Relatório aponta o impacto benéfico do veganismo no meio ambiente

Foto: Adobe

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Um novo estudo divulgado, intitulado Veganism Impact Report (Relatório de Impacto do Veganismo, na tradução livre) revela o enorme impacto na saúde, economia e emissões de gases se apenas a população de grupo de países, no caso o Reino Unido, se tornasse vegana. Segundo o relatório haveria uma diminuição de 70% nas emissões de CO2 relacionadas com alimentos e um bilhão de hectares da superfície terrestre do mundo atualmente usada para criação de animais seria liberada.

O Relatório de Impacto do Veganismo usa estatísticas sobre o consumo anual de produtos animais, emprego, comércio, saúde, meio ambiente e economia do Reino Unido, da União Europeia e do mundo. As estatísticas do Reino Unido baseiam-se em 1,16% da população sendo vegana e não levam em consideração a população vegetariana ou pescatariana. As estatísticas da UE baseiam-se em 5,9% da população sendo vegana e vegetariana

Impacto na economia, emissões de gases e saúde

As estatísticas mostram o enorme impacto que uma população totalmente vegana e não-vegana teria na economia da UE e nas taxas de agricultura e emissões do mundo. O relatório interativo demonstra que se 100% da população global que consome carne fosse vegetariana, um número impressionante de 9,6 bilhões toneladas a menos de emissões de CO2 equivalentes a alimentos seria liberado anualmente (as emissões de gases causadores do efeito estufa equivalem a 13,7 bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono em 2018, mas uma população vegana reduziria essas emissões em uma taxa enorme de 70% em 4,1 bilhões).

Foto: thespruce.com

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O relatório também revela que um bilhão de hectares da superfície terrestre do mundo usado para criação de animais (carne) seria disponibilizado se ninguém consumisse produtos de origem animal. Cálculos baseados em números de 2018 que apontam que 1,5 bilhão de hectares da superfície terrestre total do mundo foram usados para a agricultura.

As doenças cardíacas e as taxas de câncer também seriam extremamente afetadas, com 130 mil mortes a menos só no bloco de países (Reino Unido) a cada ano se sua população se tornasse vegana (152.405 pessoas no Reino Unido morreram de doenças cardíacas em 2017, mas isso cairia de maciços 129.544 para apenas 22.861 mortes por ano se a população seguisse uma dieta vegana).

Foto: hipcamp

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Além disso, como exemplo há 8.800 casos de câncer ligados ao consumo de carne processada ou vermelha a cada ano no bloco de países, sugerindo que a opção por uma dieta sem carne reduziria significativamente as chances de desenvolver câncer de estômago e intestino.

Indústria vegana

O relatório não considera, no entanto, o aumento de empregos que ocorreriam na indústria vegana se o veganismo fosse adotado pelo público como um todo. Quando mais e mais pessoas criam demanda por produtos veganos, isso significa, naturalmente, que mais produtos são criados e que uma nova economia, mais sustentável, é reforçada.

Foi criada recentemente a primeira empresa de recrutamento vegana, e mais e mais empregos estão sendo criados a cada semana com o crescente comércio vegano global.

Foto: PETA Kids

Foto: PETA Kids

Um ano atrás, a investidora vegan Heather Mills criou centenas de empregos ao converter uma fábrica de batatas Walkers em uma instalação de carne vegana. Em abril deste ano, a Mills comprou uma fábrica da Proctor and Gamble para criar um “Silicone Plant Valley”.

Também é desnecessário dizer que, quando as pessoas optam por alternativas de couro, isso também cria empregos em materiais à base de plantas, que já vemos acontecerem na moda, design de interiores, beleza e cosméticos e até na indústria automotiva.

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Imprensa internacional noticia aumento do desmatamento na Amazonia

Reuters/Nacho Doce

Reuters/Nacho Doce

O desmatamento na Amazônia aumentou em 20% no ano passado, revelam informações da entidade ambientalista Imazon, que não possui ligação com governo e monitora a floresta tropical há duas décadas, informa o jornal inglês The Independent.

A extração descontrolada de madeira e a invasão de terras foram atribuídas pelos analistas como responsáveis por grande parte da perda, algumas das quais ocorreram em áreas protegidas e reservas indígenas.

O grupo ambientalista afirmou que imagens de satélite mostraram que a região perdeu 2.169 km² de florestas entre agosto e abril. Este número corresponde a 1,807 km² perdidos a mais em relação ao mesmo período do ano anterior.

O ano-base de monitoramento do grupo começa em agosto, para coincidir com a estação seca do Brasil, quando as taxas de extração são geralmente mais altas.

O presidente do país, Jair Bolsonaro, e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, questionaram a realidade da mudança climática e falaram a favor da expansão da mineração e da agricultura industrial na Amazônia e em áreas protegidas.

Ambos os políticos acreditam que as leis ambientais e os grupos ativistas freqüentemente trabalham para impedir o potencial econômico do Brasil.

Salles disse no início do mês que queria reformar o Fundo Amazônia, uma iniciativa criada para conter o desmatamento em uma área de quase sete milhões de quilômetros quadrados.

O ministro agendou uma reunião com representantes dos governos alemão e norueguês, dois dos principais contribuintes do fundo, esta semana.

Salles disse que seu ministério revisou 103 contratos concedidos pelo fundo a grupos sem fins lucrativos, cerca de um terço de todos os contratos assinados desde o seu lançamento em 2008. Ele disse que a investigação encontrou “irregularidades” em todos os 103 contratos, mas ele não deu quaisquer casos específicos, citando cláusulas de confidencialidade até revisão pelos auditores.

Ele reiterou sua intenção de “sacudir” o fundo apertando regras e a supervisão sobre a alocação de contratos e a escolha de projetos que possam obter financiamento, em uma recente entrevista à TV Globo.

“Queremos melhores resultados para reverter o aumento do desmatamento”, disse Salles, acrescentando que queria resultados “mensuráveis” e um “retorno sobre o investimento”.

Ele não pôde dar mais detalhes sobre as mudanças propostas pelo ministério antes de discuti-las com a Noruega e a Alemanha, disse ele. A estatal brasileira de petróleo, a Petrobras, é o terceiro maior contribuinte do fundo.

O fundo foi criado para receber doações para ajudar a prevenir, monitorar e combater o desmatamento na floresta amazônica, uma vasta área rica em biodiversidade e cuja preservação é vista como essencial para conter a mudança climática.

Estudo aponta os benefícios de converter terras usadas para criação de animais em florestas

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

O que aconteceria se a terra atualmente utilizada para produção agrícola fosse convertida em florestas? Um novo estudo da Universidade de Harvard descobriu que o mundo todo poderia reduzir significativamente suas emissões de dióxido de carbono (CO2) ao fazê-lo.

O estudo que usa o Reino Unido como exemplo, analisou dois cenários possíveis. O primeiro envolve transformar todas as pastagens e terras agrícolas usadas para produzir ração animal em florestas. No segundo, toda a pastagem é convertida em floresta e a terra utilizada para agricultura é usada para cultivar uma variedade maior de frutas e vegetais locais apenas para consumo humano. Segundo o site do The Ecologist, só o Reino Unido importa 90% de seus produtos de consumo alimentar.

Os pesquisadores descobriram que, no primeiro cenário, o Reino Unido poderia compensar suas emissões de CO2 em 12 anos. O segundo cenário é compensado em nove anos. Ambos os cenários seriam capazes de fornecer proteínas e calorias suficientes para cada pessoa que vive no bloco de países, ajudando a melhorar a segurança alimentar.

O estudo observa que o reflorestamento de terras usadas para animais de criação também poderia ajudar a produzir proteína baseada em vegetais como o feijão e cultivar mais frutas e vegetais.

Como o reflorestamento beneficia o meio ambiente

De acordo com um estudo publicado no The Lancet no início deste ano, a agropecuária é pesada em relação ao consumo e utilização de recursos e hostil ao clima, contribuindo para as emissões de gases de efeito estufa (GEE), perda de biodiversidade e uso da terra e da água.

Uma alimentação vegana ou vegetariana não só seria melhor para o planeta, mas também ajudaria a garantir que podemos alimentar a crescente população humana, que deverá atingir 10 bilhões até 2025. “Mesmo pequenos aumentos no consumo de carne vermelha ou lácteos alimentos tornariam esse objetivo difícil ou impossível de alcançar”, afirma o relatório.

Um estudo anterior da Universidade de Oxford mostra que, se todos os habitantes do planeta fossem veganos, o uso da terra seria reduzido em 75%, diminuindo o impacto da mudança climática e permitindo um sistema alimentar mais sustentável.

O reflorestamento ajudaria o planeta. Ambos os cenários permitiriam ao exemplo em questão, o Reino Unido atingir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris. O estudo enfatiza a necessidade de “ação radical, muito além do atualmente planejado”, para reduzir os GEEs (gases nocivos).

A mudança para a substituição de pastagens de animais cultivados por florestas também proporcionaria à fauna nativa novos lares, novos habitats, permitindo o florescimento de populações e ecossistemas.

Desaparecimento das áreas de pastagem do planeta ameaça sobrevivência de muitas espécies

A primeira vista os pastos parecem habitats bastante simples. Os animais que vivem nas pastagens têm vastas extensões planas de terra para caminhar, alimentar-se, dormir e conviver. Eles não precisam se locomover por altitudes extremas e temperaturas congelantes de montanhas escarpadas, ou lidar com perigos do oceano, como detritos de plástico e águas mais quentes que o usual, segundo informações do National Geographic.

Mas são as características peculiares a essas paisagens que as tornam atraentes e as colocam em risco. Planas e frequentemente muito férteis, elas são propensas a serem utilizadas para agricultura, pecuária e desenvolvimento em geral. Elas também são terras expostas, o que as torna ideais para os caçadores fazerem suas vítimas. Toda essa invasão humana nas pastagens põe em risco esses ricos habitats que os animais, de guepardos passando por caribus e até galinhas-da-pradaria, chamam de lar.

Foto: Conservation Institute

Foto: Conservation Institute

Pradarias de clima temperado – aquelas que ficam mais frias no inverno – são especialmente atingidas pela ação humana. Encontradas em todos os continentes, exceto Antártida, os campos temperados são responsáveis por oito por cento das terras do planeta. Eles são reconhecidos como um dos ecossistemas mais ameaçados da Terra, de acordo com o Grupo de Especialistas em Pastagens da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a autoridade global sobre o status de conservação de animais selvagens e habitats selvagens.

Conhecidas como pradarias ou planícies na América do Norte, savanas na África do Sul e pampas na América do Sul, as pastagens temperadas têm solo rico em vitaminas. São tão atraentes como terras agrícolas que 40% dessas pastagens já foram desenvolvidas e são atualmente usadas para a agricultura. Outros quase 14% foram utilizados para a construção de infraestrutura urbana ou industrial. Apenas metade dos campos temperados da Terra permanecem intactos, em seu estado natural, de acordo com dados da IUCN.

Foto: WWF

Foto: WWF

E essas terras estão em grande parte desprotegidas. De acordo com a IUCN, menos de 5% das pastagens temperadas são designadas reservas naturais ou parques nacionais, o que não é suficiente para garantir a sobrevivência das espécies que crescem e vivem nelas.

Por exemplo, os furões de patas negras e os cães da pradaria, cuja alimentação é feita inteiramente nessas terras foram duramente atingidos pelo desenvolvimento e utilização do solo. Nos séculos XVIII e XIX, quando vastas áreas das pradarias norte-americanas foram transformadas em terras agrícolas, as populações de cães-pradaria despencaram.

Foto: Furão de patas pretas/Divulgação

Foto: Furão de patas pretas/Divulgação

Eles foram mortos em massa porque suas tocas dificultavam o cultivo. Como resultado, os furões de patas negras quase foram extintos. Enquanto furões de patas negras foram reintroduzidos com sucesso na natureza em vários estágios entre 1994 e 2009, suas populações ainda lutam para crescer. Cães de pradaria, amplamente vistos como pragas agrícolas, continuam sujeitos a campanhas cruéis de erradicação.

Várias pesquisas e estudos tem examinado diferentes habitats de animais através das lentes da hostilidade ou seja, a investigação sobre os motivos que tornam um ecossistema hostil para as espécies que vivem lá. Uma resposta após a outra, das montanhas ao oceano, às pastagens, o denominador comum em todos os casos é a presença humana.