Atriz Kim Basinger protesta contra consumo de carne de cachorro na Coreia do Sul

Um ativista pelos direitos animais segura um filhote morto em frente ao Parlamento da Coreia do Sul, na capital Seul, na sexta-feira (12), pedindo o fim da indústria de carne de cachorro.

Foto: Reprodução / CNN

A poucos metros de distância, um grupo de criadores de cães come carne de cães explorados para consumo, alegando que é sua tradição e sustento.

Dezenas de policiais separam essas duas faces nitidamente contrastantes da Coreia do Sul – imagens evocativas de uma prática de décadas de exploração de cães para consumo humano.

No protesto, a atriz norte-americana Kim Basinger se juntou a ativistas do grupo de direitos animais Last Laise for Animals (LCA) para lutar contra o comércio de carne de cachorro no chamado “dia da carne de cachorro” ou “Boknal”, data em que a carne era tradicionalmente consumida no país.

Durante décadas, a Coréia do Sul enfrentou críticas sobre o tratamento dado aos animais e sobre o costume do país de consumir carne de cachorro. Ativistas dos direitos animais sul-coreanos têm estado na vanguarda da tentativa de encerrar o comércio.

Agora, está sendo proposto um projeto de lei que quer proibir a matança de cães para consumo.

Foto: Reprodução / CNN

Segurando um corpo de cachorro morto para as câmeras, Basinger disse: “às vezes as imagens falam mais de 1.000 palavras do que as nossas vozes”. Basinger há muito faz campanha pelos direitos animais, mas esta é sua primeira vez na Coreia do Sul. Ela foi ao país para somar forças para pressionar os legisladores a angariar apoio ao projeto.

“Eu acho que o governo vai ter que não fechar os olhos e realmente chegar a soluções como esta”, disse ela. “A Coréia do Sul vai ser a líder disso, será conhecida por isso”, completou.

O deputado sul-coreano Pyo Chang-won está fazendo pressão para aprovar o projeto de lei que tornaria ilegal o assassinato de cães e gatos, mas ele reconhece que só tem apoio da minoria na Assembléia Nacional.

Foto: Reprodução / CNN

Pyo disse que tem o apoio do Presidente Moon Jae-in – que é conhecido por ser um amante de cães e adotou um cão de abrigo quando chegou ao poder -, mas afirmou que essa não é uma política oficial do partido de Moon e, por isso, os legisladores podem tomar decisões individuais.

“Muitos dos congressistas estão em áreas rurais onde existem fazendas de cães e eles estão sob pressão para não falar sobre o projeto, para não apoiar a lei e não permitir que a lei chegue à mesa”, disse ele à CNN.

Basinger se reuniu com legisladores e governadores locais na esperança de levar o projeto adiante. Chris DeRose, fundador da LCA, dirigiu-se a ele na sexta-feira (12) declarando que “a Coreia do Sul não está mais sozinha, isso é um movimento global”. As declarações foram abafadas pelo campo adversário e o parlamento recebeu críticas de agricultores favoráveis à matança de cães.

Foto: Reprodução / CNN

A Humane Society International (HIS) disse que em 2016 cerca de 2 milhões de cães estavam sendo mantidos em cerca de 17 mil instalações na Coréia do Sul, mas houve mudanças desde então. No ano passado, o maior matadouro de cães do país foi fechado por autoridades locais em Taepyeong, em uma cidade satélite de Seul. De acordo com a HIS, milhares de cães foram mortos por eletrocussão a cada ano nesta instalação e seus restos mortais foram vendidos para consumo.

No início deste mês, o mercado de carne de cachorro Gupo, na cidade de Busan, uma das maiores do sul do país, foi fechado com a ajuda de seu prefeito, Oh Seo-don. Ele disse publicamente aos moradores de Busan: “Acho que vocês são pessoas que têm uma filosofia de respeitar a vida. Sem essa filosofia, isso nunca poderia ser feito”.

Para aqueles que apoiam a indústria de carne de cachorro, esses fechamentos geram grande preocupação.

Fonte: CNN


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Empresa explora cães em procedimento de clonagem na Coreia do Sul

Cachorros da raça ovcharka asiático estão sendo explorados por cientistas em Seul, na Coreia do Sul. Clonados, os animais recebem uma numeração, ao invés de um nome, após o nascimento, o que deixa claro que são tratados como meros objetos.

A cadela que dá à luz aos filhotes clonados é “uma mistura de raças”, segundo o pesquisador Jae Woong Wang, que trabalha com o cirurgião Hwang Woo-suk para criar os clones. Os dois atuam na Sooam Biotech Research, primeira empresa do mundo especializada em clonar cães. “Nós selecionamos as mães para que sejam dóceis e gentis”, explica Wang.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

Assim como foi feito com a ovelha Dolly, há mais de 20 anos, a clonagem de cachorros acontece. Outra empresa responsável por esse serviço, que explora seres vivos e é alvo de críticas de ativistas, é a ViaGen Pets. Foi ela quem clonou uma cadela da cantora e atriz americana Barbra Streisand, que em 2018 revelou que as cadelas da raça coton de tulear, Miss Violet e Miss Scarlett, são clones de Samantha, cadela que morreu em 2017. A revelação gerou repúdio entre ONGs defensoras dos animais. A atriz foi apresentada à clonagem pelo bilionário norte-americano Barry Diller, fundador da rede de TV Fox, que contratou uma empresa para fazer três cópias de Shannon, um cachorro da raça jack russel terrier.

A empresa que clonou a cadela da atriz começou armazenando e preservando o DNA de vacas, porcos e cavalos. Com o tempo, adquiriu amostras genéticas da Genetic Savings, companhia que clonava gatos, e comprou os direitos de uso de tecnologias desenvolvidas pelos responsáveis pela clonagem da ovelha Dolly. No início, a empresa licenciava os serviços para os coreanos, mas em 2016 passou a oferecer os próprios serviços.

O procedimento de clonagem envolve dor e sofrimento. Para produzir um único clone, mais de dez embriões precisam ser implantados. A cadela explorada como “barriga de aluguel” é tratada com hormônios que podem ser perigosos. Além disso, muitos fetos são abortados, nascem mortos ou deformados.

Em 2005, quando um cachorro foi clonado pela primeira vez, mais de mil embriões foram implantados em mais de cem cadelas. “A história delas lembra a série O Conto da Aia”*, diz Jessica Pierce, expert em ética animal da Universidade do Colorado. “É uma versão canina.” Na série citada por Jessica, a humanidade se torna infértil e as poucas mulheres que conseguem engravidar são exploradas como máquinas reprodutoras pelo Estado.

A Sooam Biotech Research já clonou mais de mil cães, a US$ 100 mil cada. Wang admite que a “clonagem se tornou um negócio”, ignorando o fato de que seres vivos estão envolvidos nesta prática.

Profissional da empresa, o cirurgião Hwang Woo-suk foi tratado como herói nacional na Coreia do Sul quando, em 2004, ao atuar na Universidade Nacional de Seul, publicou um artigo no jornal Science afirmando que clonou, junto de sua equipe, um embrião humano. Em 2006, foi descoberto que a afirmação do médico era falsa e ele foi expulso da instituição por ter forjado provas, desviado dinheiro público e comprado óvulos de mulheres que trabalhavam em seu laboratório. Após pedir desculpas públicas, ele foi condenado a dois anos de prisão, mas a pena foi suspensa por um juiz. Após esse período, Hwang fundou a Sooam Research.

Inicialmente, ele clonava porcos e vacas. Em 2007, clonou Missy, cadela da namorada do bilionário americano John Sperling, fundador da Universidade de Phoenix. Depois disso, ele passou a oferecer serviços de clonagem de cães.

Ao ser questionado sobre a questão ética em relação à clonagem de cães, Hwang expõe sua defesa ao especismo e trata humanos como seres superiores aos animais e reduz, de forma antiética e desumana, os animais a coisas. “A ética da clonagem de animais e a ética da clonagem de humanos são duas coisas completamente diferentes”, diz. “Aqui na Sooam nós somos totalmente contra a clonagem humana. Mas acreditamos que a clonagem [animal] traz benefícios para a sociedade”, completa Hwang, que foi proibido pelo governo da Coreia do Sul de mexer com óvulos humanos.

Os benefícios aos quais o cirurgião se refere estão relacionados a um melhor entendimento do desenvolvimento celular em animais como forma de explorá-los para ajudar a tratar doenças humanas, tratando-os como objetos usados para beneficiar as pessoas e não como sujeitos de direito.

Yeonwoo Jeong, diretor de pesquisas da empresa, diz que a tecnologia evoluiu muito e que hoje basta implantar uma dezena de embriões, em três cadelas, para nascer um clone. Isso, no entanto, é contestado por muitos pesquisadores. “Eu não acredito que eles estejam conseguindo um [clone] a cada três [gestações]”, diz o especialista em clonagem Rudolf Jaenisch, do Whitehead Institute, em Boston. “A clonagem é ineficiente. Você perde muitos clones. Alguns morrem na gestação. E também há a epigenética anormal”, afirma, ao se referir ao conjunto de mudanças que o DNA de um animal sofre ao longo da vida.

“Quando você pega células de animais adultos e as insere num óvulo, você herda os erros genéticos daquele DNA velho. Isso não aconteceria com um embrião gerado naturalmente”, explica Jaenisch.

E se são necessárias três gestações para obter um clone, o que acontece com os fetos que não sobrevivem, questiona o especialista em bioética Hank Greely, da Universidade Stanford. “Eles nascem mortos ou deformados? Sentem dor?”, pergunta. Para ele, a clonagem é antiética porque causa mais sofrimento que a reprodução natural. Um dos motivos disso é o fato das cadelas receberem hormônios. “São os mesmos hormônios usados em humanos, nos tratamentos de fertilização in vitro”, diz CheMyong Jay Ko, diretor do laboratório de ciência reprodutiva da Universidade de Illinois. “Injetar esses hormônios não faz bem, especialmente se isso for feito repetidas vezes”, afirma.

Para combater a clonagem, ativistas lançaram uma campanha denominada #adoptdontclone (Adote, não clone, em tradução livre). “As pessoas que pagam US$ 100 mil para gerar um novo cachorro se esquecem de que há muitos cães com os quais ninguém se importa”, diz Vicki Katrinak, diretora da ONG Humane Society.

Prefeito de Seul, na Coreia do Sul, promete proibir o comércio de carne de cachorro

Foto: Johannes Eisele | AFP

O anúncio foi feito após uma exibição de “Underdog”, um filme de animação sul-coreano de 2018, dirigido por Lee Chun-baek e Oh Sung-Yoon, que conta a história de cães que vagam pelas ruas e percebem o significado da liberdade e de sua individualidade.

“No passado, tínhamos vários açougues para cães em Cheongnyangni (região norte de Seul), mas eu fechei quase todos eles através de várias medidas” , disse Park aos participantes.

“Atualmente, um ou dois matadouros de cães permanecem. Eu não posso forçá-los a sair do negócio, então vou pressioná-los a isso”. As informações são do LiveKindly.

O comércio na Coreia do Sul

A opinião pública sobre o comércio de carne de cachorro está mudando na Coreia do Sul. Em novembro passado, o governo fechou o Taepyeong , o maior matadouro de carne de cachorro do país, devido à crueldade contra os animais.

Os cães foram mantidos em gaiolas de arame e expostos a máquinas de eletrocussão e corte. Uma pilha de cães mortos foi encontrada enquanto os investigadores examinavam a área. Naquele mesmo mês, o Moran Market, que já foi o maior mercado do país a servir carne de cachorro, foi fechado.

Um criador de carne de cães libertou 200 cães em outubro passado e optou por converter seu negócio para uma fazenda de ervas medicinais. A mudança foi feita com a ajuda da organização sem fins lucrativos Humane Society International.

“Eu acho que haverá muito interesse de outros criadores de cães que querem sair também”, disse na época.

“Porque não se trata apenas de salvar os cães, mas também de nos ajudar os fazendeiros, e eu aprecio isso”.

O presidente do país, Moon Jae-in, adotou um cachorro chamado Tory em 2017, que havia sido resgatado de uma fazenda de carne.

Park também acredita que a adoção é importante: “Todos os anos, 8.500 cães estão sendo abandonados em Seul e um quarto deles são mortos por não serem adotados a tempo. Criar um mundo onde os animais também possam desfrutar de paz e segurança é algo que acredito ser muito importante”, disse ele após a exibição.

Segundo o LiveKindly, atualmente, existem cinco lojas de carne de cachorro no mercado de Gyeongdong, em Seul, duas das quais são conhecidas por abater e vender cães.