Projeto que altera natureza jurídica dos animais é aprovado com emenda pelo Senado

O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (7) o projeto de lei (PL) 27/2018. A proposta original, de autoria do deputado Ricardo Izar (PP-SP), pretendia que todos os animais domésticos e silvestres possuíssem natureza jurídica sui generis, sendo vedado o seu tratamento como coisa e considerando-os sujeitos de direito passíveis de sofrimento. No entanto, uma emenda distorceu a proposta.

De autoria dos senadores Otto Alencar, Rodrigo Cunha, Major Olimpo e Juíza Selma, a emenda destina esse novo status jurídico apenas para animais como cachorros e gatos e impede que os animais explorados por atividades como as vaquejadas e rodeios – consideradas intrinsecamente cruéis pelo Supremo Tribunal Federal – e pela agropecuária sejam protegidos pela proposta.

Uma emenda distorceu o projeto que, originalmente, protegida todos os animais domésticos e silvestres (Foto: Pixabay)

“Essa emenda viola o o princípio da universalidade da proteção animal, derivado do art. 225, §1º, VII, da Constituição Federal e do art. 32 da Lei 9.605/1998, pelo qual todos os animais têm direitos fundamentais, independentemente da espécie. O princípio coíbe o especismo seletista”, lembrou o jurista e professor Vicente Ataíde. “Com a aprovação dessa emenda, o projeto retorna à Câmara dos Deputados, para nova discussão, onde se espera que tal emenda, com propostas discriminatórias e inconstitucionais, seja rejeitada”, completou.

O projeto acrescenta dispositivo à Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605, de 1998) para, segundo a Agência Senado,  “determinar que os animais não sejam mais considerados bens móveis para fins do Código Civil (Lei 10.402, de 2002)”.

Com a proposta, os animais deixam de ser tratados como objetos e, com isso, ganham mais uma defesa jurídica em caso de maus-tratos.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente (CMA), a aprovação representa um avanço civilizacional. “A legislação só estará reconhecendo o que todos já sabem: que os animais que temos em casa sentem dor e emoções. Um animal deixa de ser tratado como uma caneta ou um copo e passa a ser tratado como ser senciente”, disse.

Vaquejada é uma prática extremamente cruel que submete animais a intenso sofrimento (Foto: Divulgação/Tatiana Azeviche/BBC)

O parlamentar, no entanto, deixa claro que sua compaixão é destinada exclusivamente a cães e gatos, já que faz questão de ressaltar que a proposta não afetará atividades como a vaquejada e a agropecuária. Randolfe acatou a emenda apresentada em Plenário que impede que os animais explorados por essas atividades sejam contemplados pelo projeto.

Apesar de afirmar que a proposta é uma manifestação de humanidade e civilidade, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) também fez questão de lembrar que os animais que são vítimas do agronegócio não serão protegidos, assim como Antônio Anastasia (PSDB-MG), que reforçou que o projeto não prejudica o setor agropecuário. De maneira controversa, o parlamentar disse que a pessoa que admite o sofrimento gratuito dos animais é desumana, mas esqueceu-se da crueldade imposta a animais explorados para consumo.


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PL propõe que animais sejam vistos como seres sencientes

Por Rafaela Damasceno

Será votado na próxima semana o projeto de lei que propõe tratar os animais como seres sencientes. Apelidado de “Animal não é coisa”, o projeto tem como objetivo reconhecer os animais como capazes de sentir dor, prazer, amor e vários sentimentos.

Cachorro atrás das grades

Foto: Diário da Manhã

Se o projeto for aprovado, os animais – domésticos e silvestres – perderão o status de “coisa” e passarão a ser sujeitos com direitos, sendo respeitados perante a lei. Diversos famosos se posicionaram a favor nas redes sociais.

A aprovação pode abrir caminho para outros projetos de bem-estar animal, como o aumento da punição do crime de maus-tratos (atualmente, a prisão varia de três meses a um ano).

Outros países já reconhecem os direitos animais em suas legislações, segundo o Diário da Manhã. Na Áustria eles perderam a definição de coisas desde 1988, depois veio a Holanda, em 2011, a França, em 2015 e Portugal, o mais recente, em 2017.

A votação ocorrerá na quarta-feira (7/08).


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Comissão do legislativo mineiro aprova projeto que reconhece animais como sencientes

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou, nesta terça-feira (7), um projeto de lei que reconhece os animais como seres sencientes. O parecer aprovado é de autoria da relatora e deputada Ana Paula Siqueira (Rede).

(Foto: Juliana Cipriani / EM / D.A. Press)

O projeto inicial reconhece os animais como sujeitos de direito e os enquadra no conceito usado para pessoas físicas e jurídicas, deixado de tratá-los como “coisas”. O termo, no entanto, foi retirado no substitutivo aprovado. Os autores da proposta, porém, já se mobilizam para retomar o texto original na próxima comissão. As informações são do Estado de Minas.

Ana Paula retirou o termo “sujeitos de direito” sob a alegação de que a doutrina jurídica brasileira não adota esse reconhecimento. O novo texto, apresentado por ela, diz que os animais “são reconhecidos como seres sencientes, sujeitos a dor e sofrimento”. A comissão aprovou a mudança por unanimidade. O projeto segue agora para a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

De autoria do ex-deputado estadual (atual federal) Fred Costa (PEN) e do deputado estadual Noraldino Junior (PSC), a medida pretende mudar a condição dos animais na legislação mineira que define maus-tratos.

Na justificativa do projeto, os autores afirmam que em países da Europa os animais já foram reconhecidos como sujeitos de direito. “A Nova Zelândia e a França modificaram suas legislações conferindo aos animais o status de seres sencientes, ou seja, retirando-os definitivamente da condição de coisa. Alguns países como a Alemanha, Suíça e Áustria fazem constar em seus textos legais que animais não são objetos”, afirmam.

Os parlamentares lembram, porém, que para uma mudança efetiva legal para este caso, é preciso alterar a legislação federal.

A atitude da relatora, de alterar o projeto, foi criticada pelo deputado Fred Costa. Para ele, a alteração feita por Ana Paula descaracteriza a proposta. “Lamentavelmente o direito que a gente queria garantir fica prejudicado. Esse substitutivo desfigurou a razão de existir do projeto”, diz. Costa considera ainda que a modificação proposta na lei mineira funcionaria como um paliativo, mas solucionaria a questão no estado de Minas Gerais.

Para justificar a mudança que propôs, Ana Paula afirmou que não pode se sobrepor ao Código Civil. “As políticas e leis voltadas para resguardar os direitos dos animais já conquistaram avanços importantes, como a lei 22.231, que deixa muito clara a questão dos maus-tratos e a punição que cabe nestes casos. O reconhecimento dos animais como sujeitos de direito é uma questão que precisa ser debatida em nível nacional, pois exige mudanças no Código Civil”, explica.

O deputado Noraldino Junior informou que vai apresentar uma emenda para que o projeto volte a ter o texto original. Após ser avaliado pelas comissões, a proposta será encaminhada ao plenário.

Legislações federais

Dois outros projetos, que tramitam no âmbito federal, pretendem mudar o status dos animais no país. No Senado, um deles afirma que os animais não serão considerado coisas no Código Civil. De autoria do senador Antonio Anastasia (PSDB), a proposta foi aprovada pelo Senado e pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados e seguiria para avaliação do presidente, mas teve o prosseguimento impedido por um recurso no plenário movido pela bancada ruralista. O texto aguarda agora deliberação da Mesa Diretora da Casa.

O deputado Ricardo Izar é o autor do outro projeto, também aprovado pela CCJ da Câmara, que quer que os animais passem a ser tratados como sujeitos de direitos despersonificados. No relatório aprovado em 2017, foi expressa a sugestão de que o novo status fosse incluído na Lei de Crimes Ambientais e não no Código Civil. O projeto aguarda avaliação do Senado.