Maior apreensão já realizada intercepta 9 toneladas de marfim vindas da África para o Vietnã

Foto: WAN/Reprodução

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Uma apreensão de mais de nove toneladas de marfim, realizada pela alfândega do Vietnã, em um carregamento de contêineres proveniente da República do Congo (África), esta sendo considerada, até o momento, a maior confisco de marfim já feito.

De acordo com a Agência de Investigação Ambiental (EIA, na sigla em inglês), a operação fornece ainda mais evidências de que sindicatos do crime organizados continuam a usar o Vietnã como um ponto chave para o tráfico de vida selvagem.

A descoberta teria sido feita por autoridades alfandegárias em Da Nang durante a inspeção de um contêiner que havia chegado da República do Congo.

O marfim encontrado representa mais de mil elefantes mortos e eleva o peso total do marfim apreendido no Vietnã desde 2004 para acima de 70 toneladas, o equivalente a mais de 10 mil elefantes mortos.

O Vietnã também foi ligado a apreensões de aproximadamente 24 toneladas de marfim na China, França, Quênia, Uganda e Reino Unido, representando mais de 3 mil e 500 elefantes mortos.

O papel fundamental do Vietnã no comércio de vida selvagem tem sido exposto várias vezes. Embora o país tenha feito diversas apreensões, pouca fiscalização tem sido registrada.

As investigações da EIA documentaram como a fraca aplicação da lei, a corrupção e uma acentuada falta de vontade política no Vietnã tornaram o país um atraente centro de operações para organizações criminosas especializadas em vida selvagem.

O recente relatório da organização, intitulado “Expondo a Hidra, revelou as operações dos sindicatos liderados pelos vietnamitas no roteiro de abastecimento ao tráfico de marfim e partes de outros animais selvagens da África para o Vietnã e China.

No entanto, até o momento, nenhuma ação de execução notável foi tomada no Vietnã contra os indivíduos identificados; em vez disso, a resposta do governo vietnamita tem sido rejeitar e negar as descobertas suportadas por evidências da investigação, junto com informações de outras fontes.

“Embora celebremos a apreensão de marfim no Vietnã, enfatizamos que sem esforços de acompanhamento que resultem em processos e penalidades apropriadas, as interceptações por si só não impedem a ação de criminosos envolvidos no tráfico de vida selvagens”, disse Mary Rice, Diretora Executiva do EIA em uma declaração.

Em um relatório publicado antes da 18ª Conferência das Partes (CoP18) da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES) em maio, o Vietnã tem sido apontado como o principal destino do marfim ilícito.

Se os governos mundiais não usarem esse importante encontro para adotar medidas urgentes contra o comércio de animais selvagens, os elefantes, principalmente, têm poucas chances de sobrevivência.

Elefantes são obrigados a participar de corridas em festival

Foto: AFP/Divulgação

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Mahout Y Hoi Bya senta em cima de um elefante, bate no animal vigorosamente com um pedaço de galho de árvore, incitando-o a correr rumo a linha de chegada, estas são cenas da corrida de elefantes Buon Don no planalto central do Vietnã.

Os moradores locais dizem que a corrida é uma celebração de “reverência” aos animais, tradicionalmente considerados como membros da família nesta parte do Vietnã, mas os grupos de bem-estar animal pedem o fim do festival, que afirmam ser cruel e ultrapassado.

Normalmente realizado a cada dois anos, o festival de elefantes Buon Don, considerado convenientemente um grande evento turístico pelas agências de viagem e passeios, apresenta partidas de futebol, sessões de natação, um desfile e um buffet para os animais, culminando com uma corrida muito esperada, com cerca de 10 animais competindo, que acontece nos dois últimos dois dias do evento.

Y Hoi diz que os sucessos consecutivos do elefante que ele monta, chamado de Kham Sinh, na corrida renderam a ele e ao animal um lugar de destaque em sua aldeia na província central de Dak Lak, lar de muitos dos elefantes sobreviventes no Vietnã.

“Ele muitas vezes chega em primeiro lugar na competição de corrida de elefantes”, disse o rapaz, que começou a cuidar de elefantes quando era menino.

A alimentação do elefante é a base de bananas e cana de açúcar, principalmente antes das competições, para aumentar sua disposição e força, conta Y Hoi, que é membro do grupo minoritário da etnia Ede, à AFP.

Foto: AFP/Divulgação

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Uma alimentação forçadamente calórica motivada pela exploração nas corridas cujo prêmio principal é de 130 dólares.

O festival atrai centenas de espectadores, assim como ativistas pelos direitos animais, que alertam que os elefantes não devem ser forçados a trabalhar longas horas sob o sol quente, e depois espancados com paus durante a corrida.

“Esse é um dos mais altos níveis de crueldade contra os animais, especialmente porque é uma forma de entretenimento humano”, disse Dionne Slagter, da ONG Animals Asia.

Dione ficou feliz em ver menos elefantes participando das festividades deste ano, apenas 14 contra dezenas de animais nos anos anteriores, mas espera que as autoridades adotem uma abordagem mais ética em relação ao turismo animal no futuro.

A Animals Asia lançou no ano passado os primeiros passeios turísticos éticos envolvendo elefantes do Vietnã, oferecendo aos visitantes a oportunidade de ver os animais que a ONG resgatou e que vivem no parque nacional.

Mais de 80 elefantes no Vietnã ainda são mantidos em cativeiro, geralmente usados para passeios de elefante (turistas montados nas costas dos animais), uma forma de exploração cruel e árdua que tornou a maioria deles inférteis atualmente.

Os restantes 100 a 150 elefantes selvagens também mostraram poucas chances de aumentar a população da espécie.

O festival deixou alguns espectadores, como Vu Tran Minh Anh, com sentimentos contraditórios.

“Eu não achava que os elefantes pudessem fazer tantas coisas como jogar futebol, correr e nadar”, disse o estudante à AFP.

“Mas eu sinto pena dos elefantes”, desabafou ele.

Foto: AFP/Divulgação

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Extremamente inteligentes e com uma capacidade de cognição que está entre as maiores do planeta, os elefantes são capazes de criar laços duradouros, viver em família, além de serem sencientes, ou seja, capazes de sentir amor, tristeza, dor, solidão e compreender o mundo seu redor.

Reduzi-los a objetos de entretenimento humano, montando em suas costas, obrigando-os a correr, jogar futebol e outras atividades antinaturais para eles, além de ser uma crueldade atroz é também um ato de extrema violência contra a dignidade desses animais, que segundo o _The Great Elephant Census_ correm o risco de extinção total até 2025, caso os números da espécie continuarem a cair no ritmo em que estão diminuindo atualmente.

TripAdvisor interrompe a venda de ingressos para locais que exploram a vida selvagem

A crueldade cometida contra animais silvestres é financiada por quem frequenta e promove zoológicos, circos, aquários e outras terríveis instalações. Turistas ou residentes desconhecem, fingem não saber ou realmente não se importam com os horrores cometidos em cativeiros como estes.

A TripAdvisor parece ter tomado ciência de sua contribuição para que esta prática abominável aconteça e anunciou que não venderá mais ingressos para o Monkey Island, com sede em Nha Trang, no Vietnã, que força espécies protegidas a realizarem truques de entretenimento.

A decisão do site é apenas um pequeno passo na luta contra o abuso de animais, pois ela ainda comercializa entradas para centenas de outros locais tão cruéis e bizarros quanto a instalação “ecológica” asiática.

A Animals Asia investigou a Long Phu Corporation e descobriu espécies protegidas, como ursos, macacos e elefantes sendo mantidas em péssimas condições e abertamente forçadas a se apresentar para turistas.

Os visitantes estrangeiros foram considerados um dos pilares do negócio, participando de passeios inaceitáveis em elefantes e avestruzes e até mesmo participando de espetáculos circenses que exploraram ursos.

A oposição da Animals Asia levou a editora de guias de viagens Lonely Planet a acabar com a venda de ingressos para os estabelecimentos das ilhas Orchid e Monkey, em 2018, e agora o TripAdvisor  fez o mesmo com a venda de ingressos para a Monkey Island.

“As operadoras de turismo internacionais que terminam com sua cumplicidade em atividades de turismo cruéis são absolutamente vitais se quisermos acabar com a caça e com o abuso da vida selvagem do Vietnã”, disse o gerente do Departamento de Bem-Estar Animal da Animals Asia, Nguyen Tam Thanh .

“As conexões com marcas globais de prestígio legitimam essas atividades, incentivam os viajantes a participar e incentivam financeiramente as empresas a continuarem.”

Em um e-mail para um grupo do Facebook chamado Vietnam Animal Eyes , o TripAdvisor James Kay confirmou que sua empresa havia “suspendido todas as vendas de ingressos” para a atração.

As leis do Vietnã

A exploração de animais para entretenimento humano não é proibida pela legislação vietnamita mas espécies protegidas, como ursos, macacos e elefantes, são protegidas contra tais atividades, incluindo a caça e o comércio com fins lucrativos.

Apesar de um relatório da Animals Asia mostrar o abuso generalizado de seis espécies protegidas em circos por todo o país, as autoridades ainda não tomaram medidas punitivas contra qualquer instalação e, por isso, os abusos continuam deliberadamente.

“As autoridades não estão conseguindo lidar com os sérios crimes de vida silvestre por trás do problema do circo animal no Vietnã”, afirmou o Diretor de Animais da Animal Asia, Dave Neale.

“Foi-nos mostrado que os ursos jovens foram obtidos legalmente, mas nenhuma instalação ou funcionário foi capaz de explicar como isso é possível. A caça e a venda de ursos para exploração é ilegal e nenhuma instalação tem a capacidade de reproduzi-los em cativeiro, então de onde eles estão vindo? Ainda não recebemos uma resposta”.

Promessas não cumpridas

A Thomas Cook, um dos principais grupos de viagens de lazer do mundo, foi a primeira empresa de viagens internacionais a anunciar a eliminação das vendas para destinos que lucram com orcas em cativeiro. Apesar disto, a empresa continua a apoiar a terrível indústria de mamíferos marinhos em cativeiro em parceria com investidores que exploram belugas e golfinhos.

A Fosun, uma empresa de investimentos chinesa, possui 11% das ações da empresa de viagens Thomas Cook, construiu um resort de luxo chamado Atlantis Sanya, localizado na ilha de Hainan, na China . As informações são do World Animals News.

Baleia Beluga. Foto: Shutterstock.com

O resort abriu suas portas em maio de 2018 e tem duas atrações marinhas no local para clientes: o Aquário de Câmaras Perdidas, que abriga  baleias belugas e é gratuito para todos os hóspedes do hotel; e por uma taxa extra, os clientes podem nadar com golfinhos, no Dolphin Cay .

Tigre é caçado e esquartejado para seu esqueleto ser usado como “remédio afrodisíaco”

A caça é um flagelo no planeta e põe em risco toda a vida selvagem. Ao longo dos anos e rapidamente, milhares de animais entraram em extinção pela ação do homem. Elefantes, rinocerontes, pangolins, tigres e onças são mortos por suas presas, peles, chifres, escamas e outras partes de seus corpos.

Um caçador socou um tigre depois que o animal foi assassinado por partes de seu corpo.

Recentemente, uma cena chocante foi registada e mostra o momento em que um caçador disfere socos em um tigre morto, no meio da mata.

A imagem do “troféu” de uma gangue de caça revela homem com o punho acima da cabeça do animal enquanto ele está montado no gigante felino ensanguentado, no norte da Tailândia.

De acordo com ativistas, uma gangue de caça opera em todo o sudeste da Ásia e tem assassinado animais nas florestas do país para fazer dos seus restos mortais, amuletos “de sorte”, remédios afrodisíacos e decorações. As informações são do Daily Mail.

Os resultados de uma investigação de três meses foram revelados na última terça-feira (22), com autoridades alegando terem capturados os homens que operavam nas fronteiras da Tailândia.

Os trabalhadores da fauna silvestre disseram que os caçadores entrariam na selva pelas fronteiras das florestas para rastrear os animais, antes de matá-los e contrabandear as carcaças para o Vietnã.

Petcharat Sangchai, diretor da ONG Freeland que realizou a investigação, disse: “Não achamos que esta foi a primeira vez desses caçadores na Tailândia e acreditamos que eles estavam planejando atacar novamente”.

As autoridades também disseram que prenderam dois membros vietnamitas do grupo em outubro passado, na província de Nakhon Sawan, no norte da Tailândia, através de uma denúncia de um motorista contratado que suspeitou da carga.

Eles pararam o veículo, inspecionaram a bolsa e descobriram o esqueleto ainda fresco de um tigre e milhares de garras de urso.

A polícia e os oficiais dos animais selvagens tailandeses inspecionam um esqueleto de tigre na província de Nakhon Sawan, Tailândia. A foto surgiu depois que dois cidadãos vietnamitas foram presos com os restos mortais.

A terrível imagem do caçador atacando um tigre foi encontrada ao telefone de um membro da gangue. Isso desencadeou a investigação de três meses para descobrir a rede de caça ilegal.

A polícia então contatou a organização Freeland para assistência analítica usando tecnologia forense digital.

Ela revelou que os caçadores estrangeiros faziam parte de uma organização de tráfico de animais selvagens no Vietnã, que apoia a caça e o contrabando nas florestas da Tailândia, Malásia e Mianmar.

A polícia acredita que eles estavam operando nas regiões fronteiriças há bastante tempo antes de serem pegos.

Segundo Petcharat Sangchai, esqueletos de tigres e garras de urso estão em alta demanda em muitos países do sudeste da Ásia, especialmente no Vietnã.

“O esqueleto do tigre é o ingrediente crucial para a produção de um licor, que acreditam ser um remédio de saúde e para o sexo de idosos. Garras de urso são usadas para ser um amuleto de sorte de virtude e fama”.

A prisão desta não significa o fim da terrível ameaça à vida selvagem na Tailândia. A polícia, guardas florestais e as pessoa devem permanecer vigilantes.

 

Zoo encerra apresentações de elefantes asiáticos  

Zoológicos são ambiente extremamente cruéis com os animais. Performances com elefantes e outras espécies causam grande sofrimento a eles, pois são forçados a se comportar de maneira não natural, o que causa danos a longo prazo em seus corpos. Tais atividades são alcançadas através da ameaça, violência e privação de alimentos para forçarem os animais a obedecerem comandos.

Foto: Animals Asia

Finalmente, o zoológico de Saigon, o maior do Vietnã, na Ásia, encerrou todas as apresentações com elefantes após anos de pedidos e manifestações de organizações de bem-estar animal, incluindo a Animals Asia .

Embora o zoológico não tenha feito nenhum anúncio formal de que os shows terminaram, a organização teria recebido garantias de que nenhum deles ocorreu desde dezembro de 2018. A organização também confirmou que as performances dos elefantes não serão reintroduzidas.

Como explicado no site da Animals Asia, durante anos, quatro elefantes foram forçados a fazer truques, como se levantar em suas patas traseiras e ficar de pé em banquetas todo fim de semana e feriados.

Foto: Animals Asia

“Estamos felizes pelo fato do zoo de Saigon ter percebido que os shows com elefantes são cruéis, desatualizados e totalmente em desacordo com os princípios do bem-estar animal”, afirmou o diretor de bem-estar animal Dave Neale em um comunicado.

“Oferecemos conselhos gratuitos de bem-estar para ajudar o zoológico a fornecer os mais altos padrões de atendimento para os elefantes e até nos propomos a disponibilizar veterinários qualificados para ajudar a cuidar de um dos animais que está parece estar doente”.

Infelizmente, eles ainda não aceitaram as ofertas de apoio da Animals Asia, mas elas continuarão disponíveis a qualquer momento porque, como a organização afirmou, ela “nunca se afastará de um animal em necessidade”.

Foto: Animals Asia

Oposição em toda a Ásia

Na China, a pressão da Animals Asia contra circos com animais em cativeiro resultou em uma diretriz do governo em 2011, proibindo o uso de animais em apresentações. No entanto, a mais recente investigação da organização sobre o desempenho zoológicos da China revelou que, a partir de 2018, mais de 30% deles, além de parques de safári não encerraram as atividades com exploração animal conforme a lei determinou.

Atualmente, o zoo de Saigon possui seis elefantes asiáticos, quatro dos quais foram forçados a se apresentar. Lamentavelmente, os seis continuarão em exibição pública em seus recintos.

A entidade de defesa dos direitos animais espera que esse seja o primeiro passo para acabar completamente com o confinamento dos elefantes em Saigon e que eles possam ser transferidos para um santuário, onde viverão o resto de suas vidas em paz.