Ômega-3 à base de algas deve conquistar ainda mais o mercado

Por David Arioch

Um diferencial apontado é que não apresenta riscos de contaminação por poluentes como os bifenilos policorados (Foto: Getty)

Ganhando popularidade entre veganos e também se apresentando como uma alternativa mais saudável do que o seu equivalente baseado em óleo de peixe, o ômega-3 à base de algas deve conquistar ainda mais o mercado nos próximos anos.

De acordo com um relatório publicado esta semana pela empresa de pesquisa de mercado Mordor Intelligence, o mercado de ômega-3 à base de algas deve experimentar taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 11,3% até 2024, chegando a atingir um valor de mercado de 1,2 bilhão de dólares.

“O mercado de ingredientes de ômega-3 de algas é dinâmico e altamente fragmentado, com pequenos e domésticos atores ocupando a maior parte do mercado global”, informa o relatório.

A pesquisa também destaca esses ácidos graxos “essenciais” obtidos a partir de algas como benéficos para a saúde cardiovascular, ocular e cerebral, finalidades para as quais têm sido amplamente utilizados em suplementos, alimentos e bebidas.

Outro diferencial apontado é que não apresenta riscos de contaminação por poluentes como os bifenilos policorados, encontrados em diversas espécies de peixes.

“O mercado [de ômega-3 baseado em algas] fornece ainda os tipos de ingredientes com base nos níveis de concentração de baixo, médio e alto e cenário de mercado no nível global”, enfatiza.

Na Índia, as algas já se tornaram a principal fonte de obtenção de ômega-3, e seu uso deve crescer ainda mais.

Preocupações com o bem-estar animal têm impacto de mais de 3 bilhões de dólares na indústria de carne

Foto: Livekindly/Foto

Foto: Livekindly/Foto

Com um ativismo jovem, corajoso, ousado e incansável o movimento em defesa dos direitos animais e o veganismo crescem e se espalham cada vez mais e ao contrário do que a indústria de carne imaginava, não vão desaparecer com o tempo ou se intimidar, na contramão disso, ele cresce cada dia mais e quem se intimida são os criadores e exploradores de animais.

Na outra ponta do debate, Jacqueline Baptista, gerente de envolvimento comunitário na Meat and Livestock Australia (MLA), falou em uma recente reunião da Federação de Fazendeiros de Victoria, em Darnum, Victoria (Austrália), sobre “desafiar o crescente movimento vegano”, informa a ABC. Baptista conversou com mais de 30 produtores de carne, laticínios e ovelhas no encontro.

A agropecuária – atualmente avaliada em 15 bilhões de dólares – deverá sofrer uma perda de 3,8 bilhões até 2030, e 84% dela é resultado do fato dos produtores não se adaptarem às mudanças que tem ocorrido nas atitudes dos consumidores envolvendo o bem-estar animal, disse ela.

“Não podemos mudar o que as pessoas escolhem para comer, se preferem comer legumes, ou vegetais, carne vermelha ou não – essa é a escolha individual de cada um e respeitamos isso”, disse Baptista.

“Na verdade, temos um problema com o comportamento e as campanhas dos ativistas”, disse ela. “Invasões agrícolas são obviamente um problema sério para nós”.

Ativistas realizaram invasões em fazendas e protestos pacíficos em toda a Austrália para conscientizar as pessoas sobre a crueldade envolvida nas indústrias de carne, laticínios e ovos.

Foto: Livekindly/Foto

Foto: Livekindly/Foto

Muitos desses protestos encorajam o público a assistir “Dominion”, um documentário que investiga o “lado negro da criação de animais industrial” através do uso de câmeras escondidas e drones aéreos.

Baptista observou que a MLA, uma autoridade pública que fornece pesquisas para o mercado de carne do país, quer “proteger nossos produtores”.

Ela afirmou que as questões subjacentes aos protestos não desapareceriam. “Passamos décadas pensando que essa ameaça desapareceria, ou mudaria, ou seria apenas uma espécie de grupo ativista de esquerda que sumiria magicamente e lidamos com isso de maneiras diferentes”, disse ela.

“Um deles foi ignorá-los e esperar que eles fossem embora, outra tática foi agressiva ou defensiva – nenhuma dessas atitudes realmente funcionou muito bem para nós como indústria”, disse Baptista.

Ela incentivou a indústria a ser mais transparente sobre suas práticas e encontrar “o método de entrega que as pessoas querem”.

Em um comunicado, a ONG Animal Liberation Victoria, um grupo independente e sem fins lucrativos de direitos animais, disse que “ficaria feliz em ver a indústria se abrir sobre suas práticas”, mas afirmou que “a trajetória do movimento vegano” não está diminuindo.

“O movimento dos direitos animais é jovem e só está ficando cada dia mais forte”, disse ela.

Animal Liberation Victoria acrescentou: “Com a disponibilidade cada vez maior de proteína de carne vegetal, que o próprio MLA reconhece que ‘é cada vez mais semelhante à carne’, na aparência, sabor e até mesmo cheiro” – bem como a crescente consciência de questões éticas na pecuária, e a destruição causada ao nosso meio ambiente, o movimento, sem dúvida, continuará a crescer ”.

Jerome Flynn, de Game of Thrones, conta como abdicou dos alimentos de origem animal

Por David Arioch

Ator abdicou completamente do consumo de alimentos e produtos de origem animal há três anos | Foto: Divulgação

Em entrevista publicada na semana passada pelo jornal britânico Daily Mail, o ator Jerome Flynn, mais conhecido pelo personagem Bronn, da série Game of Thrones, da HBO, disse que, a princípio, decidiu parar de se alimentar de animais porque estava gostando de uma colega vegana na escola de artes dramáticas:

“Ela costumava rosnar para mim se eu me sentasse ao seu lado para comer uma linguiça na hora do almoço. Eu era um pouco ingênuo sobre o processo de produção de carne e ela me trazia folhetos educativos da PETA e Viva!.”

Flynn disse que achou difícil ser vegano à época, principalmente porque ele não sabia como obter proteínas a partir de fontes vegetais.

“Continuei com o queijo de cabra achando que havia menos crueldade envolvida. Mas então minha amiga Juliet Gellatley [fundadora e diretora da organização vegana Viva!] compartilhou informações sobre uma campanha que estava realizando sobre a indústria de caprinos”, lembra.

Foi então que há três anos o ator abdicou completamente do consumo de alimentos e outros produtos de origem animal: “Ficou explícito o tipo de crueldade que está acontecendo [nessa indústria].”

Jerome Flynn enfatizou também que é muito mais fácil ser vegano agora do que há 40 anos quando ele decidiu parar de comer carne.

“Há maravilhosas alternativas para a proteína da carne, como os queijos fermentados de castanha-de-caju que são incríveis. Você pode até obter substitutos de ovos”, citou e acrescentou ainda que parar de se alimentar de animais o ensinou a cuidar mais de si mesmo e a amar cozinhar: “É um presente.”

Segundo o ator, se quisermos evitar mergulhar o planeta em uma profunda catástrofe, teremos que mudar nossos hábitos alimentares e consumir muito mais proteínas à base de vegetais. Do contrário, continuaremos castigando também os animais e os ecossistemas.

Ele revelou também que a abstenção do consumo de alimentos de origem animal começou a ganhar popularidade nos bastidores de Game of Thrones. Quando a filmagem da série começou há 10 anos, os atores tinham de levar o seu próprio leite vegetal para o set de filmagem. Com o tempo, passaram a ter três opções oferecidas pela produção.

A principal dica de Jerome Flynn para quem pensa em abdicar completamente dos produtos de origem animal é se educar sobre o assunto. “Para que você tenha energia, paixão e estímulo.”

Estudante de química da UFMT desenvolve maquiagem vegana com ingredientes naturais

Por David Arioch

Sandynara (de jaleco) desenvolveu 15 produtos veganos para maquiagem (Fotos/Acervo: Sandynara Aguiar Gama/Divulgação)

Estudante do curso de química da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Sandynara Aguiar Gama, de 19 anos, desenvolveu recentemente 15 produtos veganos para maquiagem e os apresentou no mês passado na Feira Nacional do Empreendedorismo (FNE), do Centro de Cursos Brasileiros (Cebrac), que teve como tema a sustentabilidade.

Moradora de Várzea Grande, na Região Metropolitana de Cuiabá (MT), Sandynara conta que sua intenção desde o princípio era desenvolver uma linha de maquiagem natural, que não fosse prejudicial à pele e que não contasse com ingredientes de origem animal nem testados em animais.

Com esse objetivo em mente, a estudante de química produziu delineador em creme, batom, batom líquido, protetor labial, base, pó, sombra em pó, sombra em base, blush, esfoliante de café, máscara de aveia, iluminador líquido, gloss, demaquilante bifásico e tônico facial.

Para o desenvolvimento dos produtos que possuem laudos técnicos comprovando que são naturais, Sandynara utilizou ingredientes como argila branca, azeite, beterraba, cacau em pó, farinha de amora, flor de alecrim, óleo de manga e óleo de pequi e óleo de rícino.

Para evitar a oxidação e contaminação, ela também recorreu à vitamina E. A estudante, que investiu cerca de dois mil reais no projeto, agora pensa em transformá-lo em um negócio.

Saiba Mais

O desenvolvimento das maquiagens foi supervisionado pela professora e orientadora Kenya Rafaela e os laudos foram assinados pela química Fábia Elaine Ferreira.

Bezerro é poupado do matadouro e recebe o nome de Oreo

Por David Arioch

Ele é apenas um cara de seis meses, realmente um bebê”, enfatizou a direção do santuário (Foto: Unity Farm Sanctuary/ivulgação)

Na semana passada, um bezerro foi poupado do matadouro depois de pular de um reboque em movimento em Hopkinton, uma cidade de pouco menos de 15 mil habitantes em Massachusetts, nos Estados Unidos.

O animal da raça escocesa Belted Galloway, criado como “gado de corte”, estava correndo pelo arborizado subúrbio da cidade quando alguém achou que seria uma boa ideia ligar para Tyla Doolin, do santuário de animais Unity Farm, de Sherborn, a cerca de 16 quilômetros de Hopkinton.

Tyla conseguiu encontrar o bezerro, que logo recebeu dos moradores da cidade o nome de Oreo, em referência às suas cores que lembram o biscoito recheado.

Encaminhado para o santuário, o animal já está se familiarizando com os outros moradores. “Ele está morando com uma alpaca no momento (e os dois parecem confusos sobre isso)”, informou a Unity Farm em tom bem-humorado em sua página.

“Nosso veterinário o avaliou e ele parece saudável, e está se recuperando do estresse. Ele é apenas um cara de seis meses, realmente um bebê”, enfatizou a direção do santuário.

Vans lança coleção voltada à conscientização sobre animais em extinção

Por David Arioch

Sem matéria-prima de origem animal, os calçados que compõem a coleção são baseados em algodão orgânico e materiais recicláveis (Fotos: Vans)

A Vans lançou recentemente, em parceria com a organização de defesa da vida selvagem WildAid, uma coleção voltada à conscientização sobre animais em extinção.

Sem matéria-prima de origem animal, os calçados que compõem a coleção são baseados em algodão orgânico e materiais recicláveis.

O design de cada tênis foi desenvolvido pelo artista Ralph Steadman, que encontrou uma form engenhosa de gerar conscientização sobre espécies ameaçadas.

Além de abrir um espaço para arrecadação de recursos para a WildAid, a Vans doou 10 mil dólares à organização para ajudar no trabalho de combate ao tráfico de animais.

“Esperamos que essas representações vívidas das espécies mais ameaçadas do mundo possam ajudar a inspirar a mudança que precisamos para salvá-las”, disse o diretor executivo da WildAid, Peter Knights.

Para conhecer a coleção, clique aqui.

Futuro Burger, que imita carne, chega aos supermercados

Por David Arioch

O objetivo com o lançamento é conquistar principalmente o paladar dos consumidores de carne (Foto: Divulgação)

A partir desta semana, o Futuro Burger, hambúrguer vegetal da Fazenda Futuro que imita carne, chega aos supermercados. O produto pode ser adquirido nas lojas do Carrefour, Pão de Açúcar, St. Marche, La Fruteria, Zona Sul e Verdemar. A bandeja com duas unidades será vendida por 16,99 reais.

“Quem quiser também pode experimentar as receitas especiais nos cardápios do T.T. Burger, do premiado chef Thomas Troisgros, no Rio de Janeiro, e da Lanchonete da Cidade, em São Paulo”, informa a Fazenda Futuro.

Segundo o CEO Marcos Leta, ver o Futuro Burger ao lado de produtos de origem animal sempre foi um dos objetivos da empresa.

“Tivemos uma excelente recepção com a chegada nas hamburguerias e agora estamos confiantes com a venda nos supermercados. A carne vegetal deixou de ser só uma tendência e passou a ser uma realidade positivamente sem volta”, avalia.

E Acrescenta: “Cada vez mais as pessoas estão em busca de alternativas alimentares mais saudáveis e sustentáveis”. Sem glúten e transgênicos, o Futuro Burger é baseado em proteína de ervilha, proteína isolada de soja e de grão-de-bico, além de beterraba que ajuda a imitar o aspecto da carne.

O objetivo com o lançamento é conquistar principalmente o paladar dos consumidores de carne.

‘As pessoas não pensam que animais de fazenda têm sentimentos’, diz fundadora de santuário

Animais que vivem em fazendas, como bois, cabras, porcos e galinhas, são seres sencientes. Isso é, têm emoções e sentimentos. O que eles sentem vai além da dor física. São capazes, também, de sentir amor, afeto, medo, tristeza, de sofrer e de amar. E para protegê-los e conscientizar a sociedade sobre a senciência deles, Patrícia Fittipaldi fundou, há 11 anos, o Santuário das Fadas. Em entrevista exclusiva à ANDA, ela falou sobre os desafios para manter o local, que precisa de doações constantes, e revelou a bela missão que exerce diariamente cuidando de seres negligenciados e maltratados pela sociedade.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: O santuário foi fundado quando e quantos animais atualmente vivem nele?

Patricia Fittipaldi: Foi fundado em 2008, temos aproximadamente 200 animais.

ANDA: Animais de que espécies vivem no santuário?

Patricia Fittipaldi: cães, gatos, aves, equinos, caprinos, suínos, bovinos, roedores e jabutis.

ANDA: O que te motivou a criar o santuário?

Patricia Fittipaldi: Desde criança sempre fui protetora de animais. Enquanto morava na cidade do Rio de Janeiro, eu resgatava muitos cães e gatos, mas com o tempo fui resgatando também animais como bodes e galinhas, e com isso foi ficando bem complicado morar na cidade e continuar resgatando esse tipo de animal. Então, me mudei para a Região Serrana, inicialmente fui para Itaipava. E eu quis montar um santuário principalmente de animais de fazenda porque são animais que não têm muitos abrigos e nem santuários para eles. O que têm mais são abrigos de cães e gatos. São poucas pessoas que fazem esse trabalho aqui no Rio de Janeiro, a gente praticamente faz um trabalho pioneiro.

E foi o amor a todas as espécies que me motivou. E com essa demanda de animais precisando de ajuda, principalmente animais de fazenda, que são animais que não costumam ser vistos com bons olhos, porque as pessoas gostam muito de cão e gato, não pensam que animais de fazenda sofrem, têm sentimentos, então foi isso que me motivou. Aí mudei para a Região Serrana, fiquei 10 anos em Itaipava e há quase dois anos a gente se mudou para Teresópolis, que é interior do Rio de Janeiro também.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: Você diz que as pessoas não pensam que os animais de fazenda sofrem e têm sentimentos. Você poderia contar uma história ou momento presenciado por você que demonstre o sofrimento e/ou o amor e a gratidão que estes animais sentem?

Patricia Fittipaldi: A maioria dos animais chegam aqui com desconfiança do ser humano, porque viveu muitas situações de maus-tratos. Os nossos equinos foram todos retirados de carroceiros, apanhavam muito, viviam trabalhando até a exaustão. Então, é muito legal observar a mudança deles e nem demora tanto, uma ou duas semanas aqui já no santuário, pela energia, pelo cuidado e pelo amor que a gente tem com esses animais, eles já demonstram muita gratidão.

Têm animais que chegam aqui muito agressivos, algumas vacas, alguns bois que participaram até de vaquejada, e com uma, duas semanas, nos casos mais graves um mês, esses animais mudam o comportamento completamente. Eles sentem, não só pela energia da gente com eles, mas também pelo cuidado e pelo amor que a gente passa para eles. Então, todos os animais que chegaram aqui chegaram dessa forma. Suínos que iriam ser mortos, eram criados em lugares imundos, em situação precária, não recebiam carinho. A gente não podia chegar perto deles que eles já gritavam com medo de apanhar. E com uma semana você percebe que eles já chegam perto da gente para pedir carinho, vão se aproximando devagarinho, até acontecer aquela entrega total de confiança.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: O que você acredita que falta para que as pessoas percebam, que no que se refere a sentimentos, medo, dor, sofrimento, que os animais de fazenda são iguais aos cães e gatos?

Patricia Fittipaldi: Eu acredito que para as pessoas, principalmente para as que vivem na cidade, como não têm contato com esses animais e os enxergam como alimento, falta conviver com esses seres. Por isso em breve a gente quer fazer um programa de visitação monitorada no santuário, que dá a oportunidade das pessoas conhecerem e terem um momento de perto com esses animais. A gente em breve vai realizar isso para que as pessoas possam, cada vez mais, ter mais consciência sobre o fato de que esses animais também sentem, têm sentimentos, ficam felizes e tristes. Então, para mim, o que falta mesmo para as pessoas perceberem, no que se refere a sentimento, medo, dor sofrimento, é a vivencia com esses animais. Para as pessoas da cidade é muito difícil.

Nós que temos santuários, acho importante fazermos esse planejamento das visitações monitoradas, que não podem também ser diárias ou com muita frequência para não estressar os animais. Porque eles têm contato com a gente que está na lida com eles todo dia, mas muitos deles ainda têm receio quando se deparam com seres humanos diferentes, outros até gostam, então é uma coisa que a gente vai em breve fazer, mas também para não estressar os animais vai ser um projeto quinzenal ou mensal. Mas quando as pessoas têm contato com esses animais, elas começam a perceber que eles pedem carinho, que eles têm emoções.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: Você disse que fundou o santuário em 2008. De lá pra cá, nestes onze anos com o santuário, e também considerando o período no qual você já estava envolvida na causa animal, mesmo antes da criação do santuário, você notou alguma evolução na sociedade em relação aos animais? Os cães e gatos e, principalmente, os animais de fazenda, têm sido vistos de melhor forma pelos humanos, embora grande parte da população ainda seja omissa e até cruel com eles?

Patricia Fittipaldi: Eu notei muita mudança. Porque mesmo na época que eu não tinha o santuário, que eu só era envolvida com ativismo, era uma coisa muito difícil as pessoas se comoverem com animais de grande porte, animais de fazenda. E hoje em dia, mesmo as pessoas que se alimentam de carne têm aquela hipocrisia, comem a carne mas ficam com pena de ver as situações, e isso já é um despertar. E muitas delas, até por causa desse despertar, viram vegetarianas e veganas.

E entre os animais de fazenda, acho que as pessoas se sensibilizam mais com os equinos. Porque elas encontram muitos equinos na própria cidade, puxando carroça, animais desmaiando de cansaço, então são animais de fazenda, mas que também são encontrados na cidade. Portanto, eu vejo uma grande evolução em relação ao despertar das pessoas com os animais de fazenda, mas ainda tem muita coisa para evoluir.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: E como você faz para sustentar todos estes animais do santuário? 

Patricia Fittipaldi: Infelizmente, a gente vive literalmente de doação e são doações eventuais, o que é uma coisa incerta. Todo mês é uma loucura, a gente implorando ajuda na internet, nas mídias sociais. Não temos patrocínio fixo de empresa ou pessoa e o gasto é altíssimo, com ração, medicamentos, funcionários, com os recintos, que têm que ampliar, modificar, melhorar, criar mais recintos. É muito difícil. A gente gostaria muito de ter um patrocínio pelo menos para rações, um patrocínio mensal. Mas, infelizmente, a gente até hoje não conseguiu, então vivemos literalmente de doação.

* Por Mariana Dandara


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Artista constrói memorial em homenagem aos animais mortos para consumo

Por David Arioch

“É tanto um memorial quanto uma declaração da necessidade de maior atenção ao tratamento que dispensamos a esses indivíduos” (Fotos: Divulgação/Linda Brant)

Quem for ao Cemitério de Animais de Hartsdale, em Hartsdale, Nova York, pode visitar um memorial dedicado a animais criados e mortos para consumo – como bovinos, suínos, galináceos, etc. Ou seja, animais que não são sepultados nem lembrados.

O “Monumento aos Animais que Não Lamentamos” foi inaugurado em março, e é uma forma de chamar a atenção para a nossa relação com espécies animais classificadas como produtos e objetos.

“É tanto um memorial quanto uma declaração da necessidade de maior atenção ao tratamento que dispensamos a esses indivíduos”, informa a artista Linda Brant, que quis criar uma obra simples, mas ao mesmo tempo desafiadora.

O monumento, que assume a forma de uma lápide gigante, tem cerca de 1,40m de altura, praticamente a mesma altura de um novilho no momento do abate.

Toda semana, visitantes deixam uma pequena pedra ou cristal perto da base do monumento em apoio à mensagem de que “vidas não são descartáveis”, ainda que sejam de animais vistos pela sociedade como produtos e meios para um fim.

Linda pretende utilizar as pedras deixadas no local para criar outro monumento para animais que têm o valor de suas vidas ignorado pela sociedade.

Governo cria programa para oferecer refeições veganas a estudantes na Irlanda

Por David Arioch

“A oferta de refeições adequadas e nutritivas para a saúde, aprendizado, atenção e realização educacional de uma criança é inestimável” (Foto: Kristin Lojeunesse/VT)

A partir de setembro, 7,2 mil estudantes do ensino fundamental serão beneficiados por um programa governamental que oferece opções de refeições veganas na Irlanda. A princípio, o projeto Hot School Meals Scheme vai financiar opções alimentares sem ingredientes de origem animal para alunos de 36 escolas.

Com investimento de um milhão de euros este ano e 2,5 milhões em 2020, a intenção é permitir que as escolhas possam oferecer pelo menos uma opção vegana e uma vegetariana aos estudantes – respeitando suas crenças e filosofias de vida.

“A oferta de refeições adequadas e nutritivas para a saúde, aprendizado, atenção e realização educacional de uma criança é inestimável”, disse a Ministra da Proteção Social, Regina Doherty.