Justiça obriga Prefeitura de Ubatuba (SP) a resgatar animais e promover castrações

A Justiça determinou que a Prefeitura de Ubatuba (SP) invista R$ 240 mil em castrar, resgatar e abrigar cachorros e gatos abandonados no município, além de realizar 100 castrações por mês e promover, semestralmente, campanhas de incentivo à adoção responsável. Caso a decisão seja descumprida, a administração municipal será punida com multa diária de R$ 1 mil.

Foto: Pixabay

A decisão é resultado de uma ação judicial movida pela advogada animalista Jaqueline Tupinanbá Frigi, em abril de 2018. Ela ingressou com a ação, feita em nome da Associação de Proteção Animal Alma Vira Lata, após o município suspender as castrações. As informações são do Jornal A Cidade.

Inicialmente, a liminar pedida pela advogada foi negada, mas o processo continuou em tramitação e, entre agravos e uma longa discussão sobre a competência para julgar o processo – se era da Câmara de Direito Público ou da Câmara de Direito Ambiental -, o processo prosseguiu até a decisão, em 1ª instância, ser publicada.

O juiz da 3º Vara Cível da Comarca de Ubatuba, Dr. Diogo Volpe Gonçalves Soares, julgou parcialmente procedente a ação e afirmou que a Prefeitura Municipal de Ubatuba foi condenada “à implementação de um programa permanente de controle de zoonoses, mediante a esterilização de animais em situação de rua, de abandono ou da população carente que assim o desejar, bem como por meio do recolhimento e abrigo dos cães e gatos em situação de rua e abandono, que estejam doentes ou que pertençam à população carente, se a mesma o desejar, e através de destinação de tratamento, com a aquisição de remédios e ração, para cães e gatos em situação de rua, de abandono, que estejam doentes ou da população carente que assim o desejar, obedecendo ao limite da previsão orçamentária destinada à preservação do meio ambiente, à proteção da fauna e, em especial, à saúde pública, devendo ser considerado, desde já, a reserva financeira de R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) destinada exclusivamente ao processo de castração de animais, no prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da publicação da presente sentença, sob pena de multa diária no importe de R$ 1.000,00 (mil reais), a ser destinada ao fundo previsto no artigo 13, da Lei nº 7347/1985”.

O magistrado condenou, também, a administração municipal “a proceder à castração de, no mínimo, 100 (cem) cães e gatos mensalmente, cujo início deve se dar no prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da publicação da presente sentença, sob pena de multa diária no importe de R$ 1.000,00 (mil reais), a ser destinada ao fundo previsto no artigo 13, da Lei nº 7347/1985”.

A Prefeitura de Ubatuba terá ainda que “promover, semestralmente, campanhas para incentivo à adoção responsável de animais e de noções de ética com relação aos mesmos, cujo início deve se dar no prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da publicação da presente sentença, sob pena de multa diária no importe de R$ 1.000,00 (mil reais), a ser destinada ao fundo previsto no artigo 13, da Lei nº 7347/1985”.

A prefeitura poderá ingressar com recurso, o que é possível que aconteça, uma vez que atualmente o número de castrações feitas pela cidade ultrapassa o que foi definido pela sentença. Entre janeiro e abril de 2019, um total e 632 animais foram castrados, o que corresponde a 158 animais por mês. Os recursos anuais utilizados também superam o que foi proposto pela ação.

As secretarias de Saúde e do Meio Ambiente do município, com ajuda do Poder Legislativo e da sociedade civil, criou e implementou o Programa Permanente de Controle Reprodutivo de Cães e Gatos, que implica, inclusive, em considerar medidas que visem a ampliação da arrecadação do município por meio de recursos próprios ou de fundos estaduais e federais, bem como a inserção desses nos planos plurianuais (PPA), na Lei de Diretrizes Orçamentárias e em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Segundo Frigi, a decisão é importante. “É pouco, mas demos um enorme passo!”, disse a advogada, que sinalizou que vai recorrer da decisão para garantir que não faltem profissionais para colocá-la em prática.

Tartaruga resgatada com corda dentro do corpo volta à natureza após tratamento

Uma tartaruga resgatada com uma corda de 1,70 metro dentro do corpo, em setembro de 2018, retornou à natureza nesta quarta-feira (27) após seis meses de tratamento no Centro de Reabilitação de Tartarugas Marinhas do Projeto Tamar. A soltura foi realizada em Ubatuba, no litoral do estado de São Paulo.

Foto: Divulgação/Projeto Tamar

Da espécie cabeçuda, a tartaruga é considerada rara e está ameaçada de extinção. Ela pesa quase 50 quilos e foi encontrada presa a uma rede de pesca com uma corda atravessada no sistema digestório. O objeto estava preso na boca do animal e saía pelo ânus. As informações são do portal G1.

Os veterinários do projeto removeram, no primeiro atendimento, a corda que estava na boca da tartaruga. Após 20 dias de tratamento, ela expeliu o restante. Apesar da gravidade do caso, o animal teve boa recuperação e logo voltou a se alimentar naturalmente.

Atualmente, o Centro de Reabilitação do Tamar em Ubatuba atende sete tartarugas. Desde 1990, o projeto devolveu 12,6 mil tartarugas ao mar, após reabilitação. Elas foram resgatadas doentes, feridas ou debilitadas.

Ocorrências que envolvem tartarugas juvenis, especialmente as da espécie tartaruga-verde, que se alimentam em Ubatuba, são as mais comuns na região.

Tartaruga doente é resgatada próxima à Ilha Anchieta em Ubatuba (SP)

Tartaruga verde é resgatada em Ubatuba — Foto: Divulgação/ Polícia Ambiental

Uma tartaruga doente foi resgatada após ser encontrada por banhistas com dificuldade de respirar próximo da área costeira da Ilha Anchieta em Ubatuba, litoral norte de São Paulo.

O animal, que é da espécie conhecida como tartaruga verde, foi resgatado no sábado (19) por uma equipe da Companhia de Policiamento Ambiental Marítimo (Ciamar), da Polícia Ambiental, que levou a tartaruga até o instituto Tamar.

De acordo com o biólogo e coordenador do projeto, José Henrique Becker, a tartaruga está doente e recebe tratamento nesta segunda-feira (21). Não há previsão de alta. A suspeita é que o animal estivesse se afogando quando foi encontrado por banhistas.

“As tartarugas têm que subir na superfície para respirar e, quando ela não consegue subir, ela se afoga. Normalmente quando não conseguem subir, é porque ficaram presas em algo”, disse.

O animal tem 23 quilos, o que indica se tratar de um animal jovem, já que as adultas costumam ter mais de 100 quilos e viver cerca de 80 a 100 anos, segundo o Tamar.

Fonte: G1