Mercado que explora roedores para venda cresce 10% ao ano na Bahia

O mercado que explora roedores para venda, tratando-os como meras mercadorias, tem registrado um crescimento de 10% ao ano na Bahia. Em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, funciona o Caviário Dakadu, o maior do estado. O local cria 250 animais de cinco espécies, dentre elas o porquinho-da-índia, os hamsters e os gerbis.

Foto: Caviário Dakadu

“A procura tem sido grande e nos últimos cinco anos aumentou mais de 50%. As pessoas foram perdendo o medo de criar roedores, e eles foram se popularizando. Principalmente por serem muito independentes e não exigirem carinho o tempo todo. Se colocar comida uma vez por dia eles já ficam quietinhos”, afirma Kátia Santa Rosa, do Caviário Dakadu, que foi fundado há 10 anos pelos pais dela.

No criadouro, há também minicoelhos, espécie vítima de abandono após a Páscoa. Comprados por impulso neste período, eles costumam ser descartados na rua, sofrem e morrem.

O aumento do comércio dos roedores foi tamanho que motivou a criação da Associação Brasileira de Roedores e Lagomorfos (ABRL), com sede no Maranhão. Há mais de 30 associados em todo o Brasil, segundo o portal Correio 24 Horas.

“Já há uma grande aceitação em relação aos porquinhos-da-índia. Mas nosso objetivo é ajudar a difundir também a criação de outros roedores. Porque as pessoas ainda confundem e têm preconceito, por exemplo, com as ratazanas que vivem nos esgotos e são consideradas pragas. Queremos mostrar que se esses animais forem criados da forma correta, eles também podem ser animais de estimação, assim como gatos e cachorros”, diz Arthur Mendes, presidente da ABRL, ao demonstrar o interesse em fazer com que mais espécies de roedores sejam tratadas como objetos passíveis de venda e não como seres vivos sensíveis.

(Foto: Kátia Santa Rosa)

Os criadores também emitem um registro geral para os animais, uma espécie de carteira de identidade. Até o momento, mais de 500 roedores, ligados a associação, têm registro no Brasil.

Além do comércio, a associação planeja explorar animais em shows e concursos, nos quais eles serão expostos para entretenimento humano, em mais uma face da exploração animal. O objetivo é julgar a beleza do animal para verificar até que ponto os animais reproduzem as características da cada raça.

Na Bahia, em 2017, foi criada a União dos Roedores da Bahia, que conta atualmente com 114 criadores. O grupo se reúne mensalmente para realizar palestras e trocas de experiências.

Nota da Redação: animais não vieram ao mundo para servir e beneficiar humanos, tampouco para serem tratados como mercadorias. Vender roedores para obter lucro com a vida deles é imoral e antiético. Vidas não devem, em hipótese alguma, ser vendidas, tampouco expostas em feiras agropecuárias, shows e concursos, como se fossem objetos de exposição. É preciso respeitar os animais, garantindo a eles a dignidade de serem tratados como sujeitos de direito, sem explorá-los para o comércio ou eventos de entretenimento humano.

Refúgios da vida selvagem salvam 13 espécies de mamíferos australianos da extinção

Bilbies mamíferos australianos ameaçados de extinção | Foto: Bruce Thomson

Bilbies mamíferos australianos ameaçados de extinção | Foto: Bruce Thomson

Os proprietários de gatos estão sendo encorajados a manter seus animais domésticos dentro de casa, o motivo é recente descoberta dos pesquisadores australianos de que 13 dos mamíferos nativos do país, existem atualmente apenas em áreas protegidas devido à introdução de predadores no ecossistema.

O Centro de Recuperação de Espécies Ameaçadas, um grupo que conta com a colaboração de cientistas de 10 das principais universidades australianas, vem realizando uma auditoria dos refúgios de conservação de animais no país.

Eles descobriram 13 espécies que agora só existem dentro desses locais protegidos, incluindo as espécies de roedores “eastern barred bandicoot”, bandicoot-listado-oriental e o “greater stick nest rat”, rato de ninho de pau (ambos endêmicos da Austrália).

A professora Sarah Legge, da Universidade de Queensland, disse que a principal causa da morte das espécies têm sido a caça protagonizada por gatos e raposas.

“Todas essas 13 espécies estão presentes nas ilhas, e oito delas também habitam em áreas cercadas e protegidas dentro no continente”, disse a professora Legge.

“Precisamos resolver esse problema, porque isso têm devastado a ecologia deste país”, alerta ela.

“Refúgios e centros de proteção são a forma mais extrema de intervenção, mas há uma variedade de espécies que se beneficiam disso quando você reduz a ação de gatos e raposas com propostas simples de proteção e isolamento”.

Atualmente existem cerca de 101 refúgios protegidos que estão em quarentena, livres de predadores introduzidos, com uma área total de mais de dois mil quilômetros quadrados.

Há também dezessete refúgios cercados no continente australiano, cobrindo 346 quilômetros quadrados.

Nas áreas de proteção localizadas nos continentes, a principal ameaça são os gatos.

“Não temos como impedir os gatos de atacar, eles agem por instinto e a única opção é isolar os roedores ameaçados”, disse a professora Legge.

Ela alega que nas áreas selvagens onde também há refúgios, os gatos são selvagens mas as quantidades são menores o que mantem o ecossistema em equilíbrio.

Mas os gatos domésticos podem causar grandes danos a essas espécies quando saem da casa de seus tutores para “dar voltas” pela rua.

Sarah Legge explica que em sua visão gatos mantidos seguros em casa ajudam a todos, inclusive a eles mesmos, pois correm menos riscos de atropelamento e de ficarem expostos a outros acidentes com os demais animais, incluindo cães, enquanto estão fora de casa.

“Muitas pesquisas apontam que manter seu gato em casa é muito mais seguro do que permitir que ele saia para a rua”, reflete a professora.

“Gatos que saem podem se envolver em brigas, correm o risco de se perder, por isso, contanto que você ofereça um ambiente comportamentalmente rico (com diversões estimulantes do ponto de vista cognitivo) em ambientes fechados, é muito melhor para o seu gato”.

O Dr. Michael Bode, da Universidade de Tecnologia de Queensland, lembra que é preciso haver colaboração e coordenação em nível nacional nos refúgios de proteção para prevenir futuras extinções de mamíferos.

“Agora sabemos onde precisam existir novos refúgios e, com apenas 12 novos desses centros, podemos proteger todas as espécies ameaçadas de mamíferos vulneráveis à predação por gatos e raposas”, diz ele.

“Mas a longo prazo, precisamos encontrar formas de reduzir os impactos de raposas e gatos em toda a Austrália, para que possamos restaurar nossos mamíferos nativos às paisagens de origens deles em larga escala”, declara o dr. Michael.

“Até lá, os refúgios livres de gatos e as raposas são fundamentais na prevenção de extinções dessas espécies”, conclui ele.

Em Queensland, os pesquisadores da UQ (Universidade de Queensland) estão tentando recuperar populações de bilby (marsupial endêmico da Austrália) no Parque Nacional Currawinya, um refúgio especialmente vedado e à prova de predadores no longínquo sudoeste de Queensland.

Pesquisadores dizem que os bilbys são altamente adaptáveis e quando a ameaça predatória de raposas e gatos é isolada, suas populações crescem rapidamente em função de seus ciclos curtos de reprodução.