600% a mais que o feito de plástico e, às vezes, se desfaz com a bebida, o que faz com que o bar tenha que repor o canudo para o cliente.

Brasileira receberá prêmio por propor soluções para reduzir atropelamento de animais

A bióloga brasileira Fernanda Abra, de 33 anos, que em dez deles tem trabalhado em prol dos animais, percorrendo vias do Brasil e propondo soluções para reduzir o atropelamento de animais nas estradas, está entre os vencedores do prêmio Future for Nature. A cerimônia de premiação será realizada na próxima sexta-feira (3), em Amsterdã, na Holanda.

O prêmio homenageia jovens pesquisadores que trabalham pela proteção de animais e plantas. Fernanda, uma das pessoas escolhidas pela Fundação Future for Nature, irá falar, durante a cerimônia, sobre a lamentável postura do Brasil, que apesar de ter a maior biodiversidade do mundo, planeja seu crescimento sem protegê-la.

Foto: Reprodução / DW Brasil

“Isso é muito visível quando a gente fala da expansão da rede de transporte. O Brasil tem a quarta maior malha rodoviária do mundo, mas que não vem acompanhada de inovações técnicas que respeitem o patrimônio natural”, disse a bióloga, em entrevista à Deutsche Welle Brasil.

“Essa expansão é uma ameaça que vai crescer exponencialmente nas próximas décadas nos países ricos em biodiversidade. O trabalho da Fernanda Abra antecipa essa ameaça e, baseado numa ciência sólida, fornece evidências e soluções concretas”, justifica o comitê, que escolheu a bióloga como uma entre três vencedores da edição de 2019.

Contabilizar o número de animais mortos em rodovias faz parte do trabalho de Fernanda. Dentre as estradas observadas por ela, está a MS-40, que liga os municípios de Campo Grande e Santa Rita do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Fundação Ipê, 289 animais morreram na pista no primeiro semestre do ano passado. Entre as vítimas, está a anta, animal ameaçado de extinção.

Diante desse cenário, a bióloga se uniu à Fundação para mover uma ação civil pública contra o estado do Mato Grosso do Sul. “As condicionantes do licenciamento não foram cumpridas. Não foi feito estudo de fauna ou ações para evitar atropelamentos. Os animais morrem e podem causar grandes acidentes e prejudicar a saúde das pessoas”, disse.

A criação de pontos de passagem, medida adotada em algumas rodovias brasileiras, é parte da solução para o problema, segundo a bióloga. Através desses pontos, os animais conseguem cruzar as estradas em segurança.

“No Brasil, a legislação permite que a pessoa que sofre dano nas estradas num acidente com animais na pista, por exemplo, seja indenizada. As administradoras das rodovias preferem pagar ou prevenir?”, questionou. De acordo com Fernanda, medidas de combate ao atropelamento de animais têm retorno rápido.

Entre 2003 e 2013, 28 mil acidentes com animais foram registrados apenas no estado de São Paulo, segundo a Polícia Militar Rodoviária. De acordo com um estudo feito por Fernanda, 38 mil mamíferos de médio e grande porte morrem por ano nas rodovias pavimentadas paulistas. Os dados fazem parte da pesquisa de doutorado da bióloga, que está em fase final e foi feita com base em modelagem computacional e registros de casos para tentar prever locais de atropelamento em estradas paulistas, segundo variáveis ambientais. O objetivo é, com os resultados, salvar a vida de animais e motoristas.

Foto: Reprodução / DW Brasil

“Todo esse esforço é para promover uma mudança de cultura no país, fazer com que administradores de rodovias entendam que é importante integrar a dinâmica de fauna ao planejamento das estradas”, afirmou. “É possível reduzir o impacto. É o que vemos no nosso monitoramento. Cada animal que usa uma passagem de fauna é motivo de comemoração”, completou Fernanda.

Além de participar da cerimônia de premiação na Holanda, a bióloga receberá 50 mil euros da Fundação Future for Nature. Ao voltar para o Brasil, ela afirma que irá aplicar o dinheiro no custeio do treinamento de pessoas que trabalham com engenharia nas estradas, agências de meio ambiente e de transporte pelo país.

“Existe um despreparo de órgãos públicos, que precisam ser mais rígidos e oferecer um roteiro às empresas que constroem as rodovias”, explicou.

A bióloga Patricia Medici, que trabalha na conservação das antas, foi a primeira brasileira a ganhar o prêmio em dinheiro, em 2008. “A contribuição financeira permitiu que o trabalho fosse expandido num novo bioma, o Pantanal”, relembrou.

Toda a atenção recebida na época também ajudou a conscientizar a população brasileira sobre a importância da preservação das antas. “Ganhar o prêmio foi um respaldo de confiança por parte da comunidade científica, um reconhecimento de que fazíamos um trabalho com uma abordagem científica sólida”, pontuou.

Atualmente, Patricia está à frente da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), que trabalha com pesquisa científica, programas de educação ambiental e capacitações em prol da conservação das antas.

Polícia britânica já prendeu 750 ativistas ambientais

Mais de 750 ativistas contra mudanças climáticas que bloquearam as vias em torno de alguns dos principais pontos turísticos de Londres, na Inglaterra, foram presos nos últimos seis dias, disse a polícia no último sábado (20), número maior que os 682 divulgados na sexta-feira (19).

Foto: Pixabay / Ilustrativa

Os protestos, organizados pelo grupo de combate às mudanças climáticas Extinction Rebellion, vêm há dias interrompendo o tráfego na região central de Londres, incluindo em torno do Arco de Mármore e da Ponte de Waterloo.

Os ativistas também bloquearam o bairro comercial de Oxford Circus, mas as vias foram depois liberadas pela polícia.

O Extinction Rebellion convocou uma onda de desobediência civil não violenta para forçar o governo britânico a reduzir para zero, até 2025, a taxa de emissão de gases do efeito estufa, para enfrentar o que chama de crise climática global.

Vinte e oito dos presos foram processados, disse a polícia de Londres em comunicado.

A comissária de polícia Cressida Dick disse ao canal BBC News que os protestos provocaram “péssimas interrupções”. Ela disse haver agora 1.500 policiais ativos na liberação de vias, ante os mil mobilizados anteriormente.

Na Ponte de Waterloo, que liga o sul ao centro de Londres, a polícia retirou cartazes e outros objetos que obstruíam a via. Mas a área continua repleta de ativistas. A polícia reiterou que os protestos podem continuar somente no Arco de Mármore.

Fonte: Simon Dawson / Reuters

Tailândia enfrenta difícil caminho para deixar dependência de plástico

Todas as manhãs, milhares de pessoas caminham para o trabalho com suas marmitas de plástico e copos descartáveis de café e chá na Tailândia, um dos países do mundo que mais descarta resíduos plásticos no mar.

Diante da gravidade do problema, o governo tailandês planeja eliminar as sacolas plásticas mais finas e de uso único em 2022 e, três anos mais tarde, os canudinhos e os corpos descartáveis deste material derivado do petróleo.

(Foto: Missouri Department of Conservation / Imagem Ilustrativa)

O plano, elaborado pelo Departamento de Controle de Poluição, também busca acabar com 70% das sacolas mais grossas, como as dos shoppings, nos próximos 20 anos.

No entanto, esta ambiciosa iniciativa enfrenta a lenta burocracia, a pressão dos produtores e anos de maus hábitos de consumo na Tailândia, que geram mais de 2 milhões de toneladas de resíduos plásticos a cada ano.

Os estabelecimentos oferecem sacolas para compras mínimas, a água quase sempre é servida em uma garrafa com canudo de plástico e as embalagens de poliestireno abundam nos vários e famosos locais de comida popular.

“Não uso muitas sacolas de plástico porque geralmente carrego na mochila”, explicou à Agência Efe Praew uma tailandesa de 29 anos na saída de um supermercado em Bangcoc segurando várias sacolas de suas compras.

Outro tailandês, Note, de 37 anos, diz que sua forma de reduzir o plástico é fazer grandes compras de uma só vez para utilizar menos sacolas.

“O governo deveria fazer campanha para o uso de sacolas de tecido”, opinou, enquanto empurrava um carrinho cheio de recipientes plásticos.

Fontes do Departamento de Controle de Poluição indicaram à Efe que a Tailândia produz mais de 2 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, dos quais 1 milhão são reciclados ou eliminados.

Segundo o Greenpeace, há 2.490 centros de gestão de resíduos no país, dos quais apenas 466 contam com instalações e equipamentos adequados para evitar a poluição do ar e da água.

Pongsak Likithattsin, diretor-gerente da Thaiplastic Recycle Group, emprega mais de 100 funcionários, a grande maioria imigrantes, em sua empresa que se dedica há 11 anos à reciclagem de garrafas PET (politereftalato de etileno), usadas normalmente para água e bebidas gaseificadas.

A fábrica, situada na província de Samut Sakhon, vizinha a Bangcoc, recicla cerca de 2 mil toneladas de plástico por mês e há planos para dobrar esta quantidade nos próximos anos.

As embalagens vêm comprimidas em cubos que os operários têm que romper a marteladas e depois separam em fileiras os resíduos do plástico para submetê-los ao tratamento em máquinas.

“A matéria-prima após o processo de reciclagem é poliéster”, que é usado para fabricar roupa e objetos de plástico, explicou à Efe Pongsak.

Cerca de 50% de sua produção é vendida na Tailândia, enquanto a outra metade é exportada para países como China, Austrália e Polônia.

(Foto: NOAA Crep/Divulgação)

Apesar desse exemplo, grande parte do plástico gerado na Tailândia não é reciclado e, em muitas ocasiões, acaba indo parar no mar.

Segundo um artigo da revista “Science” de 2015, a Tailândia era o sexto país que mais descartava plástico no mar depois de China, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Sri Lanka, nações onde o rápido crescimento econômico fez disparar o consumo e o desperdício.

O estudo, dirigido pela professora Jenna R. Jambeck, estimava que a Tailândia descartava a cada ano no mar entre 150 mil e 410 mil toneladas de plástico, de um total mundial que fica entre 4,8 e 12,7 toneladas anuais.

Segundo os ambientalistas, dezenas de animais marinhos, entre eles baleias, tartarugas e golfinhos, morrem a cada ano na Tailândia devido ao plástico, que nunca se decompõe totalmente, já que acaba se transformando em micropartículas que poluem a água e os alimentos.

Em junho, uma baleia-piloto morreu no sudeste do país depois de agonizar durante cinco dias devido à ingestão de 80 sacolas e outros objetos de plástico que pesavam 8 quilos no total.

Fonte: UOL / EFE