Milhares de baleias e golfinhos são mortos na temporada de caça das Ilhas Faroe

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

As Ilhas Faroe, são um aglomerado incomum de ilhas localizadas no Atlântico Norte, cerca de 200 milhas ao norte da Escócia e também um dos principais pontos turísticos da região. Formalmente o território do arquipélago é dinamarquês, mas o país possui autonomia própria significante e não fazem parte da União Europeia, ao contrário da Dinamarca.

De acordo com informações do Business Insider, a ilha é hoje tão popular que se fechou aos turistas, exceto aqueles que estão dispostos a ajudar a reparar e manter o arquipélago. No entanto, há um lado mais sombrio do território belo e selvagem.

Ecologistas publicaram uma série de fotografias chocantes mostrando baleias e golfinhos sendo caçados nas Ilhas Faroe.

O grupo Sea Shepherd, que faz campanha contra práticas de pesca bárbaras, registrou as imagens ao longo de um período de meses.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Eles documentaram uma série dos chamados “passeios de baleias”, nos quais o governo das Ilhas Faroe diz que cerca de 1.200 baleias e 500 golfinhos foram mortos. Cabe ressaltar que o governo do arquipélago defendeu vigorosamente a prática que classifica de “secular”.

Ao analisar as fotos é possível concluir, com o que se parece essa prática de caça e entender mais sobre sua história por meio das imagens. Atenção: imagens de conteúdo forte ou perturbador para pessoas mais sensíveis.

O processo de matança envolve barcos indo em busca de grupos de baleias e golfinhos, e os encurralando em águas rasas, onde são mortos à mão.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Um grande número de habitantes locais se envolve com o processo, e cada um pode reivindicar uma porção da carne depois. Estas são as baleias-piloto.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Esta baleia estava grávida – seu bebê acabou morrendo também.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Estatísticas oficiais mostram que 1.194 baleias-piloto foram mortas na temporada de caça de 2017.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Os faroenses também caçam um grande número de golfinhos de face branca, como estes. Um total de 488 golfinhos foram mortos em 2017.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Os pais levam seus filhos para ver o processo em ação, e é normal posar para fotos com os animais mortos.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Nem as baleias nem os golfinhos estão em perigo, sendo as autoridades do arquipélago. O governo das Ilhas Faroe disse que na maioria dos anos cerca de 1% do total das populações de golfinhos e baleias são caçados.

Caçadas de extermínio como estas vêm ocorrendo desde pelo menos 1298, quando as primeiras leis de sobrevivência que regulam a prática foram publicadas, e registros precisos existem desde 1584, de acordo com o governo das Ilhas Faroe.

A temporada de caça deste ano foi grande. Cerca de 1.700 animais foram mortos em 2017, em comparação com cerca de 800 em um ano médio.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

A última vez que tantos animais assim foram mortos foi em 1996.

Os animais são marcados para acompanhamento – ao olhar de perto pode-se ver o número 16 sobre este golfinho, ao lado da nadadeira.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Os animais são massacrados por carne e gordura – aqui um homem corta pedaços de um golfinho.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Os habitantes das ilhas dizem que a carne de baleia e golfinho é uma parte importante de sua alimentação, e dessa forma eles não precisam gastar dinheiro e desperdiçar recursos naturais importando alimentos do exterior.

Os cadáveres de alguns animais são levadas para caminhões e transportadas para processamento posterior.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

No final, a carne é toda embalada. A maior parte é compartilhada na comunidade das Ilhas Faroe, mas alguns podem ser comprados nas lojas também.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

A Sea Shepherd se opõe à caça há anos e já tentou fisicamente parar o processo com seus próprios barcos.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

A Sea Shepherd disse ao Business Insider que eles foram impedidos por meios legais de usar seus navios para protestar.

Em vez disso, os voluntários foram para as Ilhas Faroe e posaram como turistas para tirar fotografias das caçadas, com a esperança de garantir uma cobertura da mídia adversa a matança.

Um deles escreveu sobre o que viu:

“Testemunhar uma matança em primeira mão foi realmente uma experiência terrível. Em um lugar tão quieto e calmo, em meio a natureza, foi enervante ver os moradores locais tão animados quando a temporada de caça foi anunciada”.

“A primeira caçada que vimos foi em Hvannasund, cenário de várias mortes em 2017. Testemunhamos todo o processo desde a chegada das cerca de 50 baleias-piloto até sua morte, o massacre e a distribuição da carne e da gordura.

“À medida que as baleias-piloto eram levadas para a costa pelos pequenos barcos, a intensidade dos corpos se agitava. Ganchos eram atirados em seus corpos e as baleias eram arrastadas para a costa em um jogo sádico de cabo de guerra. Testemunhamos baleias aparentemente batendo suas cabeças contra as pedras em um frenesi desesperado”.

O governo das Ilhas Faroe defende a tradição e diz que a Sea Shepherd irá “fazer qualquer coisa” para desacreditá-los.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

As imagens falam por si. Absolutamente nenhuma justificativa pode ser dada para atos cuja barbaridade é impossível de ser descrita. Sadismo, crueldade, violência e desrespeito pela vida são alguns termos que se encaixam, embora estejam longe de descrever o horror das cenas mostradas tendo como cenário um verdadeiro mar de sangue.

Fundador da Sea Shepherd ganha mais um documentário sobre o seu trabalho em defesa dos oceanos

Por David Arioch

Watson: “São 42 anos de campanha em prol da vida selvagem no oceano” (Foto: Barbara Veiga/Sea Shepherd)

O fundador da organização de conservação da vida marinha Sea Shepherd, o canadense Paul Watson, ganhou no mês passado mais um documentário sobre a sua vida como um ambientalista defensor dos oceanos.

Dirigido por Lesley Chilcott, de documentários como “Uma Verdade Inconveniente”, o filme “Watson” é qualificado pelo próprio homenageado como um bom trabalho. “Realmente cobre a minha vida – é mais do que ‘Whale Wars’. São 42 anos de campanha em prol da vida selvagem no oceano”, disse Watson ao jornal diário AM New York.

“Whale Wars – Defensores de Baleias” foi uma série veiculada pelo Animal Planet em 2008, que mostrava as táticas do grupo para bloquear navios baleeiros e garantir que as leis contra a caça de grandes mamíferos marinhos como as baleias fossem respeitadas.

À frente da Sea Shepherd, Watson fez história, e hoje a Sea Shepherd provavelmente é a organização mais conhecida quando se fala em ações diretas de defesa da vida marinha. E foi por querer buscar esse caminho que Paul Watson se afastou da organização do meio ambiente mais famosas do mundo – o Greenpeace.

Watson justifica que a sua saída do Greenpeace teve um motivo bem simples – uma agenda passiva e ineficaz. Além do seu trabalho contra navios baleeiros e caçadores marinhos, Watson se orgulha do trabalho que a Sea Shepherd faz limpando praias e oceanos de várias partes do mundo.

Com mais de quatro décadas atuando em defesa dos oceanos, Watson sintetiza com simplicidade e objetividade o seu chamado para esse trabalho: “A mensagem que tento transmitir a todos é muito simples. Se os oceanos morrerem, todos morreremos.”

Saiba mais

Em 2011, o fundador da Sea Shepherd ganhou um documentário intitulado “Eco-Pirate: The Story of Paul Watson”, dirigido por Trish Dolman.

Sea Shepherd encontra “depósito” de golfinhos mortos na França

“Trinta anos de reuniões e discussões com os comitês de pesca levaram à situação catastrófica em que estamos hoje” (Foto: Sea Shepherd France)

A Sea Shepherd anunciou ontem que encontrou um “depósito” de golfinhos mortos em Les Sables d’Olonne, na Baía de Biscaia, na França. Segundo a organização de conservação da vida marinha, o local está servindo como área de despejo de parte dos golfinhos mortos pela pesca comercial.

“É onde eles são despejados antes de serem enviados para uma usina de processamento”, informou. A denúncia foi feita pouco tempo depois que a Sea Shepherd revelou que cadáveres de golfinhos mutilados têm se multiplicado às centenas na costa atlântica francesa.

“Trinta anos de reuniões e discussões com os comitês de pesca levaram à situação catastrófica em que estamos hoje. O tempo para discussão acabou, há uma necessidade urgente de ação”, declarou a presidente da Sea Shepherd France, Lamya Essemlali.

Em fevereiro, a Sea Shepherd contabilizou mais de 600 golfinhos, a maioria mutilados, encontrados nas praias francesas, vítimas da pesca comercial. Os animais foram atingidos por redes de arrasto. “Embora esse número possa parecer enorme, está muito abaixo da verdadeira escala de mortes em curso”, garantiu a organização.

Segundo o Observatório Científico Pelagis, a estimativa é de que 80% dos golfinhos mortos na costa atlântica francesa afundam no mar e nunca chegam à costa. “Durante nossas patrulhas, encontramos diariamente muitos golfinhos nessa área particularmente sensível”, enfatizou Lamya.

A organização rejeita a tese de que os animais são mortos em consequência da “pesca acidental”. A justificativa é que as técnicas de pesca comercial utilizadas na região são sistemáticas. Ou seja, os pescadores assumem conscientemente o risco de matarem os golfinhos.

Sea Shepherd recebe honra militar por defender a vida marinha

Foto: Sea Shepherd

O presidente da Libéria, George Weah, atribuiu à organização a prestigiosa honra por seu “serviço excepcional à República da Libéria” na Operação Sola Stella, uma parceria entre a Sea Shepherd e o Ministério da Defesa da Libéria que combateu a pesca ilegal no país.

Lançada em 2017, a operação trabalha para impedir a pesca não declarada e não regulamentada nas águas costeiras da África Ocidental da Libéria. O nome da operação, Sola Stella, é latim para “estrela solitária”, que, segundo a Sea Shepherd, é o lema da República da Libéria.

Desde o início da operação, 14 navios foram presos por crimes relacionados à pesca pela organização. A Sea Shepherd observou em um vídeo:  “centenas de milhares de criaturas marinhas foram salvas, os caçadores evitam as águas da Libéria e a vida selvagem está retornando”.

Os capitães Alex Cornelissen, diretor executivo da Sea Shepherd, e diretor de campanhas, Peter Hammarstedt aceitaram o DSO em uma cerimônia de concessão em Monróvia, em nome da organização.

“A Libéria emergiu como um líder regional na luta contra a pesca ilegal e isso é graças à liderança visionária do honorável Daniel. D Ziankahn Jr., Ministro da Defesa Nacional, e Major General Príncipe Johnson III, Chefe de Gabinete ”,  disse Hammarstedt em seu discurso.

“Estou orgulhoso e humilde em aceitar o prêmio em nome dos bravos homens e mulheres da Guarda Costeira da Libéria e dos apaixonados capitães e tripulantes da Sea Shepherd que passaram os últimos dois anos no mar para trazer os caçadores à justiça em nome de todos os liberianos”, ele continuou.

Outras campanhas

Em outubro do ano passado, a organização lançou um novo capítulo na Islândia para reprimir a caça comercial no país e, em junho, fechou o maior navio de pesca do mundo, o Damanzaihao, capaz de matar 547.000 toneladas de peixes por ano.

A Sea Shepherd  também está lutando contra a poluição marinha por plásticos. Em abril de 2018, lançou uma campanha para aumentar a conscientização sobre o impacto dos resíduos plásticos no oceano.

“Nós podemos virar as marés, podemos parar essa invasão”,  disse Cornelissen na época.

“O que causamos, agora temos que consertar. Pare a produção e o uso de plásticos descartáveis”. As informações são do LiveKindly.

 

 

Ameaçada de extinção, vaquita é tema de documentário com Leonardo DiCaprio e Sea Shepherd

Vaquita, o menor cetáceo do mundo – medindo um metro e meio e pesando cerca de 50 quilos (Acervo: WWF)

Ameaçada de extinção, a vaquita, também conhecida como boto-do-pacífico, é tema de documentário com Leonardo DiCaprio, presidente mexicano Enrique Peña Nieto e a organização Sea Shepherd, de conservação da vida marinha.

“Vaquita – Sea of Ghosts”, que está sendo produzido pela Terra Mater Factual Studios, sediada em Viena, na Áustria, é uma continuação do documentário indicado ao Oscar “The Ivory Game”, de 2016, que aborda o comércio ilegal de marfim. A previsão é de que o documentário seja lançado nos próximos meses.

Dirigido pelo austríaco Richard Ladkani, que traz no currículo mais de 50 documentários para cinema e TV, o filme discute a pesca ilegal e as tentativas e meios de salvar a vaquita, o menor cetáceo do mundo – medindo um metro e meio e pesando cerca de 50 quilos.

Segundo informações do Comitê Internacional para Recuperação da Vaquita (Cirva), atualmente restam apenas 30 vaquitas, espécie endêmica do Golfo da Califórnia, no Noroeste do México. E a má notícia é que elas podem ser extintas até 2022, o que endossa a urgência de um documentário sobre a realidade do boto-do-pacífico.

A maior causa do risco de extinção do animal é a pesca ilegal no Golfo da Califórnia, onde as vaquitas sempre foram visadas porque suas bexigas natatórias têm alto valor comercial na China – onde são vendidas por mais de 100 mil dólares cada unidade.