Ativistas pedem mudanças contra a exportação de animais vivos

Organizações e grupos defensores dos animais da Grã-Bretanha apoiaram as solicitações da RSPCA para reduzir substancialmente o tempo de viagem para as exportações de animais vivos, já que o governo britânico está considerando proibir a prática depois do Brexit.

bezerro enjaulado

Foto: Kaale

A RSPCA fez um apelo à Comissão da União Europeia depois que um caminhão foi parado em um porto do Reino Unido pela instituição junto com outros ativistas e funcionários do governo no dia 10 de janeiro.

Os grupos pararam o caminhão que transportava cerca de 250 bezerros, devido aos animais estarem consideravelmente exaustos, para evitar que o veículo excedesse o tempo máximo de transporte permitido pela lei.

As leis atuais do país indicam que os bezerros não devem ser transportados por mais de nove horas sem um período de descanso de uma hora, e não mais de 21 horas antes de terem um período de descanso de 24 horas.

A RSPCA estimou que o caminhão, que veio da Escócia, viajou por cerca de 70 horas, incluindo paradas para descanso, em direção à Espanha passando por Calais, uma cidade francesa. Se os animais tivessem sido levados de barco, o transporte levaria muito mais tempo do que o permitido.

A Kent Action Against Live Exports (Kaale) disse ao The Guardian que, nas viagens que excedem o limite de tempo estabelecido, as ovelhas viajam por uma média de 14 horas partindo do Reino Unido, para terem apenas uma hora de descanso no caminhão e em seguida, mais 14 horas em trânsito.

Para os bezerros, com idades entre duas e seis semanas de idade, a jornada é de nove horas, seguida de um descanso de uma hora e mais nove horas em trânsito em direção a países da Europa, do norte da África e do Oriente Médio.

Yvonne Birchall, secretária da Kaale, disse: “Acreditamos que nenhum animal deve viajar por mais de oito horas para ter sua garganta cortada ao fim da viagem. Eu faço campanha há 25 anos. É cruel, desnecessário, e estressante.”

Em 1995, cerca de 30 caminhões passavam por Dover diariamente. A questão chamou a atenção dos grupos de direitos animais, e os protestos regulares nos portos contra o comércio e a exportação de animais tornaram-se cada vez mais intensos. Naquele mesmo ano, Jill Phipps, de 31 anos, ativista pelos direitos animais, morreu tragicamente após ser esmagado sob as rodas de um caminhão que transportava bezerros para o aeroporto de Coventry para serem exportados.

Em 2018, a operadora de balsas P&O parou de transportar bezerros pela Europa depois que um documentário da BBC, “Disclosure: the Dark Side of Dairy”, repercutiu entre a população, conscientizando as pessoas sobre a crueldade envolvida na indústria de laticínios.

A Escócia é crucial para o comércio e transporte de bezerros porque, em outras partes da Grã-Bretanha, as empresas de balsas se recusam a transportar animais para matadouros, fábricas ou qualquer indústria de carne de vitela.

James West, gerente de políticas da Compassion in World Farming, disse que, além de um limite de oito horas de transporte dentro da União Europeia, a organização pediu ao Departamento de Agricultura e Assuntos Rurais da Grã-Bretanha (Defra) para acabar de vez com a exportação de animais vivos no Reino Unido na primeira oportunidade após o Brexit.