Lagartixa que já foi considerada extinta é encontrada em encomenda nos Correios

Uma lagartixa-de-crista (Correlophus ciliatus), que foi considerada extinta até ser redescoberta em 1994, foi encontrada dentro de uma caixa no Correios em Praia Grande, no litoral de São Paulo, informou a prefeitura no sábado (10). A espécie, que não existe no Brasil é nativa do arquipélago da Nova Caledônia, no Oceano Pacífico, a 14 mil km de distância.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Praia Grande

A lagartixa, que pode alcançar até 20 centímetros de comprimento, é considerada vulnerável à extinção, de acordo com organizações internacionais. As informações são do portal G1.

Funcionários da agência desconfiaram de um barulho vindo da caixa onde estava o animal e pediram ajuda ao Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal.

“Eles estranharam o fato de haver barulho dentro da caixa. Quando a equipe abriu a encomenda, identificou o tipo de réptil exótico comumente traficado no mercado clandestino”, explicou o inspetor Fábio Rogério Marques. Após ser resgatado, o réptil foi encaminhado ao Centro de Pesquisa e Triagem de Animais Selvagens (Ceptas) em Cubatão (SP).

Chefe do Ceptas, o médico veterinário Lucas Porto afirmou que o animal está desidratado, abaixo do peso e perdeu a cauda. “É um animal onívoro e é uma das únicas espécies de lagartos que não tem regeneração da cauda, como ocorre com as lagartixas. É um indivíduo que vai ser tratado e terá que ser mantido em cativeiro”, explicou.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Praia Grande

“Existem pessoas que gostam de criar cachorros, aves ou cavalos. Há quem gosta de répteis. O mercado de animal exótico, principalmente dos répteis e das aves, está crescendo muito nos últimos anos”, alertou Lucas Porto.

Após tratamento, a lagartixa deve ser levada para um local que tenha autorização para manejo da espécie e condições de cuidar dela. Não há, porém, prazo para isso.

O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Praia Grande. A prefeitura não informou de onde vinha e para onde seria levada a encomenda. Denúncias que colaborem com a investigação podem ser feitas pelos telefones 199 e 153.


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Ameaçado de extinção, lobo-guará morre após atropelamento no RJ

Um lobo-guará foi encontrado morto no domingo (4) às margens da RJ-106, a Rodovia Amaral Peixoto, em Rio das Ostras, no Rio de Janeiro. Vítima de atropelamento, o animal pertence a uma espécie ameaçada de extinção.

O lobo foi encontrado pela Guarda Ambiental no km 155 da rodovia. Acionado pelos guardas, um biólogo do Parque Natural Municipal Atalaia, com sede em Macaé (RJ), esteve no local para analisar o corpo do animal e encaminhar amostras para o Laboratório de Zoologia do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (Nupem) da UFRJ.

Foto: Alexandre Bezerra/Parque Natural Municipal Atalaia

O biólogo Alexandre Bezerra, chefe do parque, afirmou que o lobo tinha cerca de um metro e meio de comprimento, contando com a cauda. As informações são do G1.

De acordo com o profissional, esta foi a primeira vez que a presença de um lobo-guará foi registrada em Rio das Ostras. A população da espécie, ainda segundo Bezerra, está sendo estudada por especialistas do Nupem.

“É importante que as pessoas saibam que existem esses animais na nossa região pra que tenham atenção também na estrada porque pode causar graves acidentes”, disse o biólogo.

Não há placas de sinalização indicando a presença de animais silvestres no trecho da rodovia em que o atropelamento foi registrado.

De acordo com a prefeitura, a situação é atípica e a instalação da placa de sinalização está sendo providenciada. Ao ser questionada sobre a construção de travessias subterrâneas para que os animais possam transitar em segurança, a administração municipal afirmou que está em contato com o Governo do Estado para que as medidas necessárias sejam avaliadas.


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Mais de 100 papagaios-do-mar são mortos por caçadores de troféu em cada viagem de caça à Islândia

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Caçadores de troféus britânicos estão migrando para a Islândia para atirar e matar papagaios-do-mar em viagens de caça – depois da matança os corpos das aves são trazidos de volta com seus assassinos para “enfeitar” suas casas.

As viagens de caça ao pacífico país nórdico estão sendo vendidas por 3.000 libras (cerca de 3.600 dólares) por pacote, apesar de os papagaios-do-mar terem sido classificados como uma espécie vulnerável pela IUCN no ano passado.

Em uma tentativa de chamar a atenção do público, a Campaign to Ban Trophy Hunting (Campanha para Proibir a Caça ao Troféu) publicou fotos dos caçadores posando com dezenas de seus troféus sem vida.

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

O grupo também fez um apelo a Theresa Villiers, a nova secretária do Meio Ambiente, para proibir a importação de papagaios-do-mar caçados, informa o jornal Metro.

O porta-voz da campanha, Eduardo Gonçalves, instou o governo a impor uma moratória “antes que seja tarde demais”.

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Ele acrescentou: “Os papagaios-do-mar são uma das aves mais amadas do mundo. As pessoas viajam milhares de quilômetros apenas para fotografá-las. Agora, parece que os caçadores de troféus estão viajando pelo mundo para matá-las também.

“Os cientistas dizem que estão em sérios apuros. As populações estão caindo, e muito menos aves estão chegando às costas da Grã-Bretanha. A última coisa que eles precisam é que os caçadores de troféus atirem neles em grande número apenas por diversão.”

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Gonçalves também pediu à Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES) que classifique os papagaios-do-mar como espécie protegida em sua conferência no próximo mês (espécie já esta classificada como vulnerável).

A população de papagaios-do-mar islandeses despencou de sete milhões para 5,4 milhões em uma década.

E a Fair Isle, nas Ilhas Shetlands, viu sua população de pássaros icônicos cair pela metade – de 20mil para 10 mil – nos últimos 30 anos.

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Foto: Campaign to Ban Trophy Hunting

Quase 600 mil papagaios-do-mar vivem no Reino Unido, representando aproximadamente um décimo da população mundial.

Sir Roger Gale, o presidente da Conservative Animal Welfare Foundation, criticou a caça aos papagaios, descrevendo-a como “abominável”.

Ele disse ao Telegraph: “Eu não acredito em caça de troféus para qualquer espécie. Eu não acho que haja qualquer desculpa para isso”.

“Acredito que há muito mais turismo a ser gerado pela preservação e conservação dessas belas e únicas aves do que por matar os papagaios-do-mar.”

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Única espécie de urso da América do Sul está ameaçada pela caça

O urso-de-óculos, também conhecido como urso-andino, única espécie de urso nativa da América do Sul, é considerado vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). A caça reduziu a população da espécie a cerca de 13 mil a 18 mil animais, de acordo com uma estimativa de 2017 da IUCN. Em 1996, o número era de 18.250 animais, o que já, na época, já era considerado pouco pela organização, que dizia que “em vista da área ocupada pelos ursos, essa quantidade poderia ser muito maior”. No Peru, a população desse urso, que vive também na Bolívia, no Equador, na Colômbia e na Venezuela, é de cerca de 5 mil animais.

Um dos motivos que leva caçadores a tirar a vida desses animais é o uso do osso do pênis deles em uma bebida peruana batizada de “Sete Raízes”, que traz consigo a falsa promessa de cura da impotência sexual e até mesmo da conquista da força do urso, quando um osso inteiro é consumido.

Urso-de-óculos está ameaçado pela caça (FOTO: KEVIN SCHAFER, MINDEN PICTURES)

Ao portal National Geographic Brasil, uma peruana que comercializa a bebida afirmou que o osso do urso é trazido da floresta em Lamas – uma comunidade indígena na região de San Martín, no Peru. “É preciso atirar bem no coração. Se errar, ele pode atacar, porque é um animal muito forte”, disse ela.

Questionada sobre o risco dos ursos serem caçados até a extinção, a mulher respondeu: “é dinheiro! Nós ganhamos. Os caçadores também ganham. Com esse dinheiro, compram arroz, óleo e açúcar”.

No Peru, desde 1970 a caça aos ursos é proibida. No país, eles são protegidos também por uma lei geral de combate ao tráfico de animais silvestres. A caça e a venda de ursos-de-óculos e de partes de seus corpos é proibida ainda por lei ambientais e florestais de todos os países em que há incidência da espécie. A Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção também proíbe a prática.

No Peru, no entanto, a caça de ursos para usos xamânicos é comum. Em mercados de Lima, Chiclayo, Chachapoyas, Tarapoto e Yurimaguas é possível encontrar partes de mais de 20 ursos sendo comercializadas, além da “pasta de urso” – que nada mais é do que a gordura desses animais, comercializada sob o pretexto de aliviar dores e doenças, sem qualquer eficiência comprovada cientificamente.

Há peruanos que matam ursos para se vingar dos animais, já que eles matam bois para comer e entram em milharais. É o que conta Roxana Rojas-Vera Pinto, diretora de conservação da Sociedade Zoológica de Frankfurt.

Ossos penianos de urso-de-óculos (FOTO: EDUARDO FRANCO BERTON)

Segundo a IUCN, além da caça, essa espécie tem sofrido com a perda de habitat e as mudanças climáticas, que tem alterado padrões de vegetação e prejudicado ecossistemas. A diminuição do número de ursos, no entanto, ameaça ainda mais os ecossistemas, já que esses animais os mantém em equilíbrio ao dispersar sementes nas fezes e atuar como polinizadores devido ao transporte de pólen feito através da sua densa pelagem. Além disso, segundo Rojas, preservar o habitat dos ursos-de-óculos nas florestas nubladas ajuda a proteger as bacias fluviais que levam água para as comunidades localizadas rio abaixo.

O dente do urso também é utilizado por mestres xamanicos, que acreditam que ele afasta maus espíritos. Um desses mestres, que vive na cidade de Chiclayo, capital da região de Lambayeque,  contou, em entrevista ao portal National Geographic Brasil, que tem, além dos dentes, quatro peles de urso, uma de onça-parda e outra de onça-pintada.

“Há dez dias, eu estava com cinco garras de urso, mas já vendi. Negocio todos os dias”, relevou o mestre xamanico. No armazém do homem, cada dente de urso-de-óculos é vendido por R$ 60. No local, há à venda também ossos penianos do animal.

“Estes eu escondi”, afirmou ao se referir aos ossos penianos. “Não podemos expô-los. Do contrário, o pessoal da florestal aparece, já tive problemas com eles”, completou. A Agência Florestal e de Fauna Silvestre do Peru administra a fauna silvestre e as florestas nacionais e apreende produtos provenientes de animais silvestres, que foi o que ocorreu com o mestre xamanico. O problema a que ele se refere, ainda segundo ele, foi resolvido “fazendo um acordo diretamente com o oficial”.

Espécie é considerada vulnerável (FOTO: PETE OXFORD, MINDEN PICTURES/NAT GEO IMAGE COLLECTION)

O mestre disse que raspa os ossos até que se transformem em farinha e os coloca na bebida Sete Raízes, que é comercializada, em uma garrafa, por cerca de R$ 580.

Em Moshoqueque, um mercado em Chiclayo, uma mulher comercializa a gordura pura do urso-de-óculos. Segundo ela, a gordura é retirada da pele do animal com uma faca e colocada em uma panela. Após ser derretido, o produto é vendido em uma garrafa plástica de meio litro.

“O caçador nos traz o urso inteiro e selecionamos as partes que queremos comprar”, contou a vendedora, que vende também, por R$ 3 mil, um pênis de urso desidratado que ela afirma ter tirado do animal por conta própria.

Um dos produtos vendidos era etiquetado com o nome Vergel S.A. Não há, no entanto, nenhum registro nesse nome na Superintendência Nacional de Aduanas e Administração Tributária (Sunat), órgão responsável por arrecadar impostos e identificar contrabandos e evasão fiscal.

Judith Figueroa, ecologista de fauna silvestre da Associação Peruana de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, realizou uma investigação sobre esses produtos entre 2002 e 2007, mas não teve sucesso. “Das 16 diferentes apresentações observadas de bálsamos de urso, 81,2% não tinham registro ou eram falsas de acordo com a Superintendência Nacional de Administração Tributária”, disse. Segundo a pesquisadora, “é provável que a Sunat não tinha conhecimento das vendas de bálsamos de urso feitas por pessoas físicas ou jurídicas.’’

Os produtos costumam ser vendidos com diversos rótulos, segundo Figueroa. Muitos deles têm imagens de ursos-polares, ursos-pardos, ursos-negros-norte-americanos e pandas, mas os vendedores garantem que o produto é feito a partir da gordura do urso-de-óculos. Os rótulos falsos provavelmente tem o objetivo de enganar as autoridades.

Tráfico oculto

Sam Shanee, diretor da Neotropical Primate Conservation (Conservação de Primatas Neotropicais), organização do Reino Unido, com filiais regionais no Peru e na Colômbia, que trabalha em prol do combate ao tráfico de animais silvestres na América do Sul, explica que “o tráfico de animais silvestres está mais oculto – não é mais tão aberto, mas ainda persiste” no Peru, país que aumentou de R$ 700 para R$ 6 mil a multa para a caça, o armazenamento, a coleta e a venda de quaisquer produtos e derivados de animais silvestres e que estabelece, através do código penal, pena de prisão de até cinco anos para crimes contra animais silvestres.

Antes, o comércio era feito livremente. Hoje, segundo Shanee, são usados códigos como coloca um papagaio em frente à loja para indicar que lá tem produtos derivados de animais silvestres à venda. Segundo ele, se o consumidor pedir, os vendedores “trazem macacos, aves, bichos-preguiças ou tudo que você desejar, praticamente como uma encomenda”.

“A polícia ecológica, as autoridades ambientais regionais e os promotores públicos têm que trabalhar em conjunto para realizar operações. Por isso, é muito difícil a atuação de todos e esse é um grande ponto fraco”, disse.

Segundo Yuri Beraún, especialista de manejo da fauna silvestre do Ministério do Meio Ambiente, “as instituições responsáveis por aplicar a lei possuem dificuldades técnicas e operacionais, pois não dispõem de equipamentos para transportar os animais que resgate” e a rotatividade das equipes responsáveis por aplicar a lei é elevada.

Líquido laranja amarronzado é vendido como gordura de uso-de-óculos (FOTO: EDUARDO FRANCO BERTON)

Para compensar falhas na legislação, Shanee criou, em 2014, o projeto Denuncia Fauna, por meio do qual a população faz denúncias anônimas de tráfico de animais. As denúncias são recebidas pela Neotropical Primate Conservation, que alerta as autoridades. A organização já esteve envolvida no resgate de sete ursos vivos que eram mantidos em cativeio.

Entretanto, das 175 denúncias apresentadas entre 2014 e 2016, 74% não resultaram em punição e 26% resultaram no resgate de um animal. De todas elas, apenas 3% geraram investigações e aproximadamente 15 estavam relacionadas ao urso-de-óculos. Esses animais, porém, não constaram em nenhuma das 619 ações criminais sobre animais silvestres ajuizadas no Peru desde 2010, conforme dados do Ministério da Justiça.

O presidente do Instituto de Defesa Legal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Henry Carhuatocto, acredita que, “como estratégia em litígios referentes a assuntos ambientais, devem ser punidos não apenas aqueles que matam os ursos, mas também aqueles que alimentam a demanda por seus produtos. Assim, fechamos o ciclo”.

Segundo ele, faltam juízes voltados para a área ambiental no Peru. “Acho que o copo está meio cheio. O que nos faltam são juízes especializados em assuntos ambientais. A única região que possui um foro ambiental é Madre de Dios e não é permitido levar para a prisão alguém que cometa um crime de tráfico de animais silvestres em outra região”, contou.

A necessidade é confirmada por Flor María Vega, coordenadora nacional do Ministério Público Especializado em Assuntos Ambientais do Peru (Fema, na sigla em espanhol). “Consideramos importante que juízes e promotores públicos adquiram conhecimento especializado no manejo da fauna silvestre para entenderem a importância de sua conservação e unificarem critérios que garantam justiça ambiental em crimes de tráfico de animais silvestres”, disse.

De acordo com Vegas, o Fema não dispõe de recursos para monitorar mercados que comercializam produtos derivados de animais silvestres e para fazer buscas e apreensões.

“O número de funcionários especializados nesse trabalho é insuficiente, considerando a burocracia de cada gabinete. Assim, podemos presumir que a iniciativa do governo peruano para pôr em prática a convenção Cites e coibir o tráfico ilegal de animais silvestres não está funcionando completamente”, afirmou Vegas, que considera que o Ministério do Meio Ambiente deveria destinar verbas para o Fema – o que não é feito atualmente.

Segundo Beraún, do Ministério do Meio Ambiente, a Estratégia Nacional para Redução do Tráfico Ilegal da Fauna Silvestre do Peru conseguiu avançar na identificação das principais rotas de tráfico de produtos derivados dos ursos-de-óculos. De acordo com ele, o próximo passo “é conduzir ações de inteligência e punir não apenas o consumidor final, mas aquele que provoca o maior dano: o intermediário.”


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Mudança climática tem maior impacto sobre a vida marinha

Vida marinha sofre os efeitos da mudança climática | Foto: Ingrid Prats/Shutterstock

Vida marinha sofre os efeitos da mudança climática | Foto: Ingrid Prats/Shutterstock

A mudança climática causou o desparecimento duas vezes mais espécies marinhas do que espécies terrestres de seus habitats, descobriu um estudo conduzido pela Universidade Rutgers.

A maior vulnerabilidade das criaturas marinhas ao calor pode impactar nas populações e espécies que já estão severamente ameaçadas de extinção por fatores diversos como perda de habitat, enredamentos, choques com embarcações e outros fatores.

O estudo é o primeiro a comparar a sensibilidade das espécies marinhas e terrestres de sangue frio ao aquecimento global e sua capacidade de encontrar refúgio do calor enquanto permanecem em seus habitats normais.

Os autores investigaram pesquisas mundiais sobre quase 400 espécies, de lagartos e peixes a aranhas. Eles calcularam as condições de segurança para 88 espécies marinhas e 294 terrestres, bem como as temperaturas mais baixas disponíveis para cada espécie durante os períodos mais quentes do ano.

“Descobrimos que, globalmente, as espécies marinhas estão sendo eliminadas de seus habitats pelo aquecimento das temperaturas duas vezes mais que as espécies terrestres”, disse o principal autor do estudo, Malin Pinsky, professor associado do Departamento de Ecologia, Evolução e Recursos Naturais da Universidade Rutgers em Nova Brunswick. “As descobertas sugerem que novos esforços de conservação serão necessários se o oceano continuar ser saqueado para o bem-estar, a nutrição e a atividade econômica humanas”.

Foto: BSAC/Reprodução

Foto: BSAC/Reprodução

Os pesquisadores descobriram que as espécies marinhas são, em média, as mais propensas a viver à beira de temperaturas perigosamente altas. Além disso, muitos animais terrestres podem se esconder do calor em florestas, áreas sombreadas ou subterrâneas, um luxo que não é possível a muitos animais marinhos.

A perda de uma população pode esgotar a diversidade genética das espécies, ter impactos em cascata sobre seus predadores e presas e alterar os ecossistemas que envolvem também a sociedade humana.

O estudo observa que as extinções antigas estavam freqüentemente concentradas em latitudes e ecossistemas específicos quando o clima mudou rapidamente.

O aquecimento futuro provavelmente desencadeará a perda de mais espécies marinhas de habitats locais e maior rotatividade de espécies no oceano.

“Compreender quais espécies e ecossistemas serão mais severamente afetados pelo aquecimento, conforme as mudanças climáticas avançam, é de fundamental importância para orientar os esforços em prol da conservação dessas populações”, conclui o estudo.