Filhote de raposa deixada para morrer é salva por veterinário que se recusou a desistir dela

Foto: Paul McDonald

Foto: Paul McDonald

Red, um filhote de raposa batizado com o nome da cor de seu pelo, foi encontrada desmaiado perto do terreno de uma fábrica em Oldham, na Inglaterra.

Ela parecia sem vida caída no chão e deitada de lado, apesar de todos os esforços dos trabalhadores da fábrica que a encontraram, tentando persuadi-la com comida e água para que ela se levantasse.

Quando todas essas tentativas fracassaram, Paul McDonald, um especialista local em raposas da Freshfields Animal Rescue em Liverpool, foi chamado. “Eu já tinha visto de tudo antes – raposas como aquela geralmente não têm um final feliz”, disse McDonald ao The Dodo. Ainda assim, McDonald tinha esperança e não desistiu de Red.

Foto: Paul McDonald

Foto: Paul McDonald

Ele entrou em contato com um veterinário de confiança da Parker Crowther Vets, explicando que, embora ele não tivesse esperanças que Red sobrevivesse, se alguma coisa pudesse ser feita por ela, mesmo com o batimento cardíaco fraco e a respiração sôfrega da raposinha, ele estava disposto a cobrir as despesas.

“Eu uso este veterinário em particular, pois sei que ela fará o melhor possível, ao contrário de alguns veterinários que não estão interessados em atender animais selvagens, já que não há dinheiro a ser ganho”, disse McDonald.

“Por sorte, minha avaliação inicial se provou equivocada”, disse ele. “A respiração e a frequência cardíaca de Red voltaram ao normal. Não havia sinais de nenhuma fratura”. No entanto, Red estava desidratada e tinha uma temperatura corporal baixa.

Foto: Paul McDonald

Foto: Paul McDonald

Ela foi imediatamente colocada no soro intravenoso e recebeu antibióticos, e começou sua jornada para a recuperação. Depois de passar mais algumas noites no veterinário, Red chegou ao Freshfields Animal Rescue. Enquanto a raposinha era capaz de se mover naquele momento, ela ainda estava fraca demais para se levantar e andar.

“Eu ainda tinha que alimentá-la usando uma seringa por mais alguns dias”, disse McDonald.

“Mas uma noite, quando entrei na unidade para alimentá-la, Red se levantou sozinha, o que eu admito ter trazido uma lágrima aos meus olhos. Ao ver esse pobre animal, que eu estava convencido de que não iria sobreviver, mostrar uma milagrosa reviravolta mudou minha visão sobre resgates desta natureza, que normalmente terminam em lágrimas de um tipo diferente “, disse ele.

Foto: Paul McDonald

Foto: Paul McDonald

Nos dias seguintes, Red começou a andar sozinha – seus passos eram um pouco vacilantes, mas, apesar de tudo, refletiam sua determinação em melhorar logo. Outro filhote de raposa chegou a Freshfields no meio da cura de Red. Ele foi encontrado sozinho atrás de um galpão em Wirral e recebeu o nome de Bruno.

“Como Red e Bruno tinham a mesma idade, eles eram as raposas ideais para se conhecerem – e se aproximaram muito rapidamente”, disse McDonald.

“Filhotes da raposa são animais muito sociáveis e é importante que não sejam mantidos sozinhos, pois eles podem se tornar mansos ou ficar tristes por não terem companhia. Então, foi um grande alívio poder dar a Red um amigo na forma de Bruno “, disse ele.

Red e Bruno dormindo juntos | Foto: Paul McDonald

Red e Bruno dormindo juntos | Foto: Paul McDonald

Agora os dois estão prosperando e praticamente comandam O Centro de Resgate de Raposas. McDonald disse que, dentro das semanas finais, os dois passarão por um processo de “soltura na natureza suave”.

Isso significa que Red e Bruno serão libertados dentro de um recinto ao ar livre, tendo a oportunidade de explorar as paisagens e aromas da vida selvagem enquanto estiverem dentro da segurança do Centro de Resgate de Raposas. As refeições serão fornecidas para eles por alguns dias até que aprendam e se tornem confiantes o suficiente para caçar por conta própria – e, eventualmente, viver por conta própria.

“Se mais filhotes órfãos mais ou menos da mesma idade que Red e Bruno chagarem até nós, eu vou misturá-los com eles também, até um grupo de 5, e eles serão todos soltos juntos na natureza, onde eles irão se dispersar e encontrar seus territórios próprios”, disse McDonald.

Você pode acompanhar Red e Bruno na página do Facebook do McDonald’s, The Fox Man.

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Gato é resgatado após ser ferido com flechada no Reino Unido

Um gato foi alvo de uma flechada no Reino Unido. Apelidado de “Robin Hood”, o animal foi resgatado por veterinários e submetido a uma cirurgia. A flecha, de 15 centímetros, atingiu o ombro do gato, atravessou seu corpo e saiu pela bochecha.

(FOTO: RSPCA)

A ONG Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (RSPCA, na sigla em inglês) afirma que o animal foi atingido de propósito pela flecha. As informações são da revista Galileu.

“É doentio pensar que alguém poderia querer matar ou machucar um gato”, disse Karl Marston, membro da entidade, em nota.

Os tutores de Robin Hood não foram encontrados. Suspeita-se que ele tenha cerca de cinco anos e possua o vírus da FIV, conhecido popularmente como “HIV felino”.

(FOTO: RSPCA)

Através de procedimento cirúrgico, a flecha foi retirada do corpo do gato sem grandes danos. Para Marston, isso é um milagre. Robin Hood foi levado para lar temporário e se recupera, enquanto espera por adoção.

Não há informações sobre o responsável por ferir o gato. No Reino Unido, crimes como esse podem ser punidos com multas ou encarceramento.

(FOTO: RSPCA)


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Veterinários favoráveis à agropecuária se recusam a atender animais de santuário

Foto: One Green Planet/Reprodução

Foto: One Green Planet/Reprodução

Santuários acolhem e cuidam de animais resgatados de fazendas de criação, e situações de sofrimento, normalmente esses animais chegam traumatizados e abusados e a equipe do santuário tem como objetivo e trabalha incansavelmente para isso: prover-lhes uma vida melhor que a que tinham.

Naturalmente, eles não podem fazer isso sozinhos. Esses locais precisam de doações para funcionar, voluntários e o mais importante, precisam de atendimento veterinário para garantir a saúde e o bem-estar dos animais sob seus cuidados.

Os animais salvos de situações de crueldade podem já trazer problemas de saúde em função de suas vida anteriores ou, como é normal, podem desenvolver alguma doença e necessitar de tratamento.

Infelizmente, segundo informações do One Green Planet, dois veterinários em Minnesota (EUA) não se importam com a vida dos animais resgatados que vivem em santuários.

Os veterinários que trabalham na Clínica Lester Prairie se recusaram a prestar socorro ao santuário Spring Farm quando Pete, um bezerro, escorregou no gelo e se machucou.

A diretora do Spring Farm Sanctuary, Robin Johnson, sempre os chamou para atendimentos veterinários. Eles são os profissionais mais próximos, a clinica fica apenas 38 minutos do santuário, mas o veterinário que costumava atender os animais do Spring Farm não quer mais trabalhar lá.

Johnson estava preocupada com Pete, compreensivelmente, porque seu irmão, Scruffy havia morrido em decorrência de uma queda no ano anterior. Mas quando ela contatou os veterinários, ouviu: “Nós não saímos para emergências, vocês estão muito longe. E nós também não estamos realmente de acordo com os anúncios que ficam expostos aí. Então não somos mais os veterinários de vocês”.

Os anúncios a que os veterinários se referem são os cartazes do Spring Farm Sanctuary que revelam fatos sobre a agropecuária e a indústria de de criação de animais. São pôsteres educativos informando às pessoas sobre os horrores e sofrimentos que os animais são submetidos pela indústria alimentícia, como a separação dos bezerros de suas mães no mesmo dia em que nascem.

Outra clínica veterinária, a Buffalo Equine, também recusou-se a ajudar, mas não disse o motivo. Em Minnesota, a lei permite que os veterinários escolham quem tratar, mas como diz Johnson, eles fizeram um juramento de “usar seu conhecimento e habilidades científicas para a prevenção e alívio do sofrimento dos animais”.

Não ter um veterinário disponível para atendimentos de emergência coloca o santuário em perigo. Pete ficou bem graças a ajuda dos voluntários que colocaram almofadas para ajudá-lo e deixá-lo confortável, mas a diretora do santuário teme pelos outros animais, caso precisem de assistência médica, caso algum acidente aconteça ou em caso de emergências.

Se os profissionais veterinários se importam com vida dos animais, eles precisam fornecer atendimento médico aos animais que vivem em santuários independente de discordar ou não, que haja responsabilidade humana pelo sofrimento na agropecuária animal.

Muitos dos animais que vivem em santuários foram resgatados de sofrimentos atrozes nesses ambientes cruéis; é triste que eles ainda tenham que sofrer as consequências da mesma indústria que explorou e abusou deles ou de suas famílias, mesmo já não estando mais dentro de seus limites.

Veterinário formado em curso online não terá registro, determina resolução

Foto: Pixabay

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) aprovou na última quinta-feira (21) a  resolução que proíbe registro a alunos egressos de graduações com mais de 20% das aulas a distância. No país, 13 universidades têm aval para oferecer curso online, mas só três já têm turmas iniciadas, segundo informações do Ministério da Educação (MEC).

Sem registro do conselho, o formado fica impedido de exercer a profissão. A resolução deve ser publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias. Por ano, são entregues cerca de 8,5 mil registros a novos profissionais.

Presidente do CFMV, Francisco Cavalcanti de Almeida diz que o curso demanda várias atividades práticas e de campo, como cirurgia e análise laboratorial, entre outras operacionais e de manejo técnico, cuja aprendizagem se dá presencialmente. Além disso, afirma, o aluno recebe treinamento para identificar queixas de pacientes que não se comunicam verbalmente.

Ainda de acordo com a nova regra, veterinários que lecionarem e contribuírem para a oferta de cursos a distância estarão sujeitos à responsabilização ético-disciplinar.

A Universidade Brasil é uma das que oferecem o curso semipresencial em Capanema e Tucuruí, no Pará, com dois encontros presenciais por semana. O curso da instituição custa R$ 1.398 mensais, com duração de cinco anos.

Em nota, a Universidade Brasil informou que a resolução é arbitrária. “Estamos caminhando para uma educação semipresencial no mundo e qualquer curso é perfeitamente possível trabalhar nesse modelo. Isso é comprovado pedagogicamente e academicamente”.

Procurado, o MEC não se manifestou até as 20 horas de ontem. A decisão do Conselho de Veterinária tem sido a saída de outras entidades de classe, principalmente da área da saúde, contra o aumento de cursos a distância. Em janeiro, o Conselho Federal de Odontologia vetou a inscrição e o registro de egressos de cursos 100% a distância. Este mês, o Conselho Federal de Farmácia proibiu registros para os cursos online.

Fonte: Hoje em dia

Veterinários atendem mais de 350 animais em Brumadinho (MG)

Médicos veterinários voluntários da Brigada Animal atenderam, até o último domingo (3), mais de 350 animais em Brumadinho (MG). O número se refere a animais que foram devolvidos aos tutores após serem resgatados ou levados a uma fazenda onde funciona um hospital de campanha, além dos que receberam atendimento veterinário na casa dos tutores.

(Foto: Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais)

Dos animais atendidos, 145 estão abrigados na fazenda. No local, eles recebem os cuidados necessários e, após tratados, são devolvidos aos lares de origem ou, em caso de animais que não possuem tutores, por viverem em situação de abandono antes do rompimento da barragem ou por terem perdido a família devido ao crime ambiental, são disponibilizados para adoção responsável. As informações são do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais.

Na fazenda, há dois patos, três galos, dez galinhas, sete canarinhos, cinco trinca-ferros, um azulão, um tico-tico, um filhote de pássaro de espécie não identificada, um cágado, uma serpente e um ouriço encaminhados para soltura, cinco gatos adultos e três filhotes, 60 cachorros – quatro submetidos a cuidados intensivos e três encaminhados para a UFMG, dois para realização de raio-x e o outro para internação –, 13 equinos entre éguas e cavalos, 33 bovinos entre vacas, bois e bezerros – sendo quatro filhotes desidratados e sem apetite, uma vaca debilitada recebendo antibiótico e fluído oral e uma vaca com membro posterior lesionado que não consegue se levantar.

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Índice de suicídio entre veterinários cresce cada vez mais

Pressionados constantemente por dívidas crescentes, pela fadiga da compaixão e por ataques de tutores irritados em suas mídias sociais, os índices de suicídio entre veterinários têm crescido cada vez mais. Muitos tiram a própria vida por meio de medicamentos e drogas destinadas a seus pacientes.

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A veterinária Robin Stamey e sua poodle, Gracie. Foto: The Washington Post

Em uma noite de outono em Elizabeth City, no estado da Carolina do Norte, EUA, Robin Stamey se sentou em sua cama e se preparou para tirar sua própria vida.

Ao lado dela, havia uma pilha de cartas de despedida que Stamey escrevera para seus entes queridos, incluindo seus pais, que moravam a centenas de quilômetros de distância. Segurando um cateter carregado com uma dose letal de Beuthanasia-D e Telazol, drogas mortais que a veterinária de 46 anos havia trazido para casa de seu consultório nas proximidades, ela expirou lentamente e começou a se despedir do mundo. Mas quando ela se virou para olhar para Gracie, sua pequena poodle, Stamey começou a chorar.

Ela não podia fazer isso.

“A única pessoa para quem não pude explicar meu suicídio foi minha cadela, que estava sentada olhando em meus olhos”, recorda Stamey. “Ela é a razão pela qual eu ainda estou viva.”

O caminho para o fundo do poço foi inesperado para Stamey. A amante de animais que voltou a estudar aos 36 anos para perseguir seu sonho de se tornar veterinária, já havia trabalhado em algumas pequenas clínicas antes de abrir a própria.

Conseguir isso não foi fácil; Stamey se formou em uma escola de veterinária com mais de 180 mil dólares em dívidas estudantis. Seus primeiros empregos de veterinária pagavam cerca de 40 mil dólares por ano, forçando-a a trabalhar longas horas para juntar dinheiro suficiente para sobreviver.

Estes problemas financeiros foram agravados pelas tensões do trabalho, que é conhecido por causar um imenso desgaste emocional, físico e mental em seus profissionais. Mas, como muitas pessoas que praticam medicina, Stamey sempre pensou em si mesma como cuidadora e tinha medo de pedir ajuda. Em vez disso, ela engoliu suas frustrações e seguiu em frente, ignorando a depressão que começava a lançar uma sombra sobre sua vida e seu trabalho.

Em 2007, tudo desmoronou. Esgotada por quase uma década de trabalho desgastante, Stamey foi atingida por um cansaço incapacitante e dores internas que os médicos não conseguiram explicar.

Essa doença misteriosa – diagnosticada anos depois como Bartonelose, ou doença da arranhadura do gato – arrancou de Stamey o vigor que uma vez a definira, deixando-a com energia suficiente apenas para se arrastar pelo chão para alimentar seus cachorros.

Rumores de que ela era viciada em drogas e álcool, alimentados por fofocas de cidades pequenas e conversas em redes sociais entre clientes irritados, se espalharam pela comunidade. Eventualmente, até mesmo amigos se voltaram contra ela.

“Eu não havia perdido um braço ou uma perna, então minha doença e minha saúde mental não eram reais para eles”, disse Stamey, citando uma conversa telefônica tensa com um velho amigo como o momento em que ela decidiu cometer suicídio. “Eu estava sofrendo sozinha e não sabia onde procurar ajuda. Eu só queria que tudo acabasse.”

Stamey disse que se sentia isolada em sua dor na época, mas desde então ela aprendeu uma verdade surpreendente: os veterinários estão no meio de uma epidemia de suicídio de enormes proporções.

Em 1º de janeiro, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) lançou o primeiro estudo para examinar as taxas de mortalidade veterinária nos Estados Unidos. Os resultados foram sombrios: entre 1979 e 2015, veterinários e veterinárias cometeram suicídio entre 2 a 3,5 vezes mais do que a média nacional, respectivamente.

Essas descobertas não apenas refletem uma maior taxa de suicídio entre todos os veterinários, mas também sugerem que as mulheres no campo têm maior probabilidade de tirar suas próprias vidas, o que contrasta fortemente as tendências da população em geral.

Considerando que a profissão está se tornando cada vez mais dominada pelas mulheres (mais de 60% dos veterinários dos EUA e 80% dos veterinários agora são mulheres), os autores do estudo sugeriram que essa tendência poderia prenunciar ainda mais suicídios entre veterinários nos próximos anos.

Pesquisas adicionais, incluindo um estudo do CDC de 2015 que descobriu que 1 em cada 6 veterinários consideraram o suicídio, abalaram o mundo veterinário em seu núcleo, expondo uma crise crescente que poucos sabiam e outros tentaram ignorar.

Fadiga, desgaste, dívidas

Stamey está entre aqueles que estão se levantando e compartilhando suas histórias, recusando-se a deixar de lado o problema.

“Foi devastador perceber quantos de nós estão sofrendo, mas é mais importante saber que as cartas finalmente estão sendo postas na mesa”, disse ela. “Não podemos abordar isso verdadeiramente até começarmos a ser honestos e a nos importarmos uns com os outros.”

Para entender o grau de desespero, você precisa entender como é ser um veterinário hoje.

Um dos campos médicos mais competitivos – as taxas de aceitação de escolas veterinárias são semelhantes ​​às taxas de aceitação de escolas médicas, mas os veterinários em geral são solicitados a completar mais cursos de pré-requisito – é uma profissão que atrai pessoas inteligentes que, acima de tudo, querem ajudar e tratar animais.

Por mais óbvio que seja, esse último componente é crítico: as pessoas não se tornam veterinários por prestígio, poder ou altos salários. Mas mergulhar em profissões motivadas pela paixão deixa a porta aberta para a fadiga da compaixão e o esgotamento, e o campo veterinário está repleto de riscos à saúde mental. Sem surpresa, dois dos maiores fatores em jogo são dinheiro e morte.

A faculdade de medicina veterinária é cara. Estudos recentes realizados pela Associação Americana de Medicina Veterinária (AVMA), a maior entidade sem fins lucrativos da indústria, mostram que o estudante de veterinária médio agora se forma com 143 mil dólares ou mais em dívidas; cerca de 1 em cada 5 saem da faculdade com mais de 200 mil dólares para pagar. Os salários dos veterinários – que começam em cerca de 67 mil dólares por ano – não estão acompanhando o aumento das taxas de ensino.

“As mensalidades estão subindo, os salários estão estagnados e a dívida só aumenta a cada segundo. Eu tenho amigos que se formaram com algo entre 100 mil e mais de 500 mil dólares em dívidas ”, disse Lynn Green-Ivey, veterinária do San Antonio que se formou na Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas do Texas A&M. “Muitas daquelas pessoas com maiores cargas de dívida estão enfrentando um desafio monetário insuperável. Eles vão morrer com essa dívida e é muito, muito triste.”

O impacto dessas desvantagens financeiras atinge veterinários muito além de suas carteiras. Pressionados para pagar suas dívidas, enquanto tentam economizar dinheiro para comprar casas, iniciar famílias ou administrar suas próprias práticas, muitos veterinários se vêem rotineiramente trabalhando mais de 50 horas por semana. Eles são até forçados a aceitar um segundo emprego em alguns casos, fazendo turnos durante a noite em clínicas de emergência ou ajudando em abrigos de resgate.

“Frequentemente, você precisa trabalhar, trabalhar, trabalhar sem intervalo para o banheiro e comer seu almoço em três minutos ou menos, apenas para acompanhar as responsabilidades diárias”, disse Green-Ivey. “A pressão para fazer mais e fazer melhor para seus clientes é constante e interminável.”

Desequilíbrios na vida profissional

Com pouco alívio de um ambiente de trabalho de alto estresse que raramente oferece uma oportunidade para fazer uma pausa, almoçar ou ir ao banheiro, o equilíbrio de muitas pessoas começa a ruir, disse Green-Ivey. “Somos pessoas determinadas e apaixonadas, acostumadas a colocar nossos clientes e nossos animais antes de nós mesmos. Mas esses traços, que nos tornam bons médicos, são as mesmas coisas que nos tornam mais suscetíveis à depressão, ansiedade e a deixar que as emoções negativas nos afetem.”

Outro fator-chave dessa crise de suicídio: os veterinários são constantemente solicitados a atuar como agentes funerários de animais. A morte induzida de animais pode causar o que um estudo recente chamou de conflito ético e sofrimento moral, que surge quando os veterinários são forçados a deixar de lado suas opiniões de especialistas e aceitar as decisões dos tutores sobre se e quando matar seus animais. Mais ainda, essa proximidade com a morte faz com que a morte pareça uma maneira razoável de aliviar o sofrimento.

Esses fatores criam um conjunto preocupante de circunstâncias, especialmente porque os veterinários rotineiramente têm acesso a medicamentos fatais controlados. Se você está armado com o conhecimento de como administrar uma morte rápida e indolor e experimenta trauma e estresse com regularidade, fica claro como o suicídio pode se tornar uma opção acessível.

Como esse problema tornou-se mais reconhecido publicamente, os veterinários formaram grupos de suporte on-line para discutir tópicos delicados. É tudo uma questão de proporcionar um senso de comunidade às pessoas que se sentem isoladas, disse Carrie Rountree, uma técnica veterinária que mora em Rock Hill, S.C.

Rountree criou o grupo no Facebook #TheFightingBluesForAmanda para homenagear sua amiga, Amanda Ryan, depois que Ryan se matou em setembro. Em menos de dois meses, o número de membros do grupo cresceu para cerca de 5 mil pessoas e inclui profissionais veterinários de todo o mundo.

“Sem comunidades on-line como essa, acredito que haveria aumento de risco e, consequentemente, perdas ainda mais trágicas, como a de Amanda”, disse Rountree. “Agora que temos ferramentas como essa para conectar pessoas de todo o mundo, esse problema não pode mais ser ignorado. Somente através da consciência podemos fazer uma diferença verdadeira”.

Grupos menores, incluindo um grupo do Facebook que Robin Stamey chamou de “Medicina Veterinária: Continuar Vivo”, estão agora espalhados pelas plataformas de mídia social.

A organização no topo da nova onda de bem-estar da indústria, no entanto, é a Not One More Vet (NOMV). Uma rede de suporte on-line que está surgindo como um dos principais grupos sem fins lucrativos no campo, a NOMV liderou uma iniciativa nacional de educação em saúde mental e criou um programa de subsídios para fornecer assistência financeira a veterinários que não podem ter acesso a cuidados de saúde mental. Eles também fornecem trabalhadores temporários para garantir que os veterinários emocionalmente esgotados possam tirar alguns dias de folga para descansar e recarregar.

“Estamos focados em muitas coisas agora, mas no final do dia, nossa primeira prioridade é treinar as pessoas sobre o que fazer quando alguém expressa o desejo de morrer”, disse Carrie Jurney, neurologista veterinária e membro do conselho da NOMV. “Eu quero que essa habilidade não seja mais necessária, mas até que possamos tirar nossa profissão desta crise, o primeiro passo é cuidar da saúde mental.”

Esses esforços de base despertaram a atenção da AVMA, a maior participante do setor. Além de ampliar as descobertas da pesquisa inovadora do CDC, a AVMA criou um conjunto de recursos de bem-estar mental para seus membros, incluindo treinamentos gratuitos sobre como identificar colegas em risco e direcioná-los ao suporte profissional.

A organização também começou a liderar discussões sobre equilíbrio entre trabalho e vida e bem-estar e fornece guias para encontrar serviços de saúde mental locais, movimentos que refletem sua missão de remover o estigma de longa data da profissão em torno do tópico.

“Pela primeira vez, esse assunto está sendo discutido desde o momento em que as pessoas entram na faculdade de veterinária, passando pelo início da carreira, até o topo da indústria”, disse John de Jong, presidente da AVMA. “Essa é a única maneira de lidarmos com isso e fazermos um progresso real: por meio de uma abordagem holística, com todas as mãos no convés”.

Infelizmente, há um fator X que essas organizações não podem explicar: pressão implacável de tutores emotivos (e, às vezes, mal orientados). Em comparação com dentistas ou médicos que trabalham em medicina humana, os veterinários são mais propensos a ter suas opiniões profissionais questionadas ou rejeitadas pelos tutores dos animais.

A experiência não é apenas irritante. Também pode levar a ataques furiosos na internet por parte de clientes insatisfeitos – incluindo casos em que os ataques de mídia social viral acabam levando os veterinários visados ​​a cometer suicídio.

Shirley Koshi, uma veterinária do Bronx que se suicidou depois de enfrentar uma enxurrada de assédio e acusações de abuso veterinário em uma discussão sobre um gato abandonado, é um exemplo especialmente assombroso do que muitos profissionais se preocupam que um dia possa acontecer com eles. O espectro de ataques na internet tornou-se tão grave que a AVMA introduziu uma Linha Direta de Assistência à Resposta ao Cyberbullying em 2016.

Luta e esperança

Apesar dos recentes esforços para lidar com o suicídio veterinário, a maioria das pessoas no campo – incluindo a AVMA e NOMV – reconhece que este é apenas o começo do processo de cura. Levará tempo para entender o espectro de fatores que alimentam esse fenômeno e avaliar o sucesso de estratégias de prevenção ainda em desenvolvimento.

Mas Stamey disse, acima de tudo, que está se sentindo esperançosa porque o problema não está mais escondido nas sombras. Com uma maior conscientização sobre a prevalência desta questão, talvez menos veterinários sejam levados ao limite como ela foi.

“Isso não é nem um pouco abstrato. Estas são as vidas das pessoas reais; maridos, esposas, filhos, filhas, seus amigos, sua família, seu veterinário,” disse ela. “A cura e a conscientização levarão tempo, mas, por enquanto, precisamos apenas ouvir e aprender. Você ficaria chocado com quem está enfrentando esse problema ao seu redor.”

Veterinários resgatam animais de casas evacuadas em Brumadinho (MG)

Médicos veterinários resgataram animais de casas evacuadas no Parque da Cachoeira, em Brumadinho (MG). O resgate foi feito após os moradores dos imóveis saírem do local devido ao risco de rompimento de uma nova barragem da Vale.

(Foto: Renan Damasceno/EM/D.A.Press)

Os animais de pequeno porte foram encaminhados para um posto em Brumadinho, de onde seguirão para uma fazenda disponibilizada pela Vale. As informações são do Correio Braziliense.

De acordo com a médica veterinária Carla Sássi, que trabalhou nos resgates, foram salvos cachorros, gatos e animais de grande porte, como vacas e cavalos.

Um grupo de voluntários da Brigada Animal, do Conselho Regional de Medicina Veterinária, que atua em desastres desde 2011, estava, até a noite do último domingo (27), aguardando liberação do Corpo de Bombeiros para tentar salvar animais que foram atingidos pela lama após o rompimento da barragem.

Veterinários de Joanesburgo atendem animais selvagens gratuitamente

Uma clínica veterinária em Joanesburgo tem a missão de ajudar a proteger a abundante vida silvestre. O Centro Veterinário de Vida Selvagem de Joanesburgo (JWVC), dirigido por Karin Lourens, atende somente animais selvagens e sem custos para a cidade.

Foto: Reprodução | Instagram

Os pacientes variam de suricatos a raposas, macacos a lontras do Cabo e até pangolins ameaçados de extinção por suas escamas. Em qualquer dia, cerca de 60 animais são encontrados em reabilitação na clínica.

Foto: Reprodução | Instagram

Lourens diz que muitos dos animais são encontrados com ferimentos como resultado da vida em ambiente urbano – atropelamentos, cercas, trilhos e ataques de animais domésticos.

Alguns são resgatados em operações destinadas a impedir os esforços de caça furtiva . Ela conta também que macacos têm seus braços cortados enquanto ainda estão vivos para que caçadores furtivos possam vender suas garras.

“Não é um zoológico ou uma loja de animais exóticos”, disse Lourens à News 24 da África do Sul sobre a clínica. “Cada animal que pode ser cuidado até restabelecer a saúde ou ser criado até a idade apropriada é solto na natureza.”

Ela também condena santuários, muitos dos quais diz que são pouco mais do que zoológicos.

“Embora muitos deles tenham boas intenções, nunca é uma legal criar animais silvestres para serem acariciados e tocados pelo público. Um santuário é apenas outro nome para um zoológico”.

Lourens é apaixonada por todos os animais que a clínica cuida mas tem uma preocupação especial pela conservação do pangolim. As escamas duras dos animais exóticos são consideradas medicinais por algumas culturas, muito parecidas com chifres de rinoceronte.

“Só em 2018, foram encontradas 60 toneladas de balas – são 400.000 animais mortos”, diz Lourens.

“Combine elefante, rinoceronte, leões … você não chega perto desse número.”

As estimativas sobre as populações de pangolim são, na melhor das hipóteses, duvidosas, diz Lourens, porque os animais são ambos noturnos e vivem no subsolo ou se escondem em cavernas. E enquanto as estimativas não são concretas, conservacionistas como Lourens estão certos de que os animais estão em perigo.

“Suas escamas são tão duras que um leão adulto não consegue penetrá-las. É assim que eles sobreviveram por 80 milhões de anos, porque eles não têm um predador natural ” , diz ela.

“Eles agora têm apenas um inimigo – os humanos.”

Organização internacional recomenda a proibição imediata da criação de martas e outros animais selvagens para a produção de peles

Em um comunicado, a Veterinary Ireland diz que as evidências científicas estão crescendo há muitos anos e indicam que as necessidades comportamentais das martas e de outros animais silvestres, criados para a produção de peles, não sendo providas pelos métodos atuais de cultivo.

Marta de garganta amarela. Foto: Pixabay

Ele disse que a prática está em contravenção direta das Diretrizes do Conselho Europeu, que afirma que: “Nenhum animal deve ser mantido para fins de cultivo, a menos que se possa razoavelmente esperar, com base em seu genótipo ou fenótipo, que ele possa ser mantido sem efeito prejudicial à sua saúde ou bem-estar. ”

O WelFur é o sistema europeu de bem-estar animal desenvolvido nos últimos anos para melhorar os padrões de bem-estar nas explorações de peles europeias. É apoiado pela Fur Europe, a organização que representa os agricultores de peles na Europa.

A Veterinary Ireland analisou as evidências disponíveis e concluiu que o programa WelFur não pode evitar os problemas de bem-estar encontrados regularmente em fazendas de peles, como estereotipias e ferimentos graves.

Além disso, concluiu, tendo em conta a natureza dos animais em causa e o meio ambiente em que se encontram, que não existem normas de bem-estar ou regime de inspeção que impeçam esses problemas de uma forma regular.

“Está claro que as fazendas de peles não podem suprir as necessidades de bem-estar social das martas, particularmente em relação à necessidade de poder expressar a maioria dos comportamentos normais”, afirmou.

A Irlanda Veterinária disse que parece que as fazendas de peles fracassam em todos os aspectos, exceto no fornecimento de nutrição adequada.

Foto: Pixabay

“Vison cultivado não vive em um ambiente que oferece escolha, abrigo adequado ou uma área de descanso confortável apropriada para as espécies.”

“As condições vividas pela marta cultivada não promovem um ambiente que aumenta a aptidão, mas serve para proteger o valor da pele dos animais”.

“Além disso, dadas as estéreis baterias a que os martas cultivados estão confinados, há pouca oportunidade de fornecer qualquer enriquecimento ambiental significativo.

“As restrições comportamentais infligidas a martas de criação só podem levar a experiências negativas (por exemplo, dor, medo, frustração) e, portanto, não maximizam as experiências positivas”, disse a organização.

Uma revisão de todos os aspectos da criação de peles na Irlanda foi encomendada em novembro de 2011.

O Grupo concluiu que não considerava convincente os argumentos a favor da proibição da criação de animais de pelo na Irlanda e recomendou que, em vez disso, a criação de peles fosse autorizada sob licença e sujeita a controle oficial.

Ministro da Agricultura, Michael Creed disse recentemente que aceitou as conclusões do grupo de revisão e suas recomendações.

A pé das deliberações do Grupo de Revisão, ele disse que seu departamento introduziu controles mais rigorosos sobre os titulares de licenças nas áreas de bem-estar animal, acomodação de animais, segurança e gerenciamento de nutrientes.

O ministro disse que, dadas as recomendações do grupo de revisão, não há planos para introduzir uma proibição à criação de peles.