Golfinhos e outros animais são resgatados de cativeiro em hotel onde eram explorados para entretenimento

Foto Meka Hotel

Foto Meka Hotel

Após a morte de um golfinho, que estava sendo mantido como atração turística em um hotel na cidade de Lovina, no norte de Bali, no sábado, uma investigação da agência de conservação do país foi iniciada resultando no resgate de dois outros golfinhos, assim como uma série de outros animais que eram mantidos no mesmo local. A operação aconteceu ontem (6), após anos de alegações de abuso de animais.

O Projeto Dolphin, uma organização sem fins lucrativos com sede nos EUA que trabalha para proteger golfinhos em todo o mundo, publicou em seu site que foram resgatados dois golfinhos e mais outros animais ontem, que segundo as autoridades estavam “sofrendo e sendo mantidos em condições deploráveis”.

Foto Meka Hotel

Foto Meka Hotel

Autoridades do Centro de Conservação de Recursos Naturais do governo indonésio (BKSDA) em Bali, bem como membros da Rede de Ajuda a Animais de Jakarta (JAAN), participaram da missão de resgate dos animais.

O Projeto Dolphin disse que o resgate foi planejado antes da morte de um dos golfinhos no sábado. A maioria dos animais mantidos no Hotel Melka, incluindo três crocodilos de água salgada, dois macacos de folhas (lutungs), assim como cobras e porcos-espinhos, foram todos removidos das instalações do hotel.

“A evacuação dos animais no Hotel Melka no norte de Bali começou ontem, [depois] a equipe realizou um exame de saúde de todos os animais. Todos eles eram mantidos dentro de instalações horríveis, de concreto, estéreis, úmidas [e] pequenas”, escreveu JAAN. um post no Instagram.

Foto: JAAN / Facebook

Foto: JAAN / Facebook

O grupo ativista animal disse que ainda há mais dois golfinhos sendo mantidos no hotel, mas eles disseram que também serão resgatados em breve.

“Com base em seu exame de saúde ontem, apenas dois [dos golfinhos] estavam aptos para o transporte. O resgate dos outros dois está atualmente adiado porque eles não estavam saudáveis o suficiente”, disse Sumarsono, da BKSDA Bali, conforme citado pelo Detik.

O coordenador de Mamíferos Marinhos da JAAN, Amang Raga, disse ao Detik que os golfinhos que ainda estavam no cativeiro, chamados de Rocky e John, eram cegos.

Os dois já haviam sido fruto de uma tranferência, eles vieram do Dolphin Lodge Bali, no sul de Denpasar, enquanto os outros animais haviam vindo do Zoológico de Bali e do Bali Safari e Marine Park, e é nestes locais que ficarão por enquanto.

Foto Meka Hotel

Foto Meka Hotel

“Nós [continuaremos] a monitorar sua saúde e bem-estar, e planejamos o melhor para os animais: significando sua potencial reabilitação e liberação de volta à vida selvagem”, disse JAAN.

Segundo a BKSDA, o Hotel Melka possui uma licença de conservação, que permite abrigar animais protegidos, como os golfinhos.

O Melka Hotel descreve-se como um “Hotel Dolphin” (Hotel dos Golfinhos, na tradução livre) e oferece aos seus hóspedes a oportunidade de assistir ao seu show diário de golfinhos ou nadar com golfinhos nas piscinas de água salgada do hotel (este último por um custo adicional, de acordo com seu site).

Agora, o hotel está prestes a perder sua permissão, e pode até enfrentar acusações criminais se a agência determinar que há sinais de negligência, Ketut Catur Marbawa, do BKSDA de Bali, disse ao Detik na segunda-feira.

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Treinadora de golfinhos é acusada de maus-tratos após sentar em cima dos animais

Foto: Instagram/Cetacean.inspiration

Foto: Instagram/Cetacean.inspiration

Uma “treinadora de golfinhos” do Dubai Dolphinarium está sendo investigada por abusos de animais após um vídeo ter sido divulgado nas redes sociais mostrando a instrutora sentada nas costas de um dos animais.

As imagens, filmadas nos Emirados Árabes Unidos na semana passada, mostram a treinadora sentada nas costas de um golfinho por cerca de seis segundos antes de mergulhar em uma piscina.

Especialistas dizem que o golpe poderia facilmente ter danificado os órgãos do golfinho pois os mamíferos não suportam o próprio peso do corpo fora da água, portanto, acrescentar o peso de um ser humano a esse risco pode causar sérios danos aos mamíferos marinhos.

Ativistas identificaram duas treinadores que foram acusadas de serem as responsáveis pelo vídeo, as quais, desde então, excluíram suas contas na rede social.

Um porta-voz do Dolphinarium, inaugurado em 2008, confirmou que uma investigação estava em andamento, mas se recusou a discutir mais.

“A gerência está investigando o vídeo. Não podemos falar sobre as imagens enquanto a investigação estiver em andamento “, disse a atração em um comunicado.

Elsayed Mohammad, diretor regional do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal, disse ao Gulf News: “É bem sabido que o corpo dos golfinhos é muito sensível”.

“O corpo do golfinho não é adaptável a qualquer pressão fora da água. Pressionar o abdômen do golfinho no chão pode facilmente prejudicar seus órgãos internos”.

“Se você der um soco no abdômen de uma pessoa, pode imaginar como é doloroso”.

“Independentemente de saber se são alguns segundos ou não, está errado. É crueldade contra animais”.

Foto: Instagram/Cetacean.inspiration

Foto: Instagram/Cetacean.inspiration

O Dubai Dolphinarium é uma pretensa atração turística que explora os animais vendendo ao público “a chance de assistir a golfinhos e focas realizarem truques em estilo de circo em shows diários”. O que a maioria das pessoas ignora é que esses animais realizam os truques em troca de comida, vivem famintos, infelizes, presos e sob tortura, privados da imensidão do oceano e da companhia de seus iguais.

Esses animais muitas vezes desenvolvem doenças compulsivas de fundo mental como a zoocose. O sofrimento desses seres é tamanho que eles batem suas cabeças nos portões ou mesmo nas grades de seu cativeiro, auto mutilando-se. A repetição de movimentos compulsivos sem finalidade, como nadar a deriva nos taques também esta entre os sintomas da doença.

As apresentações de 45 minutos incluem os animais dançando, cantando, fazendo malabarismo, jogando bola e pulando através de aros.

Os hóspedes também podem pagar mais por uma experiência de “nadar com golfinhos”, que envolve ser transportado segurando nas barbatanas da barriga do animal ou na barbatana dorsal.

Os clientes também são informados de que conseguirão abraçar, beijar e dançar com os animais.

Nascidos livres no oceano, esses animais jamais serão felizes em cativeiro. Acostumados a nadar quilômetros em altas velocidades, ao ficarem confinados a tanques artificiais eles perdem a vontade de viver e muitos morrem porque param de comer ou mesmo de respirar.

Foto: Gulf News

Foto: Gulf News

Animais extremamente inteligentes e capazes de vínculos sociais sólidos e profundos, seu sofrimento só se torna ainda maior em função de suas habilidade cognitivas e da compreensão do mundo ao seu redor.

Grupos de defesa dos direitos animais pedem o fim de todos os shows de animais em cativeiro, denunciando a crueldade e o abuso por trás desses espetáculos.

No mês passado, a Virgin Holidays anunciou que deixaria de oferecer viagens de férias organizadas para cinco resorts que incluem experiências com baleias e golfinhos em cativeiro.

Enquanto isso, a Seaworld anunciou em 2016 que estava cancelando os espetáculos com orcas e acabando com seu programa de reprodução em cativeiro após a reação em massa do público pedindo o fim das atividades.

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Empresa de turismo declara que vai parar de vender bilhetes de atrações com baleias e golfinhos

Por Rafaela Damasceno

A empresa de turismo britânica Virgin Holidays declarou que vai parar de promover excursões às atrações que envolvam baleias ou golfinhos em cativeiro. A empresa cortou parceria com o SeaWorld, Discovery Cove e similares e planeja incentivar mais visitas aos animais em seus habitats.

Duas baleias em um show no SeaWorld, em um tanque

Foto: Getty

“Esta decisão segue a jornada que a empresa iniciou em 2014, ao anunciar que a Virgin Pledge só trabalharia com instalações que não capturassem os animais da natureza. Essa posição foi atualizada em 2017, quando nós inserimos uma série de novos passos para divulgar encontros mais naturais com os animais”, declarou o diretor da Virgin Holidays, Joe Thompson.

Ele completou que a empresa continuará apoiando a criação e o desenvolvimento de santuários para baleias e golfinhos que atualmente permanecem em cativeiro.

O comprometimento foi aprovado pelos britânicos: uma pesquisa da empresa mostrou que 92% dos entrevistados dizem preferir ver os animais em seu habitat natural do que em cativeiro.

O diretor acrescentou que a Virgin Holidays deseja apoiar encontros responsáveis com os animais, que visam colocar a saúde e o bem-estar deles em primeiro lugar.

A proibição da venda dos bilhetes para as atrações ainda não entrou em vigor, mas a empresa afirma que até o final do mês isso será feito.

O SeaWorld se posicionou contra a decisão, afirmando que a instalação estava “desapontada” com a empresa. “É decepcionante ver a Virgin Holidays ceder à pressão dos ativistas que enganam e manipulam a ciência dos animais marinhos para promover suas agendas”, disse um porta-voz ao The Independent.

A atração também afirmou que a história do SeaWorld foi construída com base no resgate de animais. “Apoiar instalações zoológicas independentes é mais importante do que nunca. Nenhuma empresa faz mais para proteger os animais marinhos e promover pesquisa, resgate e conservação do que o SeaWorld”, completou.

Apesar das afirmações do local, a Virgin Holidays não pensa em recuar sobre seus novos ideais e investiu 100 mil dólares (cerca de 375 mil reais) para apoiar um projeto do National Aquarium in Baltimore, nos Estados Unidos, que realocará seus golfinhos em cativeiro para um santuário maior e mais natural, que será inaugurado em 2021.

A empresa também fez uma parceria com a World Cetacean Alliance para que os guias turísticos recebessem aulas sobre baleias e golfinhos.