Segundo pesquisa, 70% dos britânicos de 8 a 16 anos querem mais opções veganas e vegetarianas nas escolas

Por David Arioch

A conclusão é baseada em um questionário respondido por mil jovens (Foto: Getty)

Uma pesquisa conduzida pela empresa de produtos vegetarianos Linda McCartney Foods revelou que 70% dos britânicos na faixa etária de 8 a 16 anos querem mais opções veganas e vegetarianas nas escolas. A conclusão é baseada em um questionário respondido por mil jovens.

Entre os jovens que não consomem carne, 44% afirmaram que a principal motivação é ser “mais gentil com os animais”. Já 31% apontaram em primeiro lugar a preocupação com o meio ambiente, seguido por 19% que justificaram a abstenção como sendo uma questão de saúde.

A pesquisa também foi realizada com pais de alunos – 81% alegaram que não há opções vegetarianas saudáveis e saborosas o suficiente nas escolas. Além disso, 45% dos pais disseram não ver problema caso o filho queira se tornar vegetariano, desde que leve uma vida saudável.

Linda McCartney lança versão vegetariana da linguiça lincolnshire

A Linda McCartney Foods lançou no mês passado uma versão vegetariana da linguiça inglesa do tipo lincolnshire. A principal diferença é que o alimento é baseado em proteína de ervilha.

Com aroma de cebola e sálvia, o produto começou a ser comercializado hoje em embalagens com seis unidades nas lojas da Tesco no Reino Unido.

Na divulgação do lançamento do produto, a marca lembrou que a empreendedora, ativista e fotógrafa Linda McCartney fundou a empresa em 1991, com o intuito de estimular as pessoas a buscarem mais alternativas vegetais.

Deputado Nelson Barbudo (PSL) quer proibir uso da palavra carne em referência a alimentos de origem vegetal

Por David Arioch

Segundo Barbudo, a palavra “carne” deve ser exclusivamente reservada a todos os tecidos comestíveis “de espécies de açougue” (Foto: Agência Câmara)

Na última terça-feira, o deputado Nelson Barbudo (PSL-MT) apresentou o projeto de lei 2876/2019, que prevê a proibição do uso da palavra carne em referência a alimentos de origem vegetal.

Segundo Barbudo, a palavra “carne” deve ser exclusivamente reservada a todos os tecidos comestíveis “de espécies de açougue, englobando as massas musculares, com ou sem base óssea, gorduras, miúdos, sangue e vísceras, podendo ser in natura ou processados”.

Por isso o deputado quer proibir o uso da palavra carne em embalagens, rótulos e publicidade de alimentos de origem não animal.

“A terminologia “carne” vem sendo utilizada de maneira equivocada pela grande mídia e pela população, de forma geral, em produtos como ‘carne de laboratório’, feita através de células-tronco de músculos de bovinos, ‘carne’, ‘picadinho’ e ‘filé’ de soja, originalmente a proteína texturizada do grão, ‘carne de jaca’, feita com a própria polpa da fruta (Artocarpus heterophyllus), entre diversos outros exemplos”, reclama Nelson Barbudo.

E acrescenta: “Além de criar uma concorrência dos produtos de origem vegetal com os de origem animal, o consumidor é induzido a crer que, ao adquirir um produto de origem vegetal, está ingerindo alimento similar à carne quando, na verdade, está ingerindo extratos, polpas de frutas e etc., que não possuem o mesmo caráter nutricional.”

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Empresas de alimentos à base de vegetais tiveram ganhos recordes de US$ 13 bi em 2017 e 2018

Por David Arioch

“Investidores e empreendedores reconhecem a vasta oportunidade de mercado enquanto essas indústrias tomam forma”, acrescenta Barbera (Fotos: Divulgação)

De acordo com um relatório divulgado ontem pelo Good Food Institute (GFI), empresas de alimentos à base de vegetais tiveram ganhos recordes de 13 bilhões de dólares em 2017 e 2018. Além disso, conseguiram levantar 16 bilhões em investimentos na última década.

“Investidores e empresários estão capitalizando uma mudança global na forma como a carne é produzida. A oportunidade de mercado é enorme. A mudança de valores do consumidor criou um mercado favorável às alternativas aos alimentos de origem animal, e já vimos um crescimento acelerado nesse espaço nos mercados de varejo e foodservice”, avalia o diretor-executivo da GFI, Bruce Friedrich.

O GFI aponta que a maior rodada de investimentos foi conquistada no ano passado nos Estados Unidos pela Impossible Foods ao levantar 189 milhões de dólares, seguida por 65 milhões da Ripple Foods, 50 milhões da Beyond Meat e 50 milhões da Califia Farms (que produz alternativas aos laticínios).

Segundo o diretor de inovação da GFI, Brad Barbera, as empresas do ramo estão crescendo rapidamente em consequência da inovação em produtos, maior ênfase em qualidade, mais investimentos e uma mudança nos valores de consumo.

“Investidores e empreendedores reconhecem a vasta oportunidade de mercado enquanto essas indústrias tomam forma”, acrescenta Barbera.

Estudos revelam que a ingestão de frango frito está ligada à morte prematura

Foto: eatplant-based.com

Foto: eatplant-based.com

O estudo, publicado no BMJ (British Medical Journal) no início deste ano, avaliou as dietas de 106.966 mulheres na pós-menopausa com idades de 50 a 79 anos que se inscreveram na Women’s Health Initiative (Iniciativa pela Saúde das Mulheres) nos anos 90. De acordo com os dados, 31.588 mortes ocorreram entre o início do estudo e o acompanhamento até janeiro de 2017: Sendo que 9.320 delas relacionadas ao coração, 8.358 relacionadas ao câncer e 13.880 de outras causas.

Os pesquisadores analisaram fatores como estilo de vida, nível de escolaridade, renda e a frequência com que os participantes ingeriam alimentos fritos como frango, marisco, batatas fritas e salgadinhos. Alimentos fritos tendem a ser mais ricos em gordura saturada, que diversos estudos ligam a vários problemas de saúde relacionados ao coração.

Aqueles que comeiam uma ou mais porções de frituras por dia descobriu-se que tinham um risco 8% maior de ter uma morte prematura.

Como as frituras afetam a saúde?

O fator de risco para quem come frango frito diariamente foi ainda maior em comparação com a média. Uma ou mais porções diárias estavam associada a um risco 12% maior de morte relacionada ao coração, mas nenhum alimento frito estava ligado a um risco maior de morte por câncer.

“Nós identificamos um fator de risco para mortalidade por problemas cardiovasculares que é facilmente modificável pelo estilo de vida”, escreveram os autores do estudo.

Foto: JENNIFER EN e KAREN MINER

Foto: JENNIFER EN e KAREN MINER

Os dados mostram que as mulheres que freqüentemente comiam frituras eram tipicamente mais jovens e não brancas, com menos escolaridade e menor renda.

“Reduzir o consumo de alimentos fritos, especialmente frango frito e peixe frito ou marisco, pode ter impacto clinicamente significativo em todo o espectro da saúde pública”, conclui o estudo.

A pesquisa mostrou que uma alimentação baseada em vegetais e alimentos integrais é uma das maneiras mais eficazes para prevenir problemas crônicos de saúde, como doenças cardíacas, pressão alta, diabetes tipo 2 e certas formas de câncer.

Para alguns, adotar uma estilo de vida e uma alimentação mais saudável e baseada em vegetais pode não ser tão simples. O acesso à saúde é um problema em muitos países, incluindo os Estados Unidos, onde 2,3 milhões vivem em desertos alimentares (uma área urbana em que é difícil comprar alimentos frescos a preços acessíveis ou de boa qualidade), muitos dos quais vivem abaixo da linha de pobreza definida pelo governo.

Isso tem um efeito negativo na saúde individual: aqueles que vivem em desertos alimentares têm 55% mais chances de ter uma dieta de boa qualidade.

Francesca Chaney, fundadora do restaurante Sol Sips, no Brooklyn (EUA), assumiu a missão de fornecer à sua comunidade comida vegetariana saudável e acessível.

“A comunidade do bem-estar alimentar pode ser realmente classista”, disse ela à Essence em fevereiro de 2018, acrescentando que muitos podem querer comer de forma saudável, mas só têm acesso a fast food frito.

Faculdade realiza a primeira cerimônia de formatura 100% vegana

À medida que mais jovens das novas gerações adotam o veganismo como filosofia de vida e forma de alimentação, o Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, em Monterey na Califórnia (EUA), está se preparando para sediar a primeira cerimônia de formatura totalmente vegana para mais de 250 estudantes.

Para comemorar a formatura de 266 alunos, em maio deste ano, o instituto atenderá a mais de 1.500 convidados, servindo uma seleção de pratos à base de vegetais, incluindo carnes veganas, queijos e pratos mediterrâneos.

O bufê 100% à base de vegetais foi influenciado pelo professor Jason Scorse, presidente do programa de Política Ambiental Internacional e diretor do Centro para a Economia Azul.

De acordo com um comunicado à imprensa, o Scorse é a razão pela qual toda a pós-graduação mudou para um estilo de vida mais voltado para vegetais, com mais opções veganas servidas em todo o campus. Ele também ajudou a introduzir uma política segundo a qual todos os eventos do campus devem oferecer pelo menos 50% de opções baseadas em vegetais no cardápio.

“Estou muito orgulhoso de que nossa instituição tenha assumido o compromisso de promover alimentos à base de vegetais em todas as atividades do campus”, disse Scorse em um comunicado.

Jeff Dayton-Johnson, vice-presidente de Assuntos Acadêmicos e reitor do Instituto Middlebury, acrescentou que a escola “tem um longo histórico de promoção de práticas sustentáveis” e está se esforçando para tornar seu campus totalmente neutro em carbono.

*Escolas californianas adotam comida vegana

Escolas públicas na Califórnia em breve podem vir a adotar também alimentos à base de vegetais. Um novo projeto de lei apresentado este ano garantiria que as refeições veganas estejam disponíveis para mais de seis milhões de estudantes.

A Lei AB-479 – conhecida como a Lei do Almoço Escolar Saudável e Amigável para o Clima – ofereceria, caso aprovada, financiamento estatal para leite e refeições à base de vegetais a serem servidos em escolas públicas de ensino fundamental e médio em todo o estado.

Adrin Nazarian, o membro da assembléia que inicialmente apresentou o projeto, disse: “O AB-479 aumentará o acesso a opções de alimentos saudáveis para comunidades de baixa renda e reduzirá nossa pegada de carbono ao mesmo tempo”.

“Nosso estado é um microcosmo global com muitas necessidades culturais diferentes”, continuou ele. “A política de refeições escolares da Califórnia não deve apenas refletir essa diversidade, mas também incorporar a extensa pesquisa sobre os benefícios para a saúde da nutrição baseada em vegetais”.

Na cidade de Nova York, as escolas públicas também estão adotando a comida vegana. As segundas-feiras sem carne serão introduzidas na área no ano letivo de 2019 a 2020 para melhorar a saúde geral do aluno e contribuir com o meio ambiente. O prefeito da cidade, Bill de Blasio, disse que “estamos expandindo as segundas-feiras sem carne para todas as escolas públicas para manter nosso almoço, e também o planeta, verde para as próximas gerações”.

Reino Unido ganha distrito industrial dedicado a produtos à base de vegetais

O espaço que vai abrigar o Plant-Based Valley, como já foi batizado, fica em Seaton Delaval, em Northumberland, na Inglaterra (Foto: VBites/Divulgação)

O Reino Unido está ganhando um distrito industrial dedicado à fabricação de produtos à base de vegetais. A iniciativa é liderada pela empreendedora britânica Heather Mills, proprietária da VBites.

A área que vai abrigar o Plant-Based Valley, como já foi batizada, fica em Seaton Delaval, em Northumberland, na Inglaterra. Para transformar esse projeto em realidade, Heather já comprou um complexo industrial que funcionava como uma antiga fábrica da Procter & Gamble.

Segundo a empreendedora, a instalação vai ser utilizada para a fabricação de produtos veganos, o que inclui alimentos e cosméticos. Também será usada para abrigar startups que investem em produtos veganos, como a LoveSeitan e One Planet Pizza, além de outras. A previsão é de que o Plant-Based Valley já comece gerando centenas de empregos assim que for inaugurado.

“Esta é agora a minha terceira compra no Nordeste [da Inglaterra] para ajudar a gerar mais empregos e a expandir a indústria de alternativas aos laticínios, peixes e produtos alergênicos, assim como microalgas e maquiagem vegana”, declarou Heather Mills em comunicado à imprensa, acrescentando que o imóvel da Procter & Gamble ficou abandonado por dois anos.

Recentemente a VBites anunciou também que vai abrir mais uma fábrica de “carne vegana” na Inglaterra. O empreendimento deve gerar pelo menos 300 empregos. A iniciativa faz parte de um projeto de expansão da marca de produtos veganos fundada por Heather Mills em 1993 e que já exporta alimentos para 18 países.

Segundo a VBites, seus mais de 100 produtos são baseados em ingredientes naturais, sem corantes artificiais, transgênicos, gorduras hidrogenadas e colesterol. A empresa já foi apontada como uma das fornecedoras de alimentos mais éticas do Reino Unido.

Cineasta Kevin Smith conta que se reconciliou com sua infância ao se tornar vegano

Foto: Mercy for Animals/Reprodução

Foto: Mercy for Animals/Reprodução

O cineasta Kevin Smith conta em detalhes sua jornada vegana em um novo e sensível vídeo em parceria com sua filha Harley Quinn Smith de 20 anos. No filme, produzido pela organização que atua em defesa dos direitos animais Mercy For Animals, Smith elogiou sua filha contando que ela foi sua inspiração para se tornar vegano. O cineasta admitiu que estava impressionado com a tenacidade demonstrada por Harley em viver sua própria verdade.

“É uma maneira incrível de viver a vida, sabendo que você não está prejudicando outros seres vivos”, disse Harley Quinn sobre suas razões para se tornar vegana.

“Nós só queremos que todos sejam compassivos, felizes e livres para viver suas vidas sem nenhum sofrimento ou dor”, esclareceu ela.

Harley, que é atriz, conta que resolveu se tornar vegana após adotar uma coelhinha resgatada chama de Cinammon bun. O animal teria chegado até ela em condições péssima, e tremia toda vez que ela tocado.

“Lembro que cheguei apensar na hora que se eu não a adotasse, ninguém adotaria dado o estado do desespero do animal”, conta a filha do cineasta.

Após meses dedicando amor e carinho ao animal assustado, Harley conta que pode testemunhar o efeito que a compaixão tem sobre uma vida e que se após isso ela não se tornasse vegana “ estaria negando a verdade cruel que estava diante de meus olhos”.

Kevin Smith conta que experimentou pela primeira vez uma alimentação com base em vegetais, como um experimento por seis meses, depois de sobreviver a um ataque cardíaco quase fatal ano passado.

Enquanto Smith admite que primeiro mudou sua alimentação por razões de saúde “egoístas”, ele agora está escolhendo de forma consciente abraçar o lado ético do veganismo, contando como está satisfeito em ter se tornado uma pessoa compassiva. “Quando eu era criança sempre fui um garotinho que amava loucamente os animais”, disse Kevin Smith.

“E para ser um homem de 48 anos que cumpriu sua promessa àquele garotinho, foi preciso mudar”. Smith conta como costumava ficar confuso quando era mais jovem, se perguntando e aos seus familiares: “Se nós amamos animais. Então por que estamos comendo cordeiro?”

Harley confessa que jamais acreditou que seu pai se tornaria vegano. “Dizer que ele faz parte da comunidade vegana”, ela disse, “ainda me surpreendo todas as vezes que penso nisso”.

Mercado de suplementos proteicos à base de vegetais terá alto crescimento até 2025

Divulgação

Uma pesquisa global da Persistence Market Research revelou que o mercado de suplementos proteicos deve experimentar um crescimento sem precedentes nos próximos anos, chegando a alcançar US$ 16,3 bilhões em faturamento até 2025.

O estudo é baseado em uma análise de mercado realizada na América do Norte, América Latina, Europa, África, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O crescimento diz respeito à oferta e demanda de suplementos proteicos concentrados e isolados comercializados em pó, em bebidas, snacks, barras, alternativas não lácteas e também como ingrediente em substitutos de carne.

O relatório informa também que isso é uma consequência da demanda por alimentos à base de vegetais, e que hoje os suplementos sem ingredientes de origem animal são considerados mais saudáveis em comparação com as fontes lácteas, inclusive por quem não é vegano ou vegetariano.

“Tendências como o aumenta da demanda por alimentos orgânicos, mais saudáveis e premium influenciam indiretamente o crescimento do mercado global de forma positiva”, acrescenta.

O mercado de proteínas de soja deve continuar liderando o mercado global, segundo a Persistence Market Research, mas alternativas como proteínas de trigo, ervilha, arroz, cânhamo, sementes de girassol e sementes de abóbora devem contribuir substancialmente.

Nove bilhões de animais são mortos por ano pela indústria de carne na União Europeia

Os políticos da União Europeia estão na mira de eleitores, ativistas, ambientalistas e da população em geral, para que ajudem os fazendeiros que vivem da criação de animais em larga escala (agropecuária industrial) a fazer a transição para a agricultura de cultivo de legumes, verduras, e frutas a fim de impulsionar a tendência crescente da alimentação baseada em vegetais que vem se consolidando cada vez mais.

Em um evento ocorrido esta semana no parlamento europeu, organizado pela Humane Society International, fazendeiros, ecologistas e acadêmicos concordaram que há uma necessidade urgente da União Europeia apoiar essa transição ajudando os fazendeiros a se adaptarem e aproveitarem a oportunidade econômica que a mudança na alimentação dos consumidores (queda no consumo de carne, laticínios e ovos) vem causando.

Um importante relatório da Fundação Rise advertiu recentemente que a produção de carne e laticínios da Europa deve ser reduzida pela metade até 2050, como exemplo de atitude responsável a ser tomada, dada sua contribuição significativa para a degradação ambiental do planeta, com as emissões de gases de efeito estufa e a perda de biodiversidade.

Atualmente, a UE cria 9 bilhões de animais para alimentação por ano – com mais de 360 milhões desses animais gastando toda ou parte de suas vidas em sistemas intensivos de criação em cativeiros – e, globalmente, estima-se que 82 bilhões de animais sofram por causa da alimentação humana.

Dr. Marco Springmann, da Universidade de Oxford, e Dra. Helen Harwatt, da Universidade de Harvard, participaram do simpósio realizado em Bruxelas, realizado pelo ecologista e especialista em transição, Alan Watson Featherstone, e pelo agricultor sueco Adam Arnesson, que esta fazendo a transição de sua fazenda de criação de porcos para agricultura de cultivo de aveia para uma empresa de leite vegetal.

Os incentivos políticos também foram tratados na primeira exibição pública na Europa do curta-metragem premiado BAFTA 2019, “73 Cows”(73 vacas, na tradução livre), sobre os fazendeiros britânicos Jay e Katja Wilde que mandaram todo o seu rebanho para um santuário e mudaram seu negócio para o cultivo de colheitas de legumes e vegetais.

Foto: 73 Cows/Divulgação

Foto: 73 Cows/Divulgação

“Os consumidores europeus estão mais conscientes do que nunca das questões relacionadas ao bem-estar animal e aos impactos ambientais da produção de carne, laticínios e ovos. O nível atual de produção de carne de origem animal é simplesmente insustentável, e o crescimento contínuo das alternativas à base de vegetais é inevitável”, disse Alexandra Clark, consultora de política alimentar da HSI/Europa, em um comunicado.

“O momento oferece aos fazendeiros de criação europeus uma oportunidade única de atender a essa demanda variável, fazendo a transição da criação animal industrial para a produção de culturas de vegetais e frutas. Com a atual reforma da política agrícola da UE, os deputados têm uma clara oportunidade de ajudar os fazendeiros na direção dessa transição, deslocando os subsídios da produção animal industrial, para apoiar os fazendeiros a mudar para frutas, legumes, cereais e leguminosas que estão crescendo em demanda para um público cada vez mais consciente e compassivo”, disse Clark.

A UE está atualmente reformando sua política agrícola, com uma votação crucial planejada na Comissão de Agricultura para o início de abril. A Dra. Helen Harwatt, da Universidade de Harvard, acredita que esta é uma grande oportunidade para os políticos assumirem a liderança em em relação as mudanças necessárias para migrar da criação animal para o plantio e cultivo vegetal.

A Dra. Harwatt disse: “Reaproveitar porções de terras utilizadas na agropecuária para remover o dióxido de carbono da atmosfera será crucial para limitar o aquecimento a 1,5°C. Por sua vez, a restauração desta terra ao seu habitat natural abrirá as portas para a reintrodução de espécies animais, o que ajudaria a combater a crise da vida selvagem. Mudanças da criação de animais para consumo para cultivo de colheitas são essenciais e os políticos devem garantir que medidas de apoio sejam implementadas para ajudar os fazendeiros a fazerem essa transição inevitável”.

O agricultor sueco Adam Arnesson mudou sua criação de animais pela carne para o cultivo de várias culturas para consumo humano, incluindo aveia para a produção de leite. Ao fazer isso, ele dobrou o número de pessoas que sua produção alimenta anualmente e reduziu pela metade o impacto climático de seu negócio por caloria.

Os fazendeiros Jay e Katja Wilde, que estrelam o curta-metragem “73 cows” de Alex Lockwood, expressam seu desejo de que os deputados europeus compreendam que a pressão e o medo que muitos fazendeiros sentem pelo futuro poderiam ser aliviados se houvesse apoio para que eles pudessem mudar com segurança e pelo bem do planeta.

Ao falar no evento da exibição do curta “73 cows”, no parlamento europeu, Jay Wilde disse: “Estamos entusiasmados com o fato do nosso filme ter chegado ao parlamento europeu, onde esperamos que inspire os políticos a votarem num futuro melhor tanto para os fazendeiros como para os animais. Dando nossas vacas para um santuário para viver em um refúgio seguro foi a melhor decisão de nossas vidas, tornou-se a única decisão certa quando enviá-las para o matadouro não era mais algo que eu poderia fazer e viver com isso. Mas tem sido uma jornada muito assustadora também porque você está entrando em território desconhecido.

“Essa mudança não é apenas uma escolha pessoal, é necessário proteger o meio ambiente, então, se houvesse apoio financeiro e prático para ajudar os fazendeiros como eu a plantar pelo planeta, isso tornaria a vida muito mais fácil”, disse ele.

A eurodeputada finlandesa Sirpa Pietikäinen disse que “se todos mudassem a sua alimentação para uma dieta a base de vegetais, isso seria benéfico para a saúde pública, o bem-estar dos animais, a biodiversidade e o clima”.

Cães e gatos podem ser veganos?

Foto: Getty Images

À medida que as pessoas fazem a transição para uma dieta baseada em vegetais, é comum que queiram o mesmo para seus animais domésticos.

Duvidas e críticas pairam sobre essa decisão. É moral e correto alimentar seu bichinho com uma dieta sem ingredientes de origem animal?

Em uma nova pesquisa da Universidade de Guelph, 35% dos tutores demonstraram interesse em trocar a dieta típica de seus animais por uma baseada em vegetais ou vegana.

O número de canadenses que estão reconsiderando sua própria relação com a carne deu origem ao estudo. Quase 20% da população está minimizando ou eliminando totalmente a carne de suas dietas e, de acordo com uma pesquisa recente, o Canadá é hoje o lar de 1,3 milhão de vegetarianos auto-identificáveis e 466 mil veganos (sem laticínios ou ovos).

“As pessoas que evitam comer animais tendem a dividir suas casas com outros animais, e um dilema moral pode surgir quando eles se deparam com produtos animais para seus cães onívoros e gatos carnívoros”, escreveu Sarah Dodd, veterinária da Universidade de Guelph e seus co-autores na revista PLOS ONE .

Uma opção para aliviar esse ‘conflito moral’, segundo eles, é cortar também a carne da dieta de seus animais domésticos. No entanto, uma vez que nem cães nem gatos são livres para escolher seu estilo de vida, é ético?

Recentemente, tutores britânicos de gatos foram avisados que poderiam ser acusados de infringir leis de bem-estar animal por alimentar seus felinos com uma dieta vegana. Segundo a Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (RSPCA), “os gatos não podem ser vegetarianos!”

Os gatos são carnívoros obrigatórios, o que significa que eles precisam de uma dieta equilibrada e à base de carne para se manterem em forma e saudáveis, diz a RSPCA em seu site.

Wanda McCormick, uma fisiologista animal, diz que cães, teoricamente, podem viver apenas com uma dieta baseada em plantas desde que essas dietas contenham os mesmos nutrientes essenciais que os cães normalmente obteriam da carne.

No entanto, poucos estudos avaliaram a qualidade nutricional de alimentos vegetais para animais, ralados ou enlatados. Receitas caseiras podem ser arriscadas.

O novo estudo foi baseado em uma pesquisa – intitulada “Pet Feeding Practices” – que circulou online para criadores de cães e gatos, tutores e “entusiastas gerais”. No final, a amostra reuniu 3.673 respostas (2.940 para cães e 1.542 para gatos), predominantemente de tutores de animais do Reino Unido, EUA e Canadá. A maioria deles (84%) relatou comer uma dieta onívora, 6% identificada como vegana, 6% vegetariana e o restante pescetário.

A nutrição para animais domésticos realmente faz sombra sobre o que está acontecendo na nutrição humana. A maioria dos animais domésticos – 97% dos cães e 99% dos gatos – comiam alimentos que continham carne. No entanto, 10% dos cães e 3% dos gatos) também foram alimentados intermitentemente com alimentos vegetarianos.

No total, 35% dos tutores que ainda não estavam alimentando seus animais com uma dieta baseada em vegetais demonstraram interesse em fazê-lo, com pouco mais da metade dos donos dizendo que “outras estipulações precisam ser atendidas” antes de fazê-lo, incluindo evidências de suficiência nutricional.

No total, 27% dos veganos relataram ter alimentado seus animais com uma dieta exclusiva baseada em vegetais, a maioria preocupada com o bem-estar dos animais, ou com os efeitos negativos percebidos sobre a saúde da alimentação dos tecidos animais Rufus.

Em uma descoberta aparentemente contra-intuitiva, os vegetarianos eram mais propensos a manter gatos e menos propensos a ter cães.

“Considerando a fisiologia carnívora obrigatória dos gatos, pode-se esperar que os tutores de animais que evitam a carne também evitem ter aqueles que comam carne”, escreveram os autores.

Juntos, os tutores de animais vegetarianos e veganos responderam por 12% do total de tutores. Pelos cálculos dos pesquisadores, pode haver até 20 milhões de tutores vegetarianos e veganos nos EUA. As informações são do National Post.