Morre o último rinoceronte-de-sumatra na Malásia

Tam, ó último rinoceronte-de-sumatra morre na Malásia | Foto: AFP

Tam, ó último rinoceronte-de-sumatra morre na Malásia | Foto: AFP

O último sobrevivente do sexo masculino dos rinocerontes-de-sumatra da Malásia, chamado de Tam, morreu na segunda-feira (27), afirmaram autoridades da vida selvagem, deixando apenas uma fêmea no país e colocando a espécie criticamente ameaçada para mais próximo da extinção.

Descoberto rondando de uma plantação de dendezeiros em 2008, Tam foi capturado e transferido para a Reserva de Vida Selvagem de Tabin, no estado de Sabah (Malásia). Esforços para que ele se reproduzisse com dois rinocerontes do sexo feminino – Puntung, capturado em 2011, e Iman, capturado em 2014 – não tiveram sucesso.

Com a eutanásia de Puntung em 2017 devido ao câncer, o Iman (uma fêmea) é agora o único membro remanescente de sua espécie na Malásia. Devido a décadas de perda de habitat e caça, acredita-se que existam menos de 80 rinocerontes de Sumatra na natureza, a maioria na ilha vizinha de Sumatra. O resto está espalhado por Kalimantan, no Bornéu indonésio.

Uma vez com uma espécie tão populosa que atingia todo o leste da Índia e toda a Malásia, o rinoceronte da Sumatra foi quase dizimado, restando menos de 80 indivíduos no mundo, de acordo com o World Wildlife Fund.

Apenas um punhado dessas belas criaturas permanece nas selvas da Indonésia.

Os rinocerontes-de-sumatra são tão poucos que, de fato, os especialistas acreditam que o isolamento é a maior ameaça à existência da espécie. Isso ocorre porque as fêmeas dessa espécie podem desenvolver cistos e miomas em seus tratos reprodutivos se ficarem muito tempo sem acasalamento.

Segundo os especiaistas envolvidos, essa foi a causa da infertilidade de Iman. A incapacidade de Puntung em transportar fetos pareceu se originar de ferimentos causados por armadilhas de caçadores e uma gravidez fracassada quando estava na natureza.

O diretor do Departamento de Vida Selvagem de Sabah, Augustine Tuuga, disse que o macho malaio Tam vivia em uma reserva natural na ilha de Bornéu para protegê-lo de ser caçado.

A causa da morte do animal não foi imediatamente esclarecida, mas relatos anteriores sugeriram que ele sofria de problemas renais e hepáticos.

A condição de Tam estava em constante declínio desde o final de abril, quando seu apetite e estado de alerta diminuíram, disse Tuga ao jornal malaio The Star. Testes de urina revelaram que os rins do rinoceronte e talvez outros órgãos haviam começado a falhar.

As autoridades ainda não sabem dizer por que Tam se deteriorou tão rapidamente, mas pode ter sido apenas a velhice. Estima-se que Tam tivesse trinta e poucos anos, e esses animais só têm uma expectativa de vida de 35 a 40 anos, disse Tuuga ao jornal de Singapura The Straits Times.

A morte de Tam vem de encontro a um esforço contínuo de conservacionistas na esperança de usar técnicas de fertilização in vitro (FIV) para criar descendentes do último rinoceronte-de-sumatra da Malásia, Iman, e um macho indonésio.

Tuuga disse que houve problemas com o útero de Iman e que ela era incapaz de engravidar, mas ainda era capaz de produzir óvulos.

“Nós apenas temos que cuidar do último rinoceronte remanescente. É tudo o que podemos fazer e tentar, se possível, trabalhar em conjunto com a Indonésia”, disse ele.

*Uma nova esperança*

Por mais trágica que a morte de Tam seja, ela representa um alerta para buscar mais animais em estado selvagem, diz Kinnaird, que tem coordenado os esforços de rinocerontes de Sumatra na WWF International nos últimos dois anos.

A boa notícia é que no final do ano passado a coalizão já havia conseguido capturar uma nova fêmea chamada Pahu. Sua transferência para uma nova instalação de criação em Kelian foi tão importante que o rinoceronte recebeu uma escolta da polícia e dos tratores de limpeza de deslizamentos de terra.

Até onde os especialistas podem dizer, Pahu parece ser reprodutivamente saudável, diz Kinnaird; ela está se adaptando bem em sua nova casa e, com alguma sorte, poderá em breve ter companhia.

“Nossas pesquisas mais recentes indicam que há outros rinocerontes ainda andando pelas florestas de Kalimantan”, diz Kinnaird, “o que me dá esperança renovada”.

“Precisamos continuar focados no laser para salvar os restantes 80 rinocerontes-de-sumatra, usando uma combinação de proteção intensiva e criação em cativeiro, e trabalhando com a população local para incutir orgulho de que o rinoceronte faça parte de sua herança biológica”, diz Ellis. “Esta é uma batalha que não podemos perder”.

Fotos mostram os dois últimos rinocerontes brancos do norte no mundo

Fatu e Najin, as duas últimas representantes dos rinocerontes brancos do norte | Foto: Justin Mott

Fatu e Najin, as duas últimas representantes dos rinocerontes brancos do norte | Foto: Justin Mott

Em 2018, Sudão, o último rinoceronte branco do sexo masculino remanescente faleceu de causas naturais aos cuidados da reserva de conservação Ol Pejeta, no condado de Laikipia, no Quênia, África, sinalizando assim o fim da existência de suas subespécies.

A perda de habitat e a caça motivada por seus valiosos chifres para serem vendidos no mercado paralelo para fins medicinais (medicina oriental tradicional) destinados a países como a China, a Coréia do Sul e o Vietnã levaram ao desaparecimento da espécie.

Foto: Justin Mott

Foto: Justin Mott

Fatu e Najin, as duas últimas fêmeas restantes, filha e neta de Sudão, vivem em uma grande área protegida e fechada, onde são livres para caminhar e são monitorados 24 horas por dia por cuidadores de Ol Pejeta e guardas armados NPR (National Police Reservists).

Os cuidadores alimentam e cuidam delas, além de educar os visitantes sobre sua situação. A NPR patrulha a área de conservação com extensão de 360 quilômetros quadrados 24 horas por dia em busca de sinais de caçadores intrusos. Eles patrulham a mata em rondas durante a noite entre animais selvagens e às vezes, perigosos.

Foto: Justin Mott

Foto: Justin Mott

Em 2018, eles tiveram um encontro com três caçadores intrusos e um tiroteio se seguiu, resultando na morte de todos os 3 criminosos.

Todos os protetores e cuidadores vivem em um pequeno campo próximo, com visão integral de Fatu e Najin o tempo todo. Eles vivem longe de suas famílias, onde trabalham por 20 dias tem 6 dias de folga na reserva. Eles possuem um enorme orgulho e honra de seu trabalho e esses heróis se sacrificam muito por esses animais.

Acostumadas a presença humana e dóceis as meninas se deixam tocar e interagem com os cuidadores e guardiães.

Cientistas tem tentado reproduzir artificialmente a espécie com esperma congelado de Sudão e óvulos das fêmeas, porém até agora sem sucesso.

Mais uma bela espécie que conviveu com a humanidade no planeta por muitos anos e agora se despede mediante nossa conformidade.

Aniversário de um ano da morte do último rinoceronte branco traz reflexões sobre a extinção

Foto: Ol Pejeta/Arquivo

Foto: Ol Pejeta/Arquivo

Faz um ano desde a morte do Sudão, o último rinoceronte branco do norte macho do mundo. Ele viveu até os 45 anos quando as complicações de saúde relacionadas à idade e as infecções levaram a sua morte em Ol Pejeta, a reserva de conservação da vida selvagem em Nanyuki, no Quênia (África), que o rinoceronte branco chamava de lar.

Ele deixou uma filha, Najin, e a filha dela, Fatu – mas nenhum macho para garantir a sobrevivência da espécie. A única esperança de continuidade é a possibilidade de reprodução assistida por fertilização in vitro.

O conflito, a caça e a perda de habitat reduziram as populações de rinocerontes brancos do norte, com o último grupo vivendo em estado selvagem no Parque Nacional de Garamba, na República Democrática do Congo, perdido no conflito há cerca de duas décadas.

A perda do Sudão provocou protestos relacionados a ameaça contra a biodiversidade e a extinção de animais, sendo que o aniversário dessa perda representa um momento para os grupos de defesa da vida selvagem exigirem um compromisso renovado pela a proteção de espécies.

“Sudão achava que eu era amigo dele”, disse James Mwenda, um cuidador de rinocerontes em Ol Pejeta, que trabalhou com o Sudão a partir de 2014, em uma mensagem em vídeo.

“Ele era a verdadeira face da extinção, e por isso me tornou mais compassivo, e mais preparado para tentar falar por ele e defender o que ele representava”, conta o cuidador.

Para Mwenda, que prometeu ao rinoceronte branco que trabalharia para proteger outros animais selvagens antes que fosse tarde demais, o legado do Sudão é “para que nós abramos nossos olhos e enxerguemos a realidade do que é a extinção”.

Ele se juntou aos esforços de grupos de defesa da vida selvagem e protetores, incluindo a CITES. “Vamos todos aprender com essa triste perda e ampliar nossos esforços para acabar com a caça e com o tráfico de vida selvagem”, disse o CITES.

Caso as tentativas de fertilização in vitro não tenham sucesso, Sudão leva consigo o legado de último representante da espécie de rinocerontes brancos no norte.

Uma notícia que pode ser dada em relação a diversas outras espécies ameaçadas, caso não sejam tomadas medidas urgentes de proteção e preservação desses animais.

Último desejo de tutor é encontrar um lar para seu cão

John e seu companheiro Pawpaw | Foto: Muttville Senior Dog Rescue

John e seu companheiro Pawpaw | Foto: Muttville Senior Dog Rescue

John sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa dos nervos incurável. Mas mesmo em uma cadeira de rodas ele não deixou que isso o impedisse de dar um lar a um cão que vivia em um abrigo.

Durante toda a sua vida John teve um cão ao seu lado, foram 12 cães ao total.

Então em 2017 ele conheceu Pawpaw no Muttville Senior Dog Rescue, um abrigo especializado em cães idosos na Califórnia (EUA). O cão tinha 11 anos naquela época, um senhor de idade como John. Eles imediatamente se ligaram e foi assim que John e Pawpaw se tornaram uma família.

Eles estão juntos desde então, vivendo intensamente seu amor e companheirismo em seu lar. Cada dia ao lado de PawPaw é valorizado ao máximo por John, ele sabe que não tem muito tempo.

Mas agora que a doença de John entrou em um declínio irreversível e veloz, ele tem que se panejar para o futuro e não há nada mais importante para ele nesse momento que encontrar um novo lar para seu amigo amado Pawpaw para quando ele não estiver mais aqui.

Sherri Franklin, fundadora do abrigo onde Pawpaw foi adotado, o Muttville, é a responsável por encontrar para o cãozinho um novo lar. Ela se diz honrada em poder encontrar para ele nova família: “Pawpaw é a família de John e os dois se amam muito, ele só quer o melhor para seu melhor amigo”

Cachorros que foram muito amados acabam sem lar quando seus tutores morrem, então a antecipação de atitude de John é um ato digno de apreciação, considerando o que poderia acontecer com Pawpaw caso ele falecesse.

Sherri explica que quando alguém morre o cachorro dessa pessoa normalmente é trazido para um abrigo de animais local, caso o cachorro seja idoso ele acabará sendo eutanasiado se não achar um lar rapidamente.

“Muttville recebe cachorros de todos os tipos de proveniências, aqueles que realmente me comovem são os que tiveram uma vida maravilhosa até que seu tutor morre e eles são levados para abrigos: sua vida vira de cabeça pra baixo de uma hora pra outra”, desabafa Sherri.

Este é o motivo do programa de adoção do centro Muttville, “Sêniors para sêniors”, ser uma ideia tão boa, tanto para pessoas como para animais, de acordo com a fundadora. “Nós lidamos com idosos que perderam seus cães e querem um companheiro que corresponda ao seu momento de vida.”

Ainda que Pawpaw tenha 13 anos de idade agora, ele se comporta “como um filhote” conta Sherri. “Ele está sempre sorrindo e adora todos os cães e humanos que ele encontra!”

Pawpaw é um cão alegre e descontraído que se encaixa muito bem na maioria das situações. “Pawpaw é muito amigável e se encaixaria perfeitamente na maioria das casas, seja com uma família seria ou uma pessoa solteira”, disse Kristin Hoff, gerente de adoção de Muttville. “Ele tem um imenso gosto pela vida e é um animal ativo! Ele adora dormir com seu tutor e ficar dentro de casa”.

Ativo, dócil e muito brincalhão Pawpaw é um cão sempre disposto e feliz | Foto: Muttville Senior Dog Rescue

Ativo, dócil e muito brincalhão Pawpaw é um cão sempre disposto e feliz | Foto: Muttville Senior Dog Rescue

Quando Pawpaw encontrar um lar, isto não apenas salvará sua vida como também dará a John o presente mais bonito, o de saber que seu cão passará a fazer outra família feliz da mesma forma que Pawpaw iluminou seus dias.

Patty Stanton também do abrigo conta que tudo o que John quer é ter certeza que Pawpaw terá pra onde ir depois ele se for

Talvez Pawpaw possa até mesmo ajudar outra pessoa com uma doença, não são poucos os casos em que animais levantam o ânimo de doentes e até prolongam vidas. Três anos atrás, John recebeu apenas 6 meses – com Pawpaw ao seu lado, ele viveu por muito mais tempo do que o esperado.

“O impacto positivo do vínculo entre humanos e animais pode ser um grande apoio para pessoas com esclerose lateral amiotrófica ou outras doenças crônicas e terminais”, disse Jennifer Claxton, diretora de serviços da Associação ALS para portadores da doença (ELA, na sigla em português).

Nunca é cedo demais para pensar sobre o futuro de seus familiares peludos, assim como John está fazendo. “A coisa mais importante que um tutor de animais não pode deixar de fazer são os planos para o futuro de seus companheiros, não importa a sua idade!” Franklin disse. “Não apenas registrando em seu testamento, mas também conversando com quem quer que vá ser o responsável pela realização de seu desejo. Isso salvaria muitas outras vidas.”

Enquanto isso, muitas pessoas estão compartilhando o desejo de John de que Pawpaw encontra um novo lar amoroso, na esperança de que isso se torne realidade muito em breve.