Redes de pesca podem causar a completa extinção de vaquitas em um ano

Por Rafaela Damasceno

A vaquita, também conhecida como boto do pacífico ou panda do mar, é o mamífero mais ameaçado de extinção do mundo. Ela ganhou esse título em 2006, depois que o baiji – espécie de golfinho – foi considerado extinto.

Vaquita presa em rede de pesca

Foto: Tom Jefferson

Os cientistas alertam que a vaquita sumirá completamente em um ano se as redes de pesca continuarem a ser usadas.  A espécie vive apenas no Golfo da Califórnia, no México, e é necessária uma ação urgente para conseguir salvá-la da completa extinção.

Em 2006, a população de vaquitas na natureza era estimada em 30. Hoje, pesquisadores acreditam que existem menos de 10. O declínio foi atribuído aos pescadores da região que capturam o peixe totoaba, cuja bexiga natatória é considerada uma iguaria na China.

O governo mexicano proibiu o uso da rede de emalhar – que prende os peixes e crustáceos pelos seus próprios movimentos – em 2017, mas ela continuou sendo usada de maneira ilegal. Algumas vaquitas acabam se prendendo nas redes e morrem afogadas. Desde 2017, 10 foram encontradas presas em redes de emalhar.

Estima-se que, desde o início do monitoramento da espécie, em 2011, a população tenha caído 98,6%. “Apesar da proibição emergencial das redes de emalhar, a presença ilegal continua a levar a vaquita à extinção”, afirmou o professor Len Thomas, do Centro de Pesquisa Ecológica e Ambiental da Universidade de St. Andrews, em entrevista ao Independent.

“É necessário que haja uma ação imediata e urgente para salvar a espécie”, concluiu.


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Uma das últimas vaquitas do mundo é encontrada morta no México

O animal foi encontrado desfigurado em San Felipe, no Golfo Da Califórnia, no México (Foto: Sea Shepherd)

Uma das últimas vaquitas do mundo foi encontrada morta no México há exatamente um mês pela Sea Shepherd. Enquanto a organização de conservação da vida marinha patrulhava o chamado Refúgio das Vaquitas em San Felipe, no México, eles encontraram uma rede de pesca ilegal por volta das 15h.

Junto à rede havia um animal branco não identificado. A princípio, os envolvidos no resgate pensaram que se tratava de um peixe marinho da espécie totoaba, já que os dois têm praticamente o mesmo tamanho e são endêmicos do Golfo da Califórnia.

No entanto, o animal, que já estava desfigurado, era realmente uma vaquita. A avaliação da carcaça foi feita pela cientista da Sea Shepherd, Laura Sánchez, e pela equipe do capitão Octavio Carranza, que enviaram fotografias e material genético para confirmar em laboratório a identidade do espécime mais tarde entregue às autoridades do governo.

Atuando no Golfo da Califórnia desde 2015, como parte da Operação Milagro, a Sea Shepherd revela que já encontrou 36 mamíferos marinhos presos em redes ilegais de emalhar. Nove eram cetáceos e apenas um sobreviveu – uma baleia jubarte.

Em março, o Comitê Internacional para a Recuperação da Vaquita (Cirva) publicou um relatório informando que é possível que existam apenas 10 vaquitas no mundo. A maior causa do risco de extinção é a pesca ilegal no Golfo da Califórnia, onde a morte das vaquitas é um efeito colateral da pesca de totoaba, espécie de peixe com bexigas natatórias que têm alto valor comercial na China.

Em reação à situação, o diretor Richard Ladkani e o ator e produtor Leonardo DiCapriouniram forças para produzir o documentário “Vaquita – Sea of Ghosts”, que foi aclamado no Sundance Film Festival, em Park City, Utah, em fevereiro.

México anuncia planos para salvar as últimas vaquitas do mundo

Foto: Nicklin Minden | WWF

Também conhecida como boto-do-pacífico, a vaquita é uma espécie endêmica do Golfo da Califórnia, no Noroeste do México, e tem um metro e meio e pesa cerca de 50 quilos. É possível que existam apenas 10.
O cetáceo está à beira da extinção pela pesca – suas bexigas natatórias têm alto valor comercial na China.

Em uma tentativa de salvar as últimas vaquitas, o governo mexicano anunciou na última quinta-feira (21) que usará boias para marcar a reserva do mamífero marinho mais ameaçado do mundo.

Outra promessa foi feita pelo Departamento de Meio Ambiente: fornecer programas sociais e empregos para as comunidades pesqueiras.

Ambientalistas disseram que o programa do governo precisa de detalhes suficientes e enfatizaram que medidas mais urgentes são necessárias para salvar a vaquita.

Alejandro Olivera, representante do México para o Centro de Diversidade Biológica, disse que as medidas “não estão à altura do nível de urgência necessário”.

“Com possíveis 10 vaquitas restantes, o que é necessário é a proteção total e a eliminação imediata de redes ilegais do habitat da vaquita”, disse Olivera. As informações são do Daily Mail.

Nesta foto divulgada pela organização Sea Shepherd, o corpo de uma vaquita flutua no oceano após ser encontrado em uma rede ilegal de totoaba no Golfo da Califórnia, no dia 12 de março deste ano.

Ativistas dizem que algum tipo de barreira flutuante poderia ser facilmente construída ao redor da área para manter os barcos de pesca ilegais, já que as vaquitas remanescentes estão concentradas em uma área tão pequena – um retângulo de cerca de 15 milhas por 7 milhas. Mas o programa do governo está bem longe disso. Ele propõe a simples marcação da reserva de vaquita com boias.

Infelizmente, todas as medidas tomadas serão pequenas diante dos milhares de dólares que os pescadores conseguem por uma bexiga.

Ativistas encontram corpo de boto vaquita no Golfo da Califórnia

Foto: Associated Press Photo

Foto: Associated Press Photo

O grupo ambientalista Sea Shepherd afirmou na quinta-feira ter encontrado o corpo do que parecia ser um um boto vaquita, uma espécie rara que talvez esteja entre as 10 que restam no mundo.

O grupo disse que os restos do animal estavam em decomposição avançada o que impossibilitou a identificação imediata da espécie. O corpo do animal foi entregues às autoridades para mais estudos.

Dois barcos de patrulha da Sea Shepherd encontraram o animal preso em uma rede de pesca na terça-feira no Golfo da Califórnia (México), o único lugar onde os pequenos botos, criticamente ameaçados de extinção vivem.

O grupo patrulha o golfo, também conhecido como Mar de Cortez, removendo redes de pesca ilegais. As vaquitas são apanhadas em redes colocadas para pegar totoabas, um peixe cuja bexiga é considerada uma iguaria na China.

Em um relatório divulgado no início desta semana, uma comissão internacional de especialistas estimou que apenas de seis a 22 vaquitas permanecem vivas.

O indíce mais baixo corresponde ao número de vaquitas realmente vistas na superfície da água durante uma viagem feita por pesquisadores no outono passado. A estimativa mais alta foi o número de animais que podem ter sido ouvidos em um sistema de monitoramento acústico flutuante, fazendo “cliques” característicos, como os golfinhos.

A comissão disse que o número mais provável de vaquitas remanescentes estaria em torno de 10.

Infelizmente as vaquitas estão concentradas em uma área cada vez menor, de cerca de 15 por 11 milhas, segundo o relatório.

“As poucas vaquitas remanescentes habitam uma área muito pequena, aproximadamente 24 por 12 quilômetros, a maioria dos quais fica dentro do Refúgio Vaquita. No entanto, os altos níveis de pesca de totoaba que ocorrem nesta área ameçam a espécie”, disse o relatório.

Defender as vaquitas nesta pequena área não deveria ser “uma tarefa impossível, já que a entensão a ser protegida não é grande”, acrescentou o relatório.

Mas os navios da Sea Shepherd estão sob crescente assédio e ataques no golfo nos últimos meses, e a temporada do totoaba – na qual o enorme peixe se reúne para se reproduzir – atingirá seu auge entre agora e maio.

A ousadia dos pescadores, o pequeno número de vaquitas remanescentes e a incapacidade da marinha e das autoridades mexicanas de impedir a caça, dispararam os alarmes entre os ambientalistas, que temem que o mamífero marinho possa ser extinto em breve.

“Relatórios da região sugerem que a pesca vem crescendo, e aconteceram vários episódios recentes de violência por parte de pescadores aos navios de proteção e remoção de redes e suas tripulações e até mesmo a marinha mexicana”, disse o relatório da comissão. “Esses eventos ilustram o fracasso repetido dos esforços de fiscalização e a falta de respeito pela lei mexicana por parte dos pescadores”.

Em uma proposta de última hora para salvar a vaquita, a comissão pediu ao governo mexicano para fornecer vigilância 24 horas e patrulhas mais frequentes da pequena área de habitat remanescente, além de “tomar todas as medidas necessárias para proteger as equipes envolvidas nas operações de remoção de redes”.

“Há pouca esperança para a vaquita”, disse Kate O’Connell, consultora de fauna marinha do Animal Welfare Institute. “O México deve agir de forma decisiva para garantir que toda a pesca que utiliza redes de pesca seja encerrada definitivamente em todo o golfo superior”.

Ameaçada de extinção, vaquita é tema de documentário com Leonardo DiCaprio e Sea Shepherd

Vaquita, o menor cetáceo do mundo – medindo um metro e meio e pesando cerca de 50 quilos (Acervo: WWF)

Ameaçada de extinção, a vaquita, também conhecida como boto-do-pacífico, é tema de documentário com Leonardo DiCaprio, presidente mexicano Enrique Peña Nieto e a organização Sea Shepherd, de conservação da vida marinha.

“Vaquita – Sea of Ghosts”, que está sendo produzido pela Terra Mater Factual Studios, sediada em Viena, na Áustria, é uma continuação do documentário indicado ao Oscar “The Ivory Game”, de 2016, que aborda o comércio ilegal de marfim. A previsão é de que o documentário seja lançado nos próximos meses.

Dirigido pelo austríaco Richard Ladkani, que traz no currículo mais de 50 documentários para cinema e TV, o filme discute a pesca ilegal e as tentativas e meios de salvar a vaquita, o menor cetáceo do mundo – medindo um metro e meio e pesando cerca de 50 quilos.

Segundo informações do Comitê Internacional para Recuperação da Vaquita (Cirva), atualmente restam apenas 30 vaquitas, espécie endêmica do Golfo da Califórnia, no Noroeste do México. E a má notícia é que elas podem ser extintas até 2022, o que endossa a urgência de um documentário sobre a realidade do boto-do-pacífico.

A maior causa do risco de extinção do animal é a pesca ilegal no Golfo da Califórnia, onde as vaquitas sempre foram visadas porque suas bexigas natatórias têm alto valor comercial na China – onde são vendidas por mais de 100 mil dólares cada unidade.