Gatos agonizam e morrem com suspeita de envenenamento em Arraial do Cabo (RJ)

Pelo menos oito gatos morreram na tarde desta sexta-feira (28) em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, com suspeita de envenenamento. Uma gata conseguiu sobreviver e está sob os cuidados de veterinários. O grupo vivia em um pesqueiro da Praia Grande. E, segundo o Projeto Animal de Arraial, mais de dez felinos estão desaparecidos.

Gata sobrevivente está internada em clínica veterinária (Foto: Projeto Animal de Arraial do Cabo / Divulgação)

A veterinária Fabíola Brandão fez o atendimento emergencial da gatinha sobrevivente e disse que o estado dela é estável.

“Ela estava babando, com tremores musculares, vomitou um pouco e evacuou um pouco. Também estavam com a coordenação motora toda desfigurada e sistema neurológico afetado. Todos os sintomas apontam envenenamento. Agora, ela se encontra estabilizada, sem tremores, sem salivação, mas não sabemos como foi o estrago interno”, disse Fabíola.

O vice-presidente do Projeto Animal, Ramon Amorim, contou ao G1 que a associação trabalha no local para evitar a proliferação de gatos.

“A gente tem feito um trabalho de castração ali, com os próprios recursos. De 8 a 10 gatas já pegamos ali para castrar. A gente faz campanha de ração, para levar ração para eles lá. Na medida do possível, a gente faz o que pode”, relatou.

Maus-tratos contra os animais é crime pela Lei de Crimes Ambientais. O artigo 32 deixa claro que a pena é de “detenção, de três meses a um ano, e multa”.

Gatos foram encontrados mortos (Foto: Projeto Animal de Arraial do Cabo / Divulgação)

Ramon acredita que foi colocado chumbinho no local. “Parece que hoje colocaram chumbinho lá na comida dos animais. Não sei porque cargas d’água, não sei quem faria tamanha maldade, não sei se é gente dali, se é gente de fora. Os pescadores dali ajudam bastante a gente. Eu sei que a situação é muito complicada”, revelou.

Ainda de acordo com o projeto, o processo de castração dos animais estava pronto desde janeiro e não foi assinado pela Secretaria de Saúde.

O G1 tenta contato com a Prefeitura de Arraial do Cabo para um posicionamento em relação ao caso e aguarda uma resposta.

O caso deve ser relatado à Polícia Civil, segundo a equipe do projeto.

Fonte: G1


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Mais de 50 gatos são encontrados mortos em um ano e moradores suspeitam de envenenamento

Moradores do centro de Palmas (TO) estão assustados com a quantidade de gatos que estão sendo encontrados mortos. Com o aumento dos casos, os moradores suspeitam que os animais estejam sendo envenenados. Dentro de um ano pelo menos 50 morreram.

A pedagoga Monique Vermuth cria gatos e esta semana soube que um deles foi envenenado. “Três casas depois da minha ela estava lá morta. É horrível porque o bichinho a gente tem como se fosse da família”, lamenta.

Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A vizinhança está amedrontada e acredita que o autor dos crimes de maus-tratos seja a mesma pessoa.

A dona de casa Jucilene Soares tem uma cadela e conta que vai redobrar os cuidados. “Não vou mais andar com ela por aí, porque ela anda cheirando as coisas. Eu não sei quem vai botar veneno, quem está fazendo isso”.

“Sempre tinham animais ou pessoas andando com eles, agora a gente só vê as pessoas com os seus animais próprios na coleira”, disse um morador.

Maus-tratos é crime

A lei nº 2.468 de 10 de junho de 2019, que consta no Diário Oficial de Palmas, define como maus-tratos o abandono de animais, seja em vias públicas, residências fechadas ou inacabadas. Agressões diretas ou indiretas como espancamento ou uso de instrumentos cortantes ou uso de substâncias químicas, tóxicas, escaldantes e fogo também são crimes.

Os casos precisam ser denunciados na delegacia do Meio Ambiente para que os suspeitos sejam procurados, identificados e punidos. “O que deve fazer é filmar, gravar. Devem ter provas”, disse a advogada Vanielle Paiva.

Fonte: G1


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Mais de 25 cães e gatos são mortos em uma semana em Campo Novo (RS)

Na última semana, foram encontrados 28 animais, entre cachorros e gatos, mortos na cidade de Campo Novo, no Rio Grande do Sul. Seis deles foram mortos na última quinta-feira (27). O caso, que revoltou a população, está sendo investigado pela Polícia Civil.

Foto: Pixabay

Há um suspeito de ter praticado a matança, segundo o delegado de Polícia Vilmar Schaefer. “Estamos dando prioridade para este caso, pois existe a efetiva possibilidade que tenha sido utilizado o pesticida estricnina, que é altamente tóxico e tem sua venda proibida”, disse ao portal Correio do Povo. “Se for confirmada que a morte é em decorrência do uso de estricnina, nota-se que é um psicopata que está fazendo isso”, completou.

De acordo com Schaefer, se o envenenamento for comprovado, o criminoso seja indiciado pelo crime de maus-tratos a animais, com pena de detenção de até um ano, além de multa. Em caso de morte do animal, a penalidade pode aumentar de um sexto a um terço.

Um laudo pericial sobre a morte de um dos cães está sendo elaborado pelo laboratório da Unijuí, em Ijuí, segundo o secretário do Meio Ambiente de Campo Novo, Leandro Dorneles. “O resultado dos exames deve ser conhecido na próxima semana”, afirmou.

A presidente da ONG Olhos que Falam, de Campo Novo, Tamara Correa Gonzatto, espera que o trabalho da polícia evite novas mortes. Segundo ela, animais em situação de rua e outros, que possuem lares, foram mortos. “É inadmissível que pessoas façam uma coisa dessas”, disse Tamara.


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Rinocerontes tem os chifres envenenados para não serem mortos por caçadores

Foto: Caters/Teagan Cunniffe

Foto: Caters/Teagan Cunniffe

Conservacionistas “envenenaram” os chifres dos rinocerontes numa tentativa de protegê-los da ameaça constante de morte que os animais enfrentam dos caçadores da região.

Eles costumam vender os chifres em toda a Ásia para utilização na medicina tradicional chinesa e podem conseguir mais de 50 mil dólares no mercado negro por chifre.

Foto: Caters/Teagan Cunniffe

Foto: Caters/Teagan Cunniffe

O Rhino Rescue Project (Projeto de Resgate de Rinocerontes) usa toxinas amigáveis aos animais (ectoparasiticidas) e corante indelével no processo de “envenenamento”, que pode causar sintomas como náuseas, vômitos e convulsões graves aos humanos em graus variados, dependendo da quantidade consumida.

O tratamento é perfeitamente seguro para os rinocerontes, sem efeitos prejudiciais registrados neles ou em seus descendentes subsequentes.

O trabalho do Rhino Rescue Project na África do Sul foi captado pelas lentes do fotógrafo Teagan Cunniffe, de 28 anos, semana passada.

Ele disse: “O tratamento dura entre três e cinco anos, um ciclo completo de crescimento de chifre. Depois disso, ele precisa ser administrado novamente. “Isso custa de 500 dólares por toda a operação, incluindo equipe e materiais de campo.

“Minhas fotografias mostram o processo de tratamento do chifre pelo Rhino Rescue Project e The Ant Collection, desde a localização e passando pela sedação do rinoceronte, até a recuperação de Mokolo (rinoceronte).

Foto: Caters/Teagan Cunniffe

Foto: Caters/Teagan Cunniffe

O Rhino Rescue Project vem realizando esses procedimentos desde 2011, e até hoje apenas 2% dos rinocerontes que foram tratados morreram – e isso levando em conta uma combinação de caça e causas naturais.

Teagan, da Cidade do Cabo, acrescentou: “Minha foto favorita é a imagem do drones que mostra as pessoas envolvidas no processo de tratamento de Mokolo”.

“Eu queria que as sombras dos humanos fossem a principal característica: os guardiões sem rosto de um rinoceronte vulnerável. Nós somos os únicos que podem salvar esta espécie da extinção”.

“Este é um esforço anti-caça proativamente muito bem-sucedido, e acredito que todos os rinocerontes devem passar por esse processo de tratamento”, concluiu ele.

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Austrália planeja exterminar 2 milhões de gatos com petiscos envenenados

Foto: Pixabay

O governo australiano afirma que planeja matar cerca de 2 milhões gatos selvagens até 2020 sob o pretexto de que os animais representam um perigo para 124 espécies nativas ameaçadas de extinção.

O anúncio do plano de extermínio foi feito pela primeira vez em 2015, quando o governo afirmou que disponibilizaria um fundo de US$ 5 milhões (cerca de R$ 20 milhões) para incentivar grupos comunitários de caçadores a realizarem o controle populacional dos animais, mas, recentemente, segundo matéria da BBC, a nova estratégia será o uso de petiscos envenenados que serão espalhados com a ajuda de drones e aviões.

A morte em massa dos animais faz parte de uma das metas propostas pelo Estratégia para Espécies Ameaçadas, documento lançando em 2015 que prevê ainda a erradicação de gatos selvagens de cinco ilhas e concentrar os animais sobreviventes em uma área de 2 milhões de hectares.

Os gatos que estão sendo massacrados pertencem a mesma espécie dos animais domésticos. São animais sem lar introduzidos pelos colonizadores que se adaptaram e se reproduziram rapidamente em ambiente selvagem. Estima-se que a população de gatos ferais na Austrália seja de aproximadamente 6 milhões de animais.

Questionado sobre o perigo do veneno para outras espécies, o governo australiano informou que especialistas sintetizaram toxinas à base de plantas que não afetem a fauna nativa devido à resistência natural e sejam fatais para os gatos, que são naturalmente exóticos.

Um dos venenos interrompe a capacidade das células dos animais de produzirem energia, fazendo com que os gatos percam a consciência e morram, outro impede que o oxigênio chegue ao cérebro e outros órgãos vitais dos animais. As mortes não são necessariamente instantâneas e não há estudos que comprovem que as toxinas não causem sofrimento aos animais, apesar do governo afirmar que o método é “humana, efetiva e justificável”.

Assustadoramente, a condenação dos animais à morte é banalizada a tal ponto, que o governo criou um serviço online, o site Feral Cat Scan, onde moradores podem “denunciar” avistamentos de gatos selvagens para que equipes se desloquem até o local para colocar os petiscos feitos com carne de canguru envenenados. A

pesar do plano de supostamente matar 2 milhões de animais, que já estão sendo mortos há pelo menos três anos, não há dados sobre o número de vítimas e nem censos populacionais recentes. Após a conclusão do projeto de extermínio, também não foi divulgado ainda propostas de políticas públicas para impedir que os animais se reproduzam rapidamente novamente.

Enfrentamento

O anúncio feito pelo governo australiano não foi recebido com passividade por ativistas em defesa dos direitos animais. Uma petição foi criada e ganhou o apoio de 30 mil pessoas, além da atriz francesa Brigitte Bardot, que enviou uma carta para o ministro do Meio Ambiente australiano. “Esse genocídio animal é desumano e ridículo. Além de ser cruel, matar esses gatos é absolutamente inútil, já que o resto deles continuará se reproduzindo”, disse.

Ativistas sugerem que há alternativas mais éticas para realizar o controle populacional dos animais que não têm culpa de terem sido introduzidos no país e tampouco de se reproduzirem. Eles sugeriram que fossem disponibilizadas armadilhas, para que os gatos fossem capturadas, esterilizados e devolvidos à natureza. Em resposta, o governo australiano se limitou a responder que a proposta não é “realista”.

Governo libera mais 31 agrotóxicos; 16 deles, “extremamente tóxicos”

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) liberou mais 31 agrotóxicos. Já são 152 pesticidas liberados em apenas 100 dias. A nova autorização aconteceu um dia após a ministra Tereza Cristina afirmar, diante da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Câmara, que “não existe liberação geral” de agrotóxicos no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Foto: Pixabay

A autorização do uso dos novos agrotóxicos foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (10). Dentre os produtos, 16 são classificados como “extremamente tóxicos”. As informações são da revista Fórum.

O grau mais elevado de risco toxicológico entre os agrotóxicos é chamado de classe I. De todos os 152 liberados desde o início do mandato de Bolsonaro, 44 pertencem a essa classe, elaborada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que foi responsabilizado pela ministra pelo número recorde de registros.

A liberação desses agrotóxicos altamente tóxicos contraria uma declaração dada pela ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que afirmou: “nós temos que mudar a legislação para que os produtos de baixa toxicidade tenham seu registro facilitado e possam chegar mais rápido ao mercado”.

Dos 152 agrotóxicos liberados até o momento, apenas 18 foram considerados pela Anvisa como “pouco tóxicos”.

Nota da Redação: a liberação desenfreada de agrotóxicos é bastante alarmante e deve ser vista com preocupação pela população. Isso porque os pesticidas envenenam a comida e o meio ambiente, destruindo a natureza e levando as pessoas ao adoecimento. Um governo sério e comprometido com as causas ambientais e sociais deve prezar pelo aumento da produção de alimentos orgânicos, não pela liberação de agrotóxicos.

Homem é denunciado por envenenamento de animais em Sinop (MT)

Um homem foi denunciado por envenenar e matar cachorros e gatos em Sinop, a 503 quilômetros de Cuiabá, no Mato Grosso. Os crimes aconteceram no bairro Jardim Celeste e a denúncia foi feita por uma jovem.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

Um boletim de ocorrência foi registrado em uma delegacia na última segunda-feira (1º). Segundo a denúncia, uma onda de envenenamento de animais tem ocorrido na região há alguns meses.

Os últimos casos de envenenamento levaram cinco cachorros a morte. Outro cão também foi envenenado, mas conseguiu sobreviver. As informações são do portal G1.

De acordo com a denúncia, o homem matou um gato de um vizinho no último dia 29 e, no dia seguinte, envenenou um cachorro, que também não resistiu ao veneno e morreu.

Relatos indicam que o homem teria falado que não gosta de animais e comentado que matava cães e gatos a tiros em uma cidade onde morou.

O boletim de ocorrência não informa se o denunciado foi procurado para prestar depoimento. O caso será investigado pela polícia.

Dálmata morre para salvar seu tutor do ataque de uma cobra

A fidelidade dos cães a seus tutores é algo extraordinário e ensina o verdadeiro significado de amor incondicional. Eles dão a vida se preciso para proteger quem está ao seu lado e, muitas vezes, defendem pessoas desconhecidas, apenas por sentirem que elas precisam de ajuda.

O valente dálmata é um exemplo disso – ele morreu para salvar sua família. “Tyson” matou a cobra, mas imediatamente adoeceu.

Ameen examinou seu cão em busca de picadas de cobra e encontrou sangue no lado esquerdo do rosto do animal. Ao ligar para a linha de apoio da cobra e enviar um vídeo do réptil para o especialista Subhendu Mallik, ele descobriu que se travava de uma cobra indiana e que Tyson precisava ser levado imediatamente ao veterinário.

Infelizmente, Ameen não conseguiu contato com nenhum veterinário já que o ataque que aconteceu às 2 da manhã da última segunda-feira (4) e Tyson morreu em meia hora.

“Encontramos Tyson brigando com a cobra a apenas um metro de distância de nossa porta. A cobra morreu, mas mordeu nosso amado cão”.

“Tentamos ligar para os médicos veterinários para conseguir uma dose de antiveneno para Tyson, mas nenhum deles atendeu a essa hora. Ele salvou nossas vidas, mas infelizmente não conseguimos salvar a dele”, disse Ameen.

Ele acrescentou: “O tipo de lealdade demonstrado por ele e seu sacrifício não pode ser esquecido por nossa família. É desanimador que haja tantos hospitais para atender humanos 24 horas por dia, 7 dias por semana, mas quando um animal é ferido, não há hospitais de emergência”.

Tutores de animais encontram bolinhos com veneno em Jundiaí (SP)

Bolinhos envenenados com chumbinho foram encontrados por moradores dos bairros Jardim Ana Maria e Jardim Flórida, na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo. Tutores de animais estão preocupados e temem pela vida dos cachorros que tutelam. Os bolinhos estavam espalhados em calçadas que ligam três condomínios do município.

Bolinho com chumbinho (Foto: Paula Sampaio/Arquivo pessoal)

A cadela Tuca, de seis anos, chegou a pegar com a boca um dos bolinhos. A tutora dela, a autônoma Paula Sampaio, percebeu a tempo do que se tratava e conseguiu salvar a cadela. Segundo ela, outros 15 bolinhos com chumbinho estavam espalhados pelos arredores do condomínio em que ela mora.

“A minha cachorrinha pegou algo na boca e, quando eu me deparei, era mais um bolinho. Eu consegui tirar da boca dela, graças a Deus. Ela ficou em observação, mas ficou bem”, contou ao G1.

A cadela Jujuba, no entanto, não sobreviveu. O tutor dela, o consultor em tecnologia Cassio Henrique Almeida conta que no mesmo dia em que a cadela de apenas um ano perdeu a vida, outro cachorro também morreu envenenado no mesmo local.

Tuca (Foto: Paula Sampaio/Arquivo pessoal)

“Ela farejou uma isca com veneno na calçada. Do momento em que ela farejou até a morte, passaram-se apenas 15 minutos”, disse. De acordo com os moradores, os bolinhos são colocados em locais com grama e de grande circulação de cachorros.

Um Boletim de Ocorrência foi registrado no 1º Distrito Policial de Jundiaí e o caso será investigado. De acordo com o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, é crime “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”. O uso do chumbinho também é proibido por lei.

A pena para o crime de maus-tratos a animais é de três meses a um ano de detenção, além de multa. Em caso de morte do animal, a penalidade pode sofrer aumento de um sexto a um terço. Porém, por se tratar de um crime de menor potencial ofensivo, o infrator não costuma ser preso, já que a pena acaba sendo revertida em, por exemplo, prestação de serviços comunitários.

Jujuba (Foto: Cassio Henrique Almeida/Arquivo pessoal)

Pica-paus que vivem em São Paulo correm risco de extinção

Primeiro foram as ararinhas-azuis. Agora são os pica-paus que estão ameaçados de extinção no Brasil, sobretudo na cidade de São Paulo, uma selva de pedra que destina cada vez menos espaço para essas aves.

Foto: Rudimar Narciso

Elas têm como habitat as frondosas árvores, com troncos circundados por grossas camadas de cascas, como os jacarandás, que estão desaparecendo da cena urbana.

O ornitólogo Dalgas Frisch, com 88 anos, 81 deles dedicados aos pássaros brasileiros, está empenhado em salvar os pica-paus desse lento e gradual processo de desaparecimento em São Paulo. Como Dalgas mora ao lado da Reserva Ecológica do Morumbi, uma mata com 24 hectares no coração de São Paulo, ao lado do Palácio dos Bandeirantes, ele percebeu que os pica-paus, antes abundantes na região, estão rareando. Por isso, há dois anos começou a estudar o fenômeno, acompanhando o dia a dia desses pássaros, com fotografias e filmagens. Afinal, no México os pica-paus já estão praticamente extintos, tanto em função do desmatamento como pelo fato de que os moradores acreditavam que suas penas tinham propriedades medicinais (a fumaça com a queima das plumagens ajudava mulheres a suportar as dores do parto).

Mas, em São Paulo, a ameaça maior vem da Prefeitura, segundo ele. Os funcionários de parques e jardins vêm dedetizando com inseticidas as árvores para matar cupins e esse veneno é letal para esse tipo de pássaro, que têm por hábito perfurar as árvores com o bico para encontrar insetos que os alimentam ou até mesmo a fazer seus ninhos nos buracos “cavados” por eles nos troncos. Além disso, a Prefeitura vem substituindo os Jacarandás por plantas de textura lisa, onde os pássaros não conseguem se “segurar” para poder furar as árvores. Ele garante que vai procurar o prefeito Bruno Covas para expor o problema.

Dalgas acabou descobrindo uma coisa também importante para a sobrevida dos pica-paus. “Como esses pássaros fixam as patinhas nas árvores para fazer os furos com os potentes bicos, eles usam as asas e caudas, chamadas tecnicamente de remiges e retrizes, para se apoiar nas árvores. Mas as asas e caudas acabam ficando grudadas pela resina absorvida das plantas. Se elas não se livram das resinas, não conseguem apoio para a fixação às plantas em novas operações, e podem morrer”, diz o ornitólogo. Dalgas percebeu que esses pássaros necessitam banhar-se para retirar a resina das asas com bastante frequência. Recomenda que moradores em áreas habitadas pelos pica-paus implantem recipientes com água para permitir o acesso dos pássaros ao banho diário, hábito que já adota em sua casa no Morumbi.

Um estudo completo sobre essa constatação está sendo preparado para publicação na revista Nature, no Reino Unido. “Ainda podemos salvar o pica-pau paulistano da extinção”, resume Dalgas. A dedicação a esse estudo foi tamanha que Dalgas caiu, em junho último, de uma enorme escada que ele instalou para fotografar de perto os pica-paus que observa no Morumbi. Resultado: fraturou o crânio e ficou dois meses internado no Hospital Albert Einstein, entre a vida e a morte.

Sobre Dalgas Frisch

Dalgas é uma referência mundial para a ornitologia brasileira. Nascido em São Paulo, embora filho de dinamarquês, ele acaba de receber o título de cidadão da Dinamarca pelos relevantes serviços em prol da preservação da fauna e flora, inclusive da Amazônia, principalmente por ter contribuído para a demarcação do Parque do Tumucumaque, com 10 milhões de hectares, encravado entre as florestas amazônicas do Brasil, Suriname e Guiana Francesa, uma área maior do que o território de Portugal (9,2 milhões de hectares).

Foi nessas florestas, inclusive, no Acre, que o ornitólogo fotografou e gravou o som dos sete cantos do Uirapuru, um pássaro que só vive na Amazônia (ver box em anexo). Só ele, em todo o mundo, conseguiu essa façanha. Mas quem acha que o velho Dalgas aposentou-se e que só vive das glórias do passado, não imagina do que ele é capaz para manter o sangue de pássaros correndo em suas veias. Ele é praticamente um homem pássaro.

Fonte: IstoÉ