Mudanças climáticas prejudicam indústria de sorvetes veganos

Por Rafaela Damasceno

Os sorvetes veganos são um produto em alta. Infelizmente, tempestades cada vez mais violentas no sudeste da Ásia ameaçam um de seus melhores ingredientes: o coco.

Um homem mexendo em caixas cheias de coco

Foto: Dario Pignatelli

Grande parte da fruta vem da região, que enfrenta um aumento na frequência e intensidade das tempestades por causa do aquecimento dos mares. A cremosidade natural do coco é considerada uma das melhores maneiras de substituir os laticínios, e os produtores de sorvetes veganos estão agora em busca de outras alternativas.

“Continuaremos apoiando os produtores de coco e as comunidades durante todo o tempo que pudermos, mas percebemos que há uma ameaça climática séria nessas áreas”, declarou Kim Gibson Clark, diretora da Coconut Bliss, empresa americana produtora de sorvete vegano.

Os sorvetes sem produtos de origem animal estão em ascensão, considerando que a demanda por alimentos veganos está aumentando cada vez mais. Os produtos baseados em vegetais são mais saudáveis, além de causarem menos dano ao meio ambiente (os produtos de origem animal emitem uma grande quantidade de gás carbônico na atmosfera).

Em 2018, 29 tempestades tropicais atingiram o noroeste do Oceano Pacífico, acima da média anual de 26, segundo a Divisão de Pesquisa de Furacões dos Estados Unidos.

A Coconut Bliss usa o coco como base de seus sorvetes desde 2005. Entretanto, com a ameaça da perda do produto, começou a desenvolver um leite à base de vegetais que seja mais denso.

“Há um desafio pela frente”, disse Tyler Malek, co-fundador da Salt & Straw, empresa de sorvete que vende produtos veganos. “Mas talvez isso seja uma porta de entrada para experimentos divertidos no futuro”, concluiu, otimista.


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Mercado de sorvetes livres de laticínios deve valer US$ 1 bi até 2024

O mercado não está sendo ocupado apenas por grandes empresas, mas também por médias e pequenas (Foto: Reprodução

O mercado de sorvetes livres de laticínios deve valer US$ 1 bilhão até 2024. A projeção é da empresa de pesquisa de mercado Global Market Insights. E o que tem estimulado esse crescimento é o aumento da população vegana e também o interesse por produtos mais saudáveis.

Além do mercado norte-americano e europeu, a pesquisa cita o Brasil como um país que deve contribuir de forma significativa com a oferta e demanda de sorvetes sem ingredientes de origem animal.

Segundo o relatório, os sorvetes nos sabores chocolate, cookies & cream, napolitano e chocolate mocha são os mais populares da categoria “dairy free”, embora em algumas partes da Europa sorvetes cítricos tenham se popularizado cada vez mais.

A pesquisa também aponta uma boa diversificação nesse mercado, e com um crescente número de opções de sorvetes orgânicos, artesanais e que trazem sabores que não são oferecidos por empresas que produzem sorvetes baseados em leite.

Por enquanto a penetração dos sorvetes livres de laticínios tem sido maior em regiões que oferecem alta disponibilidade de produtos em supermercados, mas isso deve mudar nos próximos anos.

Outra observação feita pela Global Market Insights é que o mercado não está sendo ocupado apenas por grandes empresas, mas também por médias e pequenas.