
Foto: TripAdvisor
Vereadores do município de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, apresentaram um anteprojeto de lei com o objetivo de proibir charretes na área urbana da cidade. A proposta, que será encaminhada ao prefeito Sérgio Azevedo (PSDB), prevê ainda a realocação dos charreteiros em outras atividades como alternativa à exploração animal.
Segundo a vereadora do PT, Maria Cecília Opípari, a iniciativa possui um viés social, urbano e ambiental. “Encaminhamos um anteprojeto de lei ao Executivo proibindo a exploração de tração de animais no município de Poços de Caldas dentro da área urbana, porque hoje o município não comporta mais cavalo, tração animal, no trânsito caótico que a gente está vivendo e é importante lembrar que a gente tem essa preocupação não só em relação aos animais, mas em relação às pessoas que trafegam no município de Poços de Caldas”, disse em entrevista ao G1.
Apesar de visar o avanço na conscientização da proteção animal, o projeto inclui brechas que consentem a exploração animal, pois ainda permitirá charretes na área rural e a escravização de animais em haras ou atividades de equoterapia.
A Prefeitura de Poços de Calda afirmou que ainda não analisou o projeto, mas que o tema precisa ser debatido o quanto antes. “É uma decisão que eu pretendo tomar esse ano, independente de qualquer coisa, isso já seria tomado mesmo, é mais um problema que vem sendo arrastado há muito tempo, a gente ter uma decisão o que vai ser feito, da melhor forma possível, tanto para a cidade, como para a população, como para quem vive disso, enfim, para que ninguém seja prejudicado de nada, mas que seja o melhor para a cidade”, disse Sérgio Azevedo.
Uma luta antiga
A batalha pelo fim da exploração de animais em charretes é histórica em Poços de Caldas. Em uma ação mais recente, a Associação dos Protetores dos Animais de Poços de Caldas (APPA) entrou com uma ação pedindo a abolição da atividade de charretes no município após um laudo constatar que os animais estavam com tendinite crônica devido ao excesso de trabalho e carga excessiva. Além disso, ficou constatado também que os equinos estavam desnutridos e debilitados. A Justiça negou o pedido em 1ª instância.
O advogado da APPA, Lúcio Corrêa Cassila, lamenta que a Justiça feche os olhos para o sofrimento dos animais. “Agora a ação está em uma fase de apelação. São quase 800, mais de 1 mil páginas de ação, a juíza infelizmente se manifestou em duas laudas e meia, reconhecendo de certa forma os maus-tratos, mas dizendo que o Judiciário, entre aspas, não teria a ver com isso, a gente deveria cobrar do poder Executivo”, afirmou.