Altruísmo e compaixão são fundamentais para uma coexistência pacifica

Foto: Tail and Fur/Reprodução

Foto: Tail and Fur/Reprodução

O Dia da Caridade é comemorado no Brasil em 19 de julho, a data foi instituída pelo então presidente Humberto Castelo Branco por meio da Lei nº 5.063 em 1966 com o objetivo de reforçar o altruísmo na sociedade.

Criar uma data comemorativa para conscientizar a sociedade sobre a promoção e a prática da solidariedade, como meio para desenvolver um bom entendimento entre todos os seres humanos é uma atitude construtiva, porém, a caridade se estende muito além da sociedade humana. Caridade é um ato de amor para com toda e qualquer vida.

Estudos recentes divulgados pelo departamento de meio ambiente da ONU e outras entidades de pesquisa e ciência que atuam em nível mundial, alertam para o estado crítico em que o planeta, suas reservas naturais, as florestas e as espécies animais se encontram.

Foto: Jane Goodall Intitute/Fernando turmo

Foto: Jane Goodall Intitute/Fernando turmo

E isso não é o pior, as previsões feitas com base na evolução da destruição causada pelo comportamento humano, mostram que a Terra caminha a passos largos para uma situação de exaustão completa não muito distante.

O que teria nos levado a esse ponto de emergência ambiental, senão a falta de caridade?

Falta de caridade com o planeta, com os animais, com a natureza. Quando exploramos, comemos, matamos, submetemos, chicoteamos, prendemos, precificamos essas vidas que nos rodeiam, que melhor exemplo da falta de caridade poderia ilustrar tamanha ausência de altruísmo e amor?

A caridade caminha ao lado da compaixão, solidariedade, altruísmo e amor ao próximo. Ao ver um animal como ser inferior, ao dispor de sua vida e liberdade como bem entendemos, estamos praticando exatamente o reverso do que a caridade propõe.

Foto: Emma Williams

Foto: Emma Williams

E ao contrário da humanidade, os animais e a natureza nos dão exemplos de caridade, perdão, amor incondicional e sublimação diários. Mesmo tendo suportado sofrimentos indescritíveis ou anos de exploração, ao serem resgatados (quando o são) os animais respondem com gratidão e amor àqueles que os salvaram, mesmo sendo da mesma raça dos que os feriram.

Muito mais do que apenas uma data, uma palavra ou uma bandeira religiosa, a caridade é uma atitude diária, um olhar de amor para os que necessitam, o respeito por toda e qualquer vida, e acima de tudo a consciência e compreensão da igualdade, de direitos e condições, entre todos os seres do planeta.

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Estudo revela que cabras podem identificar as emoções umas das outras com base em seus balidos

Foto: Brian Squibb

Foto: Brian Squibb

Cabras podem ler as emoções de outros membros de seu rebanho por meio de mudanças sutis em suas vocalizações, de acordo com uma nova pesquisa.

Mais ainda, essa compreensão tem um efeito sobre o seu próprio humor – mostrando uma capacidade humana de empatia.

Isso pode melhorar os laços sociais e impulsionar a cooperação, dizem os cientistas.

As descobertas notáveis acrescentam somam-se às demais evidência de que a reputação de estupidez do animal, alegada por algumas pessoas, é extremamente injusta.

Foto: Marianne Mason

Foto: Marianne Mason

O líder do estudo Dr. Alan McElligott, da Universidade de Roehampton, sudoeste de Londres, disse: “Perceber o estado emocional de outro indivíduo através de suas vocalizações e ser afetado por eles tem implicações importantes na forma como cuidamos dos animais domésticos e em particular das espécies como bois, vacas, porcos e cabras”.

As cabras foram as primeiras espécies de animais entre bois vacas e porcos a serem domesticadas, cerca de 10 mil anos atrás. Existem 100 mil cabras só na Grã-Bretanha e um bilhão em todo o mundo, mas sua inteligencia começou a ser descoberta e estudada apenas recentemente.

A frase preconceituosa “tão idiota quanto uma cabra” é usada em muitos países do mundo como um insulto.

Então, o psicólogo experimental Dr. McElligott e seus colegas mediram as mudanças comportamentais e fisiológicas nos animais enquanto escutavam diferentes chamados (balidos) ligados a sentimentos positivos e negativos.

Foto: Alan McElligott

Foto: Alan McElligott

Eles descobriram até mudanças sutis e súbitas no som o que os levou a procurar a origem daquele som – sugerindo que as cabras estavam identificando as emoções de outras cabras.

O estudo publicado na revista Frontiers in Zoology também mostrou que a variação no tempo entre os batimentos cardíacos de cada indivíduo era maior para as chamadas positivas do que negativas.

É a primeira evidência forte de que as cabras podem captar o humor de outros animais do grupo e isso também pode fazê-los felizes ou tristes.

O principal autor do estudo, Luigi Baciadonna, estudante de doutorado na Universidade Queen Mary de Londres, disse: “Apesar de sua importância evolutiva, a comunicação social de emoções em animais não humanos ainda não é compreendida em sua totalidade”.

“Nossos resultados sugerem que animais não humanos não são apenas atenciosos, mas também podem ser sensíveis aos estados emocionais de outros indivíduos”.

Muitos animais sociais vivem sob condições de ambientes onde os indivíduos nem sempre estão em contato visual uns com os outros durante o dia ou a noite.

Portanto, eles poderiam adquirir uma vantagem evolutiva através da discriminação do conteúdo emocional das chamadas de outros de sua espécie.

A co-autora do estudo, Dra. Elodie Briefer, agora na Universidade de Copenhague, disse: “Expressar emoções usando vocalizações e ser capaz de detectar e compartilhar o estado emocional de outro animal pode facilitar a coordenação entre os indivíduos em um grupo e fortalecer social vínculos e coesão do grupo”.

A equipe internacional registrou comunicações (balidos) de cabras que transmitiam emoções positivas ou negativas.

Eles então tocaram um através de um alto-falante para outra cabra, antes de expô-la a uma ligeira variação do mesmo tipo de balido associado à emoção oposta. Isto foi seguido por um chamado final que foi selecionado aleatoriamente.

Os pesquisadores também controlaram outras variáveis frequentemente negligenciadas neste campo de pesquisa, avaliando o estado emocional tanto do emissor quanto do receptor do balido (comunicação).

Além disso, apenas as chamadas de contato entre as cabras eram usadas para que a reação do receptor fosse puramente dependente das emoções codificadas, em vez da função de vocalizações.

Autor Dr. Livio Favaro, da Universidade de Turim, disse: “Estes resultados podem contribuir para a nossa compreensão da evolução da percepção emocional em animais não humanos.”

No ano passado, outro estudo conduzido pelo Dr. Alan McElligott, na época na Universidade de Queen Mary em Londres, descobriu que cabras se dirigiam à humanos com expressões faciais felizes.

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Dia do Cooperativismo: trabalho em equipe é característica de aves, peixes e insetos

Hoje, 4 de julho, celebra-se o Dia do Cooperativismo. No mundo animal, a cooperação é uma prática bastante comum. Alguns animais, como aves, peixes e insetos têm como característica o trabalho em equipe. Juntos, eles somam esforços e obtém melhores resultados.

Foto: Pixabay

Entre os insetos que promovem ações em grupo estão as formigas e as abelhas. As primeiras são conhecidas por se organizarem de maneira exemplar para obter o resultado desejado. Unidas, as formigas formam grandes grupos e transportam objetos significativamente maiores e mais pesados do que elas. Na hora de proteger o formigueiro, elas também mostram a força que da união, além de dividirem tudo de forma igualitária.

Nas colmeias não é diferente. As abelhas dividem tarefas diariamente, por meio de estímulos visuais, auditivos, táteis e químicos. A forma como esses insetos se organizam se assemelha, inclusive, ao comportamento social humano. Isso porque as abelha dividem tarefas e responsabilidades e formam castas e gerações que trabalham em prol do bom funcionamento da colmeia.

Além dos insetos, outros seres do reino animal se organizam em grupos, como os pássaros. Ver um grupo deles voando de maneira sincronizada é bastante comum e demonstra o quão organizados e unidos eles são. Algumas espécies, como os estorninhos, chegam a desenhar uma perfeita formação no céu durante o voo. O objetivo é confundir predadores naturais ao criar a ilusão de uma só unidade. Segundo informações do portal Pensamento Verde, essas aves executam um cooperativismo exemplar, que precisa ser extremamente bem executado, já que um erro pode levar à colisão de um pássaro com outro, em alta velocidade, o que danificaria a unidade do grupo e, por consequência, a tática de proteção a predadores, e também poderia causar lesões nesses animais.

Foto: Pixabay

No entanto, não é só no momento do voo que os pássaros se unem. No caso do papa-moscas-preto, o trabalho em grupo garante a sobrevivência da espécie. Com a aproximação de um predador, o pássaro emite um guincho alto, alertando as demais aves e fazendo com que elas se unam para defender o grupo.

A união como tática de defesa contra os predadores também é usada pelos peixes. Juntos, eles formam cardumes que, com a sincronia do nado, tornam-se uma única unidade que faz com que os predadores não tenham força para atacar um peixe específico, diminuindo assim as chances desses animais serem mortos.

Foto: Pixabay


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Gatinhas filhotes se gostam tanto que não largam a patinha uma da outra

Já é difícil o suficiente para milhões de gatos sem um lar que vivem em abrigos americanos encontrarem os lares amorosos e quando duas gatas em situação de rua são inseparáveis, a busca por um lar e uma família pode ser ainda mais difícil.

Mas as duas gatas que estão em um lar temporário da Flórida (EUA) deixaram uma coisa perfeitamente clara para todos: eles não vão se separar.

Elas até seguram as patas uma da outra.

Foto: Andrea Christian

Foto: Andrea Christian

Desde o início, parecia que Lily, a gata mista de siamês, e Rosa, a elegante gatinha preta, estavam destinadas uma à outra.

“Rosa chegou até mim muito abaixo do peso e terrivelmente triste”, disse Andrea Christian, a responsável pelos lares temporários do St. Francis Society Animal Rescue, ao The Dodo.

“Alguns dias depois, recebi uma ligação para levar outro gatinho muito doente que estava na UTI há cerca de uma semana”, disse Christian.

“Lily [tinha sido] encontrada ao lado da estrada em Tampa, ela parecia um esqueleto de tão magra”.

Foto: Andrea Christian

Foto: Andrea Christian

Christian, um voluntário experiente que fornece lar temporário para gatinhos necessitados, começou o trabalho duro de ajudar os novos moradores a se sentirem seguros e em casa.

Depois que Lily terminou uma bateria de antibióticos, Christian decidiu apresentá-la a Rosa.

“Foi amor à primeira vista!” Christian disse.

A pequena gatinha preta trouxe muito boa sorte para Lily, que ainda estava bastante fraca e com dificuldade para andar.

“Ela estava sofrendo de toxoplasmose”, explicou Christian.

Foto: Andrea Christian

Foto: Andrea Christian

Mas Rosa – junto com um tratamento a base de hidroterapia – pareceu ajudar Lily a ganhar força.

Nas últimas semanas, o par se tornou inseparável. Quando uma das duas começa a explorar seu lar temporário, a outra está logo atrás.

Foto: Andrea Christian

Foto: Andrea Christian

Quando uma se deita para tirar um cochilo, a outra também. Quando uma vai para a tigela de comida, a outra vai para a mesma tigela de comida – ocasionalmente usurpando a refeição.

“Elas ainda são tímidas”, disse Christian, mas ela observou que as melhores amigas ajudando uma a outra estão aprendendo a ser corajosas.

Foto: Andrea Christian

Foto: Andrea Christian

“Eles estão saindo para a população em geral com os outros gatos durante o dia, o que é uma imensa conquista”.

Agora o par está enfrentando um novo desafio: encontrar um lar definitivo, onde elas possam continuar juntas.

Esperamos que o amor que sentem uma pelo outra inspire uma família amorosa a adotá-las.

Estudo revela que cães apresentam os mesmos níveis de stress de tutores

Foto: Earth.com

Foto: Earth.com

Pesquisas confirmam o que muitos tutores já concluíram por si mesmos: cientistas descobriram que os animais domésticos não são alheios às ansiedades de seus companheiros humanos, ao contrário, eles apresentam a mesma quantidade de estresse que seus tutores sentem.

A descoberta vem de um estudo sobre o cortisol, um hormônio do estresse, que circula no sangue e também deixa sua marca em fios de cabelo. Com o tempo, à medida que o hormônio se liga ao cabelo em crescimento, cada haste se torna um registro biológico do estresse que um indivíduo experimenta.

Depois de conseguir a contribuição voluntária de 25 cães da raça border collies, 33 cães pastores de Shetland e os tutores do sexo feminino dos animais, pesquisadores na Suécia descobriram que o maior nível de cortisol no cabelo humano batia com o maior nível de hormônio no pelo de cão. Todos os cães moravam dentro de casa com seus tutores.

“Esta é a primeira vez que vemos uma sincronização de longo prazo nos níveis de estresse entre membros de duas espécies diferentes”, disse Lina Roth, etologista que liderou o trabalho na Universidade de Linköping, na Suécia. “Nós não vimos isso entre humanos e cães antes.”

A equipe de Roth mediu as concentrações de cortisol em fios curtos de cabelo cortados perto da pele no inverno e no verão de 2017 e 2018. A ligação entre o cortisol humano e de cães foi mantida durante as estações, mas foi maior nos cães durante o inverno.

Para investigar se o estilo de vida canino teve um impacto sobre os níveis de estresse, cerca de metade de cada raça inscrita estava envolvida em algum tipo de atividade regular e testes de habilidades como obediência e agilidade. O resto dos cães eram animais de companhia comuns.

Escrevendo em relatórios científicos, os pesquisadores descrevem como o estresse nos cães testados (competições) mais se espelhava mais acuradamente nos proprietários, potencialmente porque os animais tinham formado um vínculo mais forte com seus tutores do que os animais domésticos comuns.

Roth acredita que há mais fatores envolvidos na sincronização dos níveis de estresse do que simplesmente compartilhar o mesmo ambiente. Quando os cientistas observaram se os cães tinham um jardim para brincar; as horas que o proprietário trabalhava e se os cães viviam com outros cães, não encontraram nenhum efeito nos níveis de cortisol nos cães.

O que realmente teve efeito sobre os níveis de estresse dos animais foi a personalidade de seus tutores, avaliada por uma pesquisa padrão. O maior fator foi o neuroticismo (indivíduos que, a longo prazo, possuem uma maior tendência a um estado emocional negativo).

De acordo com o estudo, os tutores que obtiveram maior pontuação no neuroticismo tendiam a ter cães com níveis mais baixos de cortisol no cabelo. Uma explicação, disse Roth, é que os tutores mais neuróticos podem buscar mais conforto de seus animais de estimação, e o ataque de abraços e atenção reduz o cortisol nos cães. “Sugerimos pelas análises que os cães, em grande medida, espelham os níveis de estresse de seus companheiros humanos”, escrevem os cientistas na revista.

Se as descobertas forem suficientes para fazer os tutores de cães estressados se sentirem culpados, Roth tem algumas palavras de conforto. “A maioria dos tutores de cães sabe que seus companheiros caninos recebem muitos sinais deles, mesmo os não intencionais, mas ainda é benéfico estar juntos”, disse ela.

Enquanto o estudo afirma ser a primeira evidência de diferentes espécies sincronizando seus níveis de estresse a longo prazo, o contágio de estresse de curto prazo já foi identificado em membros da mesma espécie anteriormente.

Em 2016, James Burkett, da Universidade Emory, em Atlanta, mostrou que os ratos-da-pradaria, ou ratos-do-prado, monogâmicos reagiriam a um parceiro estressado aumentando seus próprios níveis de estresse e cuidando mais deles.

Burkett, que não esteve envolvido no estudo mais recente, disse que o trabalho foi adicionado a um crescente corpo de pesquisas mostrando que os cães são empáticos aos seus tutores.

“Os cães são afetados pelo sofrimento de seus companheiros humanos e respondem com comportamentos consoladores”, disse ele. “Agora sabemos que os cães também são afetados pelas personalidades e níveis de estresse de seus tutores. Embora isso possa ser senso comum para os tutores de cães, a pesquisa empírica ainda está atualizando nossas intuições sobre a empatia animal ”.

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Mais de 4 mil répteis são resgatados em operação contra o tráfico

Uma união de autoridades globais contra o tráfico de répteis levou ao resgate de mais de 4 mil animais vivos e à prisão de 12 suspeitos. Os répteis foram encontrados em aeroportos, criadouros e pet shops da Europa, América do Norte e outras localidades. Os resgates foram feitos durante os meses de abril e maio.

FOTO: PEDRO PELOSO

A Operação Blizzard – uma brincadeira com a palavra lagarto em inglês, que é lizard – foi coordenada pela Interpol e pela Europol. Foram salvos cobras, tartarugas e outros répteis. Alguns dos animais resgatados estão ameaçados de extinção. As informações são do portal National Geographic Brasil.

Milhões de répteis têm sido traficados para a União Europeia e para os Estados Unidos para viver em cativeiro, sendo tratados, equivocadamente, como animais domésticos, ou para serem explorados e mortos pela indústria que fabrica artigos – como sapatos, cintos e bolsas – a partir da pele desses animais.

Os répteis sofrem com a falta de proteção. Apenas 8% das 10 mil espécies existentes integram a Convenção Internacional de Comércio de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagens, que é um tratado que regula o comércio de animais selvagens através das fronteiras.

Relatórios de inteligência foram revisados na Operação Blizzard por forças de segurança de 22 países – incluindo a Nova Zelândia, a Itália, a Espanha, a África do Sul e os Estados Unidos. Essas autoridades também cruzaram informações com casos mais antigos, monitoraram redes sociais e fizeram inspeções em criadouros, segundo Sergio Tirro, gerente de projetos de crimes ambientais na Europol, que levantou inteligência para a operação. Com o compartilhamento de dados entre os países, foi possível identifica mais de 180 suspeitos.

FOTO: PEDRO PELOSO

“Essa operação claramente demonstra o valor da cooperação internacional”, disse Chris Shepherd, diretor executivo da Monitor, uma entidade localizada na Colúmbia Britânica, no Canadá, que trabalha em prol do combate ao tráfico de animais silvestres. “Também ilustra o tamanho desse comércio imenso e bem organizado”, completou.

De acordo com a Interpol, seis prisões foram feitas na Itália e outras seis na Espanha. Além delas, mais prisões e denúncias serão realizadas. Um dos casos descobertos pela investigação foi de um passageiro de uma companhia aérea que estava traficando 75 tartarugas vivas. Os animais estavam na bagagem do homem.

“Em geral, nosso alvo não é apenas um passageiro ou indivíduo – nosso foco são grupos de crime organizado por trás do tráfico”, diz Tirro. Segundo ele, muitas das pessoas identificadas não lideravam organizações. A esperança das autoridades é conseguir construir casos contra os grandes traficantes de animais.

Os trabalhos das forças policiais levaram ao resgate de mais de 20 crocodilos e jacarés, seis jiboias da areia do Quênia, encontradas em aviões de carga nos Estados Unidos, e 150 itens feitos de pele de répteis – bolsas, pulseiras de relógios, remédios e produtos taxidermizados. Apesar do foco da operação ser os répteis, foram encontrados também gaviões, cisnes, corujas, marfim de elefante e carne de animais silvestres caçados.

FOTO: PEDRO PELOSO

De acordo com Sheldon Jordan, líder da unidade de vida selvagem do ministério de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Canadá, nove répteis foram resgatados no Canadá enquanto eram traficados do estado americano de Washington para a Colúmbia Britânica. Três deles morreram no trajeto. Segundo Jordan, isso demonstra o quão fatal o tráfico pode ser.

Jordan explicou que a operação foi realizada em abril e maio porque o tráfico de répteis no Hemisfério Norte é realizado prioritariamente entre a primavera e o verão, época em que esses animais de sangue frio conseguem manter a temperatura alta o suficiente para sobreviver.

Para Shepherd, resgatar 4 mil répteis é significante, mas “há milhões de répteis sendo traficados todo ano”, e a demanda por esses animais aumenta cada vez mais. Segundo ele, combater redes organizadas que regem o tráfico e trabalhar em países nos quais esses animais são retirados da natureza é essencial.

FOTO: PEDRO PELOSO


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Advogados e juristas do mundo todo se reúnem em conferência para discutir os direitos animais

Foto: The Vegan Society

Foto: The Vegan Society

A proposta do parlamento europeu de proibir o uso de rótulos como ‘hambúrguer’ e ‘salsicha’ de serem usados para descrever produtos vegetarianos e veganos é uma das questões que serão discutidas por especialistas legais em uma conferência pioneira de direitos animais e veganos na Itália.

As propostas, se aprovadas, significariam que produtos como hambúrgueres vegetarianos e veganos poderiam ser chamados de “discos” e salsichas de “tubos”.

À luz dessas questões e assuntos semelhantes, advogados e juristas veganos de todo o mundo se reunirão em uma conferência jurídica anual para discutir como influenciar a lei em benefício dos animais e do planeta. O evento é organizado pela Aliança Internacional dos Direitos Veganos (IVRA) e pela The Vegan Society, com a primeira fusão oficial para se tornar a Rede Internacional de Direitos da Sociedade, no dia 31 de maio.

O tema da Conferência da IVRA deste ano – que acontece na Universidade de Milão, Itália, de 31 de maio a 1 de junho – é como os direitos veganos podem ajudar a criar uma sociedade que respeite, em vez de explorar, os animais.

A Dra. Jeanette Rowley, fundadora da IVRA, falará em seu discurso de abertura sobre o uso da lei dentro do movimento vegano e criticará as recentes propostas da UE para proibir certas denominações de produtos veganos.

A Dra. Rowley disse: “O veganismo na lei interrompe a ideia de direitos exclusivos de proteção apenas para os seres humanos.

“Ele enfatiza nossa capacidade natural de ser responsável, zeloso e compassivo em resposta à vulnerabilidade, injustiça, opressão e sofrimento dos animais.

“Promover o veganismo na lei ajudará a trazer a mudança de paradigma de que precisamos para garantir que os animais recebam a proteção de que precisam e merecem.”

A fundadora da IVRA também dirige o serviço de direitos da Sociedade Vegana, que ajudou com casos como na ajuda a crianças em idade escolar, pacientes de hospitais e prisioneiros a terem acesso a comida vegana; garantir permissões para os alunos usarem materiais amigáveis aos veganos em suas avaliações; e conseguir que os trabalhadores tivessem acesso a uniformes amigáveis aos veganos. Este é o único serviço legal gratuito dessa natureza atualmente em execução.

Louise Davies, Chefe de Campanhas, Políticas e Pesquisas da The Vegan Society, disse: “Estamos muito felizes por estar assumindo o importante trabalho da IVRA. “Esperamos trabalhar com toda a nova Rede Internacional de Direitos para liderar na defesa de veganos vulneráveis e, por extensão, proteger e promover os direitos dos animais”.

Os participantes ouvirão especialistas veganos que viajam da Inglaterra, Escócia, Irlanda, Estados Unidos, Canadá, Itália, Portugal, Alemanha e França, e compartilharão suas experiências com lobby de vários governos e se envolverão em casos legais relacionados ao veganismo.

Os palestrantes da conferência também incluem Sandra Higgins da Go Vegan World, cuja campanha de cartazes “inumanos” foi aprovada pela Advertising Standards Authority e Mark Banahan, da The Vegan Society, falando sobre sua revolucionária campanha Catering for Everyone para opções veganas em cardápios do setor público.

Os detalhes da conferência podem ser encontrados nesta página e informações sobre a Rede Internacional de Direitos da Sociedade Vegana podem ser encontradas aqui.

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Jornalista Maurizio Giuliano defende que mitigar mudanças climáticas é essencial para a paz

Por David Arioch

Mas outros desafios são as mudanças climáticas e os desastres associados a riscos naturais que estão frequentemente ligados às mudanças climáticas” (Foto: PA Images)

No último dia 7, durante a 1ª Plenária do Fórum Mundial pela Paz, realizado pela organização Together for Peace na Universidade Veiga de Almeida (UVA), no Rio de Janeiro, o diretor do Centro de Informação da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Brasil, Maurizio Giuliano, convidou mais de 100 universitários a refletirem sobre a relação entre a paz e as mudanças climáticas.

“A paz é a eliminação de qualquer conflito. Mas sem debelar as mudanças climáticas e sem desenvolvimento, a paz pode ser muito mais difícil de se conseguir. E inversamente, só a paz permite que possamos — entre países democráticos — avançar na Agenda 2030 [para o Desenvolvimento Sustentável] e preservar a espécie humana””, declarou.

Segundo Giuliano, a paz é uma questão de justiça, mas, acima de tudo, é uma necessidade para a sobrevivência. “Temos neste momento uma quantidade enorme de guerras, conflitos, situações de violência e deslocamento forçado, situações de gravidade extrema. A ameaça nuclear que caracterizou os últimos 75 anos ainda persiste”, enfatizou.

E acrescentou: “Mas outros desafios são as mudanças climáticas e os desastres associados a riscos naturais que estão frequentemente ligados às mudanças climáticas”.

Giuliano também explicou aos estudantes as razões de utilizar o termo “desastres associados a risco natural” no lugar de “desastres naturais”. “O que causa um desastre não é necessariamente e apenas o fenômeno natural em si. Um terremoto de mesma escala pode passar pouco percebido no Japão e matar milhares de pessoas em um país em desenvolvimento”.

Equipe de conservação zambiana se une a comunidade e acaba com a caça de elefantes

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

Através do trabalho em parceria com as comunidades locais, uma equipe de conservação praticamente acabou com a caça de elefantes no Parque Nacional de North Luangwa, na Zâmbia (África).

O ecossistema de Luangwa é o lar de quase dois terços da população de elefantes da Zâmbia.

Desde a década de 1950, a caça reduziu os números de elefantes em todo o país, cuja população costumava ser de cerca de 250 mil animais. Na década de 1980, esse número despencou para cerca de 18 mil. Os esforços de conservação estão melhorando graças ao envolvimento da comunidade.

Em 2018, não houve mortes causadas pela caça de elefantes no Parque Nacional de North Luangwa. As áreas vizinhas sofreram uma redução de mais de 50% no número de elefantes caçados e mortos.

O Programa de Conservação do Norte de Luangwa, junto com a Sociedade Zoológica de Frankfurt, ajudou a fazer isso acontecer; a parceria se concentra no envolvimento da comunidade para parar os caçadores.

Envolvendo as comunidades locais

Ed Sayer, líder de projeto do Programa de Conservação do Norte de Luangwa, afirma que no passado as comunidades locais faziam “vista grossa” aos caçadores e suas ações.
Muitas vezes, as comunidades são deixadas de fora do quadro em termos de se beneficiar do turismo próximos às suas casas. Em alguns casos, os membros da comunidade são obrigados a atirar em elefantes por dinheiro, deixando-os com pouco incentivo para impedir que a prática aconteça.

O Programa de Conservação está trabalhando com as comunidades localizadas no entorno do Parque Nacional para construir pontes de entendimento e apoio. Segundo Sayer, a organização trabalhou com o governo local para pressionar por uma mudança na política quando se trata de compartilhar benefícios do turismo.

As pessoas também são apresentadas a diferentes caminhos financeiros para substituir a caça, incluindo o manejo florestal.

“Se realmente queremos proteger essas grandes paisagens, temos que garantir o envolvimento e a apropriação total da comunidade e seu acesso à receita deles”, disse Sayer à Mongabay. “Nossa forma mais forte de defesa é a comunidade local.”

O fim da caça

O fim da caça pode estar dentro do horizonte de visão do futuro, graças a novas tecnologias e financiamento.

David Sheldrick Wildlife Trust, no Quênia, cujos cuidadores são conhecidos pelo uniforme verde e chapéu flexível mostrado sempre na cabeça, implementa iniciativas como vigilância aérea, patrulhamento anti-caça, salvaguarda de habitats locais e projetos comunitários.

Em uma reserva de caça sul-africana, a Connected Conservation usa uma combinação de CCTV (câmeras de vigilância de circuito interno), sensores, biometria e wi-fi para localizar caçadores clandestinos. Parece estar funcionando, pois a caça na área foi reduzida em em 96%.

Após seu sucesso na África do Sul, agora há demanda para a Conservação Conectada na Índia e na Nova Zelândia, para proteger os tigres e a vida marinha, respectivamente.

O financiamento também está aumentando para projetos dedicados a acabar com a caça de outros animais selvagens. Em julho passado, o governo do Reino Unido prometeu 44,5 milhões de libras (cerca de 57 mil dólares) para iniciativas contra o tráfico de animais silvestres em todo o mundo.

Michael Gove, o ministro do Meio Ambiente do Reino Unido, disse em um comunicado na época que “os desafios ambientais não respeitam as fronteiras e exigem uma ação internacional coordenada”.

Justiça obriga União e Estado a dar assistência a jumentos na Bahia

A Justiça Federal obrigou a União e o Estado da Bahia a dar assistência veterinária e garantir abrigo, alimentação e água a centenas de jumentos encontrados em janeiro em situação de maus-tratos na zona rural do município de Canudos.

Foto: Reprodução / Correio 24 Horas

A decisão da juíza federal Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal Cível da Bahia, que também foi a responsável por proibir, por meio de liminar, que os jumentos sejam mortos na Bahia, atende a um pedido de ONGs de proteção animal que estão com a tutela dos jumentos, que têm enfrentado dificuldades para garantir o bem-estar desses animais devido à baixa quantidade de doações recebidas para arcar com os gastos.

De acordo com as ONGs, há 427 jumentos precisando de ajuda – pouco mais da metade mantida no confinamento em situação de maus-tratos, que era de cerca de 800 animais. Os demais morreram, segundo as entidades, devido a uma doença metabólica sem cura desenvolvida por terem sido maltratados. As informações são do Correio 24 Horas.

A Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que “já foi intimada da referida decisão e está avaliando as medidas judicias que serão adotadas”. O governo da Bahia não se posicionou.

Segundo a decisão da juíza, o Estado da Bahia deve “informar sobre a possível emissão de GTAs [guia de trânsito que atesta também a sanidade do animal] para deslocamento de jumentos no Estado da Bahia após deferimento da liminar ou qualquer outro tipo de autorização relativa ao jumento neste Estado” e a União e o Estado devem tomar as “providências necessárias ao cadastro e chipagem dos jumentos, de modo que possa haver um controle da quantidade e origem desses animais” e adotar “providências no sentido de dar assistência e proteger os jumentos que estão na propriedade”.

A bióloga Patrícia Tatemoto, representante no Brasil da The Donkey Sanctuary, ONG britânica que trabalha de forma global na defesa dos jumentos e que tem ficado entre os municípios Salvador e Canudos para ajudar os animais, afirmou que os jumentos estão bem cuidados, mas que os recursos estão escassos.

“Estamos com dois veterinários cuidando dos animais, fazendo exames. Há comida e água, mas os recursos estão acabando e dependemos muito de doações, que estão ocorrendo, mas por conta da grande quantidade de jumentos ainda precisamos de mais, e o que chega está sendo gasto”, disse.

Cerca de 600 amostras de sangue foram coletadas dos jumentos para realização de exames, segundo a doutora em equinos, a zootecnista Chiara Albano, professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e integrante do Fórum Nacional de Defesa Animal. Os resultados ainda não foram divulgados.

“As amostras de sangue ficaram no laboratório da Adab [Agência de Defesa Agropecuária da Bahia] aguardando os reagentes para que os exames fossem realizados”, escreveu Chiara Albano num relatório sobre os jumentos.

Chiara acredita que “existe interesse do governo da Bahia em segurar os exames, por custo também, mas principalmente por questões comerciais com os chineses. Se houver caso de AIE [anemia infecciosa equina], o governo pode ter sérios problemas nas barreiras alfandegárias. Apesar de a AIE não ser uma zoonose, este exame é exigido para a exportação de carne ou pele de equídeos pela China”.

A advogada Gislane Brandão, que coordena a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, disse que a ausência do resultado dos exames está atrapalhando a adoção dos jumentos. “Sem ter informações sobre a saúde dos animais, não tem como fazer as adoções”, declarou.

Na internet, uma campanha de arrecadação de fundos está sendo realizada. O dinheiro será usado para custear o arrendamento rural, empregados, alimentação, água, veterinários, castrações, remédios, vacinas, exames e transporte para adoções, as quais serão realizadas quando os jumentos estiverem saudáveis.

Para doar, basta acessar o site do Catarse. A campanha já arrecadou cerca de R$ 20 mil, mas pelo menos R$ 10 mil já foram usados com cuidados com os jumentos, especialmente com o arrendamento da área onde eles foram abrigados.

“As doações que temos recebido são muito válidas, mas os custos são grandes. Por isso, precisamos que o Estado e a União arque com os custos”, disse Gislane.