Ex-treinadores revelam que baleias eram drogadas no SeaWorld

Por Rafaela Damasceno

O SeaWorld vem tentando negar há muito tempo as acusações de que as baleias em cativeiro sofrem maus-tratos e se estressam tão profundamente que ficam doentes, morrendo cedo. Esta semana, a empresa de turismo Virgin Holidays anunciou que não venderia mais ingressos de atrações envolvendo baleias e golfinhos, quebrando a parceria com o SeaWorld.

Duas orcas em uma apresentação do SeaWorld

Foto: PETA

Os antigos treinadores do parque, John Hargrove e Jeffrey Ventre, afirmam que a notícia é positiva e que os ativistas têm razão em toda a revolta que dirigem ao local.

Eles declaram que as baleias eram drogadas todos os dias, privadas de alimento e feriam a si mesmas em resposta aos traumas psicológicos que sofriam.

Jeffrey conta que se sentiu honrado quando conseguiu o emprego de treinador, em 1987. O cargo era muito difícil de ser alcançado e ele ficou feliz em poder trabalhar com os animais marinhos, sua paixão. Infelizmente, nos oito anos seguintes, ele percebeu o horror de tudo aquilo.

“É como se você fosse um dublê ou um palhaço, atuando com animais em cativeiro e usando a privação da comida como motivador”, explicou, em entrevista ao The Sun. Segundo ele, as baleias exibiam sinais de extrema angústia e se automutilavam constantemente.

John posa com uma orca em uma das apresentações

John deixou o parque em 2012 | Foto: The Sun

Elas eram medicadas diariamente. O estresse causava úlcera estomacal, e muitas também tiveram infecções crônicas, o que as fez tomar antibióticos. Também eram drogadas com valium, para que ficassem mais calmas e fáceis de controlar.

Endogamia – método de acasalamento entre indivíduos aparentados – também era comum. Taku, uma das orcas do parque, acasalou com a própria mãe.

John virou treinador em 1993 e afirma ainda estar profundamente afetado por tudo o que presenciou, e declarou que o cativeiro reduz a vida das baleias.

“A decisão mais difícil que tomei foi me afastar das baleias que eu amava para poder denunciar tudo o que eu sabia e expor a indústria”, contou.

Jeffrey em uma apresentação com uma orca, lambendo seu rosto

Jeffrey trabalhou no parque por anos antes de sair e denunciá-lo | Foto: Youtube

Jeffrey afirma que os ataques aos treinadores eram comuns porque o estresse tornava as orcas assustadas e agressivas, mas muitos incidentes foram encobertos. Só vieram realmente à tona os que não podiam ser escondidos. Ele ainda acrescentou que os treinadores foram forçados a mentir para o público sobre as baleias, fingindo que os ferimentos que elas sofriam em cativeiro eram normais.

Um exemplo é o colapso da nadadeira dorsal, que se inclina para um dos lados. Não há uma explicação concreta para isso, mas especialistas acreditam que pode ser causado pelo estresse e redução de atividades.

“Também recebemos roteiros para programas educacionais que possuíam diversos erros de informação”, continuou Jeffrey. “Quando falamos com as crianças, nos disseram para explicar a elas que as orcas vivem de 25 a 30 anos. Isso não é verdade”. Na natureza, as orcas vivem em média de 50 a 80 anos. No cativeiro, a expectativa de vida é cerca de 17 anos.

Eles também eram forçados a dizer ao público que o colapso da nadadeira dorsal é uma ocorrência comum na natureza, o que também é uma mentira.

Jeffrey deixou o emprego em 1995 e John, em 2012. Os dois perceberam o impacto negativo que a atração causava nas baleias e nos próprios treinadores. Eles contaram que ainda se sentem culpados por tudo o que viram e tiveram que fazer.

Uma orca posa no tanque de uma apresentação, com a barbatana dobrada

O colapso da barbatana pode ser causado pelo estresse e não é comum na natureza | Foto: Magnolia Pictures

John odeia o fato de que pôde ir embora e continuar sua vida, enquanto as baleias que amava nunca puderam ter a mesma chance. Ele tenta compensar tudo lutando e protestando por condições melhores para os animais, agora.

Jeffrey é médico especialista em medicina física e reabilitação, e atualmente faz campanhas contra manter orcas em cativeiro. Em 2016, o SeaWorld anunciou que pararia seu programa de criação, mas 22 orcas ainda vivem nas atrações espalhadas por Orlando, San Diego e San Antonio.

Jeffrey afirma que é difícil melhorar a vida dos animais enquanto permanecem em cativeiro, em espaços mínimos. A maior parte das doenças, além da agressividade e a alta taxa de mortalidade é causada pelo cativeiro. Ele diz que o certo seria realocá-las em uma área protegida, onde teriam espaço para brincar, interagir com as algas e os peixes, ficar juntas como um grupo e não realizarem mais shows.

A diretora da PETA, Elisa Allen, explica que nos oceanos as orcas nadam mais de 160 quilômetros por dia – sentindo as correntes marítimas, analisando outras vidas marinhas, acompanhando um grupo e criando seus filhotes. Em cativeiro, não fazem muito mais do que nadar em círculos, vezes e vezes sem fim.

“Qualquer um com coração deve ficar longe, bem longe desse tipo de parque”, completou ela.


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Filhote de elefante é forçado a se apresentar e dançar para turistas em zoo

Foto: Moving Animals

Foto: Moving Animals

A decadente e cruel indústria do turismo e entretenimento humano faz mais uma vítima, dessa vez o alvo não passa de um bebê elefante, que antes de aprender a ser um animal selvagem na selva com seus iguais é forçado a aprender truques sem sentido sob a ameaça de ser espancado.

E a filhote não é a única vítima da exploração do parque, os demais elefantes cativos que vivem no zoológico na Tailândia são obrigados a fazer poses antinaturais com suas patas dianteiras, pedalar uma bicicleta feita com pneus de carro e pintar quadros, tudo isso em um palco para entretenimento de uma plateia de turistas.

Foto: Moving Animals

Foto: Moving Animals

Um vídeo pungente mostra como uma bebê elefante, apelidada de Dumbo, é forçada a fazer truques para os visitantes em um show no zoológico de Phuket na Tailândia.

Ativistas afirmam que o jovem animal realiza apresentações por até três vezes ao dia “sob ameaça de um imenso gancho”, nos shows que chegam a ter 20 minutos de duração.

Milhares de pessoas assinaram uma petição online pedindo ao zoológico de Phuket que liberte Dumbo, e permita que ela vá viver em um santuário.

O grupo responsável pela campanha, Moving Animals, afirmou que o animal apresenta um “corpo esquelético” e sugere que ele pode estar sofrendo de desnutrição e exaustão.

Eles também relataram que o animal fica preso por correntes quando não está se apresentando.

Um porta-voz do grupo disse: “Nós assistimos os turistas rindo e tirando fotos e selfies da cena, enquanto o pobre bebê elefante estava com os olhos fechados, silenciosamente sugando o ar por sua o tromba”.

Foto: Moving Animals

Foto: Moving Animals

“A vida cruel que aguarda por Dumbo, o bebê elefante, será de torturas e abusos a serem suportados sem prazo de duração, e então nós começamos uma petição pedindo a sua libertação imediata e envio para um santuário”, disse o representante da ONG.

“Esperamos que em breve ela possa viver em um lugar onde possa ser livre, conviver com seus iguais e sentir paz e tranquilidade, sem qualquer ameaça de dor ou sofrimento ou ser forçada a se apresentar”.

Zoo encerra apresentações de elefantes asiáticos  

Zoológicos são ambiente extremamente cruéis com os animais. Performances com elefantes e outras espécies causam grande sofrimento a eles, pois são forçados a se comportar de maneira não natural, o que causa danos a longo prazo em seus corpos. Tais atividades são alcançadas através da ameaça, violência e privação de alimentos para forçarem os animais a obedecerem comandos.

Foto: Animals Asia

Finalmente, o zoológico de Saigon, o maior do Vietnã, na Ásia, encerrou todas as apresentações com elefantes após anos de pedidos e manifestações de organizações de bem-estar animal, incluindo a Animals Asia .

Embora o zoológico não tenha feito nenhum anúncio formal de que os shows terminaram, a organização teria recebido garantias de que nenhum deles ocorreu desde dezembro de 2018. A organização também confirmou que as performances dos elefantes não serão reintroduzidas.

Como explicado no site da Animals Asia, durante anos, quatro elefantes foram forçados a fazer truques, como se levantar em suas patas traseiras e ficar de pé em banquetas todo fim de semana e feriados.

Foto: Animals Asia

“Estamos felizes pelo fato do zoo de Saigon ter percebido que os shows com elefantes são cruéis, desatualizados e totalmente em desacordo com os princípios do bem-estar animal”, afirmou o diretor de bem-estar animal Dave Neale em um comunicado.

“Oferecemos conselhos gratuitos de bem-estar para ajudar o zoológico a fornecer os mais altos padrões de atendimento para os elefantes e até nos propomos a disponibilizar veterinários qualificados para ajudar a cuidar de um dos animais que está parece estar doente”.

Infelizmente, eles ainda não aceitaram as ofertas de apoio da Animals Asia, mas elas continuarão disponíveis a qualquer momento porque, como a organização afirmou, ela “nunca se afastará de um animal em necessidade”.

Foto: Animals Asia

Oposição em toda a Ásia

Na China, a pressão da Animals Asia contra circos com animais em cativeiro resultou em uma diretriz do governo em 2011, proibindo o uso de animais em apresentações. No entanto, a mais recente investigação da organização sobre o desempenho zoológicos da China revelou que, a partir de 2018, mais de 30% deles, além de parques de safári não encerraram as atividades com exploração animal conforme a lei determinou.

Atualmente, o zoo de Saigon possui seis elefantes asiáticos, quatro dos quais foram forçados a se apresentar. Lamentavelmente, os seis continuarão em exibição pública em seus recintos.

A entidade de defesa dos direitos animais espera que esse seja o primeiro passo para acabar completamente com o confinamento dos elefantes em Saigon e que eles possam ser transferidos para um santuário, onde viverão o resto de suas vidas em paz.