Mercearia substitui embalagem de plástico por folha de bananeira em SP

A Casa Santa Luzia, mercearia quase centenária localizada na cidade de São Paulo, decidiu trocar as embalagens plásticas por folhas de bananeira, optando por uma alternativa sustentável, que tem agradado os clientes.

A mercearia se inspirou em um supermercado tailandês que está testando a folha de bananeira como alternativa para o excesso de plástico usado para embalar alimentos. As informações são do portal Ciclo Vivo.

Foto: Agência Twist

“Resistente, impermeável e flexível, ela também é biodegradável, ou seja, pode ser usada na compostagem ou, se descartada, irá se decompor naturalmente, de forma muito mais rápida em relação ao plástico”, disse Ana Maria Lopes, diretora da Casa Santa Luzia.

Segundo ela, a iniciativa partiu dos funcionários do local. Foi então que a loja buscou um fornecedor e verificou a viabilidade de implantação das folhas e também a aceitação do público.

“Este fornecedor foi muito receptivo com a ideia e rapidamente nos enviou uma amostra e, na mesma semana, efetuamos a primeira compra”, afirmou Ana Maria. E a novidade foi muito bem aceita pelos clientes. “De imediato tivemos a aceitação do consumidor tornando possível manter o produto em linha”, completou Ana Maria.

Atualmente, um terço do lixo doméstico brasileiro é composto por embalagens que são usadas uma única vez, gerando um forte impacto no meio ambiente.

Além de proteger a natureza, a opção por embalagens sustentáveis, segundo a diretora da Casa Santa Luzia, também pode ser lucrativa. De acordo com Ana Maria, desde que a mercearia passou a usar a folha de bananeira para embalar os produtos, foi registrado um aumento nas vendas, o que, inclusive, levou a loja a cogitar uma expansão da alternativa ecológica. “Existe abertura e negociação com outros fornecedores para futura expansão de mix de produtos”, concluiu.

Lei que proíbe mutilar animais para fins estéticos é sancionada em Itapevi (SP)

Uma lei que proíbe que animais domésticos e silvestres sejam mutilados para fins estéticos foi sancionada pelo prefeito de Itapevi (SP), Igor Soares. Com a nova legislação, fica proibido procedimentos como corte da orelha, da cauda, retirada das cordas vocais, de unhas e dentes por razões estéticas.

Foto: Pixabay

Esses métodos só poderão ser feitos para fins terapêuticos ou de recuperação de animais, em caso que o quadro de saúde leve à necessidade da realização dos procedimentos. As informações são do portal Webdiário.

O autor da medida, o vereador Professor Rafael (Podemos), afirmou que se baseou na resolução nº 48 do Meio Ambiente de São Paulo para elaborar o projeto. A resolução considera infrações contra a fauna matar, perseguir, caçar, apanhar, coletar ou utilizar espécimes silvestres, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida.

A lei estabelece como punição para quem desobedecer à nova norma uma multa de R$ 3 mil, que deve ser aplicada por funcionários da Secretaria de Meio Ambiente e Defesa Animal.

“Diante das dores e sofrimentos dos animais em práticas estéticas ou arbitrárias sem uso de curativos e na ausência de normas para sua proteção, compreendi que seria de muita importância que tivéssemos em nosso município uma legislação que contemplasse este problema”, disse Rafael.

O parlamentar lembrou que o objetivo principal da legislação é proteger os animais, resguardando a integridade física e psicológica deles com a proibição do uso de motivos torpes como justificativa para procedimentos de mutilação.

A prática de alguns desses procedimentos para fins estéticos, como o corte da cauda e da orelha de animais, ainda é bastante comum.

Especialistas lembram que procedimentos cirúrgicos devem ser feitos apenas quando há necessidade, como é o caso da castração, que reduz o abandono ao diminuir o número de ninhadas, e protege a saúde dos animais castrados, diminuindo a possibilidade de desenvolverem doenças como o câncer, que, no caso dos cachorros, é a principal causa de mortalidade.

São Paulo faz acordo internacional para reduzir plásticos descartáveis

A Prefeitura de São Paulo deve anunciar, nas próximas semanas, um acordo internacional feito pela cidade para a redução de plásticos descartáveis. Um projeto que proíbe todos os plásticos de uso único também tramita na Câmara Municipal e outra proposta, que proíbe canudos plásticos, aguarda a aprovação, já prometida, do prefeito Bruno Covas (PSDB).

Rosley Majid / EyeEm/Getty Images)

O acordo internacional que a capital paulista integra é o Compromisso Global para a Nova Economia do Plástico, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Prefeitura de São Paulo assinou o acordo no final do mês de março, mas deve divulgá-lo apenas no próximo mês. As informações são do portal Exame.

As metas do acordo serão determinadas pela prefeitura. Entre as ações, São Paulo deve adotar ações para eliminar o uso de embalagens de plástico desnecessárias e incentivar modelos de reciclagem do plástico. O objetivo é melhoras os índices de reciclagem da cidade, que atualmente estão abaixo de 10%.

Trata-se da primeira cidade do continente a integrar o acordo, que tem os governos do Chile, do Peru e de Granada, no Caribe, como signatários. Em outros países, projetos semelhantes têm sido promovidos. Em 2018, a União Europeia estabeleceu como meta banir o uso de canudos e outros produtos plásticos até 2021. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a proibir os canudos.

No caso do projeto aprovado na Câmara Municipal de São Paulo em abril, fica proibida a distribuição de canudos plásticos em restaurantes, bares, hotéis e salões de eventos. O texto sugere a substituição do produto por outro feito de material descartável, como de papel reciclável ou material biodegradável.

Apesar de ter apoiado a medida, o prefeito ainda não a sancionou. Ele precisa, também, regulamentar a lei e decidir, por exemplo, a quem caberá fiscalizar a lei e aplicar as multas, que vão de R$ 1 mil a R$ 8 mil.

Outro projeto sobre a proibição dos plásticos tramita na Câmara. De autoria do vereador Xexéu Trípoli, o PL 99/2019 proíbe “o fornecimento de copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas e varas para balões de plásticos descartáveis” nos locais em que a distribuição dos canudos foi banida. As penalidades para o descumprimento da medida são as mesmas.

Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), colocou-se favorável aos projetos e disse “qualquer medida para o meio ambiente tem o nosso apoio”, mas afirmou que “essas medidas precisam ser bem discutidas, com prazos para a adequação”.

Resíduos sólidos

O lixo produzido e coletado em São Paulo é levado para o Aterro São João, na Zona Leste do município. Apesar de não ser levado para perto do mar, especialistas dizem que é um equívoco acreditar que o acúmulo de plástico no meio ambiente não tem relação com o lixo produzido em São Paulo.

“O problema não é o lixo que vai para o aterro. É o que não é coletado, que é jogado nas ruas, não é recolhido, e vai parar em córregos e rios”, diz o professor de Engenharia Ambiental da USP Ronan Contrera.

Canudos de aço inox

Canudos de aço inox são oferecidos para os clientes que fazem questão de utilizar o produto no restaurante de comida natural Estela Passoni, na Zona Oeste de São Paulo. O local foi inaugurado há dois anos e nunca trabalhou com canudos de plástico.

“Nunca foi um problema, mas o fato de estar aqui em Pinheiros ajuda”, diz Mariana Passoni, de 34 anos, uma das sócias do restaurante localizado na Rua Joaquim Antunes. No bairro onde o estabelecimento está é comum, entretanto, encontrar bares e restaurantes que, até devido à consciência ecológica do público, oferecem canudos biodegradáveis. Já no restaurante de Mariana, os canudos de aço inox são um sucesso e a versão dobrável deles é vendida a R$ 55.

Na prateleira do restaurante, há também copos de silicone. Uma sorveteria na Rua dos Pinheiros também já ofereceu desconto de 10% para clientes que levam potes de casa para consumir a sobremesa e trocou as pazinhas de plástico por outras, de madeira. O canudo usado no local é de papel.

“Os clientes mesmo não aceitam mais os canudinhos de plástico”, diz Adenilson Santos, maître do Le Jazz, na mesma região. Na Choperia São Paulo, há quatro meses os canudos de plástico foram banidos, tendo sido substituídos por canudos feitos de cana-de-açúcar, ideia que partiu do barman Elivaldo Campos, de 40 anos.

O cenário deu origem, inclusive, à campanha Recicla Pinheiros, que dá um selo a estabelecimentos que descartam o lixo de forma consciente, possuem pontos de coleta e oferecem experiências sustentáveis, como oferecer água do filtro aos clientes. “Queremos ser o bairro mais sustentável de São Paulo”, resumem os organizadores. Quarenta e oito locais já receberam o selo.

Os organizadores pretendem, em julho, ter um mapa que indique a localização das lojas que receberam o selo. “A meta, que é ter lixo zero, está repercutindo dentro dos estabelecimentos”, diz Vanêssa Rêgo, presidente do Coletivo Pinheiros, associação da qual fazem parte 80 estabelecimentos.

“Pinheiros reúne uma comunidade com um pouco mais de consciência”, diz Paula Gabriel, diretora de comunicação corporativa da TriCiclos, empresa de economia circular e gestão de resíduos que está entre as organizadoras da campanha. Atitudes como abrir pontos de coleta de pilhas podem ser replicadas facilmente, segundo Paula.

Na Vila Madalena, clientes costumam pedir bebidas sem canudo no Boteco do Urso. Outros, levam os próprios canudos, de aço inox. No Astor, na mesma região, o bar lançou canudos feitos de macarrão e brincou: “teremos macarrão ao suco”. O local prometeu fornecer a versão de papel para os intolerantes a glúten.

No Pasquim, os canudos de papel chegara há dois meses. “A maioria dos frequentadores aceita sem resistir”, diz Ricardo Tudeia, gerente do bar. No entanto, ainda segundo Tudeia, o novo produto pode custar 600% a mais que o feito de plástico e, às vezes, se desfaz com a bebida, o que faz com que o bar tenha que repor o canudo para o cliente.

Shopping inaugura banco de doação de sangue animal em São Paulo

O Continental Shopping, localizado na Zona Oeste da cidade de São Paulo, inaugurou um banco de doação de sangue animal. O objetivo é incentivar a coleta e doação de sangue de animais, prática que ainda não é comum no país.

O local recebeu o nome de Pets & Life e funciona não só como banco de sangue, mas como um centro de diagnósticos. As informações são do portal iG.

Foto: shutterstock

Para doar sangue no shopping, as regras para os gatos são: ter mais de 4 kg, estar em boa condição de saúde e com as vacinas em dia. No caso dos cachorros, é necessário ter mais de 28 kg, estar vacinado e com boa saúde.

Para confirmar que o animal está saudável, exames gratuitos são realizados. E antes do sangue ser repassado ao animal receptor, um teste de compatibilidade é feito, já que os animais podem apresentar reações alérgicas à doação.

Cada bolsa de sangue doada pode ajudar até três animais receptores. O atendimento na Pets & Life é feito de segunda a sexta, das 8h às 21h, de sábados das 8h às 18h e aos domingos das 10 às 16h, na Avenida Leão Machado, 100.

Condomínio começa a matar capivaras e ambientalistas tentam salvar animais em Itatiba (SP)

O Condomínio Ville de Chamonix, em Itatiba, no interior de São Paulo, contratou uma empresa ambiental para matar as capivaras que vivem no local. O síndico do empreendimento, José Augusto, disse que três capivaras já foam mortas. No entanto, o presidente da ONG União Protetora dos Animais, César Rocha, afirmou que foram quatro animais mortos.

Capivara à margem de lago no condomínio (Foto: Divulgação / Correio)

“Uma armadilha já estava montada e nesta manhã houve a captura. Infelizmente temos que seguir a ordem dos órgãos estaduais”, disse Augusto. O síndico se refere à Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SMA), que determinou, no início do mês, que as capivaras fossem mortas após um morador do condomínio morrer ao contrai febre maculosa, o que levou a Superintendência de Controle de Edemias (Sucen) a considerar o local como área de risco para a transmissão da doença. O documento que determina o extermínio, datado de 6 de maio de 2019, estabelece como prazo o dia 7 de março de 2020 para o término do procedimento que pretende levar todos os animais do local à morte.

O caso indignou um grupo de moradores do condomínio e ambientalistas, que se uniram e coletaram 129 assinaturas para convocar uma nova assembleia geral do condomínio e apresentar uma solução, segundo eles, judicialmente legal, para evitar que o extermínio dos animais continue ocorrendo. O abaixo-assinado foi protocolado na administração do condomínio nesta terça-feira (21), segundo Rocha. As informações são do Correio, do grupo RAC.

“Recebi uma parte das assinaturas e faremos a triagem para ver a validade delas. Preciso receber tudo e ver se é possível convocar a assembleia”, disse o síndico. “Infelizmente, os filhotes não tem jeito, eles precisam ser sacrificados, mas os adultos pode ser revisto. Tudo depende da solução legal que o pessoal apresentar. Não depende do condomínio, pois o caso tem de ser avaliado pelos órgãos estaduais”, acrescentou Augusto.

Pelo estatuto do condomínio, é preciso ser apresentado um abaixo-assinado com 128 assinaturas de proprietários de casas do local que estão com a situação regular com o empreendimento residencial para convocar uma assembleia.

A empresa contratada para matar as capivaras instalou armadilhas com caça-de-açúcar no condomínio, que conta com 508 lotes e 480 famílias, sendo uma pequena parcela de veraneio. De alto padrão, o condomínio é cercado e está localizado em uma área verde, com seis lagos, pelos quais as capivaras circulam.

Em Campinas (SP), casos de capivaras mortas a pedido da SMA já ocorreram no Condomínio Alphaville e no Largo do Café.

Áreas protegidas da Amazônia perdem equivalente a 6 cidades de SP em 30 anos

Áreas protegidas da Amazônia, que deveriam ter “desmatamento zero”, perderam o equivalente a seis cidades de São Paulo em vegetação em três décadas. O espaço corresponde a 953 hectares desmatados em unidades de Conservação (UCs), terras indígenas (TIs) e quilombolas, que deveriam ter sido preservados.

Foto: Marcelo Brandt/G1

Essas áreas, que estão cercadas por territórios ainda mais desmatados, e que não saíram ilesas da exploração humana, são responsáveis pela preservação de mais da metade da floresta. Em 1985, elas representavam 47% da floresta amazônica, hoje representam 53%, segundo um monitoramento de satélite feito pelo projeto Mapbiomas.

A Floresta Nacional (Flona) do Tapajós abriga mais de mil famílias que caçam, plantam e extraem recursos da natureza apenas para sobreviver. Nas imediações, ao lado da unidade de conservação, é feito o cultivo de grãos. A Flona fica na cidade de Belterra. O município registrou 10% de desmatamento na floresta em três décadas. O percentual dentro da unidade, entretanto, foi de 0,1%. As informações são do G1.

A diferença entre as áreas protegidas e os outros locais da região começou a se intensificar nos anos 1970, quando a BR-163 foi inaugurada, em Mato Grosso, pelo governo militar, quase junto da demarcação da Flona do Tapajós, em fevereiro de 1974. Um plano de povoar o Pará era colocado em prática na época. Com isso, muitas famílias foram vive no estado e começaram a formar, com o passar dos anos, pequenas comunidades. Depois, a maior parte das terras desmatadas foi transformada em pastagem que, em seguida, foi substituída por agricultura. Esse ciclo de desmatamento da Amazônia ainda se repete atualmente e boa parte dos vegetais produzidos, especialmente a soja, são plantados para alimentar animais explorados e mortos para consumo humano.

Foto: Rodrigo Sanches/G1

De acordo com a promotora de Justiça Ione Nakamura, que trabalha para regularizar as terras da região, por falta de registro de quem ocupa as áreas, não é fácil encontrar o responsável pelo desmatamento ou qualquer outra exploração irregular da natureza. Se uma área rural é privada e está situada na Amazônia Legal, ela deve respeitar a regra de proteger 80% da floresta.

Para tentar resolver o problema, o governo criou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em 2012. Por meio da ferramenta, que é autodeclaratória, a pessoa diz que é dona da terra e informa dados ambientais, depois faz a confirmação junto ao governo. No entanto, há casos de sobreposição, quando duas ou mais pessoas declaram ser proprietárias da mesma terra. Em 2017, um levantamento do G1 descobriu que mais de 11 mil declarações sobrepostas em terras indígenas foram homologadas no Brasil.

“Ocupa-se a área pública, e é feito o desmatamento como forma para valorizar a terra e vender. Se uma área tem aptidão para agricultura, ela vai valer mais”, diz Tasso Azevedo, coordenador-técnico do Observatório do Clima e coordenador-geral do MapBiomas.

Fora das áreas protegidas, 39,8 milhões de hectares foram perdidos na Amazônia em 30 anos, o que representa 19% de toda a floresta natural não demarcada que existia em 1985. A perda equivale ao tamanho de 262 cidades de São Paulo. Nas áreas protegidas, perdeu-se 0,5%.

Foto: Rodrigo Sanches/G1

Segundo os dados de satélite, todos os biomas brasileiros sofrem e são transformados para servir de área para o agronegócio. Pastagem e agricultura são, hoje, 84% do que se tornou a Amazônia nos últimos 33 anos.

Segundo Caetano Scannavino, que mora na região de Santarém há mais de 30 anos e coordena a ONG Saúde e Alegria, não é possível separar a preservação da natureza da manutenção do regime de chuvas da região e, como consequência, do sucesso das lavouras.

“Se você não tem água, você não tem agricultura”, disse ele, que completou afirmando que é “contra desmatar a floresta para botar soja ou boi”.

Ambientalistas alertam para o risco do percentual de 80% de preservação da floresta em propriedades rurais sofrer alteração. Isso porque um projeto de lei (2.362/2019), apresentado por Flávio Bolsonaro (PSL) e Marcio Bittar (MDB), quer eliminar a obrigatoriedade de manter a reserva legal prevista na Código Florestal, lei 12.651, de 2012.

Para o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Eduardo Assad, produzir e exportar mais sem aumentar o tamanho do terreno onde está a lavoura é o modelo que vai garantir mais lucro no futuro. Assad defende o uso de terras que já desmatadas e cita um estudo recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentado em 2014, chamado o TerraClass, que traz os números de terras que poderiam ser aproveitadas na Amazônia sem destruir mais floresta primária – isso é, que ainda não foi desmatada.

Foto: Marcelo Brandt/G1

“São 17 milhões de hectares desmatados na Amazônia em regeneração. O dado é de 2014, mas de lá para cá piorou. Além disso, são mais 10 milhões de hectares de pastos degradados só no bioma. No Brasil, são 70 milhões de hectares de pastos com baixa produtividade”, disse.

Segundo ele, 87 milhões de hectares podem ser ocupados sem a necessidade de alterar o Código Florestal. O que permitiria, de acordo com o pesquisadora, em uma estimativa conservadora, mais de 240 milhões de toneladas de grãos sem realizar novos desmatamentos.

“A maior biodiversidade do planeta está nas nossas mãos. Então, além de um privilégio, também é uma grande responsabilidade em tempos de mudanças climáticas. A Amazônia gera benefícios globais, mesmo que os custos muitas vezes sejam locais”, concluiu Caetano Scannavino.

‘Berçário’ de aves nasce em piscinão de Campinas (SP)

A presença de uma nascente transformou o piscinão da Avenida Norte-Sul, em Campinas, em um berçário de aves migratórias. As espécies encontraram no espaço um ambiente rico em alimentos e com características favoráveis para reprodução. A presença desses animais tem encantado os campineiros que passam pela região todos os dias ou que trabalham nas imediações.

Leandro Torres/AAN

Para zoóloga do Departamento de Bem Estar Animal (Dpbea) da Prefeitura de Campinas, Eliana Ferraz, o motivo principal da aparição dos pássaros está diretamente ligado a grande urbanização das cidades. Ela explica que, cada vez mais, inúmeras espécies estão perdendo seus habitats em razão da prática do desmatamento  e da falta de preocupação das pessoas com a preservação desses espaços.
“A redução das áreas verdes é um problema mundial e que está causando um desequilíbrio imenso para os animais, que estão migrando para outras regiões em busca de alimentos e de um local para sobreviver”, comentou.
No caso da bacia de contenção da Norte-Sul, confluência entre as avenidas Orosimbo Maia e a Júlio Prestes, é possível encontrar inúmeras espécies diferentes convivendo juntas, como o pernilongo-de-costa-branca e o maçaricão. Algumas outras espécies ainda chamam a atenção por serem típicas da região do Pantanal, como o tapicuru: uma ave que tem o hábito de caminhar lentamente por lagos rasos e, com o bico, ficar sondando a lama em busca de alimentos como crustáceos e moluscos. “No Pantanal é muito comum essa ave se reproduzir em colônias, mas aqui em Campinas, eles estão fazendo o ninho no chão ou em áreas abertas, porque estão protegidos pelo espaço que possui características semelhantes à de um vale”, disse.
Eliana afirmou ainda que a região escolhida pelos animais para reprodução não é à toa. “Tem um assoreamento que cresceu junto com a vegetação. O espaço conta ainda com água razoavelmente rasa, o que permite com que espécies como o tapicuru, caminhem por ela em busca de alimentos”, ressaltou. O trecho conta com um manancial formado pelos córregos Proença e Serafim, que depois formam o Ribeirão Anhumas.
Preservação
Apesar de a história dos pássaros exóticos do piscinão chamar atenção, Eliana explica que a preservação deste e de outros espaços com vegetação segue sendo o único meio possível de garantir a preservação de espécies como pernilongo-de-costa-branca, o maçaricão e o tapicuru. “É importante preservar o meio ambiente e as nascentes, para que os animais possam continuar procriando, já que eles, em sua grande maioria, têm essa capacidade de se adaptar ao ambiente urbano, se encontrarem condições mínimas de sobrevivência”, comentou
Fonte: Correio Popular

Osasco (SP) inaugura o maior Hospital Veterinário Público do Brasil

Marcelo Silva, ou Marcelão como é conhecido no meio político, é o atual secretário de Meio Ambiente de Osasco (SP), ele está a frente da entrega do Hospital Veterinário da Zona Norte, que aconteceu na última semana.

Segundo o secretário, a entrega do local começou pela revitalização do espaço onde antes era apenas a CCZ. O espaço ganhou um novo paisagismo, a via que fica em frente foi revitalizada. “Nós demoramos um ano para deixar tudo perfeito, hoje nós temos um hospital veterinário fantástico na nossa cidade. Isso é histórico, ter um hospital como este para Osasco e para a região oeste é fantástico”, disse.

Foto: Reprodução / Correio Paulista

De acordo com Marcelo Silva, o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste (Cioeste) estuda participação no Hospital. “Eles estão se manifestando em poder nos ajudar aqui no município, como uma contrapartida para que as outras cidades possam utilizar o local. Nós somos referência. Já recebemos visitas de vários secretários municipais de outras cidades”, afirmou.

O Hospital Veterinário da Zona Norte de Osasco conta com oftalmologista, cardiologista, cirurgião geral e ortopédico. São seis consultórios, uma sala de enfermaria para cães e outra para gatos. Todas as cirurgias contam com um anestesista. Por dia é possível fazer até 15 cirurgias em três salas diferentes. O local conta com um equipamento de Raio-x de última geração, o aparelho de ultrassom também é um dos melhores do país e poucos locais tem um igual.

“O tutor poderá visualizar os exames do seu animal pela internet, ele também assistirá o animal na cirurgia”, contou. Além disso, um auditório para 150 pessoas estará à disposição de protetores de animais ou instituições ligadas à causa animal para que eles possam dar palestra ou promover algo relacionado aos animais. Caso precise de internação, o cão ou gato poderá ficar no local por tempo indeterminado.

Fabio Cardoso é um dos responsáveis pelo projeto do hospital e um dos profissionais mais respeitados da área. Na prefeitura de Osasco, ele é diretor do departamento de Fauna e Bem Estar Animal. “Desde o início do projeto, eu tinha um único objetivo, entregar o melhor hospital para a população. Hoje sem dúvida nenhuma, eu posso falar que nós temos o maior e melhor hospital veterinário do país. Aqui nós atendemos média e alta complexidade”, comemorou.

O local funciona das 8h às 17h de segunda a sexta, para passar em consulta é necessário chegar antes para pegar uma senha, já os atendimentos emergenciais são atendidos na hora. “A limpeza do local e o atendimento são de primeiro mundo. Uma coisa que nós priorizamos aqui é o acolhimento. Nós queremos dar o melhor atendimento”, afirmou o diretor da prefeitura de Osasco.

Ainda de acordo com Fabio Cardoso, os animais que passarem pelo local receberão chips. “Nós fizemos uma compra de 22.500 microchips, isso é mais ou menos 30% da população animal da cidade, essa iniciativa é para cadastrar os tutores e seus animais, para que possamos diminuir o número de animais abandonados na cidade. Se pegarmos um animal abandonado ou que sofreu maus-tratos, o tutor será multado”, explicou. Além disso, o hospital terá cartão pet. “Nos próximos 40 dias nós teremos o cartão que terá todo o histórico do animal, parecido com o cartão do SUS, o tutor do animal também poderá acessar todo o histórico e exames do seu animalzinho”, completou.

Fonte: Correio Paulista

Depois do caso Manchinha, mais um episódio de crueldade animal está prestes a acontecer em Osasco (SP)

Tudo o que Sorriso (foto) quer é continuar vivendo no cemitério Santo Antônio de Osasco (SP) onde já está há oito anos. Como o próprio nome diz, ele é feliz, saudável e não incomoda ninguém ou, pelo menos, não incomodava até agora. Sorriso e outros nove cães correm o risco de serem despejados sumariamente, incluindo o Negão que vive no cemitério há 15 anos e, certamente, não aguentaria uma mudança brusca a essa altura da vida. Isso se ele não morrer de fome antes já que existe também a proibição dos cães serem alimentados por parte das secretarias de Meio Ambiente e de Obras de Osasco.

A protetora Janaína com o cão Sorriso, ameaçado de despejo (Foto: Arquivo Pessoal)

O município, que recentemente foi alvo de revolta nacional e internacional devido à morte do cão Manchinha no Carrefour, pode colecionar mais um triste episódio de crueldade animal se essas ações se concretizarem. Diante da repercussão que o caso está ganhando, na próxima segunda-feira, dia 13 de maio, a protetora Janaína Dornelas, responsável pela manutenção dos animais, se reúne com o secretário de Meio Ambiente Marcelo Silva, o secretário de Obras Lau Alencar e o diretor de Bem-Estar Animal de Osasco Fábio Cardoso. O objetivo é chegarem a uma solução sem prejuízo para os animais.

“O CCZ de Osasco não tem espaço. Já tem 80 animais lá esperando adoção. Não é justo levarem os cães do cemitério para uma baia lotada sendo que estão sendo bem tratados e não causam nenhum problema à comunidade. Já quebraram casinhas que eu tinha acabado de comprar. Agora estou tendo dificuldade de dar comida e água”, desabafa a protetora.

O deputado estadual Delegado Bruno Lima (PSL) se prontificou a ajudar: “Os animais são cães comunitários e têm o direito de permanecerem no cemitério. Farei tudo que for possível e impossível para proteger esses animais”. De fato, a ordem vinda das duas secretarias contraria a Lei Feliciano ou 12.916 que desde 2008 instituiu a figura do “cão comunitário”.

A Lei dita: “O animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal. Para efeitos desta lei considera-se cão comunitário aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido”.

Obviamente a lei se refere a animais comunitários instalados em locais públicos já que em áreas particulares quem decide se deve ou não ter animais são os proprietários dos imóveis. “Estão infringindo a Lei Feliciano e também a lei federal 9.605/98 por não permitir que alimentem os animais. Isso pode ensejar um pedido de cassação de mandato do Prefeito por improbidade administrativa por conta de descumprimento de lei.”, comenta Feliciano Filho autor da Lei 12.916 que também pôs fim as terríveis “carrocinhas”.

Prêmio

Vale lembrar que o controle populacional de cães e gatos por meio da castração, vacinação e monitoramento é, aliás, a recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde. Por isso, o método de CED – Captura, Esterilização e Devolução ao local de origem tem sido uma tendência no mundo todo. Até mesmo em importantes pontos turísticos de Roma o governo investe em CED. Cemitérios da França estão cheios de gatos que viraram até atração turística.
Por conta dessa tendência, a Proteção Animal Mundial recebe até 10 de junho inscrições para o prêmio “Cidade Amiga dos Animais”. Voltado para cidades latino-americanas, o prêmio irá identificar as melhores estratégias para lidar com as populações de cães e gatos de forma humanitária. O reconhecimento faz parte da campanha “A vida é melhor com cães”, que visa celebrar a convivência com o “melhor amigo do homem”.

O cão Caramelo é um dos dez cães que vivem há mais de 8 anos no cemitério de Osasco (Foto: Arquivo Pessoal)

O gestor responsável pela inscrição da cidade vencedora ganhará uma viagem para a 3a Conferência em Manejo de Populações de Cães – ICAM, que acontecerá em Mombasa, no Quênia, de 18 a 20 de setembro deste ano. Segundo e terceiro lugar receberão uma placa de reconhecimento “Cidade Amiga dos Animais”. As dez primeiras colocadas terão seus projetos publicados em um livro digital, que será divulgado em toda a América Latina. O regulamento está disponível do site da World Animal Protection.

O prêmio conta com o apoio do Centro Colaborador da OIE em Bem-Estar Animal e Sistemas de Produção Pecuária do Chile, Uruguai e México, da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), do Instituto Técnico de Educação e Controle Animal (ITEC), do Conselho Federal de Medicina Veterinária e Zootecnia do Brasil (CFMV) e da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA).

Questão de saúde pública

Castrar, cuidar e monitorar os animais de áreas públicas não é só uma medida humanitária. É também uma questão de saúde pública já que animais castrados, alimentados e saudáveis impedem a proliferação de doenças. Além disso, quando se “remove” um grupo de animais saudáveis, rapidamente outro grupo não-castrado nem vacinado toma conta do lugar. É o chamado o “efeito vácuo”.

Cães comunitários são protegidos por lei no estado de SP (Foto: Arquivo Pessoal)

Assim, proibir que esses animais sejam tratados, alimentados e investir em sua “remoção” não é nada inteligente e muito menos eficaz. O que deve ser feito é o monitoramento desses animais no local onde vivem e o aumento do controle de segurança para que as pessoas não fiquem abandonando cães e gatos em cemitérios e parques. Alguns cemitérios já possuem câmeras para impedir abandonos.

A volta da “carrocinha”

Lamentavelmente, parece que algumas prefeituras de SP estão navegando contra a maré e tentando resgatar as antigas e terríveis “carrocinhas”, com o intuito de “remover” animais de lugares públicos como se fossem lixo. O Departamento da Prefeitura que cuida dos cemitérios da capital de SP também já assinalou que não quer que funcionários e munícipes alimentem animais e está proibindo caixas, casinhas e outros objetos que sirvam de abrigo ou para se colocar comida e água.

Reuniões estão sendo agendadas com protetores e associações de defesa animal para se chegar a uma solução. Que tal atender a órgãos internacionais que já estudam há décadas os métodos mais eficientes de controle populacional nas grandes cidades? Fica a dica.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal.

Cães comunitários podem ser expulsos de cemitério de Osasco (SP), onde vivem há mais de dez anos

Negão é um cão idoso que dificilmente sobreviverá ao impacto de uma expulsão do Cemitério Santo Antônio de Osasco (SP), onde vive há 15 anos. Aliás, Negão é protegido pela lei estadual 12.916/2008, que institui a figura do “cão comunitário”, mas talvez ele sofra e até morra antes de uma remoção abrupta, já que a Secretaria de Meio Ambiente – SEMA quer proibir também que ele e outros 9 cães do cemitério continuem sendo alimentados.

O cão Negão vive há 15 anos no Cemitério Santo Antônio (Foto: Arquivo Pessoal)

Janaína Dornelas é uma das responsáveis pela manutenção dos cães. Ela faz parte da ONG “Animais Alzira”, que tem sob sua tutela mais 35 animais em lares temporários e na casa de uma antiga protetora da região. “Fui surpreendida com a triste notícia de que a secretaria de meio ambiente tinha retirado as casinhas dos cães, algumas que eu havia acabado de comprar e que estavam lá com autorização da antiga administração. Também pediu a retirada dos animais e não quer deixar que a gente dê comida e água”, conta.

A protetora diz ainda que cuida dos cães há oito anos e que não há registro de incidente com eles: “Nunca atacaram ninguém. São conhecidos dos funcionários do cemitério e da comunidade”. Além do Negão tem o Sorriso, Vermelhinho, Orelha, Pretico, Caramelo 1 e 2, Preta, Gorda e Mãe.

As castrações e cuidados médicos saem do bolso da protetora que se mostra apreensiva com o futuro dos cães. “O CCZ de Osasco disse que não tem espaço para eles, então o que farão com esses cachorros que não atrapalham ninguém? A casa deles é o cemitério!”.

Caramelo é um dos cães comunitários que pode ser expulso (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo a lei 12.916, “o animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal”. Isso significa que esses animais podem e devem ser oficializados como comunitários nos CCZs de SP.
A lei também diz que “cão comunitário é aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido”, ou seja, exatamente a condição de Negão e de seus companheiros.

Cão Grandão voltou para o Cemitério da Saudade

Caso semelhante ocorreu ano passado com o cão Grandão, morador do Cemitério da Saudade de Poços de Caldas (MG) . Grandão adotou o cemitério como sua casa depois que seu tutor morreu. Ficou cuidando do túmulo durante muito tempo, virou notícia, ganhou fãs, mas mesmo assim a secretaria de meio ambiente da cidade pediu a “remoção” dele.

Lei 12.916 de 2008 institui a figura do cão comunitário (Foto: Arquivo Pessoal)

Numa tentativa de evitar que Grandão fosse parar numa baia do CCZ, por três vezes conseguiram adoção para ele. Tudo em vão. Grandão dava um jeito de fugir e voltar para o cemitério. Vale lembrar que em MG também existe a lei 21.970/2016 garantindo aos cães comunitários o direito de permanecerem em locais públicos desde que mantidos e monitorados pela comunidade.

Em novembro de 2018, a guerra parecia perdida quando Grandão foi finalmente arrastado para o CCZ. A depressão o fez emagrecer, definhar. Uma petição em favor de sua permanência no cemitério angariou quase 10 mil assinaturas e Grandão voltou para o cemitério em janeiro deste ano.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal.