Deputados aprovam PL que considera vaquejada, rodeio e prova do laço patrimônios culturais

A Câmara dos Deputados aprovou, por 402 votos a 34, o texto-base do projeto de lei 8240/17, de autoria do senador Raimundo Lira (PMDB-PB), que regulamenta a vaquejada, o rodeio, a prova de laço e outras atividades equestres como manifestações culturais, elevando-os à condição de “bens de natureza imaterial integrantes do patrimônio cultural brasileiro”. A aprovação representa um retrocesso para a luta pelos direitos animais.

A votação da proposta gerou discussões no plenário da Câmara entre os defensores dessas práticas que submetem animais à crueldade e os parlamentares que condenam a exploração e o sofrimento animal promovidos por rodeios, vaquejadas e similares.

(Foto: Reprodução / Portal Amazonas Atual)

A proposta estabelece regras para garantia do bem-estar animal nestas atividades, o que, na teoria, não há como ser aplicado. No rodeio, por exemplo, é impossível realizar a montaria sem usar apetrechos como o sedém, que aperta a barriga do animal, gerando desconforto e dor a ponto de fazê-lo pular. Na vaquejada, um boi é solto em uma arena. Desesperado, ele foge enquanto é perseguido por dois vaqueiros, montados em cavalos, que tentam derrubar o boi puxando-o pelo rabo, o que lhe causa dor. No caso da prova do laço, o objetivo é laçar um bezerro pelo pescoço – o que além de causar dor ao animal, pode provocar lesões graves.

É impossível que essas atividades sejam realizadas de maneira diferente, já que retirar o sedém, parar de puxar um boi pelo rabo ou de laçar um bezerro pelo pescoço impediria que as provas fossem executadas. E manter essas práticas impede a garantia do bem-estar animal, já que todas elas causam intenso sofrimento físico e psicológico aos animais. Portanto, o trecho da proposta que estabelece a garantia do bem-estar animal é impraticável, tendo sido colocado no projeto provavelmente apenas para passar uma boa imagem diante das denúncias recorrentes de maus-tratos contra animais explorados em rodeios, vaquejadas e similares.

Além disso, o texto-base prevê que serão aprovados regulamentos específicos relacionados ao bem-estar animal, com sanções em caso de descumprimento, para cada uma dessas atividades por meio de suas respectivas associações ou entidades legais reconhecidas pelo Ministério da Agricultura. Essas instituições não têm qualquer compromisso com a proteção animal e visam apenas explorar animais para gerar entretenimento humano e lucro para os realizadores dos eventos. Dessa forma, ao colocar nas mãos dessas entidades a responsabilidade pela aprovação de regulamentos de bem-estar animal sobre rodeios, vaquejadas e afins, o projeto condena os animais a viver situações cada vez mais cruéis.

Ao tratar especificamente da vaquejada, a proposta diz que os organizadores devem: assegurar aos animais água, alimentação e local apropriado para descanso; prevenir ferimentos e doenças por meio de instalações, ferramentas e utensílios adequados e da prestação de assistência médico-veterinária; utilizar protetor de cauda nos bovinos; garantir quantidade suficiente de areia na faixa onde ocorre a pontuação, respeitada a profundidade mínima de 40 (quarenta) centímetros. Nenhuma dessas regras, no entanto, impede a crueldade imposta ao animal, que continuará suportando dor física e sofrimento psicológico ao ser perseguido em uma arena e derrubado ao ser puxado pelo rabo.

Além das crueldades relacionadas ao rodeio, à vaquejada e à prova do laço, a proposta também considera modalidades esportivas equestres tradicionais atividades como o adestramento, o polo equestre e a cavalgada. Todas essas práticas tem um ponto em comum: a crueldade e os maus-tratos cometidos contra os animais, que são reduzidos a meros objetos a serem explorados para garantir entretenimento e lucro às pessoas, tendo suas condições de sujeitos de direito e seres sencientes completamente ignoradas.

Para que a análise do projeto seja concluída, os deputados precisam apreciar os destaques – isso é, propostas de alterações ao texto original – apresentados. Após a apreciação, a proposta seguirá para avaliação do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que, devido ao seu histórico de defesa de práticas que exploram e maltratam animais e a sua presença em rodeios durante à campanha eleitoral, certamente sancionará o projeto, tornando-o lei.

Emenda à Constituição

Em 2017, uma emenda à Constituição promulgada pelo Congresso Nacional viabilizou a prática da vaquejada no Brasil após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter declarado a atividade inconstitucional.  Na época, a maioria dos ministros do STF acompanhou o voto do relator, ministro Marco Aurélio, que considerou haver “crueldade intrínseca” aos animais na vaquejada.

No ano anterior, uma lei que tornou a vaquejada manifestação cultural já havia sido aprovada pelo Senado.


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Leis que permitem crueldade contra animais em rodeios são anuladas pela Justiça

Leis criadas pelos municípios de Marília e Pereiras, no interior de São Paulo, foram anuladas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por autorizarem o tratamento cruel contra animais em rodeios. As prefeituras informaram que entrarão com recursos.

(Foto: Ricardo Nasi/G1)

Uma das ações levou à anulação da Lei nº 8.104, de 26 de junho de 2017, que autorizou a realização de práticas nocivas aos animais durante rodeios, impondo a eles sofrimento físico intenso. A ação foi movida contra o prefeito e o presidente da Câmara de Marília. A Procuradoria-Geral, órgão máximo do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), questionou a prova “laço em dupla”, na qual um animal é laçado pela cabeça e pelos pés. As informações são do Estadão.

A Procuradoria-Geral de Justiça afirmou que “a Constituição de São Paulo se viu agredida nos artigos 144 e 193, que impõem o dever de os municípios atenderem aos comandos nela expressados e aqueles da Carta Republicana nacional, assim como escudam a fauna, adotando medidas protetivas que impeçam a submissão dos animais a atos de crueldade”.

No caso de Pereiras, a ação foi movida contra o prefeito e o presidente da Câmara, devido à presença da expressão “prova de laço” na Lei Municipal n.o 1.044/2017, que passa a considerar o rodeio e provas similares como patrimônio cultural imaterial da cidade. A ação cita um trecho da legislação que define que “nas provas com a utilização de touros deverá haver, sempre que possível, a atuação de no mínimo um laçador de pista”, e a parte que aborda apetrechos de montaria, como sedéns, cintas, cilhas e barrigueiras.

Pareceres e laudos técnicos anexados ao processo indicam que esses apetrechos causam incômodo, estresse, dor e sofrimento nos animais, fazendo com que eles apresentam um comportamento anti-natural. Ainda segundo os documentos, a prática de laçar o animal “caracteriza procedimento brusco e agressivo, que lhe pode ocasionar lesões à estrutura orgânica, trazendo o risco, inclusive, de causar paralisia ou levá-lo a óbito (…)”. A Justiça acatou os argumentos.

A Prefeitura de Pereiras alegou já te alterado a legislação para adequá-la à Lei Federal 13.364/2016, que autoriza rodeios e vaquejadas no Brasil quando registrados como manifestações culturais de natureza imaterial. Essa classificação também foi dada ao rodeio e à vaquejada na Emenda Constitucional 96, de 2017, que marca um retrocesso na proteção animal brasileira.


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Deputados querem elevar vaquejadas e rodeios a “atividades desportivas formais”

Por David Arioch

Efraim Filho, Paulo Magalhães (não reeleito), Paulo Bengtson (relator) e Giovani Cherini defendem a vaquejada como “atividade desportiva formal” (Fotos: Agência Folha/Agência Câmara)

Está tramitando na Câmara dos Deputados um projeto de lei de autoria do deputado Efraim Filho (DEM-PB), que prevê o reconhecimento da vaquejada como “atividade desportiva formal”.

Tudo indica que o objetivo é fazer frente à oposição que cresce no país contra a prática, seguindo pelo mesmo caminho do Projeto de Lei (PL) 13.365/2016, que elevou vaquejadas e rodeios à condição de manifestação cultural nacional e patrimônio cultural imaterial.

O PL 2452/2011, de Efraim Filho, está ganhando mais força agora com a proposta de apensar os projetos de lei 3024/2011 e 4977/2013, de autoria do ex-deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) e Giovani Cherini (PR-RS). Inclusive recebeu esta semana um voto favorável do relator da proposta na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o deputado Paulo Bengtson (PTB-PA).

O projeto de Magalhães, que deve ser anexado ao PL de Efraim Filho, também defende a regulamentação da vaquejada como atividade desportiva, embora traga disparidades em relação a forma como as competições devem ser feitas. Já a proposta de Cherini, que também deve ser apensada ao PL de Filho, se volta para a regulamentação dos rodeios como atividade desportiva.

O relator Paulo Bengtson, da Comissão de Meio Ambiente, declarou que a vaquejada, o rodeio, e as variações locais de esportes equestres não gozam da mesma reputação do hipismo, no entanto, “não são expressões menores de atividades esportivas, e vem da mesma ligação entre o homem e o cavalo.”

Embora em 2016, ainda que com resistência por parte dos defensores dos animais, a vaquejada e o rodeio tenham sido elevados à condição de manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial, as proposições que estão em pauta atualmente, e que classificam a vaquejada como atividade desportiva formal, vêm “para regulamentar dispositivo constitucional”, segundo Bengtson.

Grupo de defensores dos animais cria petição e pede apoio contra rodeio em Vila Velha (ES)

Por David Arioch

Pouco se fala também no estresse ao qual o animal é submetido na arena (Foto: Ricardo Nasi/G1)

Um grupo de defensores dos animais de Vila Velha (ES) criou recentemente uma petição e está pedindo apoio contra a realização do “Rodeio Solidário” na cidade, organizado pela Igreja Católica Perpétuo Socorro e com o apoio da prefeitura.

O evento vai ocorrer entre os dias 16 e 19 de maio no Parque Municipal da Prainha. E, para ajudar a fortalecer a oposição ao rodeio e buscar apoio também fora da cidade, o grupo criou uma campanha no Avaaz.org pedindo que as pessoas assinem a petição que até o momento recebeu pouco mais de cinco mil assinaturas.

A justificativa do grupo é de que o rodeio envolve condicionamento e violência contra os animais, já que um touro, em condições normais, não agiria como em uma arena. Outro apontamento é que nos últimos anos surgiram inúmeras denúncias que comprovam os maus-tratos sofridos pelos animais em eventos com rodeios.

O exemplo mais recente foi registrado na ExpoLondrina, onde os animais receberam inclusive golpes na cabeça fora da arena, conforme vídeo divulgado pela ONG Bendita Adoção. Além disso, no ano passado, no Adamantina Rodeo Festival, um touro fraturou as duas patas traseiras.

Além disso, pouco se fala também no estresse ao qual o animal é submetido na arena em decorrência não apenas da violência física, mas também do barulho, da narração do locutor e da gritaria.

Para apoiar a campanha “Diga Não à Tortura Animal nos Rodeios”, clique aqui. 

Conselho de Proteção e Defesa dos Animais quer fim dos rodeios na ExpoLondrina

Conselho qualifica o rodeio como uma prática que objetifica e submete os animais a maus-tratos (Foto Rubem Vital)

De acordo com informações do portal de notícias Bonde, de Londrina (PR), o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comudpa) quer que a comissão organizadora da ExpoLondrina, que termina no próximo domingo, não realize mais rodeios.

A justificativa é que a prática sujeita os animais a maus-tratos e crueldade, ainda que a organização do evento alegue que há uma lista de protocolos de bem-estar animal a serem seguidos.

Segundo o Comudpa, mesmo adotando tais medidas, isso não evita que animais sejam objetificados e submetidos à diversão humana.

“Eu sei que eles irão realizar o rodeio porque é lucrativo, então o Conselho pretende trabalhar para promover a conscientização da população, explicar que não tem como se divertir vendo o sofrimento dos animais”, explicou a presidente do Comudpa, Bruna Ontivero, ao Bonde.

Alexandre Bolfer, responsável pela empresa que auxilia na organização da ExpoLondrina, defendeu que os animais recebem os devidos cuidados do técnico veterinário.

Cavalos selvagens resgatados se tornam amigos inseparáveis

Foto: Skydog Sanctuary

Hawk era um dos 850 cavalos selvagens que foram arrebanhados no Oregon em outubro do ano passado por uma agência federal, o Bureau of Land Management (BLM).

Além de perder sua família, Hawk também se machucou – o que pode significar um fim prematuro para cavalos.

Em um dos currais para cavalos feridos, ele encontrou Chief, outro cavalo selvagem com uma lesão menos severa, que tinha sido arrebatado ao mesmo tempo.

Hawk e Chief foram instantaneamente ligados.

Após serem tratados, eles seriam colocados para adoção como os demais cavalos. Os amigos poderiam ser separados.

Foto: Skydog Sanctuary

Com o passar das semanas, a perna de Hawk não melhorou e o BLM considerou sacrificá-lo. A agência ainda tentou uma última opção: enviá-lo a um santuário para que ele tivesse que ele vivesse uma vida plena.

“Hawk estava prestes a ser sacrificado”, disse Clare Staples, fundador do Skydog Sanctuary , ao The Dodo. “E o outro que pegamos… Eles estavam tão ligados que não queríamos separá-los”.

Assim que Hawk chegou ao Santuário Skydog, no Oregon, ele claramente começou a relaxar. E quando foram soltos em seu novo celeiro, Chief começou a correr e pular de alegria.

Já Hawk, parecia totalmente aliviado por estar em um lugar seguro com seu melhor amigo.

“Ele está muito mais calmo e mais tranquilo e não está mancando tanto”, disse Staples.

Hawk fará um raio X e terá um plano de tratamento formulado para reabilitá-lo, Chief o acompanhará em todo o caminho.

Skydog Sanctuary

“O Chief nunca sai do seu lado e toca nele com o nariz a cada cinco segundos para ter certeza de que está tudo bem”, disse Staples. As informações são do The Dodo.

Hawk e Chief tiveram suas vidas mudadas por duas vezes, mas agora eles tiveram um belo recomeço.

“Eles foram cercados e perderam suas famílias”, disse Staples. “Agora eles têm um ao outro.”

Los Angeles tenta acabar com a realização de rodeios na cidade

Foto: Pixabay

Em uma votação inédita, na última terça-feira (12), a Junta de Comissários de Serviços Animais aprovou por unanimidade uma moção recomendando que o prefeito Eric Garcetti e o Conselho da Cidade de Los Angeles proibissem os eventos de rodeio na cidade. As informações são da LCA.

Rodeios, montaria em touros e cordas de panturrilha, frequentemente resultam em ferimentos graves para os animais envolvidos, incluindo pescoço quebrado, membros quebrados, ligamentos rompidos e até a morte. Algumas jurisdições da Califórnia já proibiram ou restringiram rodeios, como Pasadena, Chino Hills, Laguna Woods, Irvine, São Francisco e Napa County.

Em fevereiro deste ano, a Professional Bull Riders exibiu sua exposição de crueldade contra animais no Staples Center em Los Angeles pela primeira vez.

No Brasil

A prática de rodeios tem sido cada vez mais condenada no Brasil por causar danos físicos e psíquicos nos animais.

Casos de maus-tratos e tratamento cruel de animais explorados nesses eventos já foram comprovados por testemunhos de peritos e veterinários, mas apesar das diversas ações, protestos e pedidos, os rodeios continuam acontecendo sem nenhuma restrição.

Rodeio impede que ativistas pelos direitos animais filmem as competições

Os organizadores do Waikato Rodeo, na Nova Zelândia, estão fazendo tudo ao seu alcance para impedir que ativistas entrem no festival e filmem as cenas de crueldade e abusos que acontecem nestes eventos.

Entre 3500 e 4000 pessoas devem comparecer ao Waikato Rodeo no dia 16 de fevereiro.

Cenas terríveis foram registradas em outro rodeio, perto de Whangarei, no início deste mês e ele já informaram que alguns procedimentos serão implementados.

O presidente do rodeio, Wayne Raymond, se recusou a explicar o que eles serão.

No entanto, ele confirmou que a proibição de dispositivos de filmagem de alta potência – vistos no Mid Northern Rodeo – permanecerá, embora as pessoas possam filmar e tirar fotos em smartphones.

Os manifestantes no Mid Northern Rodeo afirmaram que foram empurrados e ameaçados por fãs de rodeio que eram contra a filmagem do evento.

Estima-se que cerca de 4.000 pessoas devam comparecer ao Waikato Rodeo em 16 de fevereiro no Kihikihi Domain. As informações são da Stuff NZ.

Este é o capítulo mais recente de um conflito de longa data – ativistas pelos direitos dos animais acreditam que os rodeios são cruéis e devem ser banidos, enquanto os vaqueiros e vaqueiras afirmam que rodeios não maltratam os animais e que é um esporte que faz parte da cultura dos países.

Raymon rejeitou as alegações de que as restrições de filmagem estavam em vigor porque o rodeio estava tentando esconder imagens. O Waikato Rodeo ofereceu a chance de levar os espectadores a olharem nos bastidores dos cowboys e cowgirls se preparando para o evento.

Os organizadores do Waikato Rodeo proibiram o uso de câmeras de alta potência.

Apollo Taito, da Direct Animal Action, disse que os organizadores do rodeio estavam se contradizendo com a proibição de filmar.

“A suposição é que manifestantes ou ativistas estão editando ou alterando as filmagens de uma forma não favorável. Não precisamos fazer isso e, se quisermos usá-lo como evidência para o MPI, ele não pode ser alterado ou editado”.

Ele confirmou que protestarão contra o rodeio deste ano.

“Estaremos do lado de fora da entrada principal com o nosso pessoal e nossos cartazes, pedindo a proibição dos rodeios e do governo trabalhista para cumprir suas promessas pré-eleitorais de proibir os rodeios”.

O porta-voz da Anti Rodeo Action, Lyn Charlton, disse que eles ainda estavam pensando em seus planos para o Waikato Rodeo. Se fosse tão aberto e claro quanto Raymond afirmou, não deveria haver problemas do grupo filmar a ação.

Ela disse também que o público precisa começar a pensar nos motivos que levam estes clubes de rodeio a tentar impedir que as filmagens sejam feitas.

 

 

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Ativistas são agredidos durante protesto contra rodeios

Ativistas foram agredidos, empurrados e ameaçados por frequentadores de rodeio enquanto faziam um protesto pacífico contra a prática no Mid-Northern Rodeo, nos arredores da cidade de Whangarei, Nova Zelândia. Eles disseram que isso não irá impedi-los de continuar protestando.

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Foto: Stuff

Enquanto alguns ativistas montaram acampamento fora do Mid-Northern Rodeo, no sábado (12/01), outros compraram ingressos para filmar o evento. Ambos os grupos dizem que foram confrontados com o comportamento agressivo dos fãs de rodeio e estão considerando prestar queixas à polícia.

Ativistas dentro do evento também foram informados pelos organizadores do evento que não poderiam filmar com câmeras de alta definição. O evento foi interrompido por um momento e os ativistas foram informados de que seriam expulsos, mas não pararam de filmar.

O porta-voz da Direct Animal Action, Apollo Taito, disse que “há uma falta de transparência no rodeio que é seriamente preocupante. O que eles estão escondendo? Eles temem que outro animal morra hoje e o ato seja flagrado pela câmera?”

Os ativistas costumam fazer protestos durante a temporada de rodeio e estão intensificando suas ações neste verão após a morte de dois animais em um evento em Gisborne em dezembro.

Taito disse que o grupo já viu animais morrerem em rodeios e estava preocupado com o fato de que os organizadores desses eventos não precisam prestar conta das mortes dos animais à justiça, o que significa que não há um registro oficial do total de mortes.

“Há muito sigilo em meio aos eventos. Muitos rodeios baniram câmeras. Eles têm muito a esconder”, disse ele.

Marianne Macdonald, diretora de campanhas do grupo Safe, afirmou que o comportamento dos frequentadores de rodeio no evento de sábado diz muito sobre a cultura da prática.

“Os organizadores do rodeio negam que intimidem os animais, mas os espectadores acreditam que podem atacar fisicamente os outros presentes, assim como os animais são agredidos nas arenas”, disse ela.

“As filmagens e as câmeras foram proibidas em muitos eventos de rodeio. Os organizadores alegam que esse conteúdo pode ser retirado do contexto e usado para mostrar o rodeio sob uma luz ruim. No entanto, eles não podem fugir do fato de que o contexto é o rodeio e o conteúdo é o abuso de animais.”

Em 2017, um dos responsáveis pelos animais no Mid-Northern Rodeo foi flagrado eletrocutando jovens bezerros durante uma investigação da Anti-Rodeo Action NZ. O homem recebeu apenas uma advertência formal pelo ato hediondo.

No final do ano passado, a New Zealand Animal Law Association (NZRCA) lançou um processo judicial privado contra o homem, após o investigador ter confessado os crimes cometidos.

Ação civil pública tenta impedir realização de rodeios na Guarafest 2019

Foto: Curta Mais | Ilustração

O Fórum de Defesa dos Direitos dos Animais de Curitiba e Região (FDDA Curitiba e Região), representado pela organização SOS Bicho e pela Associação de Proteção aos Animais Arca de Noé, impetrou a abertura de uma ação civil pública com pedido de liminar para impedir a exploração de animais em rodeios que serão realizados no evento Guarafest 2019, na cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná.

O evento está sendo organizado pela empresa Sólida Rodeios Promoção de Eventos e Fogos e contará com provas de montaria e espetáculos de rodeios country. A Guarafest 2019 será realizada entre os dias 10 e 20 de janeiro e contará ainda com um show do cantor Luan Santana.

Intrinsecamente cruel e abusiva, a prática de rodeios é proibida na cidade de Guaratuba desde 2017, após aprovação da lei municipal 1.719 que cria o Código de Defesa, Controle de Natalidade e Proteção dos Animais e proíbe a exploração de animais em espetáculos circenses, carreatas ou qualquer outra atividade que os exponha a situação de maus-tratos.

Reprodução | Facebook

Em um ofício enviado à Promotoria de Justiça de Guaratuba, a FDDA Curitiba e Região reforça que o abuso e maus-tratos em espetáculos como rodeios são inconstitucionais e que a indiferença do Estado compactua com a tortura de animais. “É inaceitável que o Estado do Paraná, às vésperas do terceiro milênio, reste em silêncio ante a tortura e maus-tratos impostos a um animal indefeso. Assim, imprescindível a aplicação da lei para combater os fortes interesses econômicos individuais em prol de uma sociedade justa, sensível e que impeça o tratamento desumano e brutal conferido aos animais. A prática do rodeio tem sido cada vez mais condenada no Brasil, seja por causar danos físicos e psíquicos nos animais, seja por não compactuar com as normas constitucionais e infraconstitucionais de proteção animal. Várias são as notícias veiculadas na mídia sobre a proibição pelo Judiciário de atividades de rodeio ao longo do país”, diz trecho do documento.

O ofício, que pode ser visto na íntegra aqui, reúne ainda estudos de casos, provas de maus-tratos e tratamento cruel de animais explorados em rodeios, além de um levantamento de testemunhos de peritos e veterinários sobre os maus-tratos intrínsecos à atividade.