Dois cachorros acorrentados sem água e sem comida em uma propriedade em São Sebastião do Caí, no Rio Grande do Sul, foram resgatados pela ONG Vira Lata do Caí na última semana após uma denúncia de maus-tratos.
(Foto: Reprodução / Facebook / ONG Vira Lata do Caí)
Os animais não tinham abrigo para se proteger das condições climáticas e um deles não conseguia deitar para descansar por estar preso a uma corrente curta. No local, havia apenas potes com água suja, as quais os cães não tinham acesso.
Os cães foram resgatados pela ONG, que não localizou o responsável por eles. Ao ser identificado, ele deve responder na Justiça pelo crime de maus-tratos a animais. As informações são do portal Fato Novo.
“A fêmea tinha tanta sede que tomou muita água, como mostra o vídeo, e passou a noite tomando água, o que constata-se muitos dias sem água, que é o básico”, escreveu a entidade em uma página no Facebook. “A denunciante ouvia o grito deles a quase um 1 km de distância, e demorou para localizar de onde vinha”, completou.
De acordo com a ONG, os cães foram encaminhados para entendimento veterinário. Eles estavam infestados de pulgas e vermes. Após receberem o tratamento necessário, os cachorros irão para lares temporários.
A entidade Vira Lata do Caí registrou um boletim de ocorrência sobre o caso.
Um cão foi encontrado enterrado vivo em um terreno baldio na cidade de Canela, na serra gaúcha. O animal, de médio porte e sem raça definida, foi resgatado no início da tarde de sexta-feira (15) por agentes da Polícia Civil após uma denúncia indicar que o cão estaria soterrado no bairro São Rafael.
De acordo com a veterinária Bianca Schneider, o cão deu entrada no Hospital Veterinário Dr. Álvaro Abreu, no município de Canela, em estado crítico. “Ele estava em estado de choque, com taquicardia e taquipneia. Fizemos os exames e foi constatado que o cão sofreu traumatismo craniano e deslocamento da cabeça do fêmur do membro posterior esquerdo”, explicou a veterinária, que prestou os primeiros socorros. Além disso, o cão está com vários hematomas na cabeça e no tórax. “Tudo indica que ele foi espancado antes de ser enterrado vivo”, diz a veterinária.
Imagem: Divulgação/ONG Amigo Bicho
“Fênix”, como foi batizado pelos funcionários do hospital veterinário, ainda na tarde de sábado (16), permanecia em estado grave. O cão está em coma induzido, com o uso de anticonvulsivantes. “Mantemos ele sob observação, pois quando acorda, convulsiona e tremula muito”, comentou a veterinária.
O nome “Fênix” foi dado ao cão pelos funcionários do hospital veterinário em alusão a uma ave da mitologia grega que após a morte ressurgiu das cinzas.
INVESTIGAÇÃO
Conforme o delegado Vladimir Medeiros, da Delegacia de Polícia do município de Canela, após a denúncia, a primeira providência de sua equipe foi resgatar o animal soterrado e levar para o hospital veterinário para atendimento. “Levamos o cão para este local por indicação da ONG Amigo Bicho, que trata os animais daqui da cidade. Tão logo recebemos informações de que o autor deste crime teria sido um homem, que inclusive já tem antecedentes criminais como estupro, tentativa de homicídio, roubo, furto, receptação, ameaça e disparo de arma de fogo”, afirmou o delegado. A identidade do criminoso não foi revelada pela polícia.
Ainda na tarde de ontem, o autor do delito foi detido por agentes da Polícia Civil. O homem estava em casa, no bairro São Rafael e foi conduzido para a delegacia de Canela para prestar depoimento. Durante a oitiva, o acusado preferiu ficar em silêncio. O Delegado Vladimir Medeiros, ressaltou que o autor do delito responderá pela prática de maus-tratos a animais, referindo que a legislação proíbe o encaminhamento do responsável ao presídio por se tratar de infração de menor potencial ofensivo. O termo circunstanciado que apura os fatos será feito junto ao Cartório de Vulneráveis e Questões Ambientais da Delegacia de Polícia de Canela, que atua nesses casos em parceria com a ONG Amigo Bicho.
A presidente da ONG Amigo Bicho, Michelie Valente, explicou à reportagem do UOL que após o cão receber alta do hospital veterinário, ficará sob os cuidados dela e posteriormente irá para adoção. “Ele estava cheio de terra e ainda corre risco, mas o rápido trabalho da Polícia Civil e o pronto atendimento no hospital veterinário foram fundamentais”, disse a ativista.
A ONG Amigo Bicho, em Canela, atualmente cuida de 230 cães vítimas de abandono e maus-tratos. A organização depende de doações para manter o funcionamento.
O criminoso foi preso em uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e transportava os filhotes em quatro sacos de panos sem qualquer tipo de iluminação e ventilação. Eles também não recebiam água nem alimentação. O homem conduzia um veículo Kia Cerato e estava levando os animais para Florianópolis, em Santa Catarina. As tartarugas que sobrevivessem às condições precárias seriam vendidas por cerca de R$ 50 em lojas especializadas.
Conforme a lei dos crimes ambientais, ele assinou termo circunstanciado e, se condenado, pode pegar de um a quatro anos de prisão, pena que geralmente é revertida em pagamento de cesta básica e prestação de serviço à comunidade. O delegado Rodrigo Caldas, titular da delegacia de polícia de Eldorado do Sul, destaca que está buscando mais agravantes para instaurar um inquérito. O objetivo é responsabilizar o preso, que é de Santa Catarina e tem 49 anos, em outros tipos de crimes e ainda pelo fato de ele ter antecedentes por crimes ambientais, bem como por já ter realizado outras duas viagens neste ano para Florianópolis com filhotes de tartarugas.
Maus-tratos aos animais
Enquanto a polícia tenta identificar o viveiro clandestino, outros envolvidos no tráfico e também os receptadores dos animais, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Porto Alegre recebeu os 800 filhotes.
Paulo Guilherme Carniel Wagner, médico veterinário, analista ambiental e responsável pela área silvestre do órgão, afirma que quatro animais haviam morrido e que outros devem morrer.
“Eles estão estressados devido aos maus-tratos e ficarão pelo menos por uma semana aqui no Ibama, em um taque, para se recuperarem. Depois, vamos devolvê-los ao seu habitat”, ressalta Wagner
Segundo o Ibama, a espécie foi identificada como tigre-d’água e é nativa do Rio Grande do Sul. No entanto, devido ao tráfico, já há espécies em todo o país e até no Exterior. Wagner diz que os parques de Porto Alegre são repletos destas tartarugas, principalmente porque, ao crescerem, são abandonadas pelos tutores. Os animais, quando adultos, chegam a 25 centímetros de comprimento e podem viver cerca de 30 anos. Os filhotes apreendidos tinham menos de dez dias.
Multa de R$ 400 mil
O traficante preso informou à polícia um fato preocupante que foi confirmado pelo Ibama como recorrente no caso de tráfico de animais. Os criminosos recolhem ovos nas margens das lagoas Mangueira e Mirim, no sul do Estado, para depois colocarem em um viveiro próprio, cujo local ainda não foi descoberto. Depois disso, ficam monitorando a desova em Pelotas para pegar os filhotes, colocar em sacos e repassar para o responsável pelo transporte até Santa Catarina.
“O objetivo deles é o lucro, e não a vida. Eles já pegam os filhotes após a desova e colocam sem alimento em sacos para a viagem até Florianópolis”, explica Wagner.
Tanto o Ibama quanto a Polícia Civil ressaltam que há um decreto estadual que proíbe a reprodução em cativeiro e a comercialização deste espécie no Rio Grande do Sul. Por isso os filhotes são levados para Santa Catarina.
Wagner diz que, em média, a multa para casos como estes é de R$ 400 mil, mas que geralmente não é aplicada pelo fato de que os traficantes usam “laranjas” para transportar os filhotes.
No caso do homem preso com 800 tartarugas em Eldorado do Sul, por exemplo, ele não possui nenhum bem em seu nome e, como em casos anteriores, existe dificuldade em aplicar a multa.
Um cavalo abandonado no bairro Santuário, em Santa Cruz do Sul (RS), foi sacrificado na segunda-feira (4). O animal tinha ferimentos graves na cabeça e foi encontrado por integrantes da ONG Cavalo de Lata e pela presidente da Câmara dos Vereadores do município, Bruna Molz, após uma denúncia.
O animal estava abandonado em uma área utilizada para tratamento de esgoto de propriedade da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). O local é um ponto de abandono de animais.
Foto: Rafael Cunha
“Isso aqui está virado em uma área de desova de animais. É triste que as pessoas desovam os animais, deixam para morrer, sendo comidos por larvas”, disse Bruna, emocionada, em entrevista à Rádio Gazeta.
A gerente local da Corsan, Rosângela Freitas dos Santos, afirmou ao portal GAZ que não há confirmação de que o abandono tenha ocorrido no local, já que uma equipe da companhia que teria ido até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETA) não teria encontrado nenhum vestígio da situação. A funcionária afirmou que acionaria a Guarda Municipal.
De acordo com Bruna, a falta de supervisão no loca facilita o abandono. A parlamentar disse que entrará em contato com a Procuradoria do Município. “Infelizmente vai ficar impune, é mais uma vida que a gente perde e que vai ficar impune. Se não for feito alguma coisa, amanhã vai ter outro animal morrendo aqui”, lamentou.
A Secretaria Municipal de Comunicação informou que a prefeitura irá se reunir com a Corsan para cobrar providências quanto ao fechamento da área.
No último semestre de 2018, a prefeitura elaborou quatro autos de aplicação de multa por abandono e maus-tratos a animais no município. Também foram resgatados 13 cachorros, 14 cavalos e dois gatos.
Dois cachorros que foram abandonados em Teutônia, no Rio Grande do Sul, estão à procura de novos lares. Eles têm recebido cuidados, mas precisam encontrar um tutor responsável para que possam viver em segurança.
O preto é o Johnny. Ele é de porte pequeno, super dócil, bem calmo e muito querido. Já o Scooby, de pelo branco, é de porte médio, dócil, porém assustado.
Interessados em mudar a vida dos dois ou de um deles, adotando ou oferecendo lar temporário, devem entrar em contato com a Mimos Pet através dos telefones: (51) 37621206 ou (51) 995425465.
A servidora pública federal Danielle Busko, técnica em Assuntos Educacionais vinculada à Defensoria Pública da União no Rio Grande do Sul (DPU/RS), que abandonou um cachorro doente em Porto Alegre (RS), foi impedida de viajar para Portugal para fazer um curso de mestrado após a portaria que autorizava a viagem ser revogada pela Defensoria Pública da União. A saída da servidora do país só seria possível agora caso ela pedisse exoneração do cargo.
Foto: Protetores da Zona Sul de Porto Alegre
Danielle abandonou Gordo, como era chamado o cão, em um condomínio no bairro Hípica, na Zona Sul de Porto Alegre. O cão estava com uma bicheira muito grande no olho e bastante debilitado. Ele foi resgatado por um morador do loteamento Moradas do Sul, passou por vários exames e foi internado em estado grave. Além do ferimento, o cachorro estava com cinomose. Apesar dos cuidados que recebeu, o animal não resistiu e morreu.
Diante da gravidade do caso, o Ministério Público decidiu iniciar uma investigação. “Um caso grave como esse, com morte, não se vê todo dia. Instauramos um procedimento civil para investigar a situação e até cobrar uma ação por danos morais coletivos”, contou ao jornal GaúchaZH a promotora de Justiça de defesa do meio ambiente Ana Maria Marchesan.
Foto: Divulgação
De acordo com Ana Maria, o caso deve ser encaminhado ao juizado especial criminal para que uma ação criminal seja iniciada contra a tutora, que seria servidora da Defensoria Pública da União no Rio Grande do Sul (DPU/RS). Ela pode, caso condenada, ser penalizada com detenção de três meses a um ano e multa. A pena pode ser agravada devido à morte do animal.
A deputada estadual Regina Becker Fortunati foi a responsável por ingressar com uma representação contra a servidora no Ministério Público. Moradora do bairro Ipanema, a tutora de Gordo foi vista por uma vizinha pegando o animal, enrolando-o em um lençol e colocando-o no porta-malas do carro dela. Minutos depois, a mulher foi flagrada por câmeras de segurança de um condomínio no bairro Hípica abandonando o cachorro em um gramado.
Foto: Protetores da Zona Sul de Porto Alegre
“O vigilante viu e avisou a uma moradora. O cachorro chorava, gemia de dor. Foi uma situação muito desgastante. Fiz a representação no MP na certeza de que tomarão providências legais para que ela seja citada e responda pelo crime”, afirmou Regina.
Um exame de necrópsia deve apontar as causas da morte do animal.
Com 35 cachorros e 18 gatos para alimentar, Luciana dos Santos Husemann, 47 anos, aceita todos os tipos de ajuda. Os animais são herança da mãe, Josefina Teresinha, que faleceu em 2016 e tinha o hábito de cuidar dos mascotes desde 1969. “Me criei ao lado deles. Ela sempre resgatou os necessitados para cuidar, não podia me desfazer deles”, afirmou Luciana.
Foto: Correio do Povo
Ao lado da filha, Franciele, 16, ela faz o que pode para que não falte comida para alimentá-los, nem remédio para os que precisam. Apesar de sentir muita falta da mãe, Luciana junta todas as forças para cuidar dos animais e enfatizou “eles e a Fran são a minha família agora”.
Como está desempregada, sustenta a residência com a renda variável do trabalho informal. “Estou fazendo bicos, mas não tenho condições de arcar com tantos gastos. Alguns animais mais velhos precisam de cuidados especiais”, reiterou.
Entre os que mais inspiram cuidados está Zelão, de 18 anos e Chana, de 20. “Ele está cego e precisa muito de nós, ela fica sempre nos fundos, porque não corre com os outros”, detalhou. Luciana também precisa de apoio para pagar uma dívida feita com a operação de uma das “filhas”, Pandora. Por conta disso, colocou seis pequenos para doação.
Quem puder ajudar com doação de ração, medicamento, consulta em veterinários, castração ou qualquer quantia, pode entrar em contato pelos números (51) 99378-4619 ou (51) 3361-3624.