
Foto: Instagram Sgaia
A história de Brian Kavanagh mostra como a compaixão pelos animais é uma característica inerente do ser humano. Basta abrir os olhos e entender que toda a vida é sagrada.
Sua esposa mostrou-lhe o filme Earthlings, um documentário de 2005 narrado por Joaquin Phoenix sobre o sofrimento dos animais em fazendas industriais e laboratórios de pesquisa.
“Na manhã seguinte, entrei no trabalho e nada parecia certo”, diz Kavanagh.
“De repente, a ideia de colocar algo morto dentro do meu corpo não parecia certa”.
Entrar em seu trabalho havia se tornado uma tarefa difícil demais e Kavanagh precisava encontrar outro emprego. Uma pequena rede de pizzarias o contratou, mas depois de algum tempo a empresa fechou suas portas. Nesta mesma época, Rian foi apresentado a Hilary Masin e Alberto Casotto, fundadores de uma empresa de carne vegana chamada ‘Vegan Meats’, da Sgaia.
Desde 2017, Kavanagh trabalha na empresa como responsável por administrar a cozinha, acompanhar as encomendas e experimentar novas receitas. Ele acabou de desenvolver uma receita de salsicha usando temperos similares que costumava usar em salsichas de carne, mas trocando a proteína animal por glúten e soja. As informações são do Independent.
“Estou muito mais feliz – é como noite e dia”, diz Kavanagh.

Foto: Sgaia Vegan Meats
O mercado vegano
A Sgaia’s é mais uma empresa que investe na produção de alternativas veganas para um número cada vez maior de consumidores que buscam alimentos sem origem animal, assim como a Beyond Meat, JUST, Memphis Meats e diversas outras.
Essa evidente demanda incomoda e atinge produtores de carne animal e laticínios, que veem seus lucros despencarem.
Nos EUA, a indústria de carne bovina entrou com uma petição para excluir os produtos não animais da definição de carne, enquanto os franceses aprovaram uma lei que proíbe que as empresas vegetarianas chamem seus produtos de linguiça, picadinho ou bacon.
Já no Canadá, um produtor de alimentos veganos foi proibido de usar palavra ‘queijo’ em mercadorias. Agricultores afirmam que os consumidores são enganados quando leem ‘queijo’ em produtos feitos à base de plantas.
De acordo com a pesquisa do Conselho Internacional de Informações sobre Alimentos (IFFC), menos de 10% dos consumidores americanos acreditam que os leites vegetais contêm qualquer produto lácteo. O Conselho Internacional de Informações sobre Alimentos (IFFC) diz que estes resultados mostram “um baixo nível de confusão do consumidor em relação à nomenclatura e diferenças básicas entre os dois”.
Os fundadores Masin e Casotto, ambos com tradição italiana, começaram a fabricar carne vegana em sua cozinha de casa no País de Gales em 2013.

Foto: Instagram Sgaia
“Realmente gostamos de fazer comida”, diz Masin.
“Depois que nos tornamos veganos, tentamos fazer salamino para nossa pizza, que é uma espécie de presunto, e então se tornou cada vez mais um desafio investigar como essas carnes são curadas e armazenadas”.
Os parceiros comerciais começaram a vender seus produtos em festivais e mercados, o que levou a consultas de lojas e cafés. Masin ainda se lembra do pânico quando recebeu os primeiros 14 pedidos através de seu site, antes de saber como embalar os produtos e enviá-los.
“Eu estava estudando na universidade na época e o Aberto me ligou e disse: ‘Não podemos fazer isso, é demais'”.
Depois das aparições esgotadas nos festivais veganos, a Sgaia se mudou para Glasgow, onde recebeu apoio de uma pequena concessão de crescimento empresarial do Paisley Council para assumir uma cozinha e um espaço para escritórios. Em janeiro, a empresa vendeu cinco mil unidades e 500 quilos de produtos feitos com carne vegana por meio de fornecedores éticos, incluindo Suma, Marigold Health Foods e Greencity Wholefoods, e o site da empresa, que diz:
“Não fazemos carnes falsas: elas são reais, apenas veganas”.
História parecida
Assim como Brian Kavanagh, Fraser Bayley era um jovem açougueiro em busca de uma carreira profissional, mas após dois anos envolvido em uma indústria que explora e assassina animais, ele tomou uma decisão surpreendente: adotou o veganismo, se tornou atleta e personal trainer e hoje inspira outras pessoas a adotarem um estilo de vida mais compassivo e saudável.
Bayley passou por um aprendizado de açougueiro de dois anos, visitando matadouros e fazendo cursos universitários.
“Você acaba se envolvendo quando você vê animais sendo assassinados”, disse ele.
Ainda, ele afirma que a profissão era por vezes um ambiente que chegava a ser tóxico: “O que eu encontrei é que eu sempre me perguntava se minha saúde mental estava fora de controle porque eu estava em um açougue ou se era o contrário”, ele confessa.
“As pessoas que trabalham nesse ramo parecem ter problemas semelhantes, e não era só dentro daquela carnificina. Eu via muito alcoolismo, abuso de drogas e hiper masculinidade… Foi uma experiência muito pesada e tóxica”.
O caminho perseguido após a decisão são distintos mas ambos representam a conscientização sobre a dor, o sofrimento e o abuso animal nas indústrias de carnes e laticínios.