Atriz Alicia Silverstone faz parceria com ONG e pede o fim dos testes em animais

Por Rafaela Damasceno

Alicia Silverstone se uniu à Cruelty Free International, grupo ativista que promove a abolição dos experimentos em animais, em uma tentativa de pressionar o governo a acabar com a exploração animal em testes de laboratório.

Atriz Alicia Silverstone

Foto: Supplied para PBN

Ela participou do Fórum de Alto Nível Político da ONU esta semana para pedir o fim dos animais na experimentação de cosméticos. A Cruelty Free International incentivou uma campanha em 2017, pedindo o fim da prática no mundo todo.

Em um comunicado enviado à Plant Based News, Alicia classificou os testes como cruéis e antiquados, e afirmou estar muito feliz em acrescentar sua voz às outras que lutam pela mesma causa.

A diretora da Cruelty Free International, Michelle Thew, afirma que os testes em animais são caros, ineficientes e torturantes. “Hoje, existem muitas alternativas confiáveis e livres de sofrimento”, disse.

“É fantástico que outros países estejam aprovando a proibição dessa prática cruel, mas é hora de acabar com isso de uma vez por todas”, completou ela.

No Brasil, há algumas leis locais que proíbem a exploração de animais nos testes de cosméticos. A prática não é considerada um crime na maior parte do país.

Embriões de peixe morrem e sofrem anomalias após testes sobre toxicidade da lama de Brumadinho (MG)

Embriões de peixe-zebra foram vítimas de um teste sobre a toxicidade da lama que atingiu Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem. Casos de anomalias e mortes foram registrados. O estudo foi feito por cientistas de universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro e de São Paulo e incluiu dosagem de poluentes, quantificação de micro-organismos potencialmente perigosos e testes ecotoxicológicos.

Rio Paraopeba 30 dias após a barragem romper em Brumadinho (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

A lama foi coletada cinco dias após a ocorrência do crime ambiental e, mesmo após ser diluída 6.250 vezes, matou embriões e causou defeitos graves neles, segundo Mônica Lopes-Ferreira, cujo laboratório funciona no Instituto Butantan, em São Paulo.

Os testes feitos com água retirada de locais mais próximos da área do rompimento da barragem resultaram em maior letalidade aos embriões. O material coletado junto à mina gerou mortalidade de até 100%. Deformações no cérebro, na boca, na coluna, na cauda e hemorragias foram causadas pela água retirada de todos os pontos abaixo do local onde a barragem rompeu.

“Para testar a lama tivemos que diluí-la até 6.250 vezes e ainda assim ela continuou letal para os embriões, o que atesta sem dúvida seus risco para a saúde”, diz Mônica Lopes-Ferreira. As informações são do O Globo.

Corpo de Bombeiros trabalhando em Brumadinho após crime ambiental (Foto: WASHINGTON ALVES / REUTERS)

No experimento, cinco embriões de peixe-zebra foram deixados dentro de 50 microlitros de água contaminada misturados com dois mililitros de água limpa. Cada mililitro é equivalente a mil microlitros. Os embriões tinham de 30 minutos a três horas de nascidos. Eles foram explorados nos testes por um período de 24 horas até 96 horas.

“Não há dúvida que um material tóxico foi lançado no [rio] Paraopeba. Não sabemos como a situação está agora, mas a área precisa ser acompanhada porque esse material é muito fino, pode permanecer por muitos anos. Ele fica no leito do rio, no solo e entra em contato com pessoas e animais”, destaca a pesquisadora do Butantan.

Por falta de dinheiro, os pesquisadores interromperam os testes, mas pretendem fazer novas coletas. “O dano potencial desse tipo de acidente perdura por décadas. Toda a região afetada precisa ser monitorada com extremo rigor”, frisa Rezende.

Manifestantes protestaram contra a Vale em São Paulo e no Rio de Janeiro ( Foto: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP)

Para Fabiano Thompson, as águas do Paraopeba representam uma ameaça à saúde pública. “A saúde do rio pode estar comprometida por décadas. Uma vergonha”, diz.

Com as coletas feitas, os cientistas identificaram uma concentração elevada de mercúrio, metal altamente tóxico, no Rio Paraopeba. A concentração encontrada é pelo menos 720 vezes maior que o máximo estabelecido como seguro pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para águas de classe 2, como a do rio. Essa classificação indica que a água é destinada ao abastecimento humano, após tratamento.

Um relatório oficial, recentemente divulgado pela ANA, Capasa, CPRM e Igam, aponta elevada concentração de mercúrio na água entre 25 de janeiro e 10 de março deste ano, além de indicar turbidez média (NTU), ferro dissolvido (mg/L) e mercúrio dissolvido (ug/L) acima dos limites estabelecidos pela resolução Conama 357. Os cientistas lembram, porém, que uma interpretação mais abrangente sobre a situação atual do rio está sendo dificultada pela ausência de dados a partir de 11 de março.

O estudo foi feito por pesquisadores do Instituto Butantan, da Uenf e da UFRJ e amostras foram coletadas em seis localidades ao longo do Paraopeba, incluindo pontos localizados 26 quilômetros antes da área atingida e até 150 quilômetros após o local.

Vaca fica presa à lama em Brumadinho. Foto: Mauro Pimentel/AFP

O resultado da pesquisa indicou concentração de ferro 100 vezes maior que a estabelecida pelo Conama e de alumínio, mil vezes superior. O mercúrio, no entanto, é o que preocupa os pesquisadores, devido à elevada toxicidade e persistência no ambiente. Fabiano Thompson, do Instituto de Biologia e da Coppe da UFRJ e autor de uma análise sobre os efeitos dos rejeitos da lama de Mariana (MG), acredita que uma possibilidade para explicar essa situação é que a forte lama lançada contra Brumadinho após o rompimento da barragem pode ter revirado o leito do rio e liberado sedimentos de antigos locais de extração de ouro.

Carlos Eduardo de Rezende, da Uenf, que é um dos coordenadores do estudo, lembra que o mercúrio é um dos piores poluentes existentes, já que causa uma espécie de contaminação crônica.

Além do metal, foram encontrados também micróbios potencialmente tóxicos na água do rio, com concentrações dez vezes superior à máxima tolerada pelo Conama.

O outro lado

De acordo com a Vale, após três meses do rompimento da barragem, “é possível avaliar que o rio Paraopeba poderá ser recuperado. Tal afirmação é baseada em estudos de quase 900 mil análises da água, solo, rejeitos e sedimentos.”

A empresa diz que está realizando um monitoramento detalhado do rio, com coletas diárias de amostras de água e solo, além de avaliação dos níveis de turbidez.

Ainda segundo a mineradora, análises feitas em 48 pontos mostraram que os rejeitos não são perigosos à saúde e que os níveis de toxicidade estão abaixo dos limites legais para “rejeitos de mineração, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”.

Um relatório feito em conjunto pela Agência Nacional de Águas (ANA), pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), concluiu que a concentração de mercúrio no local está “abaixo do limite de detecção do método analítico” e que a densidade de micro-organismos e toxinas derivadas deles está dentro do padrão legal.

Nota da Redação: explorar embriões de peixes em testes sobre a toxicidade da lama de rejeitos do rime ambiental de Brumadinho (MG) é uma prática antiética. Esses experimentos contrariam os direitos animais, já que tratam embriões de peixes como objetos e os condenam à morte e a anomalias. É de extrema necessidade avaliar o risco que a água do rio Paraopeba representa, após o rompimento da barragem, não só para os seres humanos, como também para os animais. Isso, no entanto, deve ser feito de forma ética, através da avaliação em laboratório de amostras da água, sem o envolvimento de seres vivos.

Estudo denuncia a morte de um milhão de cangurus

Um estudo experimental de ração para cangurus em Victoria (Austrália) descobriu que atiradores estão matando mais animais para aumentar seu lucro. O programa foi cercado por acusações de fraude e suborno, de acordo com um relatório do governo.

A legislação deste país permite que o cidadão comum, em posse de uma licença concedida pelo governo, possa matar os cangurus e até paga por isso. Alguns deles se tornam “assassinos profissionais” desses animais.

A desculpa usada para o extermínio dos seres sencientes é a contenção da superpopulação da espécie. A morte se torna a escolha mais fácil e simples quando demais alternativas compassivas estão na mesa.

O resultado do estudo realizado pelo governo, leva a crer que essa premissa perigosa abre espaço para fraudes, suborno e demais crimes envolvendo ambição humana. A que preço for.

Foi constatado um aumento de 250% no número de cangurus mortos em Victoria, desde o início do teste, em 2014. Um milhão morreu por causa do programa.

O relatório do Departamento de Meio Ambiente, Terra, Água e Planejamento foi liberado sob a diretriz de liberdade de informação para a Sociedade Australiana de Cangurus.

“Atiradores estavam matando mais cangurus para maximizar os lucros e davam preferência a cangurus do gênero masculinas pois quanto maior a carcaça mais dinheiro por ela”, dizia o relatório.

“O atual escopo do projeto é insuficiente para gerenciar os riscos associados ao estudo”, diz o relatório.

O relatório alertou ainda para os excessos que estão ocorrendo, como atiradores subornando proprietários de terra para ter acesso aos cangurus e agricultores cometendo fraudes e fornecendo informações falsas e enganosas sobre os pedidos enviados (de atiradores). Em um dos casos as autoridades já deram início aos trâmites legais para execução do processo.

Ainda de acordo com o relatório, os custos para o governo, que administra o teste, superaram os benefícios calculados durante o período experimental. Supostamente pelas fraudes.

A presidente da Sociedade Australiana de Cangurus, Nikki Sutterby, disse que quase metade dos cangurus de Victoria foi eliminada desde o início do teste, há apenas cinco anos.

“Centenas de milhares de cangurus indefesos foram brutalmente mortos ou deixados órfãos como resultado deste teste”, disse Sutterby.

Ela apontou para um estudo de 2014 que descobriu que atiradores profissionais, em alguns casos, tinham sido flagrados puxando cangurus por suas patas traseiras, enquanto os jogavam contra pedras, batiam em suas cabeças e os decapitavam sem misericórdia.

O departamento de meio ambiente insistiu que fez alterações no programa, incluindo protocolos de relatórios mais frequentes em relação ao número de canguru mortos e uma repressão às marcas remanescentes nas propriedades.

“O objetivo do programa é reduzir o número de cangurus com controle, independentemente do julgamento”, disse o representante do departamento.

Ele afirmou ainda que “o número de mortes de cangurus motivou mudanças no cumprimento, monitoramento e educação do programa e que fossem resolvidos os problemas que surgiram na avaliação e desempenho do mesmo”.

O programa de testes continua até o final deste mês.

Sucesso de teste em miniórgãos artificiais pode por fim a experimentos com animais no futuro

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, no interior de São Paulo, tiveram sucesso ao testar o analgésico paracetamol em miniórgãos artificiais. O resultado positivo é um passo importante nas pesquisas para por fim à exploração de animais em experimentos realizados em laboratório.

Miniórgão desenvolvido em laboratório (Foto: Reprodução/EPTV)

Os miniórgãos são produzidos em laboratório com células humanas, em escala micrométrica, e substituem intestino e fígado. O modelo artificial pode reduzir e até mesmo substituir por completo os animais explorados em testes em um período de 30 ou 40 anos.

“O que a gente conseguiu mostrar nesse estudo inédito foi que o intestino artificial que a gente construiu em laboratório, bem como o fígado, se comportaram de maneira semelhante ao corpo humano. Ou seja, o nosso intestino conseguiu absorver o paracetamol e o fígado metabolizou esse paracetamol e também demonstrou efeitos tóxicos do paracetamol, como acontece no ser humano também”, explica ao G1 a pesquisadora Talita Marin. O paracetamol é capaz de, em altas concentrações, causar lesões no fígado.

Conectados entre si por um fluxo sanguíneo, os miniórgãos foram ligados a equipamentos que reproduzem as condições fisiológicas do corpo humano. O modelo reproduz as funções biológicas e genéticas do organismo humano com muita semelhança.

A pesquisadora do CNPEM Talita Marin participou do estudo com miniórgãos e o efeito do paracetamol, em Campinas (Foto: Vanderlei Duarte/EPTV)

A tecnologia, porém, não é vista apenas com potencial para por fim aos testes em animais no futuro, como também permite acelerar as pesquisas com medicamentos e obter resultados mais eficazes e confiáveis do que os obtidos em estudos feitos com pequenos mamíferos.

“Na linha de descobrimento e desenvolvimento de fármacos, geralmente se começa os estudos com cinco a dez mil compostos, e se leva de dez a 15 anos, se gasta de 1 a 3 bilhões de dólares. E no final dessa linha, você põe somente um medicamento no mercado”, afirma a especialista. “Essa tecnologia que nós estamos implementando e desenvolvendo tem esse intuito, de ser um teste mais robusto, diminuir o custo do desenvolvimento de medicamentos e, ao mesmo tempo, ser mais ético, porque reduz o número de animais”, completa.

A pesquisa tem como próximo passo o teste nos miniórgãos de outros medicamentos de efeitos bem conhecidos.

O CNPEM, responsável pelo estudo com o modelo artificial, abriga o Sirius, laboratório de luz síncroton de 4ª geração e a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil.

Conexões de miniórgãos a equipamentos reproduz funcionamento do organismo humano, afirma estudo do CNPEM, em Campinas (Foto: Vanderlei Duarte/EPTV)