Governo Trump diminui proteção de espécies ameaçadas

Por Rafaela Damasceno

A administração Trump anunciou na segunda-feira (12) que mudaria a forma que a Lei de Espécies Ameaçadas é aplicada, enfraquecendo a lei de conservação do país – que já ajudou a retirar o urso, a águia e o jacaré americanos da lista de espécies ameaçadas de extinção.

Uma águia em um galho de árvore

Foto: Brandon Thibodeaux, The New York Times

As mudanças tornarão mais difícil considerar os efeitos das alterações climáticas sobre a vida selvagem ao decidir se determinada espécie precisa de proteção. Também será possível permitir que avaliações econômicas sejam conduzidas ao determinar habitats críticos.

As novas regras também facilitam a remoção de uma espécie da lista de espécies ameaçadas e enfraquecem a proteção daquelas já listadas.

Em resumo, as mudanças provavelmente abrirão caminho para novas minas, perfurações para encontrar petróleo e gás e desenvolvimento urbano em áreas onde vivem espécies protegidas.

O Secretário de Comércio, Wilbur Ross, disse que as mudanças se encaixam perfeitamente no mandato do presidente de aliviar as regras impostas aos americanos.

Ambientalistas denunciaram as revisões, alegando que são um perigo para a vida selvagem ameaçada. Uma avaliação recente da ONU alertou que a interferência humana está a ponto de levar milhares de espécies à extinção, e que proteger a biodiversidade é essencial para manter as emissões de gases de efeito estufa controladas.

Segundo o relatório, as mudanças climáticas, a pouca gestão ambiental e a industrialização em massa contribuíram para a enorme perda da natureza mundial.


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Refúgios de animais nos Estados Unidos permitem a caça

Por Rafaela Damasceno

Existem 567 refúgios nacionais da vida selvagem nos Estados Unidos, gerenciados pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem (FWS, na sigla em inglês). A missão do Sistema Nacional do Refúgio da Vida Selvagem é, segundo o site da FWS, administrar uma rede de terras e águas nacionais para a conservação, administração e, quando necessário, restauração dos animais e habitats dos Estados Unidos. Entretanto, a caça é permitida em 377 destes refúgios.

Um alce no meio da natureza

Foto: David McMillan/Shutterstock

Um refúgio não está respeitando seu objetivo se a vida selvagem estiver legalmente sendo morta, o que implica em não punir os caçadores. O governo atual está ainda menos preocupado em preservar a vida nos lugares onde deveria ser protegida.

A atual administração do governo americano propôs a abertura de mais 30 refúgios para a caça. O Secretário do Interior propôs expandir a pesca para 15 incubadoras de peixe, e levar a caça até 74 outros refúgios.

Uma petição foi criada para que a proposta não seja aprovada. Se você é contra e deseja que os refúgios sejam seguros para os animais, pode assinar aqui.

Governo Trump

Esse não foi o primeiro indício de que a administração do governo Trump não se preocupa com os animais ou o meio ambiente.

A administração de Trump autorizou, nos Estados Unidos, o uso de cianeto de sódio para matar animais selvagens, em um dispositivo chamado M-44. As “bombas de cianeto” receberam permissão da Environmental Protection Agency (EPA), apesar de matar cruelmente milhares de animais todos os anos.

Os dispositivos espirram cianeto de sódio na boca de coiotes, raposas e outros animais atraídos pela isca. Qualquer um que puxe a isca com o M-44 pode ser morto ou seriamente machucado.


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Comissão aprova projeto que permite entrada de animais no transporte público no RJ

A Comissão de Justiça e Redação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro deu parecer favorável ao Projeto de Lei nº 1.235/2019, que autoriza a entrada de animai domésticos de pequeno e médio porte no transporte coletivo municipal, como ônibus e Veículo Leve sob Trilho (VLT).

De autoria do vereador Dr. Marcos Paulo (PSOL), o projeto permite o transporte de animais com até 49 cm de altura entre o chão e a cernelha ou peso corporal de até 25 kg.

(Foto: Pixabay)

“Muitos tutores de animais não possuem veículo próprio e o ‘Taxi Dog’ não é um serviço acessível à população de baixa renda, o que impossibilita o transporte do animal, inclusive a clínicas veterinárias”, disse Dr. Marcos Paulo ao Diário do Rio.

O parlamentar lembrou que as condições de higiene, saúde e segurança previstas no projeto garantem inexistência de risco aos passageiros e funcionários.

Para transportar um animal, o tutor deverá apresentar carteira de vacinação atualizada, na qual conste ao menos as vacinas antirrábica e polivalente. Não poderá ser cobrado acréscimo na passagem e nem passagem adicional para que o animal seja transportado.

O animal terá que ser levado em um dispositivo adequado, isento de dejetos, água e alimentos, e que garanta a segurança, a higiene e o conforto do animal e dos passageiros. Caso, durante a viagem, haja necessidade de higienização da caixa de transporte, o tutor terá que descer na próxima parada para fazer a limpeza.

Poderão ser transportados, no máximo, quatro animais por ônibus ou vagão a cada viagem. As empresas concessionárias do serviço de transporte que não cumprirem a medida serão multadas em valores que variam de R$ 5 mil a R$ 100 mil e punidas com suspensão temporária da licença para exploração da linha, com possibilidade de cassação definitiva da licença. As penalidades poderão ser aplicadas de maneira cumulativa.

Após receber parecer pela constitucionalidade da Comissão de Justiça e Redação, a proposta segue para análise das Comissões de Administração e Assuntos Ligados ao Servidor Público; Transportes e Trânsito; Direitos dos Animais; Higiene, Saúde Pública e Bem-Estar Social; Direitos da Pessoa com Deficiência; e Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira.


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Prefeito do RJ promete regulamentar Código de Defesa dos Animais

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), prometeu ao presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara dos Vereadores, o parlamentar Luiz Carlos Ramos Filho (Pode), que vai publicar nesta terça-feira (16) o decreto que irá regulamentar o Código Municipal de Defesa dos Animais.

Foto: Pixabay

Caso a regulamentação realmente ocorra, a lei 6.435/2018, que instituiu o Código, entrará em vigor. A legislação é de autoria do vereador Célio Lupparelli (DEM). As informações são do portal Extra.

O Código estabelece regras para promover a proteção dos animais no Rio de Janeiro e proíbe, inclusive, que animais sejam mortos para comercialização de pele. A lei prevê ainda pagamento de multa para quem abandonar ou submeter um animal à crueldade.

A promessa feita pelo prefeito ao parlamentar ocorreu durante uma reunião, realizada na segunda-feira (15). O subsecretário de Bem Estar Animal, Roberto de Paula, e o assessor especial da prefeitura Ailton Cardoso também participaram do debate.

“É um grande avanço para a proteção animal. Agora quem maltratar os animais vai sofrer no bolso”, comemora Luiz Carlos Ramos Filho.


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Câmara de Santos (SP) debate projeto que prevê liberar parte da praia a cachorros

Um projeto de lei que prevê a liberação de cães em uma faixa de areia da praia divide especialistas no assunto e já é motivo de polêmica. Na última sexta-feira (28), teve audiência pública na Câmara de Santos (SP) para discutir o assunto.

Entre as regras para utilização do espaço, que deverá ser demarcado pela prefeitura, estão a identificação dos animais com nome e telefone de seus tutores em coleira. Os cães também não poderão estar no cio e seus tutores devem portar carteira de vacinação e atestado de vermifugação fornecido por veterinário devidamente registrado.

(Carlos Nogueira-AT/Arquivo)

Segundo a proposta, os animais poderão usar os chuveiros disponíveis dentro da faixa delimitada.

Quem não cumprir as regras responderá pelas perdas e danos que o animal poderá causar a terceiros. O tutor ainda fica obrigado a recolher as fezes de seu cão imediatamente descartando-as no local apropriado sob pena de multa.

Segundo o veterinário Laerte Carvalho, da Seção de Vigilância e Controle de Zoonoses (Sevicoz), é preciso ter atenção no controle sanitário. “A Secretaria não se opõe, mas queremos acompanhar. Algo que parece bom pode deixar de ser caso não tenha regras e conscientização”.

Para o infectologista do Hospital Albert Einstein, Jacyr Pasternak, a principal preocupação seria o bicho geográfico, infecção causada por larvas e que causa vermelhidão e coceira na pele. “Para mim, cão vacinado na praia não tem problema. O cachorro em situação de rua já tem acesso à praia e esse sim preocupa. A raiva (infecção viral mortal transmitida para seres humanos a partir da saliva de animais infectados) é muito mais perigosa”.

A dermatologista Cristina Santana diz que uma preocupação deve ser o controle da frequência do local. “Temos de lembrar que, na temporada, haverá quatro vezes mais gente na praia. E de que forma a Guarda Municipal fiscalizará essa situação? Realmente será o ponto principal para se focar?”

Debate

Segundo o veterinário especialista em saúde pública Alexandre Biondo, o usuário deverá ser o primeiro a cuidar do cerco para que ninguém fure as determinações estipuladas.

“Não podemos cometer a loucura de perder esse momento histórico”. Para a veterinária Sueli Toledo, especialista em zoonoses, é preciso cautela nesse tipo de decisão. “Eu mesma não levaria meus filhos em um espaço como esse. Cada um deve pensar dentro da sua realidade e se deve confiar que essa situação não terá furos”.

Já o infectologista Evaldo Stanislau acredita que esse ambiente trará mais benefícios do que problemas. “Precisamos cuidar da saúde do animal, ter um bom regramento e educar as pessoas. Do ponto de vista psicológico, de bem-estar e de interação, é algo muito bom”.

O vereador Benedito Furtado (PSB) lembra que os cães nunca foram tão reconhecidos como membros das famílias. “Não tenho a menor dúvida de que vamos aprovar essa lei. Inúmeras pessoas têm o animal como única referência afetiva. Precisamos atualizar as nossas leis para as novas realidades”.

Proibição desde 1968

Desde 1968, segundo lei municipal, é proibida a permanência de cachorros na praia.

Segundo dados da Secretaria de Saúde de São Paulo, Santos tem hoje mais de 33 mil cães devidamente vacinados. A iniciativa partiu da radialista e defensora da causa animal Patrícia Camargo, em conjunto com moradores da cidade que apoiam a causa. O vereador Adilson Júnior (PTB), foi o responsável em elaborar o projeto de lei junto com advogados, veterinários e biomédicos.

Fonte: A Tribuna


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STJ vai julgar caso de mulher que luta pelo direito de criar gata em apartamento

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai julgar, nesta terça-feira (14), o caso de uma mulher que está lutando pelo direito de manter Nina, uma gata, no apartamento em que ela mora. As regras do condomínio não permitem a presença de animais.

Foto: Pixabay

O caso já foi julgado em instâncias inferiores e a tutora recebeu parecer desfavorável ao seu pedido. Por isso, ela decidiu recorrer ao STJ. As informações são da coluna da Mônica Bermago, na Folha de S. Paulo.

A defesa argumenta que “a norma condominial que proíbe qualquer tipo de animal dentro do apartamento consiste em excesso normativo que fere o direito de propriedade”.

Ainda segundo os advogados, a permanência da gata no apartamento é possível “se não houver interferência ou perturbação na saúde e no sossego dos demais moradores”.

Zoo de Barcelona não vai mais reproduzir animais que não estejam ameaçados de extinção

O Zoológico de Barcelona, na Espanha, irá se adequar a regras aprovadas na última sexta-feira (3) pela Câmara Municipal da capital catalã que visam transformar o estabelecimento no primeiro parque zoológico animalista da Europa. Com as novas normas, o zoo, inaugurado em 1892, não irá mais promover a reprodução de espécies que não estiverem ameaçadas de extinção e irá transferir para santuários os animais que se encontrarem em boas condições.

Atualmente, o zoológico mantém aproximadamente 2 mil animais de 300 espécies diferentes. As informações são do El País.

Um rinoceronte no zoológico de Barcelona. (FOTO: CARLES RIBAS)

Coordenador de uma iniciativa legislativa popular pela abolição das touradas na Catalunha, o ativista Leonardo Anselmi criou um projeto denominado Zoológicos pela Mudança. O objetivo é modificar o estatuto das instituições e atingir os critérios de reprodução de espécies. Até o momento, poucos locais adotaram o modelo, entre os que se tornaram adeptos estão o Ecoparque de Mendonza e de Buenos Aires, ambos na Argentina.

Com a aprovação do projeto na Espanha, as elefantes Susi, Yoyo e Bully serão levadas a um santuário que, segundo Alejandra Garcia, do Libera, já está definido. Elas viverão no Sul da França.

Os animais que não estiverem em condições de transferência para santuários, permanecerão no zoológico. A direção do estabelecimento terá três anos para conceber um projeto para cada espécie. A recuperação da fauna em diversas zonas é um dos objetivos desta nova fase do zoológico, que deverá elaborar um documento que terá que “especificar, entre outros aspectos, como a reprodução desses animais contribuirá com benefícios quantificáveis para a conservação e viabilidade da espécie e do habitat natural objeto de conservação em curto, médio e longo prazo, bem como as fases nas quais se realizará a reintrodução ou reforço de populações na natureza. Todos os projetos de espécie deverão conter a reintrodução ou o reforço populacional em alguma de suas fases”. Segundo as novas regras, se o documento não assegurar que as espécies serão liberadas em um determinado prazo, a reprodução não será autorizada.

Sobre a dificuldade de reintroduzir determinadas espécies na natureza, García afirmou: “se animais como os símios não podem viver na natureza, deixaremos de reproduzi-los mesmo que se encontrem em perigo de extinção. Não podemos permitir que haja indivíduos que estejam predestinados a viver mal em jaulas”.

As novas regras também proíbem que animais saudáveis sejam mortos por terem problemas de consanguinidade e acaba com o associacionismo que garantia a sobrevivência dos zoológicos nos moldes atuais. A Prefeitura de Barcelona se desliga das redes internacionais de zoológicos que faziam o intercâmbio de animais para defender a conservação das espécies e evitar consanguinidades.

Regras rigorosas para adoção evitam abandono de animais na Alemanha

Ao contrário do Brasil, na Alemanha é comum ver apenas animais acompanhados dos tutores na rua, em ônibus, trens, bares, restaurantes e lojas. No país, é praticamente impossível que um gato ou cachorro viva em situação de rua, como acontece no território brasileiro.

Foto: Clara Rechenberg/Tierheim Berlin/Divulgação

Em Berlim, capital do país, o maior abrigo da Europa estabeleceu regras rigorosas para coibir o abandono. No local, vivem cerca de 1,4 mil animais, que são cuidados por aproximadamente 170 funcionários e mais de 800 voluntários. O Tierheim Berlim é mantido pela ONG Federação pelo Bem-Estar Animal na Alemanha e sobrevive de doações. Para manter os animais, são gastos 9 milhões de euros por ano – o correspondente a R$ 40 milhões.

“Quem escolhe adotar aqui precisa preencher uma longa ficha sobre a sua vida. Depois, o animal passa uma semana na casa da pessoa, em uma espécie de teste. Nós também fazemos visitas regulares à casa dos adotantes”, explica Julia Sassenberg, representante do abrigo. As informações são do G1.

Os cuidados, segundo Julia, são para a vida inteira do animal. “Ninguém pode vender ou abandonar um cachorro ou gato adotado aqui. Se por algum motivo a pessoa não quiser mais ficar com o bichinho precisa trazê-lo para nós. Quando o animal morre, também temos que ser comunicados”, explica.

Foto: Clara Rechenberg/Tierheim Berlin/Divulgação

O Tierheim Berlin abriga cães, gatos, coelhos, pássaros, porcos, cabras, ovelhas e alguns tipos de répteis. Muitos deles, porém, não são disponibilizados para adoção. O local recebe animais abandonados na Alemanha e também que chegaram ao país vindos do leste europeu, atravessando a fronteira ilegalmente.

Ao adotar um animal na Alemanha, o tutor precisa registrá-lo junto ao governo. Assim, o animal recebe um microchip e uma documentação vinculada ao tutor. Para viajar entre países da União Europeia, por exemplo, ele precisa ter até passaporte.

Além disso, animais alemães também pagam imposto anual. O valor varia de cidade para cidade. Em Berlim, os tutores pagam 120 euros anuais – o equivalente a cerca de R$ 531 – para o primeiro cachorro e 180 euros – aproximadamente R$ 797 – para os demais animais.

Confira regras para transportar animais no ônibus, trem e metrô em SP

Uma lei, de autoria do deputado Celino Cardoso (PSDB), que permite o transporte de animais domésticos em ônibus, trens e metrôs de São Paulo, foi sancionada em janeiro deste ano. No entanto, para que os tutores desfrutem do serviço, é preciso obedecer a regras.

(Foto: Getty Images

No ônibus, apenas dois animais poderão ser transportados a cada viagem. No metrô e no trem não há um número especificado. É necessário estar com a carteirinha de vacinação do animal na hora do transporte. O serviço fica proibido nos horários de pico em dias úteis – das 6h às 10h e das 16h às 19h – com exceção de animal com procedimento cirúrgico agendado, sendo necessário apresentar documento assinado em duas vias por médico veterinário indicando horário, local e justificativa da intervenção médica e o registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMVSP) – uma das vias deve ser entregue ao motorista do ônibus ou a agentes de segurança dos trens e metrôs. Se necessário, o tutor deverá pagar uma passagem extra da linha de ônibus.

De acordo com a médica veterinária Juliana Didiano, se o animal estiver com alguma doença infectocontagiosa ou zoonose, o indicado é evitar o transporte público. Além de estar saudável, a profissional lembra que o animal deve estar sem pulgas e carrapatos. As informações são do Globo Rural.

O transporte do animal deve ser feito dentro de caixas adequadas, que são comercializadas em pet shops por valores que vão de R$ 40 a R$ 100. Após a sanção a lei, Vladson Rocha, gerente de uma rede nacional de lojas para animais, afirma que houve um aumento de 16% nas vendas das caixas, em comparação com o mesmo período de 2018.

Para o deputado Celino Cardoso, autor da lei, o projeto é importante, especialmente “porque evita o transporte ilegal, de forma que possa maltratar o animal”. A criação da legislação veio da necessidade de beneficiar pessoas de baixa renda que não têm condições de custear transporte particular para levar os animais ao veterinário e a passeios. A lei deve beneficiar ainda tutores que têm veículo próprio, mas que, por algum motivo, precisam usar o transporte público com o animal.

Tutora da cadela Julieta, de três anos, a jornalista Solange Santos comemorou a permissão de levar o animal, adotado aos seis meses, no transporte público. “Como não tenho carro, e uso metrô, ônibus e eventualmente o trem, vou poder levar a Julieta em consultas veterinárias ou a restaurantes que permitam animais. Além da economia que farei deixando de usar motoristas particulares quando preciso levá-la para algum lugar”, disse Solange.

Para idealizar a lei, o deputado contou com o apoio da dona de casa Simone Gatto, que é tutora de quatro gatos tetraplégicos que realizam tratamentos veterinários. Ela foi a primeira pessoa a acionar a Justiça para garantir o direito de levar animais no transporte público e lutou por oito anos até conseguir o benefício. A dona de casa uniu forças com o empresário e ativista Rogério Nagai, em uma petição feita por ele que colaborou para que o projeto de lei fosse assinado. “Agora posso tratar meus animais com o respeito que eles merecem”, afirmou Simone. A petição, que pedia acesso dos animais ao metrô, alcançou mais de 30 mil assinaturas por dia.

Simone criticou, porém, as restrições de horário. Ela conta que os tratamentos gratuitos que os gatos realizam não oferecem escolha de horário e as receitas assinadas pelo veterinário ficam retiradas na ida e, na volta, ela não consegue embarcar com o animal, o que a impossibilita de socorrê-lo em qualquer horário. Antes da lei entrar em vigor, Simone tentou embarcar no metrô com um dos gatos e foi expulsa. Na época, ela afirmou que o animal quase morreu por falta de socorro.

O objetivo de Nagai, agora, é conseguir que seja liberado o transporte de animais de qualquer tamanho e peso no ônibus, metrô e trem.

Realidade de outros países

Em Buenos Aires, na Argentina, foi aprovada, em 2016, uma lei que permite o embarque de animais no metrô. A legislação tem as mesmas regras que a sancionada em São Paulo. No mesmo ano, Madri, na Espanha, o transporte de animais no metrô também foi aprovado. Lá, no entanto, eles podem ser transportados fora das caixas, mas sempre nos últimos vagões, em horários específicos e com a regra de estarem sempre com coleiras, focinheiras e microchip. Em Victoria, na Austrália, as regras são as mesmas, com a única diferença de que cada passageiro pode embarcar com uma caixa de transporte.

Em Portugal, os animais também têm acesso ao transporte público. As regras são semelhantes a de capitais de outros países e frisam que os animais podem ocupar os bancos. Em Nova York, nos Estados Unidos, o transporte de animais no metrô é proibido, a menos que eles estejam abrigados em algum recipiente – que não é especificado pela lei, assim como o tamanho. Com as opções em aberto, os tutores levam animais, de todos os portes, dentro de bolsas.

Censo animal

A Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Saúde, em 2013, e divulgada em 2015, concluiu que 44,3% dos lares brasileiros têm ao menos um cachorro e 17,7% abrigam gatos.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2015, as casas têm mais animais do que crianças. Na época do estudo, os lares tinham 44,870 milhões de crianças de 0 a 14 anos.

Uma nova pesquisa deve ser divulgada no segundo semestre de 2019.