Alemanha anuncia o fechamento de todas as usinas de carvão em prol do meio ambiente

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

A Alemanha fechará todas as suas 84 usinas de carvão. A nação – um dos maiores consumidores mundiais de carvão – contará com energia renovável.

O anúncio foi feito no início deste ano, quando a Alemanha revelou sua luta para cumprir suas metas de emissões de dióxido de carbono (CO2). O carvão respondia por 40% da eletricidade da Alemanha no início do ano, de acordo com o Los Angeles Times.

“Esta é uma conquista histórica”, disse Ronald Pofalla, presidente da comissão de 28 membros do governo, em uma entrevista coletiva em Berlim em janeiro passado. “Foi tudo menos uma coisa certa. Mas nós fizemos isso. Não haverá mais usinas de queima de carvão na Alemanha até 2038. ”

A indústria de carvão alemã

O carvão é o maior combustível da economia da UE. A Alemanha responde pela maior parte, responsável por cerca de um terço das emissões de CO2 relacionadas à eletricidade, segundo a Carbon Brief. O país gera cerca de metade da electricidade da UE a partir de carvão castanho (lignite), que emite níveis mais elevados de CO2.

As nações que fazem uso do carbono estão sendo encorajadas a se afastar do combustível fóssil devido ao seu impacto no planeta. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tem sido criticado por suas promessas de reviver essa indústria falida. Alguns estão agindo – em dezembro passado, mais de mil instituições globais se comprometeram a se acabar com o uso do gás, carvão e petróleo, removendo efetivamente quase 8 trilhões de dólares em apoio.

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

Em 2019, a produção alemã de carvão caiu em um quinto, em grande parte substituída por energias renováveis, como parques eólicos e energia solar. O vento está a caminho de se tornar a maior fonte de eletricidade do país, superando o lignite que é ambientalmente hostil. A Alemanha também prometeu fechar suas 19 usinas nucleares desde o desastre de Fukushima Daiichi em 2011. As energias renováveis serão responsáveis por 65% a 80% da eletricidade da Alemanha até 2040, segundo as autoridades.

“É um grande momento para a política climática na Alemanha que poderia tornar o país um líder mais uma vez no combate à mudança climática”, disse Claudia Kemfert, professora de Economia de Energia do DIW Berlin, Instituto Alemão de Pesquisa Econômica. “É também um sinal importante para o mundo mostrando que a Alemanha está voltando a levar a sério a mudança climática: uma nação industrial muito grande, que depende tanto do carvão, está desativando suas usinas”.

A Alemanha gastará mais de 45 milhões de dólares para mitigar as perdas nas regiões carboníferas, mas alguns acreditam que a nação não está agindo com rapidez suficiente. No fim de semana passado, ativistas do clima ficaram no caminho da entrada da usina do Bloco 9 em Mannaheim, considerada a usina mais suja do país, a Clean Techicareports. O grupo, chamado End of Terrain, atrasou o fornecimento dos novos suprimentos de carvão.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Romênia quer exportar 70 mil ovelhas vivas para o Golfo Pérsico

Por Rafaela Damasceno

A Romênia causou atrito na União Europeia ao querer exportar cerca de 70 mil ovelhas vivas para o Golfo Pérsico, mesmo contra a vontade de Bruxelas, que afirmou que temperaturas extremas tornariam impossível que os animais não sofressem no caminho.

Três pessoas colocam uma ovelha no porta-malas de um carro

Foto: Animals International

“Recebemos imagens mostrando condições terríveis em que os animais foram transportados por navios para o Golfo Pérsico durante o verão”, afirmou Vytenis Andriukaits, comissário da União Europeia para Saúde e Segurança Alimentar. Ele pediu, em uma carta ao ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Romênia (Petre Daea), que impedisse a exportação. A previsão do tempo no Golfo Pérsico em julho informa temperaturas de até 46° C. Petre Daea afirmou que não impedirá a exportação sob nenhuma circunstância.

De acordo com o Eurogroup for Animals, as 70 mil ovelhas estão sendo enviadas para participar do “Festival do Sacrifício”, em agosto.

A Austrália, que já foi o maior país exportador de ovelhas, anunciou uma proibição de três meses (durante a temporada de intenso verão) na prática direcionada ao Oriente Médio. Ela ainda planeja eliminar completamente essa forma de comércio nos próximos cinco anos.

Em contrapartida, as exportações de ovelhas e cabras na Romênia estão em ascensão desde 2015, segundo dados do International Trade Center.

“Achamos lamentável que, enquanto outros países estão reconhecendo os horrores da exportação de animais vivos, a Romênia está ignorando completamente as centenas de milhares de animais que sofrem longas viagens ao Oriente Médio enfrentando calor intenso e sofrendo muito”, declarou Vanessa Hudson, líder do Partido do Bem-Estar Animal, à Euronews.

Ela ainda disse que o país se mostra em regresso, além de totalmente desconectado com o resto do mundo, que demonstra um crescente interesse na proteção dos animais.

Ativistas em defesa dos direitos animais consideram o transporte dos animais vivos uma crueldade sem tamanho, visto que eles viajam em navios lotados por mais de uma semana sob um calor escaldante, e são praticamente cozinhados vivos. Apesar de a União Europeia proibir a exportação de animais vivos quando as temperaturas excedem 30 °C, muitos continuam com a prática muito além disso.

Gravações da Animal International mostram que as ovelhas e outros animais morrem com as temperaturas elevadas, são brutalmente descarregados dos navios, espremidos em carros e mortos ainda conscientes por açougueiros despreparados no meio das ruas. As imagens foram apresentadas ao governo romeno.

Alguns países, como Israel, decidiram suspender as importações da Romênia. Devido às condições precárias, muitos animais chegavam mortos ou doentes ao seu destino. O país declarou que está atualizando suas legislações para evitar problemas futuros relacionados ao transporte dos animais.

Mesmo corrigindo alguns problemas em relação ao péssimo tratamento que os animais recebem em suas exportações, ainda sim eles serão enviados para a morte sob condições extremamente cruéis.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Fazendas de pele estão a um passo de ser proibidas na Irlanda

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

O ministro da Agricultura da Irlanda, Michael Creed, vai aprese ntar uma proposta ao governo esta semana para acabar com as fazendas de peles.

O governo do país tem estado sob crescente pressão para seguir a liderança de outros 14 países da UE, que já proibiram a criação de peles.

O país será o 15º na UE a eliminar gradualmente a prática de confinar animais a minúsculas gaiolas e envenená-los até a morte por suas peles

A Irlanda com esse passo vai proibir a criação de peles, como foi noticiado, após muitos anos de pressão dos oponentes da prática.

A decisão será uma reviravolta para o partido governista, Fine Gael, que resistiu há muito tempo aos pedidos de proibição.

As três fazendas de peles da Irlanda, em Donegal, Kerry e Laois, abrigam cerca de 200 mil martas, todas amontoadas em minúsculas gaiolas de arame. Os animais são expostos a um gás fatal até a morte e esfolados quando têm apenas seis meses de idade.

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Em fevereiro, o ministro da agricultura, insistiu que o governo não tinha planos para uma proibição, dizendo que não poderia fechar uma “indústria legítima, altamente regulada e fiscalizada” que emprega cerca de 100 pessoas.

Mas Creed tem enfrentado pressões de Ruth Coppinger, que é membro do parlamento irlandês – que tem o apoio do Fianna Fail, do Sinn Fein, do Partido Trabalhista, do Independents For Change, do Partido Verde e dos social-democratas, por um projeto de lei que acabe com as fazendas de pele, o qual deverá ser debatido em plenário no próximo mês.

No entanto, o irlandês Examiner diz que o Sr. Creed está preparando sua própria legislação para eliminar a pratica.

Os amantes dos animais, revelam que as fazendas de pele causam “vidas de sofrimento”, congratularam-se com o movimento, com a Sociedade Irlandesa para a Prevenção da Crueldade contra os Animais dizendo que era uma “notícia fantástica”. Outros disseram que o fim do comércio “cruel” estava atrasado há muito tempo.

Andrew Kelly, chefe da ISPCA, disse que os ferimentos e o comportamento estereotipado são comuns em animais criados em fazendas de produção de peles, a quem é negada a oportunidade de expressar seu comportamento normal.

Jo Swabe, da Humane Society Europe, disse: “Com tantos países proibindo a produção de peles, o Reino Unido sob pressão para proibir as vendas de peles e cada vez mais designers evitando a pele em suas coleções, esperamos que o sofrimento causado por essa indústria cruel seja logo relegado aos livros de história”.

Mas um porta-voz disse que o progresso significaria proibir a venda de peles, não apenas a produção, que poderia mudar para o exterior. As vendas de peles reais marcadas como “falsas” ainda são muito difundidas e comuns.

O governo irlandês – que não conseguiu confirmar ou negar ao The Independent que estava planejando a legislação – tem enfrentado uma pressão crescente para seguir o exemplo de outros 14 países da UE, da Noruega à Sérvia, que terminaram ou estão pondo fim à criação de peles.

Várias fazendas de peles irlandesas saíram do mercado nos últimos anos, registros oficiais mostram que as três restantes empregam poucos membros permanentes da equipe.

Uma pesquisa realizada na Irlanda em outubro mostrou que quatro em cada cinco pessoas apoiaram o fim das fazendas de peles, cujas exportações anuais equivalem a 21.488 de euros.

A criação de peles parou na Inglaterra e no País de Gales em 2000, e na Escócia e na Irlanda do Norte dois anos depois.

A Lituânia, a Polônia e a Ucrânia estão considerando encerrá-las, de acordo com a Fur Free Alliance. Algumas outras cidades ao redor do mundo introduziram proibições.

Designers incluindo Gucci, Versace, Jimmy Choo e Chanel se tornaram marcas que não utilizam pele. Mas a Saint Laurent e a Dolce & Gabbana infelizmente ainda vendem peles.

Animais praticando canibalismo foi documentado em fazendas de peles na Finlândia que fornecem peles para duas das lojas mais sofisticadas da Grã-Bretanha.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Proposta da União Europeia quer proibir que nomes como ‘hambúrguer’ sejam usados em produtos veganos

Uma proposta da União Europeia (UE), apresentada em abril, quer impedir que alimentos veganos sejam chamados, por exemplo, de “salsicha”, “hambúrguer” ou de qualquer outro nome usado em produtos de origem animal. Para discutir a proposta, o Reino Unido marcou uma audiência para a próxima quarta-feira (26), na Câmara dos Lordes, em Londres, na Inglaterra. Ativistas e especialistas devem participar do debate.

Na opinião de ativistas vegetarianos e veganos, a aprovação da proposta, que a transformaria em lei, em setembro, faria com que produtores de alimentos tivessem que adotar nomes alternativos desagradáveis, como “tubos vegetais” ou “discos de vegetais” para se referir a salsichas e hambúrgueres, o que faria com que os fabricantes perdessem consumidores em um momento de alta do interesse global pela redução do consumo de carne. As informações são do G1.

Foto: Wellington Nemeth / Divulgação/Wellington Nemeth

A proposta, conhecido como Alteração 41, foi apresentado pelo Comitê de Agricultura do Parlamento Europeu como parte de um projeto de lei que pretende atualizar a Política Agrícola Comum da União Europeia. Deputados apoiadores da medida argumentam que a proibição do uso de palavras como “hambúrguer” em produtos veganos contempla o “bom senso” e evita confusões. No entanto, David Lindars, diretor de operações técnicas da Associação Britânica de Processadores de Carnes (BPMA, por sua sigla em inglês), que defende que “termos como salsicha, bife, hambúrguer e escalope são sinônimos de carne e isso deve ficar claro no rótulo”, admite que não existem provas, nem mesmo evidências, de que os consumidores confundem termos como “hambúrguer vegetariano” e admite que essas expressões caíram no senso comum.

Defensores da proposta pedem que as proibições relacionadas a produtos que imitam laticínios, como leites vegetais, sejam estendidas para imitações vegetarianas e veganas de carne. Em 2017, a Corte Europeia de Justiça proibiu que o leite de soja continuasse a ser vendido com esse nome. O produto passou a ser rotulado como “bebida de soja”.

O Sindicato Nacional de Agricultores do Reino Unido, que participará do debate, apoia a proposta parcialmente. “Gostaríamos de proteger termos tradicionais baseados em carne. Por isso, nos opomos a termos como ‘carne moída sem carne'”, disse um porta-voz. “Mas não achamos que palavras como hambúrguer e salsicha caiam nessa categoria”, completou.

Para a Vegan Society, proibir o uso dos termos vai “criar confusão” e fazer a indústria de alimentos vegetais recuar. “Isso teria um impacto sobre a capacidade dos veganos de escolher alimentos de acordo com suas crenças facilmente”, diz Mark Banahan, diretor de campanhas e política da organização.

Banahan explica que termos como “hambúrguer” e “salsicha” transmitem a forma, o sabor, a maneira de cozinhá-los e como devem ser servidos – por exemplo, hambúrguer com batata frita ou dentro do pão.

O argumento da Vegan Society é reforçado por Lynne Elliot, presidente-executiva da Sociedade Vegetariana, que acrescenta ainda que, caso o projeto se torne lei, os produtores de alimentos terão que arcar com enormes custos para mudar sua marca, marketing e embalagem.

“O McDonalds tem um hambúrguer vegetariano há muito tempo. Greggs apresentou sua receita vegana de salsicha e o KFC lançou seu hambúrguer vegano esta semana. Eles estão satisfeitos com esses termos porque isso significa algo para seus clientes”, disse.

Alguns deputados e ONGs de caridade consideram a Alteração 41 como uma medida usada para proteger a indústria de carne. Isso porque, segundo uma pesquisa feita pela Waitrose em 2018, um em cada oito britânicos é vegetariano ou vegano, outros 21% afirmam comer carne apenas ocasionalmente.

Uma previsão da União Europeia prevê que o consumo per capita de carne irá sofrer uma queda de 69,3 kg por ano para 68,6 kg nos próximos 12 anos.

Relatos indicam que há boa chance da Alteração 41 ser aprovada pelo Parlamento Europeu em setembro. Banahan, no entanto, considera que é possível que a legislação não chegue tão longe. Segundo ele, o Parlamento acaba de realizar eleições e, portanto, o Comitê de Agricultura será reconvocado e não se sabe o novo grupo irá apoiar ou não a proposta, devido à polêmica que envolve o tema.

Além disso, a Grã-Bretanha também estaria livre para não seguir a lei, segundo Banahan, após sair da UE. No entanto, segundo o diretor de campanhas da Vegan Society, ainda assim os regulamentos afetariam os produtos do Reino Unido vendidos para a UE.

“Muitos fabricantes podem ter de adotar novas linguagens de qualquer maneira… Assim como tudo relacionado ao Brexit, é complicado”, conclui.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


Vegan Society condena proibição do uso de nomes como “hambúrguer”, “salsicha” para produtos veganos

Lobby da indústria de carne quer que os produtos veganos tenham novos nomes | Foto: Adobe

Lobby da indústria de carne quer que os produtos veganos tenham novos nomes | Foto: Adobe

As propostas da União Europeia para proibir o uso de nomes tradicionais como “hambúrguer” e “salsicha” para produtos alimentares vegetarianos e veganos seriam ilegais, segundo a The Vegan Society.

No início deste mês, o comitê de agricultura do parlamento da UE aprovou a proibição de nomear alimentos livres de carne com nomes que contenham o termo carne ou termos já usados em suas contrapartidas tradicionais (hambúrgueres, salsichas). Se as propostas forem votadas pelo Parlamento da UE em maio, os hambúrgueres vegetarianos e veganos podem se tornar “discos” e “tubos de salsichas”, entre outros nomes.

Alguns políticos acreditam que a indústria da carne está por trás da repressão proposta, embora os defensores insistam que querem evitar que os consumidores “sejam enganados”.

Lobby da carne

“O lobby da carne não está envolvido nisso”, disse o eurodeputado socialista francês Éric Andrieu, responsável pela supervisão da legislação. “Isso gerou um debate considerável entre os grupos políticos e uma grande maioria queria esclarecer as coisas. Particularmente à luz da história, a história que compartilhamos, você pode ter um bife ou hambúrguer, você não pode isso chamar de outra coisa”.

“Nós sentimos que o bife deve ser mantido para o verdadeiro bife com carne e chegar a um novo nome para todos esses novos produtos. Há muito a ser feito nesta frente, muita criatividade será necessária.”

“As pessoas precisam saber o que estão comendo. Então, as pessoas que querem comer menos carne sabem o que estão comendo – as pessoas sabem o que está no prato.”

Legalmente desafiados

A Vegan Society contestou legalmente as propostas em uma carta formal aos funcionários da UE, assinada por seu CEO e preparada por um especialista em leis, com base na violação dos direitos humanos fundamentais dos veganos estabelecidos pela União. A UE tem 21 dias para responder à carta, após o que o assunto será levado a instâncias superiores pela The Vegan Society.

De acordo com a Sociedade, se colocadas em prática, as novas medidas afetariam não apenas os veganos, mas também as autoridades públicas que atualmente servem comida vegana, como departamentos governamentais, provedores de saúde, estabelecimentos de ensino, forças policiais e prisões.

A carta afirma que as medidas propostas violam o direito dos consumidores da UE de serem adequadamente informados sobre como as mercadorias podem ser usadas e nega à comunidade vegana os benefícios oferecidos pela legislação da UE em matéria de rotulagem clara.

Demanda Vegana

“Como os consumidores estão cada vez mais se afastando do consumo de animais, a demanda por produtos veganos está crescendo”, disse George Gill, CEO da The Vegan Society, que assinou a carta.

“Não há como negar que as indústrias de carne, laticínios e ovos estão se sentindo ameaçadas por isso e tentando restringir desesperadamente a comercialização de produtos veganos.

“Essas propostas têm pouco a ver com a proteção do consumidor e são motivadas por preocupações econômicas da indústria da carne. Estamos pedindo aos funcionários da UE que rejeitem essas medidas irracionais para que as alternativas à carne vegana sejam proibidas de usar os termos convencionais qualificados que todos já usam por décadas.”

Política da diversidade

“Esta medida proposta não está alinhada com a política da UE sobre o respeito à diversidade”, Dr. Jeanette Rowley, advogado de direitos veganos na The Vegan Society, acrescentou. As autoridades públicas são obrigadas a fornecer alimentos a base de vegetais para veganos para seu bem-estar na medida em que o veganismo é um protegido como crença filosófica sob a Lei da Igualdade de 2010.

“Não é do interesse público e, se implementado, teria um impacto desproporcional em toda a sociedade, afetando o funcionamento diário normal de todas as entidades públicas e privadas que fornecem alimentos”.

Foto: Adobe

Foto: Adobe

“Esta medida da UE ameaça causar amplo caos administrativo, confusão e desperdício de tempo tentando entender como planejar uma refeição que inclua um disco vegano e ou um tubo vegetariano. O impacto generalizado desta proposta irracional e cara não deve ser subestimado”.

Sem clareza

De acordo com o Dr. Rowley, as leis europeias de rotulagem de alimentos que afirmam que “a informação alimentar deve permitir que os consumidores identifiquem e façam uso adequado dos alimentos” e ele argumenta que o uso de nomes “similares” informa ao consumidor como os produtos vegetais podem ser cozidos e usados.

Acrescenta que o vocabulário alternativo apresentado, tal como o “disco vegetal”, não constitui uma clara rotulagem dos gêneros alimentícios ao abrigo da legislação dos consumidores da UE, porque não descreve nem facilita a interpretação muito menos facilita a percepção do alimento em questão.

Cientistas pedem que Europa condicione importações do Brasil a cumprimento de compromissos ambientais

Uma carta assinada por 602 cientistas de instituições europeias, pedindo que a União Europeia (UE), segundo maior parceiro comercial do Brasil, condicione a compra de insumos brasileiros ao cumprimento de compromissos ambientais, foi publicada na edição de sexta-feira (26) a revista Science.

Foto: AFP

O documento apresenta três recomendações, baseadas em princípios de sustentabilidade, para que os europeus continuem consumindo produtos brasileiros. A carta pede que os direitos humanos sejam respeitados, assim como o rastreamento da origem dos produtos seja aperfeiçoado e que um processo participativo que ateste a preocupação ambiental da produção seja implementado, com a inclusão de cientistas, formuladores de políticas públicas, comunidades locais e povos indígenas.

O teor da carta, escrita por cientistas representantes de todos os 28 países-membros da UE, representa preocupações da Comissão Europeia, órgão politicamente independente que defende os interesses do conjunto de países do bloco político-econômico e que há aproximadamente quatro anos tem estudado a forma como as relações comerciais impactam o clima mundial.

Um dos autores da carta é o brasileiro Tiago Reis, pesquisador de questões de uso do solo, políticas de mitigação climática, combate ao desmatamento e cadeias produtivas da Universidade Católica de Louvain.

“A iniciativa é importante, sobretudo neste momento em que sabemos que a Comissão Europeia está estudando o assunto e formulando uma proposta de regulação para a questão da ‘importação do desmatamento'”, disse o cientista à BBC News Brasil. O Ministério do Meio Ambiente do Brasil não se posicionou sobre o tema.

Foto: Thiago Foresti

“Exortamos a União Europeia a fazer negociações comerciais com o Brasil sob as condições: a defesa da Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas; a melhora dos procedimentos para rastrear commodities no que concerne ao desmatamento e aos conflitos indígenas; e a consulta e obtenção do consentimento de povos indígenas e comunidades locais para definir estrita, social e ambientalmente os critérios para as commodities negociadas”, diz a carta.

De acordo com o documento, a UE comprou mais de 3 bilhões de euros em ferro do Brasil em 2017 “a despeito de perigosos padrões de segurança e do extenso desmatamento impulsionado pela mineração” e, em 2011, importou carne de boi do Brasil que estava associada a um desmatamento de “mais de 300 campos de futebol por dia”.

As exportações para a UE alcançaram, em 2018, 17,56% do total do Brasil – o que representa mais de US$ 42 bilhões, com superávit de US$ 7,3 bilhões. Desse total, US$ 500 milhões corresponde à carne, quase US$ 2,9 bilhões ao minério de ferro e US$ 1,5 bilhão ao cobre, segundo dados do Ministério da Economia.

De acordo com os ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a Amazônia apresenta índices recordes de desmatamento. O Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registrou 13,7% de aumento do desmatamento na região em relação aos 12 meses anteriores, o que é considerado o maior número nos últimos dez anos. A área desmatada equivale a cinco vezes o município de São Paulo.

A principal responsável pelo desmatamento é a pecuária. Um estudo feito em 2016 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) concluiu que 80% do desmatamento do Brasil é causado pela conversão de florestas em pastagens para abrigar e alimentar animais que serão mortos para consumo humano. Outros 7% são de responsabilidade das mineradoras.

Foto: Larissa Rodrigues

Por ser forte parceira comercial, a Europa é corresponsável pelo desmatamento brasileiro, afirma a principal autora do texto, a bióloga especialista em conservação ambiental Laura Kehoe, pesquisadora da Universidade de Oxford.

“Queremos que a União Europeia pare de ‘importar o desmatamento’ e se torne um líder mundial em comércio sustentável”, disse ela. “Nós protegemos florestas e direitos humanos ‘em casa’, por que temos regras diferentes para nossas importações?”, completou.

“É crucial que a União Europeia defina critérios para o comércio sustentável com seus principais parceiros, inclusive as partes mais afetadas, neste caso as comunidades locais brasileiras”, afirmou a bióloga conservacionista Malika Virah-Sawmy, pesquisadora da Universidade Humboldt de Berlim.

Para que os pontos apontados pela carta sejam tratados como condições para tratativas comerciais entre Brasil e União Europeia, é preciso que regras sejam criadas pela Comissão Europeia. Caso as sugestões dos cientistas sejam acatadas pelo órgão, será necessários definir de que maneira os parceiros comerciais da UE, dentre eles o Brasil, pretendem criar organismos para cumprir as exigências.

O brasileiro Tiago Reis explica que a carta foi consolidada e os signatários foram reunidos após dois meses de articulação entre os cientistas europeus.

“Criamos o texto acompanhando a evolução do novo governo brasileiro. Estávamos preocupados com as promessas de campanha, mas quando essas promessas passaram a ser concretizadas, com edição de decretos, decidimos que precisávamos fazer algo”, disse ele.

“Existe, hoje, um discurso no Brasil que promove a invasão de terras protegidas e o desmatamento. Isso gerou sinais de alerta na comunidade científica internacional”, acrescentou.

Foto: Thiago Foresti

Na carta, os cientistas afirmam que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), trabalha “para desmantelar as políticas anti-desmatamento” e ameaça “direitos indígenas e áreas naturais”. Além da assinatura dos cientistas, a carta conta com o apoio de duas entidades brasileiras, que juntas representam 300 povos indígenas. São elas,  a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Entre os retrocessos do governo Bolsonaro, está a publicação de decretos que transferem órgãos de controle ambiental para outras pastas, diminuindo a atuação do Ministério do Meio Ambiente. Três desses órgãos foram cedidos para o Ministério do Desenvolvimento Regional, e o Serviço Florestal Brasileiro, por exemplo, foi realocado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que é comandado por Tereza Cristina, ligada à bancada ruralista.

A demarcação de terras indígenas, que era de responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai), passou para o Ministério da Agricultura, e a Funai foi remanejada, deixando de ser vinculada ao Ministério da Justiça e acabando subordinada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que tem à frente Damares Alves.

Também ocorreram exonerações de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). E, na semana passada, processos contra a produção de soja em áreas protegidas em Santa Catarina foram arquivados pelo Ibama.

Ainda sobre o Ibama, o próprio presidente desautorizou, através das redes sociais, operações em andamento contra a exploração ilegal de madeira no estado de Rondônia.

Parlamento europeu aprova proibição de plástico descartável a partir de 2021

O Parlamento europeu aprovou um projeto que proíbe o uso de plástico descartável a partir de 2021. Foram 560 votos a favor, 35 contra e 28 abstenções.

A medida reforça a aplicação do princípio do “quem polui, paga”, responsabilizando os produtores. A lei afetará, inclusive, os filtros de cigarro e artigos de pesca. As informações são do portal GreenMe.

Foto: Pixabay

“Esta legislação reduzirá os danos ambientais em 22 bilhões de euros, o custo estimado da poluição por plásticos na Europa em até 2030. A Europa agora tem um modelo legislativo para defender e promover internacionalmente, dada a natureza global do problema da poluição marinha causada pelo plástico. Isso é essencial para o planeta”, afirmou a relatora Frédérique Ries (ALDE, BE).

A nova lei torna obrigatória a rotulagem de informações sobre o impacto ambiental da dispersão de cigarros com filtros de plástico. O que também deve-se aplicar a outros produtos, como copos de plásticos, lenços umedecidos e absorventes higiênicos.

Os produtos proibidos pela União Europeia a partir de 2021 são: objetos de cozinha feitos de plástico descartáveis ​​- como garfos, facas, colheres e pauzinhos para mexer café -, pratos fabricados a partir de plástico descartáveis, canudos de plástico, cotonetes de plástico, bastões de plástico para balões, plásticos oxi-degradáveis, recipientes para alimentos e copos de poliestireno expandido.

Governo do Reino Unido permanece neutro em relação aos testes de laboratório com animais

Global Cosmetic News/Reprodução

Global Cosmetic News/Reprodução

A ONG Cruelty Free International manifestou sua decepção em relação ao fracasso do governo do Reino Unido em descartar testes em animais após a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (Brexit).

Kwasi Kwarteng, subsecretário de estado do Comitê de Saída da União Europeia, foi questionado de forma parlamentar (oficial) pela ministra Jenny Chapman sobre a saída da UE na Câmara dos Comuns na semana passada, com relação ao fracasso do ministro em descartar os testes em animais, com Chapman perguntando ao ministro se ele realmente “se opunha a testes desnecessários em animais”.

Kwarteng respondeu que a moção já havia sido discutida no verão passado e que o governo “tentaria manter os padrões (e regulamentações) sobre a proteção dos direitos animais”.

Desapontada com a resposta, a Cruelty Free International escreveu ao ministro pedindo confirmação sobre o assunto e pediu ao governo que “use o Brexit como uma oportunidade para fortalecer políticas e criar mudanças significativas e duradouras para os milhões de animais usados em experimentos. .

Kerry Postlewhite, diretor de relações públicas da ONG, afirmou que “esta é uma questão que o público britânico considera ser de grande preocupação, além de sua importância fundamental à medida que nos movemos de regras de segurança química da UE para as regras do Reino Unido.

“Esperamos sinceramente, no interesse dos animais, dos cidadãos do Reino Unido e da indústria química do Reino Unido, que o governo deixe bem claro que não haverá testes em animais como resultado dessa transição. Em face do repetido questionamento por parte da indústria, políticos e ativistas, sendo que todos acreditam que não devem haver testes , a resposta do governo tem sido profundamente decepcionante ”, concluiu ele.

Consumo de carne na União Europeia diminuirá até 2030

As pessoas na Europa consumirão menos carne até 2030, de acordo com um novo relatório agrícola da União Europeia.

O relatório diz que o consumo de carne per capita cairá de 69,3 kg para 68,6 kg nos próximos 12 anos.

Embora o consumo geral caia, a produção de ovinos, caprinos e aves deverá aumentar nesse período.

Vários fatores, incluindo o aumento da conscientização dos consumidores em relação ao impacto ambiental da carne, são citados para a mudança nos hábitos das pessoas.

Até 2030, o consumo de carne diminuirá na União Europeia (Foto: Pixabay)

“Muitos motoristas influenciarão os mercados agrícolas na próxima década na UE e além”, diz o relatório. “O relatório leva em conta o impacto do comportamento dos consumidores nesses mercados”.

“Por exemplo, o consumidor e o cidadão se tornarão mais conscientes de sua alimentação, do seu fornecimento e seu impacto no meio ambiente e na mudança climática”.

Ele também afirma que para os produtores, isso resultará em custos de produção mais altos. Entretanto, é também uma oportunidade de diferenciar seus produtos, “agregando valor e reduzindo o impacto climático e ambiental negativo”.

“Isso se refletirá em sistemas alternativos de produção, como produtos locais, orgânicos ou outros certificados, cada vez mais em demanda “.